Trabalho Completo DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

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Categoria: Ciências

Enviado por: zete 12 setembro 2013

Palavras: 10094 | Páginas: 41

FACULADES INTEGRADAS “CAMPOS SALLES”

CURSO CIÊNCIAS CONTÁBEIS

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

Trabalho de conclusão de curso de Ciências Contábeis, apresentado à Faculdades Integradas “Campos Salles”, como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Ciências Contábeis, sob orientação do professor MS.Manoel dos Santos Leitão.

São Paulo

Setembro/2004

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO................................................................................................. 4

1.1 – PROBLEMA............................................................................................ 5

1.2 – OBJETIVO.............................................................................................. 5

1.3 – HIPÓTESE.............................................................................................. 5

1.4 – JUSTIFICATIVA...................................................................................... 6

1.5 – METODOLOGIA..................................................................................... 6

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA............................................................................ 7

2.1 – FLUXO DE CAIXA NA VISÃO DE OUTROS AUTORES....................... 7

3 DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA..................................................... 11

3.1 – OBJETIVO DO FLUXO DE CAIXA......................................................... 15

3.2 – FINALIDADE........................................................................................... 17

3.3 – REQUISITOS.......................................................................................... 18

3.4 – MÉTODO DIRETO................................................................................. 18

3.4.1 – MODELO DE FLUXO DE CAIXA PELO MÉTODO DIRETO.............. 19

3.5 – MÉTODO INDIRETO.............................................................................. 21

3.5.1 – MODELO DE FLUXO DE CAIXA PELO MÉTODO INDIRETO........... 21

3.6 – TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO.............................................................. 23

3.6.1 – MÉTODO DIRETO.............................................................................. 23

3.6.2 – MÉTODO INDIRETO........................................................................... 24

3.7 – REGRAS BÁSICAS DO FLUXO DE CAIXA........................................... 25

3.8 – EXEMPLO COMPLETO......................................................................... 27

3.9 – ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA........................................................... 29

3.9.1 – ANÁLISE DA GESTÃO DE CAIXA...................................................... 29

3.10 – DIFICULDADES NA AVALIAÇÃO DA DFC......................................... 30

3.11- ROTEIRO PARA ANÁLISE DA DFC...................................................... 31

3.11.1 – O QUE REVELAM OS PRINCIPAIS ITENS DA DFC....................... 32

3.12 – DIFERENÇA ENTRE MÉTODO DIRETO E INDIRETO....................... 33

3.13 – VANTAGENS DO FLUXO DE CAIXA.................................................. 33

3.14 – DESVANTAGENS DO FLUXO DE CAIXA........................................... 34

3.15 – DIAGRAMAS DE FLUXOS DE CAIXA................................................. 34

4 DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS......... 40

4.1 – INTRODUÇÃO........................................................................................ 40

4.2 – OBJETIVO DA DOAR............................................................................. 40

4.3 – IMPORTÂNCIA DA DOAR..................................................................... 41

4.4 – OBRIGATORIEDADE............................................................................. 41

4.5 – VANTAGENS DA DOAR........................................................................ 41

4.6 – DESVANTAGENS DA DOAR................................................................. 42

5 DIFERENÇA ENTRE A DFC E DOAR............................................................ 44

5.1 – INTRODUÇÃO........................................................................................ 44

6 BIBLIOGRAFIA................................................................................................ 45

1 - INTRODUÇÃO

A DFC (Demonstração do Fluxo de Caixa), embora não exigida pela Lei nº 6404, de 15/12/76 é de grande importância, pois tem a finalidade, de acordo com os § 4º e 5º do FASB (Financial Accounting Standards Board) órgão normatizador das práticas contábeis americanas, fornecer informações sobre os recebimentos e pagamentos da empresa durante o período. A norma que tornar a DFC obrigatória no Brasil no futuro será fortemente influenciada, pelos dispositivos dos órgãos do IASC (International Accounting Standards), órgão que congrega as entidades profissionais de quase toda a totalidade dos países, inclusive o Brasil, que dele participa desde a sua fundação, e FASB. Em alguns países a Demonstração das Modificações da Posição Financeira, que no Brasil é denominada Demonstrações das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), vem sendo substituída pela DFC.

A diferença fundamental entre as duas demonstrações é que enquanto a DOAR é elaborada com base no conceito de capital circulante líquido, dentro de regime de competência, apresentando, portanto a disponibilidade de médio prazo, a DFC baseia-se no conceito de disponibilidade imediata, dentro do regime de caixa (recebimentos/pagamentos) puro.

As informações da DFC, principalmente quando analisadas em conjunto com as demais demonstrações financeiras, podem permitir que investidores credores e outros usuários avaliem:

• A capacidade da empresa, gerar futuros fluxos líquidos positivos de caixa;

• A capacidade da empresa, honrar seus compromissos, pagar dividendos e retornar empréstimos obtidos;

• A liquidez, solvência e flexibilidade financeira da empresa;

• A taxa de conversão de lucro em caixa;

• A performance operacional de diferentes empresas, por eliminar os efeitos de distintos tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos;

• O grau de precisão das estimativas passadas de fluxos de caixa e;

• Os efeitos, sobre a posição financeira da empresa, das transações de investimentos e financiamentos. FIPECAFI (2000; 514p.)

1.1 - PROBLEMA

Qualquer que seja a empresa, independente de seu tamanho, ela é movida ao seu fluxo de caixa, ou seja, é através do fluxo de caixa que é determinado a capacidade de compromissos com credores e acionistas, aprimorando assim, a comunicação Contabilidade – Usuário.

Dessa forma o problema que se pretende analisar durante a realização desse trabalho, fixa-se em: como os usuários das informações contábeis podem tomar suas decisões com base na DFC e DOAR?

1.2 - OBJETIVO

Visando fornecer aos usuários da DFC informações relevantes tais como os recursos financeiros que entram no caixa bem como aplicações deste em determinado período e ainda o resultado do fluxo financeiro se positivo ou negativo.

A finalidade deste trabalho é realizar uma avaliação da capacidade informativa e interpretativa da DFC e DOAR conforme a Legislação societária vigente no Brasil.

1.3 - HIPÓTESE

As informações contidas na DFC, quando usadas juntamente com as informações disponíveis em outras demonstrações financeiras, tais como DOAR, Balanço Patrimonial, DRE e DMPL, permitem aos usuários a elaboração de melhor planejamento financeiro, controle dos recursos para as operações e também será estimada a capacidade de geração futura, facilitando seu auto financiamento.

1.4 - JUSTIFICATIVA

Este trabalho irá abordar a importância da utilização da DFC e DOAR, propiciando ao usuário da contabilidade melhor planejamento financeiro, objetivando assim o auxílio na tomada de decisão e avaliação no desempenho gerencial, além disso, evidenciando as variações do disponível da empresa.

1.5 - METODOLOGIA

A pesquisa será desenvolvida a partir da revisão bibliográfica em livros, jornais, dissertações, teses, revistas especializadas, órgãos de classes contábeis e internet. Será realizada uma seleção no material, definindo os documentos para uma leitura e análise dos dados coletados.

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Os itens deste capítulo foram tomados como base em bibliografias que referenciam sobre a teoria do Fluxo de Caixa e DOAR com seus objetivos, características e funções na condução da administração de uma empresa.

2.1 – FLUXO DE CAIXA NA VISÃO DE OUTROS AUTORES

Segundo MARION, (1989:107),“ A rigor, a intitulação DFC não é a mais correta, uma vez que englobamos as contas de caixa e bancos. Dessa forma, seria mais adequado denomina-la Demonstração do Fluxo de Disponível”

Segundo MARTINS,(1983:15),“Normalmente há utilidade na DOAR, que deve então ser preparada, mas é via de regra, de muito maior utilidade a demonstração do fluxo de caixa.”

Segundo IUDICIBUS,(2000:336),“O fluxo de caixa é uma informação de relevância como complemento das Demonstrações Contábeis”

Segundo WILLIAMS,(1995:210)

“Alguns fatores, foram importantes para a decisão de trocar a Demonstração de Origens e Aplicação de Recursos (DOAR) pela Demonstração do Fluxo de Caixa, nos EUA. No entanto, o principal motivo foi o desenvolvimento, através dos anos, de problemas na preparação da DOAR em conformidade com o pronunciamento vigente na época (APB-19), que tratava da preparação e apresentação da DOAR nos EUA.”

Segundo JAEDICKE,(1972:72),“As demonstrações contábeis e o fluxo de caixa têm entre si uma ligação muito forte, sendo, dessa forma, complementares”

Segundo MARTINS,(1994:224)

“Para a análise da evolução do patrimônio e para o conhecimento da sua efetiva rentabilidade, a Demonstração do Resultado e o Balanço juntos respondem adequadamente e de forma muito mais eficiente. Já para a análise financeira de bastante curto prazo o fluxo de caixa é mais útil. E não se pode esquecer que o acompanhamento da liquidez da empresa é tão importante quanto o da sua rentabilidade. Portanto, ambos os fluxos se complementam, e por isso se tem o generalizado uso concomitantes dos dois na grande maioria dos países hoje”.

Segundo IUDICIBUS,(1994:157),“O mínimo denominador comum que une as informações tanto para usuários internos quanto externos é o fluxo de caixa”.

Segundo DAVID SOLOMONS,(1961: 36),“Qualquer que seja a empresa, independente de seu tamanho, ela é movida a caixa e não a lucros. Você não pode pagar contas com lucros, somente com caixa. E, quando perguntado se você obteve lucro, tudo o que se deseja saber é se você obteve caixa”.

Segundo HENDRIKSEN E BREDA,(1999:36),“A resposta para esses desafios parece estar na demonstração do Fluxo de Caixa, e esta constatação tem consolidado a posição de David Salomons”.

Segundo KIESO E WEYGANDT,(2000:1528),

“A maior razão desta mudança no desenvolvimento das demonstrações financeiras é que os investidores e analistas acham que o resultado contábil tem-se tornado muito distante do fundamento do fluxo de caixa da empresa: os contadores usam muitos dispositivos de alocação arbitrários (impostos diferidos, depreciação, amortização do intangível, reconhecimento de receita e que são, portanto, computados na figura do lucro líquido, que está longe de ser um indicador aceitável na avaliação do desempenho da empresa”.

Segundo MATARAZZO,(1995:370),“Muitas empresas vão à falência por não saberem administrar seu fluxo de caixa”.

Segundo MATARAZZO,(1995:387),“A DOAR pela legislação societária é muito pobre para a análise”.

Segundo PAULA LEITE HOPP,(1998;v.4),“Os índices financeiros têm sido super valorizados como instrumento eficiente de revisão de falência de empresas, sendo que ultimamente o fluxo de caixa tem sido considerado como um melhor indicador de dificuldades financeiras das empresas”.

“Tendo em vista que a legislação societária que regulamenta a Lei das S/A está bem desatualizada, o Anteprojeto traz a seguinte redação: “Altera e revoga dispositivos da Lei nº. 6404 de 15/12/76, define e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e publicação de demonstrações contábeis, dispõe sobre os requisitos de princípios, normas e padrões de contabilidade e auditoria, como organizações da sociedade civil de interesse público, e dá outras providências”.

Segundo ASSAF E SILVA,(1997:35),

“O fluxo de caixa é um instrumento que relaciona os ingressos e saídas de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo. A partir da elaboração do fluxo de caixa é possível prognosticar eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se medidas saneadoras a serem tomadas”.

Segundo CAMPIGLIA,(2000:226)

“De onde vem, e para onde vai o dinheiro é a indagação respondida pela DFC que, através da análise das entradas e saídas de valores monetários constantes da contabilidade da companhia, enseja a elaboração permanente ou periódica desse demonstrativo. Sua importância é traduzida na indispensabilidade do equilíbrio financeiro cuja evidência, resultante da dinâmica pecuniária empresarial, requer o exame analítico e constante das fontes de recursos e suas demonstrações cujo significado é tão relevante quanto o das demais demonstrações financeiras da companhia, especialmente a do resultado do exercício”.

“Essa assertaiva provém do fato de que existe uma correlação necessária entre os recursos financeiros investidos no ativo patrimonial, percentualmente divididos nas duas origens básicas de capital próprio e capital de terceiros, tais como figuram no passivo do balanço patrimonial, e o grau de liquidez que permita a satisfação pontual das exigibilidades assumidas. Nesse contexto, sobreleva, inclusive, o fator de lucratividade da empresa como outra condicionante do equilíbrio econômico - financeiro geral sujeito, porém a prazos e volumes de realização em dinheiro”.

“A importância do fluxo de caixa no contexto de uma análise financeira e segundo certas circunstâncias pode explicar a razão do fracasso de uma empresa que alcançou bom nível de lucratividade e, ao mesmo tempo, entrou em regime de insolvabilidade em relação a seus credores, ou à incapacidade financeira de prover a compra ou investimentos necessários à manutenção de sua atividade produtiva...”.

“...nisso se concentram a diferença e os efeitos entre a magnitude dimensional do patrimônio líquido e o quadro financeiro da instituição espelhado nas demonstrações contábeis e, completamente, na demonstração do fluxo de caixa”.

Segundo MARTINS e GEBCKE,(1995:580),”há uma tendência a nível internacional da adoção da demonstração do fluxo de caixa”.

3 - DEMOSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

A Demonstração do Fluxo de Caixa tem suas peculiaridades, e o conhecimento das mesmas se torna imprescindível para o melhor entendimento deste demonstrativo. Não obstante o título, ela não abrange apenas os valores de caixa, mas se constitui de contas específicas do disponível da empresa, a saber:

• Caixa puro – Valores que efetivamente estão no caixa da empresa,

• Bancos – Contas de disponibilidade imediata que não sofrem reajuste,

• Equivalente caixa – São sobras de caixa aplicadas em contas de liquidez imediata, apenas para que as mesmas não fiquem paradas sem sofrer reajuste. Tais aplicações devem ser de altíssima liquidez e se convertem prontamente em dinheiro havendo a necessidade.

Existem ainda alguns tipos de investimentos que são considerados equivalentes caixas por terem características de liquidez imediata, são eles investimentos que podem ser resgatáveis no prazo de três meses. Assim um investimento de três anos, se comprado três meses antes de sua maturidade é considerado equivalente caixa. Porém um título comprado a três anos não se torna equivalente caixa quando faltarem três meses para seu resgate.

Apesar do termo “investimento de curto prazo” ser bastante claro é necessário se distinguir dentro destes quais tem efetivamente altíssima liquidez para ser considerado equivalente caixa.

O FASB requer que sejam evidenciados em Notas Explicativas, quais os critérios adotados para definir o equivalente caixa, já o IASB exige a descrição dos próprios investimentos e não apenas os critérios em Nota Explicativa. No Brasil as aplicações financeiras em mercado de renda fixa público ou privado, por prazo de até 90 dias contados da data de aquisição do título pode ser enquadrada na categoria de equivalente caixa.

Dentro dessas explicações é importante descartar que a aplicação dessas sobras no mercado financeiro não deve ter caráter especulativo, não deve ter por objetivo a obtenção de lucros, visando apenas assegurar que tais valores não fiquem sem a remuneração correspondente do preço do dinheiro do mercado, devendo obrigatoriamente constar em notas explicativas.

É importante salientar que diferentemente da DOAR, onde os recursos são classificados em termos de origens e aplicações, a DFC classifica toda a movimentação do caixa em grupos de:

• Atividade Operacional: são transações que fazem parte das operações da empresa, normalmente identificáveis por fazerem parte da Demonstração de Resultado, se relacionando com a produção e entrega de bens e serviços; as atividades que não se definirem como atividades de investimento e financiamento podem ser classificadas nesta conta.

Entradas:

1) Recebimento pela venda de produtos e serviços a vista, ou das duplicatas correspondentes no caso de vendas a prazo. Incluem também os recebimentos decorrentes de descontos das duplicatas emitidas contra as vendas a prazo efetuadas, de curto ou longo prazos, em bancos;

2) Recebimento de juros sobre empréstimos concedidos e sobre aplicações financeiras em outras entidades;

3) Recebimento de dividendos pela participação no patrimônio de outras empresas;

4) Qualquer outro recebimento que não se origine de transações definidas como atividades de investimento ou financiamento, como: recebimentos decorrentes de sentenças judiciais, indenizações por sinistros, exceto aquelas diretamente relacionadas as atividades de investimento ou financiamento, como sinistro em uma edificação, por exemplo e reembolso de fornecedores;

Saídas:

1) Pagamentos a fornecedores referentes ao suprimento de matéria-prima para a produção ou de bens para revenda. Se compra a prazo, pagamento do principal dos títulos do curto ou longo prazo a que se refere à compra;

2) Pagamentos aos fornecedores de outros insumos de produção, incluídos os serviços prestados por terceiros;

3) Pagamento ao governo federal, estadual e municipal, referente impostos, multas, alfândega e outros tributos e taxas;

4) Pagamento de juros (despesas financeiras) dos financiamentos (comerciais e bancários) obtidos.

• Atividade de Financiamento: são transações com ativos financeiros, inclui-se nele a aquisição ou venda de participações em outras sociedades, o aumento ou redução dos ativos de longo prazo que a empresa utiliza para produzir bens e serviços ligados a consecução de seu objeto social e a concessão e recebimento de empréstimos. Usualmente a empresa emprega a maior parte de seu capital para obtê-los.

Entradas:

1) Recebimento do principal dos empréstimos concedidos ou da venda desses ativos a outras entidades, exceto ativos financeiros classificados como equivalentes caixa;

2) Recebimento pela venda de títulos de investimento outras entidades;

3) Recebimento pela venda de participações em outras empresas;

4) Recebimento pelo resgate de participações pelas entidades investidas;

5) Venda de imobilizado e de outros ativos fixos utilizados na produção.

Saídas:

1) Desembolso dos empréstimos concedidos pela empresa e pagamento pela aquisição de títulos de investimento de outras entidades;

2) Pagamento pela aquisição de títulos patrimoniais de outras empresas;

3) Pagamento, no momento da compra ou em data próxima a esta, de terreno, edificações, equipamentos ou outros ativos fixos utilizados na produção.

• Atividade de Investimento: compreende a captação de recursos de credores e investidores e seu retorno em forma de lucros ou reembolso; inclui-se nesta atividade a captação de empréstimos de curto ou longo prazo, a emissão de ações representativas do capital, assim como outros recursos. Sua amortização, liquidação ou resgate de ações, assim como o pagamento dos recursos obtidos.

Entradas:

1) Venda de ações emitidas;

2) Empréstimos obtidos no mercado, via emissão de letras hipotecárias, notas promissórias, títulos de dívida ou outros instrumentos, de curto ou longo prazo;

3) Recebimento de contribuições de caráter permanente ou temporário, que por expressa determinação dos doadores, têm a finalidade estrita de adquirir, construir ou expandir a planta instalada, aí incluída equipamentos ou outros ativos de longa duração necessários a produção.

Saídas:

1) Pagamento de dividendos ou outras distribuições aos donos, incluindo o resgate de ações da própria empresa;

2) Pagamento dos empréstimos obtidos (exceto juros);

3) Pagamentos do principal referente a imobilizado adquirido a prazo.

Para classificação de uma conta em um destes grupos deve-se sempre levar em consideração a transação que lhe deu origem, a intenção de sua compra ou venda, por exemplo:

• A compra de matéria-prima para produção é uma atividade operacional;

• A compra de uma máquina utilizada para gerar outros produtos é uma atividade de investimento;

• A compra (resgate) de ações da própria empresa é uma atividade de financiamento,

• Porém um desembolso de caixa para um investimento que se adquire com a intenção de revender não deve ser classificado como atividade de investimento e sim operacional.

3.1 – OBJETIVOS DO FLUXO DE CAIXA

Toda empresa necessita com antecedência saber o seu fluxo para poder saldar seus compromissos como também ter a possibilidade de aplicar no mercado financeiro as sobras de caixa a curto prazo. As aplicações devem ser a curto prazo e de fácil liquidez pelo fato de que, se houver uma necessidade de momento não esperada, possa ser resgatada, sem necessidade de uma captação para suprir a insuficiência de caixa. Um dos principais objetivos do fluxo de caixa é exatamente demonstrar ao administrador diariamente ou semanalmente o volume de ingressos e saídas de numerários as quais são demonstradas pelos efetivos vencimentos de obrigações com terceiros e a seu favor, como também das previsões de saídas e entradas futuras, referente às diversas despesas ou receitas que poderão ser realizadas.

Segundo, ZDANOWIZ (1995) denomina o fluxo de caixa como sendo um grande conjunto que inclui os ingressos de numerários como também os seus desembolsos ao longo de uma faixa de datas, a qual deverá ser de curto prazo, para poder atender as necessidades da empresa principalmente de capital de giro. É um instrumento de programação financeira, que corresponde às estimativas de entradas e saídas de caixa em certo período de tempo. Com esta definição do autor pode-se conceituar como sendo o fluxo de caixa a visão a curto prazo dos recursos disponíveis pela empresa, demonstrando o nível de endividamento ou o excesso de numerário em caixa. Com estes instrumentos a empresa com antecedência saberá o seu fluxo financeiro para poder saldar seus compromissos na data do vencimento.

Já GITMAN (1984) menciona que o fluxo de caixa registra o pagamento ou recebimento efetivo de dinheiro pela empresa em um curto período de tempo, e que o fluxo de caixa não ocorre somente no regime de caixa, mas também na sua previsão para que o administrador financeiro possa tomar decisões quanto a saúde da empresa. Diz o autor já citado textualmente que:

“O orçamento de caixa possibilitar ao administrador planejar suas necessidades a curto prazo. Geralmente dá-se atenção ao planejamento dos excesso e faltas de caixa. Uma empresa que espera um excesso de caixa pode planejar suas aplicações a curto prazo, enquanto que outra com déficit de caixa dever providenciar financiamentos a curto prazo. O orçamento de caixa dá ao administrador financeiro uma visão clara da época em que ocorrerão recebimentos e pagamentos previstos durante um determinado período” (1984:253).

Ao ser comparado o conceito dado por GITMAN em relação à ZDANOWIZ pode ser observado que ambos possuem a mesma definição do fluxo de caixa: registra pagamentos ou recebimento de dinheiro a curto prazo. ZDANOWIZ em sua definição enfatiza do fluxo de caixa quando do recebimento ou pagamento de numerários, já GITMAN diferencia a relação ao saldo atual de caixa para o projetado, onde com as informações previstas é possível saber se em determinados dias haverá dificuldades financeiras ou sobras de caixas.

Projetando se o fluxo de caixa de uma empresa para um período de dias o administrador financeiro terá condições de saber se haverá necessidade de captar recursos no mercado ou de outras entidades, como também as disponibilidades existentes poderão ser investidas em aplicações de curto de prazo afim de que se possa manter o nível de orçamento de caixa. Isto também é o que enfoca SANVICENTE (1995), quando diz que o orçamento de caixa é uma ferramenta indispensável para o planejamento financeiro da empresa a curto prazo. Permite ao administrador identificar as necessidades e oportunidades financeiras, bem como o montante de recursos que é necessário para suprir o saldo de caixa ou ainda que aplicações temporárias sejam possíveis de serem efetuadas. Temos também a opinião de HERNANDEZ (1995:121) onde o autor menciona que:

“O desenvolvimento do orçamento de caixa envolve uma projeção das entradas e saídas de caixa, as necessidades de financiamentos e controle dos recursos financeiros. Um orçamento de disponibilidade representa uma projeção de saldos disponíveis por determinado período. O cálculo das entradas saídas prováveis permite a entidade avaliar sua provável situação financeira no exercício coberto pelo orçamento”.

A definição que este autor dá ao fluxo de caixa vem exatamente afirmar as definições dos demais autores citados, pois o fluxo de caixa é um dos instrumentos mais importantes utilizados pelo administrador na gestão empresarial.

3.2 – FINALIDADE

A DFC visa evidenciar as informações importantes sobre a entrada e saída efetiva de capital na empresa durante um determinado período, isto se torna possível devido a sua elaboração tomar por base o regime de caixa. Sozinha ela consegue distinguir os pontos principais de fluxo de caixa, porém analisada em conjunto com as demais demonstrações financeiras possibilita aos investidores, credores e outros usuários poderem avaliar:

• A capacidade da empresa em gerar fluxo de caixa positivo para honrar seus compromissos, seja com a utilização de capital de terceiros ou dos que investiram em seu capital próprio;

• Evidencia a necessidade de a empresa recorrer a financiamento;

• Demonstra as diferenças entre o fluxo de caixa líquido e o lucro líquido apurado no resultado, ou seja, a taxa de conversão de lucro em caixa;

• Permite uma provisão de fluxos futuros de caixa através de comparações com estimadas passadas;

• Revela os efeitos das transações de investimentos e financiamentos com a utilização ou não de caixa e qual o seu impacto na posição financeira da empresa.

3.3 – REQUISITOS

Para cumprir suas finalidades o modelo de DFC deve atender os seguintes requisitos:

• Evidenciar o efeito periódico das transações de caixa dividindo-as da seguinte forma: atividades operacionais, atividades de investimento e atividades financeiras;

• Apresentar uma conciliação entre o resultado líquido do exercício (lucro/prejuízo) e o fluxo de caixa gerado pelas transações da empresa e outros eventos que afetam no resultado;

• Identificar separadamente em Notas Explicativas as transações de investimento e financiamento que afetam a posição patrimonial da empresa, mas não impactam no fluxo de caixa do período, sempre fazendo a referência a DFC.

3.4 – MÉTODO DIRETO

Consiste em apresentar as principais entradas e saídas brutas de dinheiro dos principais componentes das atividades operacionais, como os recebimentos pelas vendas de produtos e serviços e os pagamentos a fornecedores e empregados. O saldo final expressa o volume líquido de caixa provido ou consumido pelas operações durante um período;

Exige-se a evidenciação em Notas Explicativas da consolidação deste, com o Lucro Líquido do período. Essa conciliação deve refletir, de forma segregada, as principais classes dos itens a conciliar. É obrigatório evidenciar separadamente as variações nos saldos das contas Clientes, Fornecedores e Estoques.

3.4.1 – Modelo de fluxo de caixa pelo método direto

O modelo que iremos demonstrar ilustra a forma de elaboração do fluxo de caixa de uma empresa pelo método direto, podendo ser utilizado, com as devidas alterações, para qualquer tipo de negócio.

Atividades Operacionais

+ Recebimento de Clientes (deduzido de contas à receber)

+ Recebimento de Juros (recebimento de clientes)

- Pagamentos à Fornecedores (menos duplicatas à pagar)

- Pagamento de Juros (pagos à fornecedores)

- Despesas de Vendas/Administrativas (efetivamente pagas)

+Dividendos Recebidos

- Imposto de Renda

Caixa líquido consumido nas Atividades Operacionais

Atividades de Financiamentos

- Pagamento de Valores tomados por empréstimos, inclusive Leasing, resgate de debêntures e empréstimos de curto prazo e longo prazo

- Requisição de Ações Próprias e outros Títulos relacionados com o Patrimônio Líquido

- Pagamentos de Dividendos

+ Subscrição de Debêntures, Hipotecas e Empréstimos de Curto e Longo Prazo

- Ingresso de novos Empréstimos

+ Aumento de Capital

Caixa líquido gerado nas Atividades de Financiamento

Atividades de Investimentos

- Aquisição de Imobilizado, inclusive Juros e Despesas Capitalizadas

- Aquisição de novos Negócios e Empresas

- Aquisição de Debêntures e Investimentos Financeiros à Longo Prazo, exclusive Aplicações de Caixa

- Aquisição de Ações de outras Empresas, incluindo os investimentos regulados pela Equivalência Patrimonial

- Empréstimos feitos a outras Entidades

- Compra por transferência de Debêntures de outras Entidades

- Aplicação em Diferido

+ Venda de Imobilizado

+ Venda de Negócios

+ Cobrança do Principal relativo à Empréstimo feito a outras Entidades

+ Venda, por Transferência, de Debêntures de outras Entidades

+ Venda de Debêntures ou Ações de outras Entidades, inclusive Aplicações de Caixa

Caixa líquido consumido nas Atividades de Investimentos

Variação Líquida de Disponibilidades

• Saldo do Disponível Inicial

• Saldo do Disponível Final

Fonte: IOB,1999,nº38

3.5 – MÉTODO INDIRETO

Neste método, faz-se a conciliação entre o lucro líquido e o caixa gerado pelas operações, por isso é também chamado de método da reconciliação. Para tanto, é necessário:

• Remover do lucro líquido os diferimentos de transações que foram caixa no passado, como gastos antecipados, crédito tributário e todas as alocações no resultado de eventos que podem ser caixa futuro, como as alterações nos saldos das contas a receber e a pagar do período;

• Remover do lucro líquido as alocações ao período do consumo de ativos de longo prazo e aqueles itens cujos efeitos no caixa sejam classificados como atividades de investimentos ou financiamentos e ganhos e perdas na baixa de empréstimos (atividades de financiamentos).

Ë exigida a evidenciação em Notas explicativas dos juros (exceto as parcelas capitalizadas) e imposto de renda, pagos durante o período.

3.5.1 – Modelo de fluxo de caixa pelo método indireto

Consiste na demonstração dos recursos provenientes das atividades operacionais a partir do lucro líquido ajustado pelos itens que afetam o resultado, mas que não modificam o caixa da empresa.

Atividades Operacionais

Lucro Líquido de Exercício

+ Depreciação e Amortização

+ Despesa Financeira de L.P.

+ Variações monetárias de empréstimos e financiamentos de longo prazo

+/- Participação no lucro da Controlada

+/- Correção Monetária

+/- Lucro/Prejuízo na venda de Imobilizado ou de outro ativo não pertencente ao grupo Circulante

+ aumento em Contas à Receber, Estoques e Despesas do Exercício seguinte

Variação em Duplicatas à Receber

Variação em Duplicatas Descontadas

Variação em PDD

Variação em Estoques

Variação em Fornecedores

Variação em Imposto de Renda

Caixa líquido consumido nas Atividades Operacionais

Atividades de Financiamento

- Pagamento de Valores tomados por Empréstimos, inclusive Leasing, resgate de debêntures e empréstimos de Curto e Longo Prazo

- Requisição de Ações Próprias e Outros títulos relacionados com o Patrimônio Líquido

- Pagamento de Dividendos

+ Subscrição de Debêntures, Hipotecas e Empréstimos de Curto e Longo Prazo

+ Ingresso de novos Empréstimos

+ Aumento de Capital

Caixa líquido gerado nas Atividades de Financiamento

Atividade de Investimento

- Aquisição de Imobilizado, inclusive Juros e Despesas Capitalizadas

- Aquisição de Novos Negócios e Empresas

- Aquisição de debêntures e Investimentos Financeiros à Longo Prazo, exclusive Aplicações de Caixa

- Aquisição de Ações de outras empresas, incluindo os Investimentos regulados pela Equivalência Patrimonial

- Empréstimos feitos a outras Entidades

- Compra por Transferência de Debêntures de outras Entidades

- Aplicação do Diferido

+ Venda de Imobilizado

+ Venda de Negócios

+ Cobrança do principal relativo a empréstimos feitos à outras Entidades

+ Venda, por transferência, de Debêntures de outras Entidades

+ Venda de Debêntures ou Ações de outras Entidades, exclusive Aplicações de Caixa

Caixa líquido consumido nas Atividades de Investimentos

Variação Líquida de Disponibilidades

• Saldo do Disponível Inicial

• Saldo do Disponível Final

Fonte:IOB,1999,nº38

3.6 – TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO

Neste seguimento iremos abordar as duas formas de elaboração do fluxo de caixa, os quais se diferenciam pela forma como são apresentados os recursos provenientes das operações, ou seja, encontram-se no grupo das atividades operacionais da empresa.

3.6.1 – Método direto

Este método informa as entradas e saídas de caixas das atividades operacionais por seus volumes brutos. É simples de ser entendido pelo usuário, pois as movimentações de dinheiro seguem uma seqüência básica para calcular o fluxo de caixa. Parte dos componentes da Demonstração de Resultado ajustada pela variação nas contas circulantes dos Balanços vinculadas às operações. Por isso é bom criar uma coluna para expressar as variações positivas ou negativas de cada conta dos Balanços comparados.

Um aumento no saldo das contas do Ativo Circulante vinculado as operações diminui o Caixa, e diminuição no saldo dessas contas aumenta o Caixa e um acréscimo no saldo das contas do Passivo Circulante vinculado as operações aumenta o Caixa, e uma diminuição produz uma saída (redução) no Caixa. Deve ser utilizado com cuidado, pois podem existir transações no circulante que não pertençam às atividades operacionais (empréstimo de curto prazo), por exemplo, e também eventos fora do circulante que fazem parte das operações (juros e impostos a pagar no LP, créditos de LP).

3.6.2 – Método indireto

Este método faz a ligação entre lucro líquido constante na Demonstração de Resultado (DRE) e o Caixa gerado pelas operações. A principal utilidade deste método é mostrar as origens ou aplicações de caixa decorrente das alterações temporárias de prazos nas contas relacionadas com o ciclo operacional do negócio (normalmente clientes estoques e fornecedores). Outra vantagem é permitir que o usuário avalie quanto do lucro está se transformando em Caixa em cada período. Essa análise toda via deve ser feita com cuidado, pois é comum existirem recebimentos e pagamentos no período corrente de direito e obrigações que se originaram fora do exercício a que se refere o lucro que está sendo apurado.

O método de obtenção indireta do Caixa gerado pelas atividades operacionais é uma continuação da seqüência utilizada na DOAR para se obter o capital circulante gerado pelas operações. Por isso, a grande maioria das empresas de países com DFC obrigatória prefere utilizar o método indireto, em razão do costume anteriormente adquirido ao elaborar a DOAR, além de ser esse método bem mais fácil de ser automatizado e informatizado. Ressalva-se, contudo, que os órgãos normatizadores das práticas contábeis em todo o mundo recomendam adoção do método direto, principalmente pela maior facilidade de compreensão deste por parte do usuário final.

A lógica do método indireto é bastante simples. Em princípio, assumimos que todo o lucro afetou diretamente o caixa. Sabemos que isto corresponde à realidade, e daí procedemos aos ajustes. Partimos do lucro líquido extraído da DRE e fazemos as adições e subtrações a estes dois itens que afetam o lucro, mas não afetam o caixa, e dos que afetam o caixa, mas não afetam o lucro. Como o que estamos apurando é o fluxo de caixa das atividades operacionais, se eventualmente constarem na DRE eventos referentes a outras atividades, esses também deverão ser adicionadas (ou subtraídos) ao lucro líquido, pois serão reportados em seus grupos respectivos. É o caso, por exemplo, de um ganho (ou perda) na venda de um imobilizado, que normalmente é uma atividade de investimento.

A grande vantagem do método indireto é sua capacidade de deixar claro que certas variações no caixa geradas pelas operações se dão por alterações nos prazos de recebimentos e pagamentos, ou por incrementos, por exemplo, dos estoques. Assim, num exercício pode haver aumento no caixa nas operações porque se reduz o prazo de recebimentos dos clientes ou porque se aumentou o prazo de pagamentos dos fornecedores. Esse fato pode só ocorrer num só período e não tende a se repetir no futuro. Por isso, é relevante sua evidenciação, o que não ocorre de forma transparente do método direto.

3.7 - REGRAS BÁSICAS DO FLUXO DE CAIXA

Informaremos abaixo, regras básicas do Fluxo de Caixa, as quais irão demonstrar passo a passo sua estrutura.

1) Registrar o lucro líquido (transcrever da DRE);

2) Somar (ou subtrair) os lançamentos que afetam o lucro, mas que não tem efeito no caixa, ou cujo efeito no caixa reconhece em outro lugar da demonstração ou num prazo muito longo (depreciação, amortização, resultado de equivalência patrimonial, despesas financeiras de longo prazo, etc.);

3) Somar (ou subtrair), os lançamentos que, apesar de afetarem o caixa, não pertencem a atividades operacionais (por exemplo, ganho ou perda na venda à vista, de imobilizado ou de outro ativo, não pertencem ao grupo circulante);

4) Somar as reduções no saldo das contas do ativo circulante e realizável a Longo Prazo vinculadas as operações;

5) Subtrair os acréscimos nos saldos das contas do ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo vinculadas as operações;

6) Somar os acréscimos nos saldos das contas do Passivo Circulante Exigível a Longo Prazo vinculadas as operações;

7) Subtrair as reduções nos saldos das contas do Passivo Circulante e Exigível a Longo Prazo vinculadas as operações.

A lógica que está por trás dos itens 4 e 7 é a seguinte:

• Redução nas contas do Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo – o caixa aumenta pelo valor dessa variação em relação ao registro constante na DRE. Por exemplo, uma redução em Contas a Receber mostra que foi recebida dos clientes todas as receitas de venda lançadas na DRE mais parte das duplicatas já registradas naquela conta (se tiverem sido baixadas contra a provisão para devedores duvidosos);

• Aumento nas contas do Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo – o caixa diminui do valor dessa variação positiva em relação ao registro constante na DRE. Por exemplo, um aumento em Contas a Receber mostra que só foi recebida para das receitas de vendas. A outra parte foi vendida a prazo e ativada naquela conta;

• Aumento nas contas do Passivo Circulante e Exigível a Longo Prazo – significa que os pagamentos em dinheiro foram menores que as respectivas despesas lançadas na DRE. Esta deve ser reduzida para igualar-se ao desembolso correspondente. Isso é feito indiretamente adicionando-se a diferenças ao lucro. Por exemplo, se Fornecedores aumenta é porque não houve desembolso de dinheiro para pagar este Passivo. Logo, foram compradas mais mercadorias a prazo, do que o que foram pagas e estes excessos de despesas em relação ao caixa está no CMV. A diferença é compensada indiretamente, por meio de seu acréscimo ou lucro;

• Redução nas contas do Passivo Circulante – raciocínio inverso a do 3º item. No caso, o desembolso é maior do que a despesa lançada na DRE, devendo o lucro ser abatido da diferença correspondente.

Fonte: IOB,1999,nº38

3.8 - EXEMPLO COMPLETO

Abaixo demonstraremos um exemplo de Fluxo de Caixa através dos dois

Métodos, ou seja, método direto e indireto:

BALANÇOS 31/12/X1 31/12/X2 VARIAÇÃO

Caixa 800 1.500 700

Clientes

TOTAL DO ATIVO 0

800 600

2.100 600

1.300

Fornecedores 0 900 900

Capital 800 800 0

Lucro Acumulado

TOTAL DO PASSIVO 0

800 400

2.100 400

1.300

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE 31/12/X2

Receitas de Serviços

Custos de Serviços 10.000

(6.000)

Despesas Administrativas (3.600)

LUCRO LÍQUIDO 400

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA – Método Direto

Exercício Findo em 31/12/X2

ATIVIDADES OPERACIONAIS

Recebimentos de Clientes

Pagamento a Fornecedores 9.400

(5.100)

Despesas Administrativas (3.600)

Caixa Líquido Consumido nas Atividades

Operacionais 700

ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS 0

ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO 0

AUMENTO LÍQUIDO DE DISPONIBILIDADE 700

SALDO DO DISPONÍVEL INICIAL

SALDO DO DISPONÍVEL FINAL 800

1.500

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA – Método Indireto

Exercício Findo em 31/12/X2

Atividades Operacionais

Lucro Líquido Do Exercício

Aumento De Clientes 400

(600)

Aumento De Fornecedores

Caixa Líquido Consumido Nas Atividades Operacionais 900

700

Atividades De Investimentos 0

Atividades De Financiamento

0

Aumento Líquido De Disponibilidade 700

Saldo Do Disponível Inicial

Saldo Do Disponível Final 800

1.500

Fonte: IOB,2000,nº 1

Como podemos verificar no exemplo, a demonstração pelo método direto facilita ao usuário avaliar a capacidade de pagamento da empresa, pois mostra toda a movimentação dos recursos financeiros, suas origens e onde foram aplicados. Já o método indireto mostra que é semelhante a Doar principalmente pela sua parte inicial exigindo maior conhecimento de contabilidade.

O exemplo demonstrado segue a estrutura da demonstração do fluxo de caixa, que tem como objetivo principal mostrar apenas as entradas e saídas de recursos financeiros.

3.9 - ANÁLISE DO FLUXO DE CAIXA

A seguir iremos demonstrar os fatores que influenciam o movimento de caixa e verificar se a empresa gera ou não recursos para financiar suas atividades comerciais.

3.9.1 - Análise da gestão de caixa

As entradas e saídas de caixas de uma empresa sempre batem. Mesmo a empresa inadimplente, ao deixar de cumprir parte ou a totalidade de seus compromissos tem o saldo de caixa batido. Também as empresas mal administradas, que toma empréstimos de curto prazo para cobrir prejuízos, realizar investimentos sem retorno, e que, portanto, não poderá pagá-los, terá as entradas e saídas de caixa batendo. Daí o perigo do uso da Demonstração de Entradas e Saídas de Caixa.

Analisar a gestão de caixa significa analisar os fatores que influenciam o movimento de caixa a curtos e longos prazos. O instrumento adequado para análise da Gestão de Caixa é a DFC.

A DFC mostra se a empresa está gerando recursos para financiar suas atividades comerciais, se podem pagar dívidas bancárias e se sobram recursos para investimentos ou amortização de financiamento de longo prazo, ou seja, mostra quase tudo que é preciso saber em termos de análise da gestão de caixa. Suas cifras são quase auto conclusivas.

Entretanto, há certas dificuldades na avaliação da DFC. É importante saber se há, por exemplo, GERAÇÃO OPERACIONAL DE CAIXA, porém é preciso conhecer como ela se forma; daí decorre diferentes avaliações.

3.10 - DIFICULDADES NA AVALIAÇÃO DA DFC

Não é possível determinar um modelo de avaliação da DFC.

Há um número incontável de situações em que caberá ao analista avaliar. É conveniente que a avaliação da DFC se faça item a item, ou seja, aprecia-se sucessivamente a Geração Bruta de Caixa, Geração Operacional de Caixa, Geração Corrente de Caixa e Geração Líquida de Caixa.

Apresentamos a seguir uma seqüência de idéias que ilustra como podem ser feitas as análises.

Quando uma empresa não apresenta geração bruta de caixa, é óbvio que sua situação é difícil. Entretanto, quando há geração bruta de caixa, em princípio nada poderá ser concluído, pois a partir daí existem algumas possibilidades, como por exemplo:

• A geração bruta de caixa é pequena em decorrência do baixo lucro e é insuficiente para cobrir o crescimento da Necessidade de Capital de Giro ( NCG), apesar de esta ser pouco expressiva.

• A geração bruta de caixa é boa, mas insuficiente e para cobrir o crescimento da NCG, em virtude da expansão da empresa.

• A geração bruta de caixa é elevada, mais insuficiente para cobrir o crescimento da NCG, em virtude das alterações desfavoráveis de ciclo operacional e ciclo financeiro.

Se a geração bruta de caixa é inferior ao crescimento da NCG, isto significa que a empresa não tem geração operacional de caixa. Consequentemente, não tem capacidade de pagar dívidas bancárias de curto prazo, de realizar investimentos e de amortizar financiamentos de longo prazo.

Nessas três situações aventadas a empresa não tem geração operacional de caixa (ou seja, sofre absorção operacional de caixa), porém a avaliação da gestão de caixa é diferente em função das diferenças entre os fatores que determinaram o crescimento da NCG. Além disso, fatalmente essas avaliações serão afetadas pelo volume de absorção operacional de caixa. Na segunda situação, por exemplo, um volume de absorção operacional de caixa será um indicador de comprometimento da situação financeira da empresa, porém reversível, na medida em que a empresa se dispuser a reduzir suas operações.

Observa-se que estas três situações são apenas exemplificativas de determinado ponto da DFC, longe de serem únicas. Em cada um dos outros pontos, como geração operacional de caixa e geração corrente de caixa, há também inúmeras situações possíveis.

Em resumo, diante de tantas alternativas, não é possível estabelecer-se um método matemático de avaliação da DFC, porém alguns roteiros básicos auxiliares podem ser montados, como é mostrado a seguir.

A idéia básica que deve ter sempre em mente o analista ao avaliar a DFC é o grau de independência da empresa em relação a financiamento externo e a capacidade de autofinanciamento. Toda vez que aumentar a dependência ao sistema bancário ou que a empresa não conseguir livrar-se de dependência anterior, quando esta for elevada, a avaliação da empresa segundo a sua DFC será insatisfatória.

3.11 - ROTEIRO PARA ANÁLISE DA DFC

A avaliação da DFC passa por dois pontos fundamentais.

Em primeiro lugar é preciso conhecer o significado de cada item da DFC e o inter relacionamento desses itens. Isto é apresentado no quadro 1.

Em segundo lugar é preciso avaliar a importância relativa de cada item da DFC. Por exemplo, suponhamos ter havido determinada geração operacional de caixa, cujos valores sejam pouco expressivos. Como avaliar a importância e as implicações dessa geração operacional de caixa?

A única coisa que falta na DFC é uma visão da relevância da movimentação dos itens não correntes no exercício em relação a seus saldos do início do exercício e, conseqüentemente, da relevância da movimentação do Capital Circulante Líquido (CCL) e Capital de Giro Próprio (CGP).

3.11.1 - O que revelam os principais itens da DFC

O quadro 1 a seguir mostra o significado de cada item da DFC e Gestão de Caixa e o inter-relacionamento entre eles.

Quadro 1

ITEM

REVELA REPRESENTA RECURSOS COM OS QUAIS A EMPRESA PODERÁ:

1 – Geração Bruta de Caixa O caixa gerado pelas atividades comerciais • Financiar as operações de compra produção e vendas;

• Pagar dívidas bancárias de curto prazo;

• Realizar investimentos;

• Amortizar as dívidas de longo prazo.

2 – Geração Operacional de Caixa

O Caixa Gerado Pelas Operações Incluindo Variação da NCG • Pagar Dívidas Bancárias de Curto Prazo;

• Realizar Investimentos;

• Amortizar Dívidas de Longo Prazo.

3 – Geração Corrente de Caixa O Caixa Gerado A Curto Prazo • Realizar Investimentos;

• Amortizar Dívidas de Longo Prazo.

4 – Saldo Positivo da Geração Corrente de Caixa Menos Variação dos Itens Permanentes De Caixa Mais Variação Dos Itens Não Correntes O Caixa Gerado Após A Realização de Investimento • Amortização Dívidas de Longo Prazo.

Fonte: IOB,2000,nº1

3.12 – DIFERENÇA ENTRE MÉTODO DIRETO E INDIRETO

Em muitas empresas o fluxo de caixa não é utilizado como uma ferramenta para auxiliar na demonstração das disponibilidades do regime de caixa durante um determinado período de tempo. Estas empresas utilizam o fluxo de caixa para demonstrar os valores no regime de competência onde é analisada a evolução do patrimônio líquido. O conceito de caixa a ser utilizado engloba o dinheiro em caixa e bancos, bem como os equivalentes de caixa. As empresas podem escolher entre apresentar o fluxo de caixa pelo método direto ou indireto, mas são incentivadas a usar o segundo.

3.13 – VANTAGENS DO FLUXO DE CAIXA

Existe uma tendência mundial em adotar o Fluxo de Caixa em lugar da DOAR. A utilização de uma linguagem comum é um forte motivo para adotar esta demonstração:

• Maior facilidade de entendimento por visualizar melhor o fluxo dos recursos financeiros;

• Utiliza um conceito mais concreto, crítico em qualquer empresa e necessário no curto/curtíssimo prazo; É importante nas decisões futuras de investimento;

• Mostrar a real condição de pagamento das dívidas;

• Facilidade de entendimento pelos diversos tipos de usuários, para visualizar melhor o fluxo dos recursos financeiros;

• Análise dos fluxos de caixa passados evidenciam informações relevantes sobre os fluxos de caixa futuros.

• Necessário para prever problemas de insolvência, avaliar o risco, o caixa e os dividendos futuros.

3.14 – DESVANTAGENS DO FLUXO DE CAIXA

Ainda não existe consenso sobre que conceito de caixa utilizar. Uns aconselham caixa e bancos, outros consideram títulos de curto prazo:

• Apresenta um volume menor de informação que a DOAR;

• Não elimina o problema da inflação;

• Possibilidade de manipulação de pagamentos e recebimentos visando melhorar seus fluxos de caixa em um período específico;

• Falta de consenso sobre qual conceito de caixa utilizar (caixa, bancos e títulos de curto prazo ou só caixa e bancos);

• Junção do fluxo de dividendos recebidos com o fluxo da atividade operacional, e os juros pagos e recebidos referentes ao capital de giro são definidos como sendo parte do fluxo de caixa operacional, o que distorce a real geração de caixa pelas operações;

Existe uma tendência de utilização do fluxo indireto, apesar desta metodologia não ser a mais recomendada.

3.15 – DIAGRAMAS DE FLUXO DE CAIXA

Um diagrama de fluxo de caixa é simplesmente a reapresentação gráfica numa reta, dos períodos e dos valores monetários envolvidos em cada período, considerando-se certa taxa de juros i.

Traça-se uma reta horizontal que é denominada eixo dos tempos, na qual são representados os valores monetários, considerando-se a seguinte convenção:

Dinheiro recebido ↑ seta para cima

Dinheiro pago ↓ seta para baixo

Exemplo: Veja o diagrama de fluxo de caixa a seguir:

O diagrama da figura acima, por exemplo, representa um projeto que envolve investimento inicial de 800, pagamento de 200 no terceiro ano, e que produz receitas de 500 no primeiro ano, 200 no segundo, 700 no quarto e 200 no quinto ano.

Convenção:

Dinheiro Recebido → Flecha para cima → Valor Positivo

Dinheiro Pago → Flecha para baixo → Valor Negativo

Vamos agora considerar o seguinte fluxo de caixa, onde C0,C1,C2...C n são capitais referidos às datas, 0,1,2,...n para o qual desejamos determinar o valor presente (PV).

O problema consiste em trazer todos os capitais futuros para uma mesma data de referência. Neste caso, vamos trazer todos os capitais para a data zero. Pela fórmula de Valor Presente vista acima, concluímos que o valor presente resultante NPV – do fluxo de caixa, também conhecido como Valor Presente Líquido (VPL), dado será:

Exemplo 1 - Numa loja de veículos usados, são apresentados ao cliente dois planos para pagamento de um carro:

Plano A: dois pagamentos, um de R$ 1.500,00 no final do sexto mês e outro de R$ 2.000,00 no final do décimo segundo mês.

Plano B: três pagamentos iguais de R$ 1.106,00 de dois em dois meses, com início no final do segundo mês.

Sabendo-se que a taxa de juros do mercado é de 4% a.m., qual o melhor plano de pagamento?

Solução: Inicialmente, devemos desenhar os fluxos de caixa correspondentes:

Plano A:

Plano B:

Teremos para o Pano A:

Para o plano B, teremos:

Como o plano A nos levou a um menor valor atual (ou valor presente), concluímos que este plano A é mais atraente do ponto de vista do consumidor.

Exemplo 2 – Certo equipamento é vendido à vista por R$ 50.000,00 ou a prazo, com entrada de $ 17.000,00 mais três prestações mensais iguais a $ 12.000,00 cada uma, vencendo a primeira um mês após a entrada. Qual a melhor alternativa para o comprador, se a taxa mínima de atratividade é de 5% a.m.?

Solução: desenhar os fluxos de caixa:

À Vista

À Prazo

Vamos calcular o valor atual para esta alternativa:

Como o valor atual da alternativa à prazo é menor, a compra à prazo neste caso, é a melhor alternativa, do ponto de vista do consumidor.

Exemplo 3 – Um equipamento pode ser adquirido pelo preço de $ 50.000,00 à vista ou, a prazo conforme o seguinte plano:

Entrada de 30% do valor à vista, mais duas parcelas, sendo a segunda 50% superior à primeira, vencíveis em quatro o oito meses, respectivamente. Sendo 3% a.m. a taxa de juros do mercado, calcule o valor da última parcela.

Solução:

Teremos:

Resolvendo a equação acima, obtemos x = 19013,00

Portanto, o valor da prestação é $ 19013,00

Fonte:www.cesec.ufpr.br/~cdsmatfinanceira/fluxodecaixa, acesso:02/08/2004

4 – DEMOSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

4.1 – INTRODUÇÃO

A Demonstração de Origem e Aplicações de Recursos é a análise feita pelo estudo das variações patrimoniais entre exercícios, ou seja, os Balanços patrimoniais, levantando a origem dos recursos: resultado operacional, capital próprio e de terceiros e a destinação desse recurso. Essa demonstração procura evidenciar as origens de recursos que aliviam a folga financeira de curto prazo ou o capital circulante líquido, numa linguagem mais técnica, e as aplicações de recursos que consomem essa folga.

Tal demonstração não está completa pela lei porque não mostra as mutações internas do capital circulante liquido.

As origens de recursos são subdivididas, mas geradas pela própria empresa pelas suas operações, obtidas dos sócios e emprestadas a longo prazo junto a terceiros. As aplicações incluem a destinação para dividendos, as aplicações em ativos permanentes e de longo prazo e as utilizações para devolução dos empréstimos tomados junto a terceiros.

4.2 – OBJETIVO DA DOAR

A DOAR tem por objetivo principal explicar a variação ocorrida no capital circulante líquido de um período a outro. Ajuda-nos a compreender como e por que a posição financeira da entidade mudou. Essa demonstração é também contemplada pela legislação societária e útil por evidenciar, de um lado de onde vieram os recursos, e de outro onde tais recursos foram aplicados. Visa identificar também as modificações ocorridas na posição financeira de curto prazo da empresa, motivadas:

• Pelo ingresso de novos recursos, além dos gerados pelas próprias operações;

• Pela forma como estes recursos foram aplicados;

• A posição financeira de curto prazo da empresa é representada pelo valor do Capital Circulante Líquido (CCL). Este é obtido diminuindo-se o Passivo Circulante (PC).

4.3 – IMPORTÂNCIA DA DOAR

Como se verifica pela natureza das informações que contém, a DOAR é de muita utilidade, pois fornece dados importantes que não constam das demais demonstrações financeiras; está relacionada tanto com o Balanço como com a Demonstração de Resultado do Exercício, sendo complementar a ambas, fornecendo as modificações na posição financeira da empresa pelo fluxo de recursos.

4.4 – OBRIGATORIEDADE

A Lei nº 6404 de 15/12/76 tornou obrigatória essa demonstração para todas as companhias, conforme disposto seu artigo 176, item IV. Todavia, o parágrafo 6º do mesmo artigo elimina a obrigatoriedade de elaboração e publicação para as companhias fechadas com patrimônio líquido inferior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), limite este atualizado pela Lei nº 9457 de 05/05/97.

4.5 - VANTAGENS DA DOAR

Fornece informações que não constam em outras demonstrações:

• Possibilita um melhor conhecimento da política de investimento e de financiamento da empresa;

• Ajuda a mostrar a compatibilidade entre a posição financeira e a distribuição de lucros;

• Algumas obras ressaltam o seu poder preditivo;

• É uma demonstração mais abrangente que o Fluxo de Caixa. Representa as mutações na posição financeira como um todo;

• Possui uma capacidade analítica maior que o fluxo de caixa, particularmente de longo prazo.

4.6 – DESVANTAGENS DA DOAR

A elaboração da DOAR depende do conceito de fundos utilizados. Como não existe um consenso, pode-se usar o caixa e seu equivalente, o ativo circulante, o que incluiria troca não monetário de ativos de longo prazo;

Da forma como determinada pela lei societária, a DOAR apresenta os seguintes problemas:

• Não atende a setores específicos, como por exemplo, às instituições financeiras, embora seja possível adaptá-la ao conceito de fundos mais convenientes;

• Depende da conceituação de Circulante, o que pode prejudicar sua capacidade de análise;

• Não é essencialmente financeira pois considera somente os ativos monetários;

• O resultado é afetado pelo método de avaliação de ativos não monetários;

• Apresenta as modificações internas do CCL de forma residual;

• Alguns autores consideram sua denominação imprecisa, sugerindo modificação para Demonstração da Modificação na Posição Financeira, seu uso não tem sido pesquisado de forma científica, inclusive nos países onde a pesquisa contábil encontra-se mais desenvolvida;

• É uma demonstração que apresenta dificuldades de entendimento aos usuários principalmente por trabalhar com o conceito abstrato de capital circulante líquido ou de folga financeira de curto prazo.

Enquanto a DRE obteve, ao longo do tempo, uma forma consagrada, o mesmo não ocorreu com a DOAR. Isto talvez mostre ser a DOAR um demonstrativo que não obteve aceitação maior entre os usuários;

A DOAR, em relação ao Fluxo de Caixa, é uma demonstração que apresenta dificuldade de entendimento aos usuários, principalmente por trabalhar com o conceito abstrato de capital de giro líquido ou de folga financeira de curto prazo.

4.7 – TÉCNICAS DE APURAÇÃO DA DOAR

A DOAR não é uma demonstração estritamente financeira, pois tem dependência com critérios de avaliação de estoques, de criação e apropriação das despesas antecipadas.

Esse demonstrativo mostra as variações do CCL em um exercício social, a partir da análise das origens e aplicações de recursos não circulante desse mesmo período.

O CCL segundo vários autores, significa a folga financeira para pagamento das obrigações, dentro do ciclo operacional do negócio, sua análise, segundo BRAGA MARQUES (1997, p.8), “enfatiza a habilidade do negócio em cumprir seus compromissos vencíveis a curto prazo com recursos gerados pela operações correntes”.

O CCL positivo demonstra folga na empresa, nesse momento, o índice de liquidez corrente é maior do que um. Há excesso de recursos não circulantes sobre aplicações não circulantes; um CCL negativo indica um excesso de aplicações não circulantes sobre os recursos não circulantes, representando que há um consumo de recursos circulantes para financiar as aplicações de longo prazo.

Para HENDRIKSEN E BREDA,(1999:293),”nem o CCL, nem o índice de liquidez corrente são bons ou suficientes instrumentos para avaliar a capacidade de liquidez de uma empresa. Alguns auditores afirmam que o melhor indicador para tal análise seria o caixa gerado para as operações, oriundo da DFC”.

Conforme dito anteriormente, ao tratar a diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante, a DOAR gera seu ponto mais polêmico: a abstração dessa diferença. LUTOSA (1997, p.28) argumenta que “Ativo e Passivo Circulantes são concretos, mas a diferença entre ambos é abstrata, pois não se pode fazer uma vinculação direta entre as fontes de curto prazo (passivo circulante) e os investimentos de curto prazo (ativo circulante)”.

Alguns autores defendem a tese de que a flexibilidade da DOAR e a falta de conhecimento para a preparação da demonstração geram a perda de comparabilidade, Além disso, a análise pode trazer efeitos ambíguos: um aumento do CCL pode ter um efeito positivo se o caixa tiver aumentado, mas não se o aumento for na conta de estoques ou contas a receber. Neste momento cabe ressaltar que nenhuma demonstração deve ser analisada isoladamente: Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultado do Exercício e DOAR se completam mutuamente.

No Brasil, durante os tempos de inflação, a DOAR foi muito diminuída em relação à sua importância, devido ao fato de fatores inflacionários distorcerem as informações financeiras que serviram de base para a análise da mesma; tornou-se difícil a comparação entre os fatos ocorridos em datas distintas.

4.8 – EXEMPLO PRÁTICO

A seguir iremos utilizar de um exemplo extraído do boletim IOB/Temática Contábil, n.º 21 (1999), para melhor entendermos os assuntos mais discutidos a respeito do DOAR.

Balanço Patrimonial da TXT S/A em 31/12/1997

ATIVO R$ PASSIVO R$

Circulante Circulante

Disponibilidades 60.000 Contas a Pagar 100.000

Clientes 280