Trabalho Completo Gestão Escolar

Gestão Escolar

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Categoria: Outras

Enviado por: nuriabatista 16 abril 2013

Palavras: 7656 | Páginas: 31

UNIVERSIDADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ – UVA

CURSO PARCELADO EM LETRAS

LITERATURA INFNTO JUVENIL E SUAS CONTRIBUIÇÕES PARA A FORMAÇÃO DE SEUS LEITORES

AMONTADA-CE

2009

ANTONIIA JULIENE DE HOLANDA

LITERATURA INFANTO JUVENIL E SUAS CONTRIBUIÇÕES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA, como requisito parcial para obtenção do título em licenciado em Letras

Orientadora: ____________________________________________.

Amontada – Ceará

2009

Trabalho de Conclusão de Curso Aprovado em:

_____/_____/______.

__________________________________.

Orientador

____________________________________.

Examinadora

____________________________________.

Coordenadora do Curso

Dedico este trabalho, em especial, a minha mãe e aos meus filhos Dionesio, Messias Holanda, que sempre foram e serão meus incentivos na busca de minhas idéias. Ao professor que contribui como um grande profissional.

Agradecimentos

Aos diretores das escolas pesquisadas, que gentilmente cederam o espaço para realização desta investigação.

Aos Professores e alunos, que me receberam muito bem durante o meu aperfeiçoamento profissional.

À minha família pela força constante nesta longa caminhada.

Às colegas de trabalho, da faculdade e as minhas amigas pela compreensão que todas tiveram e pela amizade a mim dedicada.

“Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida o livro. Os demais são extensões do seu corpo... Mas o livro é outra coisa, o livro é uma extensão da memória e da imaginação”.

Jorge Luís Borges

RESUMO

Este trabalho tem como principal objetivo analisar como é vista nos dias atuais por professores a importância da literatura infanto juvenil e suas contribuições para a formação de seus leitores.

O interesse pelo tema surgiu com o estudo de uma disciplina, durante o período da faculdade, voltado para a literatura infantil e era observada como ela é desvalorizada.

A pretensão e a intenção é mostrar o reconhecimento da importância da pedagogia da literatura infanto-juvenil, assim como chamar a atenção dos profissionais que nela atuam para incentivá-la.

Palavras-chave: Literatura infantil e Leitura.

SUMÁRIO

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 09

2. ANÁLISE REFLEXIVA DOS ESTÁGIOS 10

2.1. ESTÁGIO SUPERVISIONADO I 12

3.2 . OBJETIVO ESPECIFICO 12

4. JUSTIFICATIVA 13

5.ANÁLISE DOS ESTÁGIOS 14

5.1. ESTÁGIO SUPERVISIONADO II 14

5.2. ESTÁGIO SUPERVISIONADO III 14

6. COMO ENTENDER O PROCESSO PELA BUSCA DE NOVAS FORMAS DE APRENDIZAGEM 16

6.1. DISCUSSÕES SOBRE AS FORMAS DE ENSINO - APRENDIZAGEM 16

7. O ENSINO DE HISTÓRIA 18

7.1. A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA 18

8. METODOLOGIA UTILIZADA PELOS PROFESSORES DE HISTÓRIA NO ENSINO MÉDIO NO MUNICIPIO DE AMONTADA 24

9. METODOLOGIA 29

CONSIDERAÇÕES FINAIS 30

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 32

ANEXOS

Introdução

A literatura infanto juvenil incorpora novas vertentes do pensamento contemporâneo e passa por um momento propicio, pois nunca houve tantos livros infanto juvenil nas prateleiras da escola publicas.

No entanto forma o leitor infanto juvenil é a tarefa de professores, bibliotecários e, pois interessados nos desenvolvimento intelectual dos adolescentes.

Contribuir para a formação de cidadãos consiste e críticos investigar como os professores vêm trabalhando com os livros de literatura infanto-juvenil.

É notória a deficiência de aprendizagem dos alunos do fundamental 6º ano no que se refere à leitura de mundo ou compreensão da realidade e a concepção de novas idéias.

Partindo da realidade observada e das finalidades do ensino fundamental: Revisão e aprofundamento dos conteúdos do ensino para o preparo do aluno do ingresso na universidade e para o mundo do trabalho, ampliação da visão de mundo e a aquisição de mundo e aquisição de habilidades para interagir satisfatoriamente na sociedade, onde a comunicação é o principal aspecto de incluso e exclusão, podemos afirmar que muito ainda há ser feito para que possa chegar ao ideal.

O presente trabalho fica estruturado em dois capítulos sendo que no primeiro será feito uma abordagem geral da escola, onde será feito toda a levantamento dos dados adquiridos e relacionados às ideias dos autores (...). Enquanto, no segundo capítulos conheceram de perto como se deu os conhecimentos em torno da pesquisa de campo a respeito da temática aqui estudada, onde nosso maior objetivo é PESQUISAR AMANHÃ .

2. Análise Reflexiva dos Estágios

2.1. Estágio Supervisionado I

A escola de Educação Básica Maria Elisbânia dos Santos foi fundada em 04 de fevereiro de 2000 e está localizada na comunidade de Caetano de Cima, no Assentamento Sabiaguaba, na zona rural do município de Amontada, a 60 km da sede do município. Ela tem uma história muito especial, pois a idéia de sua construção surgiu a partir da organização e articulação da comunidade com a prefeitura, representada na época pelo Sr. Edílson Teixeira e Câmara Municipal pelo Sr. Edivaldo Assis de Jesus.

Desde 1996, a comunidade reunia-se no salão comunitário com o propósito de planejar a escola. Desenhos eram traçados na areia e um sonho transformava-se em realidade. Em junho de 1999, o material para a construção foi colocada na praia pelos caminhões da prefeitura, já que nesta época não havia estrada. Em regime de mutirão, pescadores, agricultores, pais, mães, jovens e criança levaram o material para o local onde a escola foi construída e a construíram.

Ao lembrar, a preocupação com a educação na comunidade de Caetano de Cima teve início em 1968, com a professora leiga Maria Elisbânia, conhecida como Maria Dedé que ensinava a ler e a escrever em sua própria casa, no chão de barro batido, onde as crianças sentavam-se. Optou-se por homenageá-la dando a escola o seu nome. Todas as ações são definidas pelo Projeto Político Pedagógico que foi elaborado pela primeira vez em 2003 e é renovado a cada dois anos.

Tornou-se uma Unidade Executora em julho de 2006, tendo uma gestão participativa, isto é, seu conselho escolar contempla todos os segmentos da escola e comunidade local.

Quanto à estrutura física, a escola conta com duas salas de aula, secretaria, cozinha, almoxarifado, depósito de merenda, dois banheiros e ampla área de lazer arborizada.

Atualmente, a escola conta com 90 alunos, distribuída nas seguintes modalidades: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos.

A professora Maria Aparecida Barbosa Soares é titular de uma turma de Educação infantil, mista de 20 alunos e outra de 1ª e 2ª séries também multisseriada com 17 alunos. O professor Francisco Adoniran, atua na 3ª e 4ª séries, portanto multisseriada de 21 alunos e uma 6ª série com 14. Já a professora Vera Lúcia, é titular da turma do EJA, com 20 alunos. Trabalham ainda na escola os auxiliares de serviços administrativos: Maria José dos Santos, Vera Lúcia de Sousa e Lucimar Teixeira de Lima; os vigias Francisco Valyres de Sousa e Antonio José de Sousa. A Direção e Coordenação Pedagógica são feitas por Valneide Ferreira de Sousa.

Quanto aos seus aspectos físicos e ambientais, a E.E.B. Maria Elisbânia dos Santos, possui uma representação geográfica de 30 metros de comprimento por 10 metros de largura. Sendo que está dividida da seguinte forma: duas salas de aulas, que medem oito metros de comprimento por seis metros de largura; dois banheiros, uma cozinha, uma secretaria, um almoxarifado, uma dispensa, uma área de lazer para atividades físicas das crianças e um pomar com várias plantas frutíferas, que servem para complementar a merenda escolar das crianças.

Quanto ao recrutamento dos professores, ocorre através de concurso público ou seleções feitas pela Secretaria Municipal de Educação, que também é responsável pela lotação dos mesmos. E por fim, só resta à direção da escola, orientá-los. Não esquecendo de que, como é a própria comunidade, em maior instância, a responsável pelas decisões da escola, em várias ocasiões ela interfere na escolha de alguns professores, que até mesmo já chegaram a ser substituídos por aqueles que se aqueles que se adéquam melhor com a vida da comunidade.

Em relação à indicação dos professores para as disciplinas em sala de aula, os mesmos são lotados pela Secretaria de Educação, em áreas específicas, porém, não se chegou ainda ao ideal, pois grande parte desses educadores do município não é habilitada em áreas específicas, tendo que se tornarem professores polivalentes. O quadro de professores da E.E.B. Maria Elisbânia dos Santos é alvo desses problemas. Cabe ressaltar que a Secretaria de Educação não dispõe de professores concursados suficientes para atender a demanda do município. Por esta razão, são realizadas ampliações e contratações que atendem a interesses políticos, comprometendo assim a qualidade da educação.

A professora Valneide Ferreira de Sousa, diretora e coordenadora pedagógica, é graduada e pós-graduada pela Universidade Estadual Vale do Acaraú e está concluindo o curso de licenciatura específica em Língua Portuguesa. O professor Francisco Adoniran dos Santos, que leciona com 3ª, 4ª e 6ª séries, também é graduado e especializado em Geografia e História. A professora Maria Aparecida Barbosa Soares, leciona Educação Infantil, 1ª e 2ª série, é também graduada e está especializando-o em Língua Portuguesa, e por fim, a professora Vera Lúcia de Sousa, responsável pela Educação de Jovens e Adultos (EJA), está no processo de graduação e especialização em História. Todos, (exceto) o professor Francisco Adoniran Santos são alunos da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA.

Há um clima amigável de convivência entre professor e alunos, prevalecendo assim, um conjunto de princípios fundamentais: respeito, amizade, compreensão e na constante tentativa de obter um único objetivo: a educação de qualidade.

Portanto, dessa forma, os professores sentem-se à vontade, por que, como a escola trabalha a democracia, não há interferência se as opiniões da coletividade são levadas em conta, assim como seus interesses. Havendo assim, respeito entre ambos os lados.

O currículo escoar é elaborado dentro de um conjunto de princípios opcionais, sendo que em primeiro momento é valorizando os sentimentos éticos e de cidadania, bem como a identidade cultural, preservação do meio ambiente (marinho e terrestre), relações de gêneros, religião, turismo comunitário, resistência na luta pela terra, pois acima de tudo é um currículo democrático e que pretende chegar a um patamar que sirva de exemplo para as demais escolas.

Os processos avaliativos, dos alunos da escola, são feitos de várias formas, uma delas é o sistema processual, que analisa o grau de desenvolvimento intelectual e potencial criativo do aluno. Quanto a media de aprovação é seis. A avaliação é realizada diariamente, semanal ou mensalmente, através de observações sobre os conhecimentos e prática dos alunos. Em caso de recuperação, os mesmos são reforçados e reavaliados. Entretanto, a recuperação é contínua. Vale ressaltar que no de 2005, os índices foram os seguintes: Aprovação 97%, reprovação 2% e evasão 1%. Como os índices negativos são baixos, fica concluído que a escola vem se preocupando com seus alunos e por isso tem uma boa aceitabilidade.

Não se pode negar que, infelizmente, o ensino dessa escola é organizado em séries e classes multisseriadas. Porém, é uma das grandes lutas da escola, de organizar-se em ciclos, o motivo alegado é o baixo índice de natalidade na comunidade, que varia de 0,5% a 2% ao ano. Por esse motivo, nem sempre existem alunos suficientes para formar as turmas, os alunos são remanejados para outras escolas da região, ação essa que não agrada a comunidade, pois, a qualidade das demais escolas da região, à distância, as difíceis condições de acesso, a falta de atividades complementares entre outros fatores desmotivam os alunos a freqüentá-las.

O planejamento educacional é acionado por qualquer um dos membros do Conselho Escolar. Seus motivos podem variar, como por exemplo: lançamento ou elaboração de um projeto, comemorações, aniversários, eventos, enfim são estes e tantos outros motivos.

Em relação à Educação Continuada dos professores e suas propostas pedagógicas, as reuniões são realizadas por motivo do planejamento mensal ou semanal, e às vezes, em várias ocasiões pela Secretaria de Educação e pelas ONGS (Organizações Não Governamentais) que assessoram a escola. Enquanto que para os momentos externos, os professores recebem apoio da direção da escola e da comunidade, que em casos de necessidades a diretoria assume as tarefas no que for preciso.

A organização espacial da sala de aula se dá da seguinte forma: as carteiras são colocadas em círculo, de forma que os professores possam se locomover livremente e acompanhar, no sentido de atender a todos (as). Portanto, essa é uma forma que os professores e alunos fazem espontaneamente, não por imposições e, sim, para facilitar uma melhor aproximação dos alunos consigo mesmo, bem como, para facilitar o processo de ensino aprendizagem.

Porém, os alunos também têm liberdade para organizarem seu espaço escolar, bem como, em toda a escola de um modo em geral. Vale ressaltar que desde que a organização dos alunos não atrapalhe o atrapalhe o trabalho dos professores, não há nenhum problema. Nesse caso, a mudança não deixa de ser mais uma forma de interação entre ambos. A direção compreende que deixá-los à “vontade” é o mesmo que permitir que eles aprendam a escolher o melhor para eles, fazendo com que os mesmos sejam vistos como pessoas responsáveis.

A necessidade de manter o espaço reorganizado pelos alunos surge do hábito que eles têm de trabalhar em grupos, entretanto, facilita o trabalho, principalmente no sentido de defender seus interesses comuns e diferenciados.

A forma de conduzir a gestão da sala de aula é atribuída exclusivamente aos professores (as). Estes fazem uso dos seguintes meios de motivação: dinâmicas, jogos com utilização de equipamentos de multimeios, brincadeiras, aulas de campo, atividades no pátio da escola, bem como, outras atividades dependendo do projeto que está em execução.

Ao iniciar suas aulas o professor usa dinâmica ou retoma os conteúdos anteriores. Às vezes conversando com os alunos, querendo saber como foi à aula anterior. Dependendo do conteúdo a ser trabalhado, às vezes podem variar as atividades de inicio e de termino das mesmas, ou até mesmo das ocasiões, necessidades e mesmo de interesse dos alunos, entre outros fatores.

Entre a relação dos alunos x alunos e alunos x professores, pode-se afirmar que há um bom relacionamento entre ambos os lados. Convém dizer que tudo ocorre sem nenhum problema, pois se percebe que todos se ajudam e têm uma relação harmoniosa.

O plano de aula que o professor utiliza é elaborando a partir de projetos educativos. Por este motivo, vale lembrar, que os planos são organizados mensalmente e são aplicados de acordo com as necessidades dos alunos. É permitido que haja uma formulação entre os conteúdos anteriores, pois só assim os alunos serão capazes de absorver novos conhecimentos.

Vale salientar que os professores definem o que e o que não deve ser ensinado em sala de aula, pois são eles quem possuem o conhecimento melhor sobre as dificuldades e o potencial de seus alunos, por estarem diariamente em contato direto com os educandos. No entanto, o contexto local tem que ser levado em consideração. Todos os procedimentos a serem adotados nos estudos dos conteúdos, são debatidos dentro do planejamento escolar.

Sobre a convivência dos conteúdos escolares, foi verificando que a professora que leciona na Educação Infantil e no Ensino Fundamental I (1ª e 2ª série) possui segurança em dominar os conteúdos, enquanto, que o professor de Ensino Fundamental I e II (3ª, 4ª e 6ª série) se sente inseguro, principalmente em dominar a disciplina de Língua Portuguesa, isto é, pelo fato de não ser de sua formação profissional, enquanto que nas outras matérias, como por exemplo, História, Geografia e Matemática, o mesmo possui maior afinidade. Mas se deve levar em consideração que o professor vem se esforçando bastante em melhorar nestes aspectos.

Dos demais critérios, os mais adotados pelos professores na avaliação e aprendizagem de seus alunos são os seguintes: comportamento e, acima de tudo, quando o aluno é capaz de assimilar e ao mesmo tempo interagir através de seus conhecimentos empíricos para com a realidade atual.

Verificou-se neste espaço de tempo que o relacionamento dos professores com os alunos, ocorre de maneira bastante moderada. Segundo suas afirmações, lidar com pessoas.

2.1.1Relato das observações de sala de aula I

As atividades do Estágio Supervisionado I, do curso de Língua Portuguesa, foram realizadas na E.E.B. Maria Elisbânia dos Santos, em Caetanos de Cima, distrito de Sabiaguaba – Amontada-Ce.

Todo o trabalho se deu em forma de mini-curso, portanto, foi executado no prazo de dois dias com duração de oito horas. As observações e a produção do diagnóstico foram feitas com dois dias de antecedências.

Observar como funciona o processo do ensino aprendizagem dos alunos da 6ª série.

Na leitura há um desinteresse por parte dos alunos.

Sobre o professor de Língua Portuguesa, percebe-se há certa insegurança quanto ao domínio dos conteúdos.

2.1.2 Relato da observação II

Inicialmente, os estagiários foram muito bem recebidos pelo diretor Mário Barros, que encaminhou para o coordenador.

Em primeiro lugar, foi observada a estrutura física, recursos humanos. Os estagiários foram direcionados para a sala da professora Luiza, onde teve a finalidade do trabalho que pretendia realizar.

Foi percebido que os alunos enfrentam muitas dificuldades na série que estão inseridos.

A condição da gestão em sala de aula deve atribuições do professor que deve ter postura e ética, para conduzir a aprendizagem em forma sólida pra seus alunos.

Conclusão

O estágio I foi mais um espaço aberto para a construção de algo onde se tornou uma experiência, pois foi proporcionando a repensar a importância da escola. Foi um caminho para encontrar respostas.

2.2. ESTÁGIO SUPERVISIONADO II

A Escola de Ensino Fundamental e Médio Luiz Gonzaga da Fonseca Mota surgiu a partir dos anos sessenta, quando começava a aparecer em Amontada à necessidade de uma escola para atender com eficiência a carência do Ensino Fundamental II, já que era apenas oferecido o Fundamental I, na única escola pública existente na época.

O sonho passou a ser coletivo e tornar-se realidade com a criação de uma associação que tinha o objetivo de construir uma nova escola, formada pelos seguintes representantes da comunidade: Professor Sebastião Bruno da Cunha, Professora Maria Mirta Teixeira de Castro, Padre Daniel Muniz Matias, radialista Raimundo Nonato Cipriano, Professora Emília, os senhores Estevão Martins Teixeira (líder político do município), Albany Teixeira (agricultor), José Abílio Bruno (líder político), Raimundo Mundola Bruno (agropecuarista), José Maria Teles (agropecuarista) e outros.

A escola torna-se realidade no dia 25 de março de 1967, no mandato do gestor de Itapipoca, município do qual Amontada pertencia, o Dr. Geraldo Gomes de Azevedo. Nascia assim o Ginásio Municipal, funcionando inicialmente no Salão Paroquial.

A aula inaugural aconteceu no dia 27 de março, ministrada pelo Dr. Perilo Teixeira, ofertando a cada aluno um livreto com sua dedicatória.

No dia 5 de fevereiro de 1985, acontece a emancipação política de Amontada e assume o primeiro prefeito de Amontada, José Agenor Henrique. Na escola continuava a direção da Professora Francisca Camelo da Cunha Frota. Havendo grandes modificações, em virtude da criação do novo município, o ex-aluno, professor da escola e secretário de educação da época, professor José Isnaldo de Oliveira, por intermédio da Câmara Municipal de Amontada, através da Lei 17/86 revoga a Lei 925/84 de 21 de maio de 1984, fazendo retornar assim, ao patrimônio do município de Amontada, o imóvel e os equipamentos, objetos da lei que era revogada. E a escola volta a ser o Colégio Municipal de Amontada.

Em 1989, quando assumiu o segundo prefeito, Francisco Edilson Teixeira, trouxe grandes inovações para a escola, como a implantação do Ensino Médio- curso Cientifico e o sistema TVE, para as séries do Fundamental II, com extensão às escolas do município. Na parte física, houve benefícios como a reforma da escola e no quadro técnico para a administração da escola foi nomeada a sétima diretora, a professora Maria Mirta Teixeira de Castro (1989 a 1990) e como vice-diretora Solange Maria Teixeira.

Em 1990 foi feita a substituição da professora Maria Mirta Teixeira de Castro, em virtude de a mesma ter assumido a Secretaria de Educação do Município, pela professora e supervisora de Ensino Francisca Orene Vasconcelos (fevereiro a agosto de 1990) a oitava diretora do estabelecimento, quando foi nomeado o nono diretor José Isnaldo de Oliveira. Neste mesmo mês, o diretor da escola, acompanhado pela secretária de educação, localizada na assessoria jurídica da Secretaria de Educação do Estado do Ceará a documentação da encampação do Colégio Municipal de Amontada e conseguiram provar que a lei nº 17/86 não tinha direito legal para renovar a lei nº 425/82, no disposto da cláusula terceira, do contrato de encampação. Com o esclarecimento, o Estado assume de fato o direito à escola de 1º e 2º Graus Governador Luiz Gonzaga da Fonseca Mota, embora o corpo docente e técnico-administrativo só ingresse através de concurso público conforme a Constituição Federal e Estadual de 1988.

Em 1992 assume a administração municipal o terceiro prefeito, José Abílio Bruno e em 1993, assume a décima diretora, a professora Telma Maria dos Santos Oliveira e o ex-aluno e professor em exercício Francisco Mário de Oliveira Barros. Em 1994 a escola é reformada com verbas oriundas do Estado, com contrapartida do município. Em outubro de 1995, a referida escola, realiza a primeira eleição de diretores, com uma proposta de gestão democrática, com a participação de todos os segmentos, quando foi eleito Francisco Mário de Oliveira Barros, sendo o 11º diretor, de 1996 a 1998, tendo como diretores adjuntos, os professores Carlos Roberto Bruno Teixeira e Eva Selênia Teixeira Queiroz. Em 1996, o professor Carlos Roberto Teixeira, afasta-se das funções de diretor-adjunto para pleitear uma cadeira na Câmara Municipal de Amontada, sendo substituído pela professora Vânia Maria Teixeira Praciano Carneiro.

Em 2001, a escola mais uma vez passa pelo processo de eleição, sendo reeleito o professor Francisco Mário de Oliveira Barros (1990 a 2001), os coordenadores - adjuntos Vânia Maria Teixeira Carneiro (coordenadora pedagógica), Evilásia Rodrigues Freitas Teixeira (coordenadora financeira). A escola continuava avançando em suas atividades conquistando a credibilidade da comunidade, com o acompanhamento do Corpo Docente, apostando na qualidade dos professores, dando total incentivando à prática esportiva, cultural e artística, aumentando o número de aprovações em vestibular e concursos públicos com uma notável alavancada na qualidade de ensino. Na parte física foram construídos almoxarifado, sede do Grêmio estudantil; reforma e coberta da quadra poliesportiva; a escola recebeu mais quatro computadores do estado, tornando possível a informatização com o acesso a internet.

No mesmo ano de 2001, em parceria com o então prefeito Francisco Edilson Teixeira, foram criados os pólos, estendendo o oferecimento do Ensino Médio para todo o município, levando o atendimento da escola até as comunidades dos distritos, evitando assim o deslocamento que causava transtorno aos familiares e despesas com transporte, tornando inviável ao município, já que não havia liberação de recursos do Estado para transporte do Ensino Médio. Deve-se ressaltar que a escola Gonzaga Mota foi pioneira no Estado do Ceará na criação dos pólos.

Em 2002, a escola mais uma vez realizou o processo de gestão democrática, acontecendo um nova eleição para diretores com a participação da comunidade, sendo eleito o professor em exercício e vereador Carlos Roberto Bruno Teixeira, sendo ele o 12º diretor para o triênio 2002-2004, tendo como coordenadores professor Francisco Benivaldo Alves (coordenador de gestão), professora Vânia Maria Teixeira Praciano (coordenadora pedagógica de gestão), professora Raimunda Ieda Santana de Barros (coordenadora financeira) e Manuel Enelias Filho (secretário). As atividades da escola continuam em ritmo de progresso, com investimento, preocupação de capacitação do corpo docente e implantação do curso pré-vestibular, em parceria com o município – no sentido de preparar melhor os alunos e ex- alunos para acesso às universidades. Foi implantado também, o projeto GESAC, do Governo Federal, aumentando a capacidade de inclusão digital aos meios tecnológicos da internet, aquisição de material para implantação do laboratório de informática, contínua assistência aos pólos, criados na gestão anterior, e que veio aumentar consideravelmente as turmas, além de incentivos às práticas esportivas e culturais. Foi providenciada água de qualidade e potável e aquisição de alguns materiais permanentes. Na parte física, foi ampliado o almoxarifado e construída uma sala para funcionamento da diretoria.

Em 2004, o diretor Carlos Roberto Bruno Teixeira, afasta-se do cargo de direção para continuar pleiteando a sua vaga na Câmara Municipal, sendo nomeado, provisoriamente, pelo Governo do Estado, o ex-aluno, presidente do conselho e professor em exercício Francisco José de Meneses, de 06/09 a 31/12/2004. Tendo como coordenadora a professora Vânia Maria Teixeira Praciano carneiro (coordenadora pedagógica), a professora Raimunda Ieda Santana de Barros (coordenadora financeira) e Manuel Enélias Filho (secretário).

O novo Núcleo Gestor assumiu o compromisso de articular com o corpo docente no sentido de diminuir a evasão e aumentar a matrícula do Ensino Médio na sede.

Aconteceram novas eleições e é eleito pela 3ª vez, o professor Mário de Oliveira Barros, para o quadriênio de 2004 a 2008, fazendo parte do Núcleo Gestor, o professor Francisco José de Meneses (coordenador pedagógico), professor José Cláudio Farias (coordenador de gestão), Evilásia Rodrigues Freitas Teixeira (coordenador financeiro). Em 2005 assume como secretária, Maria Leoneide Santos Alves.

O Núcleo Gestor atual tem como proposta diminuir a evasão e a reprovação, melhorar a qualidade de ensino na sede e nos pólos – Tucuns, Córrego da Ema, Garças, Lagoa do Jardim, Mosquito, Aracatiara, Lagoa Grande, Sabiaguaba e Icaraí dando total assistência para que os alunos possam competir satisfatoriamente participando de vestibulares e concursos públicos, proporcionando aos professores condições para que possam exercer sua profissão com eficiência, incentivando as práticas esportivas, culturais e artísticas, bem como a participação dos segmentos, através de colegiados (Grêmio Estudantil, Conselho Escolar, Congregação dos Professores e Associação de pais e comunidade), continuando o processo de discente e comunitário através do Telecentro do programa GESAC. N parte física foi construída uma sala equipada com ar condicionada (recursos adquiridos e licitados na gestão anterior) par funcionar o laboratório de ciências químicas, físicas e biológicas e foi reformado o piso da quadra poliesportiva.

2.2.1. Relatos de Regência

Iniciou-se o estágio supervisionado II no dia 18 de junho de 2007, na escola Francisco Estevão de Assis (Anexos do Gonzaga Mota).

As atividades foram realizadas de formas expositivas sobre as produções de textos. Os alunos foram divididos em grupos e em cada grupo ficou com um texto, para que eles fizessem a leitura.

A professora Luiza, atribui e os alunos ficaram surpresos com os textos apresentados.

Considerações Finais.

As utopias acadêmicas expressas em um universo de palavras, idéias, interesses e a realidade. O estágio supervisionado II – Ensino Médio foi para nós, estar diante de inúmeros contrastes, que serão necessários mais do que palavras complicadas da universidade, para que possamos tocar realmente os alunos, que passam horas e horas nos bancos de nossas escolas, sem a mínima consciência de porque estão ali.

Negativamente listamos uma série de aspectos. O primeiro deles fundamenta-se no fato da educação brasileira ter se tornado uma estatística. É por conta disso, os alunos vão passando, passando.

Depois vem às normas, que raramente são compreendidas pelo o corpo docente de nossas escolas, e que por isso tornam-se dias pós dias, mais ineficazes e sem motivação.

3. Literatura Infanto Juvenil

A literatura Infanto Juvenil no Brasil de hoje, é um gênero que tem se firmado e mostrado com características artísticas que atendem a quem desejar dela usufruir, em especial, tem atendido de modo satisfatório, ao público infanto-juvenil quanto à linguagem, temas e objetivos e tem sido tratada e utilizada sempre atrelada à ação pedagógica, mais especificamente nas escolas. No entanto, tem crescido no país, segundo Cademartori (1994, p. 18) a consciência e a visão da literatura infanto-juvenil como um investimento em termos de educação brasileira, levando em conta que: “O inegável vínculo da literatura infantil com a educação não deve conduzir a que se pense que o texto para criança passou do esquecimento para o papel de subsidiário da educação formal”.

A literatura possibilita aos indivíduos uma reorganização das percepções do mundo e de si próprio, para a criança e o adolescente possibilita ordenar as experiências existenciais, a formação de novos padrões e o desenvolvimento do senso crítico, pela presença nos textos literários de elementos formativos e informativos.

Entendendo-se a literatura como sendo o espelho da sociedade e vice-versa, a sua importância está na capacidade de questionar as convenções, interpretações e comportamentos construídos pela sociedade e apresentar perspectivas novas a fim de dar continuidade à construção da sociedade evitando as posturas e atitudes cristalizadas. Em relação a crianças e adolescentes sua contribuição se dá pela formação de novas gerações capazes de superar os limites de seu desenvolvimento e das experiências já adquiridas. Para Cademartori (1994, p. 22-23),

A obra literária recorta o real, sintetiza e interpreta-o através do ponto de vista do narrador ou do poeta. Sendo assim, manifesta, através do fictício e da fantasia, um saber sobre o mundo e oferece ao leitor um padrão para interpretá-lo. Veículo do patrimônio cultural da humanidade, a literatura se caracteriza, a cada obra, pela proposição de novos conceitos que provocam um subversão do já estabelecido.

Ainda para Cademartori (1994), a literatura infanto juvenil, se constitui com instrumento de formação conceitual e de emancipação da manipulação d sociedade sobre crianças e adolescentes, torna-se um meio de superação da dependência porque possibilita a formação e reformulação de conceitos e a construção de um pensamento autônomo. Sem a preocupação pedagógica no uso da literatura infanto-juvenil, crianças e adolescentes terão acesso à leitura de temas como sexualidade, violência contra mulheres, crianças e idosos, racismo, modelos econômicos e políticos, entre outros, fazendo a interpretação destes e não apenas visualizando a seqüência de fatos de modo que, segundo a autora, “[...] põe a descoberto os conflitos que o texto, numa leitura ingênua e superficial, encobre” (1994, p. 24).

A literatura escrita para crianças e jovens caracteriza-se pela presença de elementos como ludicidade, criatividade, brincadeira, melodia, utilização dos recursos lingüísticos, imaginação, ficção, entre outros. Ou seja, elementos próprios do universo infanto-juvenil que deverão ser explorados com arte e responsabilidade, sem subestimar capacidade das crianças e adolescentes e contribuindo para que estas encontrem caminhos para a solução de seus conflitos vivenciais e emocionais. Outra característica fundamental a obras infanto-juvenis é a contextualização histórica da realidade, de modo que crianças e jovens olhando o passado, redimensionem o presente e projetem seu futuro, além do encontro com diferentes pontos de vista, com os quais crianças e jovens possam confrontar suas idéias e vivências e assim desenvolvam seu senso crítico.

3.1 Formando leitores

O avanço reflexivo da sociedade e a tomada de uma postura crítica diante dos fatos fazem com que a literatura infantil seja um dos meios que as crianças necessitam para tornar-se “bons leitores.”

Atualmente, a literatura infantil está sendo contada e trabalhada na maioria das Instituições Escolares, visando explorar seu “Cunho Formativo”, ou seja, possibilitando a fruição dos indivíduos, considerando os fatores psíquicos e emotivos como imprescindíveis para o desenvolvimento e a transcedência cognitiva dos seres. Desta forma, sua cognição torna-se cada vez mais apurada e seletiva, exigindo cada vez mais, melhores livros, isto porque estes livros ajudam no desenvolvimento e na compreensão da leitura dos alunos.

Segundo o autor Frank Smith quanto mais lemos, mais nos tornamos eficientes na leitura, e através dela aprendemos a escrever: “Quanto mais as criança lêem, mais aprenderão a ler”. (Smith, 1991, p. 178). E o autor confirma sua fala mais de uma vez no seu livro:

“Quanto mais lemos, mais somos capazes de ler. O aprendizado da leitura começa com uma palavra e um tipo de texto de cada vez, continua com uma palavra e um texto de cada vez, e o aprendizado jamais cessa. (...) A cada vez que novo texto é lido, algo novo tende a ser aprendido sobre ler diferentes tipos de texto.”

Além de repetir sua idéia, Smith busca apoio em outros autores com mesmo ideal que o dele: “A experiência na leitura leva a mais conhecimento sobre a própria leitura. Não é surpreendente, portanto, que estudantes que lêem muito tendam a ler melhor”. (Anderson, Hiebert, Scott e Wilknson apud Smith, 1991, p.212).

Os autores mostram como pessoa que lêem bastante, elas ficam mais espertas através de sua leitura, e cada vez mis, aprendem a escrever melhor:

“O tipo de leitura que familizaria mis as com a linguagem escrita é o de histórias coerentes, indo destes, itens em jornais e revistas até contos de fadas tradicionais, histórias de fantasmas e aventuras, histórias do mundo e lendas. Todos estes tipos de historias são verdadeiramente linguagem escrita produzidas com uma finalidade em um meio convencional e distinto da memória dos textos escolares [...] (Smith, 1991, p.243.

Em geral, a literatura aborda a realidade social, exibindo em seus valiosos escritos, os anseios e os desejos momentâneos, variando de contexto para contexto. Esse novo ideal literário possibilita um alargamento de horizontes, já que oportuniza aos indivíduos uma posição crítica perante os problemas por eles percebidos, pois “Ler é atribuir diretamente um sentido a algo escrito, [...] é questionar algo escrito como tal a partir de uma expectativa real; [...] é ler escritos reais, que vão desde um nome de uma placa até um livro, passando por um cartaz, uma embalagem, um jornal, um panfleto, [...] é lendo de verdade, desde o início, que alguém se torna leitor e não aprendendo primeiro a ler.” Contudo, essa abertura e alargamento de horizontes variam de acordo com a sensibilidade que cada indivíduo possui frente à literatura, seja ela baseada na ficção ou na realidade. Dependendo da sensibilidade que as crianças possuem diante da literatura infantil, certamente abrem-se inúmeras virtualidades cognitivas do texto, pois como ser singular tem reais condições de estarmos interpretando de maneiras diversas os textos literários que nos são apresentados. Essa postura é riquíssima para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, para que elas possam constituir-se cada vez mais como seres humanos reflexivos e críticos.

Diante dos fatos mencionados, evidencia-se claramente que os leitores necessitam estar mantendo um intercâmbio constante entre o texto e o mundo, pois os textos não possuem somente uma resposta, uma única visão. Esta visão única pode ser percebida mais claramente nas fábulas e, portanto, a postura crítica-reflexiva do leitor torna-se imprescindível. Geralmente elas são contadas com o intuito moralizante, pois “... uma fábula parece ser [...] uma narrativa na quais seres irracionais, e algumas vezes inanimados, com a finalidade de dar instrução moral, simulam agir e falar com interesses e paixões humanas.”

Assim sendo, é interessante lermos fábulas às crianças para que elas possam estar discernindo a índole dos mais diversos personagens que nelas se encontram, já que as fábulas não permitem variações interpretativas. A fábula “A cigarra e a Formiga”, coloca a Cigarra como um personagem que queria se aproveitar do empenho e da preocupação que a formiga tinha para com o seu futuro. Assim, ela cantou durante todo o verão, enquanto a formiga trabalhava. No inverno, voltou-se para a formiga pedindo os alimentos que a mesma reservara para passar os temidos meses de inverno.

Atentando nossos olhares para esse enredo, que busca enfatizar a necessidade de se pensar no futuro, questiona se estes personagens são realmente malévolos? Eles não estariam apenas respeitando a lei da natureza para que pudessem continuar sobrevivendo? Não é justo que cacem? Que tentem se alimentar? É... Somente contar a fábula às crianças e mostrar uma só verdade faz com que elas aceitem tudo. Não precisam estar pensando em novas possibilidades, pois já lhes foi apresentada a “verdade” pelo professor. Por isso, ressalvo novamente que a postura crítica-reflexiva é extremamente relevante na formação cognitiva das crianças, e esta deve partir primeiramente do professor, para em seguida, despertar as potencialidades reflexivas dos seus alunos. Assim, a criticidade estará presente nas aulas de literatura, sem que se perca o encanto e o brilho dos contos de fadas e das fábulas.

3.2. A leitura e público infanto-juvenil

Há algum tempo tem sido foco de estudos e produções acadêmico-pedagógicas (basta, para isso, verificar o que, desde a década de 80, e até um pouco antes disso, têm-se publicado a respeito) questões que tratem de metodologias renovadoras, entre crianças e adolescentes, quanto à prática da leitura. Essas reflexões têm tido como intuito, especialmente, pensar a leitura (e a literatura) como uma ferramenta passível de ser aplicada sem redundar numa educação “programada, repetitiva e monótona que transforma o interlocutor no objeto passivo de sua modelagem”. Ora, se os rumos de uma nova educação, em todos os níveis, indicam que o escolar, enquanto sujeito interativo no espaço social deve ser reconhecido em sua essência, história e cultura são importantes resgatar algumas discussões que tratem de que diretrizes sociais promoveram tais reflexões.

Com isso, a literatura destinada aos leitores jovens tornou-se um instrumento que aliado à pedagogia era capaz de modelar cada criança de forma que atendesse às necessidades da engrenagem social, condicionando-a a um novo papel que deveria ser desempenhado. A instituição propagadora e articuladora desse processo, por sua vez, foi à escola. No cumprimento de:

“(...) uma tarefa explícita, o que evidencia porque toda a visão burguesa de transformação passa inevitavelmente pelo filtro do sistema escolar e da teoria pedagógica. Pois é a esta práxis – que, em princípio, funda-se numa formação de mentalidades, ou seja, numa imposição de ideologias – que se confia à regulagem do organismo, segundo uma mecânica que se faz por meio de avaliações contínuas e de um relevo especial dado à educação”. (ALTHUSSER três apud ZILBERMAN, 1986. p.19)

E eis que aí surge um ponto chave abordado pelas autoras para pensar como o discurso e a fala, elaborados numa tentativa de expressar mimeticamente o pensamento do próprio leitor a quem se direciona, é constituída de artificialidade, pois servem de instrumento de propagação ideológica. Fato que, mesmo nas produções contemporâneas, de acordo com Khéde (1986, p. 18) reflete uma relação de autoridade, tal qual aquela que deu sua origem, com o intuito de estabelecer uma norma familiar burguesa, mesmo que lúdica, porém pedagógica e moralista. Para pensar nisso vale reproduzir o que diz Machado: “(...) Quando se focaliza literatura para crianças, é costume afastar a luz do texto e fazê-la incidir sobre o receptor (...) Confunde-se estética com ética, literatura com educação e acaba não se fazendo nem uma coisa nem outra. E já é mais do que de acordo com ZILBERMAN, “Louis Althusser, em seu ensaio “Aparelhos Ideológicos do Estado”, discute este papel da escola com inculcadora da ideologia dominante. Parece-nos que o problema tem uma maior abrangência, na medida em que a escola substitui a luta pela mudança na sociedade, acreditando que se possa proceder à transformação dentro e a partir da sala de aula, numa promoção do valor revolucionário da educação e do saber universal. “Em outras palavras, ela torna-se o lugar por excelência da modificação, impedindo, portanto, que esta possa ocorrer no âmbito mais amplo da atividade política.

Mesmo décadas depois, já nos anos 70 e com “modificações substantivas que alteraram o panorama cultural” (ZILBERMAN, 1984. p. 13) brasileiro, no que cabia aos estudos literários, fechados em centros especializados, o trato com a literatura não melhorou e tampouco se conduziu por trilhas menos questionáveis:

“(...) o ensino de literatura estratificou-se num conservadorismo que se limitava à imposição de uma história literária centrada nos “clássicos de antologia” e nas escolas literárias, e tendo as análises estruturalistas como via comum de abordagem desses textos. Assim, a leitura literária esvaziou-se do contexto geral em que as obras são produzidas, da visão de mundo dos autores, da experiência existencial que eles nos transmitem ou coloca em debatem, o que esterilizou o aspecto mais vivo e formativo da literatura. Os críticos informais foram substituídos por especialistas que usam um jargão incompreensível para os não-especialistas, afastando ainda mais o público da literatura. Além disso, não havia interesse em pesquisar uma nova pedagogia da leitura literária, a fim de atender o público cada vez mais heterogêneo que ingressava nas escolas (...)” (FARIA 1999. p.10)

Assim, estava estabelecida a “crise da leitura”, que apontada como um fator preocupante, produto da mal engendrada fórmula de condução da leitura no processo escolar, dava-se início, nos anos 80, a uma nova discussão a fim de pensar a literatura, especificamente a dirigida a crianças e adolescentes, como um objeto estético que despertasse prazer e interesse, que mobilizasse, e fosse capaz de alimentar uma cumplicidade com o leitor, fazendo desse momento, o momento da leitura, também um ato de fruição.

Esse novo processo de discussão e investigação permitiu, por sua vez, como informa Faria (1999, p.12), que uma nova pedagogia da literatura, fosse, enfim, pensada, discutida, estabelecida e adotada pelos PCN com o intuito de contribuir para que a escola se constituísse num espaço que modificasse a representação dos jovens em relação ao saber escolar:

“(...) o saber difundido na escola, em geral, é visto como um amontoado de conteúdos, com pouca relação com a realidade em que vivem, não despertando interesse, nem oferecendo referencias culturais”” (Introdução, 1998, p.124 apud FARIA, 1999. p. 12)

Assim, tornou-se ponto comum que a literatura não deve servir a uma prática de manipulação social, engendrada no sistema escolar brasileiro, e baseada na modulação de pessoas em detrimento de suas características socioculturais.

Contudo, ainda que delimitada uma problemática e, na teoria, tenham sido estabelecidas uma série de medidas que devem ser revistas ou adotadas quanto à prática da leitura, no que se refere ao caráter modelador dado à literatura ao longo da história das instituições escolares e ao seu uso vazio de significado, esse problema parece longe de seu fim, pois, ainda:

“(...) os índices de leitura denunciam as deficiências do ensino e dos níveis de compreensão de textos na sociedade em geral (...). Do período colonial ao colonialismo disfarçado da contemporaneidade, o Brasil tem guardado uma persistente memória de descaso com a leitura. Respeitadas algumas ilhas de batalhas vitoriosas contra a ignorância e a incultura livresca, o país padece de resultados sempre inferiores aos índices mínimos desejados para uma sociedade leitora”. (COSTA, 2006. p. 70)

Conclusão

Começamos esta conclusão com a frase de Freire “Todo ser humano é inacabado, porque não há ninguém plenamente educado, estamos sempre sendo educado”, esta é a mais pura verdade.

Por meio das discussões neste trabalho abordadas, verificamos que há muito a literatura, especialmente a infanto-juvenil, tem sido usada como instrumento de conformação ideológica. E a escola, por sua vez, ainda que se tenha dado início a inúmeras discussões de como as práticas educativas devem ser trabalhadas de forma a favorecer o crescimento intelectual e a formação crítica a respeito das dinâmicas do mundo, no papel de principal meio de veiculação da leitura, e com ela, evidentemente, da literatura, na prática, pouco reconsiderou os perigos ou intenções de alguns discursos amplamente reproduzidos em seu espaço por meio dos textos. Isso se deve, especialmente, ao fato de que, ainda hoje, muitos dos docentes não reconhecem, identificam ou refletem a respeito daquilo que por meio de algumas leituras estão divulgando aos seus leitores em formação. E se isso não o fazem, é porque, na maior parte das vezes, simplesmente, não sabem e por isso não podem fazê-lo. Fato que decorre da deficiência na formação estudantil brasileira em todos os níveis da educação, uma vez que, esperaríamos, ao menos daqueles com nível universitário ou superior, uma maior atuação reflexiva e crítica diante daquilo que se trabalha em sala de aula.

Esse fato gera alguns graves problemas, pois, a instituição escolar, ao trabalhar didaticamente textos literários que se dispõe como veículos de “pasteurização” ideológica e conformação moralizante, contribuem para a deformação do senso crítico, para o esvaziamento das discussões, para o afastamento da arte e para o nivelamento do pensamento. Por outro lado, sabemos que nem tudo é matéria pedagogizante, aliás, reconhecemos não raro em nossa história, quais são as grandes obras, nacionais e estrangeiras. Essas servem igualmente de instrumento para as práticas escolares. No entanto, ainda assim, temos uma falha, aquela mesma falha já apontada na formação da maioria de nossos educadores, que não os permite trabalhar nem de forma crítica com o que é ruim nem de forma adequada com o que é bom. Cria-se assim um abismo entre o leitor que se pretende formar e a obra, pois o mediador o faz ora de modo acrítico, às vezes, inclusive, utilizando-se do discurso de que os alunos gostam como justificativa para sua falta de comprometimento com o uso de um material de qualidade, ora de modo desestimulante, pouco interessante, vazio e artificial em seu valor.

Infelizmente, os problemas não cessam aí, se a instituição escolar, por meio da mediação do docente, não sabe com o que trabalha, também não sabe com quem trabalha. Ela não reconhece seu público, pouco sabe a respeito de seu perfil, mas não enquanto grupo coeso, pois estatisticamente é fácil saber: quantos meninos ou meninas há; se pertencem à classe a, b, c ou d, se isso ou se aquilo... Mas no interior desses grupos, que se diluem em sala, não há o diagnóstico de suas peculiaridades, de suas características essenciais. Assim, até mesmo para os professores, ainda que não muitos em termos de Brasil, preparados para lidar com o “instrumento”, sem reconhecer o terreno, é difícil alcançar o aprendiz.

Dessa forma, reconhecemos que para uma abordagem adequada, ou menos equivocada de se trabalhar a literatura em todos os seus aspectos, especialmente com o intuito de se formar um verdadeiro leitor, autônomo e reflexivo em sua jornada com a escrita, é necessário um longo caminho. Esse caminho começa, no caso do mediador, na adequação de sua formação docente, no investimento em pesquisas que tratem de como a leitura e a literatura devem ser praticadas em sala. É preciso também que esse, como formador de leitores, seja igualmente um leitor, para que não se torne “refém” das fichas de leitura ou das resenhas dos catálogos de divulgação das editoras. É fundamental, pois que o professor tenha condições de por si só avaliar aquilo que indica e trabalha com seus alunos. Quanto ao leitor, o caminho começa na base de sua educação, ou seja, desde criança. Que a ele seja dada a oportunidade de demonstrar seus desejos e expectativas, que seja reconhecido em sua individualidade, mas que seu “desconhecimento” a respeito do que o cerca não vire desculpa para um trabalho medíocre, pobre em seu valor. Um trabalho eficiente levará a opinião do jovem leitor em consideração, mas o fará a partir de experimentações em que ele mesmo possa reconhecer as camadas (e as “não-camadas”) de leituras que envolvem um texto. É um trabalho paulatino, desse modo, que considera o sentido da identificação, mas que não se esvazia enquanto prática reflexiva.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 8ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980, p. 54.

COELHO, Nelly Novaes. A literatura Infantil: teoria, análise, didática. 1ª ed. São Paulo: Moderna, 2000, p. 19/20.

COSTA, Marta Morais da. Mapa do mundo: crônicas sobre leitura. Belo Horizonte: Editora Leitura, 2006. (Coleção leitura & leitores).

FARIA, Maria Alice. Parâmetros curriculares e literatura: as personagens de que os alunos realmente gostam. São Paulo: Contexto, 1999.

JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994, p. 15.

ZILBERMAN, Regina. O lugar do leitor na produção e recepção da literatura infantil. In: KHÉDE, Sônia Salomão. (Org.). Literatura infanto-juvenil: um gênero polêmico. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1986. (Novas Perspectivas, 18).

_______. Literatura infantil: livro, leitura, leitor. In: _______. A produção cultural para a criança. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1990. p. 93-105.