Trabalho Completo A Importancia Dos Jogos E Brincadeiras Na Ed. Infantil

A Importancia Dos Jogos E Brincadeiras Na Ed. Infantil

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Categoria: Outras

Enviado por: elicarmop 12 maio 2013

Palavras: 11709 | Páginas: 47

RESUMO

Antigamente o brincar era apenas uma maneira de deixar a criança ocupada, já com o passar dos tempos vemos como elas se tornam de extrema importância dentro do trabalho realizado com crianças. Através dos jogos e das brincadeiras podemos ajudar um aluno a obter melhores resultados durante o processo de ensino-aprendizagem. O lúdico está cada vez mais presente nas salas de aulas e muitos educadores estão se reciclando para usar essas atividades com responsabilidade em sala de aula.

Atualmente temos vários pesquisadores que fazem estudos nessa área, procurando responder perguntas que para nós até então eram desconhecidas, como: O que a brincadeira ajuda a criança com relação ao processo de ensino-aprendizagem? Que funções estas atividades exercem no desenvolvimento da criança? Por que a criança tem que brincar?

Com base nestas discussões este projeto vem mostrar definições e relatar um pouco da história da brincadeira e dos jogos com referência a educação, analisando suas contribuições deles no contexto educacional.

O objetivo deste trabalho foi conhecer através da evolução histórica dos jogos e brincadeiras, principalmente na educação infantil, sugerir o resgate das brincadeiras tradicionais, como atividade lúdica e como instrumento metodológico de ensino, como também evidenciar para os professores de educação infantil o importante papel que os jogos, as brincadeiras e os brinquedos exercem no desenvolvimento da criança.

Palavras-chave: evolução histórica, resgate dos jogos e brincadeiras, novas diretrizes para a educação infantil, o lúdico na educação, psicomotricidade.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 7

2 OBJETIVOS .......................................................................................................... 9

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................. 10

3.1 UM GIRO PELA HISTÓRIA.............................................................................. 10

3.2 JOGOS, BRINCADEIRAS E BRINQUEDOS..................................................

3.3 A FASE PRÉ-ESCOLAR.................................................................................

3.4 FASES DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL.................................................

3.5 O PAPEL DO PROFESSOR..........................................................................

4 METODOLOGIA ....................................................................................................

12

19

22

25

28

5 ANÁLISE E DISCUSSÃO ................................................................................. 29

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................... 30

REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 33

ANEXOS ........................................................................................................ 34

1- INTRODUÇÃO

Este trabalho vem mostrar a importância das brincadeiras e dos jogos na Educação Infantil para o processo de ensino-aprendizagem e a formação da personalidade humanidade.

O campo pedagógico passou por várias mudanças de uns anos para cá, os recursos didáticos usados dentro da escola também.

As brincadeiras e os jogos ganharam maior importância dentro da educação infantil, agora muitos deles fazem parte do projeto pedagógico da escola, onde o educador passa a executá-las sabendo de sua extrema importância.

Quando as crianças estão livres, brincando, elas se sentem mais a vontade para se expressarem. É nesse momento que o educador está preparado para entender seus sentimentos e ajudá-los.

Os jogos não estão só relacionados com o ato de brincar, mas sim com o desenvolvimento físico, afetivo, cognitivo, moral e social da criança.

A psicomotricidade tem em sua definição a seguinte formação: PSICO (afetivo), MOTRIS (motor), IDADE (faixa etária).

Com o brincar aprendemos e ensinamos sobre o mundo ao nosso redor e é por isso que a brincadeira é uma forma da criança se interagir com o mundo em que vivemos.

Assim o ato de brincar na educação infantil é muito importante pois respeitar os limites das crianças e fazer com que eles respeitem os limites das pessoas e isso será a base do conhecimento de suas características específicas, pois deve ser respeitada a individualidade de cada um.

É muito importante que o educador esteja preparado para usar estes recursos e a escola deve estar preparada para dar suporte a eles. Pois do contrário, pela falta de conhecimento, o professor deixará de usar este recurso tão importante para o desenvolvimento da criança.

Antes do educador aplicar determinado jogo para uma turma, ele primeiro tem que ver se a atividade é adequada para aquela idade.

Algumas questões entrarão em questão: Qual a importância dos jogos e das brincadeiras na educação infantil?

Brincar não é mais sinônimo de passatempo, mas sim, hoje em dia a criança utiliza da brincadeira para conhecer o mundo a seu redor. Através de jogos e brincadeiras a criança desenvolve sua imaginação, seu desenvolvimento psicomotor, intelecual, o que facilitará a socio-afetivo.

Através do jogo a criança desenvolve a

sua imaginação e seu pensamento abstrato.

Através das brincadeiras a criança poderá ter um

bom desenvolvimento psicomotor e psico-social,

assim como as levará à socialização e à

contribuição para a sua vida afetiva. As atividades

lúdicas encorajam também o desenvolvimento

intelectual, através da atenção e da imaginação,

facilitando a sua expressão. (ALMEIDA, 1990).

Escolhi este tema devido à importância dos jogos e brincadeiras que são fatores afetivos e se apresentam na relação professor-aluno e a sua influência no processo de aprendizagem. Nos tempos atuais, as propostas de educação infantil dividem-se entre as que reproduzem a escola elementar com ênfase na alfabetização e números (escolarização) e as que introduzem a brincadeira valorizando a socialização e a recriação de experiências.

São raras as propostas de socialização que surgem desde a implantação dos primeiros jardins de infância, e acabam incorporando ideologias hegemônicas presentes no contexto histórico-cultural.

Na convicção de que é através do brincar que a criança se desenvolve e se constitui segundo Bettelheim (1988, p. 168), o brincar é muito importante porque, enquanto estimula o desenvolvimento intelectual da criança, tambem ensina, sem que ela perceba, os hábitos necessários a esse crescimento.

A apresentação da questão do lúdico, um assunto que vem conquistando o espaço no panorama nacional, principalmente na educação infantil, por ser o brinquedo a essência da infância e seu uso permitirem um trabalho pedagógico que possibilite a produção do conhecimento, da aprendizagem e do desenvolvimento, o lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo, integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade.

Através da atividade lúdica e do jogo, a criança forma conceitos, seleciona idéias, estabelece relações lógicas, integração, percepções, faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e desenvolvimento e, o que é mais importante, a socialização.

2. OBJETIVOS

• Realizar observações do desenvolvimento de brincadeiras infantis, Compreendendo a importância dos jogos e brincadeiras para o desenvolvimento e aprendizagem das crianças.;

• Observar como as crianças se organizam para realizar tais brincadeiras;

• Conhecer a evolução histórica dos jogos e brincadeiras e o valor das aividades lúdicas:

• Evidenciar a importância dos professores de educação infantil no papel que os jogos s brincadeiras e os brinquedos exercem no desenvolvimento da criança.

3- REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 UM GIRO PELA HISTÓRIA

Os jogos exercem um importante papel na vida das crianças, desde meados do século XVII, quando exerceu um importante papel dentro das atividades realizadas no dia-a-dia das crianças auxiliando em seu desenvolvimento motor e mental. Até hoje elas não foram abandonadas e pelo contrário aumentou sua importância. Nesta época as crianças eram tratadas como pequenos adultos.

“A criança abandona o traje da infância e sua educação

é entregue aos cuidados do homem”. AIRES (1981)

Nesta época, Ignácio Loyola, compreende a importância dos jogos de exercício para a formação do ser humano, até então eram usados como simples atividades de lazer.

Nesta mesma época Rosseau e Pestalozzi diziam que a educação não deveria ser um processo artificial e repressivo e sim um processo natural surgido da necessidade do desenvolvimento mental da criança e deixam claro a importância que os jogos e as brincadeiras para o corpo em relação ao preparo para a vida do ser humano.

Froebel dizia que a criança não tinha só que ver e ouvir, mas sim agir e produzir, pedagogia da ação, através de brincadeiras que auxiliem neste processo importante para educação, pois assim a criança adquire sua primeira representação de mundo envolvendo as relações sociais.

Vemos então que já faz um tempo que temos educadores preocupados com a formação da criança e seu valor pedagógico.

“ Hoje principalmente na educação infantil, há uma

grande atenção por parte dos pedagogos e psicólogos

para o papel do jogo na constituição das

representações mentais e seus efeitos no

desenvolvimento da criança em especial na faixa de

0 a 6 anos. KISHIMOTO (1994)

Platão comenta no século XVI a idéia de “aprender brincando”, se opondo à utilização da violência e da repressão.

Somente com o início do Renascimento que passou a ser visto como uma tendência natural do ser humano, antes disso era visto como pura perda de tempo e simplesmente uma diversão, mas sim passou a ter uma forma de oportunidades para a educação das crianças. O jogo educativo nasce após Froebel colocar a importância dos jogos livres apoiando o trabalho do educador.

Ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por

meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, a

função pedagógica subsidia o desenvolvimento integral

da criança. Neste sentido, qualquer jogo empregado na

escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico,

apresenta caráter educativo e pode receber também a

denominação geral de jogo educativo (KISHIMOTO,

1994: 22).

3.2 JOGOS, BRINCADEIRAS E BRINQUEDOS

A brincadeira não é somente o brinquedo como objeto a ser utilizado, mas sim um conjunto de regras e habilidades. Ela faz com que a criança brinque e que a cada vez que brinca encontre novas formas de realização.

Através da imaginação ela usará da imitação para desenvolver suas habilidades psíquicas, que auxiliarão no processo de aquisição de novos conhecimentos que serão utilizados para a cidadania na vida adulta.

Brinquedo se difere do jogo, pois o brinquedo supõe uma relação íntima com a criança e a indeterminação de regras para sua utilização. Kishimoto diz que: “ o brinquedo estimula a representação, a expressão de imagens que evocam aspectos da realidade”. Uma boneca permite à criança várias formas de brincadeiras. Os jogos, como o xadrez, e os de construção exigem certas habilidades definidas pela estrutura preexistente no próprio objeto e suas regras.

O jogo não deve ser visto simplesmente como um jogo qualquer, mas sim como uma forma positiva dentro da didática para que o aluno venha a aprender sempre mais e de uma forma lúdica. “O jogo é uma atividade voluntária exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias”, com um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente do dia-a-dia. O jogo é um fato humano e mais antigo que a cultura.

É importante dar oportunidade para que a criança invente e brinque muito. Ainda mais se estas brincadeiras sejam espontâneas e jogos livres, assim elas estarão desfrutando do bom ambiente e da alegria de brincar em grupo, colaborando de frente com a socialização.

“Brincar não constitui perda de tempo, nem é simplesmente

uma forma de preencher o tempo (...) O brinquedo possibilita o

desenvolvimento integral da criança, já que ela se envolve

afetivamente e opera mentalmente, tudo isso de maneira

envolvente, em que a criança imagina, constrói conhecimento e

cria alternativas para resolver os imprevistos que surgem no

ato.” Nicolau (1988)

Dentro deste projeto percebi que a educação infantil é a etapa mais importante para a vida, é o alicerce para um futuro promissor. Como a maior parte destas atividades são livres, elas acabam sendo feitas de forma prazerosa e desperta o interesse do educando, que está aprendendo brincando e desenvolve sua linguagem.

Aí entra também o desenvolvimento positivo, vindo de fatores emocionais, biológicos, sociais, psicomotores entre outros. E estes alunos serão muito mais participativos e sabem o que estão fazendo, tem consciência disso e elevam também seu lado crítico, o que é de extrema importância para a vida.Ao participar de um jogo a criança se satisfaz e constrói sua personalidade.

A criança procura o jogo como necessidade e não como

distração (...). É pelo jogo que a criança se revela. As

suas inclinações boas ou más, a sua vocação, as suas

habilidades, o seu caráter, tudo que ela traz latente no

seu eu em formação, torna-se visível pelo jogo e pelos

brinquedos, que ela executa (KISHIMOTO, 1993),

O referencial curricular para a Educação Infantil, “Brincar de roda, ciranda, pular corda, amarelinha, entre outras, são maneiras de se ter contato com outra pessoa e consigo mesmo.

Quando a criança brinca, ela descarrega suas tensões e se coloca frente ao mundo ao seu redor.

Almeida diz que: “O ato de brincar é algo natural na criança e por não ser uma atividade sistematizada e estruturada acaba sendo a própria expressão de vida da criança”.

Cunha diz que: “O jogo proporciona o aprender – fazendo e brincando a criança formula seus concertos, adquire informações e supera dificuldades de aprendizagem”.

Envolvendo a prática pedagógica, o jogo auxilia no desenvolvimento da aprendizagem da criança e as aulas do educador ficam mais dinâmicas e agradáveis.

Os brinquedos sempre estiveram presentes na vida das crianças, desde os tempos primitivos até os dias de hoje. Sua figura é peça de fundamental importância na construção do mundo infantil, pois ao nascer, a criança já manifesta a necessidade de aprender. Passando a explorar o mundo que a cerca, até encontrar as primeiras barreiras, e diante dos obstáculos, a criança começa a organizar e construir as estruturas de pensamentos.

Segundo Leif (1978, p. 12), as brincadeiras infantis mostram o caminho para a recuperação da inteligência criativa, adormecida ou bloqueada pela compulsiva interferência adulta, que acaba orientando a criança para atividades que reprimem sua fantasia, seus pensamentos, e a busca por respostas e resoluções para os seus problemas.

Na realidade, a brincadeira é o momento por excelência em que a criança interage com o mundo, e durante a sua realização ela age, pensa, cria, sente, percebe, imagina, enfim, torna um indivíduo leitor do mundo.

Conforme Piaget (1994, p. 73), as crianças ultrapassam sentimentos e fatos, combinando-os entre si, reelaborando-os criativamente e edificando novas possibilidades de interpretação e de representação do real, de acordo com suas afeições, suas necessidades, seus desejos e suas paixões. As formas de jogos, que consistem em liquidar uma situação desagradável revivendo-a ficticiamente, mostram, com particular clareza, a função do jogo simbólico, que é a de assimilar o real ao eu, libertando este das necessidades de acomodação.

Segundo Winnicott (1975, p. 78), as crianças possuem prazer em todas as experiências de preferência física e emocional, e deve-se aceitar a presença da agressividade nas brincadeiras destas. A brincadeira é a prova evidente e constante da capacidade criadora, quer dizer vivência.

Para Sutherland (1996, p. 78), Vygotsky deu maior ênfase à cultura do que à herança biológica para o desenvolvimento cognitivo, no processo de socialização para a respectiva cultura, as crianças aprendem coisas que constituem as características comuns da sua cultura, por exemplo, mitos, contos de fadas, canções e história. As ferramentas integram uma parte extremamente importante de uma cultura, a criança precisa de ir conhecendo as ferramentas fundamentais destas culturas.

Segundo Kishimoto (2003, p. 34), definir jogos ou brincadeira não é tarefa fácil, pois cada pessoa entende de formas diferentes, no lúdico é uma atividade que concede o prazer de realizar um momento de descontração onde se pode atingir a recreação em sua totalidade, e além da recreação a criança estará passando por momentos de desenvolvimento, conhecimento e aprendizagem, e quando os professores passam essas atividades às crianças, trarão conhecimento a vida destas, bem como trabalhando com elas o lúdico.

De Acordo com Cavallari (2006, p. 57), o jogo pode ser visto como um instrumento pedagógico, em que os professores utilizam para o desenvolvimento de suas crianças com habilidades para trazer conhecimentos, pois o jogo é reconhecido como meio de fornecer a criança um ambiente agradável, motivador e prazeroso que possibilita a aprendizagem de varias habilidades, e é difícil estabelecer-se que uma determinada atividade é uma brincadeira, um pequeno jogo ou um grande jogo. Para poder definir, tem-se que ver como esta atividade será desenvolvida em sala de aula, estudada e assim chegar a uma conclusão. O próprio professor pode utilizar uma mesma atividade em forma de brincadeira, pequeno jogo ou grande jogo, adaptando-a ao publico a ser atingido. Para transformar uma brincadeira em jogo ou vice-versa, basta utilizar as regras de acordo com as características da atividade.

Os processos de criação, dos jogos da criança representam e produzem muito mais do que aquilo que viu.

Todos conhecem o grande papel que nos jogos da criança desempenha a imitação, com muita freqüência estes jogos são apenas um eco do que as crianças viram e escutaram aos adultos, não obstante estes elementos da sua experiência anterior nunca se reproduzem no jogo de forma absolutamente igual e como acontecem na realidade. O jogo da criança não é uma recordação simples do vivido, mas sim a transformação criadora das impressões para a formação de uma nova realidade que responda às exigências e inclinações da própria criança (Vygotsky, 2007; p.12).

Para Santos (1997, p. 13), a compreensão dos jogos e das brincadeiras remete as discussões de diversos aspectos desta questão. Winnicott coloca o brincar como uma área intermediária de experimentação, para qual contribuem a realidade interna e externa, e nesse sentido a criança pode relacionar questões internas com a realidade externa e é capaz de participar de seu contexto e perceber-se como um ser no mundo. Sendo assim, o brincar é fonte de crescimento, saúde e conduz aos relacionamentos grupais. A busca da vida de grupo se faz necessária a medida que a vivência do coletivo promove a relação entre o que é pessoal e o que é do grupo. O brincar é uma das possibilidades que o indivíduo tem que postulado seu “eu” em relação ao contexto.

Para Winnicott (1975, p. 80), nos tempos atuais, a idéia de fornecer à criança um ambiente facilitador de seu desenvolvimento está ganhando cada vez mais adeptos. Obviamente, esta idéia se baseia na crença da existência de um potencial natural para o desenvolvimento em todo ser humano, a qual substitui a antiga noção pela qual as crianças deveriam ser moldadas e socializadas pelos adultos, sem o que jamais se tornariam seres civilizados. Para melhor entenderem o tratamento de crianças emocionalmente afetadas através da terapia do brincar, o que define a terapia do brincar infantil, no atual estágio do seu desenvolvimento, não é meramente a apresentação concreta de materiais artísticos, o que poderia, evidentemente, ocorrer em contextos pedagógicos, ocupacionais e outros. O que de fato define a terapia do brincar infantil na clínica contemporânea é o modo como a experiência criativa é pensada como busca do viver criativo que se dá através da constituição do próprio self.

Para Bettelheim (1988, p.169), existem várias formas de classificar as atividades lúdicas, onde as brincadeiras e jogos que vão surgindo gradativamente na vida do ser desde os mais funcionais até os de regras, mais elaborados são os elementos que lhe proporcionarão estas experiências, possibilitando a conquista da sua identidade. Os esforços para se tornar um eu, jogando coisas do berço, isto é, demonstrando a si própria que pode fazer coisas, são seguidos pelo estágio do acesso de raiva, que é causado pelo fracasso de seu esforço para demonstrar a si mesma que pode fazer coisa para si própria.

Ao ponderar, extensivamente, sobre o tipo de jogo que as crianças querem utilizar, as condições do ambiente para que aconteçam, bem como as regras que devem ser aplicadas, as crianças desenvolvem sua capacidade de raciocinar, de julgar, de argumentar, de como chegar a um consenso, reconhecendo o quanto isto é importante para dar início à atividade em si. Para Bettelheim (1988, p. 248), aprender isso tudo é infinitamente mais relevante para o desenvolvimento da criança como ser humano do que qualquer capacidade que possa desenvolver no jogo em si.

Para Vygotsky (2007, p. 138), no desenvolvimento a imitação e o ensino desempenham um papel de primeira importância. Põem em evidência as qualidades especificamente humanas do cérebro e conduzem a criança a atingir novos níveis de desenvolvimento, a criança fará amanhã sozinha aquilo que hoje é capaz de fazer em cooperação e, “por conseguinte”, o único tipo correto de pedagogia é aquele que segue em avanço relativamente ao desenvolvimento e o guia; devem ter por objetivo não as funções maduras, mas as funções em vias de maturação.

Para Vygotsky (2007, p. 139), a imaginação depende da experiência, das necessidades e dos interesses, assim como da capacidade combinatória e do exercício contido nessa atividade e não podemos reduzir a imaginação às necessidades e sentimentos do homem. Uma prática pedagógica adequada, tanto do educador do regular, como do educador dos apoios educativos passará não apenas por “deixar as crianças brincar”, mas, sobretudo por “ajudar as crianças a brincar” e por “brincar com as crianças”, ou até mesmo por “ensinar as crianças a brincar”.

Segundo Winnicott (1975, p. 36), é imprescindível a presença de um adulto "fidedigno", aquele que desperte confiança, pois este espaço de confiança em que o ser verdadeiro pode se manifestar é um "espaço sagrado". E além disso, o brincar e o criar exigem um estado de relaxamento ou repouso, pois para ser criativo, onde o brincar tem que ser espontâneo, e não submisso ou aquiescente, assim, pode-se resumir as seguintes propriedades do brincar: satisfação; a elaboração imaginativa das funções corporais; o envolver da concentração da criança; a manipulação do externo a serviço do "sonho" e a precariedade própria da situação paradoxal.

Permitir à criança espaço para brincar, proporcionando-lhe interações que vêm, realmente, ao encontro do que ela é aliada às tentativas no sentido de compreendê-la, efetivamente, nestas atividades, é dar-lhes mostras de “respeito”. Assim, fica evidente para os professores a importância do brincar no âmbito escolar.

Para Cavallari (2006, p. 81), é fundamental que os professores conheçam o desenvolvimento das crianças de modo a respeitar suas necessidades de brincar dentro da escola, sobretudo na sala de aula, atividades que possam colaborar com esse processo de modo que elas possam viver crescer e aprender.

Segundo Santos (1997, p. 37), durante muito tempo, a educação escolar tomou o aluno como um ser passivo e receptivo do conteúdo transmitido pelo professor, e o fato é que, de acordo com a teoria Histórico-Cultural, não existe ensino sem aprendizagem, o que pressupõe o a organização e apropriação de conceitos por parte das crianças como resultado da ação mediadora do professor, que se realiza por meio de recursos e técnicas de ensino. É a partir dessa visão conjunta e recíproca entre alunos e professor que se pode compreender o espaço que jogos e brincadeiras têm no estímulo à aprendizagem. A atividade lúdica propõe estímulo ao interesse da criança, desenvolve níveis diferentes de sua experiência pessoal e social, ajuda-o a construir suas novas descobertas, desenvolve e enriquece sua personalidade e simboliza um instrumento pedagógico que leva ao professor a condição de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem.

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3.3 A FASE PRÉ-ESCOLAR

Desde bebês as crianças estão inseridas no contexto social do adulto, quando crescem se transformam em parceiros dos jogos e brincadeiras criadas por eles. Alguns ensinam, cantam, transmitem conhecimentos sobre estas atividades, mas alguns pensam que as crianças não entendem e que seria um perda de tempo ficar falando com elas, acham que o importante é só cuidar delas, mas não é só disso que as crianças precisam.

A brincadeira é uma forma de aprendizagem muito rica em conhecimentos que auxiliarão no desenvolvimento dessa criança. Conforme vão crescendo elas fazem de suas brincadeiras um meio de colocar em prática tudo o que está dentro do seu dia-a-dia, revelando sua visão de mundo, sua descobertas, por isso que hoje em dia é um meio muito utilizado por psicólogos e psicopedagogos.

“Hoje, a imagem de infância é enriquecida

também com o auxílio de concepções

pedagógicas, que reconhecem o papel de

brinquedo e brincadeiras no desenvolvimento e

na construção do conhecimento infantil.

KISHIMOTO (1996)

Hoje em dia, as crianças começam frequentar a escola cada vez mais cedo. E como a fase pré-escolar é muito importante para as crianças para a sua formação global a responsabilidade destas instituições só aumenta.

Infelizmente em algumas instituições esse tipo de recurso é desvalorizado e muitas vezes são utilizados sem a responsabilidade que deveria ter, pois acham que as atividades no papel e até mesmo em apostilas são mais importantes.

Dar valor as brincadeira não é só aceitá-las, mas sim saber como elas são importantes no desenvolvimento psicomotor da criança.

A criança precisa de espaço, tempo e materiais para iniciar uma brincadeira, com isso ela será mais produtiva e a escola exerce um importante papel nesse momento, pois ela pode reunir todos esses fatores, o papel do educador nesse processo é de extrema importância, pois ele poderá intermediar essas atividades tornando-as imprescindíveis.

"Brincar é a maior expressão do desenvolvimento

humano na infância e, por si só, é a expressão livre do

que está dentro da alma de uma criança" Fredrich

Froebel.

A infância nos dá aquela imagem de seres inocentes, que aprendem brincando, Kishimoto (1996) diz que: “A imagem de infância é reconstituída pelo adulto por meio de um processo duplo: de um lado, ela está relacionada a todo um contexto de valores e aspirações da sociedade, e de outro, depende da própria percepção do adulto, que incorporam memórias de seu tempo de criança. Portanto se a infância é reflexo do contexto atual, ela também vem carregada de uma visão idealizada do passado do adulto, que admira sua própria infância. A infância enfatizada no brinquedo contém o mundo real, com seus valores, maneiras de pensar e agir e o imaginário do criador do objeto.”

As crianças têm ritmos próprios e gradativamente vão desenvolvendo suas capacidades linguísticas que por meio de brincadeiras são desenvolvidas, pois o lado intelectual vai se ampliando significamente. A ampliação de suas capacidades de comunicação oral ocorre gradativamente, através de um processo de idas e vindas que envolve tanto as crianças na participação cotidiana de brincadeiras, cantos, músicas etc. Como a participação em situações mais formais de uso da linguagem, como as que envolvem leitura e textos variados.

Toda teoria de construção do conhecimento tem seus

pilares alicerçados na corrente psicológica cognitiva,

onde os trabalhos teóricos de Gean Piaget enfatizam que

o pensamento se constrói através da atividade e se dá a

partir das relações que as crianças estabelecem com o

meio. Piaget defendeu não só a idéia da dinâmica do

conhecimento, como também procurou instaurar uma

teoria de caráter científico, onde a ênfase estivesse no

processo de construção do conhecimento.

(DELLAZANA, 1999: 38).

A escola deve proporcionar um ambiente agradável e enriquecedor onde o aluno possa construir seus meios de comunicação com o mundo que os cerca.

A escola deve ter profissionais que possibilitem esta ação, deve dar apoio a estes profissionais, dando cursos de reciclagem na qual eles percebam que não é só um papel que ensina, mas sim todo o contexto histórico no qual a criança está inserida.

A escola deve oferecer aos educadores sugestões sobre a importância do brincar na vida do ser humano e, em especial na vida da criança, que é fundamental a participação do educador nas atividades, contribuindo na ampliação das experiências das crianças, proporcionando-lhes base sólida para suas atividades físico-motoras, sociais e culturais. Quanto mais as crianças sentirem e experimentarem, quanto mais aprenderem e assimilarem, quanto mais elementos reais tiverem em suas experiências, tanto mais produtivas e criativas serão as suas atividades desenvolvidas futuramente.

As brincadeiras tradicionais vêm recebendo grande valorização de pais, educadores e da própria sociedade, que procuram contrapor-se a ofertas de produtos lúdicos comercializados pela indústria especializada, dando a oportunidades das crianças conhecer brincadeiras antigas que ajudam muito no desenvolvimento sócio-cultural. O significado da atividade lúdica para a criança está ligado a vários aspectos: o primeiro deles é o prazer de brincar livremente, depois o desenvolvimento físico que exige um gasto de energia para a manutenção diária do equilíbrio, do controle da agressividade, a experimentação pessoal em habilidades e papéis diversificados, a compreensão e incorporação de conceitos, a realização simbólica dos desejos, a repetição das brincadeiras que permitem superar as dificuldades individuais, a interação e a adaptação ao grupo social.

3.4 FASES DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL

Vimos que os jogos e as brincadeiras exercem um importante papel no desenvolvimento das crianças e que estimulam o raciocínio e a imaginação, facilitando a exploração de diferentes aspectos da criança, como comportamento, limites e suas habilidades. Segundo Piaget para promover estas atividades e possível dividí-las por períodos, de acordo com os interesses e necessidades relativas a idade.

No período chamado de Sensório Motor (do 0 aos 24 meses), se tem ações espontâneas que aparecem automaticamente em presença de certos estímulos, chamados de reflexos. Os esquemas-reflexo apresentam uma organização quase idêntica nas primeiras vezes que se manifestam. Exemplos: estimulando um ponto qualquer da zona bucal desencadeia automaticamente o esquema-reflexo de sucção; com uma estimulação na palma da mão provoca imediatamente a reação de preensão.

Com o decorrer do tempo os esquemas reflexos logo mostram certos desajustes: os objetos estimulantes não se adaptam igualmente aos movimentos de sucção, a mão, ao fechar-se, encontra objetos diferentes que forçam o esquema de preensão. Em outros termos, a assimilação dos objetos ao conjunto organizado de ações encontra resistências e provoca desajustes. Estes desajustes vão ser compensados por uma reorganização das ações, por uma acomodação do esquema. Os desajustes constituem, pois, uma perda momentânea de equilíbrio dos esquemas reflexos; por sua vez, os reajustes correspondentes ao êxito, constituem na obtenção – também momentânea – de um novo equilíbrio.

As emoções são o canal de interação do bebê com o adulto e com outras crianças. O diálogo afetivo entre adulto e criança principalmente caracterizado pelo toque corporal, mudança no tom de voz e expressões faciais cada vez mais cheias de sentido, constitui um espaço privilegiado de aprendizagem. A criança imita outras pessoas e cria suas próprias reações: balança o corpo, bate palmas, etc.

Logo que aprende a andar a criança fica encantada com essa nova capacidade que se diverte em locomover-se de um lado para outro sem finalidade específica. Com o exercício dessa capacidade a criança amadurece o sistema nervoso, aperfeiçoando o andar que se torna cada vez mais seguro e estável. Logo, a criança vai correr, pular, etc.

A criança nessa idade é aquela que não pára, mexe em tudo, explora, pesquisa e é curiosa. Seus gestos vão tendo progressos a cada dia, como por exemplo, consegue segurar uma xícara para beber água, mas isso não significa que a manipulação dos objetos se restrinja a esse uso, já que a criança também pode usar a xícara para brincar.

O aparecimento da função simbólica por volta do final do segundo ano de vida tem entre outras conseqüências, a de possibilitar que os esquemas de ação, característicos da inteligência sensório-motora possam converter-se em esquemas representativos. No faz-de-conta podem-se observar situações em que as crianças revivem uma cena recorrendo somente aos seus gestos, como, por exemplo, quando colocando os braços na posição de ninar, os balançam fazendo de conta que estão embalando uma boneca.

No plano da consciência corporal, nessa idade a criança começa a reconhecer a imagem de seu corpo, o que ocorre principalmente por meio das interações sociais que estabelece e das brincadeiras que faz diante do espelho. Nessas situações a criança aprende a reconhecer as características físicas que interagem a sua pessoa, o que é fundamental para a construção de sua identidade.

No período chamado de Pré-Operacional (dos 2 aos 7 anos) tem o aparecimento da atividade de representação que modifica as condutas práticas, a criança começa a fantasiar e imitar o que vê.

Segundo Piaget (1978), as primeiras reconstituições lingüísticas de ações surgem junto à reprodução de situações ausentes, através da brincadeira simbólica e da imitação. A criança começa a verbalizar o que só realizava motoramente. A criança está se desenvolvendo ativamente e isso lhe dá possibilidades de se utilizar da inteligência prática decorrente dos esquemas sensoriais motores, formados no período anterior, de construir os esquemas simbólicos, por exemplo, um cabo de vassoura pode virar um cavalo.

Piaget (1978) afirma que nesta passagem de ação à representação, intervêm dois mecanismos: abstração e generalização, distinguidas as abstrações empíricas, reflexiva e refletida.

Na abstração empírica, as informações vêm da experiência física. Ações como puxar, bater, montar, permitem abstração de informações das características dos objetos e das próprias ações. Por exemplo, a criança pode batucar um balde imaginando um tambor.

A cada conhecimento adquirido pela criança pré-operatória, ao mesmo tempo em que integra como conteúdo o que já foi apreendido, o enriquece com informações novas, o complementa com elementos próprios. Além de manusear os objetos, a criança estabelece relações entre eles, sendo assim, o manuseio de objetos é um conhecimento que antecede o estabelecimento de relações entre eles, e um complementa o outro.

Neste período, a criança também possui como característica principal o egocentrismo. Ela é o centro das atenções, consegue brincar com outras crianças, mas não divide brinquedos nem suas idéias. É inadmissível, para ela, que outra criança tome seu lugar de líder numa brincadeira ou divirja do que está pensando.

Todo o conhecimento que a criança constrói depende dos estímulos oriundos do meio onde está inserida e das ligações e relações feitas com esses estímulos.

No período Operacional Concreto (dos 7 aos 12 anos) a criança demonstra a necessidade de ter um espaço agradável para brincar e encontrar amigos. Percebe-se que as brincadeiras simbólicas vão sendo substituídas por jogos construtivos e de regras. Surge com mais freqüência os jogos de competição, as regras são mais discutidas e importantes para a criança. O interesse por coleções e esportes aumenta nessa idade. Observa-se o simbólico ainda nesta fase, mas de maneira diferente, o interesse por artistas de tv, esportistas, cantores e atores.

Jogos como futebol, voleibol, basquetebol, queimada, pique-esconde, bolinha de gude, pipa, bonecas, vídeo-game, jogos de construção, jogos com regras, ganham maior interesse nessa fase.

No período Operatório Formal (após os 12 anos), o interesse da criança começa a se confundir com o dos adultos. Possuem maior desejo por jogos eletrônicos, vídeo game, jogos de competição, tabuleiros e brincadeiras de aventura, além de esportes coletivos e individuais, ginásticas e danças.

3.5 O PAPEL DO PROFESSOR

“O lúdico é o parceiro do professor”, o professor que usa deste importante recurso dentro de sala de aula só tem a ganhar, pois o desenvolvimento da criança crescerá em grande escala. Mas para isso o educador deverá aceitar os novos paradigmas da educação, pois já se foi o tempo que o professor passava conhecimentos e ponto, hoje em dia estes conhecimento são adquiridos em todos os momentos e principalmente naqueles em que a criança pode usar de sua imaginação e colocar em prática fatores do seu cotidiano.

Por isso é muito importante que o educador tenha uma boa formação e que esteja sempre em reciclagem, pois a cada dia encontramos novas formas de trabalhar com o lúdico em sala de aula.

O professor tem que perder aquela mania de achar que o brinquedo só serve para “matar” o tempo, que é só para cobrir um espaço livre, mas sim que o lúdico deve estar presente dentro do currículo e do processo de ensino aprendizagem.

O pape do educador é de muita responsabilidade, ele deve saber lidar com as dificuldades encontradas pelos alunos que muitas vezes mostram estas deficiências num simples brincar.

A hora da brincadeira é muito importante, tanto para as crianças quanto para o educador, então nesse momento o educador não pode deixar totalmente livre, mas sim acompanhar o desenvolvimento dessas atividades.

O jogo é muito enriquecedor e mostra muitas vezes como que o educando é ágil na hora de seguir as regras e como lidar com as frustrações de perda e de dificuldade na hora de executá-los.

Vygotsky ( 1999) revela como o jogo infantil

aproxima-se da arte, tendo em vista necessidade da

criança criar para si o mundo às avessas para melhor

compreendê-lo, atitude que também define a

atividade artística.

É rara a escola que invista neste aprendizado. A escola simplesmente esqueceu a brincadeira, na sala de aula ou ela é utilizada com um papel didático, ou é considerada uma perda de tempo. E até no recreio, a criança precisa conviver com um monte de proibições, como também ocorre nos prédio, clubes, em casa e outros lugares.

A escola de vê intervir e munir os profissionais de conhecimentos para que possam entender e interpretar o brincar, assim como utilizá-lo para que auxilie na construção do aprendizado da criança. Para que isso aconteça, o adulto deve estar muito presente e participante nos momentos lúdicos.

O educador deve estar ciente que todas estas atividades são parceiras do desenvolvimento da motricidade, à atenção e a imaginação de uma criança.

Brincar não é só coisa de criança, as brincadeiras devem estar presentes sempre, independente do tipo de vida que se leve, todos adultos, jovens e crianças precisam da brincadeira e de alguma forma de jogo, sonho e fantasia para viver. A capacidade de brincar, abre para todos uma possibilidade de decifrar enigmas que os rodeiam. A brincadeira é o momento sobre si mesmo e sobre o mundo, dentro de um contexto de faz-de-conta. Nas escolas isto é comumente esquecido.

“ Na brincadeira a criança tem a oportunidade não apenas de

vivenciar as regras impostas, mas de transformá-las, recriá-

las de acordo com as suas necessidades de interesse e ainda

entendê-las. Não se trata de uma mera aceitação, mas de

um processo de construção que se efetiva com a sua

participação. “

Quando o professor planeja as atividades da semana, deve selecionar aquelas mais significativas para seus alunos. Em seguida o professor deve criar condições para que estas atividades significativas sejam realizadas. É importante que os alunos trabalharem na sala de aula em grupos, interagindo uns com outros, e este trabalho coletivo facilitará o próprio auto-desenvolvimento individual. O professor deve estabelecer metodologias e condições para desenvolver e facilitar este tipo de trabalho dentro do processo de ensino-aprendizagem. A identidade do grupo tem como resultado a integração de atividades mais amplas e profundas, como do tipo de liderança, respeito aos membros, condições de trabalho, perspectivas de progresso, retribuição ao investimento individual, compreensão e ajuda mútua, aceitação. São estas as qualidades que devem ser trabalhadas pelos professores e este deve estar atento principalmente ao componente com o qual o corpo dialoga através do movimento: a afetividade. A afetividade é um valor humano que apresenta diversas dimensões: amor, respeito, aceitação, apoio, reconhecimento, gratidão e interesse.

O professor é quem cria oportunidades para que o brincar aconteça, sem atrapalhar as aulas. São os recreios, os momentos livres ou as horas de descanso, mas devem sempre estar presentes.

Os pais percebem a mudança nas atitudes das crianças e na forma de agir em casa, se estes alunos estiverem sendo trabalhado desta maneira. Brincar juntos reforça laços afetivos. É uma maneira de manifestar nosso amor à criança. Todas as crianças gostam de brincar com os professores, pais, irmãos, e avós. A participação do adulto na brincadeira com a criança eleva o nível de interesse pelo enriquecimento que proporciona, pode também contribuir para o esclarecimento de dúvidas referentes as regras das brincadeiras. A criança sente-se ao mesmo tempo prestigiada e desafiada quando o parceiro da brincadeira é um adulto. Este, por sua vez pode levar a criança a fazer descobertas e a viver experiências que tornam o brincar mais estimulante e mais rico em aprendizado.

Reconhecendo a importância do lúdico enquanto fator de desenvolvimento da criança será importante para o ambiente escolar. Na verdade qualquer sala de aula disponível é apropriada para as crianças brincarem. Podemos ensinar as crianças também, a produzir brinquedos. O que ocorre geralmente nas escolas é que o trabalho de construir brinquedos com sucatas, fica restrito às aulas de arte, enquanto professores poderiam desenvolver também este trabalho nas áreas de teatro, música, ciências etc, integrando aos conhecimentos que são ministrados.

“O valor da imaginação e o papel a ela atribuído quer no

desenvolvimento da inteligência das crianças, quer no

processo de aprendizagem, do ponto de vista da formação

de conceitos ( Compreender como ocorre o processo de

representação da criança e seu alcance, uma vez que ela

consegue combinar simultaneamente o pensamento, a

linguagem e a fantasia).”

Desde a pré-escola é importante que as crianças participarem de atividades que deixem florescer o lúdico.

“ Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma

hora de brincadeira do que em um ano de conversa.”

4 METODOLOGIA

Abordou-se primeiramente nesta pesquisa um levantamento bibliográfico de autores que destacam muito bem o conteúdo e materiais publicados em livros e internet.

Foi realizada também uma observação dos jogos e brincadeiras na instituição escolar onde realizei minhas horas de estágio, observando as estratégias utilizadas e a postura dos educadores ao ministrá-las.

A escola fica na Penha-São Paulo, Av.Penha de França, nº 84, atende uma clientela de classe média alta. Tem como Diretora a sra. Maria da Conceição e coordenadora pedagógica a sra. Elaine Nascimento.

Fiz minha observação na sala de aula do pré, no horário dos jogos e das brincadeiras de sala. Os dados foram coletados apartir de fotos tiradas no momento em que atividades eram realizadas.

Os elementos observados foram: Como as crianças formam os grupos? Que critérios elas usam para promover essa formação? De que elas brincam? Quais foram as brincadeiras mais utilizadas? Que materiais elas usavam?

Se elas inventam a brincadeira? Qual o tempo de duração de cada brincadeira?

Considerando-se também o fato de que pretendo analisar como a situação lúdica é percebida pelos professores e nas ações das crianças, e também, no modo como o professor age frente à presença de brincadeiras desenvolvidas por seus alunos. A brincadeira é o caminho do desenvolvimento na infância e ao lidarmos com a educação infantil precisamos nos conscientizar de que quando as crianças brincam entre si, ou sozinhas, não estão perdendo tempo, mas sim construindo uma série de conhecimentos e habilidades importantes, resolvendo uma série de conflitos emocionais.

5 ANÁLISE E DISCUSSÃO

Este trabalho mostrou como os jogos e as brincadeiras são importantes na Educação Infantil. Mostrou que as brincadeiras não estão so relacionadas ao ato de brincar por brincar, mas sim que brincar ajuda no desenvolvimento psicomotor.

O lúdico ajuda no desenvolvimento da criança e interage ela com o mundo que a rodeia. Quando a criana brinca ou participa de uma brincadeira ela se expressa espontâneamente, sem pensar em restrições feitas muitas vezes pelos adultos.

Com a brincadeira a criança descobre que existem regras para serem seguidas e ficam perante as frustrações do dia-a-dia, além de trabalharem em conjunto.

Ao observar a sala do pré percebi que esta fase não tem como ser esquecida, pois eles pedem isso nas ações que realizam. Dá para perceber que já tem uma liderança na hora de executarem a atividade e que já começam a lidar com as regras dentro da brincadeira.

É importante também ressaltar que a brincadeira é uma experiência de convívio, de troca, de interação, socialização e aprendizagem, onde se manifesta não apenas entre crianças, mas em todos que dela se dispuserem a participar.

Percebi dentro da escola João XXIII, que esta atividades são desenvolvidas com prazer por parte de professores e alunos, o que mostra um clima agradável de se trabalhar.

Os objetivos propostos foram alcançados com êxito, mais uma vez ressalto como é importante a presença do professor nesse processo não abrindo mão do lúdico que buscam o desenvolvimento integral do aluno.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho foi muito produtivo e enriquecedor, mostrou que brincando a criança expressa as emoções, sentimentos, pensamentos, desejos e suas necessidades é que neste trabalho procurei analisar uma forma que as crianças se sentissem mais prazer ao aprender.

Muitos professores ainda não dão tanto valor ao lúdico, a escola deve estar preparada para observar estas atitudes e tentar mostrar sua importância.

Brincar só e perda de tempo se o educador não sabe ministrá-la, pois do contrário é muito valioso e enriquecedor.

Os futuros leitores e escritores precisam dessa base, o próprio letramento diz isso, pois não queremos “robozinhos”, mas sim seres pensantes, que agem com firmesa e acreditam em si próprio.

A nível social a criança cresce muito através das atividades lúdicas, pois quando uma criança brinca de maneira participativa, procura satisfazer suas necessidades e expressa interesses espontâneos.

Se quisermos uma educação de qualidade e transformadora para que as crianças de hoje se tornem cidadãos críticos de amanhã devemos trabalhar muito a cerca da formação dos profissionais que interagem junto deles.

Por meio das brincadeiras os professores podem observar e constituir uma visão dos processos de desenvolvimento das crianças em conjunto e de cada uma em particular, registrando suas capacidades de uso das linguagens, assim como de suas capacidades sociais e dos recursos afetivos e emocionais que dispõem.

Não podemos deixar de dizer que nós educadores cuidamos do futuro dessa nação e somos um pouco responsáveis pelas ações das crianças. Brincar também é educar, pratique.

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