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Empreendedorismo

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Categoria: Negócios

Enviado por: camilla2003 21 setembro 2013

Palavras: 1904 | Páginas: 8

Empreendedorismo: a necessidade de se aprender a empreender

Autoria: Ailton Carlos da Silveira, Giovanni Gonçalves, Jardel Javarini Boneli, Niciane

Estevão Castro e Priscila Amorim Barbosa (Graduandos de Administração Faculdade Novo

Milênio) e Daniele Jannotti S. Villena (Mestre em Administração e Professora da Faculdade

Novo Milênio)

Resumo: Este artigo apresenta o empreededorismo como a criação de algo novo a partir da

identificação de uma oportunidade, a dedicação, a persistência e a ousadia aparecem como

atitudes imprescindíveis neste processo para se obter os objetivos pretendidos. Os riscos,

naturalmente presentes no empreender, deverão ser previstos e calculados. Ainda,

contextualiza-se o empreendedorismo na conjuntura econômica brasileira, abordando quando

e de que forma surge a necessidade de se difundir uma cultura empreendedora e salienta a

distinção entre empreendedor e administrador, não estando absorto da correlação existente

entre eles.

Palavras-chaves: Empreendedorismo;Empreendedor;Administrador;Planejamento.

INTRODUÇÃO

O conceito de empreendedorismo é muito subjetivo, todos parecem conhecer, mas não

conseguem definir realmente o que seja. Essa subjetividade pode ser devido as diferentes

concepções ainda não consolidadas sobre o assunto ou por se tratar de uma novidade,

principalmente no Brasil, onde o tema se popularizou a partir da década de 90. A ascensão do

empreendedorismo vem paralelamente ao processo de privatização das grandes estatais e

abertura do mercado interno para concorrência externa. Daí a grande importância de

desenvolver empreendedores que ajudem o país no seu crescimento e gere possibilidade de

trabalho, renda e maiores investimentos.

Por isso, nesse artigo propôs-se apresentar o que é o empreendedorismo, seu histórico,

características de um empreendedor, bem como apontar as similaridades e diferenças entre o

empreendedor e o administrador, a fim de destacar a importância de assumir ambos os papéis. 2

1 EMPREENDEDORISMO: HISTÓRICO E DEFINIÇÃO

De acordo com o dicionário eletrônico Wikipédia, empreendedorismo é o movimento de

mudança causado pelo empreendedor, cuja origem da palavra vem do verbo francês

“entrepreneur” que significa aquele que assume riscos e começa algo de novo. Apesar do

empreendedorismo estar cada vez mais em evidência nos artigos, revista, internet, livros e

aparentar ser um termo “novo” para os profissionais, é um conceito antigo que assumiu

diversas vertentes ao longo do tempo. Só no início do século XX, a palavra

empreendedorismo foi utilizada pelo economista Joseph Schumpeter em 1950 como sendo, de

forma resumida, uma pessoa com criatividade e capaz de fazer sucesso com inovações. Mais

tarde, em 1967 com K. Knight e em 1970 com Peter Drucker foi introduzido o conceito de

risco, uma pessoa empreendedora precisa arriscar em algum negócio. E em 1985 com Pinchot

foi introduzido o conceito de intra-empreendedor, uma pessoa empreendedora, mas dentro de

uma organização.

Buscando ainda as raízes do empreendedorismo, Dornelas (2001) faz um resgate histórico e

identifica que a primeira definição de empreendedorismo é creditada a Marco Polo, sendo o

empreendedor aquele que assume os riscos de forma ativa, físicos e emocionais, e o

capitalista assume os riscos de forma passiva. Na Idade Média, o empreendedor deixa de

assumir riscos e passa a gerenciar grandes projetos de produção principalmente com

financiamento governamental. E no século XVII, surge a relação entre assumir riscos e o

empreendedorismo. Bem como a criação do próprio termo empreendedorismo que diferencia

o fornecedor do capital, capitalista, daquele que assume riscos, empreendedor. Mas somente

no século XVIII, que capitalista e empreendedor foram complemente diferenciados,

certamente em função do início da industrialização.

Com as mudanças históricas, o empreendedor ganhou novos conceitos, na verdade, são

definições sob outros ângulos de visão sobre o mesmo tema, conforme Britto e Wever (2003,

p. 17), “uma das primeiras definições da palavra empreendedor, foi elaborada no início do

século XIX pelo economista francês J. B. Say, como aquele que “transfere recursos

econômicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais

elevada e de maior rendimento””. No século XX, tem-se a definição do economista moderno,

de Joseph Schumpeter, já citada acima sucintamente, “o empreendedor é aquele que destrói a

ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de 3

novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”

(SCHUMPETER, 1949, apud DORNELAS, 2001, p. 37).

Contudo, parece que uma definição de empreendedor que atende na atualidade é de Dornelas

(2001, p. 37), que está baseada nas diversas definições vistas até então,“o empreendedor é

aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo

riscos calculados”. Caracteriza a ação empreendedora em todas as suas etapas, ou seja, criar

algo novo mediante a identificação de uma oportunidade, dedicação e persistência na

atividade que se propõe a fazer para alcançar os objetivos pretendidos e ousadia para assumir

os riscos que deverão ser calculados.

2 FORMAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDEDOR

Existe a concepção do empreendedor nato, aquele que nasce com as características

necessárias para empreender com sucesso. No entanto, como se trata de um ser social,

influenciado pelo meio que em que vive, a formação empreendedora pode acontecer por

influência familiar, estudo, formação e prática.

Para Dolabella (1999, p. 12), para se aprender a empreender, faz-se necessário um

comportamento pró-ativo do indivíduo, o qual deve desejar “aprender a pensar e agir por

conta própria, com criatividade, liderança e visão de futuro, para inovar e ocupar o seu espaço

no mercado, transformando esse ato também em prazer e emoção”.

No campo científico e acadêmico, a formação empreendedora pode ser caracterizada por

situações que contribuem diretamente para que esta ação aconteça. Entre elas, podem-se citar

duas características que incidem diretamente, a primeira é a natureza da ação, caracterizada

por buscar fazer algo inovador ou diferente do que já é feito. Neste ponto, o

empreendedorismo está ligado diretamente às modificações de processos (ou de produtos). E

a segunda é a falta ou inexistência de controle sobre as formas de execução e recursos

necessários para se desenvolver a ação desejada, liberdade de ação.

Estes dois fatores são considerados importantes na ação empreendedora, uma execução de

algo sem controle e sem métodos com uma nova concepção. Isso não significa que todas as

ações de mudanças são empreendedoras. Será se, ambos os quesitos estiverem presentes. Da 4

mesma forma, nem todas as ações desenvolvidas, com risco, sem controle dos processos são

ações empreendedoras, pois nem sempre são ações inovadoras.

Filon (1999), estabelece um modelo com quatro fatores fundamentais para que uma ação seja

empreendedora (visão, energia, liderança e relações), visando à formação do profissional

empreendedor. Destaca-se como principal característica as relações, a qual, segundo o autor,

se obtém os conhecimentos fundamentais e necessários dentro de uma estrutura de mercado:

as informações necessárias para a tomada de decisões e o conhecimento da realidade do

mercado.

Atualmente, as organizações possuem uma grande necessidade de buscar e desenvolver

profissionais com perfil empreendedor, devido ao fato de estes, serem os responsáveis pelas

modificações, criações e visões inovadoras para se obter um destaque maior e uma

diferenciação positiva frente à concorrência.

Os empreendedores são visionários, dotados de idéias realistas e inovadoras, baseados no

planejamento de uma organização, intervêm no planejado e propõem mudanças. O

empreendedor desenvolve um papel otimista dentro da organização, capaz de enfrentar

obstáculos internos e externos, sabendo olhar além das dificuldades, com foco no melhor

resultado.

Além das características acima comentadas, o empreendedor tem um perfil de liderança para

obter êxito em suas atividades, como é o grande responsável em colocar em prática as

inovações, métodos e procedimentos que propôs, deverá estimular os envolvidos na realização

das atividades, de forma a alcançar as metas traçadas.

3 O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL

Segundo Dornelas (2001), o empreendedorismo ganhou força no Brasil somente a partir da

década 1990, com a abertura da economia que propiciou a criação de entidades como

SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e SOFTEX

(Sociedade Brasileira para Exportação de Software). Antes desse momento o termo

empreendedor era praticamente desconhecido e a criação de pequenas empresas era limitada,

em função do ambiente político e econômico nada propício do país. Porém, não significa que 5

não existiram empreendedores, deve-se salientar que muitos visionários atuaram em um

cenário obscuro, deram tudo de si, mesmo sem conhecerem formalmente finanças, marketing,

organização e outros conteúdos da área empresarial, a exemplo, o célebre industrial Francisco

Matarazzo, e tantos outros que contribuíram para o desenvolvimento da economia do país.

O SEBRAE é amplamente difundido entre os pequenos empresários brasileiros, com

finalidade de informar e dar suporte necessário para a abertura de uma empresa, bem como

acompanhar através de consultorias seu andamento, solucionando pequenos problemas do

negócio. Este órgão está de certa forma, implantando a cultura empreendedora nas

universidades brasileiras, ao promover em parceria com outros países, o Desafio SEBRAE,

uma competição entre acadêmicos de várias nacionalidades, que têm como tarefa, administrar

uma empresa virtual.

A SOFTEX foi criada para ampliar o mercado das empresas de software através da

exportação e incentivar a produção nacional, para isso foram desenvolvidos projetos para a

capacitação em gestão e tecnologia dos empresários de informática. Além de alavancar o

desenvolvimento de tecnologias nacionais, essa entidade conseguiu através de seus

programas, popularizar no país termos como plano de negócios (business plan) que até então

eram ignorados pelos empresários.

Apesar do pouco tempo, o Brasil apresenta ações que visam desenvolver um dos maiores

programas de ensino de empreendedorismo e potencializa o país perante o mundo nesse

milênio. Dornelas (2001, p. 25 e 26) cita alguns exemplos:

1. Os programas SOFTEX e GENESIS (Geração de Novas Empresas de

Software, Informação e Serviço), que apóiam atividades de

empreendedorismo em software, estimulando o ensino da disciplina em

universidades e a geração de novas empresas de software (start-ups).

2. Ações voltadas à capacitação do empreendedor, como os programas

EMPRETEC e Jovem Empreendedor do SEBRAE. E ainda o programa

Brasil Empreendedor, do Governo Federal, dirigido à capacitação de mais

de 1 milhão de empreendedores em todo país e destinando recursos

financeiros a esses empreendedores, totalizando um investimento de oito

bilhões de reais.

3. Diversos cursos e programas sendo criados nas universidades brasileiras

para o ensino do empreendedorismo. É o caso de Santa Catarina, com

programa Engenheiro Empreendedor, que capacita alunos de graduação

em engenharia de todo o país. Destaca-se também o programa REUNE,

da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), de difusão do

empreendedorismo nas escolas de ensino superior do país, presente em

mais de duzentas instituições brasileiras. 6

4. A recente explosão do movimento de criação de empresas de Internet no

país, motivando o surgimento de entidades com o Instituto e-cobra, de

apoio aos empreendedores das ponto.com (empresas baseadas em

Internet), com cursos, palestras e até prêmios aos melhores planos de

negócios de empresas Start-ups de Internet, desenvolvidos por jovens

empreendedores.

5. Finalmente, mas não menos importante, o enorme crescimento do

movimento de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da

ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de

Empreendimentos de Tecnologias Avançadas) mostram que em 2000,

havia mais de 135 incubadoras de empresas no país, sem considerar as

incubadoras de empresas de Internet, totalizando mais de 1.100 empresas

incubadoras, que geram mais de 5.200 empregos diretos.

Essas iniciativas são de suma importância para os empreendedores brasileiros que apesar dos

percalços são fundamentais para a economia do país. No entanto, é necessário que ações

governamentais resgatem o avanço proveniente da iniciativa privada e de entidades nãogovernamentais, valorizem a capacidade empreendedora dos brasileiros e solucionem os

problemas apontados no relatório Global Monitor (GEM) - Monitor Global do

Empreendedorismo, organizado pela Babson College, EUA, e London School of Business,

Inglaterra, e realizado em 29 países, apontou os seguintes resultados para o Brasil em 2001

(BRITTO; WEVER, 2003, p.20 e 21)