Trabalho Completo Gestao Financeira Mpes

Gestao Financeira Mpes

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Categoria: Negócios

Enviado por: Mariana 01 dezembro 2011

Palavras: 18435 | Páginas: 74

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nsinamentos para a vida. Aos meus colegas do curso de Contabilidade pela força e nossas amizades. Em especial ao meu irmão de coração João Filho (in memorian) que onde estiver torce por esta conquista. .

“De tudo, ficaram três coisas: A certeza de que estamos sempre começando... A certeza de que precisamos continuar... A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar... Portanto devemos: Fazer da interrupção um caminho novo... da queda um passo de dança... do medo, uma escada... do sonho, uma ponte... da procura, um encontro..."

Fernando Pessoa

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RESUMO

O presente trabalho foi desenvolvido a partir da concepção de que a gestão financeira é de fundamental importância para as micro e pequenas empresas. Consiste em um estudo de caso descritivo, tem como objetivo analisar o modelo de gestão financeira da empresa Temperos Tina, no Município de Crateús/CE, de modo a identificar se as práticas de administração financeira desenvolvidas pela empresa são apropriadas. O estudo inicia-se com uma fundamentação teórica sobre a contextualização das micro e pequenas empresas no Brasil, destacando a definição das micro e pequenas empresas, sua importância na economia brasileira, os fatores condicionantes do sucesso dessas empresas. Em seguida é feita uma abordagem teórica da gestão financeira nas micro e pequenas empresas, com ênfase na Tesouraria e Controladoria. Na tesouraria enfoca o gerenciamento financeiro que inclui capital de giro, gestão de estoques, gestão de caixa e bancos, gestão de contas a receber e a pagar, gestão de fluxo de caixa e o gerenciamento de resultados. Na controladoria, enfatiza auditoria interna, custos, análise e formação de preços e o lucro. Além disso, faz também uma abordagem sobre o sistema SEBRAE, destacando o seu fundamento constitucional, infraconstitucional e a sua atuação em âmbito estadual e nacional. Com base nessa fundamentação teórica, foi possível proceder à análise documental e a elaboração do instrumento de pesquisa para a coleta dos dados junto ao gestor da indústria Temperos Tina, no Município de Crateús/CE. Os resultados da pesquisa demonstram que no modelo de gestão financeira da indústria Temperos Tina há necessidade de integrar todo o seu sistema de informática, modificar algumas práticas financeiras utilizadas e adotar a gestão do fluxo de caixa como uma ferramenta gerencial no processo de tomada de decisões. Palavras-chave: Indústria, Gestão financeira, Fluxo de caixa.

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ABSTRACT

This work was developed from the conception that financial management is essential for the micro and small enterprises. It consists in a descriptive case study, which aims to analyze the financial management model used by Temperos Tina, in Crateús- CE, in order to identify if the financial management methods developed by the company are appropriate. A theoretical foundation about the contextualization of micro and small enterprise in Brazil is shown at first, focusing the definition of this kind of companies, its role in Brazilian economy and the conditioning factors related to the success of these enterprises. Then, a theoretical approach on financial management in such companies is done, with focus on treasury and controllership. Treasury focuses financial management which includes working capital, inventory, cash and bank management, payable and receivable accounts balance, cash flow and outcomes management. The controllership emphasizes internal audit, costs, analysis and formation of prices and profits. Besides, it approaches the SEBRAE system, featuring its constitutional and under constitutional foundation and its actuation on State and National spheres. Based on this theoretical foundation, it was possible to proceed with the documental analysis and the elaboration of a research tool for data collection along the Temperos Tina main manager, in Crateús-CE. The results of this research show that the model of financial management used by the reported company needs to integrate the entire technology information system and modify some financial methods used, also adopt the cash flow as a management tool in the making decisions process. Key words: Industry Financial Management, Cash Flow,

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LISTA DE SIGLAS

AC - Ativo Circulante AP – Ativo Permanente ARLP – Ativo Realizável a Longo Prazo AUDIBRA – Instituto dos Auditores Internos do Brasil BB – Banco do Brasil BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social CCL – Capital Circulante Líquido CEF – Caixa Econômica Federal CPV – Custo dos Produtos Vendidos DIESSE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos EPP – Empresa de Pequeno Porte FENACON – Federação Nacional das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS – Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social ME - Microempresa MPE’s - Micro e Pequenas Empresas PELP- Passivo Exigível a Longo Prazo RAIS – Relação Anual de Informações Sociais SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas SIMPLES- Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Micros Empresas de Pequeno Porte SPC – Serviço de Proteção ao Crédito TI – Tecnologia da Informação

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LISTA DE TABELAS E QUADROS

TABELA 1: Taxa de Mortalidade das MPE’s por regiões no Brasil 22

QUADRO 1: Critério e Classificação MPE’s de Acordo com o SEBRAE QUADRO 2: Fatores Chave de Sucesso nas MPE’s QUADRO 3: Estrutura Básica de uma DRE QUADRO 4: Estrutura do Mapa Estratégico do SEBRAE QUADRO 5: Estrutura Organizacional QUADRO 6: Conceitos Econômicos e Financeiros

17 23 37 46 52 56

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 12

1.CONTEXTUALIZAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL 1.1 Definição de Micro e Pequenas Empresas 1.2 Importância das Micro e Pequenas Empresas na Economia Brasileira 1.3 Fatores Condicionantes ao Crescimento das Micro e Pequenas Empresas

16 17 19 21

2. GESTÃO FINANCEIRA NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS 2.1 Tesouraria 2.1.1 Gerenciamento Financeiro 2.1.2 Gerenciamento de Resultados 2.2 Controladoria 2.2.1 Auditoria Interna 2.2.2 Custos 2.2.3 Análise e Formação de Preços 2.2.4 Lucro

25 27 29 35 37 38 39 40 41

3. SEBRAE 3.1 Fundamento Constitucional 3.2 Fundamento Infraconstitucional 3.3 Atuação do Sistema SEBRAE 3.4 Atuação do SEBRAE Nacional 3.5 Atuação do SEBRAE nos Estados

42 42 43 44 47 47

4. METODOLOGIA 4.1 Natureza da Pesquisa 4.2 Instrumentos de Investigação 4.3 Perfil do Entrevistado 4.4 Caracterização da Empresa 4.5 Estrutura Organizacional da Microempresa

49 49 51 51 51 52

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5. ANÁLISE DA GESTÃO FINANCEIRA NA INDÚSTRIA DE TEMPEROS TINA 54 5.1 Capital de Giro 5.2 Gestão de Caixa e Bancos 5.3 Gestão de Estoques 5.4 Gestão de Contas a Receber 5.5 Gestão de Contas a Pagar 5.6 Gestão de Fluxo de Caixa 54 54 56 57 59 60

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

63 67

ANEXOS Questionário da Pesquisa 68

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INTRODUÇÃO

Desde a Revolução Industrial, o uso de novas tecnologias de produtos e processos foi alterando-se, o que se refletiu no modo de produzir, como também o próprio modo de gerenciar a atividade econômica. Nessa perspectiva, a palavra de ordem para quem inicia ou pretende se manter em um negócio passou a ser a busca de vantagens competitivas. Não é mais suficiente se estabelecer no mercado para garantir a sobrevivência empresarial, é preciso identificar as oportunidades e ameaças, os pontos fortes e fracos da organização. Considerando essas mudanças de perspectiva por parte dos empreendedores e administradores, assim como de perfil dos negócios, as transformações que se verificam no mercado de trabalho são reflexos das alterações que ocorrem na própria estrutura econômica mundial. A ação empreendedora é fundamental para um desenvolvimento de um país, uma vez que é por meio dela que as riquezas são geradas. Os indivíduos que abrem um negócio são considerados empreendedores por oportunidade, necessidade ou por opção. Dessa forma, as micro e pequenas empresas que desejam crescer, de forma estruturada e com boa saúde financeira, devem estar constantemente atentas à gestão das finanças. Torna-se necessário que o gestor estabeleça políticas e utilize práticas de gestão financeira que permitam à empresa conduzir seus negócios e aproveitar oportunidades. Esse cenário evidencia que a organização e administração financeira são sempre componentes indispensáveis para o desenvolvimento de qualquer empreendimento, pois através das práticas da administração financeira nas micro e pequenas empresas é possível ampliar o lucro, manter os fluxos das entradas e saídas de caixa sob controle e conhecer antecipadamente as épocas em que faltarão ou sobrarão numerário. Além disso, uma administração financeira adequada permite obter novos recursos para planos de expansão, com base em estudos de viabilidade econômica e financeira. Quando tratamos das micro e pequenas empresas, o suporte na área contábil-administrativa e financeira pode ser o fator responsável pelo sucesso ou falência desse empreendimento. Outros fatores como a complexidade nas legislações brasileiras, na burocracia existente e a própria falta de organização financeira da empresa, são aspectos que contribuem também, para o insucesso da empresa.

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Assim, numa perspectiva breve e realista parece existirem dois mundos completamente diferentes, de um lado as grandes corporações envolvidas numa evolução constante buscando inovações, desenvolvendo novas teorias administrativas, derrubando paradigmas e instituindo outros. De outro lado, as MPE’s limitadas a conceitos ultrapassados, com visão míope do atual modelo econômico e pouco utilizando recursos de Tecnologia da Informação (TI). Num contexto de alta competitividade de produtos e de um mercado consumidor exigente, uma empresa bem organizada e conhecedora de seus limites financeiros, estará mais preparada para se adaptar às mudanças internas e externas e assim poderá responder com mais rapidez ao mercado consumidor. A Administração Financeira é de grande valia para as empresas de pequeno e médio porte, tendo em vista que para que tenham um desempenho satisfatório é fundamental o uso de práticas financeiras apropriadas. Diante do exposto, analisar o modelo de gestão financeira da empresa em estudo pode oferecer uma visão sobre o seu gerenciamento financeiro e o grau de sintonia entre as práticas financeiras adotadas e as exigências impostas pelo atual mercado globalizado. Esta pesquisa aborda o modelo de gestão financeira adotado por uma determinada empresa analisando suas práticas sob a visão de um referencial teórico. Esse estudo se justifica pelo fato de que vivemos numa era de transformações rápidas. A globalização da economia, a crescente concorrência, a rápida obsolência tecnológica, as mudanças econômicas, políticas e culturais são fatos que influenciam diretamente o mundo dos negócios. O planejamento e o controle dos recursos financeiros das empresas no atual momento econômico tornaram-se uma das maiores preocupações das empresas, principalmente das micro e pequenas empresas que de acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2005), representam em conjunto 99,2% das empresas formais no Brasil. O sucesso empresarial demanda cada vez mais do uso de práticas financeiras apropriadas. Dispor de informações precisas e atualizadas é fundamental para uma empresa sobreviver cada vez mais num mercado competitivo e estabelecer uma correta tomada de decisões por parte dos gestores de micro e pequenas empresas. A contribuição teórica para este estudo consiste no fato de que os trabalhos que trata da gestão financeira nas micro e pequenas empresas são escassos. A gestão financeira tem se tornado uma ferramenta eficaz para minimizar os efeitos das incertezas relativas a qualquer ramo de negócio e assim promover a longevidade organizacional. A contribuição teórica está, portanto, em

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identificar e analisar os conceitos e práticas financeiras, a um campo de estudo específico, a Indústria Temperos Tina, situada no Município de Crateús – CE. A contribuição prática da realização desta pesquisa é percebida na medida em que se necessita identificar, de maneira competitiva, elementos objetivos que ajudem a Indústria Temperos Tina a se estabelecer no mercado. Portanto, a importância da pesquisa está em demonstrar que a gestão financeira favorece a eficiência e a eficácia dentro de todos os setores, funcionando como um fator controlador de receitas, despesas e de obtenção de recursos, para que as MPE’s se mantenham ativas no mercado, podendo assim garantir a competitividade. Partindo do exposto, o trabalho tem como objetivo geral analisar as práticas utilizadas para a gestão financeira de uma indústria sob o método de estudo de caso. Com base no objetivo geral, elaboram-se os seguintes objetivos específicos deste trabalho: a) Identificar e analisar as práticas financeiras adotadas pela Indústria de Temperos Tina no Município de Crateús-CE; b) Compreender o funcionamento dos departamentos da indústria, a sua interação e impacto de suas atividades quanto ao planejamento do fluxo de caixa. c) Verificar se as recomendações estabelecidas pelo SEBRAE estão de acordo com as práticas financeiras adotadas pela empresa em estudo. As Hipóteses estabelecidas para este trabalho são de que: a) A empresa em estudo não faz uso de um planejamento financeiro, não havendo qualquer relativa previsão dos eventos financeiros. b) A utilização do sistema de Fluxo de Caixa orçado não é adotado, portanto a empresa se restringe a efetuar registros de movimento de caixa. c) As práticas financeiras estão sendo suficientes para um gerenciamento financeiro e que apenas requer um aprimoramento. Esse trabalho trata-se de um estudo de caso realizado em uma Indústria em estudo com vista à caracterização do modelo de gestão financeira adotado. A metodologia da pesquisa efetivada no presente estudo caracteriza-se por ser: qualitativa, descritiva, estudo de caso, questionário e bibliográfica.

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Para atingir os objetivos específicos realizaram-se instrumentos característicos de uma pesquisa qualitativa com o gestor da empresa, no qual “tem o objetivo de alcançar uma compreensão qualitativa das razões e motivações subjacentes em um determinado problema de pesquisa” (ROSALEN; SANTOS, 2004, p.9). A pesquisa bibliográfica caracterizou-se por ser feita coleta de informações através de análises em livros, internet e artigos e revistas. Realizou-se também um estudo de caso descritivo, em que foi feita análise documental, observação sistemática e fazendo-se o uso de coletas de dados através de questionário. Os aspectos metodológicos deste trabalho serão abordados com mais profundidade em seção específica deste trabalho. O presente trabalho foi estruturado em cinco capítulos. Onde o primeiro capítulo inicia-se com o conceito de micro e pequena empresa, bem como sua importância na economia brasileira e apresenta uma discussão sobre os fatores condicionantes do sucesso das micro e pequenas empresas. O segundo capítulo faz uma abordagem sobre a gestão financeira nas micro e pequenas empresas, com ênfase nos processos de administração financeira: a tesouraria e a controladoria. Em seguida, faz incursão teórica sobre a tesouraria, caracterizando as ferramentas do gerenciamento financeiro (capital de giro, gestão de caixa e bancos, gestão de estoques, gestão de contas a receber, gestão de contas a pagar e gestão do fluxo de caixa e gerenciamento de resultados). Enfoca, também, os elementos caracterizadores da controladoria. O terceiro capítulo faz um estudo sobre a atuação do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) no desenvolvimento das micro e pequenas empresas no Brasil. O quarto capítulo aborda a metodologia utilizada neste estudo enfocando a natureza da pesquisa, os instrumentos de investigação, o perfil do entrevistado e em seguida descrevendo a estrutura organizacional da empresa. Por último são apresentadas a descrição, a análise dos dados e a conclusão do estudo realizado.

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1 CONTEXTUALIZAÇÃO DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS NO BRASIL

As micro e pequenas empresas, empreendimentos com flexibilidade, capacidade de adaptação rápida a alterações do cenário econômico e se constituindo em agentes de mudança, assumem importância ascendente no processo de desenvolvimento, estas por sua vez, tornam-se a cada momento, de acordo com o SEBRAE (2003), mais representativas em todo mundo, tomando conta dos mercados globalizados e respondendo pela maior parte dos empregos oferecidos em todo mundo. De acordo com Pinto (2002) as micro e pequenas empresas estão cada vez mais conquistando espaço, extraindo fatias de mercado que antes pertenciam às grandes organizações. Esse fato é devido a vários motivos, tais como: micro e pequenas empresas possuem mais agilidade, objetivos menos complexos, obedecem ao princípio “cliente individual”, comunicação interna mais ampla e burocracia em menor escala. Devido ao alto grau de dinamismo presente no atual cenário econômico, as alterações no ambiente podem atingir as empresas de forma diferenciada de acordo com o seu porte, além de gerarem um aumento da competitividade. “As MPE’s estão mais vulneráveis e menos estruturadas para reagirem a esses impactos, diferenciam-se das grandes empresas em vários aspectos, não podendo ser tratadas da mesma forma” (WALSH e WHITE, 1981, p. 12; RESNIK, 1990, p. 76). As dificuldades que afetam as MPE’s podem ser enquadradas nas categorias mais diversas como gestão, ambiente, governo, empreendedorismo, recursos humanos, tecnologia da informação (TI) e produção (IBGE, 2003; TAVARES, 2000; MARTENS E FREITAS, 2002 e SEBRAE, 2003). Segundo Neto e Júnior (2006) o mercado brasileiro é caracterizado pela presença de empresários empreendedores, que buscam obter êxito em suas investidas num ambiente permeado de complexidade. Apesar de acreditarem ser uma tarefa fácil, apenas pequena parte dos empreendedores brasileiros logram êxito em suas investidas como gestores. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), através de suas pesquisas sobre as taxas de mortalidade dessas empresas, revela que a falta de experiência e a carência de orientação técnica especializada enquadram-se como algumas das dificuldades enfrentadas pelas MPE’s. Percebe-se, então, que apesar de existir fatores condicionantes à sobrevivência dessas empresas, estas tem contribuído bastante para alavancar a economia do país.

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De acordo com o SEBRAE (2005) no Brasil, surgem cerca de 460 mil novas empresas por ano. A grande maioria é de micro e pequenas empresas. As áreas de serviços e comércio são as com maior concentração deste tipo de empresa. Cerca de 80% das MPE’s trabalham nesses setores. Quanto ao crescimento e desenvolvimentos das MPE’s, segundo Indriunas (2008) desde os anos 90, grandes empresas instaladas no Brasil, acompanhando uma tendência mundial, incentivaram o processo de terceirização de áreas que não são consideradas essenciais para o seu negócio. Assim, começaram a surgir empresas de segurança patrimonial, de limpeza geral. Além disso, outras empresas menores, tentando fugir dos encargos trabalhistas altíssimos do país, optaram por dispensar seus funcionários e contratar micro e pequenas empresas. O Estatuto da micro e pequena empresa do Brasil, de 1999, já começou a facilitar essa política empresarial.

1.1 Definição de Micro e Pequenas Empresas

Segundo Montaño (1999), a microempresa é fruto de uma política de desburocratização, iniciada em 1979, para agilizar o funcionamento dos pequenos organismos empresariais. Mas seu reconhecimento foi somente em 1984 com a promulgação da Lei nº 7.256, conhecida como a Lei do Estatuto da Microempresa. Com ela os pequenos comerciantes passarem a ter benefícios como a simplificação do registro de empresas, a diminuição das exigências previdenciárias e trabalhistas em relação aos seus empregados, isenção de tributos além do apoio creditício. Há algumas limitações básicas para que uma empresa seja considerada micro ou pequena empresa (MPE’s) no Brasil e, assim, usufruir de algumas vantagens desse status como, por exemplo, a inclusão no Super Simples. Atualmente, há pelo menos três definições utilizadas para classificar uma pequena ou micro empresa. A definição, mais comum e mais utilizada, é a prevista na Lei Geral para Micro e Pequenas Empresas (LC 123 de 2006). De acordo com essa lei, as microempresas são as que possuem um faturamento anual de, no máximo, R$ 240 mil por ano. As pequenas são definidas como empresas que devem faturar entre R$ 240.000,01 e R$ 2,4 milhões anualmente. Outra definição vem do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2002). A entidade utiliza como parâmetro, para conceituar microempresa e empresa de pequeno porte, o número de funcionários, conforme o quadro a seguir

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QUADRO 1: Critério e Classificação MPE’s de Acordo com o SEBRAE Atividade/Porte Indústria Comércio Serviço Fonte: SEBRAE (2002) Microempresa 1 a 19 empregados 1 a 9 empregados 1 a 9 empregados Empresa de Pequeno Porte 20 a 99 empregados 10 a 49 empregados 10 a 49 empregados

O critério de classificação das MPE’s por número de pessoas ocupadas não leva em consideração as diferenças entre atividades com processos produtivos distintos, uso intensivo de tecnologia da informação (TI) e/ou forte presença de mão-de-obra qualificada, podendo ocorrer em algumas atividades a realização de um alto volume de negócios com utilização de mão-de-obra pouco numerosa, como é o caso do comércio atacadista, das atividades de informática e dos serviços técnico-profissionais prestados às empresas. Já Órgãos Federais como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem outro parâmetro para a concessão de créditos. Nessa instituição de fomento, uma microempresa deve ter receita bruta anual de até R$ 1,2 milhão; as pequenas empresas, superior a R$ 1,2 milhão e inferior a R$ 10,5 milhões. Além da definição legal das Micro e Pequenas Empresas (MPE), é importante ter em mente qual o perfil desse micro ou pequeno empresário, que é cada vez mais importante na estrutura capitalista atual. Genericamente, seu nome é o empreendedor. As micro empresas e empresas de pequeno porte possuem dois regimes de tratamento jurídico diferenciado e simplificado: o da Lei nº 9.841 de 05/10/1999 (Estatuto a Micro e Pequena Empresa), aplicado aos campos administrativo, trabalhista, previdenciário, creditício e de desenvolvimento empresarial; e o da Lei nº 9.317 de 05/12/1996 (SIMPLES), aplicado no campo tributário. O Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro Empresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) está em vigor desde 1º de janeiro de 1997, estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art.179 da Constituição Federal de 1988. Constitui-se em uma forma simplificada e unificada de recolhimento de tributos, por meio da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta. Micro Empresa (ME), para efeito do SIMPLES, é a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais).

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Empresa de Pequeno Porte (EPP), para efeito do SIMPLES, é a pessoa jurídica que tenha auferido, no ano calendário, receita bruta superior a R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões quatrocentos mil reais). Segundo a Fenacon (2010) a Câmara dos Deputados está analisando um projeto que prevê alterações no Simples Nacional. A proposta estabelece a inclusão de todas as atividades no Simples Nacional, mudanças no valor limite de faturamento para empresas cadastradas no programa, além da proibição de cobrança do ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) nas fronteiras.

1.2 Importância das Micro e Pequenas Empresas na Economia Brasileira

As Micro Empresas (ME) e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) são, hoje, em todo o mundo e, muito fortemente, no Brasil, segmentos importantes de inclusão econômica e social. O setor tem destacada participação no acesso às oportunidades de emprego e desenvolvimento econômico do país. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2005), os novos negócios estão fortemente concentrados nas micro e pequenas empresas (MPE’s), que em conjunto, equivalem a 99,2% das empresas formais e geram 60% dos empregos. Por gerar grande parte dos postos de trabalho e das oportunidades de geração de renda, as micro e pequenas empresas tornam-se o principal sustentáculo da livre iniciativa e da democracia no Brasil. As MPE’s, empreendimentos com flexibilidade, capacidade de adaptação rápida a alterações do cenário econômico adéquam-se facilmente às mudanças econômicas, políticas e às peculiaridades regionais. Com essa fácil adaptabilidade contribuem com os avanços tecnológicos no país e com o desenvolvimento sustentável da comunidade a qual está inserida, incentivando o estímulo ao empreendedorismo. E ainda são as mais importantes fontes geradoras de tributos, alternativa de emprego formal e informal para uma grande parcela da força de trabalho excedente, que em geral possuem pouca qualificação que não encontram emprego nas empresas de maior porte (IBGE, 2003). As micro e pequenas empresas responderam por mais da metade dos empregos formais criados no país entre 2000 e 2009 (SEBRAE, 2010). Foram mais de 9 milhões de vagas abertas no período, sendo que 4,86 milhões (54%) ficaram concentradas nas pequenas empresas, conforme

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estudo do SEBRAE (2010), constante na terceira edição do Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa cujos números apresentados referem ao período de 2008 e 2009. Segundo a pesquisa, além de empregar metade da mão-de-obra do país, as micro e pequenas empresas estão cada vez mais fora das capitais. Quase sete em cada dez (69,7%) das microempresas do país estão no interior, enquanto esse número é de 61,3% no caso das pequenas. Incluindo as médias e grandes empresas, 69,1% dos estabelecimentos fogem das grandes cidades. Ainda segundo SEBRAE (2010) as regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte dessas companhias (68% e 81,3%, respectivamente) no interior. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - DIEESE diz que, esse dado reflete na maior concentração de cidades de médio e grande porte nestas regiões. Na região Norte, por exemplo, onde os mercados se concentram nas capitais, existe um equilíbrio maior entre a localização dos estabelecimentos. No que se refere ao emprego, o interior concentra 63,2% do emprego, quando considerado o conjunto dos estabelecimentos. Isoladas apenas as micro e pequenas empresas, a participação das cidades interioranas no mercado de trabalho sobe para 64,9%. Para as microempresas a ampliação foi de 3,8% ao ano, na comparação entre 2000 e 2009, enquanto nas pequenas empresas, o crescimento anual de acordo com o SEBRAE (2010), foi de 6,2%. No geral (considerando médias e grandes), o número de empresas aumentou a taxas de 4% ao ano. Desde 2003, as micro e pequenas empresas passaram dos 5 milhões de estabelecimentos formais. Do ponto de vista setorial, as micro e pequenas empresas do setor de comércio e de serviços representaram 87,5% do universo de estabelecimentos formais brasileiros. Nos serviços, essa participação foi de 29,8% para 32,2%, segundo SEBRAE (2010). A participação da indústria e da construção ficou relativamente estável no período. Ainda de acordo com o SEBRAE (2010), quando se considera a quantidade de empregos formais, verifica-se que no setor comércio, as micro e pequenas empresas responderam por 73,7% do emprego setorial em 2008. Na construção, estas empresas participam com aproximadamente 48,7% do emprego, seguindo-se dos serviços, com 42,9%, e a indústria com 42,5%.

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Segundo o DIEESE (2009), a pesquisa leva em conta as estatísticas da Rais de 2008, publicadas no Anuário do Trabalho na Micro e Pequena Empresa 2009. Os cálculos tem como referência a base de dados produzida a partir dos critérios estabelecidos pelo SEBRAE. De acordo com Lucena (2004, p. 37), “é importante ressaltar que as MPE’s que surgem hoje no Brasil são as maiores geradoras de empregos, é comum observar pessoas que deixam seus empregos para abrirem seu próprio negócio e caminham muito bem com suas empresas.” As pequenas empresas prestam contribuições singulares a nossa economia. Fornecem uma parte desproporcional de novos empregos necessários para uma força de trabalho em crescimento (LONGENECKER, MOORE e PETTY, 1997).

1.3 Fatores Condicionantes ao Crescimento das Micro e Pequenas Empresas

Apesar da crescente relevância das micro e pequenas empresas na economia brasileira, bem como seu papel social na redução das desigualdades entre indivíduos e regiões, elas, para sobreviverem ainda estão condicionadas a diversos fatores. Para Correia (2004), os principais fatores condicionantes ao crescimento do setor são: ● Difícil acesso ao crédito, por exemplo, alta taxa de juros e elevado custo de transação bancária, falta de garantias apropriadas e grau de endividamento; ● Ausência de fornecedores locais de insumos e componentes; ● Dificuldade de acesso a tecnologias, algumas delas importadas; ● Baixo nível de inovações e de qualidade dos produtos; ● Acesso a mercados, por falta de divulgação ou pelo alto custo da logística de distribuição; ● Baixo nível de informação e conhecimento; ● Baixo poder de barganha, devido ao pequeno poder de compra e reduzida parcela de mercado; ● Pouca iniciativa de ação coletiva, para aumentar as economias externas de escala (alianças e parcerias, associativismo); ● Deficiência nos sistemas de controle e planejamento financeiro;

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● Baixo nível de qualificação dos recursos humanos; ● Pouco acesso a serviços de apoio a padronização e conformidade dos produtos; ● Limitada inserção internacional. Fruto direto de tais dificuldades, é a elevada taxa de mortalidade que chega a 61% do total de micro e pequenas empresas logo no primeiro ano de atividade, de acordo com o estudo do SEBRAE (2003). Segundo esse estudo, fatores como o empreendedorismo, desconhecimento de técnicas de administração e falta de recursos financeiros são alguns dos motivos que levam as MPE’s a apresentarem as maiores taxas de mortalidade no Brasil. A tabela seguinte mostra a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas por região e no Brasil.

TABELA 1: Taxa de Mortalidade das MPE’s por regiões no Brasil (2000-2002) % Regiões Ano de Constituição Sudeste 2002 2001 2000 Fonte: SEBRAE (2003) 48,9 56,7 61,1 Sul 52,9 60,1 58,9 Nordeste 46,7 53,4 62,7 Norte 47,5 51,6 53,4 Centro Oeste 49,4 54,6 53,9 49,4 56,4 59,9 Brasil

Ainda segundo SEBRAE (2003) a pesquisa relata que as causas da alta mortalidade das empresas no Brasil estão fortemente relacionadas, em primeiro lugar, a falhas gerenciais na condução dos negócios, seguida de causas econômicas conjunturais e tributação. As falhas gerenciais, por sua vez, podem ser relacionadas à falta de planejamento na abertura do negócio, levando o empresário a não avaliar de forma correta os dados importantes para o sucesso do empreendimento, como a existência de concorrência nas proximidades do ponto escolhido e a presença potencial de consumidores.

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A pesquisa indicou também que os empresários denotam grande importância à falta de crédito para as operações de suas empresas já que são exigidas, na maior parte dos casos, garantias reais por parte dos bancos e das agências de fomento. Essa pesquisa também destaca os fatores de sucesso apontados pelos empresários, divididos em três grupos. O primeiro grupo, das habilidades gerenciais, contém duas categorias, relacionadas ao conhecimento de mercado e da estratégia de vendas. Outro grupo é da capacidade empreendedora, que contém elementos como criatividade, aproveitamento das oportunidades, perseverança e liderança. Por último, a logística operacional contém critérios como a escolha de um bom administrador, uso de capital próprio, reinvestimento dos lucros na empresa e acesso a novas tecnologias. Para Neto e Júnior (2006) os fatores condicionantes para o sucesso das MPE’s podem ser agrupados segundo determinadas dimensões tais como empreendedorismo, ambiente, recursos financeiros e organização. Os fatores expostos pelo autor podem ser descritos na tabela a seguir:

QUADRO 2: Fatores Chave de Sucesso nas MPE’s Dimensão Empreendedorismo Fatores Chave de Sucesso Parentes empreendedores Experiência Capacidade de aprendizagem Controle da Situação Tarefas bem definidas Gestão eficaz do tempo Estudo de mercado Estabilidade dos funcionários Gestão eficaz da informação Desenvolvimento de pesquisas em parceria Penetração agressiva no mercado Assunção de risco moderado Obtenção de capital suficiente Especialização dos funcionários Delegação e participação na tomada de decisão

Ambiente Atividade

Recursos Financeiros Organização Fonte: Neto e Júnior (2006)

Resnik (1990, p. 76) afirma que “as pequenas empresas não são apenas pequenas grandes empresas”, onde essa diferenciação pode ser explicada devido ao fato de as MPE’s possuírem recursos limitados e serem vulneráveis a qualquer mudança dentro a empresa ou no ambiente do negócio. É preciso lembrar que o mercado tende naturalmente impor restrições ao bom desempenho das empresas de menor porte. Assim, é essencial a existência de uma ampla e ativa política pública

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de incentivo a essas unidades produtivas, que se destacam por serem imprescindíveis ao desenvolvimento econômico e social do Brasil. Tendo em vista a natural posição desfavorável das micro e pequenas firmas, a Constituição Federal estabelece, no seu artigo170, inciso IX, entre os princípios da ordem econômica, o “tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País”. Além disso, no seu artigo 179 determina que:

A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-la pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei” (BRASIL, Constituição Federal, p.163)

Atualmente, o governo tem empreendido ações no sentido de minimizar os efeitos da burocracia, da carga tributária, além de disponibilizar recursos subsidiados e linha de financiamentos através de instituições financeiras como: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil (BB) e Caixa Econômica Federal (CEF), para esses empreendedores. Com relação à área tributária, a instituição do SIMPLES - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte é um ótimo exemplo de avanço em termos de incentivo às micro e pequenas empresas. Em conclusão, segundo Drucker (1984, p.5), o sucesso pode não ser permanente. “Pois as empresas são criações humanas desprovidas de permanência real, devendo estas sobreviver além do período de vida do fundador, prestando a contribuição que deve à economia e à sociedade”. Este também relata que “perpetuar a empresa é tarefa básica que cabe ao espírito empreendedor - e a capacidade de consegui-lo pode muito bem constituir o teste mais definitivo para sua administração”.

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2 GESTÃO FINANCEIRA NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

Um dos grandes desafios para qualquer empresa, independente do tamanho, segmento, grupo econômico ou espaço geográfico de atuação, corresponde à obtenção de lucratividade na medida adequada à manutenção de suas atividades operacionais, geração de recursos suficientes para pagamento dos seus compromissos e suporte às estratégias de crescimento. Independente do porte de cada organização, é necessário que as empresas desenvolvam controles financeiros adequados às suas necessidades, aos quais devem fornecer aos seus gestores informações mínimas necessárias para a mensuração dos resultados e avaliação das metas financeiras estabelecidas pela administração da entidade A administração financeira constitui em uma ferramenta eficaz para aumentar a riqueza patrimonial de uma empresa, isto é, o sucesso nos negócios de qualquer empresa, seja ela instituição privada, pública, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos, depende de um bom planejamento financeiro. Todo tipo de movimentação de recursos dentro de uma organização deve ser de fundamental conhecimento do setor financeiro, pois é necessário verificar a viabilidade das movimentações de recursos para que a empresa não esteja deixando de ter maior lucro ou até mesmo prejuízo. De acordo com Cheng e Mendes (1989) a gestão financeira pode ser definida como a gestão dos fluxos monetários derivados da atividade operacional, em termos de suas respectivas ocorrências no tempo. Ela objetiva encontrar o equilíbrio entre a rentabilidade (maximização dos retornos dos proprietários da empresa) e a liquidez (que se refere à capacidade de a empresa honrar seus compromissos nos prazos contratados). Isto é, está implícita na gestão financeira a busca do equilíbrio entre gerar lucros e manter caixa. De acordo com Pinto (2002) geralmente sua função é direcionada a um alto executivo da empresa, denominado geralmente diretor financeiro ou vice-presidente de finanças. O vicepresidente de finanças coordena as atividades do tesoureiro e do controlador. A controladoria preocupa-se com a contabilidade financeira, com os pagamentos de impostos e com os sistemas de informação gerencial. A tesouraria responsabiliza-se pela gestão do caixa e da área de crédito da empresa, por seu planejamento financeiro, e pelos gastos de investimento. Nas Micro e Pequenas Empresas o administrador financeiro e o empreendedor costumam ser geralmente a mesma pessoa.

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A base da empresa, seja de grande porte ou mesmo uma micro ou pequena empresa, está na gestão financeira, pois a partir dela o gestor da empresa está habilitado a tomar decisões financeiras básicas acertadas, tais como: Investimentos, Financiamentos e Gestão de Resultados. Lemes (1999), ao tratar sobre gestão financeira, elenca vários questionamentos que devem ser respondidos ao tomar suas decisões de investimentos, tais como: • • • • • • • Onde estão aplicados os recursos financeiros? Quanto em ativos circulantes? Quantos em ativos permanentes? Em quais? Qual a melhor composição dos ativos? Qual o risco do investimento? Qual o retorno? Quais as novas alternativas de investimentos existentes? Como decidir em quais investir? Como maximizar a utilização dos investimentos existentes? O que deveria ser descartado, reduzido ou eliminado, por não acrescentar valor? Percebe-se, então, que nos investimentos a preocupação primordial diz respeito à avaliação e escolha de alternativas de aplicação de recursos nas atividades normais da empresa. É, portanto, um conjunto de decisões visando dar à empresa a estrutura ideal em termos de ativos – fixos e correntes – para que os objetivos da empresa como um todo sejam atingidos. Nessa área, o enfoque básico é a obtenção do maior resultado (retorno) possível, dado o risco que os proprietários da empresa estão dispostos a correr. Em relação aos financiamentos, o mesmo autor sugere algumas questões a serem respondidas: • • • • • • • Qual a estrutura de capital? De onde vem os recursos? Qual a participação de capital próprio? Qual a participação de capital de terceiros? Qual o perfil de endividamento? Qual o custo de capital? Como reduzi-lo? Quais as fontes de financiamento utilizadas e seus respectivos custos? Quais deveriam ser substituídas ou eliminadas?

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• •

Qual o risco financeiro? Qual o sincronismo entre a velocidade de vencimento e a velocidade em gerar meios de pagamento? Ainda segundo Lemes (1999) outra decisão financeira relevante é a gestão de resultados,

também denominada política de dividendos, que envolve a necessidade de o administrador financeiro ter uma visão geral do negócio, pois a moderna gestão financeira pressupõe uma completa compreensão do funcionamento de cada um dos departamentos da empresa (finanças, marketing e vendas, produção) e sua interação e impacto sobre as decisões financeiras. Nesse aspecto, é sugerido também resposta ponderadas para os seguintes questionamentos • • • • • • • Quais os resultados obtidos? Como mantê-los ou melhorá-los? Qual o crescimento das vendas? E dos custos? E das despesas? Qual a participação percentual dos custos e das despesas em relação às receitas? Qual a margem líquida de vendas? Quais os custos e quais despesas podem ser reduzidos? Receitas obtidas estão compatíveis com os investimentos? Os lucros tem atingido as metas estabelecidas? Como são comparados com os das melhores empresas do ramo? Em termos funcionais, a administração financeira pode ser dividida em dois processos: o de tesouraria, que se ocupa da administração do caixa, do crédito e cobrança, dos estoques, da captação de recursos, do relacionamento com bancos e das contas a pagar; e o de controladoria que geralmente se realiza com as funções de contabilidade, custos, formação de preços, orçamentos e acompanhamento dos resultados.

2.1 Tesouraria

De acordo com Pinto (2002), a tesouraria é o órgão administrativo responsável pelo controle financeiro onde este controla todos os eventos ocorridos de movimentação financeira e a ocorrer na empresa, as contas de movimentação, aplicação e caixa; enfim, qualquer transação de entrada e saída financeira que possua um controle de saldo.

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A administração do caixa compreende uma tarefa de suma importância para a empresa, pois abrange as atividades de planejamento e controle das disponibilidades financeiras, que é a parcela do ativo circulante representada pelo depósitos nas contas correntes bancárias e aplicações financeiras e liquidez imediata. A gestão de caixa é de suma importância para uma micro ou pequena empresa, pois sua verdadeira força está no seu Fluxo de Caixa. Embora as vendas sejam fator determinante do sucesso empresarial, elas precisam ser transformadas em caixa e gerar caixa. Nesse sentido, é importante a existência de uma administração de crédito e cobrança eficaz. Ainda segundo Pinto (2002) o administrador financeiro precisa fazer nítida distinção entre geração e caixa e de lucro da empresa, no que se aplica a diferenciação entre os conceitos Econômicos (Resultados) e o Financeiro (Fluxo de Caixa). A previsão de caixa preparada pelo administrador financeiro somente terá sucesso com o esforço conjunto dos vários departamentos da empresa. As previsões de vendas, as condições das vendas, incluindo prazos de recebimentos, são geralmente de responsabilidade do pessoal de vendas. Os gastos de produção são definidos com o auxílio do pessoal de produção e contabilidade de custos. Para Pinto (2002) todos os demais departamentos envolvidos no processo da administração deverão proceder de forma evitar custos e despesas excessivas e procurar a maior receita para as suas atividades. Uma constante comunicação entre os diversos setores e o setor financeiro é fundamental para o sucesso do gerenciamento das disponibilidades. De acordo com Kuster e Nogcz (2009, p. 7) com a entrada das diversas informações diárias e dos documentos internos provenientes do setor financeiro, inicia-se a fase de controle de dados relativos a: 1º) Movimentação Financeira ● Registro das entradas e saídas, de tal forma que se permita comparar as provisões com o realizado; ● Conhecimento de todas as movimentações financeiras: - Quais são as receitas e despesas? - Em que datas irão ocorrer? - Qual o meio de movimentação?

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- Se são constantes, diárias, semanais ou mensais. 2º) Controle do Pessoal ● Estrutura de Recursos Humanos existente, com determinação de suas peculiaridades relativas: - Profissionais efetivos; - Profissionais temporários; - Trainees (estagiários). ● Despesas agregadas relativas a encargos trabalhistas, contribuições. 3º) Controle de máquinas, veículos e equipamentos ● Consumo de combustível e ou energia; ● Serviços executados; ● Manutenção preventiva; ● Manutenção corretiva; ● Peças e elementos controlados. 4º Controle de Estoques ● Entradas e saídas de insumos e matérias-primas; ● Níveis de estoque, datas de compra; ● Estrutura de armazenagem. Com intuito de uma melhor compreensão, o item tesouraria está dividido em dois enfoques: gerenciamento financeiro e gerenciamento de resultados.

2.1.1 Gerenciamento Financeiro

Normalmente a função de administrador financeiro na micro e pequena empresa, segundo Matias e Lopes Júnior (2002) é exercida pelo proprietário, e que por estar com excesso de atribuições, acaba por não desempenhar esta função com o cuidado necessário, além de não dispor de tempo e nem pessoal qualificado disponível.

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Segundo Ramos (2010) o gerente financeiro deve ter uma visão holística da empresa para que possa enxergar todos os setores, a interatividade entre os mesmos, e criar controles internos eficientes, eficazes e efetivos para se antecipar aos futuros problemas. Antonick (2004, p. 4) trata o desenvolvimento sustentável de uma MPE da seguinte forma:

A sustentabilidade econômica e financeira é elemento essencial para o sucesso da organização. O desenvolvimento sustentável de uma pequena e média empresa requer a definição de uma política realista, focada nas condições do mercado, em que as taxas de juros e os preços dos serviços cubram no mínimo os custos operacionais e financeiros, a inflação, os riscos inerentes ao negócio (inadimplência, roubos e perdas), depreciação e geração de excedente financeiro para investimento no aumento e expansão do próprio negócio.

Um gerenciamento financeiro adequado permite obter novos recursos para planos de expansão, é fundamental que o gestor adote controles financeiros básicos, tais como: controle de caixa e bancos, estoques, contas a receber e a pagar e fluxo de caixa, visando o equilíbrio financeiro da empresa.

• Capital de Giro

O capital de giro é sustentáculo de todo negócio financeiro. Daí a importância de ser administrado em empresas de pequeno, médio e grande porte. Para Pinto (2002) o capital de giro é representado no balanço patrimonial pelo ativo circulante ou ativo corrente, onde a grande parte do tempo do administrador financeiro é destinada à solução de problemas como: financiamento de estoques, gerenciamento da inadimplência de clientes e administração das insuficiências de caixa. Os recursos de renovação rápida tais como estoques de matéria-prima e produtos que formam seu capital circulante, também são considerados como capital de giro.

(...) os ativos correntes constituem o capital de empresa que circula até transformar-se em dinheiro dentro de um ciclo de operações. Em vista dessa formulação, o curo prazo como duração desse ciclo de operações realmente varia conforme a natureza das operações (...). Ele é, na verdade, o tempo exigido para que uma aplicação de dinheiro em insumos variáveis gire inteiramente, desde a compra de matéria-prima e pagamento de funcionários até o recebimento correspondente à venda de produto ou serviço proporcionado ao cliente, a partir do emprego de tais recursos. (SANVICENTE, 1997, p. 121)

Gitman (1997, p. 522) conceitua que “capital de giro ou capital circulante líquido (CCL) é uma medida de liquidez calculada subtraindo-se o Passivo Circulante (PC) do Ativo Circulante (AC)”. Ilustrado pela fórmula: CCL = AC – PC. Optando por esse cálculo, o foco fica centrado na liquidez corrente, podendo-se afirmar que quanto melhor a liquidez, melhor será o capital de giro da empresa. No entanto, há também outra forma de calcular o capital de giro com base nas fontes e aplicações, ou seja, nas contas não circulantes do balanço patrimonial.

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Assim, o cálculo do capital de giro é determinado pela diferença entre as fontes (própria e de longo prazo) e as aplicações (permanentes e de longo prazo), ilustrado na fórmula CCL = (PL + PELP) – (ARLP + AP). Onde PL é caracterizado pelo Patrimônio Líquido, PELP por Passivo Exigível a Longo Prazo, ARLP por Ativo Realizável a Longo Prazo e finalmente AP é composto pelo Ativo Permanente. Tal método permite avaliar separadamente as fontes e aplicações do capital de giro, de modo que, para a empresa melhorar seu capital de giro, deverá diminuir suas aplicações (AP ou ARLP) ou aumentar suas fontes de longo prazo (PL ou PELP). Ambas as situações vão influenciar positivamente no capital de giro. As duas formas de cálculo de Gitman (1997) denotam o mesmo valor de capital de giro, no entanto, a segunda (fontes e aplicações) permite uma interpretação mais detalhada e profunda. Considerando as fontes, o enfoque estará mais voltado para a decisão acerca de capitalizar com recursos próprios ou buscar recursos de longo prazo para investimento. Ao passo que se avaliando pelas aplicações, verificar-se-á a necessidade de reduzir o grau de imobilização. • Controle de Caixa e Bancos É corrente entre os administradores que o controle das disponibilidades (caixa e bancos) seja a área crítica da administração do capital de giro de uma empresa. Isso porque reúne toda a movimentação financeira que ocorre diariamente, decorrente de compras e vendas, apurando-se o saldo final que poderá ser depositado em conta corrente no banco (caso a empresa a possua) ou deixado no caixa da empresa. O correto dimensionamento dos recursos disponíveis pode ter impacto significativo na questão da solvência da empresa. Afirma Gitman (1997, p. 598), que “o administrador precisa examinar detidamente o padrão de recebimentos e pagamentos diários da empresa, para estar certo de que há caixa suficiente para pagar as contas no vencimento”. Este controle tem como finalidade de manter o registro de todos os recebimentos e pagamentos da empresa que ocorram diariamente. O preenchimento adequado do controle do caixa permite verificar o comportamento das entradas da empresa, refletindo, com o passar dos anos, eventuais sazonalidade. Evento que, quando previsto, auxilia sobremaneira na administração dos recursos, uma vez que prevendo o período crítico de entradas, é possível programar adequadamente as saídas. Por sua vez, as contas correntes devem ser controladas individualmente, ou seja, usar um controle para cada uma delas.

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• Gestão de Estoques

Segundo Gitman (1997, p. 713), “os estoques são ativos circulantes necessários que possibilitam o funcionamento dos processos de produção e vendas com um mínimo de distúrbio e, como as duplicatas a receber, representam um investimento significativo por parte da maioria das empresas”. Estes constituem aplicações da empresa, ou seja, podem representar uma parcela relevante aos ativos totais da mesma. O controle dos estoques é de suma importância para as empresas, tanto em função do valor expressivo dos produtos mantidos em estoque quanto em relação ao ciclo operacional da empresa. As contas a receber, assim como os níveis de estoque, dependem em grande parte do nível de vendas. Assim, enquanto as contas a receber surgem após as vendas, os estoques precisam ser comprados antes da realização das vendas. Assaf Neto e Silva (2002, p. 143), destacam a importância do controle de estoques da seguinte forma:

Investimento em estoque é um dos fatores mais importantes para a adequada gestão financeira de uma empresa. Esta relevância pode ser conseqüência tanto da participação desse ativo no total de investimentos quanto da importância de gerir o ciclo operacional ou ambos os motivos.

Assim, denota-se que, apesar das MPE’s geralmente não terem o controle permanente dos estoques, é preciso mantê-lo sempre atualizado para fins de gerenciamento e tomada de decisão. Para a administração do capital de giro das micro e pequenas empresas, especialmente as que trabalham com recursos limitados, o controle de estoque é de importância ímpar para um adequado desempenho financeiro e econômico, pois representa uma parcela substancial de seus ativos. Além disso, o seu controle pode proporcionar maior rapidez e qualidade no atendimento ao cliente. Os estoques podem ser classificados de acordo com a sua natureza e finalidade. Braga (1991) traz uma classificação onde eles podem ser: Matérias-primas, materiais de embalagem, materiais de consumo, produtos em elaboração e acabados. Matérias-primas são um dos itens que compõe o estoque de empresas industriais. É a partir delas que a empresa vai fabricar seu produto final. Os estoques já são os ativos circulantes menos líquidos, e os estoques de matérias-primas, destes são os que vão demorar mais tempo para serem convertidos em caixa.

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Dimensionar a necessidade de materiais de embalagem é indispensável e, principalmente, os custos relacionados a elas, pois esses materiais são itens constituintes do produto final. Uma má administração desses itens pode fazer com que quantidades desnecessárias de embalagem sejam estocadas. É preciso ter um conhecimento da qualidade de produtos a serem fabricados no período, para então calcular a necessidade desse tipo de estoque. Materiais de consumo são os itens que estão no processo de fabricação, mas que não são os itens principais. Seu custo pode ser relativamente pequeno, mas não deve ser desconsiderado. Quando se fala em produtos em elaboração, estão incluídas as matérias-primas e os materiais de consumo. Nessa fase, a empresa tem gastos não só com os materiais empregados na produção, mas também com mão-de-obra e energia, por exemplo. Quanto mais tempo esses produtos passarem em elaboração, maior será o tempo para que a empresa venda e receba por eles. Em empresas comerciais, os estoques são apenas de produtos acabados, pois o processo de fabricação já foi cumprido pela indústria. Na indústria, essa é a última fase de seus estoques. É nessa fase que as embalagens são acrescidas aos produtos que passaram pelo processo de fabricação, formando assim o estoque final. Este agora destinado à venda.

• Controle de Contas a Receber

O controle de contas a receber consiste no registro e controle de todos os valores que terceiros devem à empresa, assim como procedimentos de cobrança, recebimento e quitação de títulos. Iudicibus, Martins e Gelbcke (2003, p.95) afirmam:

As contas a receber representam, normalmente, um dos mais importantes ativos das empresas em geral. São valores a receber decorrentes de vendas a prazo de mercadorias e serviços a clientes, ou oriundos de outras transações [...] que não representam o objeto principal da empresa, mas são normais e inerentes às suas atividades.

Devido ao volume e importância do acompanhamento, justifica-se a separação dos valores a receber relativos ao objeto principal da empresa, que são os clientes, das demais contas que são de outros créditos. A concessão de crédito é uma tradição nas relações comerciais das empresas, representando uma parcela significativa de seus ativos.

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• Controle de Contas a Pagar

O controle de contas a pagar permite que o empresário fique informado acerca dos vencimentos de compromissos, quais pagamentos priorizar em caso de dificuldade financeira e o montante dos valores a pagar. Assim, esse controle visa a facilitar o acompanhamento de forma ordenada do valor total e/ou parcial dos compromissos assumidos, possibilitando uma visualização da situação financeira da empresa auxiliando assim ao controle do Capital de Giro. De acordo com Iudicibus, Martins e Gelbcke (2003), as contas a pagar são valores decorrentes das obrigações contraídas pela empresa para o funcionamento do seu negócio. As obrigações da empresa são apresentadas no passivo exigível, que se subdivide em Passivo Circulante e Não Circulante. É comum a empresa utilizar-se dos fundos de seus fornecedores para satisfazer suas necessidades de dinheiro a curto prazo, exatamente por meio da compra a prazo, e quanto maior o prazo, melhor. Tal aspecto deve ser considerado a partir dos juros a serem cobrados ou dos descontos perdidos. Assim, dada a importância da administração dos pagamentos, pode-se observar quanto ela contribui para a estabilidade financeira da empresa, principalmente das MPE’s que no geral trabalham com orçamentos apertados. A cada compromisso assumido perante terceiros deve ser gerado um documento que deve ser arquivado em ordem de vencimento e devidamente registrado na ficha de controle de contas a pagar. • Gestão de Fluxo de Caixa

Segundo Gitman (1997) e Matarazzo (2003) o fluxo de caixa é onde se obtém as entradas e saídas de caixa. Através dele a empresa será capaz de verificar a capacidade de pagamento por determinado período, se há possibilidades de pagamento por determinado período, se há possibilidades de investimentos, em qual data será melhor para se programar determinada compra, enfim é o orientador da empresa para sua tomada de decisão. Conforme Santos (2001) o fluxo de caixa é um instrumento de planejamento financeiro que tem como objetivo fornecer estimativas da situação de caixa da empresa em determinado período de tempo à frente. Para Zdanowicz (2004) o fluxo de caixa é denominado a seguinte forma:

Denomina-se fluxo de caixa de uma empresa ao conjunto de ingressos e desembolsos de numerário ao longo de um período determinado. O fluxo de caixa consiste na representação dinâmica da situação financeira de uma empresa, considerando todas as fontes de recursos e todas as aplicações em itens do ativo (Zdanowicz, 2004, p. 37).

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Na opinião de Zdanowicz (2004), o administrador financeiro poderá através do fluxo de caixa visualizar em que momentos poderão ocorrer as possíveis dificuldades financeira ou até mesmo, folgas financeiras. A expressão fluxo de caixa apresenta duas formas de entendimento: “(a) o fluxo de caixa passado, isto é, aquele que já foi realizado; e (b) o fluxo de caixa previsto, ou seja, previsão de caixa que abrange um período futuro.” (Silva, 1998, p.261). Situações de dificuldades financeiras acontecem em todas as empresas, seja no início de suas atividades, ou no decorrer de seu desempenho. Gitman (1997) fala que o fluxo de caixa permite visualizar com antecedência as necessidades financeiras.

2.1.2 Gerenciamento de Resultados

Segundo Longo (2001) os controles financeiros e controles do gerenciamento de resultados devem ser desenvolvidos simultaneamente. Não se deve administrar a empresa apenas pelo caixa, assim como também apenas com informações de uma apuração de resultados. A obtenção de lucro na atividade empresarial retrata que a empresa em condições de continuidade e crescimento do negócio. É preciso, apenas, assegurar-se se não há incorreções nos resultados apurados, informações parciais, em duplicidade e lucros fictícios. Longo (2001) também evidencia que relatório de Demonstração de Resultado do Exercício – DRE permite que a empresa conheça a sua situação econômica, antes de transformar-se em caixa, portanto, o resultado econômico (lucro ou prejuízo) antecipa a situação de sobra ou falta de caixa. É sabido que se o gestor não tem conhecimento do resultado econômico, lucro ou prejuízo, oriundo das atividades desenvolvidas pela empresa, todas as decisões podem estar comprometidas. • Modelo de Apuração e Gerenciamento de Resultados Segundo Longo (2001) a estrutura de contas segue a padronização contábil, partindo da receita bruta do período, em geral mensal, e posteriormente são feitas deduções e abatimentos relativos aos gastos (custos e despesas). Para a apuração de resultados deve-se seguir o regime de competência. A seguir estão mais bem detalhados os componentes do relatório:

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a) Receitas: decorrente das atividades de um período, vendas (de produtos ou mercadorias), prestação de serviço, o período de apuração é normalmente mensal; b) Custos variáveis: são alocados nesta etapa os custos com comportamento variável em relação ao aumento ou diminuição de receitas; c) Margem de contribuição: no relatório obtém-se a primeira margem de contribuição, que se refere ao confronto da receita total e os custos variáveis. Por uma preocupação estritamente técnica, as despesas variáveis de vendas são separadas das demais despesas de vendas, pois estas tem comportamento diferenciado das demais. Nesta segunda etapa, portanto, é que se obtém a margem de contribuição fina (segunda margem de contribuição), que deverá absorver todos os demais gastos fixos e margem planejada do lucro; d) Despesas fixas: são as de vendas, administração e resultados financeiros, que possuem um comportamento fixo em relação a oscilações da receita; e) Resultado operacional: refere-se ao lucro/prejuízo obtido com o desenvolvimento das atividades-afins da empresa; e f) Outras contas: para a obtenção de um resultado completo da empresa, se existirem, devem ser consideradas as atividades não operacionais e impostos sobre o lucro. Longo (2001) observa-se que esta estrutura foi proposta para uma empresa mercantil, porém pode agregar as contas de custos fixos e ser adaptada para indústrias e empresas de serviços. Segue um quadro com os principais elementos de uma DRE com uma visão geral.

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QUADRO 3: Estrutura Básica de uma Demonstração de Resultado do Exercício

Vendas (Receita) (-) Custos para produzir ou adquirir um produto ou serviço (custos variáveis) = Lucro Bruto (margem de contribuição) (-) Despesas operacionais: despesas de marketing, ve