Filosofia / O Problema Do Mal Em Hannah Arendt Por Nádia Souki

O Problema Do Mal Em Hannah Arendt Por Nádia Souki

Ensaios: O Problema Do Mal Em Hannah Arendt Por Nádia Souki
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Enviado por:  Carlos  28 outubro 2011
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Palavras: 7732   |   Páginas: 31
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livro Hannah Arendt e a banalidade do mal. Belo Horizonte: UFMG, 1998, 2006 (1a reimpressão).

RICOEUR, Paul. O mal. Um desafio à filosofia e a teologia. São Paulo: Papirus, 1988.

abordagem e em um mesmo plano, fenômenos dispares como pecado, sofrimento e morte. Na esteira das formulações de Ricoeur, proponho, nesta reflexão que ora apresento, dissociar a noção de mal da de pecado, sofrimento e morte e tentar abordá-lo dentro da perspectiva da ação que nos conduz a um recorte da ética e da política. O que pretendo é conferir ao mal um caráter compreensível e ativo, passível de ser enfrentado e combatido. Nesses termos, o ponto de partida metodológico é acreditar na possibilidade de que o mal possa ser debatido e analisado teoricamente. Entretanto, a experiência política do século XX revelou-nos o surgimento de uma nova modalidade de mal até então desconhecida. Algo que não encontrava paralelo na experiência da tradição e nem sequer era imaginado pela literatura de ficção. O ser humano surpreendeu a si mesmo com sua capacidade inovadora que sabemos ser potencialmente ativa para o bem e para o mal. A emergência do fenômeno totalitário obrigou-nos a reavaliar a ação humana e a história, na medida em que ele revelou novas figurações do homem, inclusive em algumas de suas formas monstruosas. É, precisamente, no contexto da reflexão sobre a experiência das sociedades totalitárias do éculo 20 que Hannah Arendt retoma a questão do mal na filosofia. Segundo essa pensadora, quando tentamos compreender o fenômeno totalitário – que nos impõe essa realidade e contraria todas as normas que conhecemos – não temos apoio na experiência da tradição. para ela, essa falta de apoio deve-se tanto ao fato de a emergência de tal fenômeno constituir algo novo, que não se ajusta às nossas categorias de pensamento, quanto à constatação de que toda tradição filosófica recusa-se a conceber um mal radical.2 É interessante observar, no exame da obra de Arendt, uma preocupação com o fenômeno

do mal norteando toda uma indagação política, embora essa temática seja marcada de forma explícita apenas em três momentos distintos de sua obra. Arendt trata com especifidade dessa questão, tratando-a em abordagens distintas mas interligadas, de modo a configurar uma espécie de desenvolvimento do conceito. Os momentos constitutivos desse processo estariam presentes em Origens do totalitarismo (1951), em Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal (1963) e em A vida do espírito: o pensar, o querer, o julgar (1975). Portanto, ela persiste nessa pergunta e nessa 2 ARENDT. Origens do totalitarismo. Trad.: Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p.510.

reflexão, no curso de 24 anos, sempre renovando e ampliando sua posição. Examinemos, então, cada um desses momentos. As linhas de um pensamento A primeira vez que Hannah Arendt refere-se ao problema do mal é em 1951 na segunda edição revisada de As Origens do Totalitarismo, na qual afirma: É inerente a toda no ...



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