Trabalho Completo Dislexia

Dislexia

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Categoria: Outras

Enviado por: SRBA 28 maio 2013

Palavras: 3586 | Páginas: 15

Dislexia

Suzana Regina Bittencourt Arado

Trabalho apresentado na disciplina Psicologia da Educação da Universidade de Brasilia

Brasília, 08 de dezembro de 2011

Sumário

Introdução 3

1. Apresentação do caso 4

2. Conceituação do tema 4

3. Motivação e dislexia 5

4. Importância da psicologia 6

5. Contexto necessário à aprendizagem 8

6. Inteligências Múltiplas 9

7. Papel do professor e propostas de atuação 9

Considerações Finais 13

REFERÊNCIAS 14

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo apresentar um caso concreto relacionado a um transtorno de leitura caracterizado como dislexia e analisar aspectos relacionados às possibilidades do educando no contexto escolar e ao apoio necessário ao seu desenvolvimento.

Inicialmente, será apresentado o caso, objeto de análise e posteriormente efetuada a relação com o embasamento teórico estudado durante o semestre. Para isso serão utilizados como embasamento bibliográfico os seguintes autores: César Cool, Isabel Solé, Álvaro Marchesi, Jesus Palacios, Bzunk, Guy R. Lefrançois, Santos, Xavier e Nunes e Shirahige.

A conceituação do que é dislexia e de aprendizagem será abordado para que sejam expostos os temas relacionados às propostas de atuação dos professores com os alunos disléxicos.

Também será exposto sobre a motivação e sua relação com a dislexia, sobre a psicologia da educação e a questão do desenvolvimento, de acordo com a teoria de destacando os dificultadores apresentados pelos disléxicos nessas diversas fases.

Logo, será apresentada a teoria das inteligências múltiplas e sua direta relação com os disléxicos que desenvolvem parte do cérebro distinta do ser humano que não apresentam esse transtorno. E por fim, serão apresentadas algumas ações práticas a serem adotadas pelos professores para atender aos pressupostos teóricos essenciais à aprendizagem, com foco no disléxico.

1. APRESENTAÇÃO DO CASO

O presente trabalho tem como objeto de estudo um caso concreto de dislexia. A observação foi realizada em uma visita a um orfanato, quando um menino, com aproximadamente 10 anos, informou ser especial. Ele falava a todos que era diferente e por isso ainda não sabia ler nem escrever, nem ia à escola.

Tal fato despertou curiosidade e ao ser dado um caderno de pintura para ele observou-se que pintava muito bem e que reconhecia e falava o nome das cores perfeitamente, tanto que corrigiu um dos visitadores que disse que a cor era marrom e ele disse que não, que era amarelo envelhecido.

O menino se comunicava muito bem oralmente e ficamos intrigados para saber qual era essa dificuldade que não o permitia ler nem escrever. Até que foi pedido que escrevesse seu nome e uma das meninas do orfanato ditou o nome dele, logo, percebeu-se que ele escreveu a maior parte das letras espelhadas, invertidas.

A menina prontamente disse, você escreve tudo errado, e notamos a similitude do caso ao procedimento de disléxicos, devido a forma de escrita. E aproveitamos para abordar que ele era muito inteligente e que ser especial não o impossibilitava de ler nem de escrever. Então ele expos sobre a dificuldade de ir a uma escola especializada pela distancia e que por isso não estava matriculado na rede pública e não estudava, logo, percebeu-se que não tinha oportunidade como as demais crianças de aprender e se desenvolver.

Tal realidade despertou interesse sobre o tema e ocasionou estudos específicos sobre a dislexia tanto no âmbito psicológico quanto educacional. No presente trabalho serão abordados conceitos teóricos relacionados à dificuldade do disléxico e como os professores podem auxiliar no processo de desenvolvimento cognitivo desse aluno que é um sujeito ativo em seu processo de aprendizagem e deve ser motivado a estudar e se desenvolver.

2. CONCEITUAÇÃO DO TEMA

Primeiramente, é importante considerar o fato de que a dislexia, antes de qualquer definição, é um jeito de ser e de aprender; reflete a expressão individual de uma mente, muitas vezes arguta e até genial, mas que aprende de maneira diferente.

A palavra dislexia, deriva do grego "dis" (dificuldade) e "lexia" (linguagem) e relaciona-se à falta de habilidade na linguagem refletida na leitura. Em 2003, o Annals of Dyslexia, elaborado pela IDA, propôs uma nova definição: “Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem de origem neurológica. É caracterizada pela dificuldade com a fluência correta na leitura e por dificuldade na habilidade de decodificação e soletração. Essas dificuldades resultam tipicamente do déficit no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação a outras habilidades cognitivas consideradas na faixa etária.” Tal definição contou com a participação de vários profissionais, entre eles: Susan Brady, Hugh Catts, Emerson Dickman, Guinenere Éden, Jack Fletcher, Jeffrey Gilger, Robin Moris, Harley Tomey e Thomas Viall. Logo, conclui-se que pessoas disléxicas são únicas; cada uma com suas características, habilidades e inabilidades próprias, conforme consta do site da Associação Nacional de Dislexia.

Com relação à conceituação de aprendizagem, devido sua complexidade utiliza-se o exposto por LEFRANÇOIS, que expõe que aprendizagem relaciona-se a toda mudança relativamente permanente no potencial de comportamento, que resulta da experiência, mas não é causada por maturação, drogas, lesões ou doenças. A aprendizagem ocorre em decorrência da experiência.

3. MOTIVAÇÃO E DISLEXIA

Um aspecto a ser considerado na aprendizagem é a motivação, essencial em todos os aspectos para que o aluno aprenda de forma significativa. Desse modo, no caso dos disléxicos é um fator relevante pois há uma dificuldade a ser superada que depende muito da motivação do aluno.

O texto “O desafio de ensinar” extraído de Mente & Cérebro, traz a tona questões relacionadas à importância da afetividade na aprendizagem, nele é exposto que “o aprendizado é sempre um processo único, que envolve afeto. Por isso conhecer o aluno e tratá-lo como sujeito único pode mudar o rumo de sua vida. É fundamental valorizar suas experiências”.

O papel do professor é essencial para que o individuo seja tratado como único e suas experiências são válidas para a aprendizagem. Para que o aluno considere e respeito o professor é necessário haver afeto entre ambos. Visualiza-se relação entre afeto, motivação e aprendizagem como algo primordial no caso dos disléxicos. É importante salientar que quanto mais cedo descobre-se maior a possibilidade de sucesso no alcance de resultados. Além disso, o processo de desenvolvimento do disléxico é um processo único devido as peculiaridades de cada aluno, não é uma deficiência já que há formas de aprender eficazes para os disléxicos.

O professor deve estar atento ao aluno disléxico e dar o tempo necessário para que realize as tarefas bem como acompanhar e motivar seu desenvolvimento, incentivando positivamente, reforçando os acertos.

A aprendizagem refere-se a alterações comportamentais no ser humano ocasionadas pela experiência, pelo treino, pela prática, pela observação, pela imitação, pelo ensaio-erro, pelo discernimento, pelo insight, pela atividade, pela apropriação da cultura, ou seja, vivenciadas na interação com o ambiente. Os indivíduos, sujeitos de aprendizagem, se apropriam e ressignificam o mundo a partir do que aprendem, sendo uma via de mão dupla.

No caso dos disléxicos, é importante considerar que eles apresentam uma lógica própria que deve ser compreendida pelo professor, sendo essencial que haja interação e vínculo afetivo. Na alfabetização é importante a questão de dar sentido a símbolos e códigos sendo que o disléxico apresenta dificuldades relacionadas a essas questões, a representação mental do símbolo é comprometida dificultando a leitura e a escrita.

As questões subjetivas também são muito relevantes pois somos dotados do senso de realização e quando se destituiu um individuo disso a vida pode perder o significado, há quebras com conseqüência na questão desenvolvimental. A afetividade é essencial no processo de ensino aprendizagem.

4. IMPORTÂNCIA DA PSICOLOGIA

De acordo com COOL, houve tendência no século XX de considerar a psicologia como disciplina ponte que possibilita gerar um conhecimento novo acerca do objeto de estudo. O conhecimento psicológico, desse modo, pode contribuir para melhorar a compreensão e a explicação de fenômenos educacionais como a dislexia.

Considera-se que a psicologia da educação relaciona-se à utilização ou aplicação de conhecimento psicológico para enriquecer e melhorar a teoria e prática educacionais. No caso dos disléxicos é essencial que todos os atores envolvidos, quais sejam, pais alunos, professores e profissionais como psicólogos e fonoaudiólogos estejam envolvidos.

A psicologia é essencial no diagnóstico do disléxico, que em verdade é feito por exclusão de outras possibilidades, sendo primordial no tratamento o acompanhamento de um psicólogo pois a dificuldade neurológica pode ocasionar traumas e problemas futuros a depender da forma como se lida com essa questão, especialmente com relação a baixa auto-estima.

Outra questão relacionada ao desenvolvimento refere-se à cultura, de acordo com a concepção construtivista, conforme exposto por COOL e SOLÉ, o desenvolvimento é entendido como um processo mediado pela cultura em suas diversas manifestações sendo que as práticas educacionais nos mais diversos ambientes, família, oficina de aprendizagem, escola, grupos de iguais, organizações sociais e religiosas estão relacionadas à cultura. Assim, a educação adquire o caráter de fator de desenvolvimento.

A psicologia do desenvolvimento é primordial para compreender o aluno disléxico pois parte da preocupação que estuda a evolução físico-motora, intelectual, afetiva-emocional e social do ser humano bem como aspectos do ambiente e aspectos genéticos que podem influenciar em sua forma de pensar e agir, de acordo com SANTOS e XAVIER.

A teoria freudiana traz questões relevante com relação à classificação do desenvolvimento da personalidade. Freud criou cinco níveis de classificação: fase oral, fase anal, fase fálica, período de latência e fase genital. Notoriamente, nos interessa o período de Latência, que compreende bem a fase da vida em que o menino citado se encontra.

Segundo Freud, este período engloba dos 7 aos 10 anos de idade aproximadamente e é um período de grande perfectibilidade (entendida como capacidade de ser moldado). Apesar de ser um período relativamente mais calmo que os outros, é um período onde a criança apresenta grande receptividade ao aprendizado, por isso é muito importante incentivar a motivação dos alunos disléxicos nessa fase.

Outro fator importante é a análise de como se desenvolveram as outras fases pelas quais o aluno passou: oral, anal e fálica. Eventos importantes que ocorram nessas etapas, se não forem trabalhados adequadamente, podem deixar marcas na personalidade do indivíduo.

O melhor é que seja detectado e iniciado tratamento do disléxico na fase oral, por isso os professores e pais devem estar atentos às dificuldades quanto ao desenvolvimento da linguagem ou até mesmo repressão dos colegas pois em decorrência dessa fase o aluno pode se tornar tímido em sala de aula.

5. CONTEXTO NECESSÁRIO À APRENDIZAGEM

Para que a escola cumpra seu papel é necessário que haja intencionalidade e para isso é essencial o planejamento e controle da consecução das finalidades perseguidas.

É importante considerar a sala de aula como contexto propiciador do ensino aprendizagem, entretanto, boa parte da dinâmica é modulada por fatores, processos e decisões que se originam em outros sistemas, sendo externos ou mesmo internos da escola, como pátio, quadras de esporte. A sala de aula tem vida própria, todavia não é autônoma pois está inserida em um contexto mais amplo do qual ela faz parte e contribui na configuração.

As atividades em sala de aula, conforme exposto por COOL e SOLÉ, se caracterizam pela multidimensionalidade, simultaneidade, imediatismo, imprevisibilidade, publicidade e história. Essas características influenciam de forma decisiva no comportamento dos professores, motivação dos alunos e no conteúdo e forma de apresentação em sala de aula.

Nesse sentido, observa-se que alguns aspectos caracterizadores das atividades em sala de aula devem ser tratados com cuidados especiais no caso dos disléxicos. É importante que as escolas e os professores estejam preparados para lidar com esse transtorno, mas infelizmente não é isso que ocorre na realidade. O que se constata é a precariedade da educação pois no caso em análise o aluno não vai à escola por não ter professores preparados e por não ter transporte que o possibilite estudar em escola preparada, o que priva o aluno de ter acesso à educação, um direito constitucional de todos.

6. INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

É interessante notar que o disléxico possui um modo diferente de pensar e agir devido uma formação diferente do cérebro. Tal questão pode ser estudada sob o enfoque de GARDNER ao expor sobre as inteligências múltiplas. O autor expõe que o estudo desenvolve-se a partir de análise de casos em que pessoas com danos cerebrais apresentam várias capacidades destruídas e outras não. Essas pesquisas são importantes pois mostram a maneira como o sistema nervoso evolui para resultar em tipos diferentes de inteligência.

Assim, apresenta uma visão múltipla das inteligências e as classifica como lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal. Com relação a tal categorização, constata-se que os disléxicos apresentam maior dificuldade com a lingüística e espacial, sendo que as facilidades dependem do contexto de cada um. O funcionamento do cérebro de forma distinta ocasiona desenvolvimento maior de áreas do cérebro normalmente não desenvolvidas, e tais especificidades podem gerar grandes artistas, uma inteligência corporal-cinestésica muito boa ou a musical.

Além disso, o autor demonstra em sua concepção a escola ideal do futuro que seria centrada no individuo e rica na avaliação de capacidades e tendências individuais. A proposta é muito interessante, entretanto não seria viável em nossa realidade, sendo necessários ajustes na estrutura da educação para ser possível. De qualquer forma, salienta-se que o foco no individuo e seus interesses é importante para motivação e no caso de alunos com dislexia é essencial considerar suas capacidades e tendências individuais.

7. PAPEL DO PROFESSOR E PROPOSTAS DE ATUAÇÃO

A aprendizagem é efetiva quando há produção de sentido mediante processo construtivo-criativo, para isso, é primordial o papel do estudante no sentido de ser autônomo em seu processo e o professor deve conduzir, orientar e direcionar o aluno para que este obtenha êxito e aprenda de forma significativa.

No contexto das relações entre professor e aluno, cita-se o texto de COOL e PALACIOS que aborda sobre o tema e propõe esquemas de identificação dessa relação. No caso dos alunos disléxicos, é importante que haja o triangulo interativo e protagonismo compartilhado. O aluno sendo ativo em seu processo de aprendizagem e não mero receptor e o conteúdo, a atividade educacional e de ensino do professor e as atividades de aprendizagem dos alunos forma o triangulo didático.

Ainda referente à relação entre professor-aluno, são utilizados dois conceitos freudianos importantes. O primeiro deles é o conceito de “Transferência”, segundo o qual, o paciente, no decorrer do tratamento, desenvolve uma relação particular com o terapeuta para reviver suas experiências passadas. Essa transferência de emoções ou sentimentos para pessoas ou objetos neutros, para o paciente, é essencial no processo de cura.

No caso da relação professor-aluno converte-se em um poderoso elemento que pode fazer o aluno acreditar no professor e criar vínculos que auxiliam no aprender. Além disso, também devemos pensar no conceito de “Contra-Transferência”, o qual está relacionado às percepções conscientes, e principalmente inconscientes, da professora para com sua aluna. Em geral, os professores tendem a olhar seus alunos com dificuldades, com um certo preconceito, muitas vezes carregado durante toda a sua trajetória escolar, o que dificulta o processo especialmente no caso dos disléxicos.

Em um primeiro momento, o professor deveria tentar descobrir elementos que configurassem o caso de dislexia e sugerir uma avaliação multidisciplinar para confirmar a ocorrência do transtorno. Confirmada a dislexia, o professor deveria tomar dois tipos de medidas: informar a todos que, direta ou indiretamente, influenciam no processo de desenvolvimento e aprendizagem do aluno, para que tivesse compreensão do elemento causador do dificultador de aprendizagem; e, buscar ajuda especializada, no sentido de proporcionar às condições de enfrentar a dislexia, compreendê-la e superá-la.

Com relação à motivação, fator relevante, considera-se que o professor deve propor atividades que tenham significado para os alunos, no caso de disléxicos é importante que sejam tarefas possíveis de fazer e que ele perceba sua utilidade, relacionando a atividade com aspectos de sua vida, suas facilidades ou dificuldades e interesses pessoais.

Outro fator exposto por BZUNK com relação à motivação relaciona-se à englobar características motivadoras nessas tarefas, o professor deve valorizar o conteúdo apresentado para que o aluno perceba sua importância e deve oferecer desafios aos alunos mediante complemento de atividades, sendo essencial o componente afetivo.

O uso de embelezamentos é um fator interessante trazido pelo autor que se tratam de estratégias de ensino que auxiliam no alcance de melhor envolvimento, no caso dos disléxicos pode-se citar o uso de materiais concretos, de quadras de esporte, bolas para ensinar a contar, ensinar as letras sendo importante a questão sinestésica para o disléxico, para que as aulas não se tornem entediantes.

No caso de aulas entediantes, não haveria a sublimação e toda a energia psíquica do aluno não seria bem aproveitada. O professor deve conhecer o aluno e seu contexto social, familiar para considerá-lo como sujeito ativo em seu processo de aprendizagem e compreender melhor suas dificuldades e facilidades. Para isso, um fator a ser considerado é a fase de desenvolvimento em que o aluno se encontra.

Um fator importante a ser considerado é a questão da auto-estima do aluno disléxico, é importante que o professor incentive a confiança do aluno em si mesmo, ressalte os acertos e valorize o esforço do aluno.

Outro fator essencial é respeitar o ritmo do aluno disponibilizando o tempo necessário para a realização das atividades, sempre tendo em mente que “nós não aprendemos pelo fracasso, mas sim pelos sucessos.”

O monitoramento e acompanhamento das atividades deve ser constante mediante estímulo da expressão verbal do aluno, é importante que sejam dadas instruções e orientações curtas e simples para que o aluno não se confunda, é importante nesse sentido que o professor dê explicações de como fazer e esquematize o conteúdo das aulas.

Outro fator é que o aluno não seja coagido nem exposto em sala de aula, como o caso de ler em voz alta, é uma dificuldade do aluno e isso pode trazer danos futuros.O sucesso dependerá do cuidado em relação à sua leitura e das estratégias usadas. Com relação ao tema, o professor deve considerar o fato de que há inteligências múltiplas e que o aluno pode desenvolve-las pois não há dificuldade de inteligência.

Como já exposto, é importante considerar a sala de aula como contexto propiciador do ensino aprendizagem, logo, deve ser pensado no ambiente em seus detalhes de forma a propiciar a aprendizagem. Além disso, as atividades propostas em classe devem englobar os mais diversos sentidos para atender a heterogeneidade da classe e, no caso, os disléxicos.

Nesse aspecto é importante ressaltar que é essencial o acompanhamento psicológico e de um fonoaudiólogo em conjunto com o professor. Nesse caso, pode-se abordar sobre a interdisciplinaridade pois há transferência de métodos de uma disciplina para outra e é primordial que haja harmonia entre os atores envolvidos.

A psicologia do desenvolvimento mediante análise dos fatores de desenvolvimento do aluno contribui para que os professores adéqüem sua atuação de acordo com os fatores nos quais os alunos tem maior dificuldade.

Sabe-se que pela teoria das inteligências múltiplas e presquisas sobre o tema que os alunos disléxicos tem plena capacidade de aprendizagem, somente aprendem de forma diferente devido a fatores neurológicos. Assim, as crianças com dificuldade de linguagem têm problemas com testes e provas mas não com sua compreensão, por isso propõe-se que o professor adote os seguintes procedimentos: ler as questões, explicitar sua disponibilidade para esclarecer dúvidas, dar-lhe tempo necessário e ao corrigir, valorizar ao máximo a produção do aluno. Outra opção são avaliações orais.

De acordo com as propostas apresentadas foi elaborado um plano de ação para que o professor desenvolva junto ao seu aluno disléxico de forma a propiciar o aluno seja sujeito em seu processo de aprendizagem significativa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando o embasamento teórico apresentado no presente trabalho bem como a explanação sobre o caso do disléxico constata-se que é essencial que o professor adote práticas atinentes às necessidades dos seus alunos, tanto dos disléxicos quanto dos demais, sendo que no caso dos disléxicos há especificidades a ser consideradas para propiciar a aprendizagem significativa.

A motivação é fator primordial para cumprimento desse objetivo da educação em formar cidadãos capazes e ativos socialmente, de forma igualitária, ou seja dando condições a todos os indivíduos. Nisso, temos os alunos com dislexia que aprendem de forma diferente mas tem capacidade de aprender e se desenvolver de forma plena.

O fator da psicologia e desenvolvimento traz a tona a importância da harmonia entre os diversos setores e atores nesse processo, sendo que os professores, alunos, pais, psicólogos ou psicopedagogos e fonoaudiólogos devem se ajudar mutuamente com seus conhecimentos.

A questão da inteligência múltipla foi exposta pois caracteriza de forma evidente o que ocorre com os disléxicos que tem um dificultador em seu processo de aprendizagem e nem por isso deixam de desenvolver-se nas mais diversas inteligências sendo capazes de se relacionais e ter uma vida saudável quando tratados de forma adequada.

A partir dos temas apresentados foi possível traçar algumas ações práticas a serem desenvolvidas pelos professores com os alunos disléxicos, especialmente no caso objeto de análise, que se trata de um aluno que necessita de acompanhamento e monitoramente e no caso até de oportunidades para conseguir estudar. Conclui-se que se o disléxico não pode aprender do jeito que ensinamos, temos que ensinar do jeito que ele aprende.

REFERÊNCIAS

COOL, César. Concepções e tendências atuais em psicologia da educação. COOL, Cesar. SOLÉ, Isabel. Ensinar e aprender no contexto de sala de aulal. Em: COOL, César. MARCHESI, Álvaro. PALACIOS, Jesus. & colaboradores. Desenvolvimento psicológico e educação. Tradução Fátima Murad. 2ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

BZUNCK, J. A. (2010). Como motivar os alunos: Sugestões práticas. Em E. Boruchovitch, J. A. Bzuneck & S. E. R. Guimarães (Orgs.). Motivação para aprender: Aplicações no contexto educativo (pp 13-42). Petrópolis, RJ: Vozes.EIS, M. F. G, & CAMARGO, D. M. P. (2008) Práticas escolares e desempenho acadêmico de alunos com TDAH. Revista Semanal da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, 12 (1), 89-100.

LEFRANÇOIS. Guy R. Teorias da Aprendizagem: o que a velha senhora disse. Tradução: Vera Magyar. São Paulo: Cangage Learning, 2008.

SANTOS, M. S. dos, XAVIER, A. S. & NUNES, A. I. B. (2009) A psicologia do desenvolvimento. Em: Psicologia do Desenvolvimento: Teorias e temas contemporâneos.(PP. 21-39). Brasília: Liberlivro.

SHIRAHIGE, E. E.; HIGA, M. M. A contribuição da psicanálise à educação In CARRARA, K. (org). Introdução à psicologia da educação: seis abordagens. São Paulo: Avercamp, 2004.