Letras / A IMAGEM E O DISCURSO POÉTICO: UMA ANÁLISE DE A ARTE COMO PROCEDIMENTO, DE VICTOR CHKLOVSKI

A IMAGEM E O DISCURSO POÉTICO: UMA ANÁLISE DE A ARTE COMO PROCEDIMENTO, DE VICTOR CHKLOVSKI

Dissertações: A IMAGEM E O DISCURSO POÉTICO: UMA ANÁLISE DE A ARTE COMO PROCEDIMENTO, DE VICTOR CHKLOVSKI
Buscar 155.000+ Trabalhos e Grátis Artigos

Enviado por:  DalmoLima  16 outubro 2013
Tags: 
Palavras: 1572   |   Páginas: 7
Visualizações: 34

ZUNÁI - Revista de poesia & debates

[ retornar - outros textos - edições anteriores - home ]

A IMAGEM E O DISCURSO POÉTICO: UMA ANÁLISE DE A ARTE COMO PROCEDIMENTO, DE VICTOR CHKLOVSKI

Bianca Albuquerque da Costa

Em seu ensaio A arte como procedimento, Victor Chklovski apresenta um confronto entre a linguagem literária e a linguagem cotidiana, apontando como principal diferença entre elas seu caráter de singularização e automatização, respectivamente.

Ao iniciar o texto, o autor discute a afirmação “a arte é pensar por imagens” e procura destacar o pensamento de Potebnia. Para esse filólogo, a imagem é mais simples do que aquilo que ela representa e possibilita uma economia das energias mentais exatamente por ser mais familiar para o leitor do que aquilo que ela explica. Potebnia chega, então, à conclusão de que “a poesia = a imagem” (apud Chklovski, 1973, p. 41), o que serviu de fundamento para a teoria que seduziu os simbolistas por afirmar que a imagem é um símbolo e se torna “um predicado constante para sujeitos diferentes”. (Chklovski, 1973, p. 41) Mas Chklovski afirma que Potebnia somente chegou a essa conclusão por não ter distinguido a linguagem poética da linguagem prosaica e que tal teoria era menos contraditória quando utilizada na análise de fábulas.

Segundo Chklovski, há dois tipos de imagem: uma funciona como um caminho mais facilitado, mais prático de pensar e a outra seria uma maneira de reforçar as impressões. No primeiro caso, tem-se a imagem prosaica (mais relacionada à metonímia) e, no segundo caso, a imagem poética (mais metafórica). Assim, a lei da economia das energias criativas aplica-se somente à língua quotidiana, embora tenha sido estendida à língua poética, equivocadamente, exatamente por não se ter feito distinção entre esses dois tipos de linguagem. É necessário, então, traçar as diferenças entre os dois tipos de linguagem para que se possa tratar das regras de economia e despesa da língua po

ética considerando-a em seu próprio campo e não em relação à língua prosaica.

Para Chklovski, o discurso prosaico sofre um processo de automatização em que “os objetos são substituídos por símbolos”. (Chklovski, 1973, p. 44) Essa automatização é facilmente percebida na língua quotidiana através de frases inacabadas e de palavras que sofrem apócopes ou síncopes ao ser pronunciadas, a percepção do objeto é superficial e o que se pretende é o seu reconhecimento. O discurso cotidiano procura uma rapidez na comunicação, seus objetos apresentam-se “empacotados” para que o tempo de percepção seja o mínimo possível e, dessa forma, há uma economia das forças perceptivas.

Já a arte pretende estabelecer uma nova percepção do objeto através de um procedimento de singularização. Há, por isso, a tentativa de tornar as formas opacas, de aumentar a dificuldade de entendimento para que se alcance uma maior duração da percepção, pois “a arte é um meio de experimentar o devir do objeto, o que já ...



Cadastre-se no TrabalhosGratuitos

Cadastre-se no TrabalhosGratuitos - buscar 155.000+ trabalhos e monografias