Trabalho Completo Fluxo De Caixa

Fluxo De Caixa

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Categoria: Outras

Enviado por: Jesbrulima 04 outubro 2013

Palavras: 11712 | Páginas: 47

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO................................................................................................ 09

1.1 Problema....................................................................................................... 11

1.1.1 Delimitação do Problema............................................................................ 11

1.2 Objetivos........................................................................................................ 12

1.2.1 Geral........................................................................................................... 12

1.2.2 Específicos................................................................................................. 12

1.3 Justificativa.................................................................................................... 13

1.4 Metodologia................................................................................................... 15

1.5 Estrutura do Trabalho.................................................................................... 15

2. REFERENCIAL TEÓRICO.............................................................................. 16

2.1 Origem Histórica e Evolução da Contabilidade............................................. 16

2.1.2 Contabilidade do mundo antigo.................................................................. 19

2.1.3 Contabilidade do mundo medieval............................................................. 19

2.1.4 Contabilidade do mundo moderno.............................................................. 19

2.1.5 Contabilidade do mundo científico.............................................................. 19

2.2 Objetivos da contabilidade............................................................................. 19

2.3 Princípios da contabilidade............................................................................ 20

2.3.1 Princípio da Continuidade........................................................................... 20

2.3.2 Princípio da Oportunidade.......................................................................... 21

2.3.3 Princípio do Registro pelo Valor Original.................................................... 21

2.3.4 Princípio da Atualização Monetária............................................................ 22

2.3.5 Princípio da Competência........................................................................... 23

2.3.6 Princípio da Prudência................................................................................ 23

2.4 A Contabilidade Gerencial e seu papel......................................................... 24

2.4 O conceito e importância do Fluxo de Caixa................................................. 26

2.5 Conceito de demonstração de fluxo de caixa................................................ 27

2.6 A importância da informação sobre o fluxo de caixa da empresa................. 27

2.7 Ampliando o conceito de fluxo de caixa........................................................ 30

2.8 Formas de apresentação do fluxo de caixa histórico.................................... 31

2.9 O Método direto............................................................................................. 32

2.10 O método indireto........................................................................................ 35

2.11 Administração financeira: conceitos fundamentais...................................... 39

2.12 Alterações após a Lei nº 11.638/07............................................................. 43

3. DESENVOLVIMENTO..................................................................................... 44

4. CONCLUSÃO.................................................................................................. 49

REFERÊNCIAS................................................................................................... 50

1. INTRODUÇÃO

O presente estudo tem como anseio verificar de forma crítica, através da bibliografia levantada, o fluxo de caixa em micro e pequenas empresas, apresentando os processos do Fluxo de Caixa dentro de uma organização. Através deste estudo pretende-se identificar a importância do fluxo de caixa para empresas de micro e pequeno porte.

A Contabilidade surgiu através da necessidade do homem em controlar suas posses, seu patrimônio. Inicialmente, em seu modo primitivo, era representada somente por artes, desenhos deixados pelos homens primitivos nas paredes das cavernas para representar o que o mesmo possuía.

Mais tarde com o surgimento do escambo, ou seja, da necessidade de troca entre os homens para mantimento da sobrevivência, manifestou-se através de escritas onde apresentava-se simples registros relacionados ao negócio efetuado por estes homens.

Atualmente, com um mercado cada vez mais competitivo, onde as empresas precisam constantemente buscar a excelência na execução de suas atividades, a Contabilidade passou de simples registros de fatos ocorridos, para embasamento na tomada de decisões, ganhando a nomenclatura de Contabilidade Gerencial.

Dentro deste contexto, as empresas passam a buscar um eficiente controle administrativo, onde o administrador precisa utilizar-se de todas as ferramentas possíveis para a execução dos objetivos da entidade. Assim, surge uma ferramenta que torna-se cada vez mais solicitada no meio empresarial, o Fluxo de Caixa, que possibilita à empresa uma visão ampla de suas finanças à fim de que possa-se analisar os fatos ocorridos para a tomada de decisões, bem como proporciona à entidade a possibilidade de projetar suas finanças para o futuro, proporcionando ao administrador a capacidade de realizar a execução de aplicações ou captações de recursos com a maior vantagem possível.

Apresenta-se desta forma, o Fluxo de Caixa, como uma opção interessante às empresas de micro e pequeno porte, já que, devido ao competitivo mercado em que as mesmas estão inseridas atualmente, qualquer possibilidade de angariar vantagens, pode ser decisivo na execução de sua atividade e em sua manutenção neste competitivo mercado.

Traz também o presente estudo, as formas em que pode-se apresentar o Fluxo de Caixa dentro da organização, bem como, sua exigência legal devido às alterações ocorridas na legislação que normatiza o contabilidade, deixando uma visão sintética desta ferramenta administrativa no desenvolvimento do controle financeiro dentro das empresas de micro e pequeno porte.

1.1 Problema

Qual a importância do fluxo de caixa nas micro e pequenas empresas?

1.1.1 Delimitação do Problema

Efetuar uma pesquisa bibliográfica para definir qual a importância do fluxo de caixa nas micro e pequenas empresas.

1.2 Objetivos

1.2.1 Geral

Identificar a importância do fluxo de caixa para empresas de micro e pequeno porte.

Segundo Kuster e Nogcz (2003), a importância do fluxo de caixa para as micro e pequenas empresas se dá elo fato de que vem a propiciar melhorias na habilidade gerencial os seus administradores. Bem com na função administrativa, segundo os autores, ainda acreditam q1ue produzindo bens de alta qualidade e demanda, estão dispensados de dedicar tempo a boa administração esta tarefa a colaboradores sem preparo, ao invés de contratarem alguém apto para fazê-lo em seus lugar. Dessa maneira, o fluxo de caixa para a as micro e pequenas empresas, tornam-se relevantes, por ser um instrumento financeiro, o qual vem a permitir ao administrador monitorar o equilíbrio e o desequilíbrio entre a entrada e saída de dinheiro durante um período determinado, possibilitando a adoção de medidas que venham assegurar a disponibilidades de recursos para a atendimento das necessidade de caixa.

1.2.2 Específicos

• Levantar bibliograficamente conceitos de fluxo de caixa;

• Verificar, através da bibliografia, a importância do fluxo de caixa para as empresas de micro e pequeno porte;

• Mostrar através de sustentação teórica as possibilidades de melhoria do fluxo de caixa de empresas de micro e pequeno porte;

• Destacar por meio da bibliografia pesquisada as formas de apresentação de fluxo de caixa;

• Apresentar a exigência legal da apresentação do Fluxo de Caixa.

1.3 Justificativa

A relevância desta pesquisa é enfatizar a importância do demonstrativo de Fluxo de Caixa como instrumento para os profissionais que atuam na administração das empresas proporcionarem eficiência dentro do contexto de controle em finanças.

O fluxo de caixa, torna-se atualmente, uma ferramenta interessante no controle dos recursos financeiros de qualquer entidade, entretanto, essa importante ferramenta ainda encontra-se pouco difundida no meio empresarial de pequeno porte.

Assim, desperta-se o desejo de pesquisar sobre o presente tema para que possa-se buscar um maior conhecimento sobre o mesmo, bem como, demonstrar através da presente pesquisa a relevância dessa ferramenta para obtenção de bons resultados no setor financeiro das entidades.

O presente trabalho poderá contribuir para que as empresas de pequeno porte e microempresas tenham consciência dos benefícios de um fluxo de caixa bem gerenciado, com finalidades de manter um nível de liquidez, que permita saldar os compromissos assumidos nos prazos estipulados sem a necessidade de recorrer a capital de terceiros, tornando o fluxo de caixa uma ferramenta essencial na programação financeira e instrumento que possibilite a empresa planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar tanto os recursos financeiros quanto as aplicações das atividades ativas.

Com relação a instituição de ensino onde busco a graduação, a relevância deste estudo se fará através da disponibilização do mesmo como fonte de consulta para posteriores trabalhos a serem realizados dentro da instituição, proporcionando uma visão sucinta dos processos de fluxo de caixa, em consonância com as teorias e abordagens pesquisadas, promovendo um melhor entendimento sobre o assunto pelo leitor e concedendo à instituição uma fonte de estudo.

Enquanto acadêmico do Curso de Ciências Contábeis a pesquisa trará conhecimentos para a minha vida profissional, mostrando de forma sucinta como é o funcionamento do fluxo de caixa dentro de uma organização, trazendo à luz uma forma concisa de entendimento da contabilidade como um todo, instigando a minha percepção de profissional.

É interessante relatar que a presente pesquisa me proporcionou ter uma visão mais ampla do funcionamento da administração e da contabilidade dentro do controle das finanças de uma entidade, fazendo com que esta pesquisa seja de grande valia para o meu crescimento enquanto profissional.

1.4 Metodologia

O presente estudo teve o seu objetivo alcançado diante do exposto da fundamentação teórica. Para a realização do presente trabalho utilizou-se a pesquisa bibliográfica em relação ao tema: O Fluxo de Caixa em Micro e Pequenas Empresas será elaborado através de pesquisa bibliográfica e descritiva sobre o assunto em questão, tendo como base artigos, livros, dissertações e internet.

A presente pesquisa obedecerá três fases: Levantamentos bibliográficos, leituras e fichamentos; Organização dos dados coletados; Elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso.

1.5 Estrutura do Trabalho

O presente estudo encontra-se dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo apresento a introdução os objetivos da minha pesquisa.

No segundo capítulo apresento o referencial teórico onde contextualizo o fluxo de caixa e a contabilidade de forma clara. No terceiro capítulo faço o desenvolvimento do trabalho apresentando compreensões crítica a cerca do trabalho. No quarto capitulo apresento a conclusões finais do trabalho.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Origem Histórica e Evolução da Contabilidade

Conforme Zanluca (2008), a história da contabilidade é tão antiga quanto a própria história da civilização. Está ligada às primeiras manifestações humanas da necessidade social de proteção à posse e de perpetuação e interpretação dos fatos ocorridos com o objeto material de que o homem sempre dispôs para alcançar os fins propostos.

Deixando a caça, o homem voltou-se à organização da agricultura e do pastoreio. A organização econômica acerca do direito do uso do solo acarretou em separatividade, rompendo a vida comunitária, surgindo divisões e o senso de propriedade. Assim, cada pessoa criava sua riqueza individual. Ao morrer, o legado deixado por esta pessoa não era dissolvido, mas passado como herança aos filhos ou parentes. A herança recebida dos pais (pater, patris), denominou-se patrimônio. O termo passou a ser utilizado para quaisquer valores, mesmo que estes não tivessem sido herdados (ZANLUCA, 2008, p.01).

Assim para Zanluca (2008), a atividade de troca e venda dos comerciantes semíticos requeria o acompanhamento das variações de seus bens quando cada transação era efetuada. As trocas de bens e serviços eram seguidas de simples registros ou relatórios sobre o fato. Mas as cobranças de impostos, na Babilônia já se faziam com escritas, embora rudimentares. Um escriba egípcio contabilizou os negócios efetuados pelo governo de seu país no ano 2000 a.C.

De acordo com Zanluca (2008) à medida que o homem começava a possuir maior quantidade de valores, preocupava-lhe saber quanto poderiam render e qual a forma mais simples de aumentar as suas posses; tais informações não eram de fácil memorização quando já em maior volume, requerendo registros.

Conforme Zdanowicz (2000) apud Eichstadt & Fistarol (2004), novas técnicas de controles e análises surgiram com o aprimoramento do conhecimento e desenvolvimento da tecnologia. A partir do final de século XIX, os banqueiros americanos já solicitavam essas demonstrações, em especial o balanço patrimonial (BP), às empresas que desejavam contrair empréstimos. Surgiu, então, a expressão análise de balanços que perdura até nossos dias. A demonstração do resultado do exercício (DRE) passou a ser exigida com o passar do tempo.

Para Sá (1997), a contabilidade nasceu com a civilização e jamais deixará de existir em decorrência dela; talvez, por isso, seus progressos quase sempre tenham coincidido com aqueles que caracterizam os da própria evolução do ser humano. Das formas primitivas utilizadas para quantificar o patrimônio, percorrendo o caminho do método por partidas dobradas na época do comércio medieval, os sistemas de custos na Revolução Industrial e a criação da Contabilidade Gerencial após o surgimento das sociedades por ações, verifica-se que a contabilidade sempre procurou adaptar-se às mudanças ao longo da história da humanidade, para que pudesse cumprir seu papel de fomentadora de informações sobre o patrimônio de seus usuários.

Nas últimas décadas, graças aos avanços tecnológicos e aos sistemas informatizados que permitiram que o trabalho de registro de dados fosse feito de forma mais rápida, o contador moderno possui mais tempo para analisar as informações constantes nos relatórios gerados pela contabilidade. E, ainda, pode criar diversos relatórios que auxiliem o administrador, pois geralmente é o próprio proprietário que se encontra mergulhado nas rotinas operacionais e não tem tempo para controle e planejamento dos negócios (PADOVEZE, 1997, p.76).

Segundo Padoveze (1997, p.76), “a contabilidade deve ser vista como um instrumento essencial para a gestão das organizações e não somente um meio para atender às exigências legais”.

Para Veiga (2003, p.27), “a função básica de um contador gerencial é processar dados operacionais e financeiros, extraídos do ambiente externo próximo (concorrentes, fornecedores, clientes e consumidores), gerando informações que ajudem a organização em suas decisões estratégicas”.

A partir do século XVI surgem as primeiras obras dedicadas exclusivamente, à escrituração Contábil. Iniciou-se nesta época a teorização da contabilidade e muitos conceitos foram apresentados e analisados. Contudo, a contabilidade só se estruturou cientificamente em 1923, com a doutrina de Masi, na Itália, que tinha como objetivo conhecer as relações que existem entre os acontecimentos da riqueza patrimonial e explicar o que acontece com esta, a partir das referidas relações. Num primeiro momento da evolução do pensamento Contábil o foco era a "conta" como se esta fosse a alma ou o registro fosse a finalidade maior da contabilidade (SÁ, 1997, p.66).

Segundo Sá (1997) com o aparecimento de uma escola de pensamento denominada Lombarda, a contabilidade adquiriu de forma modesta a função gerencial, deixando de ser apenas um modelo de escrituração, para ser um instrumento de acompanhamento e controle, ou seja, a informação gerada pela contabilidade serviria de apoio na administração dos negócios. Para esta escola os registros eram apenas dados, ou seja, subsídios para estudos, devendo ser interpretados, não se admitindo que a contabilidade se limitasse apenas aos registros.

Conforme Sá (1997) observa-se que a Contabilidade Gerencial nasceu na corrente de Lombarda e desenvolveu-se ao longo dos anos, tornando-se atualmente num instrumento imprescindível de apoio na gestão dos negócios. A corrente Personalista partiu do raciocínio de que tudo o que ocorre na empresa ou na entidade motiva direitos e obrigações, e que tais relações são importantes para a vida das organizações. Com isso, os personalistas definiram o patrimônio como um conjunto de direitos e obrigações. Desta corrente, podemos perceber que a Contabilidade Gerencial está se tornando, cada vez mais, um instrumento de apoio na administração.

Em seguida surgiram os controlistas, que criaram novas formas de observar o objeto de estudos da contabilidade e conseguiram contribuir de forma expressiva para o desenvolvimento da ciência Contábil. Os controlistas admitiam que o objetivo era estudar a matéria sob o ângulo do controle da riqueza. Esta corrente foi de extrema importância, sendo considerada umas das mais expressivas produções da era moderna científica (IUDÍCIBUS, 1998, 94).

Segundo Iudícibus (1998), a Contabilidade Gerencial pode ser caracterizada como um enfoque especial conferido a técnicas e procedimentos contábeis tratados na Contabilidade Financeira e na Contabilidade de Custos, colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxiliar os gerentes das entidades em seu processo decisório. Foi o pensamento do "futuro" que levou o homem aos primeiros registros a fim de que pudesse conhecer as suas reais possibilidades de uso, de consumo, de produção etc. Pode-se resumir a evolução da ciência contábil da seguinte forma:

2.1.2 Contabilidade do mundo antigo

Conforme Iudícibus (1998), o período que se inicia com as primeiras civilizações e vai até 1202 da Era Cristã, quando apareceu o Liber Abaci , da autoria Leonardo Fibonaci, o Pisano.

2.1.3 Contabilidade do mundo medieval

Para Iudícibus (1998), é o período que vai de 1202 da Era Cristã até 1494, quando apareceu o Tratactus de Computis et Scripturis (Contabilidade por Partidas Dobradas) de Frei Luca Paciolo, publicado em 1494, enfatizando que à teoria contábil do débito e do crédito corresponde à teoria dos números positivos e negativos, obra que contribuiu para inserir a contabilidade entre os ramos do conhecimento humano.

2.1.4 Contabilidade do mundo moderno

Conforme Iudícibus (1998), este período que vai de 1494 até 1840, com o aparecimento da Obra "La Contabilità Applicatta alle Amministrazioni Private e Pubbliche" , da autoria de Franscesco Villa, premiada pelo governo da Áustria. Obra marcante na história da Contabilidade.

2.1.5 Contabilidade do mundo científico

É período que se inicia em 1840 é este modelo que se usa até hoje dentro da contabilidade.

2.2 Objetivos da contabilidade

Para Franco (1996), a contabilidade, que tem como objetivo prover seus diversos usuários de informações sobre o patrimônio das organizações, pode auxiliar o processo de gestão das empresas, contribuindo não só com dados que permitam o planejamento e controle das atividades, mas que também forneçam elementos que dêem suporte às decisões do administrador.

Segundo Franco (1996), sua finalidade é assegurar o controle desse patrimônio, fornecendo a seus administradores, informações e orientações necessárias à ação administrativa, bem como a seus titulares (proprietários do patrimônio) e demais pessoas a ele relacionadas, as informações e interpretações sobre o estado patrimonial e o resultado das atividades desenvolvidas pela entidade para alcançar seus fins.

2.3 Princípios da contabilidade

Conforme Sá (2000), o Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza elo ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso da sociedade ou instituição.

Para Sá (2000), o patrimônio pertence à entidade, mas a recíproca não é verdadeira. “A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova entidade, mas numa unidade de natureza econômico-contábil”. Este princípio deixa bem claro que não se pode confundir o patrimônio de uma empresa com a de seus sócios, isto é: deve-se ter autonomia patrimonial. É importante dizer que sem a autonomia patrimonial fundada na propriedade, os demais princípios fundamentais perdem o sentido, porque passariam a referir-se a um universo de limites imprecisos.

2.3.1 Princípio da Continuidade

Conforme Sá (2000), o A continuidade ou não da entidade, bem como sua vida definida ou provável, devem ser consideradas quando da classificação e avaliação das mutações patrimoniais, quantitativas e qualitativas. A continuidade influência o valor econômico dos ativos e, em muitos casos, o valor ou o vencimento dos passivos, especialmente quando a extinção da entidade tem prazo determinado previsto ou previsível.

Ainda o autor a observância do princípio da continuidade é indispensável à correta aplicação do princípio da competência por efeito de se relacionar diretamente à quantificação dos componentes patrimoniais e à formação do resultado, e de se constituir dado importante para aferir a capacidade futura de geração de resultado". O Princípio da Continuidade se refere diretamente ao valor econômico dos bens, isto é, de o ativo manter essa condição ou transformar-se total ou parcial em despesas no caso da empresa cessar suas atividades. Exemplo desse caso: O grupo ativo diferido não tem recuperação, o valor que estiver nesse grupo será transferido para a despesa. No caso de cessar as atividades de uma empresa, também o passivo é afetado, porque além das contas a pagar registrada, também se terá futuros desembolsos, com a extinção da empresa.

2.3.2 Princípio da Oportunidade

Conforme Sá (2000), o princípio da oportunidade refere-se simultaneamente à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram.

Como resultado da observância do princípio da oportunidade:

I - Desde que tecnicamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência;

II - O registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários;

III- O registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da entidade e num período de tempo determinado base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão.

2.3.3 Princípio do Registro pelo Valor Original

Sá (2000), os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos o valor presente na moeda do país, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurem agregações ou decomposições no interior da entidade.

Do Princípio do Registro pelo Valor Original, resulta:

I - A avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerando-se como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes:

II - Uma vez integrados no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ser alterados seus valores intrínsecos, admitindo-se, tão somente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais.

III - O valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste.

IV - Os princípios da Atualização Monetária e do Registro pelo valor Original, são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada.

V - O uso da moeda do país na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.

2.3.4 Princípio da Atualização Monetária

Este principio segundo Sá (2000), os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis através do ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais.

São resultantes da adoção do princípio da atualização monetária:

I - A moeda. embora aceita universalmente como medida de valor, não representa unidade constante em termos do poder aquisitivo;

II - Para que a avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações originais (art. 7°), é necessário atualizar sua expressão formal nacional, a fim de que permaneçam substantivamente corretos os valores dos componentes patrimoniais e, por conseqüência, o do patrimônio líquido;

III - A atualização monetária não representa nova avaliação, mas, tão somente, o ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação de indexadores, ou outros elementos aptos a traduzir a variação do poder aquisitivo da moeda nacional em um dado período.

2.3.5 Princípio da Competência

Para Sá (2000), as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrer, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. O princípio da competência determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do princípio da oportunidade.

O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando corretas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração.

As receitas consideram-se realizadas:

I - Nas transações com terceiros, quando eles efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá-lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à entidade, que pela fruição de serviços por estas prestados;

II - Quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior;

III - Pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros;

IV - No recebimento efetivo de doações e subvenções.

Consideram-se incorridas as despesas:

I - Quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro;

II - Pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo;

III - Pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo.

2.3.6 Princípio da Prudência

Segundo Sá (2000), o princípio da prudência determina a adoção do menor valor para os componentes do ativo e do maior para os do passivo, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alterem a patrimônio líquido.

O princípio da prudência impõe a escolha da hipótese de que resulte menor patrimônio líquido, quando se apresentarem opções igualmente aceitáveis diante dos demais princípios fundamentais de contabilidade.

Portanto para Sá (2000), a aplicação do princípio da prudência ganha ênfase quando, para definição dos valores relativos às variações patrimoniais, devem ser feitas estimativas que envolvem incertezas de grau variável”. O princípio da prudência estabeleceu o critério de menor valor para os itens do ativo e da receita, e de maior valor para os itens do passivo e da despesa com efeitos correspondentes no patrimônio líquido, isto é, um patrimônio líquido menor.

2.4 A Contabilidade Gerencial e seu papel

Para Corbett Neto (1997, p.20), “a competição está cada vez mais acirrada, exigindo que as empresas se adaptem rapidamente. Elas precisam tornar a mudança uma norma”.

Conforme Cobertt Neto (1997), a organização precisa estar preparada para esse novo desafio, que antes de qualquer coisa é uma mudança de mentalidade. Cada vez mais o sucesso pode durar pouco, a vantagem conseguida pode ser dissipada em muito pouco tempo. A organização, bem como as pessoas, têm que aprender a lidar com essa “nova mudança”.

Neste contexto Corbett Neto (1997, p.20), diz que “os processos de raciocínio são a base para uma organização de aprendizagem, para se criar uma organização que causa mudanças e, consequentemente, que entra num processo de otimização contínua. Goldratt fornece as ferramentas para fazer acontecer o que os gurus da administração advogam”.

A explosão em tecnologia está mudando a base da competitividade por todo o mundo. Para poder competir, as empresas têm de oferecer produtos sofisticados a um baixo preço, enquanto mantêm alta qualidade e excelente serviço ao consumidor. Um papel particularmente importante, mas não muito bem entendido, é o do sistema de contabilidade de custos. Hoje, a informação não está sendo providenciada de uma forma que possa ajudar a administração a identificar, priorizar e resolver problemas. Administradores de produção estão sendo orientados a tomar importantes decisões apesar das informações disponíveis da contabilidade de custos, e não porque ela é relevante (BERLINER & BRIMSON, 1988, p.08).

A contabilidade gerencial para Corbett Neto (1997) deve fazer a conexão entre as ações locais dos gerentes e a lucratividade da empresa, para que estes possam saber que direção tomar. Medindo corretamente o impacto de ações locais no desempenho global, a contabilidade gerencial também serve como o agente motivador, pois premia as pessoas que contribuem significativamente ao objetivo da empresa. A contabilidade gerencial tem como objetivo principal fornecer informações para que os gerentes possam decidir qual o melhor caminho para a empresa.

Isto é referido por Johnson & Kaplan (1991, p.04) ao dizer que “um excelente sistema de contabilidade gerencial não vai sozinho garantir o sucesso nos mercados de hoje”.

Para Cobertt Neto (1997), mas um sistema de contabilidade gerencial ineficaz pode minar o desenvolvimento de produtos, o aprimoramento de processos e os esforços de marketing. Onde um sistema de contabilidade gerencial prevalece, o melhor resultado ocorre quando os administradores entendem a irrelevância do sistema e se desviam dele criando sistemas de informação personalizados.

Segundo Coelho (1999), a contabilidade gerencial será eficaz se contiver um sistema de informações contábeis integrado ao sistema de gestão empresarial, que é aquele que reúne e consolida todas as informações relevantes e necessárias para gerir a organização, e se considerar o controle como uma forma de se estudar novas possibilidades ou analisar novos caminhos que possibilitem redução de custos, agilidade de operação, maximização de lucros e manutenção qualidade do produto ou serviço prestado pela empresa. Tinha sido ignoradas até algum tempo atrás, na contabilidade gerencial, as mudanças ocorridas nos meios de produção. Ela precisa evoluir, precisa adaptar-se aos novos tempos.

Kaplan (1993, p.177), relata-nos que “a obsolescência dos sistemas de contabilidade gerencial contemporâneo deve ser uma fonte de grandes problemas para os administradores das grandes organizações diversificadas”.

Sistemas contemporâneos de contabilidade de custos e controle gerencial, já não fornecem sinais precisos da eficiência e rentabilidade das transações internamente administradas. Em conseqüência, os administradores não estão obtendo informações que os auxiliem na comparação entre transações apropriadas de custos e rentabilidade, a capacidade de “mão visível” de efetivamente administrar a infinidade de transações que ocorrem numa hierarquia complexa vem sendo seriamente comprometida. A alta administração quando deixa de receber informações exatas sobre a eficiência e efetividade das operações internas, a organização torna-se vulnerável à competição das organizações menores e mais focalizadas (KAPLAN, 1993, p.117).

De acordo com Kaplan (1995) as necessidades de informações das empresas concentradas numa gama estreita de atividades ou produtos, é bem inferior às das que procuram administrar múltiplas etapas nos processos de conversão, ou que oferecem linhas de produtos diversificados e até heterogêneos.

Para Kaplan (1993, p.117) “as organizações focalizadas se tornarão altamente eficientes em seus limitados segmentos de produtos ou variedades de processos produtivos, superando as organizações diversificadas incapazes de continuar avaliando a rentabilidade relativa de suas atividades variadas e, geralmente, independentes entre si”.

Segundo Corbett Neto (1997) existem algumas propostas de diferentes metodologias para a contabilidade gerencial que tentam resolver essa perda de relevância. Aqui tratarei da metodologia da TOC, que considero a melhor proposta para a contabilidade gerencial, a que está mais em linha com a nova visão de empresa, e a comparei com o paradigma predominante na contabilidade gerencial, isto é, a contabilidade de custos.

2.4 O conceito e importância do Fluxo de Caixa

A partir do conceito de administração financeira, pode-se dizer que o fluxo de caixa é um dos instrumentos mais utilizados pelo administrador financeiro na gestão empresarial. A administração financeira é a arte e a ciência de administrar os recursos financeiros para maximizar a riqueza dos acionistas (LEMES, RIGO, CHEROBIM, 2002).

Uma boa administração necessita de informações para que a atividade da empresa flua de maneira a atingir seu objetivo final que é o lucro. Contanto que as informações sejam reais e representem a situação da empresa no momento em que são levantadas, o administrador possui uma ferramenta importante em seu trabalho. A partir de um fluxo de caixa projetado a empresa possui uma ferramenta importante aos administradores para a tomada de decisões. Após o levantamento dos dados extraídos de cada departamento da empresa, os mesmos são tabelados para formar o fluxo projetado. Com base em períodos anteriores é possível projetar as receitas e as despesas que irão acontecer no período projetado. Assim, após o ocorrido os dados são comparados para avaliar o que aconteceu com o que havia sido projetado. Caso ocorra algum fato que não estava previsto, isso faz com que sejam alterados os dados para o período projetado (LEMES, RIGO, CHEROBIM, 2002, p.33).

Para Zdanowicz (2000) apud Eichstadt & Fistarol (2004), o fluxo de caixa é o instrumento de programação financeira, que corresponde às estimativas de entradas e saídas de caixa em certo período de tempo projetado. Com essa estimativa a organização das finanças torna-se mais correta em função de ter em mãos o que irá receber e o que irá pagar em certo período de tempo, podendo prever possíveis investimentos com as sobras, bem como a busca de recursos quando existir déficit no caixa da empresa.

2.5 Conceito de demonstração de fluxo de caixa

Segundo Marion (1998, p. 380), “a Demonstração de Fluxo de Caixa (DFC) indica a origem de todo o dinheiro que entrou no Caixa, bem como a aplicação de todo o dinheiro que saiu do Caixa em determinado período, e, ainda o Resultado do Fluxo Financeiro”.

Essa demonstração tem a característica de evidenciar as transações que efetivamente movimentam o caixa. O que poderia ser uma característica controvertida. O registro de movimentações de caixa é muito dinâmico; a demonstração de fluxo de caixa, tal qual as demais demonstrações, é estática, ou seja, reflete um determinado momento ou, mais propriamente dizendo, um determinado saldo disponível e reportado (MARION, 1998, p. 380).

Para Marion (1998), não devemos analisar o fluxo de caixa dessa forma, estática, verticalmente como são apresentados, uma vez que essa não é a realidade das empresas.

2.6 A importância da informação sobre o fluxo de caixa da empresa

Segundo Hendriksen e Breda (1999), inicialmente destaca-se que a compreensão do termo caixa deve abranger não somente a conta contábil caixa, e sim todos os recursos disponíveis da empresa dos quais se possa fazer uso como se dinheiro fosse. Corresponde ao caixa, desta forma, as disponibilidades imediatas da empresa, ou seja, caixa, propriamente dito, depósitos bancários à vista, numerários em transito e aplicações de liquidez imediata.

Fazendo referências ao Financial Accounting Standard Board (FASB), Hendriksen e Breda (1999, p.173), colocam que “o objetivo da contabilidade é fornecer aos investidores e outros indivíduos informações úteis para avaliar o nível, a distribuição no tempo e a incerteza dos fluxos de caixa futuros da empresa”.

O caixa é importante porque representa poder de compra que pode ser transferido facilmente, em uma economia de troca, a qualquer indivíduo ou organização para satisfação de suas necessidades específicas por bens e serviços desejados e disponíveis na economia. Informações sobre fluxo de caixa são relevantes, à medida que permitem a investidores e credores projetar a capacidade que a empresa terá de distribuir dividendos, pagar juros e amortizar dívidas. Além desses pontos, a informação sobre o fluxo de caixa destaca-se, também, por auxiliar na determinação da liquidez e solvência empresarial (HENDRIKSEN E BREDA, 1999, p.177).

Para Hendriksen e Breda (1999, p.177) “liquidez é a capacidade relativa de conversão de ativos em caixa e solvência é a capacidade de pagamento das obrigações de uma empresa no momento de seus vencimentos. O conceito de solvência é mais amplo que o de liquidez”.

Segundo Hendriksen e Breda (1999) a determinação da capacidade de solvência da empresa é importante, pois indica a possibilidade de continuidade. A informação sobre a liquidez é importante para determinação da solvência. A informação sobre fluxo de caixa é uma informação sobre o fluxo financeiro da empresa. É através do fluxo financeiro que as empresa planejam e tomam decisões importantes de investimentos, financiamentos, distribuição de recursos, etc. fundamentais para a continuidade das operações normais do empreendimento.

Evidentemente que todos os fatores descritos acima, principalmente a decisão de distribuição de recursos (dividendos, juros, etc.), dependem de outros eventos e políticas da empresa. A existência pura e simples de caixa não determina a distribuição obrigatória desses recursos e tão pouco a existência pura e simples de lucro não determina que a empresa tenha que distribuí-lo. Aliás, uma Demonstração de Fluxo de Caixa deve evidenciar e explicar o fato de que disponibilidade de caixa não significa lucro, e lucro nem sempre significa disponibilidade de caixa. Para os autores já referenciados, dados que possibilitem aos credores e acionistas prever a capacidade da empresa gerar caixa futuro para pagamentos são cruciais (HENDRIKSEN E BREDA, 1999, p.177)

Para Hendriksen e Breda (1999), os usuários da informação de fluxo de caixa em seu processo de predição da capacidade de distribuição de dividendos e amortização de dívidas necessitariam de informações sobre:

 Fluxos de caixa gerado pelas operações correntes da empresa;

 Fluxos de caixa não relacionados com as atividades correntes da empresa;

 Fluxos de caixas necessários para manutenção e ampliação dos níveis de estoques e capacidade instalada da empresa;

 Fluxos de caixa originados da alienação de itens do imobilizado da empresa e que por algum motivo não mais serão utilizados para operações futuras;

 Fluxos de caixa obtidos a partir dos financiadores da empresa (acionistas e credores), também como os fluxos de caixa distribuídos aos mesmos por esses financiamentos; e

 Fluxos de caixa destinados a pagamento de juros e dividendos a investidores preferências.

Para o International Accounting Standards Committee (IASC) as informações sobre os fluxos de caixa de uma empresa, são úteis, à medida que proporcionam aos usuários das demonstrações contábeis uma base para avaliar a capacidade de a empresa gerar caixa e valores equivalentes a caixa e as necessidades da empresa para utilizar esses fluxos de caixa. As decisões econômicas que são tomadas pelos usuários exigem uma avaliação da capacidade de a empresa gerar caixa e valor equivalente a caixa, bem como da época e certeza na geração de tais recursos (HENDRIKSEN E BREDA,1999, p.177).

Segundo Hendriksen e Breda (1999,) o International Accounting Standards Committee (IASC) define que as informações sobre o fluxo de caixa da empresa também tem sua importância destacada pois:

 quando utilizada em conjunto com as demais demonstrações contábeis, proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos de uma empresa, sua estrutura financeira (inclusive sua liquidez e solvência) e sua habilidade para afetar as importâncias e prazos dos fluxos de caixa a fim de adapta-los as mudanças nas circunstâncias e as oportunidades;

 são úteis para avaliar a capacidade da empresa produzir recursos de caixa e valores equivalentes e habilitar os usuários a desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente e futuro de caixa de diferentes empresas;

 aumenta a comparabilidade dos relatórios de desempenho operacional por diferentes empresas, porque elimina os efeitos decorrentes do uso de diferentes tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos;

 possibilita o uso das informações históricas sobre o fluxo de caixa como indicador da importância, época e certeza de futuros fluxos de caixa;

 é útil para conferir a exatidão de avaliações anteriormente feitas de futuros fluxos de caixa e examinar a relação entre a lucratividade e o fluxo de caixa líquido, e o impacto de variações de preço.

2.7 Ampliando o conceito de fluxo de caixa

Conforme Hendriksen e Breda (1999, p.176), “a informação sobre o fluxo e caixa da empresa pode ser evidenciada basicamente de duas formas. Ou sobre operações de caixa realizadas em um período já ocorrido (descreve mudanças históricas no caixa da empresa), ou sobre operações de caixa da empresa que ainda irão ocorrer, e que, portanto, referem-se a um período de tempo ainda não ocorrido”.

Um conceito importante de fluxo de caixa é o conceito de fluxo de caixa histórico. Este conceito refere-se ao primeiro tipo de informação descrito acima. Outro conceito de fluxo de caixa fundamental é o de fluxo de caixa orçado ou projetado, que expressa informações correspondentes ao segundo conceito, também já descrito. Entende-se como Fluxo de Caixa o registro e controle sobre a movimentação do caixa de qualquer empresa, expressando as entradas e saídas de recursos financeiros ocorridos em determinados períodos de tempo (CAMPOS FILHO, 1997).

Conforme Hendriksen e Breda (1999, p.176), “o fluxo de caixa histórico é o que mais representa a demonstração de fluxo de caixa componente do conjunto de demonstrações contábeis que as empresas divulgam, servindo principalmente para análises comparativas e históricas. A segunda forma de apresentação de fluxo de caixa é utilizada principalmente pela gerência das empresas no planejamento operacional e estratégico na gestão da atividade financeira, voltada para o futuro, sendo de uso interno da empresa”.

Hendriksen e Breda (1999, p.176) diz que “uma razão básica para o fornecimento de demonstrações de fluxos de caixa histórico é a sua possibilidade de uso para avaliação da empresa como entidade em andamento, por parte dos acionistas e credores”.

A demonstração de fluxo de caixa histórico pode ser preparada a partir das outras demonstrações já elaboradas e divulgadas pela empresa, permitindo a análise das causas de modificação do caixa da empresa e um estudo do seu comportamento financeiro ao longo do tempo. É um adequado instrumento de análise. Uma das dificuldades com a utilização de fluxos de caixa históricos na predição de fluxos futuros reside na interdependência de muitos fluxos da caixa. As informações sobre fluxos de caixa devem ser complementadas por planos da administração da empresa revelando suas expectativas, além de outros relatórios complementares que possam ser utilizados no processo de predição (HENDRIKSEN E BREDA, 1999, p.176).

Conforme Sá (1998, p.70) “as apurações e demonstrações são realizadas pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Todavia, pode-se afirmar que o fluxo de caixa é um instrumento de controle e análise financeira que juntamente com as demais demonstrações contábeis torna-se efetivamente um instrumento de apoio à tomada de decisões de caráter financeiro”.

Jaedicke e Sprouse (1972, p.154) relata que “as possíveis folgas financeiras de curto prazo possibilitam a sua aplicação em operações de curtíssimo prazo otimizando o seu desempenho financeiro”.

Segundo Hendriksen e Breda (1999, p.176) “um outro conceito importante de fluxo de caixa é o de Fluxo de Caixa da Entidade”.

Para Hendriksen e Breda (1999, p.176), “o fluxo de caixa da entidade é o fluxo líquido de caixa transferido entre a empresa e seus financiadores, podendo também ser chamado de financiamento externo liquido da empresa”.

Conforme Sá (1988, p.10) “o fluxo de caixa evidencia tanto o passado como o futuro, o que permite projetar, dia a dia, a evolução do disponível, de forma que se possam tomar com a devida antecedência, as medidas cabíveis para enfrentar a escassez ou o excesso de recursos”.

2.8 Formas de apresentação do fluxo de caixa histórico

Segundo Hendriksen e Breda (1999, p.178) “o fluxo de caixa histórico pode ser apresentado de duas formas. As formas decorrentes do método direto e do método indireto”.

Para Hendriksen e Breda (1999) a distinção entre os métodos de elaboração e apresentação do fluxo de caixa da empresa consiste apenas na forma de apresentação do fluxo de caixa derivado das atividades operacionais. Os fluxos de caixa, apresentados na Demonstração do Fluxo de Caixa, podem ser estruturados segregando as atividades da empresa em Operacionais, de Financiamento e de Investimento.

2.9 O Método direto

Segundo Campos Filho (1999, p.231) “por este método, a demonstração de fluxo de caixa evidencia todos os pagamentos e recebimentos decorrentes das atividades operacionais da empresa, devendo apresentar os componentes do fluxo por seus valores brutos ao menos para os itens significativos de recebimentos e pagamentos”.

Para Campos Filho (1999) este método também é conhecido como a abordagem das contas T (T Account Approuach), e consiste em classificar os recebimentos e pagamentos utilizando as partidas dobradas e tem como vantagem permitir a geração de informações com base em critérios técnicos livres de qualquer interferência da legislação fiscal. Neste método começa-se a explicação do caixa gerado pelas operações da empresa pelo recebimento das vendas. A seguir mostra-se um modelo simplificado de DFC pelo método direto, baseado no modelo FAS 95, ou seja, fazendo uma segregação dos tipos de atividades:

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

Exercício Findo em 31/12/1XYZ

Fluxo de Caixa Proveniente

Das Atividades Operacionais

(+) Recebimento de Clientes e outros

(-) Pagamentos a Fornecedores

(-) Pagamento a Funcionários

(-) Recolhimentos ao governo

(-) pagamentos a credores diversos

(=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) atividades operacionais

Das Atividades de Investimentos

(+) Recebimento de venda de Imobilizado

(-) Aquisição de Ativo Permanente

(+) Recebimento de Dividendos

(=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) atividades de investimentos

Das Atividades de Financiamentos

(+) Novos Empréstimos

(-) Amortização de Empréstimos

(+) Emissão de Debêntures

(+) Integralização de Capital

( -) Pagamento de Dividendos

(=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) atividades de Financiamento

AUMENTO/DIMINUIÇÃO NAS DISPONIBILIDADES

DISPONIBILIDADES- no início do período

DISPONIBILIDADES- no final do período

Iudícibus (1987, p.234) traz que “o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações apresenta o seguinte modelo de DFC pelo método direto”:

FLUXO DE CAIXA – Método Direto

INGRESSO DE RECURSOS

Recebimento de Clientes

Pagamento a Fornecedores

Despesas de vendas/administrativas/ Gerais

Imposto de Renda

Dividendos Recebidos

Ingresso de Recurso Financeiros provenientes das Operações

Resgate de Investimentos Temporários

Recebimento por Venda de Investimentos

Recebimento por Venda de Imobilizado

Ingresso de Novos Empréstimos

Integralização de Capital

Total dos ingressos de Recursos Financeiros

DESTINAÇÃO DE RECURSOS

Integralização de Capital Cia. X

Aquisição de Bens do Ativo Imobilizado

Aplicação no Ativo Diferido

Pagamento de Dividendos

Pagamento de Empréstimos

Total das Destinações de Recursos Financeiros

Variação Líquida de Caixa

Saldo de Caixa em 31-12-X0

Saldo de Caixa em 31-12-X1

Iudícibus (1987, p.234) diz que “pelo modelo nota-se que não existe uma segregação da DFC em atividades operacional, de investimento e de financiamento”.

Martins (1999), em seu artigo denominado “Um novo fluxo de caixa (FASB 95)”, publicado no boletim IOB n.º 13/88, dá uma outra nomenclatura ao método direto, denominando-o de fluxo no sentido restrito ou completo, onde a estrutura básica seria apresentada da seguinte forma:

MODELO PROPOSTO POR MARTINS MODELO PROPOSTO PELO FASB

Origens dos recursos

Das operações da empresa

Dos sócios

De terceiros

Total das Origens dos Recursos

Aplicações de recursos

Acréscimo de caixa no ano de 19XY

Saldo inicial de disponibilidades

Saldo final de disponibilidades Atividades Operacionais

Origens

Aplicações

Atividades de investimento

Origens

Aplicações

Atividades de financiamentos

Origens

Aplicações

Aumento ou diminuições

Saldo inicial

Saldo final

Fazendo comentários ao modelo proposto pelo FASB, Martins (1999), destaca a inegável capacidade informativa que este modelo tem ao permitir a análise segregada por itens operacionais, de investimento e de financiamento. Contudo, chama atenção para o fato de que o fluxo de caixa isoladamente, apesar de mostrar o que ocorreu, não concilia déficits financeiros que possam ocorrer com o lucro do período, apesar de, na opinião do autor isso ser perfeitamente possível.

2.10 O método indireto

De acordo com Barbieri (1987, p.19), “o método indireto consiste na demonstração dos recursos provenientes das atividades operacionais a partir do lucro líquido, ajustado pelos itens que afetam o resultado (tais como depreciação, amortização e exaustão), mas que não modificam o caixa da empresa”.

Como bem destaca o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, o método indireto, principalmente pela sua parte inicial (lucro líquido ajustado), é semelhante a DOAR, contudo Iudícibus (1987), apesar de seguir a mesma linha dos autores já referenciados, comenta que no método indireto parte-se do lucro líquido para, após os ajustes necessários, chegar-se ao valor das disponibilidades produzidas no período pelas operações registradas na DRE, contudo no que se refere à semelhança com a DOAR, o autor destaca que as comparações se estendem apenas às contas do circulante. Este método é também conhecido como método de reconciliação.

A orientação do FASB é para que as empresas americanas adotem, preferencialmente, o método direto para divulgação dos fluxos de caixa da empresa, sem, no entanto, estabelecer uma obrigatoriedade de sua utilização. Muitas empresas preferem divulgar a DFC elaborada através do método indireto que parte do Lucro Líquido ajustando-o até chegar ao fluxo de caixa operacional. Para os autores esse método mais oculta que revela informações relevantes e deveria ser abandonado (HENDRIKSEN E BREDA, 1999, P.178).

Para Hendriksen e Breda (1999, P.178) “pelo fato de não existir proibição de utilização do método indireto, este passará a ser mais utilizado pelas companhias por ser de mais fácil montagem, apesar de ser mais difícil a sua compreensão por parte dos usuários”.

A seguir mostra-se um modelo genérico de DFC pelo método indireto, também baseado no modelo adotado pelo FASB:

DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA

Exercício Findo em 31/12/1XYZ

Fluxo de Caixa Proveniente

Lucro Líquido

(-) Aumento de Estoques

(+) Depreciação

(-) Aumento de Clientes

(+) Pagamento a Funcionários

(+) Contas a Pagar

(+) Pagamentos de Impostos e Tributos

(+) Aumentos de Fornecedores

(=) Fluxo de Caixa Operacional Líquido

Das Atividades de Investimentos

(+) Recebimento de venda de Imobilizado

(-) Aquisição de Ativo Permanente

(+) Recebimento de Dividendos

(=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) atividades de investimentos

Das Atividades de Financiamentos

(+) Novos Empréstimos

(-) Amortização de Empréstimos

(+) Emissão de Debêntures

(+) Integralização de Capital

( -) Pagamento de Dividendos

(=)Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) atividades de Financiamento

AUMENTO/DIMINUIÇÃO NAS DISPONIBILIDADES

DISPONIBILIDADES- no início do período

DISPONIBILIDADES- no final do período

Na mesma linha do método direto Iudícibus (1987, p.234), traz que “o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações também apresenta um modelo de DFC com base no método indireto, o qual apresenta-se, resumidamente, a seguir”:

FLUXO DE CAIXA – Método Indireto

ORIGENS

Lucro Líquido do Exercício

(+) Depreciação e Amortização

Variações Monetárias de empréstimos e financiamentos a longo prazo

(-) Participação no lucro da controlada, menos dividendos

Lucro na Venda de Imobilizado

Correção Monetária

(+) Aumento em Fornecedores

Aumento de Contas a Pagar

Aumento em Imposto de Renda

(-) Aumento em Conta a Receber (líquido)

Aumento em Estoque

Aumento em despesa do Exercício seguinte

Caixa Gerado pelas Operações

Resgate de Investimentos temporários

Venda de Investimentos

Integralização de Capital

Novos Empréstimos

Total de Ingresso de Disponível

APLICAÇÕES

Integralização da Capital em outra CIA.

Aquisição de Imobilizado

Aplicação no Diferido

Pagamento de Dividendos

Total das Aplicações de Disponível

Saldo Inicial

Saldo Final de Disponível

Segundo Iudícibus (1987, p.234) “como está demonstrado, pelo modelo proposto, teríamos apenas a segregação da atividade operacional, sem identificação das demais atividades”.

Segundo o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, pelo fato de existir a alegação de que o objetivo da DFC é facilitar o entendimento do usuário comparativamente a DOAR, não existe muito sentido na adoção do método indireto já que o mesmo assemelha-se a esta demonstração.

Com relação ao método indireto, Martins (1999, p.128), denomina-o de método simplificado ou conceito amplo de fluxo de caixa.

2.11 Administração financeira: conceitos fundamentais

Para Gitman (1997, p.04) a administração financeira diz respeito às responsabilidades do administrador financeiro numa empresa. Os administradores financeiros gerenciam ativamente as finanças de todos os tipos de empresas, financeiras ou não-financeiras, privadas ou públicas, grandes ou pequenas, com ou sem fins lucrativos. Eles desempenham uma variedade de tarefas, tais como orçamentos, previsões financeiras, administração do caixa, administração do crédito, análise de investimento e captação de recursos.

Segundo Gitman (1997, p.04) o principal objetivo da Administração Financeira é o de maximizar a riqueza dos sócios/acionistas. Para tanto, as atribuições do Administrador Financeiro podem ser sintetizadas em três atividades básicas:

a) realização de análise e planejamento financeiro;

b) tomada de decisões de investimentos; e

c) tomada de decisões de financiamento.

Conforme Gitman (2001, p.05), as atividades empresariais envolvem recursos financeiros e orientam-se para a obtenção de lucros. Os recursos investidos na empresa pelos proprietários (Capital próprio ou Patrimônio líquido) e por terceiros (Capital de terceiros ou Passivo exigível) encontram-se aplicados em ativos empregados na produção e/ou comercialização de bens ou na prestação de serviços.

Para Gitman (2001, p.05) as receitas obtidas com as operações devem ser suficientes para cobrir todos os custos e despesas incorridos e ainda gerar lucros. Paralelamente a esse fluxo econômico de resultados, ocorre uma movimentação de numerário que deve permitir a liquidação dos compromissos assumidos, o pagamento de dividendos e a reinversão da parcela remanescente dos lucros.

Nesse contexto, a função financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com a gestão dos recursos (tanto o numerário movimentado pelas empresas, quanto os direitos e obrigações decorrentes das transações realizadas a crédito) movimentados por todas as áreas da empresa. Tal função, que possui um papel muito importante no desenvolvimento de todas as atividades operacionais, é responsável pela obtenção dos recursos necessários e pela formulação de uma estratégia voltada para a otimização da aplicação desses recursos, contribuindo significativamente para o sucesso do empreendimento (GITMAN, 2001, p.05).

Segundo Gitman (2001, p. 05), a administração financeira lida com as obrigações do administrador da empresa os administradores financeiros gerenciam ativamente as questões financeiras de muitos tipos de negócios-financeiros e não financeiros, com ou sem fim lucrativo. Eles trabalham em tarefas financeiras tão variadas como planejamento, concessão de crédito para clientes, avaliação investimento, assim como meios de obter recursos para financiar as operações empresas.

Conforme Gitman (2001), a gestão financeira é um conjunto de ações e procedimentos administrativos que envolvem o planejamento, a análise e o controle das atividades financeiras da empresa. O objetivo da gestão financeira é melhorar os resultados apresentados pela empresa e aumentar o valor do patrimônio por meio da geração de lucro líquido proveniente das atividades operacionais. Uma correta administração financeira permite que se visualize a atual situação da empresa. Registros adequados permitem análises e colaboram com o planejamento para otimizar resultados. A falta da administração financeira adequada pode causar os seguintes problemas:

 Não ter as informações corretas sobre saldo do caixa, valor dos estoques das mercadorias, valor das contas a receber e das contas a pagar, volume das despesas fixas e financeiras. Isso ocorre porque não é feito o registro adequado das transações realizadas;

 Não saber se a empresa está tendo lucro ou prejuízo em suas atividades operacionais, porque não é elaborado o demonstrativo de resultados;

 Não calcular corretamente o preço de venda, porque não são conhecidos seus custos e despesas;

 Não conhecer corretamente o volume e a origem dos recebimentos, bem como o volume e o destino dos pagamentos, porque não é elaborado um fluxo de caixa, um controle do movimento diário do caixa;

 Não saber o valor patrimonial da empresa, porque não é elaborado o balanço patrimonial;

 Não saber quanto os sócios retiram de pró-labore, porque não é estabelecido um valor fixo para a remuneração dos sócios;

 Não saber administrar corretamente o capital de giro da empresa, porque o ciclo financeiro de suas operações não é conhecido;

 Não fazer análise e planejamento financeiro da empresa, porque não existe um sistema de informações gerenciais (fluxo de caixa, demonstrativo de resultados e balanço patrimonial).

Muitas empresas do setor têxtil e confecções começam com pessoas que trabalham ou trabalharam em outras empresas da área, ou que têm habilidades e conhecimento de produção. Isso acontece também em outros setores da economia. Poucas pessoas têm experiência em administração financeira, e isso interfere nos resultados. Muitas vezes, as atividades são iniciadas com pequena dimensão e, conforme os negócios se desenvolvem, a administração financeira não acompanha o crescimento da empresa porque os gestores não têm conhecimentos necessários nesta área de gestão e se envolvem excessivamente com a produção.

As principais funções da administração financeira são:

 Análise e planejamento financeiro: analisar os resultados financeiros e planejar ações necessárias para obter melhorias;A boa utilização dos recursos financeiros: analisar e negociar a captação dos recursos financeiros necessários, bem como a aplicação dos recursos financeiros disponíveis;

 Crédito e cobrança: analisar a concessão de crédito aos clientes e administrar o recebimento dos créditos concedidos;

 Caixa: efetuar os recebimentos e os pagamentos, controlando o saldo de caixa;

 Contas a receber e a pagar: controlar as contas a receber relativas às vendas a prazo e contas a pagar relativas às compras a prazo, impostos e despesas operacionais;

As primeiras providências que a empresa deve tomar em relação às finanças são:

 Organizar os registros e conferir se todos os documentos estão sendo devidamente controlados.

 Acompanhar as contas a pagar e a receber, montando um fluxo de pagamentos e recebimentos.

 Controlar o movimento de caixa e os controles bancários.

 Classificar custos e despesas em fixos e variáveis.

 Definir a retirada dos sócios.

 Fazer previsão de vendas e de fluxo de caixa.

 Acompanhar a evolução do patrimônio da empresa, conhecer lucratividade e rentabilidade.

Gitman (2001, p. 05) diz que “em anos recentes, as mudanças nos ambientes econômicos aumentaram a importância e a complexidade das tarefas do administrador financeiro. Como resultado, altos executivos do setor privado e governo são provenientes da área financeira”.

As mudanças criaram a necessidade de administradores financeiros que possam ajudar a empresa gerenciar fluxos de caixa em diferentes moedas, assim como se proteger de riscos q