Trabalho Completo Indice De Queda Dos Idosos

Indice De Queda Dos Idosos

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Categoria: Outras

Enviado por: tayna 04 maio 2013

Palavras: 21997 | Páginas: 88

FACULDADES UNIDAS DO VALE DO ARAGUAIA

O ÍNDICE DE QUEDAS E O MEDO DE CAIR DOS IDOSOS CORRELACIONANDO COM A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA

Barra do Garças MT, Dezembro de 2011.

FACULDADES UNIDAS DO VALE DO ARAGUAIA

O ÍNDICE DE QUEDAS E O MEDO DE CAIR DOS IDOSOS CORRELACIONANDO COM A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA

Trabalho apresentado pela acadêmica Luciana Mendonça Duarte das Faculdades Unidas do Vale do Araguaia como requisito de conclusão parcial para obtenção do título de Graduada – Bacharel em Fisioterapia, sob orientação metodológica da Professora Cristina Alves Moreira e orientação conteudística do Professor Me. Flávio Cesar Vieira Valentim.

Barra do Garças MT, Dezembro de 2011.

FACULDADES UNIDAS DO VALE DO ARAGUAIA

O ÍNDICE DE QUEDAS E O MEDO DE CAIR DOS IDOSOS CORRELACIONANDO COM A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA

MEMBROS DA BANCA EXAMINADORA:

____________________________________________

Professor Esp. Everton Cardoso Borges

____________________________________________

Professor Esp. Giliard Mores

____________________________________________

Professor Me. Flávio Cesar Vieira Valentim

Orientador Geral do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

Julgado em: 07 / 12 / 2011

Dedico este trabalho aos meus filhos Matheus Beretta e Pedro Beretta e ao Dorival Beretta Neto que foram o esteio para minha caminha, em especial aos meus filhos, que foram meu porto seguro nos momentos em que pensei em desistir. Foram os maiores incentivadores. Muito obrigado meus filhos pela oportunidade de ser mãe.

AGRADECIMENTOS

Deus se por um instante esquecesse de que somos seres imperfeitos e nos presenteasse com mais um pouco de vida ao teu lado, possivelmente não diríamos tudo o que pensamos, mas definitivamente pensaríamos em tudo o que dissemos.

Dedico este trabalho aos meus filhos, amores da minha vida Matheus Beretta e Pedro Beretta que tiveram a compreensão e a paciência de esperar, estive ausente por algum tempo, mesmo com todas as dificuldades que passamos me senti fortalecida pra continuar, confesso que tive épocas que pensei desistir, porem vocês me mostravam, o quanto seria importante a minha realização pessoal, profissional e exemplo de persistência pra vida de vocês. Amo vocês!

Aos meus pais, em especial minha mãe que um dia sonhou com essa realização, e que mesmo com o passar do tempo acreditou que um dia eu seria capaz de concretizar um sonho. Você mãe foi um exemplo um incentivo na minha vida, não poderia chegar ate aqui sem seus ensinamentos, você me ensinou a persistir. A conquista também e sua mãe.

Dorival Beretta Neto não poderia deixar de te agradecer, você contribui com esse sonho, compartilhou e me incentivou a prosseguir nesta jornada. Passamos muitas situações juntos e muitas vezes você teve a sabedoria de me guiar. Cuidou dos nossos filhos com muita dedicação, os nossos tesouros. Você faz parte dessa realização. O meu muito obrigada!

Aos meus irmãos que mesmo distantes sempre tiveram perto em meus pensamentos com lembranças de palavras de apoio e incentivo.

As minhas amigas (Raimunda Brandão e Faiza Safa), que não estavam presente na minha vida acadêmica, mas que estiveram me apoiando me levando pra frente a todo momento.

Meus amigos, pensando no que vivemos percebemos que os momentos de história que realizamos juntos foram mais grandiosos do que pequenos. Aprendi muito com todos vocês, cada um com suas particularidades, Ana Flavia Ravanelli, Elissandra Aguiar , Tamirys Barbosa, Sara Fernandes, Fernando Santos e Luma de Oliveira nos tornarmos uma família, fomos muitos felizes não sabemos o quanto.

Neste momento palavras perdem o sentido diante das lágrimas contidas na saudade que iremos sentir um dos outros, sorrisos muitas vezes fez parte da nossa turma, e que só vamos dizer um ate logo , porque com certeza nos encontraremos na estrada da vida.

Estamos realizando um sonho uma vitória em nossas vidas.

Hoje percebo o quanto vocês se tornaram importantes na minha vida, amigos que tive a oportunidade de conviver tão intensamente durante esse ano (grupo B) aprendi a admirar todos vocês!

Ao meu orientador Professor Me. Flavio Valentin, a quem admiro e muito me ensinou, foi um acaso essa escolha, mas não poderia ser melhor. Agradeço pelo voto de confiança e por ter acreditado em mim e em minha capacidade em momentos que nem mesmo eu acreditava.

A professora Cristina Alves (Bin Laden), pela sua paciência e compreensão sou grata pela oportunidade de conviver com um ser humano tão enriquecedor como você.

Ao Professor Me. Abel Pompeu de Campos Junior, que me mostrou o caminho que vou seguir após o termino da minha graduação alem da importância da ética e respeito para o com os pacientes, mas também para meu crescimento profissional.

Agradecimento aos professores que passaram pela minha vida acadêmica, em especial as professoras Cínara Graziela, Mayra Cortes e Gisele Moreira que tiveram um papel fundamental na minha formação. Obrigada por acreditarem em mim.

Ao mantenedor das Faculdades Unidas do Vale do Araguaia professor Marcelo Soller, meus agradecimentos que se tornou um grande amigo, e me incentivou a acreditar que tudo era possível, e que tudo daria certo no final.

A UNIVAR pela oportunidade de ampliar meus conhecimentos, me transformando em uma profissional, além de me oferecer bons momentos em minha vida.

“Devemos aprender durante toda a vida, sem imaginar que a sabedoria vem com a velhice”.

Platão

RESUMO

As quedas na população idosa representam um problema de saúde pública, além de promovem efeitos incapacitantes para o idoso. A atividade física administrada de forma correta para este grupo específico contribui para a diminuição das quedas. A presente pesquisa teve como objetivo avaliar o índice de quedas e o medo de cair em idosos correlacionando este fator com a prática de atividade física. Trata-se de um estudo transversal, quantiqualitativo, descritivo e exploratório onde participaram 32 idosos do Centro de Referencia Assistência Social (CRAS) do grupo da Feliz Idade do Bairro Santo Antonio situado no Município de Barra do Garças (MT). Foi realizada a coleta dados por meio de uma Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) com perguntas fechadas e abertas e foi aplicado na sequência a Escala Internacional de Eficácia de Quedas (Falls Efficacy Scale International – FES-I) para medir o medo de queda em diversas atividades diárias destes idosos. Para este estudo, a FES foi dividida em duas partes, de acordo com o tipo de atividade: atividade de vida diária (AVD) e atividade social (AS), contendo 16 questões. Na anamnese observamos que dos 32 idosos analisados, apenas 1 era do sexo masculino. Com relação à prática de atividade fisica durante a semana observamos que 16% (n=5) não faziam nenhuma atividade fisica; 50% (n=16) faziam duas vezes por semana e dentre os que realizam tres vezes observamos 34,% (n=11). Ao analisarmos o número de quedas no último ano identificamos que 25% (n=8) relataram que não sofreram quedas e 75% (n=24) apontaram que sofreram quedas. Com relação ao medo de cair, observamos que 22% dos idosos (n=7) não possuem medo e 78% (n=25) relatam sentir medo. Analisando as respostas da FES, observamos que 2 itens deste questionário eram relevantes para a pesquisa (andar em superfícies escorregadias e andar em superfícies irregulares). Nesse sentido observamos que 78% (n=25) dos idosos possuíam algum tipo de preocupação, seja ela pouca, moderada ou muito (elevada) quando andavam em superfícies escorregadias e 22% (n=7) dos idosos não demonstraram preocupação alguma. Com relação ao andar em superfícies irregulares, observamos que 72% (n=23) estavam sentindo pouca, moderada ou muita preocupação e 28% (n=9) não demonstravam nenhum tipo de preocupação. Concluímos que a atividade física previne as quedas quando aplicada as especificidades de cada idoso e que a fisioterapia deve ser enfatizada nas intervenções primarias e não quando o evento queda acontece. Esta pesquisa apontou que o índice de quedas foi elevado, pois a maioria dos idosos sofreram quedas no último ano relatando também o medo de cair novamente.

PALAVRAS- CHAVE: idoso, quedas, atividade física

ABSTRACT

Falls in the elderly represent a public health problem, and promote the disabling effects for the elderly. Physical activity administered correctly for this particular group contributes to the reduction of falls. This study aimed to assess the rate of falls and fear of falling in the elderly this factor correlating with physical activity. It is a cross-sectional study, quantiqualitative, descriptive and exploratory 32 elderly attended the Reference Center Social Assistance (CRAS) group of Happy Age Neighborhood Santo Antonio located in the municipality of Barra do Garças – Mato Grosso (Brasil). We collected data through a Broad Geriatric Evaluation (EGB) with both open and closed questions was applied following the Efficacy Scale International Falls (Falls Efficacy Scale International - FES- I) to measure the fear of falling in several daily activities of this group. For this study, the FES were divided in two parts, in accordance with the type of activity: activity of daily life (ALD) and social activity (AS), contend 16 questions. In anamnese we observe that of the 32 elderly ones analyzed, only 1 was of the masculine sex. With regard to the practical one of physical activity during the week we observe that 16% (n=5) did not make no physical activity; 50% (n=16) made two times per week and amongst that they carry through three times we observe 34, % (n=11). When analyzing the number of falls in the last year we identify that 25% (n=8) had told that they had not suffered falls and 75% (n=24) had pointed that they had suffered falls. With regard to the fear to fall, we observe that 22% of the aged ones (n=7) do not possess fear and 78% (n=25) tell to feel fear. Analyzing the answers of the FES, we observe that 2 item of this questionnaire were excellent for the research (to walk in slippery surfaces and to walk in irregular surfaces). In this sense we see that 78 % (n=25) of the elderly had some type of concern, be it low, moderate or very (high) when walking on slippery surfaces and 22% (n = 7) of the elderly have shown some concern . With respect to walking on uneven surfaces, we observed that 72 % (n = 23) were feeling low, moderate or high concern and 28 % (n=9) did not show any concern. We conclude that physical activity prevents falls when applied to the specifics of each elderly and that physical therapy interventions should be emphasized in the primary and not fall when the event happens. This study showed that the rate of falls was high, because most of the elderly suffered declines last year also reporting fear of falling again.

KEY WORDS: elderly, falls, physical activity

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 9

CAPÍTULO I 11

2. O ENVELHECIMENTO E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS. 11

2.2 O ENVELHECIMENTO RELACIONADO AO SEXO 14

CAPÍTULO II 16

ACIDENTES E QUEDAS NA TERCEIRA IDADE 16

2.1 FATORES INTRÍNSECOS QUE INFLUENCIAM NAS QUEDAS 16

2.2 FATORES AMBIENTAIS QUE INFLUENCIAM NAS QUEDAS 29

2.3. AS CONSEQUÊNCIAS DAS QUEDAS NOS IDOSOS 30

CAPÍTULO III 35

A INFLUÊNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA NA PREVENÇÃO 35

DE QUEDAS EM IDOSOS 35

3.1 ATIVIDADE FÍSICA NA TERCEIRA IDADE 35

3.2. PREVENÇÃO DAS QUEDAS 37

3.3. INTERVENÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NA PREVENÇÃO DE QUEDAS 38

METODOLOGIA 40

RESULTADOS E DISCUSSÃO 42

CONSIDERAÇÕES FINAIS 48

ANEXO 54

INTRODUÇÃO

O envelhecimento faz parte de uma das etapas da vida de forma individualizada e gradual, tendo por consequências as modificações fisiológicas bioquímicas e psicológicas em efeito da ação do tempo. E uma etapa onde todas as somatizações de uma vida inteira estarão acumuladas neste período, pois se evidencia por diminuição gradual da capacidade de adaptação e reserva do organismo diante das alterações que irão exercer influência direta na vida do idoso.

Diante deste fato um novo conhecimento social e fundamental e preciso para que possamos atender melhor esta população. O envelhecimento predispõe a vida das pessoas o aumento de doenças, de dependência, de perca de autonomia, de diminuição da rede e do suporte social, a perda de papéis sociais, o isolamento, a solidão, a depressão e a falta de sentido para a própria vida. Preparar-se para o envelhecimento com sucesso e preocupar-se com a preservação da autonomia e independência aplicando todos os níveis de prevenção de incapacidades

Especificando-se, suscita-se a discussão do assunto na área da Fisioterapia em Geriátrica e Gerontologia, onde estudos sobre a consequência das alterações física do envelhecimento têm sua relevância. E nos tempos de hoje a preocupação e mundial, de que forma as atividades físicas podem contribuir para uma diminuição das consequências de quedas dos idosos?

Já alcançam algum destaque e existe um consenso no reconhecimento da importância da prevenção e reabilitação na medida em que os recursos terapêuticos específicos sejam exigidos, intervindo de forma direta para cada idoso.

Diante do processo natural do envelhecimento estão agregados vários fatores importantes de mudanças estruturais e funcionais. A prevenção e o maior aliado à saúde do idoso especialmente em relação às quedas. A prática regular de exercícios físicos, onde o foco principal e o desenvolvimento da marcha, força, equilíbrio e propriocepção, tendo um papel fundamental na diminuição das quedas e suas complicações tardias. A implementação de um programa de atividades direcionadas ao treinamento do equilíbrio, força muscular, propriocepção articular, tempo de resposta articular, tempo de resposta muscular e ainda a ergonomia domestica, mesmo em idade extrema, é capaz de minimizar ou mesmo evitar o declínio funcional acentuado, amenizando os efeitos das doenças, ou mesmo prevenindo-as.

Foi realizada uma pesquisa caracterizada por um estudo transversal, quantitativo e qualitativo, descritivo e exploratório. Participaram deste estudo idosos do Centro de Referencia Assistência Social (CRAS) do grupo da Feliz Idade do Bairro Santo Antonio de Barra do Garças.

Exploramos neste contexto que um único evento, a queda, tem graves consequências para o idoso, quanto para sociedade, pois as quedas hoje são consideradas como um problema de saúde pública. Diante deste fato o profissional fisioterapeuta tem uma importante responsabilidade com o idoso e a sociedade.

CAPÍTULO I

2. O ENVELHECIMENTO E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS.

1.1 O ENVELHECIMENTO NO BRASIL E NO MUNDO

Pode-se dizer que o envelhecimento e uma experiência maravilhosa e singular, e algo extraordinário e notável, para Kauffman (2001), o envelhecimento começa no útero no momento da concepção. Ele representa a passagem do tempo, não uma patologia. Seguindo a mesma forma de pensamento de alguns autores, Papaléo Netto apud Valentim (2002) conclui que o processo de envelhecimento e sua consequência natural, a velhice, são uma das preocupações da humanidade desde o inicio da civilização.

O século XX marcou definitivamente a importância do estudo da velhice, fruto, de um lado, da natural tendência em pesquisar e estudar o processo de envelhecimento, que já se anunciava nos séculos anteriores e, de outro, do aumento do número de idosos em todo o mundo, que exerceu pressão passiva sobre o desenvolvimento desse campo.

Diante deste fato mundial, Martins et. al, (2007), esclarece que o desafio para o século XXI é oferecer suporte de qualidade de vida para uma população com mais de 32 milhões de idosos, na sua maioria de nível socioeconômico e educacional baixo e com alta prevalência de doenças crônicas e incapacitantes.

Contudo, para atenção adequada ao idoso juntamente com a magnitude e a severidade dos seus problemas funcionais é imperativo o desenvolvimento de políticas sociais e de saúde factíveis e condizentes com as reais necessidades das pessoas nessa fase da vida.

De acordo com Pickles et.al (1998), diz que é relevante ter uma visão global do envelhecimento como processo do idoso como ser humano, sendo assim ele afirma que:

O aumento acentuado do número de idosos trouxe consequências para a sociedade e, obviamente para indivíduos que compõem esse segmento etário. Era necessário buscar os determinantes das condições de saúde e de vida dos idosos e conhecer as múltiplas facetas da velhice e do processo de envelhecimento. Ver esses fenômenos simplesmente pelo prisma biofisiológico é desconhecer a importância dos problemas ambientais, psicológicos, sociais, culturais e econômicos que pesam sobre eles. Ao contrário, é relevante ter uma visão global do envelhecimento como processo e do idoso como ser humano. Hoje felizmente, todas as áreas do saber sobre a velhice encontram-se em grande evolução. (PICKLES et al, 1998, p. 78).

Vono (2007), define a senescência como fase da vida de um indivíduo sadio, com 60 anos ou mais, não doente, sem distúrbios de conduta, esquecimentos importantes e perda do controle de si mesmo, em outras palavras e o velho sadio. Já senilidade pode ser definida como o envelhecimento patológico ou com doença, em que o idoso perde a autonomia e a independência para as atividades da vida diária (AVD).

Seguindo o contexto do autor supracitado, o Brasil tem hoje elevado número de pessoas idosas total ou parcialmente incapacitadas, que, por suas limitações, se isolam e perdem a capacidade de participação e expressão perante os problemas do cotidiano. São pessoas que, por sua limitação se tornam dependentes dos cuidados de terceiros e perdem sua autonomia.

É preciso reconhecer que o ciclo de vida consiste numa série de etapas relacionadas entre si e num todo integrado, contudo Martins et. al, (2007), considera o envelhecimento como uma etapa do ciclo vital, marcado por mutações biológicas visíveis e cercado por determinantes sociais que tornam as concepções sobre velhice variáveis de indivíduo para indivíduo, de cultura para cultura, de época para época. Assim é impossível dar significado à palavra “velho” fora de um contexto cultural e histórico.

O conceito de “velho” evoluiu, o estereótipo sobre a velhice também se alterou. A pessoa idosa muitas vezes é tratada como “frágil”, “indefesa”, “dependente” e até “doente”. O que se observa atualmente é o surgimento de novos estereótipos associados à aparência e comportamento de “jovem”, do idoso “produtivo”, que freqüenta grupos de cultura e lazer, que transita livremente pela sociedade. A partir desses estereótipos, o termo “velho” passou a ser considerado politicamente incorreto e a velhice passou a ser vista como atitudes e comportamentos saudáveis. (MARTINS et al,2007, p. 14).

Diante desses fatores citados, as pesquisas nas áreas de Geriatria e Gerontologia tem fundamental importância, de acordo com Vono (2007), são discretos os estudos gerontológicos, porém mostram ações capazes de oferecer subsídios para o planejamento de novas modalidades de atendimento à pessoa idosa, seja na detecção precoce dos déficits funcionais, na prevenção de doenças e promoção de saúde, ou na reabilitação de funções. Estas ações são imprescindíveis para a preservação e ou o resgate da autonomia do idoso. A velhice surge como um novo fenômeno social exigindo mudanças em todos os níveis.

A criação das leis, portarias, mudanças na estrutura física dos espaços públicos, aumento de grupos de convivência, criação de espaços destinados aos idosos, são exemplos de mecanismos criados buscando a promoção da qualidade de vida desse grupo etário. Recursos humanos qualificados são indispensáveis para a execução destas ações.

Netto (2006), fundamenta que, a partir da década de 1930 começaram a surgir numerosos trabalhos em todas as áreas que hoje compõem a ciência do envelhecimento por meio dos quais foi possível acrescentar conhecimento aos até então existentes. Durante décadas a geriatria teve um peso maior cronológico e quantitativamente que as demais áreas que compõe a gerontologia, graças aos avanços no estudo dos aspectos diagnósticos e terapêuticos das pessoas que envelhecem.

De acordo com a necessidade das transformações da população idosa e fundamental para Pereira, Schneider, Schwanke (2009), que a Geriatria com suas facetas de assistência, ensino e pesquisa possam florescer cada vez mais, acompanhando o rápido crescimento do envelhecimento populacional, que e reconhecido como fenômeno mundial e irreversível.

Em 1999 surgiu a Política Nacional de Saúde do Idoso que tem como principais diretrizes a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção da capacidade funcional, a assistência às necessidades de saúde do idoso, a capacitação de recursos humanos especializados, a reabilitação e o apoio a pesquisas e estudos nessa área (MS. Portaria Nº 1395/1999).

A política Nacional Idoso, a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, e o Estatuto do Idoso são dispositivos legais que norteiam ações sociais e de saúde, garantindo os direitos das pessoas idosas e obrigando o Estado na proteção dos mesmos. Porém entende-se que a efetivação de uma política requer a atitude consciente, ética e cidadã dos envolvidos e interessados em viver envelhecendo de modo mais saudável possível. Estado, profissionais da saúde, idoso e sociedade em geral são todos co-responsáveis por esse processo (MARTINS et al, 2007, p.4).

Estatuto do idoso, em seu Artigo 18, no Capitulo IV do direito a saúde diz que as instituições de saúde devem atender aos critérios mínimos para o atendimento as necessidades do idoso, promovendo o treinamento e a capacitação dos profissionais, assim como orientação a cuidadores familiares e grupos de auto-ajuda.

Veras (2006), comenta que do ponto de vista da Saúde Pública, esse conceito é o mais adequado para se estruturar e viabilizar uma política de atenção a saúde do idoso. Portanto, todas as iniciativas de promoção de saúde, assistenciais e de reabilitação em saúde devem ter como meta aprimorar, manter ou recuperar a capacidade funcional do individuo.

As ações nesse contexto terão como foco especial a reabilitação precoce, mediante a qual busca prevenir a evolução e recuperar a perda funcional incipiente, de modo a evitar-se que as limitações da capacidade funcional possam avançar e que aquelas limitações já avançadas possam ser amenizadas. Esse trabalho envolverá as práticas de um trabalho multiprofissional de medicina, enfermagem, fisioterapia, terapia ocupacional, nutrição, fonoaudióloga, psicologia e serviço social (MS. PORTARIA Nº 1395/1999, p.2).

2.2 O ENVELHECIMENTO RELACIONADO AO SEXO

Nos estudos sobre o envelhecimento, as consequências são significativas em ambos os sexos. Nesse sentido, Veras (1996), descreve que o aumento da expectativa de vida da mulher é mais significativo do que o do homem, o que pode ser atribuído a fatores biológicos e à diferença de exposição aos fatores de risco de mortalidade. Coloca ainda a crescente participação da mulher na força de trabalho, a fim de contribuir financeiramente no orçamento doméstico, trazendo como consequência a ausência de sua figura na família, ou seja, de alguém que cuide do idoso em caso de doença ou incapacidade física. Por outro lado, devido à maior duração de vida da mulher em relação à do homem, elas estão expostas por períodos mais longos de doenças crônicas degenerativas, à viuvez e à solidão.

Neste sentido o autor supracitado, ressaltar ainda que pertencer ao sexo feminino determina o exercício de papéis sociais que conectam as mulheres ao mundo das relações e da interdependência, possibilitando o acesso a recursos sociais e interpessoais, que funcionam como mecanismos protetores. Acrescenta-se que as mulheres idosas têm tido uma participação qualitativa e quantitativa maior que os homens em todas as atividades relacionadas às políticas de saúde direcionadas ao idoso. Esse quadro desencadeou uma preocupação inicial não só nos países de primeiro mundo, como também no Brasil, que se encontra em situação mais dramática, uma vez que o ritmo de crescimento da população idosa é proporcionalmente muito mais intenso do que o presenciado por aqueles países.

Considerando o envelhecimento populacional, Costa et al. (2003), refere-se à mudança demográfica com um dos eventos mais importante dos últimos tempos, que tem ocorrido em muitos países do mundo e representa um desafio para o século 21.

Ressaltam ainda que embora o aumento da população idosa tenha sido observado em países desenvolvidos, na atualidade este padrão tem sido maior nos países em desenvolvimento. Conforme demonstra a figura (1) abaixo.

Figura 1: Proporção da população brasileira idosa e muito idosa

Fonte: FREITAS, E.V. et al. Tratado de geriatria e gerontologia, 2006.

CAPÍTULO II

ACIDENTES E QUEDAS NA TERCEIRA IDADE

2.1 FATORES INTRÍNSECOS QUE INFLUENCIAM NAS QUEDAS

Os fatores intrínsecos estão relacionados com o próprio indivíduo. Sabe-se que durante o processo de envelhecimento, ocorrem algumas alterações fisiológicas, para Tideiksaar (2003), as consequentes transformações que interferem diretamente na funcionalidade da pessoa idosa que para uma mobilidade eficaz e necessário que haja a integridade de alguns sistemas, alem do visual, o neurológico, o musculoesquelético e o vascular, havendo uma boa operacionalidade entre eles. Afirma, ainda, que, o declínio gradativo no funcionamento desses sistemas afeta diretamente a forma do caminhar e o equilíbrio, gerando situação de instabilidade e possível queda.

Contribuindo com as colocações anteriores Silva (2007), refere-se às quedas como um fator importante para afetar a capacidade funcional, relacionadas com o processo de envelhecimento ligadas a ocorrência de quedas. As alterações na composição corporal, a diminuição da estatura, a perda da massa muscular, a diminuição da massa óssea e o declínio nas aptidões psicomotoras podem provocar a instabilidade postural ou a incapacidade de manutenção do equilíbrio, em situações de sobrecarga funcional.

De acordo com Freitas (2006), com o evoluir da vida e diante da necessidade de manterem suas funções vitais, órgãos nobres como o cérebro, coração ou rins procuram reequilibrar-se constantemente, visando à manutenção do seu melhor padrão funcional, através de mecanismo homeostáticos, enfrentando perdas de massa celular ativa, que podem chegar a mais de um terço do seu total. O sistema nervoso central (SNC) é o sistema biológico mais comprometido com o processo do envelhecimento, pois é o responsável pela vida de relação, sensações, funções psíquicas, entre outros.

O sistema biológico e o que mais sofre com as modificações nas fases do envelhecimento Spence (2008), cita que a partir do instante da fertilização, o organismo humano desenvolve-se ate atingir a plena maturidade, o individuo maduro, as células são altamente especializadas, tais como as musculares e as nervosas, geralmente não sofrem mais divisões quando estas morrem como resultado de uma doença ou uma lesão, não são substituídas, formando-se tecido cicatricial. As células musculares ou nervosas remanescentes então assumem as funções das células mortas. Isto impõe uma fadiga adicional a estas células e pode apressar sua morte, contribuindo para o envelhecimento. Outras células do corpo, tais como a do fígado e pâncreas, mantém a capacidade de divisão e isso sugerem que esses órgãos envelheçam mais rapidamente do que os tecidos muscular e nervoso.

Segundo Morelli e Lustri (2007), o envelhecimento também promove alterações no sistema cardiorrespiratório, que vão desde alterações nos vasos, na musculatura cardíaca, nas válvulas, bem como na caixa torácica e no pulmão. Como envelhecimento há uma degeneração progressiva das estruturas cardíacas e alterações fibróticas nas válvulas do coração. A capacidade de bombeamento do coração é reduzida com a idade devido a alterações que afetam a musculatura cardíaca. Os vasos sanguíneos perdem sua complacência ou capacidade de distensibilidade alterando assim a pressão sanguínea ao longo da árvore vascular.

Os mesmo autores consideram ainda que as alterações no sistema respiratório compreendem mudanças nos ossos e articulações do tórax, bem como no principal componente deste sistema, o pulmão. Essas articulações e ossos vão se tornando cada vez mais rígidos devido à calcificação, promovendo assim uma maior rigidez da caixa torácica. A nível pulmonar, os seus principais componentes como os bronquíolos, brônquios e alvéolos, vão ficando cada vez menores e com menos distensibilidade devido a substituições de seus tecidos por tecido conjuntivo ao longo dos anos.

Para Salles apud Netto, Filho (2006), as alterações estruturais e funcionais decorrentes do envelhecimento são descritas a nível celular e tecidual esses autores consideram que o aumento da quantidade dos tecidos gordos e fibrosos, são a custa dos tecidos magros, a alteração do núcleo celular com diminuição do ADN e perda progressiva da função genética, contribui para diminuição do numero de células ativas e proporcionalmente a uma diminuição da utilização do oxigênio para o metabolismo basal e a diminuição de glóbulos vermelhos e o seu conteúdo em hemoglobina. No que se refere aos músculos, ossos e articulações as alterações são: diminuição da massa corporal, diminuição do numero de fibras originando a redução do tamanho causando nelas desnervação e atrofia muscular progressiva com diminuição do tônus, da potencia, da força e da agilidade, a diminuição da mobilidade de diversas articulações devido a redução da água dos tendões e ligamentos e da degeneração das cartilagens que acarretam redução da resistência alástica, alem da diminuição da massa óssea devido a redução dos osteoblastos e a perda de cálcio, como consequências ocorre o adelgaçar das vértebras dorso-lombares com conseqüente redução de 1,5 a 5 cm de altura a diminuição do equilíbrio, a redução da dimensão da caixa torácica.

Fazendo uma observação entre o nascimento ate a adolescência Tortora (2008), refere-se às estruturas ósseas como um tecido que e mais produzido do que é perdido, durante o remodelamento do osso. Em adultos jovens, a deposição e a diminuição do osso são, aproximadamente, equivalentes. Com a baixa dos esteróides sexuais na meia-idade, especialmente na mulher após a menopausa, há diminuição da massa óssea. Na idade avançada, a perda de osso ocorre mais rapidamente. Com o osso da mulher geralmente é menor e com menos massa que o do homem, a perda de massa óssea, no idoso, tem tipicamente efeito mais adverso na mulher.

Durante o processo do envelhecimento as alterações no disco intervertebral será um fenômeno bastante comum , segundo Silveira et al (2010), acontece durante toda a existência do indivíduo, iniciando-se por volta da segunda década de vida. Vale lembrar que o envelhecimento altera as propriedades e a proporção relativa dos elementos do tecido conjuntivo do disco intervertebral, sendo que a elastina torna-se menos distensível e pode sofrer fragmentações sucessivas.

Associado ao ponto de vista de alguns autores Guccione (2002), afirma, que as lesões e o envelhecimento reduzem irreversivelmente a capacidade de absorção de água pelos discos, resultando numa diminuição na sua capacidade de absorção de choque. Um disco geriátrico típico possui um conteúdo líquido reduzido em cerca de 35%. Com a ocorrência dessa alteração degenerativa fisiológica, movimentos anormais entre os corpos vertebrais adjacentes serão observados, e uma maior proporção das cargas compressivas, de tração e de cisalhamento que agem sobre a coluna deverá ser suportada por outras estruturas mais especificamente as facetas e as cápsulas articulares. Observa-se alterações da estrutura do colágeno como redução do comprimento das cadeias de condroitina na cartilagem articular. Porém, é importante salientar que tais alterações não indicam que a pessoa possui uma doença articular degenerativa ou virá a apresentá-la, e sim que existe uma possibilidade aumentada de que a cartilagem articular possa passar por microfraturas ou lesões a partir de forças como desgaste, obesidade, trauma, doença metabólica ou fatores hereditários. Conforme demonstra a figura 2 abaixo.

Figura 2: Deformidade gradativa da coluna vertebral, em pós-menopausa, com perda de estatura.

Fonte: FREITAS, E.V. et al. Tratado de geriatria e gerontologia, 2006

Com o processo do envelhecimento, a arquitetura óssea que compõe e sustenta o corpo humano sofre uma considerável alteração, no que diz respeito à densidade mineral óssea e à microarquitetura óssea durante o envelhecimento. Sabe-se que há uma redução na densidade dos ossos e, que essa redução, dá-se mais precocemente na coluna vertebral que nos membros (GUCCIONE, 2002, p. 95).

Considerando os aspectos importantes relacionados ás alterações estruturais pode-se dizer que as modificações músculo esqueléticas no idoso tem sua relevância, podendo ser considerada como uma das mais importantes.

Para Silveira et. al (2010), o decréscimo da massa muscular e, por consequência, da força muscular é o principal fator a se levar em conta para notar a deterioração da mobilidade e da capacidade funcional do ser humano no processo de envelhecimento. No idoso, o comprimento do músculo pode estar aumentado ou diminuído. Há perda das fibras musculares, o que provavelmente resulta em redução da força.

Os músculos esqueléticos são organizados em fibras que são formadas por subunidades sucessivamente menores. Os músculos esqueléticos são formados por feixes e cada feixe recebe a denominação de fascículo. Os fascículos são constituídos por miofilamentos e estes por sua vez compreendem as miofibrinas quando agrupadas formam as fibras musculares (REBELATTO E MORELLI (2004, p. 69).

Do ponto de vista funcional para Lustre, Morelli apud Rebellato (2007), o sistema muscular tem como fator primordial as alterações de perda de massa muscular, ocorrendo principalmente pela diminuição no peso muscular e também em sua área de secção transversa. Também se deve a perda de unidades motoras e ao fato de que nas placas motoras dos idosos as pregas são mais numerosas e as fendas sinápticas se tornam mais amplas, reduzindo a superfície de contato entre o axônio e a membrana plasmática. Consequentemente, o idoso terá menor qualidade em sua contração muscular, menor força, menor coordenação dos movimentos e, provavelmente, maior probabilidade de sofrer acidente.

Contribuindo com as considerações anteriores Lacourt, Marini (2006), afirmam que, os possíveis mecanismos neurais que fundamentam essa diminuição de potên¬cia associada à idade incluem as alterações indefinidas do Sistema Nervoso Central (SNC), um retardo na velo¬cidade de condução das fibras nervosas motoras e uma transmissão retardada da junção neuromuscular ou um conjunto dos três. Da mesma forma, uma diminuição no número ou na área transversal relativa das fibras tipo II, alterações no retículo sarcoplasmático e do metabolismo do cálcio dentro das fibras, alterações na composição de iso¬formas de miosina das diferentes fibras, propriedades funcionais e enzimáticas da miosina, um aumento no tecido não contrátil gerando uma maior resistência ou uma combinação de fatores, podem ser responsáveis pelo decréscimo da potência nos idosos.

A alteração existente entre a relação das fibras do tipo I e II implicaria diretamente a resposta e os mecanismos do controle postural, pois tal alteração foi descrita pelo autor supracitado , onde ele relata que a diminuição na quantidade de fibras musculares do tipo II de contração rápida, à medida que a pessoa envelhece, associada ainda à redução na atividade da miosina adenosino-trifosfase, tende a explicar por que existe um alongamento no tempo para atingir a tensão máxima do músculo e um alongamento da metade do tempo de relaxamento. As consequências funcionais da atrofia muscular pré-vertebral e pós-vertebral poderiam resultar em algumas das alterações posturais e biomecânicas observadas em idosos.

Com relação à força muscular, Guccione (2002), refere-se que esta atinge seu máximo com cerca de 30 anos e permanece constante até cerca de 50 anos, começando, então, a mostrar uma perda crescente que faz algum paralelo com o declínio do tecido corporal magro.

Abordando tópicos relacionados a alterações da fisiologia do idoso, e importante relatar ainda que para uma eficaz funcionalidade e mobilidade da pessoa idosa, se faz necessário uma integração de alguns sistemas, de acordo com Junior, Heckmam apud Freitas (2006), afirmam que a visão e o sistema mais importante de informações sensoriais e pode se compensar ou não confiabilidade dos outros estímulos. O sistema visual fornece informações sobre a localização e a distancia de objetos no ambiente, o tipo de superfície onde se dará o movimento e a posição de uma parte corporal em relação a outra e ao ambiente. Os componentes do sistema visual que são considerados críticos para o equilíbrio incluem acuidade estática e dinâmica, sensibilidade ao contraste, percepção de profundidade e visão periférica.

As alterações visuais relacionadas à idade incluem reduções na acuidade, sensibilidade ao contraste e percepção de profundidade e menor adaptação ao escuro. De importância especifica para o controle postural e a perda da habilidade de discriminar baixas freqüências espaciais.

Associado a esse aspecto Soares (2009), conclui que a detecção da informação no campo visual fora desses limites e chamada periférica ou ambiental. As informações do campo visual periférico parecem ser mais importantes para o controle postural do que as informações focais. O feedback visual permite menor variabilidade dos deslocamento do centro de pressão na postura ortostática de longa duração. O sistema visual também contribui para manter o balanço natural dentro dos limites da base de apoio, informando como manter o alinhamento da cabeça e do tronco quando o centro de massa e perturbado pela translação da base de apoio.

No envelhecimento, ocorre redução da habilidade de adaptação e compensação do sistema vestibular, para Ricci, Gazzola, Coimbra (2008), essa alteração provoca um processo de disfunção vestibular crônica, que pode comprometer a condição clinica e o controle postural. O sistema vestibular sofre alterações estruturais e eletrofisiológicas com o envelhecimento, tais como: a perda das células vestibulares ciliares e nervosas, aumento do atrito das fibras nervosas do nervo vestibular, perda seletiva da densidade das fibras de mielina e a redução da velocidade de condução do estimulo elétrico no nervo vestibular.

Meireles, Fonseca (2008), afirma que o estimulo vestibular é utilizado para gerar os movimentos oculares compensatórios e as respostas posturais durante os movimentos da cabeça e ajuda a resolver as informações conflitantes oriundas das imagens e do movimento real. As informações advindas de receptores sensoriais no aparelho vestibular interagem com as informações visuais e somatosensoriais para produzir o alinhamento corporal e o controle da postura adequada.

A importância das contribuições vestibulares para a postura e para o equilíbrio é resolver conflitos quando um ou mais sistemas enviam informações equivocadas. Quando ocorrem informações equivocadas propicia um desequilíbrio, de forma que todas essas alterações resultam em déficits na transmissão de informação, perda da plasticidade, acentuando a síndrome do desequilíbrio no idoso.

Para Faria et al (2003), o sistema somato-sensorial é responsável por informar a SNC a posição e movimentação do corpo no espaço em relação à superfície de suporte. Além disso, as entradas somato-sensoriais informam sobre a posição dos segmentos corporais uns em relação aos outros. A informação somato-sensorial é obtida através dos proprioceptores articulares e musculares e receptores cutâneos de tato e de pressão.

As informações sobre posição do corpo e sobre a trajetória no espaço tem uma influencia direta do sistema sensorial no qual esta sendo discutido, aliado a esse aspecto Mann et al (2009), complementa referindo-se ao conceito de equilíbrio, que está associado à idéia de corpo em postura estável, na qual a manutenção da postura é garantida pela interação sensório-motora para que a manutenção do equilíbrio ocorra, os sistemas sensoriais agem de forma a conduzir informações específicas, relacionadas ao posicionamento do corpo no espaço, cabe ao SNC (Sistema Nervoso Central) organizar estas informações e controlar a postura corporal tanto estática quanto dinâmica. Apesar da separação anatômica dos sistemas sensoriais envolvidos com o controle postural e a degradação significativa das informações sensoriais, com a supressão da informação visual ou sobre superfícies móveis ou macias, os indivíduos conseguem a manutenção da postura. Isto sugere que o sistema nervoso tem a habilidade de mudar discretamente a fonte principal de informação sensorial.

Em uma abordagem mais sucinta Guccione (2002), esclarece que as informações sensoriais fornecidas pelos sistemas visual, vestibular e somatossensorial são algo redundantes no controle do equilíbrio. Os estímulos visuais, vibratórios e proprioceptivos estão geralmente diminuídos no idoso. Contudo as perdas destes estímulos esta associada a maior incidência de quedas entre os idosos.

De acordo Garbellini apud Rebelatto (2007), o sistema neuromuscular e considerado como grande responsável pelo controle postural, tendo como função a coordenação das forças que agem para equilíbrio do corpo no espaço, alguns estudos sugerem que os idosos oscilam espontaneamente mais que os jovens, porem apresentam maior tendência à contração (ativação muscular simultânea de agonista e antagonista), fixando as articulações mais que os jovens quando solicitados a realizar uma compensação decorrente de perturbação externa. Essas alterações do sistema neuromuscular decorrem, principalmente, do impedimento para a organização da ativação de sinergias musculares em resposta à instabilidade, bem como, das limitações na habilidade de movimentos adaptados ao equilíbrio em resposta às mudanças nas demandas de tarefa e ambiente.

O controle postural possui dois objetivos comportamentais, segundo Horak e Macpherson apud Junior, Barela (2006), estão descritos como: o equilíbrio postural e a orientação postural. O equilíbrio postural esta relacionado ao controle da relação entre forças externas, que agem sobre o corpo, e forças internas são produzidas pelo corpo. Este controle se faz necessário, pois, as forças que atuam no corpo e ou são produzidas pelo corpo agem acelerando-o e, consequentemente, fazendo com que este altere seu alinhamento e se afaste da posição desejada ou da posição considerada de maior estabilidade.

Para os mesmo autores os estudos de controle motor levaram ao conceito de sinergias musculares e estratégias posturais. As sinergias podem ser definidas como padrões de atividade muscular em resposta a perturbações, organizadas centralmente de forma a simplificar o controle do movimento. As estratégias posturais incluem não apenas as sinergias musculares, mas também padrões de movimento, torques articulares e forças de contato. As estratégias posturais também são descritas como respostas posturais automáticas coordenadas.

As transformações posturais são freqüentes, interferem diretamente na qualidade de vida do idoso, neste sentido Silveira et al (2010), relata que o decréscimo, da massa muscular e, por consequência, da força muscular é o principal fator a se levar em conta para notar a deterioração da mobilidade e da capacidade funcional do ser humano no processo de envelhecimento.

Considerando as colocações anteriores a respeito das alterações posturais, que esta intimamente relacionada ás disfunções da marcha, para Bandeira, Pimenta, Souza (2006), essa alterações são comuns e podem ser incapacitantes. Em um estudo populacional, 15% dos indivíduos com mais de 60 anos apresentavam alguma anormalidade de marcha e essas alterações aumentam com a idade. Apesar de o envelhecimento fisiológico levar à alteração da marcha relacionada à idade, a maioria desses transtornos estão ligados a condições patológicas. A mudança do padrão de marcha no idoso pode ser sinal de doença sistêmica.

Em uma abordagem mais suscinta, Cançado, Doll, Gorzoni apud Freitas et al (2006), define a marcha como uma forma ou estilo de caminhar, sendo dividida em duas fases, a fase de apoio e de balanço. A fase de apoio constitui 60% do ciclo e se subdivide em quatro fases, denominadas de resposta de carga, apoio intermediário, apoio terminal e pré balanço, e ocorre quando uma perna suporta todo o peso e se mantém em contato com a superfície. Essa fase permite que a perna de apoio sustente o peso do corpo que, então, pode avançar. No período de apoio há momentos de apoio unipodal e bipodal, dedos fora e o termo para transição entre o apoio e o balanço. A fase de balanço ocorre quando a perna que não faz apoio avance para o próximo passo, e esta é subdividida em três etapas balanço inicial, intermediário e terminal.

Abreu (2003), relata que durante a fase de apoio verifica-se três atividades principais. O contato inicial (apoio de calcanhar) representa o inicio e a fase de apoio. O apoio intermediário (apoio unipedal) ocorre na metade dessa fase. O apoio terminal (calcanhar fora) representa o ponto no qual o calcanhar de referenciam, sai do solo e avança o corpo para frente. A fase de balanço, em sua etapa inicial (aceleração) ocorre quando o dedo da extremidade deixa o solo e continua ate a etapa intermediaria ou ponto no qual a extremidade em balanço esta diretamente sobre o corpo. A partir daí, no balanço terminal (desaceleração) a perna se prepara para o contato inicial com o solo ou esta pronto para o suporte de peso (contato inicial) quando a fase de apoio se reinicia.

Com o passar do tempo as modificações e as característica da marcha do idoso vão se diferenciando, para Farias et al (2003), conclui que é devido ao encurtamento e a diminuição da base de suporte, diminuição da velocidade da marcha e da extensão do joelho e quadril, além do aumento da fase de apoio e do tempo de duplo suporte com decorrência disso, os idosos desenvolvem uma marcha com maior gasto energético, o que pode desencadear um declínio das atividades desempenhadas e consequentemente, uma diminuição da forca muscular, contribuindo para a deterioração da função motora.

Silveira et al (2010), afirma que é no que se refere à perda de massa muscular ou sarcopenia, Santos, Rezende apud Freitas et al (2006), descreve como sendo um fenômeno constante do envelhecimento. Entre 25-75 anos a massa muscular diminui 19% no homem e 12% na mulher. A sarcopenia e dita como multifatorial, porem temos conseqüências mais temíveis quando se refere às alterações da mobilidade e do equilíbrio, repercutindo na prevalência aumentada de quedas e fraturas.

Conforme Bernardi, Reis, Lopes (2008), a sarcopênia pode trazer decréscimos, esse e um fenômeno que pode afetar a habilidade do individuo para responder a situações em que seja necessário recuperar o equilíbrio, pois diminui a capacidade de desenvolver torques rápidos nas articulações, alem de trazer lentidão de respostas efetoras, diminuição da capacidade funcional, alterações de marcha, menor resistência a fadiga e perda de amplitude de movimento, não sendo difícil relacioná-las ao maior risco de quedas para essa população.

A Flexibilidade relacionada ao envelhecimento pode acarretar prejuízos, Varejão, Dantas, Matsudo (2007), apresenta alguns comprometimentos que ocasionam uma perda parcial da independência dos movimentos, o que acaba se acentuando com o aumento da idade a flexibilidade é um dos fatores de maior importância na capacidade funcional dos idosos e na realização de seus afazeres do dia a dia, havendo um mínimo que é requerido para que os idosos possam vir a ter uma autonomia funcional. Ela também é apresentada como capacidade funcional, sendo considerado como um dos conceitos mais relevantes em relação à saúde, aptidão física e qualidade de vida, servindo à análise dos efeitos do envelhecimento e que em determinados aspectos comparativos passa a ser mais importante do que usar uma determinada idade cronológica para definir quem é velho.

Diante dos efeitos relacionados a flexibilidade no idoso, e importante esclarecer de forma estrutural essas conseqüências, segundo Rebellato et al ( 2006), durante a vida ativa, adultos perdem em torno de 8 a 10 centímetros de flexibilidade na região lombar e no quadril, quando medido por meio do teste de alcance máximo “sit and reach”. Dentre os vários fatores que colaboram para isso estão à maior rigidez de tendões, ligamentos e cápsulas articulares, devido a deficiências no colágeno.

A restrição na amplitude do movimento das grandes articulações torna-se mais pronunciada com o envelhecimento e, muitas vezes, a independência funcional é ameaçada porque o indivíduo não consegue utilizar um carro ou um banheiro normal, subir uma escada, ou combinar os movimentos de vestir-se e pentear os cabelos. Aponta ainda que uma das maneiras de conservar a flexibilidade é por meio de movimentos realizados em toda a amplitude das principais articulações.

De acordo com Leitão e Leitão (2006), Embora os fatores intrínsecos incluam uma decadência dos sistemas fisiológicos do idoso, as doenças associadas ao envelhecimento também interferem nos fatores primordiais e a incidência de quedas, as principais doenças cardiovasculares que acometem os idosos são:

• Insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, doenças das válvulas do coração (estenose aórtica e insuficiência mitral), arritmias cardíacas ventriculares e supraventriculares e miocardiopatia hipertrófica.

• Hipertensão Arterial: A hipertensão arterial, não resta dúvida, é a mais freqüente das doenças crônicas não transmissíveis em todo o mundo. Nos idosos sua frequência aumenta levando a uma grande demanda à assistência médica, diretamente ou pelas suas complicações, particularmente os acidentes vasculares cerebrais.

• Provocado pela deficiência de produção e ação da insulina, que leva a sintomas agudos e a complicações crônicas características. O distúrbio envolve o metabolismo da glicose, das gorduras e das proteínas e tem graves conseqüências tanto quando surge rapidamente como quando se instala lentamente. Nos dias atuais se constitui em problema de saúde pública pelo número de pessoas que apresentam a doença.

Existe uma relação de algumas doenças associadas ao envelhecimento ditas como comuns, o autor supracitado descreve como:

• Artrite: é uma doença sistêmica de causa desconhecida, severa e progressiva cuja maior incidência ocorre entre mulheres. Causa incapacidade, morbidade e mortalidade e responde pela redução da duração de vida de 4 anos nos homem e de 10 anos nas mulheres. Acomete principalmente articulações, podendo causar-lhes sérias deformidades e afetando também outros órgãos: coração, pulmões, pele, nervos, olhos e tecidos subcutâneos.

• Artrose: É uma doença das articulações sinoviais e caracteriza-se pela perda focal da cartilagem e da resposta óssea reparadora. Dentre as afecções reumáticas constitui a causa isolada de mais importante de incapacidade locomotora.

• Osteoporose: É uma doença osteometabólica localizada ou generalizada que se caracteriza por redução progressiva da massa/densidade óssea e modificações da arquitetura do tecido ósseo trabecular, resultando num estado de fragilidade óssea e aumentando assim os riscos de fraturas.

Associando a abordagem anterior e importante observar, no entanto segundo Manfrim, Schmidt apud Freitas (2006), que as síndromes demênciais são caracterizadas pela presença de déficit progressivo na função cognitiva, com maior ênfase na perda de memória, e interferência nas atividades sociais e ocupacionais.

Para Lueckenotte apud Potter, Perry (2009), as três condições comuns que afetam o nível cognição do idoso são delirium, demência e depressão.

• Delirium: O delirium, ou estado confusional agudo, e prejuízo cognitivo potencialmente reversível que frequentemente e decorrente de uma causa fisiológica.

• Demência: Demência e um prejuízo generalizado do funcionamento intelectual que interfere no funcionamento social e ocupacional. A deterioração da função cognitiva leva a um declínio na capacidade de realizar atividades básicas e instrumentais da vida diária.

• Depressão: Os idosos algumas vezes apresentam depressão, mais isto não representa uma pare normal do envelhecimento. Na verdade é uma doença médica tratável.

Acontece com alterações importantes da vida, frequentemente abrupto, mas pode ser gradual.

Ainda que existam algumas doenças relatadas como causadoras das alterações mais comuns que afetam o nível de cognição, para Manfrim, Schmidt (2006), a doença de Alzheimer (DA), descrita há aproximadamente cem anos (Alzheimer, 1907), representa aproximadamente 60% de todas as demências. A doença e caracterizada por perda progressiva das funções cognitivas após um período pré-clinico durante o qual, pequenos déficits, especialmente na memória episódica.

Para Machado apud Freitas (2006), todos esses déficits contribuem para a perda das habilidades para realizar tarefas da vida diária, ocasionando um declínio não apenas cognitivo, mas também funcional. A perda funcional e hierárquica: a dificuldade para executar atividades instrumentais, precede a dificuldade para executar tarefas básicas. Adicionalmente, nessa fase podem ocorrer sintomas motores extrapiramidais, com a alteração da postura e da marcha, o aumento do tônus muscular e outros sinais de parkinsonismo que poderão agravar ainda mais o declínio funcional.

Em relação á doença de Parkinson, Pinheiro (2006), refere-se como um distúrbio neurológico progressivo, caracterizado, principalmente, pela degeneração das células da camada ventral da parte compacta da substancia negra e do lócus coeruleus. A patologia inclui a identificação dos corpos de Lewy, que são inclusões eosinofilicas intracitoplasmáticas constituídas por varias estruturas protéicas, em neurônios remanescentes na parte compacta da substancia negra. O inicio das manifestações clinicas corresponde à perda de 60% dos neurônios dessas regiões e 80% da dopamina do estriado.

E importante considerar segundo o autor citado, que as alterações dos reflexos posturais ocasionam instabilidade postural, não permitindo a pessoa idosa levantar-se ou mantêm-se de pé sem assistência.

O bloqueio motor é uma instabilidade transitória súbita que impede o inicio do movimento ativo ou para esse movimento. Afeta as pernas, quando a pessoa tentar iniciar a marcha, ou bloqueia os pés durante o caminhar. O bloqueio motor associado á perda dos reflexos postural e responsável pela alta prevalência de quedas e maior incidência de fratura de quadril nas pessoas idosas.

Teixeira, Pereira, Rossi (2007), considera que fatores de declínio funcional e um reduzido nível de atividades físicas, e a união desses acometimentos com doenças comuns ao envelhecimento criam um circulo vicioso, ou seja, as doenças reduzem o nível de atividade física o que tem efeito negativo na capacidade funcional, aumentando as incapacidades decorrentes das doenças. Conforme demonstra a figura 3 abaixo.

Dentre os acidentes mais comum ao idoso, o de maior incidência e a queda, que embora possa ocorrer em todas as épocas da vida, e durante a fase do envelhecimento que acontece com maior freqüência, criando assim a necessidade de prevenção das mesmas. (SIQUEIRA et al. 2007, p. 157).

Figura 3. Ciclo vicioso do Envelhecimento

Fonte: www efdesportes,com

As quedas constituem a 6ª causa de óbito em pessoas com mais de 65 anos. Estima-se que 30% das pessoas acima dessa faixa etária sofram quedas ao menos uma vez por ano, sendo essas responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas com 75 anos ou mais. Essas estimativas apontam índices alarmantes já que, em 2025, nosso país poderá contar com 31,8 milhões de habitantes com 60 anos ou mais, e ocupará o 6° lugar no mundo na população de idosos.

“.... as quedas estão dentre as principais causas de morbidade e mortalidade na população idosa. As causas das quedas são multifacetadas, incluindo fatores intrínsecos, comportamentais e ambientais, sendo que a probabilidade para ocorrência de queda aumenta à medida que se acumulam os fatores de risco. (GONÇALVES, RICCI, COIMBRA, 2009, p. 108)”.

De acordo com uma abordagem mais atual Beck et al ( 2011), destacam a ocorrência de quedas entre os idosos e um dos principais problemas clínicos e de saúde publica que contribuem para a incapacidade das pessoas de faixa etária avançada. As quedas têm alta incidência e geram complicações para a saúde e elevados custos assistenciais.

A queda é definida como um evento não intencional que tem como resultado a mudança de posição do individuo para um nível mais baixo em relação a sua postura inicial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a queda e um dos problemas mais importantes e comuns relatados entre os idosos e aumenta progressivamente com o avanço da idade em ambos os sexos. Associado a este aspecto Machado et al ( 2009), aborda que as quedas em indivíduos acima dos 60 anos são tão freqüentes que há muito tempo são aceitas como efeitos “ naturais” do envelhecimento. Tal observação repousa no fato que pelo menos 30% dos idosos no Brasil sofrem um episodio de queda por ano, sendo que as mulheres tem uma freqüência de quedas um pouco mais elevada que os homens da mesma faixa etária. Os idosos na faixa entre 75 e 84 anos que necessitam de auxilio em algumas atividades da vida diária tem probabilidade de sofrer queda aumentada em 14 vezes.

2.2 FATORES AMBIENTAIS QUE INFLUENCIAM NAS QUEDAS

Os fatores extrínsecos estão diretamente relacionados meios ambientais que tem grandes influências sobre as quedas em idosos, Paschoal apud Jacob Filho (1998), relata que no ambiente domestico existem muitos obstáculos que podem passar despercebidos dos idosos e familiares, até porque em outras fases da vida estes componentes domiciliares não se constituíam em fatores de risco. Como as quedas ocorrem em sua grande maioria na própria residência, as atividades rotineiras a elas relacionadas, descrita pelos idosos vão desde o sentar e/ou levantar de cadeira, sofá e cama aos tropeços e escorregões.

Geralmente, problemas com o ambiente são causados por eventos ocasionais que trazem riscos aos idosos, principalmente àqueles que já apresentam alguma deficiência de equilíbrio postural. Devem ser consideradas as situações que propiciem escorregar, tropeçar, pisar em falso e trombar em objetos, pessoas e animais. Os problemas com o ambiente serão mais perigosos quanto maior for o grau de vulnerabilidade do idoso e da instabilidade que o ambiente proporciona ao mesmo. Os idosos não caem por realizar atividades perigosas como subir em escadas ou cadeiras e sim em atividades rotineiras. (FABRÍCIO, RODRIGUES E COSTA JUNIOR 2004, p. 58).

Figura 4. Fator de risco extrínseco para quedas

Fonte: fisioterapiapucminas.blogspot.com

Com o envelhecimento crescente da população, se faz necessário ambientes adequados de forma planejada, diante destes fatos Tideiksaar (2003), esclarece que as pessoas idosas precisam de 3 vezes mais contraste para detectar objetos no ambiente. O banheiro e citado como um local em potencial para a ocorrência da queda, o chão que pode ser escorregadio e estar molhado, a altura padrão do assento sanitário para o idoso torna-se baixa e a falta de barras de apoio que possam auxiliá-lo no levantar.

Conforme Perracini apud Freitas et al (2006), os problemas relacionados ao ambiente incluem qualquer fator que cause insegurança e ofereça risco, restrinja o acesso, restrinja a escolha de preferências, limite o desempenho ou cause desconforto. E necessário salientar que um ambiente precisa ser calmo, previsível e acolhedor.

Ainda que diversos autores discutam a importância do aspecto ambiental na vida do idoso, Hasselkus (1998), chama a atenção para a praticidade deste ambiente, ou seja, simplificação e funcionalidade, além do respeito aos aspectos culturais e psicossociais, como a identificação do idoso com esse ambiente e a manutenção, sempre que possível, da sua privacidade. A avaliação direta do ambiente é insubstituível; no entanto, na sua impossibilidade, deve-se providenciar uma lista de itens que devem ser observados pelos idosos, familiares e cuidadores. Esta também é uma forma de minimizar os riscos ambientais.

Nesse sentido, Papaléo Netto (2002), ressalta que a avaliação ambiental deve ser realizada por uma equipe interprofissional (terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, ergonomistas, arquitetos), considerando-se a grande diversidade de aspectos que necessitam ser abordados.

A avaliação do ambiente, sob o ponto de vista de Corcoran e Gitlin (1997), deve incluir as características físicas, arquitetônicas da residência, observando-se, em linhas gerais, aspectos como: tipos de paredes, pisos, portas, presença de escadas, número de cômodos; aspectos relativos à iluminação, à ventilação, à circulação e do mobiliário, como disposição, quantidade e presença de tapetes. Esta avaliação pode ser realizada utilizando-se as seguintes estratégias: observação do ambiente (de todos os cômodos utilizados pelo idoso) entrevista com o idoso, com os familiares, com os cuidadores e o exame do desempenho funcional dos idosos nesse ambiente. Três aspectos importantes devem ser considerados: acessibilidade integral, segurança e presença de pistas visuais e auditivas.

2.3. AS CONSEQUÊNCIAS DAS QUEDAS NOS IDOSOS

Vale ressaltar que a queda e um acontecimento recorrente e multifatorial, porém e importante compreender de acordo com Lopes et al (2009), outros aspectos importantes causadores das quedas, como o medo de cair, costuma ser descrito como um sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real, aparente ou imaginário de quedas. Atualmente o estudo tem definido o medo de cair como baixa autoeficácia ou baixa confiança em evitar quedas. A autoeficácia e compreendida como autoconfiança. Verifica-se que pessoas com autoeficácia normalmente são capazes de superar situações desafiadoras, focando-se mais nas tarefas que nos obstáculos, programando assim estratégias que permitem superar suas limitações. Já pessoas com baixas autoeficácia tendem a focar muito mais suas limitações, enfatiza