Trabalho Completo Ginástica Artistica

Ginástica Artistica

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Categoria: Ciências

Enviado por: Maria 24 novembro 2011

Palavras: 1318 | Páginas: 6

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vadas diferenças nas velocidades de crescimento entre os grupos. A aparente controvérsia pode ser esclarecida pelo fato de que nesses estudos não se controlou a seleção dos indivíduos nem os seus respectivos estados maturacionais. Sendo o grau de maturação um fator de fundamental importância sobre a velocidade de crescimento, não se pode saber até que ponto os resultados desses estudos se devem realmente ao treinamento ou simplesmente a estágios maturacionais diferentes dos indivíduos (MALINA, 1989 e 1991).

É importante observar que a total inatividade física, em casos extremos (por exemplo, crianças que por algum motivo não desenvolvem sequer atividades comuns do dia a dia, como ir à escola ou brincar), pode ser prejudicial ao crescimento (FORJAZ, 2003).

Assim, pode-se concluir que a atividade física é um estímulo fundamental ao crescimento, embora não se saiba ainda exatamente quanto de atividade seja necessário para garantir um crescimento normal. Supõe-se que as atividades comuns do dia-a-dia sejam suficientes para tal processo (MALINA, 1989).

1.3 Treinamento esportivo e crescimento em estatura

BAXTER JONES et al. (1995), ao citarem MALINA (1994), afirmam que o treinamento intenso a que são submetidos os jovens atletas tem pouco ou nenhum efeito sobre o crescimento em estatura. Os problemas de tentar uma relação de causa e efeito entre treinamento esportivo e crescimento são apontados por MALINA (1989, 1991), ao comparar natação e ginástica artística:

* Uma semelhança importante entre natação e ginástica artística é que em ambas as disciplinas se inicia o treino muito cedo, entre 6 e 7 anos de idade;

* Embora ginastas e nadadores treinem por muitos anos, os nadadores são geralmente muito mais altos que os ginastas, no final da infância e começo da adolescência;

* Um detalhe importante é que mesmo antes do início do processo de treinamento, os nadadores já possuíam estatura maior que a média, enquanto os ginastas já tinham estatura abaixo da média. Além disso, a média entre as alturas dos pais dos nadadores é geralmente maior que a média entre as alturas dos pais dos ginastas.

Convém destacar que o perfil de atletas jovens de elite pode ser extremamente específico; em outras palavras, esses indivíduos possuem características morfológicas, antropométricas, maturacionais, especiais, que podem ser diferentes da média da população, e as quais devem atender à demanda da disciplina praticada. Tais características podem tornar esses indivíduos, por natureza, um grupo muito distinto da população dita normal, de maneira que não se sabe exatamente se as diferenças observadas (por exemplo, na estatura) realmente se devem ao treinamento, ou são inerentes aos próprios atletas (MALINA, 1989, 1991).

1.4 Ginástica artística e crescimento em estatura

A influência da ginástica artística sobre o crescimento em estatura pode ser compreendida de acordo com o contexto em que ela é utilizada; como atividade física regular, ou como uma prática esportiva com fins competitivos.

A ginástica artística, se utilizada como atividade física, com fins formativos ou de recreação, não tem efeito sobre o crescimento em estatura, pois corresponde a uma prática como qualquer outra (de maneira já explicada nesse trabalho).

Georgette Vidor ressalta que as alterações típicas de crescimento e maturação são inúmeras e estão relacionadas a alguns dos fatores abaixo:

1. Fatores Genéticos;

2. Fatores Hormonais;

3. Fatores Nutricionais;

4. Fatores Ambientais;

Ginastas de alto nível, que treinam cerca de 7 horas por dia, de 6 a 7 dias por semana, em geral, apresentam uma maturação tardia (por exemplo data da menarca mais tarde do que o previsto), o que definitivamente não significa que o treinamento afeta o crescimento e sim que além do fator genético a seleção natural da modalidade privilegia aqueles que possuem uma baixa estatura.

Com isso Georgette Vidor esclarece que os estudos desenvolvidos não comprovam que a ginástica olímpica impede o crescimento das crianças, assim como o basquete faz “espichar”. O fator preponderante nestes casos é a seleção natural.

CONCLUSÃO

O discurso científico atual explica a baixa estatura freqüentemente observada em ginastas através da pré-seleção, ou seja, os ginastas teriam uma estatura relativamente menor não devido ao treinamento, mas porque teriam sido de alguma maneira, selecionados por serem naturalmente menores, o que favorece a performance nesse esporte. Essa seleção pode acontecer pelos técnicos, ao recusarem ou descartarem atletas que são ou se tornam altos demais ou pelo próprio atleta, se percebe dificuldades de vitória em competições causadas pela própria estatura, ou mesmo se ele (ou ela) interessa por outra prática esportiva (MALINA, 1991).

Então de acordo com os estudos apresentados, conclui-se que, se pensarmos na ginástica artística no contexto do treinamento esportivo, como em qualquer outra disciplina, pode-se dizer que não há influência dessa prática sobre o crescimento. No entanto, um aspecto importante da ginástica artística relacionado ao treinamento é a rigorosa dieta a que os ginastas se submetem e que pode levá-los a um estado de subnutrição relativa, influenciando assim o crescimento.

Finalmente, é importante ter em mente que o crescimento é um processo dependente de inúmeros fatores (genéticos, ambientais, nutricionais), que interagem de maneira complexa, e que a atividade física e o treinamento são apenas dois dentre esses fatores (BAXTER JONES et al., 1995; MALINA, 1989, 1991).

Com tudo que a Ginástica Artística proporciona?

Georgette Vidor destaca que, o principal objetivo deste esporte é utilizá-lo como uma fonte rica no desenvolvimento físico e psíquico das crianças. E são exploradas diversas valências físicas e cognitivas durante a prática das aulas, principalmente a coordenação, o equilíbrio, a flexibilidade, a força, a agilidade, o ritmo, a concentração e a coragem.

A ginástica é uma modalidade de características individuais, porém a metodologia empregada auxilia na interação e integração das crianças.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BAXTER JONES, A.D.G. Growth and development of male gymnasts, swimmers, soccer and tennis players: a longitudinal study. Annals of human biology, vol. 22, no. 5, 381-394, 1995.

FORJAZ, C.L..M. Crescimento e Desenvolvimento Humano. Disciplina de graduação do curso de Educação Física da EEFE-USP. Notas de aula, 2003.

MALINA, R. M. Growth and maturation: Normal variation and effect of training. In: Perspectives in Exercise Science and Sports Medicine. Youth, Exercise and Sport. Vol.2, 223-265. Edited by David R. Lamb & Carl V. Gisolfi. Benchmark Press, 1989.

MALINA, R. M. Growth, maturation, and physical activity. Human Kinetics. Capítulos 22 e 26, 1991.

www.psiqweb.med.br/anorexia.html – Acesso em 29/10/2010; as 22.36 h.

www.efdeportes.com – Acesso em 29/10/2010; as 22.39 h.

www.medicinadoesporte.org.br – Acesso em 29/10/2010; as 22.42 h.