Trabalho Completo Gestão Educacional

Gestão Educacional

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Categoria: Outras

Enviado por: Carlos 06 janeiro 2012

Palavras: 3533 | Páginas: 15

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to frente à escola é fundamental no processo ensino-aprendizagem. Teve-se como objetivo analisar os desafios, estratégias e procedimentos viáveis para o exercício de uma gestão democrática em busca de uma educação de qualidade fundamentada nos princípios da descentralização e autonomia. A metodologia usada foi uma pesquisa através de um instrumental semi-aberto realizado com gestores de escolas públicas da cidade de Itambacuri Minas Gerais, onde os mesmos ressaltam a importância do papel do gestor não apenas como coordenador de uma instituição, mas, sobretudo, como um sujeito com capacidade para lidar com novas demandas, firmar parcerias, compreender as mudanças que impactam o contexto social, político e cultural no qual a comunidade escolar está inserida.

Palavras-chave: desafios, responsabilidades, participação, gestão democrática

ABSTRACT

This article discusses key issues such as: challenges, participation, and democratic management responsibilities outside the school management, where carrying out the tasks of each subject outside the school is crucial in the teaching-learning process. This study was undertaken to analyze the challenges, strategies and viable procedures for the exercise of democratic management in search of a quality education rooted in the principles of decentralization and autonomy. The methodology used was a search through a semi-open instrumental conducted with managers of public schools in the city of Itambacuri Minas Gerais, where they emphasize the importance of the manager's role not only as coordinator of an institution, but mainly as a subject and ability to cope with new demands, establish partnerships, understand the changes that impact the social, political and cultural community in which the school is located.

Keywords: challenges, responsibilities, participation, democratic management.

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INTRODUÇÃO

O tema Gestão Democrática, atualmente, é bastante discutido. A escola, como organização social responsável pela transmissão do conhecimento, passa por desafios e mudanças, e esse processo é fundamental para uma transformação, uma vez que, no mundo globalizado a sociedade exige sujeitos críticos, reflexivos e produtivos. A escola é a instituição que a sociedade criou para transmitir o conhecimento sistematizado, além de ser um espaço social de trocas coletivas por isso, a escola tem a necessidade de repensar a respeito de sua organização, sua gestão, os meios e as formas de ensinar. Nesse contexto, que surge o gestor escolar, com o desafio de inovação, criatividade e capacidade de articular junto à equipe em busca de uma educação de qualidade. Constata-se que, maioria das vezes, a gestão democrática tem sido referida apenas a eleições de Diretores nas escolas públicas, sendo que, a eleição deve ser vista como mais um dos instrumentos na democratização das relações escolares.

“(...) repensar a escola como um espaço democrático de troca e produção de conhecimento que é o grande desafio que os profissionais da educação, especificamente o Gestor Escolar, deverão enfrentar nesse novo contexto educacional, pois o Gestor Escolar é o maior articulador deste processo e possui um papel fundamental na organização de democratização escolar” (ALONSO, 1988, p.11).

Os processos de gestão na escola vão além da gestão administrativa, articula também, aspectos financeiros e pedagógicos, ou seja, há um conjunto de responsabilidades necessárias para a realização de uma gestão democrática. A construção do Projeto Político Pedagógico se presta a esse processo, uma vez que sua elaboração pressupõe rupturas com o autoritarismo, quando as decisões estão centradas na figura do gestor. É nesse contexto que se coloca a importância de se considerar a expressiva contribuição que o Projeto Político Pedagógico oferece para a efetivação de uma nova gestão, seja ela administrativa, de aprendizagem ou outra, visto que o mesmo se caracteriza como sendo um instrumento de caráter democrático.

Segundo Ferreira (2006), a gestão democrática se faz na prática quando:

[...] se tomam decisões sobre todo o projeto político pedagógico, sobre as finalidades e objetivos do planejamento dos cursos, dos planos de estudo, do elenco disciplinar e os respectivos conteúdos, sobre as atividades dos professores e dos alunos necessárias para a sua consecução, sobre os ambientes de aprendizagem, recursos humanos, físicos e financeiros necessários, os tipos, modos e procedimentos de avaliação e o tempo para a sua realização. É quando se organiza e se administra coletivamente todo esse processo [...] (p.310).

Sabe-se que a equipe gestora é responsável por assegurar a autonomia da escola, buscar novas oportunidades e articulá-las com os objetivos e atividades do projeto pedagógico, para tanto, requer gestores capazes de reconhecer e participar das novas relações sociais em formação, sendo que, “não basta a tomada de decisões, mas é preciso que elas sejam postas em prática para promover as melhores condições de viabilização do processo ensino-aprendizagem” (LIBÂNEO, 2001, p.326).

Portanto, a escolha da temática partiu do desafio de analisar os indicadores que permeiam a gestão democrática dentro do contexto escolar. A pesquisa visou apurar a prática investigativa no contexto educacional.

DESAFIOS E RESPONSABILIDADES NECESSÁRIAS A UMA GESTÃO DEMOCRÁTICA

Através da pesquisa realizada, constatou-se a importância do papel do gestor escolar, enquanto articulador no processo ensino-aprendizagem.

Dependendo da concepção sobre os objetivos da educação em relação à sociedade e à formação dos alunos, a organização e os processos de gestão assumem significados diferentes: numa concepção tecnicista, a gestão é focada apenas no gestor, visando a racionalização do trabalho por meio da hierarquia de cargos, funções, regras e procedimentos administrativos, enquanto que, na concepção democrático-participativa, o processo de decisões se dá coletivamente, ressaltando a importância da busca de objetivos comuns assumidos por todos.

Na concepção dos gestores entrevistados, Gestão Democrática é entendida como:

Busca incessante de executar ações baseado na transparência dos atos e, na busca pela participação de todos os segmentos da escola. (Gestor A)

A gestão democrática se respalda em três eixos: o colaborativo, onde todo e qualquer sujeito inserido no contexto escolar, dá sua contribuição; o participativo, onde oportuniza todos os segmentos a contribuir com sugestões, críticas e ações; e o articulativo, que permite a flexibilização e a discussão em repensar, refazer e reconstruir as ações. (Gestor B)

Defendo a participação de todos os envolvidos no contexto escolar. (Gestor C)

Observe que a concepção do gestor C vai ao encontro da concepção do gestor B. Para os gestores entrevistados, fazer um diagnóstico da escola que se tem e a que quer é o ponto de partida para enfrentar os desafios do exercício de uma gestão democrática:

Um Projeto Político Pedagógico focado no aluno e suas dificuldades; reconhecer e incentivar a equipe da escola; buscar um engajamento com outras instituições escolares. (Gestor A)

A escola é o centro de uma circunferência com múltiplas finalidades sociais e destaca a ausência da família e falta de autonomia da escola sendo os maiores desafios a serem enfrentados para que aconteça uma gestão democrática. (Gestor B)

Aponta para a formação de todos os atores que constituem o cenário escolar; o fortalecimento dos conselhos escolares e o projeto político pedagógico alinhado à gestão democrática. (Gestor C)

O processo para implantar a democratização no interior da escola encontra muitos obstáculos e, por isso, necessita enfrentar vários desafios para que possa-se viabilizar o processo de melhoria na qualidade de ensino.Nesse sentido, Libâneo (2004) diz que: “para um trabalho em equipe eficaz, faz necessário definição conjunta de objetivos e metas comuns, compreendidos e desejados por todos”.

Veiga e Carvalho afirmam que:

“o grande desafio da escola, ao construir sua autonomia, deixando de lado seu papel de mera “repetidora” de programas de “treinamento”, é ousar assumir o papel predominante na formação de profissionais” (VEIGA E CARVALHO, 1994 p.50).

Os gestores pesquisados enfatizam a participação de todos os segmentos a partir da diversidade dos diferentes atores sociais, como um dos pontos cruciais para uma gestão democrática.

É necessário promover encontros, palestras, atividades festivas, desenvolvendo ações que promovam a vinda de toda a comunidade à escola de maneira aprazível. (Gestor A)

A descentralização das funções da escola onde os aspectos sociais e pedagógicos não sejam fragmentados. (Gestor B)

Cita como fundamental o fortalecimento dos conselhos escolares e elaboração e acompanhamento do projeto político pedagógico com a participação de todos os segmentos da escola fazendo-os responsáveis pelo seu papel no contexto escolar. (Gestor C)

De acordo, com Libâneo (2004), tendo em vista o alcance dos objetivos da escola, dentro de uma gestão participativa, as decisões devem ser postas em prática valorizando a participação da comunidade escolar na tomada de decisões, e assim, possibilitando melhores condições no processo de ensino-aprendizagem.

Com relação a gestão participativa, Luck (2006) diz que:

“a gestão participativa se assenta, portanto, no entendimento de que o alcance dos objetivos educacionais, em seu sentido amplo, depende de canalização e do emprego adequado da energia dinâmica das relações interpessoais ocorrentes no contexto de sistemas de ensino e escolas, em torno de objetivos educacionais, concebidos e assumidos por seus membros, de modo a constituir um empenho coletivo em torno de sua realização” (LUCK, 2006, p.22).

Para os gestores entrevistados a Gestão Democrática na escola pública, será possível quando:

... não pretender desenvolver suas ações à base do individualismo, ditando normas e posicionando-se acima de todos os outros segmentos que fazem a escola. (Gestor A)

... quando for dado à escola autonomia para que as decisões dos conselhos de escola deliberem sobre suas demandas, necessidades e ações. (Gestor B)

... quando houver , compromisso e responsabilidade por parte do gestor. (Gestor C)

Partindo do princípio da figura do gestor, como sendo o sujeito capaz de pôr em prática a proposta pedagógica, articulando junto à comunidade escolar, propagará ideias e ações para uma transformação na construção de uma gestão democrática. De acordo com Sander (1995, p.45), o gestor escolar “é um líder intelectual responsável pela coordenação do projeto pedagógico da escola, facilitando o processo coletivo de aprendizagem”.

Nesse sentido, a gestão representa responsabilidade, observação, articulação, tomada de decisões, constituindo-se em um organismo vivo, cujo sistema se realimenta do próprio contexto. Cabe destacar que os sistemas de ensino, ao serem vistos como organizações vivas, a sua direção demanda uma nova imagem de organização, e assim, “a concepção democrático-participativa de gestão valoriza o desenvolvimento pessoal, a qualificação profissional e a competência técnica” (LIBÂNEO, 2001, p. 119).

Para gerir democraticamente o ensino e a escola é necessário:

...estar atento ao desenvolvimento das metodologias utilizadas no processo ensino-aprendizagem; prestar contas dos seus atos com clareza e objetividade, como também, é fundamental estar aberto ao diálogo e a interação. (Gestor A)

...implementar políticas públicas educacionais voltadas para erradicar a miséria, o analfabetismo, o preconceito, os danos ambientais e as desigualdades sociais. (Gestor B)

... a liberdade de opiniões, ao fazer coletivamente. (Gestor C)

Ressalta-se que a concepção do gestor C vai ao encontro da concepção do gestor A. Sabe-se que há uma necessidade de construir mecanismos democráticos em todas as esferas da nação, e essa necessidade está presente no contexto educacional que se concretiza com a gestão democrática escolar.

Com a gestão democrática escolar, as redes públicas se deparam com o desafio de pensar e promover canais de participação mais efetivo na administração escolar, tais como: viabilizar o processo redemocratização do ensino, eleições diretas para gestores e membros do colegiado, a elaboração de projeto pedagógico, para que se tornem decisões que visem uma qualidade educacional.

Dentre as responsabilidades de um gestor, a promoção de ações é a que mais pode contribuir para a melhoria da qualidade da educação, ou seja, um olhar da escola para a comunidade e desta para a escola. Dessa forma, a democratização acontece por meio da criação de espaços de participação e decisão de todos aqueles que fazem parte do cotidiano escolar.

Diante deste cenário, os resultados da pesquisa vem corroborar com os princípios da gestão democrática uma vez que os entrevistados demonstram entendimento sobre suas funções e responsabilidades acerca do desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Por este motivo a pesquisa ora exposta não representa um fim em si mesmo, mas deixa aberto seu caráter evolutivo a cada transformação da sociedade, no entanto espera-se que este documento sirva de base para futuros pesquisadores que visam colaborar com a gestão democrática.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Numa sociedade democrática, a escola tem o papel fundamental de assegurar a todos a igualdade de condições na instituição escolar. A Constituição de 1988 e LDB, Lei nº 9.394/96, define que isto deve ser feito num contexto de gestão democrática, princípio básico de organização do ensino público. O presente trabalho possibilitou analisar de forma mais abrangente o papel do gestor no processo educacional, o seu compromisso frente à participação, construção do projeto pedagógico e articulações necessárias no âmbito escolar.

Discutir a gestão democrática na escola, seus desafios e responsabilidades não é tarefa fácil. Neste trabalho apresenta-se uma reflexão através de uma pesquisa realizada com gestores de escolas públicas no estado de Minas gerais, onde a mesma possibilitou aprofundar conhecimentos sobre a gestão democrática no âmbito escolar. A gestão democrática escolar deve considerar, sobretudo, as necessidades concretas do aluno, assim, as ações devem ser educativas, de modo a atingir os objetivos estabelecidos, especialmente no tocante à formação de sujeitos participativos, críticos, autônomos e criativos. Segundo PARO (1997, p.149) “a gestão escolar precisa ser entendida no âmbito da sociedade política comprometida com a própria transformação social”. Nesse sentido, o gestor educacional precisa repensar sua teoria e prática, estabelecer relações entre a escola e o contexto social numa perspectiva de promover a democratização da gestão.

Parafraseando Luck (2006) no que se refere à autonomia no contexto educacional, constitui-se em um dos conceitos mais exposto como condição para por em prática o princípio constitucional e da legislação educacional1 de democratização da gestão escolar. Conforme Libâneo (2001)

“(...) um modelo de gestão democrática-participativa tem na autonomia um dos seus mais importantes princípios, implicando a livre escolha de objetivos e processos de trabalho e a construção conjunta do ambiente de trabalho” (LIBÂNEO, 2001, p.80).

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1 .Art. 15 da LDB, Lei 9.394/96 – estabelece que Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público”.

Em síntese, o presente artigo mostra a importância do papel do gestor no processo ensino-aprendizagem e que, a concepção de gestão educacional assume um significado abrangente, democrático e transformador que vai além do conceito de administração escolar. Portanto, compete à gestão escolar o direcionamento e a capacidade de mobilizar e dinamizar as ações da escola, priorizando as ações conjuntas, para que, com a participação de todos que estão inseridos no contexto escolar, tenha-se uma perspectiva de uma melhoria na qualidade de ensino.

REFERÊNCIAS

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LIBÂNEO, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática. 3ª Ed. Goiânia: Alternativa, 2001.

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APÊNDICE

INSTRUMENTO DE PESQUISA

➢ O que você entende por Gestão Democrática na educação?

➢ Que desafios precisam ser enfrentados para que aconteça uma gestão democrática?

➢ De que modo oportunizar a participação da comunidade a partir da diversidade dos diferentes atores sociais?

➢ Gestão Democrática na escola pública é possível?

➢ Como gerir democraticamente o ensino e a escola?