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Assedio Moral

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Categoria: Outras

Enviado por: Emiliane 18 setembro 2013

Palavras: 1782 | Páginas: 8

1) CONCEITO

Assediar, segundo o dicionário Aurélio, é "perseguir com insistência, importunar, molestar, com perguntas ou pretensões insistentes". Ou seja, assediar é um ato que só adquire significado pela insistência. Moral - diz respeito ao conjunto de costumes e opiniões que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem com relação ao comportamento humano ou o conjunto de regras de comportamento consideradas como universalmente válidas. O assédio moral no trabalho é definido como qualquer conduta abusiva (gesto, palavra, comportamento, atitude...) que atente contra a dignidade ou a integridade psíquica ou física de uma pessoa, ameaçando seu emprego ou degradando o clima de trabalho. Tais condutas, que na maioria das vezes são conduzidas por alguém hierarquicamente superior no organograma da empresa, são repetitivas e prolongadas, e afetam diretamente o exercício profissional. Neste sentido, o assédio moral se caracteriza, sobretudo, pela imposição de situação humilhante e degradante ao trabalhador, dentro de seu ambiente de trabalho, preferencialmente com a exposição excessiva e contínua da vítima. O assediador pode caracterizar-se pela agressividade, mas também por comportamentos menos explícitos, como o desprezo, a ironia ou a obsessão em demonstrar aos outros, reiteradamente, a superioridade da função que exerce, expondo a vítima a embaraços e abalos psíquicos importantes, e à diminuição do valor e da importância do seu trabalho em relação ao trabalho dos colegas. Outra característica relevante do assédio moral é a necessidade da existência de uma "platéia" que o assediador usa para focar a vítima como a única culpada e responsável pela situação de segregação à qual foi submetida.

Segundo Marie-France Hirigoyen o assédio moral não se confunde com estresse, conflito profissional, excesso de trabalho, exigências no cumprimento de metas, falta de segurança, trabalho em situação de risco ou ergonomicamente desfavorável. Alguns exemplos de assédio moral no trabalho são: a recusa da comunicação direta, a desqualificação, o descrédito, o isolamento, a obrigatoriedade ao ócio, o vexame, o induzir ao erro, a mentira, o desprezo, o abuso de poder, a rivalidade, a omissão da empresa em resolver o problema, ou a ação da empresa em estimular métodos perversos (HIRIGOYEN, Marie-France. Assédio Moral: A Violência Perversa do Cotidiano. 6ª d. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003, p. 9)

O site www.assediomoral.org informa que o assédio moral caracteriza-se pela degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. A vítima escolhida é isolada do grupo sem explicações, passando a ser hostilizada, ridicularizada, inferiorizada, culpabilizada e desacreditada diante dos pares.

Estes, por medo do desemprego e de serem também humilhados, associado ao estímulo constante à competitividade, rompem os laços afetivos com a vítima e, freqüentemente, reproduzem e reatualizam ações e atos do agressor no ambiente de trabalho, instaurando um “pacto de tolerância e de silêncio” no coletivo, enquanto a vitima vai gradativamente se desestabilizando e fragilizando, “perdendo” sua auto-estima.

2) Condutas mais comuns que caracterizam o assédio moral:

• dar instruções confusas e imprecisas ao trabalhador;

• bloquear o andamento do trabalho alheio;

• atribuir erros imaginários ao trabalhador;

• pedir-lhe, sem necessidade, trabalhos urgentes ou sobrecarregá -lo com tarefas;

• ignorar a presença do trabalhador na frente dos outros e/ou não cumprimentá-lo ou não lhe dirigir a palavra;

• fazer críticas ao trabalhador em público ou, ainda, brincadeiras de mau gosto;

• impor -lhe horários injustificados;

• fazer circular boatos maldosos e calúnias sobre o trabalhador e/ou insinuar que ele tem problemas mentais ou familiares;

• forçar a demissão do trabalhador e/ou transferi-lo do setor para isolá-lo;

• pedir-lhe a execução de tarefas sem interesse e/ou não lhe atribuir tarefas;

• retirar seus instrumentos de trabalho (telefone, fax, computador, mesa, etc...);

• agredir o assediado somente quando o assediador e vítima estão a sós;

• proibir colegas de falar e almoçar com o trabalhador;

3.Perfil da vítima do assédio moral

. trabalhadores com mais de 35 anos;

. os que atingem salários muito altos, não se curvam ao autoritarismo nem se deixam

.subjugar e são mais competentes que o agressor;

.saudáveis, escrupulosos e honestos, perfeccionistas, não hesitam em trabalhar nos finais de semana, ficam até mais tarde e não faltam ao trabalho mesmo

quando doentes;

.pessoas que têm senso de culpa muito desenvolvido e aqueles que vivem sós;

.pessoas que estão perdendo a cada dia a resistência física e psicológica para suportar

humilhações;

.portadores de algum tipo de deficiência ou problemas de saúde;

• os que têm crença religiosa ou orientação sexual diferente daquele que assedia;

• os que têm limitação de oportunidades por serem especialistas;

• homens em um grupo de mulheres e mulheres em um grupo de homens;

Com relação às mulheres, acrescentam-se ainda:

• as casadas, grávidas ou as que têm filhos pequenos;

• as casadas, grávidas ou as que têm filhos pequenos;

Além dos trabalhadores acima citados, pode-se ainda destacar o “assédio moral” vivenciado pelos egressos do sistema prisional.

4. Perfil do Assediador Quem agride?

• um superior (chefe) agride um subordinado. É a situação mais freqüente;

• um colega agride outro colega;

um superior é agredido por subordinados. É um caso mais difícil de acontecer. A vítima vem de fora da empresa, tem uma maneira de exercer a chefia, que o grupo não aceita. Pode ser também um antigo colega, que é promovido a chefe, sem que o

grupo tenha sido consultado. Martha Halfeld Furtado de Mendonça Schmidt, em sua obra “O assédio moral no Direito do Trabalho”, apresenta o perfil do assediador (baseado em observações de trabalhadores):

-Profeta - para ele demitir é “grande realização”. Gosta de humilhar com cautela, reserva e elegância.

-Pit-bull - humilha os subordinados por prazer. É agressivo, violento e até perverso no que fala e em suas ações.

-Troglodita - é aquele que sempre tem razão

-Tigrão - quer ser temido p a r a e s c o n d e r s u a incapacidade e necessita de público para sentir-se respeitado.

-Mala-babão - é um“capataz moderno” que controla e persegue os subordinados com “mão de ferro”.

-Grande irmão – finge s e r a m i g o d o t r a b a l h a d o r , m a s depois de conhecer seus problemas particulares m a n i p u l a - o n a primeira oportunidade.

-Garganta – vive contando vantagens e não admite que seus subordinados saibam mais que ele.

-Tassea (“Tá se achando”)- É confuso e inseguro. Dá ordens contraditórias. Se são feitos elogios ao trabalho, está sempre pronto para recebê-los; contudo, se é criticado, coloca a culpa nos subordinados.

5. Conseqüências do Assédio Moral

a) Perdas para a Empresa:

As perdas para o empregador podem ser resumidas em :

queda da produtividade e menor eficiência;

imagem negativa da empresa perante os consumidores e mercado de trabalho;

alteração na qualidade do serviço/produto e baixo índice de criatividade;

doenças profissionais , acidentes de trabalho e danos aos equipamentos;

troca constante de empregados , ocasionando despesas com rescisões, seleção e treinamento de pessoal;

aumento de ações trabalhistas, inclusive com pedidos de reparação

por danos morais.

b) perdas para o assediado:

Dependendo do perfil psicológico do assediado e de sua condição social, sabe-se que sua capacidade de se rebelar contra o assédio moral no ambiente de trabalho é limitada, justamente por ser o empregado a parte mais fraca da relação. Surgem ,então, empregados d e s p r o v i d o s d e m o t i v a ç ã o , d e criatividade, de c a p a c i d a d e d e liderança, de espírito de equipe e com poucas chances de se manterem “empregáveis”.

Acabam por se sujeitar às mais diversas humilhações, adoecendo psicológica e/ou fisicamente.

Uma das conseqüências mais marcantes do assédio moral é justamente registrada no campo de saúde e segurança do trabalho, pois, diante de um quadro inteiramente desfavorável à execução tranqüila e segura do serviço que foi lhe conferido, o empregado assediado sente-se ansioso,despreparado e inseguro.

Em conseqüência, quando não é demitido pela baixa produtividade, aumentam os riscos de vir a sofrer doenças profissionais ou acidentes do trabalho.

6) Como deve se posicionar a vítima diante do assédio moral:

-conhecer o que é o Assédio Moral e suas características;

-distinguir do assédio moral outras tensões no trabalho como desavenças eventuais, “stress” e contrariedades;

-se constatado o assédio, deve reunir provas para a sua comprovação;

-denunciar o assédio moral aos recursos humanos, à CIPA e ao SESMT (Serviço Especializado de Segurança e Medicina do Trabalho) da empresa, ao sindicato profissional e à comissão de conciliação prévia, se existente;

-não obtendo êxito quanto a essas últimas providencias, denunciar o assédio ao Ministério do Trabalho e Emprego e ao Ministério Público do Trabalho.

7) Como deve se posicionar o empregador (empresa) diante do assédio moral:

Se o empregado for vítima de assédio moral no ambiente de trabalho, a empresa será responsabilizada. Poderá a vítima requerer a rescisão indireta de seu contrato de trabalho, e, também, indenização por danos morais e materiais. Em razão, pois, de sua

responsabilidade, cabe ao empregador, diante da notícia de assédio moral, tomar as seguintes providências:

-d i a g n o s t i c a r o a s s é d i o , identificando o agressor, investigando seu objetivo e

ouvindo testemunhas.

-avaliar a situação, através de ação integrada dos recursos humanos, da CIPA e de SESMT.

-buscar, através do diálogo, modificar a situação, reeducando o agressor. Caso isso não seja possível, deverão ser adotadas medidas disciplinares contra o assediador, inclusive sua demissão, se necessária.

-oferecer todo o apoio médico e psicológico à vitima e, caso já tenha sido demitida, a sua readmissão.

-exige-se da empresa, em caso de abalos à saúde física e/ou psicológica do empregado, decorrentes do assédio,a emissão da CAT - Comunicação de Acidente de Trabalho. Em caso de empresas de pequeno porte, em que o assediador pode ser o próprio empregador, somente a conscientização e a prevenção podem ser eficazes contra o assédio moral.

8) Ações preventivas da Empresa:

Os problemas de relacionamento dentro do ambiente de trabalho e os prejuízos daí resultantes serão tanto maiores, quanto mais desorganizada for a empresa e maior for o grau de tolerância do empregador, em relação às praticas de assédio moral.

Por isso, é importante estabelecer o diálogo sobre os métodos de organização do trabalho, como fator de prevenção e reflexão. Para conscientizar os trabalhadores é importante a realização de seminários, palestras e outras atividades voltadas à discussão do problema. A empresa deve, também, criar um código de ética que proiba todas as formas de discriminação e de assédio moral, que promova a dignidade e cidadania do trabalhador. A fim de tornar efetivas as disposições desse código de ética, devem ser criados na empresa “espaços de confiança”, representados, por exemplo, por “ouvidores”, que receberão e e n c a m i n h a r ã o a s q u e i x a s sobre assédio.