Trabalho Completo EDUCAÇÃO POR PROJETOS: UMA ALTERNATIVA POSSÍVEL

EDUCAÇÃO POR PROJETOS: UMA ALTERNATIVA POSSÍVEL

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Categoria: Outras

Enviado por: brancacanal 24 abril 2013

Palavras: 1929 | Páginas: 8

EDUCAÇÃO POR PROJETOS: UMA ALTERNATIVA POSSÍVEL

INTRODUÇÃO

Atualmente a discussão sobre métodos pedagógicos é intensa. Se por um lado a metodologia tradicional de ensino tem se mostrado, há tempos, defasada e por vezes ineficiente; de outro lado a prática de projetos de estudos em sala de aula tem se revelado um recurso didático que permite um envolvimento mais consciente do aluno em seu próprio processo de aprendizagem.

Diante desse panorama, que sugere uma busca por alternativas de métodos pedagógicos que possibilitem uma relação mais rica entre professoras e alunos e apresentem resultados mais sólidos, faço alguns questionamentos:

Por que o trabalho com projetos é tão pouco utilizado por professores da rede?

Por que existe uma grande resistência por parte da maioria dos professores em adotar o trabalho com projetos como um recurso didático produtivo e eficiente?

O entusiasmo diante dos bons resultados conseguidos através do meu trabalho com projetos; a descoberta de outras experiências bem sucedidas e a incompreensão de tanta resistência apresenta por outros educadores diante desse recurso didático, levaram-me a definir a prática de projetos como tema desse estudo.

A pesquisa realizada, através de questionário (anexo 1), com professores da E.E. “Professor José Zilah Gonçalves dos Santos” E. F. revelou que, embora capazes de reconhecer algumas das vantagens da prática de projetos, a maioria deles acredita que esse recurso pedagógico é difícil de ser utilizado e é muito trabalhoso.

Essa visão, de certa forma equivocada, deu sentido e definiu o objetivo desse trabalho: mostrar aos educadores que essa prática pedagógica pode facilitar o seu trabalho e assegurar o envolvimento dos alunos. Quando se compartilha um objetivo de aprendizagem, os alunos assumem compromissos, definem papéis e têm a possibilidade de adquirir uma maior consciência de sua atuação na escola, pois sabem “porque” e “para que” estudam um determinado assunto.

EDUCAÇÃO POR PROJETOS: UMA ALTERNATIVA POSSÍVEL

Buscar a compreensão dos significados daquilo que os alunos vivenciam é tarefa fundamental. É preciso levar em consideração a formação dos alunos enquanto cidadãos participantes e pesquisadores sobre a vida social como um todo, procurando entender as diferentes maneiras que interpretam as ações dos seus próprios "eus" no espaço escolar que estão atuando, assim como também, no espaço da comunidade onde a escola está inserida, ou seja, no próprio meio onde vivem.

Mas na realidade, a presença dos alunos na escola se reduzem a uma participação insossa, vinculados a um cotidiano onde o que se pretende é apenas fazer valer os processo de transmissão e imposição de um conhecimento estanque, distanciado da realidade e, principalmente, imposto pela cultura escolar vigente.

Tal cultura está impregnada de uma série de tradições que privilegiam determinados padrões de aprendizagem: racionalidade, onde tudo precisa ser organizado, sintetizado, hierarquizado e explicado e o pensamento lógico-matemático, dedutivo, quantificável, seqüencial e demonstrável.

No entanto, se acreditarmos que o fazer pedagógico é uma ação de política cultural, podemos defender a idéia de que tal espaço se constitui em um lugar privilegiado para a ampliação das habilidades e capacidades humanas, de modo a contribuir para que os diferentes indivíduos se construir como cidadão.

Ou seja, é preciso que a sala de aula, como espaço / tempo privilegiado para a construção do conhecimento, conte com o jogo, com o acaso, com o aparentemente ilógico, faça valorizar o inesperado.

Neste sentido ganha espaço a prática pedagógica que esteja aberta à experimentação, à navegação, à simulação e à participação, processo que podem levar os educandos a exercerem a criatividade humana e a capacidade de ousarem.

Podemos apontar como possibilidade alternativa para o que até aqui estamos expondo a metodologia de educação por projetos. A prática pedagógica deve agir com a intenção de se criar condições efetivas para a construção de experiências significativas na vida dos diferentes atores sociais envolvidos no processo pedagógico.

O trabalho com projetos permite a criação de tais condições, pois as possibilidades de autoria e de comunicação se abrem e o que efetivamente enriquece a prática pedagógica nesta metodologia é a presença ativa do aluno; eles fazem muito, se interessam vão além da mera captação das idéias centrais; eles são os autores de sua experiência e os seus feitos ganham vida e significado no espaço / tempo escolar.

O nome “projeto” é utilizado par designar um conjunto de ações com objetivos gerais e específicos a serem alcançados. A expressão clara dos problemas a resolver, dos objetivos a alcançar, das ações a executar, dos meios necessários para tanto e das formas de verificar se a mudança que ocorreu é o que denomina projeto.

Não se trata de uma técnica atraente para transmitir aos alunos o conteúdo das matérias. Significa uma repensar a prática pedagógicas e as teorias que lhe dão sustentação.

Significa ainda repensar a escola, sua forma de trabalhar com os conteúdos das diferentes áreas e com o mundo da informação; pensar na aprendizagem como processo global e complexo e romper com um modelo fragmentado de educação.

Se percebe com freqüência dúvidas por parte de educadores e educadoras que buscam compreender e transformar sua prática, com o objetivo de atender melhor às necessidades de seus alunos.

Para que possa assumir os projetos de trabalho como postura pedagógica, há alguns aspectos fundamentais a se considerar: um projeto envolve complexibilidade e resolução de problemas, possibilitando a análise, a interpretação e a crítica por parte dos alunos; o envolvimento, a responsabilidade e a autoria dos alunos são fundamentais em um projeto; característica fundamental em um projeto é a sua autenticidade; um projeto busca estabelecer conexão entre vários pontos de vista;

Os projetos refletem uma visão da educação escolar, na qual a experiência vivida e a cultura sistematizada interagem, na medida em que os alunos vão estabelecendo relações entre os conhecimentos construídos em sua experiência escolar e na vida extra – escolar.

O trabalho com projetos não se restringe ao estudo de um tema: o ponto de partida é a problematização. Os problemas, ou a temática, podem surgir do professor, do grupo de alunos ou do próprio contexto social. O importante é garantir que essa temática envolva a turma, e isso depende basicamente do professor.

Trabalhar com projetos funciona assim.

Inicia – se uma proposta. Em vez de abrir o caminho para os alunos, explora – se a trilha junto com eles. Em vez de respostas, perguntas. Em vez de prova, um produto final, destinado a ultrapassar o espaço da sala de aula. É um curto – circuito no formato tradicional de transmissão de conhecimento. A casa, a mão única professor – aluno e começas um trabalho de busca e conquista.

A necessidade de desenvolver capacidades, no sujeito aprendiz, é um dos mais importantes objetivos dos Parâmetros Curriculares Nacionais. O desenvolvimento dessas capacidades pode gerar atitudes como autonomia, análise, reflexão etc., essenciais à formação do cidadão integral.

Tais capacidades poderão ser desenvolvidas segundo as orientações de atuação com os conteúdos. Estes devem ser trabalhados não só de forma conceitual, mas também procedimental. Assim, o aprendiz passa ser o agente que desenvolve o processo em todas as etapas do procedimento.

Com referência à didática, as orientações voltam-se para a interação do sujeito – aprendiz com o objeto de conhecimento e, também, para a promoção de um estreito contato com os demais membros da equipe.

Diante destes parâmetros, resta ao professor buscar formas de nortear sua práxis educacional.

Nesse contexto, apresenta o trabalho com Projetos, sugerindo dinâmicas que privilegiem tais orientações. Para tanto, define – se as etapas de um Projeto, não de forma rígida e impositiva, mas de uma maneira naturalmente seqüencial. O aprendiz planeja, executa procedimentos, analisa e reflete sobre problemáticas e apresenta soluções.

Considera – se um Projeto como uma ação de investigação, onde o aprendiz pesquisa, analisa, elabora, depura, reelabora, apresenta suas aquisições e reflexões a respeito do objeto de investigação e, por fim, faz uma (auto) avaliação e uma (auto) crítica, tanto dos seus trabalhos como dos demais, com o intuito de melhor executar os próximos Projetos.

Para o professor, sugere - se formas de sistematização da dinâmica de trabalho com Projetos em sua práxis, levando-o a criar um ambiente motivador, voltado para uma aprendizagem mais significativa, e auxiliando-o a transformar-se, efetivamente, em mediador do processo de desenvolvimento do conhecimento de cada um de seus alunos.

Meu primeiro contato com a prática de projetos em sala de aula foi bastante positiva. Os projetos, propostos pela Unidade Escolar, trabalhavam assuntos como Educação Ambiental, Criança Cidadã, entre outros e proporcionaram um envolvimento diferenciado dos alunos. A curiosidade, o empenho e seriedade cm que se dedicaram às atividades propostas chamaram minha atenção e despertaram meu interesse para essa prática pedagógica.

Ao longo do trabalho foi possível perceber e acompanhar o desenvolvimento dos alunos. Quando se trabalha com projeto é possível aproximar o aluno do objeto de estudo, dar sentido ao ato de aprender. Ele percebe rapidamente que está trabalhando com algo que tem a ver com a vivência dele e quando isso acontece, curiosidade e interesse tomam conta do aluno.

Outra característica fascinante do projeto de estudo é a integração (Interdisciplinaridade) que se pode e se deve fazer com várias áreas do conhecimento. Essa integração dá ao aluno a oportunidade de estabelecer relações entre fatos, conceitos e procedimentos das diferentes áreas de estudo.

A formação de grupos de alunos para o trabalho com projetos é outra experiência enriquecedora permitida por essa prática. Quando se define com eles as etapas que serão percorridas, os prazos, as tarefas de cada um para que todos alcancem o objetivo proposto, o que se vê é tomada de posições e decisões; a aceitação do desafio; o compromisso e a integração entre eles, através da troca de idéias.

A conclusão de um projeto através da apresentação de um produto final, que pode utilizar mais de uma linguagem como um livro ilustrado, painéis, maquetes, dramatizações entre outras, é o reconhecimento do esforço. Para os alunos é o momento de se orgulharem do próprio desenvolvimento. Hora de compartilharem todo o conhecimento adquirido com outros colegas, familiares e comunidade em geral. Hora de se sentirem fortes e capazes para enfrentar novo desafio.

Mesmo não tentando fazer um trabalho diferenciado, afirmam que é muito trabalhoso e não obtêm resultados concretos.

Em conseqüência disto, nunca experimentam para comprovar se realmente dá certo ou não.É preciso mudar, principalmente a cabeça do professor, para depois experimentar coisas novas em nossas escolas.

Enquanto isto, vivemos com as mesmas manias e mesmos métodos, na maioria das Unidades Escolares.

CONCLUSÃO

Quando se está diante do enorme desafio de educar, orientar e ajudar na construção de um indivíduo para a vida, não se tem o direito de negar qualquer ferramenta útil para o processo de aprendizagem.

Não se trata de transformar a sala de aula em um laboratório, mas sim de encarar o projeto pedagógico como algo que pode e deve ser revisto e, porque não, reformulado a cada ano.

E nesse cenário que o trabalho com projetos se apresenta. Como uma possibilidade ao alcance das mãos do educador. Uma possibilidade que pode ou não ser adotada, mas que deveria ser experimentada, testada e avaliada em todas as suas vantagens e desvantagens.

Ao educador caberá sempre a escolha dos recursos didáticos que serão utilizados. Mas essa escolha só será lícita se contemplar os direitos do aluno.

Direito a sentir prazer no processo de aprendizagem; a ser desafiado na busca de informações; a Ter liberdade para opinar, se expressar e trocar idéias com os colegas; a assumir compromissos e posições; a sentir orgulho de compartilhar com colegas, familiares e comunidade os conhecimentos adquiridos e , finalmente, o direito à cidadania.

BLIOGRAFIA

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO, “Secretaria de Educação à Distância” – Diários, Projetos de Trabalho, Brasília, 1998

PONCE,B.J. “A aventura da liberdade”., in MARTINI, A. O humano, lugar sagrado, São Paulo, Olho d´água, 1995

REVISTA NOVA ESCOLA, Edição outubro de 2001, Editora Abril

RIOS, T. Ética e competência. São Paulo, Martins Fontes, 1993