Trabalho Completo Educação Física

Educação Física

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Categoria: Outras

Enviado por: Luiza 16 novembro 2011

Palavras: 5099 | Páginas: 21

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prancha colocada em cima de duas canoas de guerra. Com a inevitável fusão do Paka ao Paipo surgiu o surfe no Havaí.

2. A Extinção do Surfe no Final do Século XIX

Em 1778, quando James Cook relatou a experiência do surfe para seus compatriotas, não conseguiu transmitir o deslumbramento que sentiu. O fato de os indígenas praticarem o esporte totalmente nus provocou o preconceito e a condenação de missionários religiosos, que tentavam propagar sua fé e costumes pelo mundo, e a cobiça do homem branco que, no afã de conquistar a região, trouxe as doenças, o subjugo, a miscigenação e a conseqüente dizimação da população nativa, composta em sua maioria por descendentes de reis e rainhas da mais pura linhagem indígena, e a extinção de seus costumes, entre os quais a prática do surfe.

3. A História do Surfe na Cidade de Santos

Algumas pessoas até acreditam e contam que o surf não nasceu em Santos, litoral sul de São Paulo. Mas não se engane, assim como Santos Dumont inventou o avião, o surf nasceu na Cidade de Santos.

O pequeno, porém grande detalhe que faz com que alguns digam que Osmar Gonçalves não inventou o surf é o fato de ele ter surfado a primeira onda, com a ajuda de um remo. Osmar Gonçalves, com apenas 16 anos, foi o primeiro surfista do Brasil. A idéia de montar uma prancha veio em 1937, quando o pai dele trouxe para o Brasil uma edição da revista Popular Mechanics, que mostrava a planta de uma prancha. Osmar se encantou e junto com a ajuda de João Roberto e Júlio Putz, construiu com as próprias mãos a primeira prancha feita no Brasil. Caiu no mar em 1938, na praia do canal 3, em Santos.

Esse foi o primeiro passo para Santos se tornar uma Surf City. Hoje em dia a cidade parece respirar o esporte, há bares, lojas, projetos sociais, filmes e muitas outras coisas ligadas ao surf, afinal Santos é uma ilha, tem bastante espaço para praticar o surf.

Nas décadas de 60 e 70 a cidade viveu um momento muito ruim para o esporte, a época era de ditadura e os surfistas eram considerados marginais e julgados como usuários de drogas, irresponsáveis e adjetivos piores. Muitas pranchas eram apreendidas e muitos pioneiros têm histórias tristes para contar, como policiais bicando pranchas e repreendendo surfistas.

Em 1992, Santos foi à primeira cidade do país a ter uma escola pública de surf, foi o pontapé inicial para transformar o berço do surf em uma verdadeira Surf City. Existem vários projetos ligados ao surf para ajudar na melhoria de vida da Cidade.

Entre os principais projetos podemos citar o Omelca, para crianças com deficiências mentais, síndrome de down, déficit de atenção; Surf para a Terceira Idade; Cine Surf; Surf noturno.

Destaque para o Surf para deficientes visuais, Santos tem o primeiro surfista cego do mundo e tem a primeira prancha de surf adaptada para deficientes visuais do mundo, projetada e construída por Cisco Araña, primeiro surfista profissional a competir fora do país.

Uma modalidade do surf que vem crescendo bastante em Santos é o Stand Up, o surf a remo. Uma ótima resposta a todos os que criticavam Osmar Gonçalves por ter pegado algumas ondas com a ajuda do remo. O filho de Picuruta Salazar, Leco Salazar é um dos destaques nacionais na modalidade e arrebenta nas ondas quando o assunto é Stand Up. A Cidade já até ganhou uma loja especializada na modalidade.

Essa Surf City prova que o surf não é apenas um esporte ou um estilo de vida, mas um meio de deixar muitas pessoas felizes sem que se gaste muito dinheiro com isso, as escolinhas municipais oferecem de pranchas e os acessórios sem cobrar nada dos alunos.

Osmar Gonçalves surfando em Santos

Imagem retirada do Blog Surfin Santos

4. Momentos que Marcaram o Surfe na Baixada Santista

1938 - Osmar Gonçalves, Juá Haffers e Silvio Manzoni, constroem a primeira prancha de surf do Brasil e surfam na praia do Gonzaga. O modelo foi reproduzido de uma revista de mecânica, e era similar ao modelo usado por Tom Blake.

1960/64 - O Prof. Geraldo Faggiano constrói as primeiras madeirites a partir de desenhos de revistas. Nasce a segunda turma de Surfe do Estado de São Paulo, ao lado do clube Ilha Porchat. Eduardo Faggiano, Paulo e Ricardo Issa, Timó, Manoel dos Sants, Sérgio Heleno, Miorim, Di Renzo. A maioria eram nadadores e motivadores principais do Surfe.

1964/66 - Grande 'boom' dos pequenos construtores de pranchas, entre eles, Eduardo Faggiano, os irmãos Argento e Jo Hirano, graças à chegada da fibra de vidro no Estado de São Paulo.

1967/68 - Os primeiros grandes campeonatos aparecem como o Estadual de Pitangueiras, em Guarujá, em frente ao Clube da Orla, organizado pelo surfista "Piolho" e o então vereador Osmany Ribeiro, com o seguinte resultado: 1º Feminino - Renata Polizaids e 1º Masculino - Fernando Mithelmann. O segundo grande evento foi o campeonato do Clube Ilha Porchat, organizado pelo Profº Geraldo Faggiano, com presença marcante do surfista Carlos Mudinho, do Rio de Janeiro, tido como um grande expoente do surfe da época. O Secret Spot "Porta do Sol" é surfado pelo surfista Carlos Mudinho, orientado por surfistas locais. Início de grande troca de informações sobre locais de surfe da região c do Brasil.

1969 - Surge a primeira fábrica de bermudas para surfe da família Mansur. A prefeitura apóia o surfe e fornece aos atletas a carteira de surfista, credencial que, na época, permitia o ingresso dos surfistas nas fases de quartas de final dos campeonatos. A revista Bondinho divulga a vitória do santista Ney como vencedor do campeonato realizado no Guarujá. O primeiro Clube de Surfe, chamado "Kahuna", surge no Canal 3.0 Clube Caiçara se transforma no primeiro ponto de encontro de surfistas em Santos. A prefeitura proíbe a prática do surfe nas praias de Santos.

1970 - Acontece o primeiro Torneio Santista de Surfe na praia do Itararé, em São Vicente, com o apoio da Sectur. Homero inaugura a primeira grande fábrica de surfe de Santos. As roupas de mergulho Cobra Sub, são utilizadas para o surfe. As primeiras lojas de surfe surgem, e as mais famosas foram a Twin/Argentos a Lightining Bolt.

1971 - Com a diminuição das pranchas e o aperfeiçoamento das manobras, surgem dois talentos indiscutíveis, Saulo Nunes e Orácio Moraes. O chinelo Havaianas, da Alpargatas, junto com o tênis uruguaio Pampeiro, viram também modismo, assim como toda linguagem da contracultura, Liberdade, Paz e Amor.

1972 - Santistas se classificam para as finais do primeiro Festival Brasileiro de Ubatuba, organizado por nosso pioneiro Paulo Issa. Gary Linden começa a trabalhar com Homero, tornando-se o lº estrangeiro a shapear (trabalhar a espuma do poliuretano) no Brasil.

1973 - Os primeiros surfistas da região vão para o Havaí, Ronaldo Gui, Barone e Julinho Mazzei. Aparecem as primeiras camisetas de surfe pintadas a mão, pelo surfista e artista Marcos Tubo. Johnny Rice muda-se para o Guarujá e instala uma fábrica de pranchas. Alguns santistas organizam o primeiro Campeonato de Surfe na praia de Pernambuco, em Guarujá.

1974/75 - Início da construção "do Emissário Submarino, "Quebra-Mar". O shaper Mark Jackola vem para o Brasil shapear na Lightining Bolt. As primeiras parafinas começam a aparecer. As importadas WAX MATE e posteriormente as fabricadas pela dupla de amigos Décio Dias de Lima e Cisco Aranã. Os surfistas param de usar velas como antiderrapante.

1976/77 - O meteorologista Murilo F. Filho cria a coluna do surfe e o personagem 'Beto Saquarema' no Jornal A Tribuna. A revista Brasil Surf traz nomes de convidados para o Festival de Saquarema, incluindo nomes santistas. Outros jornais entram no mercado: Surf News (António Jorge Nóbrega), revista Quebra Mar (Zanetti e Carioca). Cisco Aranã é contratado por empresas locais para surfar iniciando um processo de profissionalização do esporte, com o apoio das empresas Dhemy e Luau. Acontecem importantes eventos no Quebra-Mar, organizados por Zanetti e Carioca. Esses eventos revelaram inúmeros talentos da região.

1978/80 - Nasce o União Natural Clube de Surf, que realizou campeonatos cujas rendas eram revertidas em prol de entidades assistenciais. O santista Cisco Aranã vence o campeonato nacional aberto Quebra-Mar - Inverno/78, e como prêmio ganha passagem para o Havaí. Começam a surgir grandes talentos na cidade, destacando-se, Picuruta Salazar. O surfista Paulo Rabelo é o primeiro paulista a vencer o Festival de Surf de Ubatuba.

1981 - Aparece o terceiro ponto de encontro de surfistas: a boate 'Heavy Metal', do empresário Toninho Campos, surfista, também responsável por trazer os filmes de surfe para Santos.

1982- O santista Luís Neguinho vence o Primeiro Campeonato Olímpikus de Surfe, realizado na praia da Joaquina, em Florianópolis.

1983- O santista Picuruta ganha o campeonato de Saquarema no Rio de Janeiro, quebrando um tabu de anos, e Paulo Tendas é capa da Revista Surfing.

1984 - Otaviano Bueno, o Taiu, vence o Festival de Ubatuba e Picuruta Salazar é o primeiro colocado no Festival Olympikus, ganhando o patrocínio do Tênis Olympikus.

1985 - O surfista Mauro Rabellé coloca no ar, através da Rádio FM 95, o programa Rádio Surf e Picuruta vence o OP PRÓ e sai na capa da Fluir, com a batida característica de back side. Surfistas pioneiros retornam ao surfe com a volta do longboard, em evento realizado por Fuad Mansur na praia de Pernambuco, em Guarujá.

Neste ano também aconteceu um fato marcante e inesquecível. Durante o 11º Campeonato Brasileiro de Surfe em Ubatuba, uma enorme ressaca atingiu a praia de Itamambuca. As ondas eram grandes c as condições eram de tempestade. Em uma bateria da categoria Masters, o surfista santista Décio Dias de Lima mostrou a todos que idade não é empecilho para a prática do surfe competitivo, ao pegar um tubo em uma onda enorme e assustadora que media quase 4 metros de altura. Por este tubo Décio ganhou a nota máxima, além de um troféu. O mais impressionante de tudo isso é que um dia antes ele afirmou para alguns amigos seus que realmente faria este tubo caso tivesse oportunidade.

1986 - Criação da Associação de Surfe Amador da Baixada Santista (ASBS), por Marcos Bukão, para estruturar o esporte na região, oferecer suporte técnico e orientação aos atletas. Neste mesmo ano, surge o Circuito Natural de Surf Amador, que se mantém até hoje, como o mais antigo c tradicional no País, dentro da categoria.

1987 - Paulinho Matos é o primeiro campeão brasileiro de surfe, ao vencer o I Circuito Nacional de Surfe Profissional, promovido pela Associação Brasileira de Surf Profissional (Abrasp). O Circuito teve cinco etapas, no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Bahia.

1988 - O Brasil fica em terceiro no Mundial de Surfe Amador, com a presença de Zé Paulo, Amaury Piu Pereira e Wagner Pupo. O paraibano Fabinho Gouveia conquista o titulo de campeão mundial open.

Neste mesmo período, surfistas professores de Educação Física , como Tácito Pessoa, Dilmar Pinto Guedes e Marcello Árias, iniciam trabalhos de suporte científico na preparação física de alguns surfistas da região.

1989 - Início da grande virada do surfe e de inúmeros acontecimentos importantes: fábricas de pranchas, empresas de surfwear, técnicos de surfe, mídia.

1990 - As professoras Neuza Maria de Souza Feitosa e Elza Moreira Cunha, proprietárias da Escola Patro Homa, aderem ao surfe, introduzindo-o como atividade curricular em sua escola e contratam o primeiro professor de surfe do País: Marcello Árias.

1991 - A Prefeitura Municipal de Santos, na administração de Telma de Souza, cria um importante equipamento destinado à prática e ensino dos esportes radicais: a Escola Radical, e acontece a Cidade Radical, projeto que teve grande repercussão, envolvendo as maiores expressões dos esportes radicais. O evento motivou a urbanização do emissário submarino.

1995 - O surfe entra na Faculdade de Educação Física de Santos como curso de extensão universitária, através de iniciativa do Vice-Diretor Célio Nóri, e os professores do curso são os surfistas Marcello Árias e Cisco Aranã. Esta é a primeira vez que o esporte ganha status universitário. Fundado o Clube Feminino de Surfe do Estado de São Paulo, por iniciativa das surfistas Alice Santos, Glória Cecília, Maysa Ramos, Penélope Lopes, Francisca Pereira e Graziela Passos Souza.

1996 - Dois dirigentes do surfe santista despontam com destaque. Marcos Bukão atua como diretor de provas do Primeiro ISA Surfing World Games, o primeiro campeonato mundial de surfe a reunir surfistas amadores e profissionais, dentro da luta desenvolvida pela ISA (International of Surfing Association) para inserir a modalidade como modalidade olímpica, já a partir dos Jogos de Sidney, na Austrália. O desempenho de Bukão o leva a ser escolhido para exercer as mesmas funções no Segundo ISA Surfing Worl Games, marcado para 1998, em Portugal. Também se destaca o diretor-técnico da ASBS, Sílvio da Silva, o Silvério, que comanda a seleção brasileira, vice-campeã mundial (pela quarta vez consecutiva), cm Huntington Beach, na Califórnia, EUA. O jornal A Tribuna, pelo trabalho do jornalista Dejair dos Santos, assume a condição de 'veículo de imprensa mais surfe do Brasil', segundo levantamento de centimetragem feito pela Associação Brasileira de Surfe Profissional (Abrasp) e Associação Brasileira de Surfe Amador (Abrasa). Pela terceira vez, Picuruta Salazar é vice-campeão mundial de longboard.

Durante a administração do Prefeito David Capistrano, inicia-se, a iluminação do Quebra-Mar antigo anseio dos surfistas, para a prática do surfe noturno.

5. Personagens do Surf em Santos

Santos é uma cidade com imensa tradição dentro do cenário surfístico mundial e com grande número de praticantes. Por este motivo muitas foram as pessoas que colaboraram para o crescimento e estruturação do esporte. Levando isso em consideração, adotamos somente o pioneirismo como critério fundamental para inclusão dos nomes abaixo citados como personagens de extrema relevância para o esporte santista.

OSMAR GONÇALVES - Osmar Gonçalves foi o pioneiro do surfe em Santos e no Brasil, juntamente com Juá Haffers e Silvio Manzoni construiu a primeira prancha que se tem notícia no país, inspirado em uma revista de Mecânica, cm 1938. Atualmente é empresário e vive em Campinas. Em 1995 a Escola Radical o homenageou com uma escultura em pedra feita pelo surfista e artista plástico de Santos, Santana. Esta estatueta foi entregue por Euclides Camargo, de 76 anos, aluno mais idoso da Escola Radical.

SAULO NUNES - Saulo Nunes é considerado por muitos como o primeiro surfista verdadeiramente radical surgido em nossa região. É muito difícil alguém que o tenha visto surfar não concordar com esta afirmativa. Em uma época em que as pranchas ainda eram pesadas e lentas (1970), Saulo já arriscava e realizava manobras extremamente radicais e visionárias. Este único fato já lhe garante o direito de ser citado neste caderno como um dos pioneiros de Santos.

ORÁCIO MORAES - Orácio Moraes foi um grande surfista que começou a surfar na década de 60 e influenciou muitos outros. Foi um dos maiores talentos surgidos no canal 1/Quebra-Mar, porém, devido ao fato de ter optado por viver no litoral norte de São Paulo, não teve seu nome ligado aos veículos de comunicação, com isso passando de forma despercebida para muitos desatentos. Orácio foi um grande fabricante de pranchas em uma época cm que a falta de estrutura era gritante. Mas para ele, nada era problema: se não tinha uma plaina elétrica para desgastar o bloco de isopor, usava um ralador de côco, se não era possível trabalhar com resina com espátulas adequadas, usava um saco de leite vazio. Sobre suas pranchas Picuruta Salazar comenta: “A melhor prancha de isopor de toda a minha vida foi uma prancha feita pelo Orácio Moraes”! Pode-se dizer que Orácio foi o responsável pelo estilo "Soul garage" (alma de garagem) na arte de fabricação de pranchas. Atualmente vive no litoral norte de São Paulo, em um arquipélago conhecido como "As ilhas", engajado na luta pela preservação ambiental do litoral norte. Danilo Grillo, um de seus filhos, desponta como uma das maiores promessas do surfe brasileiro.

HOMERO - A década de 70 presenciou um dos maiores saltos já vistos em termos de evolução de designs de pranchas. O responsável por isso foi o surfista Homero. Homero parecia viver 20 anos à frente de sua época. Com uma genialidade e uma criatividade fora do normal, Homero desenvolveu linhas de pranchas futurísticas. Criava novos modelos, reinventava modelos já existentes, experimentava novos materiais, desenvolvia máquinas de shapear, tudo com a criatividade característica de artistas excepcionais. Não é por acaso que Homero atualmente gosta de pintar quadros e viver dentro de seu veleiro. Homero influenciou direta ou indiretamente os bons shapers da baixada santista: Akira, Pascoal, Jorge Limoeiro, Almir Salazar, Cisco, Beto Loureiro, entre tantos bons shapers surgidos cm Santos.

FRANCISCO ALFREDO ALEGRE ARANÃ (CISCO) - Cisco foi o primeiro surfista profissional de Santos, abrindo com isso as portas para o profissionalismo na cidade. Dono de um surfe clássico e ao mesmo tempo radical venceu alguns campeonatos importantes em sua carreira e tornou-se referência para outros atletas. Simplicidade e a palavra que define seu estilo, inclusive em suas pranchas. Enquanto alguns surfistas utilizavam grandes novidades produzidas no meio do surfe, ele surfava com pranchas feitas de isopor, quilhas de madeira feitas de caixas de maçã e, ao invés de fibra de vidro, usava folhas de madeira em alguns locais da prancha. O mais impressionante nisso tudo é que Cisco 'arrepiava' com elas. Lutou muito pelo reconhecimento dos surfistas, colocou a pesquisa e o estudo lado a lado de sua carreira de surfista, tanto que desenvolveu junto com Marcello Árias, a Escola Radical.

FAMÍLIA SALAZAR - Impossível falar do surfe em Santos e não falar da família Salazar. Esta família pode muito bem ser a detentora do recorde de títulos conquistados em um só núcleo familiar. A começar pelo pai, Sr. Alexandre, grande incentivador da carreira dos filhos e um dos personagens mais conhecidos dentro da história do surfe na cidade. Alex Salazar, já falecido, era o filho mais velho da família Salazar. Dono de uma personalidade marcante e irreverente, Lequinho era alegre e extrovertido, muito querido no meio do surfe. Seu estilo era forte e muito bonito. Surfava bem ondas grandes e sua maior característica era a de saber surfar tanto com o pé esquerdo à frente da prancha quanto com o direito. Almir Salazar é o irmão do meio. Excelente surfista e fabricante de pranchas, Almir ganhou títulos importantes e teve atuações inesquecíveis no Havaí, inclusive surfando ondas de 25 pés na baía de Waimea (local onde são surfadas as maiores ondas do planeta). Também morou muitos anos em Portugal, onde trabalhou como shaper e venceu campeonatos. Alexandre Salazar, o Picuruta , é o filho mais novo do clã. E detentor do recorde de vitórias no surfe brasileiro (mais de 120 títulos). Seu nome é respeitado tanto no Brasil como no exterior. Picuruta é sem sombra de dúvidas uma das mais importantes figuras do esporte santista.

ZANETTIE CARIOCA - Esses dois surfistas marcaram época em Santos, pois foram os primeiros a desenvolver uma série de campeonatos de surfe conhecidos como Quebra-Mar 76,77,78,79, importantes pelo fato de contar com a presença da nata do surfe Brasileiro e até de surfistas estrangeiros, como foi o caso de Keone Downing, havaiano filho do grande George Downing. A partir daí, o surfe em Santos passou a ser visto com respeito, pois inúmeros talentos locais foram revelados nestes eventos.

MURILO FERREIRA FILHO - Poucos foram os não surfistas que colaboraram com o surfe tanto quanto Murilo Ferreira Filho. Em uma época em que a falta de divulgação e o preconceito da sociedade para com os surfistas eram reinantes, este meteorologista lançou no Jornal A Tribuna uma coluna chamada O Surfe e as Ondas. Esta coluna divulgou eventos, revelou talentos, emitiu opiniões, reivindicou patrocínios para os surfistas desfavorecidos e criticou duramente alguns surfistas que por algum motivo cometiam atos que prejudicavam a imagem do surfe santista e consequentemente brasileiro. Teve forte influência na liberação das áreas das praias de Santos para a prática do surfe, na época da proibição.

MAURO RABELLÉ - Surfista de muita experiência, Mauro Rabellé é outro personagem importante da história do surfe em Santos. Carismático e de bom nível técnico, Mauro obteve bons resultados na categoria longboard, onde consegue mostrar um bonito estilo e uma boa base. Sua inestimável contribuição, entretanto, foi o fato de ter sido o pioneiro em levar o surfe para as rádios de Santos, inaugurando na rádio FM95 um programa somente sobre os Esportes Radicais. Este feito foi de grande relevância para o desenvolvimento do surfe na baixada santista.

BUKÃO - Marcos Bukão, presidente da Associação de surfe da Baixada Santista, tem seu nome intimamente ligado à organização do surfe competitivo da região.

Graças a seu conhecimento sobre a modalidade e dedicação quase exclusiva o surfe vem ganhando um importante espaço na mídia. Também pode ser considerado um dos responsáveis pela mudança da imagem do surfista. Seu trabalho como dirigente da entidade que controla o surfe amador na região fez com que o esporte fosse encarado de uma maneira mais profissional. Formado em Engenharia e Administração de Empresas, além de boa fluência no inglês, Bukão ocupa cargos importantes na estrutura do surfe amador brasileiro e mundial.

MARCELLO ÁRIAS - Marcello Árias fez parte da primeira geração de surfistas amadores do Brasil. Amigo de Cisco seguiu seus passos e sua linha no surfe obteve algum destaque em competições enquanto amador, porém, optou por parar de competir na época em que estava para profissionalizar-se, dedicando-se ao free surfe e aos estudos. Foi o primeiro professor de surfe do Brasil começando na Escola Patro Homa e posteriormente desenvolvendo a Escola Radical na Prefeitura Municipal de Santos.

Atualmente um de seus principais interesses é a divulgação dos trabalhos do GREENPEACE e do SEA SHEPHERD (instituições sem fins lucrativos de defesa da vida no planeta) e da necessidade de maior conscientização e empenho por parte dos surfistas com relação à causa ecológica. Foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento do surfe como matéria universitária na Faculdade de Educação Física de Santos, onde em 1995, juntamente com Cisco, ministrou um curso de extensão universitária sobre os Esportes Radicais.

6. Escola Radical

O projeto Escola Radical surgiu devido à necessidade de inovação e modernização nas atividades de lazer. Os esportes radicais foram ganhando força e se firmando como uma forma de expressão corporal, cultural e ideológica, entretanto, faltava-lhes uma estrutura que possibilitasse um aprendizado rápido c seguro com uma orientação especializada.

Criada em 1991, pela Prefeitura Municipal de Santos, a primeira escola de esportes radicais do país funcionou, a princípio, na Caixa de Pecúlios, e em 1992 ganhou sede própria no Posto de Salvamento 2, na praia do José Menino.

Desde então, um projeto que já nasceu com a simpatia dos praticantes dos esportes radicais conquistou o coração da comunidade. Graças às características tão especiais do esporte que valoriza a singularidade dos movimentos, o prazer e o contato com a natureza foram chegando aprendizes de todas as idades e perfis. Hoje são trezentos alunos entre 4 e 76 anos de idade.

A Escola de Esportes Radicais em cinco anos de funcionamento conseguiu estabelecer empatia com alguns empresários locais, que aderiram a parcerias para a realização de muitos projetos: as empresas Sthill (patrocinadora oficial), Caixa de Pecúlios de Santos, Mr.Chip Informática, Valino Tintas, Outline, Coastal Way, C.N.A Inglês, e Flytotir Turismo.

Como resultado de um trabalho sério a Escola Radical vem revelando alguns talentos na região. Gustavo Prado, aos dezoito anos, é um prata da casa de nível nacional no Bodyboard e acredita seu sucesso à dedicação e empenho de seus professores. Giovanni Ferrantti é outro aluno que vem obtendo destaque em competições e também se consolida como uma das grandes promessas do surfe brasileiro.

A Escola Radical está inovando suas atividades e abrindo espaço também para o atendimento de grupos especiais, como alunos deficientes auditivos que vêm sendo iniciados na modalidade.

No futuro a idéia é atender os deficientes visuais e paraplégicos, adaptando os materiais a suas necessidades. Além disso, promove palestras e cursos que desenvolvem uma série de assuntos relacionados ao surfe de forma direta ou indireta, tais como: História do surfe, primeiros socorros, biologia marinha e preservação ambiental, meteorologia, entre outros temas, em lugares como Sesc, Sesi, escolas públicas e privadas, universidades, creches etc.

A escola vem formando monitores já há algum tempo e investindo na qualificação destes jovens profissionais.

Na luta pela preservação ambiental a Escola Radical está organizando e ministrando diversas palestras de conscientização ecológica para seus alunos e para alunos de escolas públicas e privadas interessadas no tema. A bandeira ecológica está começando a fazer parte do mundo do surfe. A natureza é uma constante na vida do surfista, e essa proximidade determina uma relação de profundo respeito e é exatamente para isso que a Escola Radical quer despertar as novas gerações de surfistas e comunidade em geral: para uma reflexão sobre as conseqüências desastrosas da intervenção equivocada do homem sobre à natureza.

Segundo o biólogo Oito Bismark “Os surfistas têm uma oportunidade única de contato com a natureza”. É muito comum notarmos que eles se manifestam verbalmente sobre a necessidade de cuidarmos do meio ambiente. Infelizmente, a maioria apenas fala e pouco faz. Eu fico imaginando que poderoso exercito seria este, o de surfistas conscientes e praticantes cio respeito ao meio ambiente. Fico feliz quando percebo uma mobilização como a que está ocorrendo na Escola Radical.

"Através de meu trabalho com tubarões e seus eventuais ataques contra seres humanos (principalmente surfistas), tive a oportunidade de conhecer e conviver com muitos esportistas realmente conscientes de seu esporte e da força contida nele. A grande maioria, porém, apenas filosofa e não têm a mínima idéia do quanto poderia fazer para ajudar a educar o público sobre causas realmente úteis. Organizações não governamentais voltadas à conscientização ambiental, como o Sea Shepherd Conservation Society e o Greenpeace. Podem ter nos surfistas vigorosos aliados na difusão dessas idéias, assim como eu tive e tenho o apoio dos surfistas em meu trabalho com os tubarões. Atrevo-me a dizer que, aqueles que não pensam assim, não merecem o privilégio de pertencerem a uma classe tão seleta como é a dos surfistas."

Fotos retiradas do google imagens

7. Projeto OMELCA

Que os apaixonados pelo surfe fazem do esporte um estilo de vida, todos sabem, mas há também quem encare o surfe como terapia (surfeterapia), prática que vem crescendo no Brasil e que tem Santos como cidade pioneira na atividade.

Extremamente ligado à natureza, o surfe se utiliza do mar agitado para passar a tranqüilidade do universo para as pessoas. Com um contato com a natureza intenso, o surfista respeita o mar assim como o religioso respeita Deus.

Em Santos possui o Projeto OMELCA de Surfeterapia, (o nome vem de uma antiga civilização que dava atenção especial às crianças que nasciam com deficiência) que foi iniciado em 23 de setembro de 2006, tem por objetivo a inclusão social através do esporte. As aulas são destinadas a crianças com dificuldades educacionais especiais.

O Projeto Omelca conta com equipe interdisciplinar, formada por técnicos de surfe e profissionais de educação física e pedagogia.

Há, ainda, oficinas recreativas com participação dos pais ou responsáveis. O Projeto Omelca é desenvolvido pela Prefeitura Municipal, organizado pelas Secretarias de Educação (SEDUC) e Esportes (SEMES) e oferecido pela Escola Radical, localizada no Posto 2, em Santos e se destaca por ser um dos projetos sociais da primeira escola pública de surf do Brasil.

A surfeterapia ajuda a estimular o cérebro e a coordenação motora das crianças com necessidades especiais, é de grande importância esse Projeto, pois visa o respeito e a inclusão para com essas crianças perante nossa sociedade.

Imagens retirada do Blog Surfin Santos

8. Conclusão

O presente trabalho serve para um melhor entendimento sobre o esporte radical que é o surfe. É muito importante para nós profissionais de Educação Física termos noção dos grandes benefícios que podemos aprender com essa modalidade.

Hoje em dia o número de surfistas está aumentando e eles estão mostrando às pessoas sua filosofia de vida, que quando estudada a fundo, nos mostra como é enriquecedora e quantos benefícios pode-se desfrutar desse esporte.

O surfe vem sendo utilizado em forma de surfeterapia e ajuda também crianças com necessidades especiais a terem uma melhora em sua coordenação motora e em sua inclusão social.

Sem dúvida esse trabalho nos ajuda a compreender os benefícios desse esporte e o quanto se pode aproveitar para ajudar na sociabilização de crianças, jovens e adultos.

Fotos retiradas do google imagens

9. Referências

Secretaria Municipal de Esportes (Semes), “A História do Surfe em Santos”. Volume III Caderno SEMES. 43 pág.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Surfe - Data de acesso: 09/04/2011 às 11:10

http://surfinsantoss.blogspot.com - Data de acesso: 09/04/2011 às 12:40

Por Felipe Santos e Camila Alvarez

http://www.clicklitoral.com.br/05490.html - Data de acesso: 14/04/2011 às 15:30

Por: Depto. Imprensa – Prefeitura Municipal de Santos (29/08/2007).

http://blog.sthill.com.br/2009/09/28/projeto-omelca/

Data de acesso: 14/04/2011 às 13:00 – Por Sthill (28/09/2009).

http://360graus.terra.com.br/surf/default.asp?did=379&action=historia

Data de acesso: 15/04/2011 às 12:35 – Por Adriana Fernandes (08/06/2001)