Trabalho Completo A CONTRIBUIÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE AS BASES NEUROPSICOLÓGICAS PARA A ATUAÇÃO DOS EDUCADORES

A CONTRIBUIÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE AS BASES NEUROPSICOLÓGICAS PARA A ATUAÇÃO DOS EDUCADORES

Imprimir Trabalho!
Cadastre-se - Buscar 155 000+ Trabalhos e Monografias

Categoria: Outras

Enviado por: DavidRangel 08 outubro 2013

Palavras: 1659 | Páginas: 7

A CONTRIBUIÇÃO DO CONHECIMENTO SOBRE AS BASES NEUROPSICOLÓGICAS PARA A ATUAÇÃO DOS EDUCADORES

Como o conhecimento das bases neuropsicológicas pode proporcionar uma educação de qualidade e significativa aos alunos.

O presente trabalho tem por objetivo identificar as contribuições do conhecimento sobre as bases neuropsicológicas da aprendizagem para a atuação dos profissionais de educação e, assim, fornecer subsídios aos educadores interessados em promover uma aprendizagem mais significativa para os alunos. Diante de tantas transformações pelas quais a escola vem passando, com a introdução de novas tecnologias e de concepções científicas, o professor também precisa acompanhar estas mudanças, no intuito de contribuir para a obtenção de um melhor aproveitamento escolar dos alunos.

A aprendizagem é definida como uma mudança de comportamento resultante de prática ou experiência anterior. Também pode ser vista como a mudança de comportamento viabilizada pela plasticidade dos processos neurais cognitivos. Devido ao fato da aprendizagem ser constituída por processos neurais, é de grande valia fazer uso da neuropsicologia como ferramenta de estudo para compreender esses processos.

O estudo dos processos da memória e sua correlação com a aprendizagem vêm sendo renovada por rápidos avanços científicos. Nos últimos anos, novas tecnologias funcionais passaram a permitir que fizéssemos observações, pesquisas experimentais mais profundas nas estruturas cerebrais do ser humano. A tomografia, muito acessível nos dias atuais, é um exemplo. No entanto, ainda temos muito a caminhar no campo vasto da psique humana, que envolvem a memória e aprendizagem, visto ser algo muito complexo.

“A neuropsicologia é a ciência que tem por objeto o estudo das relações entre as funções do sistema nervoso e o comportamento humano. A mesma pretende inter-relacionar os conhecimentos da psicologia cognitiva com as neurociências, desvendar a fisiopatologia do transtorno e, sobre esta base, encarar racionalmente a estratégia de tratamento.”

A neuropsicologia entende a participação do cérebro como um todo, no qual as áreas são interdependentes e inter-relacionadas, funcionando comparativamente a uma orquestra, que depende da integração de seus componentes para realizar um concerto. Isso se denomina sistema funcional. Andrade et al (2004) aponta que a relação cérebro-comportamento no desenvolvimento infantil está relacionada com dois conceitos fundamentais: a plasticidade cerebral e a lateralização de funções. De acordo com as pesquisas, é no cérebro que ocorrem todos os fenômenos do processo de memória, que é indispensável à aprendizagem. O cérebro é uma entidade localizada dentro do crânio e pode ser visualizado, tocado e manipulado. Ele é composto por substâncias químicas, enzimas e hormônios que podem ser medidos e analisados. Segundo Anderson (2005), o cérebro humano tem cerca de 1300 centímetros cúbicos de volume, ou seja, é muito grande, particularmente em relação ao tamanho do corpo humano. Acrescenta o autor que uma das dificuldades, compreensão do cérebro é que ele se apresenta como uma estrutura tridimensional e, portanto, muitas áreas importantes estão ocultas dentro dele.

O entendimento dos distúrbios do desenvolvimento e dos efeitos de lesões no comportamento durante a infância é relevante quando se analisa as diferenças entre os dois hemisférios cerebrais na capacidade de compensação dos efeitos de uma lesão. Dessa maneira, sabe-se que, a partir do conhecimento do desenvolvimento e funcionamento normal do cérebro, pode-se compreender alterações cerebrais, como no caso de disfunções cognitivas e do comportamento resultante de lesões, doenças ou desenvolvimento anormal do cérebro.

Quando falamos de aprendizagem estamos nos referindo a um processo global de crescimento, pois toda aprendizagem desencadeia, em algum sentido, crescimento individual ou grupal.

Pesquisas recentes demonstram que o desenvolvimento da memória é fator determinante para um bom aprendizado, como as apresentadas por Lieury (2001). Diante disso, acompanhar os novos métodos para o desenvolvimento da memória dos alunos, como os que são apontados por Sprenger (2008), é de grande importância principalmente para os profissionais de educação que atuam e se interessam por melhorar o aprendizado de seus alunos. De modo especial, trabalhar com os conhecimentos sobre a memória é muito interessante, pois essa função faz absoluto sentido em relação à maneira como o cérebro aprende e se lembra das coisas, fatos e tem conhecimento intelectual. Conseguir articular as razões pelas quais algo acontece é útil na difusão do conteúdo que se quer introduzir. Assim, o ensino para a memória só será bem sucedido se o professor tiver claro o que seus alunos precisam para se lembrar e se ele criar uma sala de aula compatível com o que o cérebro precisa.

Os termos aprendizagem e conhecimento são utilizados como sinônimos, porém, é por meio do processo de aprendizagem que se adquire conhecimento, no entanto, o conhecimento resultante do processo não pode ser confundido com aprendizagem. Em alguns manuais de psicologia da aprendizagem, a aprendizagem é definida como "uma mudança de comportamento resultante de prática ou experiência anterior". Já, para outros autores, a aprendizagem é a mudança de comportamento viabilizada pela plasticidade dos processos neurais cognitivos.

Os transtornos de aprendizagem representam a conseqüência de um transtorno na organização funcional do sistema nervoso central, em geral de caráter leve, mas com conseqüências de considerável importância para o futuro social da criança, já que perturbam a conduta pedagógica esperada de acordo com sua inteligência normal. A aprendizagem é um processo contínuo, que opera sobre todos os dados que alcançam um umbral de significação, dependendo, essencialmente, da memória e da atenção.

No processo ensino-aprendizagem, a avaliação global das funções psicológicas deve levar em conta todo o mecanismo cerebral, nos seus níveis sucessivos de evolução. Sendo assim, a avaliação neuropsicológica é a única forma possível de se avaliar uma determinada função, posto que somente quando a mesma é colocada à prova, podemos observar sua integridade ou comprometimento.

O método de trabalho com os processos da memória proporciona aprendizagem intencional e eficiente. Se seus alunos souberem desde o início quais as intenções, eles podem aprender baseados na clareza de seus alvos e sabendo que tipos de memórias são necessárias para uma aprendizagem mais significativa eles alcançarão melhores resultados. Isso porque um entendimento duradouro é o propósito da aprendizagem e a ideia abrangente que queremos que os alunos internalizem sobre a área do conteúdo a ser trabalhado, e só conseguiremos isso conhecendo bem os passos ou fundamentos das funções superiores da cognição, representadas pela memória e a aprendizagem no cérebro humano.

A memória como base de todos os tipos de aprendizagem, tem papel determinante na aquisição dos conhecimentos escolares, como descreve Sprenger (2008). Apesar de a memória ser uma função cerebral ainda bem misteriosa, sobre a qual se assenta o ato de aprender, as pesquisas recentes nos apontam várias sugestões de como podemos melhor utilizá-la, no intuito de garantir um maior desempenho dos alunos nos conteúdos educacionais (ANTUNES, 2002). Para isso, podemos contar com trabalhos importantes desenvolvidos por vários pesquisadores, como Marilee Sprenger, Alain Lieury e Celso Antunes, entre outros que nos oferecem dicas valiosas de como utilizarmos o campo de estratégias ou métodos de ensino com as principais informações colhidas da neurociência sobre a memória e sua correlação com a aprendizagem.Um professor que ajuda seu aluno a ter uma boa memória, não apenas o estimula a resolver problemas, mas também a aguçar sua inteligência e a acordar sua criatividade, pois a memória é um elemento indispensável à existência humana, no sentido de preservação do passado e construção do conhecimento, por ser o combustível e motor que comanda o ato de aprender como afirmam esses estudiosos.

CONCLUSÃO

O conhecimento das bases neuropsicológicas da memória e da aprendizagem é muito importante hoje em dia, principalmente para os profissionais de educação, por possibilitar entendimento de como o indivíduo realiza os processos de aquisição, armazenamento e evocação de informações necessárias para propiciar um bom aprendizado escolar. Neste sentido, entendemos que os alunos precisam ser educados desde a mais tenra idade com bases nos conhecimentos neuropsicológicos da memória e da aprendizagem, para que possam com isso seguir um caminho mais viável rumo ao desenvolvimento pleno das suas capacidades cognitivas.

Os professores são, portanto, os principais agentes, por meio do desenvolvimento de estudos e criação de projetos que envolvam a realização de um ensino voltado para as reais necessidades dos alunos, pois, quando compreendemos que o ato de aprender envolve cérebro, corpo e sentimentos, adotamos uma ação mais competente, levando em conta a influência do todo humano na construção do conhecimento.

A neuropsicologia tem interesse em diversos aspectos cognitivos do indivíduo e com seus conhecimentos técnicos favorecerá crianças na reabilitação de afasias, apraxias, distúrbios da atenção, déficits da psicomotricidade, deficiência visual cortical, deficiência auditiva, na dislexia, distúrbios da linguagem oral e escrita, distúrbios do sono na infância, intervenção nos transtornos de aprendizagem, além de demonstrar interesse por cognição e afeto, epilepsias, paralisia cerebral, prevenção em saúde mental; reabilitação da memória, transtornos invasivos do desenvolvimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDERSON, J. R. Aprendizagem e memória: uma abordagem integrada. Rio de Janeiro: Livros Técicos e Científicos, 2005.

ANTUNES, C. Novas formas de aprender: novas formas de ensinar. Porto Alegre: Artmed, 2002.

GEDIMAN, C. L.; CRINELLA, F. M. Deixe seu cérebro em forma. Rio de Janeiro: Sextante, 2008.

DIAS, R. S. Bases neuropsicológicas da aprendizagem: atenção, percepção e memória. IN: VALLE, L. E. R. do. Temas multidisciplinares de neuropsicologia e aprendizagem. Sociedade Brasileira de Neuropsicologia. São Paulo: Científica, 2004.

SCHUMACHER, R. Tudo neuro por aí? Viver mente e cérebro. São Paulo, a.14, n. 157, p. 62-65, fev. 2006.

FONSECA, Vitor da. introdução às dificuldades de aprendizagem. São Paulo: 1995.

GIL, Roger. Neuropsicologia. 2 ed. São Paulo: Santos, 2005.

GOLDBERG, Elkhonon O cérebro executivo: lobos frontais e a mente civilizada. Rio de Janeiro: Imago, 2002.

MENDES Perspectivas Psicomotoras no Desenvolvimento Humano. Artes Médicas, POA: 1987.

MOOJEN, S. Dificuldades ou transtornos de aprendizagem? In: Rubinstein, E. (Org.). Psicopedagogia: uma prática, diferentes estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

NEGRUME A. Educação Psicomotora: A Lateralidade e a Orientação Espacial, 1 ed. Porto Alegre: Pallotti,1983.

POSNER MI, Petersen SE, Fox PT, Raichle ME. Localization of cognitive operations in the human brain. Science. 1988;240(4859): 1627-31.

LEVEFEVRE AB, Diament AJ. Neurologia infantil: semiologia, clínica e tratamento. São Paulo: Sarvier;1980.

TIOSSO LH. Contributo della neuropsicologia alla psicologia clinica e all'educazione. Pesquisa do Programa do Pós-Doutorado. Università degli Studi di Roma "La Sapienza". Roma;1993.

LURIA AR. The working brain. New York:Basic Books;1973.

FONSECA V. Introdução às dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre:Artmed;1995.