Trabalho Completo Gestão De Areas Degradadas Do Pará

Gestão De Areas Degradadas Do Pará

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Categoria: Ciências Sociais

Enviado por: Bruna 29 novembro 2011

Palavras: 19656 | Páginas: 79

...

alho pela sua orientação.

A todos que contribuíram direta ou indiretamente para a conclusão deste trabalho.

SUMÁRIO

RESUMO 7

ABSTRACT 8

APRESENTAÇÃO 9

PARTE I INTRODUÇÃO

1- DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA li

2- PRESSUPOSTO TEÓRICO SOBRE O TEMA 11

3- DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DO ESTUDO 11

4- HIPÓTESES E QUESTÕES DO ESTUDO 12

5- METODOLOGIA 13

6- PALAVRAS CHAVE 13

PARTE II DESENVOLVIMENTO DO TEMA -

GESTÃO DE ÁREAS DEGRADADAS DO PARA 15

1- OS RECURSOS NATURAIS 15

11- RECURSOS NATURAIS NÃO RENOVÁVEIS 15

1.2- RECURSOS NATURAIS RENOVAVEIS 16

l.3- A ÁGUA 17

1.4- O SOLO 20

2- MODELOS DE EXPLORAÇÃO UTILIZADOS NO

ESTADO DO PARÁ 23

3- ATIVIDADES QUE CONTRIBUEM PARA O

PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DAS ÁREAS 27

3.1- A AGRICULTURA 27

3.2- A PECUÁRIA 29

3.3- A ATIVIDADE MADEIREIRA 30

3.4- A MINERAÇÃO E O GARIMPO 31

3.5- A PESCA 33

4- A COMPETITIVIDADE DOS PROUTORES

RURAIS 34

4.1- O GERENCIAMENTO DA EMPRESA RURAL 34

4.2- PRINCIPAIS DIFICULDADES NO GERENCIAMENTO DA

EMPRESA RURAL 35

4.3- A TECNOLOGIA E A PRODUÇÃO RURAL 36

4.4- A INFORMATIZAÇAO 36

4.5- O CREDITO RURAL 37

4.6- PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO RURAL 38

4.7- OS CUSTOS DA PRODUÇAO 39

4.8- COMERCIALIZAÇÃO E ÓTICA DAS CADEIAS

AGROINDUSTRIAIS 40

4.9 - A VISÃO SISTEMICA DO PRODUTOR 41

4.10- CAMINHOS ALTERNATIVOS 42

4.11- DEMANDA E PRIORIDADES DAS INSTITUIÇÕES

PÚBLICAS 43

4.12- MUDANÇAS CONCEITUAIS PARA PROMOVER O

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 44

5- TRANSFORMANDO AREAS DEGRADADAS EM

AGRONEGOCIOS 47

5.1 -PREOCUPAÇÕES ECOLÓGICAS 49

5.2- AGRONEGOCIOS E EMPREGO 50

5.3- O ZONEAMENTO ECOLÓGICO/ ECONÔMICO 51

6- O AGRONEGOCIO DA PECUÁRIA 52

6.1- O BOI ORGÂN1CO 52

6.2- NOVOS RUMOS 54

6.3- ELIMINANDO ENTRAVES INTERNOS ÀS

EXPORTAÇÕES 56

7- O SETOR MADEIREIRO 58

8- O AGRONEGÕCIO DO DENDÊ 61

8.1- A IMPORTÂNCIA SOCIAL DO SEGMENTO DO DENDÊ 62

8.2- LINHAS DE FINANCIAMENTO E INCENTIVOS FISCAIS 62

9- OUTROS AGRONEGÓCIOS IMPORTANTES 64

PARTE III: CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 66

BIBLIOGRAFIA 68

RESUMO

O presente estudo de conclusão de curso focaliza a questão do gerenciamento das áreas degradadas no Estado do Pará. Aborda aspectos relevantes como os recursos naturais renováveis e não renováveis, inclusive o solo e a água, a futura principal commodity do mundo. Além disso, retrata outros temas como os modelos de exploração dos recursos naturais utilizados no Estado do Pará, as atividades que contribuem para o processo de degradação desses recursos e, fmalmente, as mudanças conceituais para promover o desenvolvimento sustentável em nosso Estado.

ABSTRACT

This monograph is about the management of the degrated areas in the State of Pará. lt gives enphasis to important subjects as renewable and not renewable natural resources, the soil, and the water, which is becoming the future most important commodity over the world. lt also approaches another themes as exploitation models utilized in the State of Pará and the activities that contributed to the resources degraduation process. Finaly it talks about concepts to be changing to promote the sustenable developmente in our State.

APRESENTAÇÃO

Este trabalho procura apresentar as características básicas de parte do contexto econômico e social paraense no qual se desenvolveram atividades antrópicas equivocadas, que resultaram na transformação de florestas equatoriais em áreas degradadas.

A primeira parte deste trabalho sobre a Gestão de Áreas Degradadas no Estado do Pará trata da definição do objetivo do estudo. Para facilitar o entendimento foi subdividida em capítulos que abordam aspectos inerentes ao mesmo, como pressupostos teóricos, justificativas, hipóteses e metodologia.

A segunda parte aborda de forma sucinta os recursos naturais e a atuação antrópica na modelagem de atividades que acabaram resultando na exclusão de uma grande parcela do território paraense do sistema produtivo.

No âmbito operacional, em especial nos agronegócios é possível encontrar empreendedores utilizando tecnologia de ponta, “plugados” no mundo globalizado enquanto outros produtores se encontram num estágio de exclusão, sem alternativas para gerar recursos excedentes.

Não se furtando a esta feição, no desenvolver do texto procurou-se inserir exemplos e idéias que permitem vislumbrar novos caminhos, resultantes de mudanças conceituais que poderiam ser implementadas na busca do desenvolvimento sustentàvel de uma região repleta de recursos, habitada por uma população pobre.

A parte final é composta de uma reflexão sobre o tema, recomendações e conclusão, procurando responder aos questionamentos, com um viés de esperança num futuro melhor pautado pela mudança de atitude, especialmente dos atores principais.

PARTE 1- INTRODUÇÃO

1 - DEFINIÇÃO DA SITUAÇÃO-PROBLEMA

Até que ponto, os 18.000.000 de hectares de terras degradadas no estado do Pará são um problema para a economia paraense?

2 - PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

A - Banco da Amazônia. FNO: Programa de Aplicação de Recursos 2002 a 2004.

B - Grupo de Estudos e Pesquisas Agro-industriais - GEPAI: Gestão Agro-industrial/ coordenador Mário Otávio Batalha. São Paulo: Atlas, 1997.

C - Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia — IMAZON. O Pará no século XXI: oportunidades para o desenvolvimento sustentável. Belém: IMAZON, 1998.

D - Mc Grath, D., de Castro, F. Futenima, C., de Amaral, B. D., and Calabria, J.

Fisheries and the evolution of resource management on the lower Amazon floodplain. Human Ecology: 1993

E - Müiler, Antônio Agostinho. Agronegócio do Dendê. Uma alternativa social, econômica e ambiental para o desenvolvimento sustentável da Amazônia / Antônio Agostinho Müller, José Furlan Júnior. Belém: EMBRAPA, 2001.

3 - DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS DO ESTUDO

Elaborar um trabalho monográfico focalizando o gerenciarnento das áreas degradadas do Estado do Pará.

4 - JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO TEMA

Justifica-se a escolha do tema Gestão de Áreas Degradadas do Estado do Pará em função da importância do assunto para o desenvolvimento sustentável da economia paraense. À primeira vista, quando se estuda as áreas degradadas paraenses, o foco central é de enfatizá-las como um problema. Poucos teóricos e práticos sobre o assunto são aqueles que vislumbram as áreas degradadas como oportunidade de negócios no escopo do desenvolvirnento sustentável.

A forma de ver as áreas degradadas gerericiadas como uma oportunidade é que justifica plenamente a escolha do tema para o trabalho científico final do curso de administração na UFPA.

5 - HIPÓTESES OU QUESTÕES DO ESTUDO

QUESTÕES:

1ª) Para o administrador, as áreas degradadas no estado do Pará, são um problema ou representam uma oportunidade?

2ª) Até que ponto as áreas degradadas paraenses podem ser objetos de um programa de desenvolvimento sustentável?

3ª) Afinal, que mudanças conceituais devem ser propostas para reorientar o gerenciamento das áreas degradadas do estado do Pará de forma a colocá-las no escopo do desenvolvimento sustentável?

6 - METODOLOGIA

No desenvolvimento do presente trabalho científico final do curso de Administração foram utilizados os seguintes procedimentos metodológicos: 1) pesquisa bibliográfica; 2) pesquisa documental; 3) entrevista estruturada com engenheiros florestais, professores e dirigentes dos órgãos agrários paraenses; 4) formulação de conclusões e recomendações; 5) elaboração de um relatório final ou monografia.

7 - PALAVRAS-CHAVE

A - ÁREA DEGRADADA

Gleba de terra que devido a adoção de um modelo de utilização equivocado, perdeu componentes essenciais restringindo parcial ou totalmente a capacidade de trocar recursos e energia com o meio ambiente, e encontra-se momentaneamente excluída do sistema produtivo.

B - SUSTENTABILIDADE

É a qualidade que um sistema apresenta de produzir e se reproduzir de forma

contínua por meio do intercâmbio de recursos e energia com o meio ambiente ao longo do tempo, observando concordância com três fatores fundamentais: ser economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente justo.

C – AGRONEGÓCIOS

São os negócios ligados à produção agropecuária, vistos de uma forma holística, abrangendo desde a produção dos insumos até colocação dos produtos no mercado consumidor.

D - SEQÜESTRO DE CARBONO

É a fixação do carbono presente na atmosfera feita pelas plantas, reduzindo o efeito estufa.

E - ECOLOGIA

Parte da biologia que estuda as relações dos seres vivos e o meio ambiente e suas influências recíprocas.

F - COMPETITIVIDADE

A competitividade é decorrente da maior produtividade no uso dos fatores de produção. Pode-se dizer que alguém é competitivo quando tem no longo prazo um desempenho acima da média de seus concorrentes.

5

PARTE II - DESENVOLVIMENTO DO TEMA GESTÃO DE ÁREAS DEGRADADAS DO ESTADO DO PARÁ.

1- OS RECURSOS NATURAIS.

O homem precisa da natureza e depende dela para conseguir alimentos, como frutas, proteína animal, cereais e outros. Além disso, ele extrai do solo e da água substâncias utilizadas para a fabricação de várias coisas de que necessita, como o ferro, o ouro, o petróleo, a argila, etc. Assim a natureza coloca à disposição do homem os chamados recursos naturais.

Recurso natural é tudo aquilo que se encontra na natureza: as florestas, os animais, o ar, os rios, os lagos, os oceanos, o solo e o subsolo com todas as suas riquezas.

Os recursos naturais dividem-se em dois grandes grupos: recursos naturais renováveis e recursos naturais não renováveis.

1.1 - RECURSOS NATURAIS NÃO RENOVÁVEIS.

Recursos naturais não renováveis são todos aqueles componentes da natureza que no futuro não existirão mais, se o seu uso for contínuo. Esses recursos acabarão porque foram necessários milhares e milhares de anos para serem formados e não há nada que o homem possa fazer para formá-los novamente. Isso quer dizer que quando o homem utiliza os recursos não renováveis da natureza, deve pensar na sua sobrevivência imediata e na sobrevivência das gerações futuras, utilizando-os com cuidado e sem desperdícios.

É no subsolo, que se encontra a maioria dos recursos naturais não renováveis. Entre eles estão o petróleo, utilizado na produção de gasolina e óleos combustíveis; carvão de pedra usado nas indústrias; o minério de ferro, utilizado na construção de prédios, carros e máquinas; as pedras preciosas, o ouro etc.

1.2 - RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS

Recursos naturais renováveis são os componentes da natureza que poderão existir e se reproduzir indefmidamente. Por exemplo, os animais e as plantas nascem, crescem, reproduzem-se e depois morrem. Cada animal deixa vários filhos e cada planta várias sernentes. Dessa forma sempre existirão plantas e animais constituindo os recursos naturais renováveís.

A superfície da terra é um sistema em que os recursos naturais renováveis, o solo, os animais, a água e a vegetação estão inter-relacionados, isto é, precisam uns dos outros para se desenvolver e desempenhar suas funções. O homem desde os tempos antigos está constantemente interrompendo estas inter-relação, alterando a biosfera e provocando um desequilíbrio que está afetando o próprio homem.

É preciso conservar os recursos naturais e cuidar da natureza, buscando melhores condições de vida para a população. Há necessidade de uma interação ideal entre o homem e os demais elementos da biosfera, pois, a sobrevivência do homem dependerá da manutenção dos recursos naturais.

A ocupação de novas áreas pelo homem em busca de terras de melhor qualidade para a agricultura e o comércio de madeiras provocaram a derrubada acelerada de nossas florestas. Muitas espécies de árvores e plantas estão sendo extintas, transformadas em lenha, carvão ou simplesmente queimadas sem preocupação com o seu uso. Várias plantas e animais que hoje não são usados, poderão servir, futuramente, como fonte de alimentos e para fabricação de produtos diversos. É por isso que devemos preservar as plantas e animais, principalmente, aqueles que ainda não conhecemos. A ambição e a vontade de enriquecer rapidamente estão fazendo o homem cometer constantes crimes contra a natureza. Na verdade ele próprio está sendo prejudicado, pois as dificuldades para a produção de alimentos estão ficando cada vez maiores, devido ao continuo empobrecimento do solo. A pesca que também é fonte de alimento está sendo prejudicada porque os peixes estão desaparecendo com a poluição e a sobrepesca.

No Brasil possuimos números incomparáveis com quaisquer outros países no que se refere à riqueza da biodiversidade, com enfoque amplo na flora, fauna, recursos hídricos e minerais. Sua utilização, entretanto, vem se processando em níveis que podem alcançar a predação explícita e irremediável, ou a exaustão destes recursos que, embora abundantes, são em grande maioria exauríveis.

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sua qualidade de vida, impondo-se ao poder publico e àcoletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. (Constituição da República Federativa do Brasil - artigo 225).

1.2.1 – A ÁGUA

A água depois do ar é o elemento mais vital para o ser humano. Por existir em grande quantidade não é tratada com o devido valor. Em breve, a água utilizada pela população, terá de ser paga, como se faz com o gás encanado e a eletricidade. A cobrança virá com a justificativa de colocar um torniquete no desperdício e fornecer verba para o setor.

A cobrança pela água já é prática comum em algumas dezenas de países da Europa e América. No Oriente Médio, algumas nações chegam ao extremo de importar água para o consumo doméstico. No Brasil, já se paga pela água no Ceará, um centavo por metro cúbico para uso doméstico e 60 centavos para uso industrial. Medidas como esta fazem parte da cartilha da ONU, para afastar um problema de dimensões globais. Segundo dados da entidade, um quinto da humanidade não tem acesso à água potável e o estoque de água doce do planeta estará comprometido dentro de 25 anos. Até 20 anos atrás, os problemas com a água estavam confinados a alguns bolsões do mundo. Hoje eles estão em todos os continentes e estão se disseminando rapidamente.

Os relatórios da ONU alertam para o fato de que nos países em desenvolvimento 90% da água utilizada é devolvida à natureza sem tratamento, tornando mais dramática e rápida a deterioração de rios, lagos e lençóis freáticos. As nações desenvolvidas, sob pressão das comunidades, tiveram de investir rios de dinheiro para recuperar alguns rios mortos.

Enquanto a população se multiplica, a quantidade de água continua a mesma. A água doce corresponde a apenas 25% da massa líquida do planeta e a maior parte está nas geleiras. Ao alcance do uso humano fica apenas uma parcela de 0,007%.

Nos últimos 100 anos, enquanto a população mundial triplicava, o uso da água doce multiplicava-se por seis. A principal responsável por este aumento foi a agricultura irrigada. Ela revolucionou a produção agrícola, mas criou uma nova dificuldade, porque sozinha utiliza 70% da água doce disponível.

Cerca de 8% da água doce do globo está em território brasileiro. Pelos padrões internacionais, os problemas ocorrem quando se dispõe, por ano, de menos de 1000 metros cúbicos de água por habitante. Estatisticamente o Brasil dispõe de 36.000 metros cúbicos por habitante, dando uma falsa impressão de abundância, haja vista que 80% dessa água está na Amazônia, onde vive apenas 5% da população.

O problema brasileiro não se restringe apenas à região do semi-árido. O Estado mais desenvolvido do país, São Paulo, também enfrenta grandes dificuldades. A água existe, mas é pouca para atender aglomerações como a da região metropolitana com seus 17 milhões de habitantes.

Quando a água se torna escassa, a economia balança. No Nordeste brasileiro, a seca tem um impacto violento sobre a produção. Nos últimos anos ela foi responsável por uma redução de 4,5% do PIB regional, sem contar com as oportunidades perdidas. Mesmo o poderoso interior de São Paulo já sofre com esse problema; segundo o secretário estadual de recursos hídricos, há falta de água para novas indústrias.

Em todo o mundo, à medida que a escassez de água aumenta, crescem os investimentos para garantir o abastecimento. No Oriente Médio, a situação é tão crítica que se gasta muito, mesmo que seja para se obter pouco. A Arábia Saudita instalou 25 estações dessalinizadoras da água do mar (o processo mais caro), para atender menos de 4% de suas necessidades. A importância da disponibilidade e qualidade da água aparece claramente quando o assunto é a saúde.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 5 milhões de pessoas morrem por ano devido a doenças relacionadas com a má qualidade da água e a condições ruins de higiene e saneamento e metade da população dos países em desenvolvimento é afetada por moléstias originárias da mesma fonte, como diarréia, malária e esquistossomose. No Brasil, segundo o Ministério da Saüde, a diarréia mata 50.000 crianças por ano, em sua maioria antes de completar um ano de idade. A falta de água de qualidade e de serviços de saneamento é responsável por 65% das internações hospitalares.

O consumo humano doméstico per cápita, diário, varia de 50 a 200 litros. Segundo Philip Bati, autor de “H20 A Biography of Water”, são necessários 1.910 litros de água para produzir 1 quilo de arroz; 3.500 litros para produzir 1 quilo de frango e 100.000 litros para produzir 1 quilo de carne de boi.

Estes dados dão uma idéia da importância da água no processo vital e na economia das nações. Não é diflcil perceber que zelar pelo uso racional da água e de seu fornecimento com qualidade à população traz um retorno financeiro de grande magnitude, principalmente se nos dispusermos a calcular o ganho de energia voltado para a produção de bens, que seria disponibilizado pela neutralização de perdas provocadas pelos internamentos hospitalares, desgaste emocional provocado por óbitos prematuros e perda de rendimento devido à má qualidade de vida.

1.2.2 - O SOLO

O solo é a parte superficial intemperizada da crosta terrestre não consolidada, contendo matéria orgânica e seres vivos, nele se desenvolvem os vegetais que por meio das raízes obtém água e nutrientes. O solo é o produto resultante da ação combinada de inúmeros fatores de formação, dentre os quais se destacam o clima, os organismos e o relevo. Estes fatores atuam sobre a rocha ou material de origem ao longo do tempo.

O corpo do solo é constituído de uma parte sólida, composta de partículas minerais e orgânicas, entremeadas de espaços vazios (poros). Os poros podem ser ocupados pela água ou pelo ar. Considera-se um solo ideal para crescimento das plantas, aquele cuja composição volumétrica é aproximadamente 45% de massa mineral, 5% de massa orgânica, 25% de ar e 25% de água. A massa sólida é relativamente constante ao passo que as quantidades de ar e água variam constantemente (quando uma aumenta a outra diminui).

a) A classificação dos solos

O levantamento e a classificação de solos são ferramentas básicas para o estabelecimento dos grupos de manejo de solos. Esses grupos são constituídos por solos semelhantes que devem receber o mesmo sistema de manejo, adubação, revolvimento, espécie a ser plantada, etc., abrindo com isso novas possibilidades de aumento de produtividade agrícola. Os sistemas de classificação procuram utilizar como base o perfil do solo com seus horizontes, os quais refletem os principais fatores de formação: o clima, a rocha matriz, o tempo, a biosfera e o relevo.

b) Modalidades de levantamento

Existem quatro modalidades de levantamento de solos, definidos de acordo com o grau de precisão e detalhamento.

b.1- Levantamento exploratório.

É utilizado para identificação das possibilidades edáficas de grandes áreas, bem como, para permitir comparação de solos entre regiões do país e até continentes. Os limites das unidades de solos são determinados com auxilio dos dados de clima, geologia, vegetação e imagens aéreas, com amostragem de campo inferiores a uma amostra para cada 100 ha. A escala de publicação é inferior à 1:250.000.

b.2 - Levantamento de reconhecimento

É utilizado para identificar os solos em nível macro em grandes áreas. O estabelecimento dos limites das unidades é feito, em parte, por caminhamento de campo de acordo com as limitações do terreno. As observações de campo são da ordem de 1 amostra para cada 100 hectares com auxílio de interpretação de imagens aéreas. A escala de publicação varia de 1:75.000 a 1:150.000.

b.3 - Levantamento de reconhecimento semidetalhado.

Esta modalidade é semelhante à anterior, acrescentando-se um detalhamento das áreas de real interesse agrícola. As observações de campo são feitas com intensidade de 1 a 3 para cada 100 hectares, contando com o apoio de imagens aéreas. A escala de publicação varia de 1:25.000 a 1:75.000, sendo suficiente para o planejamento de atividades florestais.

b.4 - Levantamento detalhado

É obtido através de intensiva observação de campo em toda a área a ser trabalhada. É utilizado para pequenas áreas e tem escala de publicação inferior a 1:10.000.

O estudo das propriedades e características dos solos reveste-se de fundamental importância principalmente no tocante ao seu manejo, com vistas a colocá-los em condições de promoverem o aumento da produtividade das culturas por meio de uma maior disponibilidade de nutrientes, aliada à melhoria de suas propriedades fisicas e biológicas.

Os solos da região amazônica, onde o Pará está inserido, são caracterizadas pelo elevado grau de desenvolvimento, conseqüências da grande intensidade dos agentes do intemperismo, destacando-se o clima (temperatura, precipitação pluviométrica, ventos, etc.) que juntamente com os organismos são os dois fatores essencialmente ativos nos fenômenos pedogenéticos. Estes fatores aliados aos demais fatores de formação (material de origem, tempo e relevo) deram origem nessa região a solos com elevada acidez, representada por alumínio e hidrogênio trocáveis, baixa capacidade de troca catiônica, elevada fixação de fósforo, baixos teores de bases, alumínio e manganês em concentrações tóxicas às plantas e baixa atividade de microorganismos que determinam uma baixa fertilidade do solo e conseqüentemente baixa produtividade agrícola.

Os solos amazônicos em sua maioria são classificados como latossolos, e apresentam-se muito pobres em nutrientes para as plantas. Quando o aumento de produtividade é visado, há necessidade da aplicação de corretivos e fertilizantes. Sob o ponto de vista da acidez, são solos predominantemente ácidos, com exceção para aqueles de formação diabásica como é o caso das terras roxas que apresentam um índice próximo da neutralidade.

Via de regra a acidez do solo influencia marcantemente o crescimento vegetal, graças à sua ação indireta, por meio do aumento do teor de substâncias tóxicas, diminuição da disponibilidade de nutrientes e da atividade microbiana. Além do solo, outros fatores atuam na produtividade agrícola. As espécies e as variedades se comportam de forma diferente na utilização dos nutrientes do solo, resistência a pragas e doenças e as diversidades do clima.

O valor do pH do solo dá idéia da situação de várias propriedades químicas do solo que estão sujeitas a ele. Da mesma forma que a temperatura do homem indica seu estado de saúde, o pH representa o mesmo para o solo, evidenciando a importância que o mesmo representa para o profissional de ciências agrárias.

2 - MODELOS DE EXPLORAÇÃO UTILIZADOS NO ESTADO DO PARÁ

O Estado do Pará está localizado na região Norte. Limita-se com Guiana, Suriname e Amapá ao Norte; Mato Grosso ao Sul; Maranhão, Oceano Atlântico e Amapá a Leste; Amazonas e Roraima a Oeste e Tocantins a Sudeste.

A maior parte do território paraense é constituída pelo vale do rio Amazonas e dos seus afluentes, amplas planícies de terrenos baixos, que raramente superam 1OOm de altitude. Ao Norte do Estado ergue-se o maciço das Guianas, com altitudes superiores a 700m; ao Sul, o planalto central, com elevações que atingem 500m na Serra do Cachimbo, 400m na dos Gradaus e 300m na dos Carajás. A floresta equatorial é o traço dominante da região, ocupando quase todo o estado.

Latitude: Extremo Norte 2° 37’ 56 N; extremo Sul 9° 50’ 24 S.

Longitude: extremo E 46° 06’ 30; extremo W 59° 22’ 45.

O clima é quente e úmido e a temperatura média anual chega a 26°C.

O índice pluviométrico é elevado, mais de 2.000mm anuais, porém as chuvas caem de forma irregular dando origem a uma estação seca, curta,mas bem marcada.

Hidrografia: Os principais rios são, além do próprio Amazonas, os afluentes, Jamundá, Trombetas, Paru e Jarí (margem esquerda) e Tapajós, Xingu e Tocantins (margem direita). Destacam-se ainda o Araguaia, afluente do Tocantins e o Gurupi, que marca o limite como o Maranhão.

Com um território de cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados (15% do território nacional), o Pará abriga imensos recursos madeireiros; contém o maior estuário do mundo; é rico em recursos pesqueiros; os solos são profundos e com boa estrutura e, embora não sejam férteis, são cobertos com uma invejável massa de fertilizantes na forma de biomassa florestal. Além disso, o Estado possui um dos maiores depósitos minerais do mundo, incluindo ouro, manganês, ferro, bauxita, estanho e níquel. Entretanto, o seu maior recurso natural é a biodiversidade, ou seja, a riqueza em espécies de fauna e flora.

Muitos estudos têm focalizado a complexa gama de causas para o desmatamento da Amazônia. Colonização, construção de estradas e de barragens, mineração, criação de gado, agricultura, corte de madeira, industrialização, distribuição desigual de terras, incentivos fiscais e a falta de monitoramento eficiente, são alguns dos fatores causais mais óbvios que atuam na região. Em algumas áreas, principalmente em Marabá e Paragominas, muitos desses fatores parecem atuar sinergisticamente, produzindo um dos índices mais rápidos de desmatamento na bacia amazônica. Atualmente, agências governamentais estão sendo pressionadas para promover o planejamento do uso da terra na região, uma tarefa que seria facilitada pelo crescente uso dos sistemas de sensoriamento remoto e informações geográficas. Essas tecnologias abrem também enormes possibilidades para o monitoramento do desmatamento e das práticas do uso racional da terra. As comunidades rurais, por sua vez, estão estabelecendo organizações de base para ter acesso aos recursos naturais e fmanceiros, bem como, para melhorar seu acesso á escola, saúde e mercados. Numerosas organizações não governamentais (ONGs) estão começando a preencher a lacuna entre comunidades locais e agências governamentais, fornecendo assistência técnica, analisando as atuais políticas para o uso da terra e sugerindo mudanças. A crescente preocupação mundial com o desmatamento da Amazônia tem suscitado o interesse de muitas agências financiadoras internacionais, que atualmente apóiam diversas iniciativas visando o uso sustentado dos recursos naturais da região.

De modo geral, os principais fatores que movimentaram a recente história econômica e ambiental do Pará foram: 1) abundância de recursos naturais atuando como instrumento de atração; 2) o papel catalisador das estradas ao suprir a necessidade de uma infra-estrutura básica para o acesso às riquezas da região; 3) políticas governamentais macroeconômicas que em vários períodos atraíram diferentes atores para a Amazônia.

Nas ultimas três décadas, diferentes atores têm buscado o controle dos recursos naturais do estado do Pará. A construção de estradas, a abundância dos recursos madeireiros e minerais e o baixo preço da terra serviram como fatores de atração para colonos e investidores. Pecuaristas vieram da região Centro-Oeste do Brasil para a Amazônia em busca de terras baratas ou, muitas vezes até gratuitas. Nas décadas de 60 e 70, incentivos fiscais atraíram empresas e indivíduos dispostos a intervir na região. Os madeireiros com experiência e capital migraram para a Amazônia por causa da exaustão da mata atlântica. A disponibilidade de terras foi também um fator de atração para os colonos sem-terra do Nordeste. E, finalmente a riqueza mineral atraiu desde garimpeiros pobres até grandes empresas de mineração.

Não resta dúvidas que o grande influenciador na velocidade da exploração econômica da Amazônia foi o capital. Na década de 70 havia capital disponível para investimento e muitos setores cresceram rapidamente e sem restrições. Com a recessão ocorrida no final da década de 80 e início da década de 90 muitas atividades foram interrompidas, principalmente em virtude da escassez de capital e das altas taxas de juros.

Num cenário pessimista para os próximos anos, no qual nada fosse feito para mitigar os efeitos da exploração predatória, os rios da região estariam poluídos pelo garimpo e teriam seus recursos pesqueiros esgotados em conseqüência da sobrepesca. As florestas continuariam sendo derrubadas e as pastagens degradadas e abandonadas após alguns anos de uso. Estas áreas tornar-se-iam fragmentos florestais susceptíveis ao fogo e estariam tomadas por cipós. O aumento de freqüência dos incêndios transformaria os ecossistemas florestais em algo mais próximo de cerrados, enquanto o restante da floresta continuaria sendo explorado de forma predatória. À medida que o valor do recurso florestal diminuísse por causa da retirada de espécies e da cipoalização, a colonização espontânea aumentaria, reduzindo a capacidade produtiva da terra, aumentando o estoque de áreas degradadas.

Entretanto, é possível traçar um cenário futurístico menos sombrio para o Estado do Pará. Existem algumas áreas no Estado onde a terra está sendo utilizada de maneira cuidadosa. A mineração, quando conduzida de maneira racional, pode gerar riquezas sem destruir o meio ambiente. Pastagens degradadas podem ser reformadas com germoplasma melhorado formando pastos economicamente viáveis. A implantação de culturas perenes, como espécies frutíferas e industriais vêm obtendo sucesso e crescendo siginficativamente mesmo nas áreas mais degradadas. A exploração madeireira, assim como a pesca, pode ocorrer de forma manejada. Se os recursos naturais forem utilizados racionalmente, será possível a fixação do homem no campo, com qualidade de vida aceitável, mantendo a diversidade biológica da região.

Atualmente, esse cenário sustentável ainda é uma utopia, pois, de modo geral, as instituições criadas para resolver problemas ambientais estão quase paralisadas. São instituições com poucos recursos financeiros, métodos de planejamento ineficazes, funcionários pouco entusiasmados nas quais não há cobrança pelo cumprimento das metas de trabalho.

3- ATIVIDADES QUE CONTRIBUEM PARA O PROCESSO DE DEGRADAÇÃO DAS ÁREAS.

3.1 - A AGRICULTURA

A agricultura de corte e queima é comum em todas as áreas do Estado do Pará, onde a escalada migratória rápida tem ocasionado uma corrida para obter terra e produzir alimentos. Esta situação ocorre principalmente nas regiões de Marabá, Sul do Pará, Transamazônica e em áreas de colonização mais antigas como a Zona Bragantina. Nesta modalidade de agricultura são necessárias grandes áreas para produzir pequenas quantidades de alimentos. Além disso, a terra precisa descansar por um periodo de vários anos até poder ser novamente utilizada. Este modelo de agricultura é conhecido por “uso extensivo da terra” e é viável somente em situações de baixa pressão demográfica e abundância de terras. Entretanto, à medida em que a população aumenta, a terra torna-se mais escassa, reduzindo dessa maneira o período de descanso entre colheitas. Como conseqüência ocorre um declínio na produtividade da roça, haja vista que o intervalo para a acumulação da biomassa e, portanto o acúmulo de nutrientes na vegetação de capoeira é menor. O resultado é uma queda na produtividade por unidade de área e por tempo de trabalho, os solos tornam-se mais pobres e apenas algumas espécies de árvores mais rústicas conseguem se desenvolver e a conseqüência mais ampla é o declínio na qualidade de vida.

Há uma relutância em considerar a intensificação agrícola como uma opção sustentável na Amazônia, uma vez que a maioria dos solos tropicais não suporta agricultura sedentária. Exemplos de fracassos agrícolas nessa região são comuns. Por outro lado há evidências de que no período pré-colombiano havia uma alta densidade populacional em muitas áreas dos néotropicos, o que sugere que os antigos sistemas de produção podem ter sido mais intensivos do que os praticados atualmente. Além disso, por várias décadas, pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte e do CIAT (Centro Internacional de Agricultura Tropical) na Colômbia vêm mostrando evidências de que é possível produzir alimentos sobre solos de baixa fertilidade que cobrem 70% da bacia Amazônica. Em muitas situações esse sistema de manejo dos solos é economicamente viável.

No Pará, o melhor exemplo de intensificação agrícola ocorre em Tomé-Açu, uma comunidade localizada no centro do estado, fundada por colonos japoneses no final da década de 20. Os solos são caracterizados por baixa fertilidade e baixa retenção de nutrientes. Os agricultores dessa comunidade desenvolveram sistemas agrícolas baseados numa combinação de culturas perenes de alto valor e culturas anuais intercalares. A fertilidade do solo é mantida com adubação verde, composto orgânico e fertilizantes químicos. Muitos agricultores paraenses têm adotado este sistema de uso intensivo do solo, obtendo considerável sucesso. Estudos realizados pela Enbrapa/ CPATU (Centro de Pesquisa Agroflorestal do Trópico Úmido) revelam que cultivos perenes intensivos não causam necessariamente um declínio da fertilidade do solo. Ao contrário, esses estudos mostram que as características do solo podem até melhorar ao longo do tempo. As áreas mais viáveis para este tipo de cultivo são as colônias agrícolas próximas dos centros urbanos.

A principal barreira à produção agrícola no Estado do Pará parece ser a fertilidade do solo. Desta maneira a intensificação da agricultura depende da disponibilidade de fertilizantes a preços acessíveis aos agricultores. Existem no Pará grandes depósitos minerais. Pequenas empresas já estão extraindo e vendendo calcário em vários locais. Depósitos de fosfato, nutriente limitante da agricultura local, também já foram descobertos no Norte do Estado. Esses depósitos têm potencial para utilização agronômica. Além disso, é necessário intensificar a utilização da adubação orgânica. Em detenninadas circunstâncias é possível praticar a agricultura intensiva no Estado, todavia, ainda há muitas barreiras para sua adoção em larga escala, entre as quais podemos citar a falta de informação, tecnologia, capital, organização social, infra-estrutura, titulação da terra e planejamento. Estes fatores são inerentes às outras atividades de uso da terra aqui abordadas.

3.2 - A PECUÁRIA

Na pecuária, a exemplo da agricultura, o uso da terra predominante é o extensivo. As florestas são derrubadas e queimadas, em seguida são plantadas gramíneas, que são usadas durante alguns anos e eventualmente abandonadas. A conversão da floresta Amazônica em pastagem tem sido criticada por cientistas políticos, economistas e ecólogos. Eles têm mostrado que a motivação da pecuária na década de 70 e 80 estava mais ligada à aquisição e especulação imobiliária do que à produção de carne. Comprovou-se ainda que a pecuária não se sustentaria sem os subsídios do governo e que ela somente seria rentável se praticada de forma itinerante. A pecuária extensiva produziu muito pouco. As fazendas que ainda adotam este modelo possuem uma baixa densidade animal, os pastos são susceptíveis de ataques de pragas e doenças, o ganho de peso animal é baixo e os lucros geralmente não ultrapassam a US$ 10/ha/ano.

No final da década de 80, os pecuaristas mais inovadores iniciaram experimentos com novas espécies de forragens, gado melhorado e métodos mais intensivos de manejo. Esse novo modelo é formado por meio da reforma das pastagens ou outros tipos de áreas degradadas, utilizando técnicas de mecanização do solo, uso de fertilizantes e sementes melhoradas de gramíneas. Completando estas medidas, a pastagem é dividida em piquetes proporcionais ao tamanho do rebanho, de forma a permitir o que é conhecido como “pastejo rotacionado intensivo”. Além de permitir a sustentabilidade do sistema, a rotatividade permite que o gado se alimente no ponto em que a pastagem apresente o nível máximo de palatibilidade e de nutrientes. O ganho de peso animal por hectare é cerca de 3 vezes maior nesses pastos quando comparado ao sistema extensivo tradicional. Além disso, a perda de fertilidade nessas pastagens reformadas parece ser lenta, sugerindo uma melhoria no grau de ciclagem de nutrientes. O lucro deste sistema intensivo é de aproximadamente US$50,00/ha/ano, mesmo considerando uma fertilização a cada 5 anos.

Com a intensificação da pecuária por meio da adoção de tecnologias adequadas e um modelo de gestão atualizado, o Estado alcançaria rapidamente a posiçaõ de grande exportador de carne.

3.3- A ATIVIDADE MADEIREIRA.

A maior parte das terras do Pará é coberta por florestas contendo grandes estoques de madeira. Esta atividade cresceu muito nas últimas décadas. Em 1997 havia mais de 1.300 serrarias operando no Estado extraindo cerca de 13 milhões de metros cúbicos de madeira em tora. As práticas atuais de exploração madeireira em áreas de terra firme podem ser caracterizadas como garimpagem florestal. Inicialmente os madeireiros entram na floresta para remover as árvores de melhor qualidade - apenas uma ou duas árvores por hectare. Se estas áreas não fossem alteradas novamente, elas se regenerariam e o estoque de árvores e a cobertura de copa eventualmente retornariam aos níveis existentes antes da extração, embora com mudanças na composição florística. Entretanto os madeireiros geralmente retornam a estas mesmas áreas após alguns anos para extrair árvores com diâmetro menor ou outras espécies de menor valor. Assim novas estradas são abertas, causando impactos adcionais na floresta. O fogo é outro problema existente na prática da atividade. A abertura das copas durante a extração da madeira propicia um aumento na quantidade de radiação solar que atinge o solo da floresta, secando os resíduos remanescentes e tornando a área susceptível a incêndios florestais. À medida que mercados são desenvolvidos para novas espécies de valor madeireiro, áreas de florestas intactas podem ser rapidamente transformadas em florestas abertas e alteradas.

Os impactos severos provocados pela extração de madeira são explicados pela abundância do recurso que implica em uma desvalorização e conseqüente desperdício. Estudos recentes mostram que é possível manejar economicamente as florestas para a produção de madeira. Por exemplo, nós temos o modelo de exploração de baixo impacto desenvolvido pela FFT (Fundação Floresta Tropical). Estes modelos estão sendo replicados com sucesso em diversas partes da Amazônia por empresas privadas, comunidades de pequenos produtores e organizações não governamentais.

A adoção das etapas de manejo reduz o ciclo de corte de 70 a 100 anos (sem manejo) para 30 a 40 anos (com manejo) (Barreto et ai., 1993). Isto quer dizer que o manejo florestal poderia resultar no dobro da produção por unidade de área de floresta. Cada serraria necessitaria explorar metade da área que utiliza hoje para suprir a mesma demanda. Um aumento na eficiência das serrarias poderia diminuir significativamente a quantidade de floresta requerida para manter a produção atual. Atualmente apenas 35% de cada tora é transformada em produtos serrados. A eficiência no aproveitamento das toras pode aumentar para 50% com a adoção de melhorias simples na manutenção dos maquinários e treinamento dos trabalhadores. O somatório dos efeitos de um aumento na eficiência das serrarias associados a um programa de manejo florestal reduziriam em aproximadamente um terço a área de floresta utilizada atualmente.

3.4 - A MINERAÇÃO E O GARIMPO

A mineração é a principal atividade econômica do Estado do Pará sendo representada por duas formas: garimpo de ouro em pequena escala e mineração industrial, principalmente minério de ferro e alumínio. As atividades de garimpo estão concentradas em pequenos rios que nascem nas áreas do Planalto das Guianas, ao Norte, e no Planalto brasileiro ao Sul do Rio Amazonas. A mineração geralmente envolve a extração e lavagem de depósitos sedimentares com mangueiras equipadas com bicos a jato. Apenas uma pequena fração do ouro é retirada em virtude das técnicas ineficientes de extração. Os rios ficam severamente alterados pela derrubada dos barrancos em suas margens e pela formação de centenas de poças de sedimentos. Os sítios abandonados assemelham-se a paisagens lunares. A poluição pela emissão de mercúrio para o ar, solo e rios também é resultante deste tipo de extração. Pfeiffer e Lacerda (1988) estimaram que para 1 quilo de ouro produzido, 1,3 kg de mercúrio é liberado no meio ambiente. O garimpo tem provocado impactos sociais significativos. Dezenas de milhares de garimpeiros têm penetrado ilegalmente em territórios indígenas no Pará, provocando surtos de doenças, conflitos sociais e desintegração cultural. Até o início da década de 90 o governo federal subsidiou a garimpagem por meio da abertura de estradas, estabelecendo reservas garimpeiras e aumento das taxas de importação de ouro. Atualmente, a produção de ouro nos garimpos está em declínio por causa da exaustão das reservas e da queda do preço do ouro no mercado internacional.

A mineração industrial concentra-se na província mineral de Carajás (maior mina de minério de ferro do mundo), no Rio Trombetas (a terceira maior mina de bauxíta do mundo) e em Barcarena (fábrica de alumínio). No Pará, a mineração industrial é caracterizada pelo domínio de grandes empresas (Vale do Rio Doce e Mineração Rio do Norte), baixo grau de processamento industrial e produção voltada ao mercado externo. Quanto à renda bruta, o Estado do Pará é o segundo Estado minerador do país, perdendo apenas para Minas Gerais. Entretanto, os beneficios do setor para a economia do Estado são limitados. Em 1998 a mineração industrial empregava somente 0,4% da população economicamente ativa e .contribuía apenas com 4% dos impostos arrecadados pelo Estado.

A mineração industrial causa impactos ambientais reduzidos se comparada às outras atividades de uso da terra. Os impactos ambientais principais são a poluição física dos cursos d’água e o desmatamento. O maior impacto da mineração ocorre de forma indireta. As grandes minas têm atraído milhares de migrantes para a área de seu entorno, exercendo aí uma forte pressão para a conversão de áreas de florestas em áreas agrícolas.

A mineração em si não é uma atividade sustentável, todavia, abordagens intensivas e ptanejadas oferecem a perspectiva de gerar riquezas por séculos. No caso do garimpo existem tecnologias simples para facilitar a prospecção, aumentar as operações de recuperação do ouro, diminuir a poluição por sedimentos e reduzir a poluição por mercúrio. A mineração industrial por ser uma atividade de larga escala pode ser monitorada mais facilmente e os recursos gerados por esta atividade podem ser utilizados para diversificar a base econômica da região.

3.5 - A PESCA

O modelo extensivo de pesca é praticado pela população ribeirinha. Moradores tradicionais pescam em rios locais, lagos de várzea, em grandes rios para aumentar sua fonte de alimentos. À medida que a população ribeirinha aumenta, o estoque de peixes diminui, podendo ocorrer uma exaustão do recurso pesqueiro. Esse problema é intensificado pela prática cada vez mais predatória dos pescadores comerciais Com melhor tecnologia, estes podem extrair grandes quantidades de peixes em áreas de reprodução e em áreas historicamente acessíveis apenas aos pescadores locais. Os conflitos sociais são evidentes am muitas regiões do baixo Amazonas (Mc Grath et ai., 1993). Um bom exemplo de mudança para abordagens mais sustentáveis de pesca são reservas de lagos criadas pelas comunidades de pescadores artesanais no baixo Amazonas. Apenas os membros das comunidades têm acesso a essas reservas durante algumas estações do ano. (Mc Grath et ai., 1993). O manejo dos recursos pesqueiros regionais é uma abordagem promissora, todavia, é necessário a assistência de organizações governamentais e não governamentais para manter equilíbrio na concorrência e evitar a exaustão do recurso. A piscicultura em lagos e represas provavelmente será uma alternativa de baixo custo e viável para desenvolver sistemas altamente produtivos e sustentáveis no estuário do rio Amazonas.

4 - A COMPETITIVIDADE DOS PRODUTORES RURAIS

4.1 - O GERENCIAMENTO DA EMPRESA RURAL

Em tempos de crédito fácil, como o que ocorreu até meados da década de 80, o produtor não se via pressionado a desenvolver sua eficiência profissional. As técnicas extensivas tradicionais eram suficientes para manter a produtividade num patamar atraente, proporcionando uma lucratividade aceitável para o produtor. A falta de urna política agrícola definida para o setor, a crise econômica, os seguidos problemas climáticos a falta de recursos provenientes do crédito rural acabaram provocando urna acentuada descapitalização do setor rural. Mesmo assim, o setor produtivo modernizou-se, novas variedades foram introduzidas, o controle fito-sanitário tornou-se mais racional, a mecanização ganhou espaço e a biotecnologia já faz parte da vida de muitos produtores. As empresas agroindustriais também foram capazes de ajustar-se às recentes transformações, estabelecendo estratégias, implementando programas de qualidade, adaptando-se às exigências dos consumidores e dos mercados.

Todas essas mudanças alteraram o cenário e os horizontes da propriedade rural. Passou a ser importante e necessário antecipar tendências e antever os fatos, para que decisões realizadas no presente permitissem alcançar os resultados no futuro. A propriedade rural necessita de alguma forma fazer parte do conceito de “agribusiness”, que reconhece e fortalece a importância da integração da cadeia produtiva, desde a obtenção de insumos até a distribuição.

É nesse novo ambiente que a propriedade rural se proflssionaliza, moderniza-se e começa a ser encarada como uma empresa de fato, buscando obter conhecimentos acerca dos mercados em que opera e aumentando o relacionamento com o segmento industrial. Entretanto é necessário que o empresário rural acompanhe todas essas transformações, pois o sucesso de sua empresa passa primeiramente pela sua atuação gerencial.

4.2 - PRINCIPAIS DIFICULDADES NO GERENCIAMENTO DA EMPRESA RURAL

A gerência da produção agrícola é diferenciada e particularmente mais difícil que nos demais setores da economia. O equilíbrio entre a oferta e demanda da produção numa situação de queda de preços não é retomado simplesmente por uma decisão gerencial. Ocorre que o planejamento da produção normalmente é realizado com meses e até anos de antecedência com relação à entrega dos produtos e, nesse período, as condições de mercado podem modificar-se, diminuindo a precisão entre os objetivos traçados e a produção a ser atingida.

Um bom gerenciamento da propriedade rural identifica os aspectos ineficientes da atividade ao mesmo tempo em que proporciona condições de corrigí-los. Além dos processos de produção e das técnicas de gerenciamento, o empresário rural precisa estar familiarizado com os últimos desenvolvimentos tecnológicos, os recentes lançamentos de sementes melhoradas, os defensivos químicos e biológicos mais eficazes e mais seletivos, as vantagens da irrigação, a relação custo-benefício desse sistema etc.

É indispensável, antes de iniciar-se a produção, estabelecer uma estratégia de comercialização, conhecer os mercados, os canais de distribuição, as tendências futuras e como ele e sua produção poderão encaixar-se numa nova situação. Além de todos os problemas que as empresas enfrentam, cabe ao administrador de uma empresa rural uma tarefa que, dentro do setor poucos tem conseguido realizar eficientemente, que é a de identificar uma boa oportunidade de mercado, analisá-la e determinar o momento certo de explorá-la.

Reconhece-se que não é nada fácil um produtor preencher todos esses requisitos, e ainda por cima possuir um pensamento lógico e claro aliado à capacidade de agir com rapidez quando essas situações aparecem. Entretanto, são essas características que fazem a diferença e indicam o caminho dos produtores bem sucedidos.

4.3 - A TECNOLOGIA E A PRODUÇÃO RURAL

O setor apresenta atualmente uma grande quantidade de inovações que possibilitam ao produtor ganhar tempo, aumentar a produtividade e conseqüentemente viabilizar sua atividade. Portanto é necessário que o setor produtivo rural acompanhe os avanços tecnológicos relativos à sua atividade. No campo das máquinas, a tecnologia tem evoluído rapidamente. Como exemplo podemos citar a colheita mecânica da cana de açúcar, os processadores florestais e a tecnologia de pulverização de baixo volume. Na área de biotecnologia temos o desenvolvimento de sementes melhoradas que vem permitindo ao avanço da fronteira agrícola em direção ao Norte.

Para que o produtor tome conhecimento e, efetivamente, participe e se envolva com as inovações tecnológicas, é preciso a formação de um sistema de extensão rural que funcione efetivamente e que as próprias associações e cooperativas alavanquem este processo de difusão, o que atualmente não ocorre no Brasil e muito menos no estado do Pará. A situação desejada para o produtor rural é que ele esteja acompanhando de alguma forma essas transformações e que seu sistema de produção seja suficientemente flexivel para incorporar as novas tecnologias.

4.4 - A INFORMATIZAÇÃO

O microcomputador pode economizar tempo e dinheiro para o empresário rural. Tempo, por trabalhar mais rapidamente e de forma mais detalhada no processo de armazenamento e manuseio das informações e dinheiro porque proporciona maiores informações acerca dos negócios, uma vez que os computadores podem manipular simultaneameute grande volume de dados. Um dos primeiros softwares apareceu em 1985 e foi o pró-fazendas, desenvolvido pela EMBRAPA. Atualmente existe uma gama enorme de aplicativos desenvolvidos para os diferentes segmentos da atividade agrícola.

4.5 - O CRÉDITO RURAL

A atividade agropecuária envolve riscos de perda da produção e de todo custo envolvido. O Proagro cobre apenas parcialmente esse custo e muitas vezes apenas uma parcela insignificante. Uma frustração custeada por recursos de terceiros significa um passivo sem retorno, que pode assumir valores significativos. Normalmente os bancos costumam conceder prorrogação do débito, o que minimiza o problema, mas não o elimina.

Normalmente, toda a operação é lastreada por garantia real, que pode ser ou o bem financiado ou o penhor das produções envolvidas. Para as operações de maior vulto ou de prazos mais longos, são solicitados outros bens reais em garantia, sendo muito comum exigir-se a hipoteca do imóvel beneficiado, ou outro imóvel, mesmo urbano.

É bastante interessante utilizar o crédito rural como complementação ao capital próprio, na formação ou melhoria da infra-estrutura, de preferência pelo maior prazo possível e também aplicado na utilização de técnicas que favoreçam a minimização dos riscos naturais da atividade ou que possibilitem a colocação de produtos fora de época. Da mesma forma é um recurso bastante válido no custeio de atividades de baixo risco que o empresário possua suficientes conhecimentos e experiências para minimiza-lo.

O FNO

Com a Constituição de 1988 a região Norte passou a contar com sua primeira fonte estável de recurso para o financiamento de atividades produtivas. Com esse recurso, o Banco da Amazônia passa a intervir efetivamente, por meio do crédito de fomento, para o dinamismo da economia regional, propiciando a atração de novos negócios, geração e agregação de rendas e criação de novas oportunidades de emprego, contribuindo para minimizar o hiato que separa a Amazônia das regiões mais desenvolvidas do país. A aplicação de recursos é balizada por um planejamento no qual participam os agentes e atores do desenvolvimento regional, visando maximizar a eficiência do instrumento creditício.

A previsão de recursos a serem distribuídos no Estado do Pará no período de 2002/ 2004 gira em torno de 130 milhões de reais, distnbuídos setorialmente da seguinte forma: 55% para o setor rural; 35% para o setor industrial e 10 % para comércio e serviços.

4.6 - PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO RURAL

A agropecuária paraense está atravessando um período de intensas transformações, com introdução de tecnologias em algumas áreas e completa estagnação em outras. Algumas empresas agropecuárias apresentam-se bastante organizadas, inclusive com o controle informatizado de suas contas, enquanto outras não possuem nenhum registro. Muitos entendem que a pequena propriedade, por não ter uma produção em escala, é antieconômica, seus custos são mais elevados e o baixo retorno financeiro acaba iriviabilizando a atividade. Com o processo de modernização que vem ocorrendo, o fluxo das informações e da tecnologia também se alterou, provocando uma alteração no ambiente produtivo e de negócios das empresas rurais. Dessa forma as atividades hoje saem dos domínios das fazendas passando para empresas especializadas, orientando sua produção para o mercado.

O produtor precisa de uma quantidade muito grande de informações, que necessitam ser cruzadas e analisadas, formando uma estrutura que permita a tomada de decisão. De qualquer forma, é necessário que se planeje antes de iniciar-se a produção. Por outro lado, as dificuldades neste planejamento são enormes, o Estado tem problemas crônicos neste sentido. Se em um período uma determinada atividade apresentou alta rentabilidade, no período seguinte muitos outros produtores também irão aderir a essa atividade, movido pelo sucesso anterior, e a conseqüência é sempre uma oferta desbalanceada do consumo, com queda de preço e fracasso na atividade. O produtor deve se proteger destes problemas através do planejamento, na evolução do mercado e na busca do produto certo para aquele momento e um estudo dos custos de produção e dos recursos disponíveis.

4.7 - OS CUSTOS DA PRODUÇÃO

A determinação dos custos de produção toma-se importante, pois confronta a realidade vivida pela empresa rural e o planejamento estabelecido. Também contém informações que permitem a fixação dos preços de venda, uma possível decisão de alterar a linha do produto e o estabelecimento do limite de produção. Os custos de produção podem e devem ser estabelecidos antes de iniciar a atividade agropecuária, baseando-se, normalmente, em experiências anteriores, representando nessa situação uma estimativa dos custos de produção. Na realidade eles fazem parte de um planejamento de produção, em que são alocados os recursos disponíveis, definida a área e o volume de produção, determinadas às operações necessárias, a quantidade de insumos, a utilização de máquinas e equipamentos e mão-de-obra.

Muito embora existam vários modelos de planilhas e teorias sobre a composição dos custos, os produtores devem sempre adaptar essas planilhas para a sua propriedade e em função de suas atividades. Os produtores rurais, normalmente só valorizam aqueles custos em que ocorrem desembolsos diretos, como os materiais e os insumos necessários ao processo de produção, a mão-de-obra, a aquisição e manutenção de máquinas e implementos. Como a maioria das vezes, estes produtos são obtidos por financiamento, os custos financeiros deste empréstimo, que se encontra embutido na dívida, não pode ser esquecido no momento do planejamento.

Existem outros custos, como a depreciação de máquinas e benfeitorias, armazenamento da produção, seguro de bens, etc., que também precisam ser considerados, pois ao longo do tempo representam parcela significativa no cálculo do custo total. É perfeitamente possível os pequenos produtores se organizarem de modo a registrar suas despesas e ter um controle efetivo de seus gastos. À medida que as propriedades se tornem maiores e as atividades se diversifiquem, a administração e a contabilidade destes custos se tomam mais difíceis, todavia, já existem softwares bastante amigáveis e fáceis de ser operados que podem auxiliar o registro e acompanhamento da evolução dos custos. Em qualquer situação, numa propriedade grande ou pequena, é necessária uma coleta real de dados de campo, e aí reside grande problema. É necessário muito critério para obter os dados referentes à mão-de-obra e ao custo de hora máquina.

4.8 - COMERCIALIZAÇÃO E ÓTICA DAS CADEIAS AGROINDUSTRIAIS.

Para formular as estratégias de comercialização possíveis a uma empresa é necessário estender o conceito de comercialização incorporando a passagem do produto pelos diversos estágios do processo produtivo. A competitividade de uma empresa depende profundamente de sua eficiência na comercialização de seus insumos e produtos. Os produtos agroindustriais são essencialmente bens de primeira necessidade e de baixo valor unitário. Essa característica faz com que uma variação do preço desses produtos não afete intensamente sua quantidade consumida. Se os produtos agroindustriais são muito abundantes, o preço tende a cair bastante a fim de induzir seu consumo. De maneira geral o consumo de produtos agroindustriais tende a ser regular durante o ano. A globalização do mercado trouxe o efeito relevante das mercadorias passarem por um processo de padronização internacional cada vez mais intenso, impregnado pela cultura do país comprador. E necessário considerar que embora o consumo se mantenha num patamar estável, a oferta está sujeita a variações ditadas pelo mercado de insumos.

O resultado da atividade agrícola tanto em termos quantitativos quanto qualitativos é dependente dos fatores climáticos e período de maturação dos investimentos. Elementos aleatórios condicionam a produção agrícola e conseqüentemente a comercialização dos produtos agroindustriais. Os avanços tecnológicos e a intensificação do uso do capital na atividade agrícola têm permitido a redução dos efeitos dados pela condição climática, todavia, a atividade agrícola de grande escala continua altamente dependente das condições climáticas.

No que diz respeito à maturação do investimento, a natureza impõe um espaço de tempo entre a intenção de investir-se e a efetiva produção agrícola. O investimento não pode ser realizado em qualquer período do ano. A maturação do investimento também depende que seus componentes sejam animais ou vegetais. A inovação tecnológica tem reduzido a dependência da produção agrícola com relação à natureza por meio do melhoramento genético, todavia, a produção agrícola ainda está muito longe da linha de produção industrial, onde o empresário pode controlar com maior eficácia o tempo, a quantidade e a qualidade da produção. A sazonalidade é um componente fundamental do preço dos insumos e da produção. Além do custo direto de armazenagem, há o custo financeiro de imobilizar-se o capital em estoques. A comercialização de produtos agroindustriais subordina-se ao comportamento sazonal da oferta agrícola. O ritmo da produção, das vendas e a formação de estoques caminham conforme o ritmo ditado pelas estações do ano, premiando aqueles que conseguem vender seus produtos fora da safra. Conciliar uma demanda relativamente estável com uma oferta agrícola que flutua sazonal e aleatoriamente é o principal desafio da comercialização dos produtos agroindustriais.

4.9 - A VISÃO SISTÊMICA DO PRODUTOR.

A dinâmica das relações comerciais no mundo, decorrentes da globalização da economia, tem determinado profundas mudanças e transformações nos diversos sistemas produtivos. O mercado como orientador dessas relações comerciais, coloca como fatores fundamentais às qualidades intrínsecas e extrínsecas dos produtos primários e acabados, a regularidade de oferta, a escala de produção, bem como o preço e os aspectos relativos à sustentabilidade ambiental. Exige ainda estruturas cada vez mais eficientes no atendimento as suas demandas específicas. Sob esta ótica, a visão sistêmica passa a ter um significado especial, já que favorece o entendimento e os ajustes necessários nos sistemas produtivos e nas relações comerciais entre os diversos segmentos da cadeia produtiva. A melhoria da eficiência produtiva no segmento biológico da produção deve ser um objetivo perm