Trabalho Completo Indisciplina Na Ed. Infantil

Indisciplina Na Ed. Infantil

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Categoria: Outras

Enviado por: Maria 29 dezembro 2011

Palavras: 11015 | Páginas: 45

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iliar se encontra desgastada, sem que o lar possa oferecer aconchego, uma vez que os pais, graças às deslocações para o emprego e às longas jornadas de trabalho que lhes asseguram a subsistência, deixam de estar presentes nos momentos mais difíceis.

Este tema é, sem dúvida, demasiado vasto. Tendo em consideração a sua amplitude, serão tratadas apenas algumas vertentes, não numa perspectiva de meta de chegada de conhecimentos definitivos, mas de ponto de partida para outras abordagens interativas do ato educativo. Como a indisciplina constitui, atualmente, uns dos problemas mais graves que a Escola enfrenta, não podiam deixar de ser referidos, também, os efeitos negativos que ela produz em relação aos docentes.

Portanto, o objetivo que ora se propõe o presente trabalho será identificar concepções de disciplina e como professores, pais e alunos as incorporam no seu cotidiano.

Para tanto, tivemos como base os estudos de Groppa (1996) e de Estrela (1994), nos quais, através da abordagem qualitativa, procuramos demonstrar as várias possibilidades de entendimento sobre o tema proposto, além de discutir a questão da disciplina e da indisciplina como elemento pertencente ao processo educativo, e por isso mesmo, fomentador deste.

O presente trabalho consta de Introdução, na qual apresentamos o tema, a justificativa e os objetivos da pesquisa.

Capítulo 1. A Trajetória da Pesquisa (justificativa)

Capitulo 2. Indisciplina escolar, no qual desenvolvemos reflexões acerca dos vários aspectos em que pode ser considerada a indisciplina e a disciplina, além dos efeitos sobre os docentes.

Capitulo 3. Onde fala da diferença entre autoridade e autoritarismo na prática do docente e também do papel da escola e da relação professor-aluno.

Capitulo4. Referencial teórico (A Participação dos pais na Ed. Escolar)

CAPITULO I – A TRAJETÓRIA DA PESQUISA

1.1 JUSTIFICATIVA

Historicamente, a escola e a família, tal qual as conhecemos hoje, são instituições que surgem, com o advento da modernidade, ambas destinadas ao cuidado e educação das crianças e jovens. Na verdade, à escola coube a função de educar a juventude na medida em que o tempo e a competência da família eram considerados escassos para o cumprimento de tal tarefa. Os saberes diversos e especializados, necessários, à formação das novas gerações, demandavam cada vez mais ao longo do tempo, um espaço próprio dedicado ao trabalho de apresentação e sistematização de conhecimentos dessa natureza, diferente, portanto, daquele organizado pela família.

No Brasil, a escola, como instituição distinta da família, construiu-se aos poucos, às custas das pressões científicas e dos costumes característicos de uma vida mais urbana.

Aproximadamente dois séculos, sinalizaram para a necessidade de uma organização voltada à formação física, moral e mental dos indivíduos; missão essa impossível para o âmbito doméstico.

Esse modelo esteve a serviço, sobretudo durante o século XIX, da moldagem das elites intelectuais nacionais. A escola era profundamente diferente da família e, oferecia à formação das crianças e dos jovens a uma educação da qual nenhuma outra instituição poderia se ocupar. Os primórdios da República, na onda dos movimentos sociais, políticos e culturais que marcaram a época, impuseram a necessidade de modernizar a sociedade e colocar a Nação nos trilhos do crescimento, exigindo então um outro modelo e uma maior abrangência da ação educacional.

Assim, como podemos observar, a discussão sobre a participação da família na vida escolar de seus filhos não é recente. Há décadas que se vem refletindo sobre como envolver a família, promover a co-responsabilidade e torná-la parte do processo educativo. Sem dúvida, tal aproximação trata-se de uma difícil tarefa, isto, em função das inseguranças, incertezas e da falta de esclarecimento sobre o processo educacional, suas limitações, bem como sua abrangência.

Compor uma parceria entre escola e família pressupõe de ambas as partes, a compreensão de que a relação família-escola deve se manifestar de forma que os pais não responsabilizem somente à escola a educação de seus filhos e, por outro lado, a escola não pode eximir-se de ser co-responsável no processo formativo do aluno.

A presente pesquisa justifica-se pela necessidade de contribuir no processo ensino-aprendizagem da criança de zero a seis anos da Educação Infantil, e por entendermos que a parceria entre a família e a escola é de suma importância para o sucesso no desenvolvimento intelectual, moral e na formação do indivíduo nessa faixa etária.

Os paradigmas de interpretação e de gestão das realidades sociais defendem modelos sistêmicos numa perspectiva de integração funcional em que a flexibilidade, a mudança e o conflito são elementos que devem ser coagidos. Neste sentido, além do estudo das estruturas e das funções da família e da escola, havemos de considerar, também, as transformações que estão ocorrendo na sociedade moderna, nas suas instituições e conforme os quadros sociais que estão instáveis, daí decorrentes que exigem uma compreensão dinâmica e respostas mais articuladas.

1.2 EDUCAÇÃO INFANTIL

As preocupações com a educação infantil não é um fato recente, desde o inicio das civilizações que ela tem seu papel na formação do indivíduo. O que mudou foi a maneira de pensar essa educação.

Na Grécia antiga, o conhecimento era transmitido com o objetivo de elevação intelectual, porém com o passar do tempo e muitos desgastes nas técnicas educacionais, levaram a educação a ser resumida a transmissão de conhecimentos, e acessível apenas ás classes abastadas. Porém com a criação da escola pública (séc. XVI) inspirada nas idéias alemãs, tornou-se mais acessível á quase todos, porém a educação ainda não era de muita qualidade. O progresso alcançado em poucos anos nos cuidados e educação das crianças, pode ser atribuído mais a um despertar de consciência do que á evolução das condições de vida. Não foi apenas o progresso devido a higiene infantil que se desenvolveu em especial na última década do século XVIII, a personalidade da própria criança manifestou-se sob novos aspectos, assumindo a mais alta importância, como frisa MONTESSORI (1980):"Não é a criança física ,mas a psíquica que poderá dar ao aperfeiçoamento humano um impulso dominante e poderoso."A concepção de educação infantil implantada no século XVIII,foi de suma importância para a criança ,pois segundo o educador e fundador dos jardins-de-infância o alemão FROEBEL (1782-1852) ,a infância é a fase mais importante e decisiva na formação de pessoas ,e comparava-as a uma planta em sua fase de formação ,exigindo cuidados periódicos para que cresça de maneira saudável .As técnicas utilizadas até hoje em Educação Infantil devem muito a Froebel ,pois para ele,as brincadeiras são os primeiros recursos no caminho da aprendizagem.

É no período pré-escolar, que as crianças têm a oportunidade de trabalhar com conteúdos adequados para sua idade, sendo manipulados de forma correta para serem absorvidos por elas, trabalhar com atividades lúdicas, de forma com que esta contribua com seu desenvolvimento, auxiliando com a construção do conhecimento, e assim, na formação da criança, pois,já se sabe ,que a criança não aprende apenas com atividades formais e sistematizadas .

A socialização é outra contribuição fornecida pela Educação Infantil, pois depois da família ,o primeiro contato que a criança tem,é com um grupo estanho e acontece nas creches e pré–escolas, oportunizando-as explorar o novo.

Enfim, a Educação Infantil tem um papel um papel significativo no mundo infantil, pois apresentará atividades que iram auxiliar no seu desenvolvimento social, cultural, psíquico, motor sensorial e cognitivo, construindo o aprendizado através das experiências vivenciadas pela criança.

1.3 A EDUCAÇÃO INFANTIL COMO DIREITO DA CRIANÇA

As significativas mudanças ocorridas, no âmbito legal, social e educacional, determinando novas diretrizes e parâmetros no atendimento á crianças de 0 á 3 anos de idade promoveram a necessidade de reordenamento na estrutura funcional e organizacional dessas instituições ,e principalmente naquelas voltadas para o atendimento de crianças vulnerabilizadas pela situação pela situação de pobreza ,abrangendo além da assistência social , alcançar a educação.

Estas mudanças se deram não apenas por movimentos sociais organizados, mas pela promulgação da Constituição Federal de1988 (CF/98),na qual a criança é reconhecida em sua cidadania ,e portanto como sujeito de direitos.

A CF/88 em seu artigo 208-IV determina que "o dever do Estado com a educação ás crianças de 0 á 6 anos será efetivado mediante garantia de atendimento em creches e pré-escola."

Por sua vez, o Estatuto da Criança e do Adolescente, em 1990 retificou que é dever do Estado assegurar..atendimento em creches e pré-escola ás crianças de zero a seis anos de idade..(ECA,art54-IV).

A lei nº394, de 20 de dezembro de 1996 ,Lei de Diretrizes e Bases(LDB),em seu artigo 4°-VI,confirmou ,mais uma vez ,que o atendimento gratuito em creches e pré-escola é dever do Estado.Deixou claro também que o atendimento a esta faixa etária está sob a incumbência dos municípios(art.11-V) ,determinando que todas as instituições de Educação Infantil ,publicas e privadas,estejam inseridas no sistema de ensino .Como parte integrante da primeira etapa da educação básica,a Educação Infantil foi dividida em creche(zero a três anos) e pré-escola(quatro á seis anos),conforme artigo 31-I da LDB/96.

CAPÍTULO II – FATORES CONDICIONANTES DA DISCIPLINA/INDISCIPLINA

São múltiplos os fatores que condicionam a disciplina, tanto no espaço sala de aula, como no espaço Escola.

Segundo Domingues(1995), podem considerar-se fatores estruturais (escolaridade obrigatória, número de alunos por turma, currículos escolares e autoridade do professor), fatores sociais (representações sociais, subculturas docentes e discentes, e poderes dos professores e dos alunos) e fatores pessoais (objetivos individuais, estilos de ensino e estratégias de aprendizagem).

2.1 INDISCIPLINA ESCOLAR

Neste momento, discorremos acerca das discussões em torno dos conflitos que permeiam a educação formal e das várias tentativas de se estabelecer, ou ainda de se encontrar as causas dos distúrbios no processo de aprendizagem, é que propomos, com este trabalho, confrontar idéias que têm como fio condutor a questão da indisciplina na sala de aula, sob pensamentos advindos do processo educativo como um todo.

É a partir da ótica panorâmica de Groppa (1996), a problemática gerada pela indisciplina na escola e suas relações com os aspectos formadores do homem, tais como os psicológicos, sociológicos, filosóficos, políticos e éticos, que desenvolvemos nossa pesquisa.

Indisciplina é sempre comportamento impróprio (desobediência, desrespeito ou agressividade),seja na família quando uma criança faz algo de perigoso ,se ela for agredida ao invés de orientada pode se tornar agressiva e expressar sua revolta em forma de indisciplina.No esporte há regras mas se elas forem mal aplicadas também poderá gerar indisciplina .O mesmo ocorre na escola,quando as regras de convívio não são bem elaborada se esclarecidas:ocorre a indisciplina. Pois como diz FREIRE (1998): "Disciplina pronta não existe, é preciso que todos os sujeitos envolvidos no processo educacional (pais, alunos e escolas) participem da construção do sistema de disciplina".

Num país que prima pela desorganização, pelo desrespeito a todo e qualquer tipo de ordem ou norma, que coloca interesses de algumas pessoas ou grupos minoritários poderosos acima de valores humanos de dignidade, respeito e solidariedade, disciplinar é não só uma proposta temerária, como um grande desafio.

A escola vem estruturada com uma série de regras,diferentes da disciplina da família, e querendo enquadrar todos nessa regra.A escola toma a disciplina como regra e não como objetivo educacional,como deveria.

De acordo com o pesquisador, o excesso de indisciplina na escola sugere que a instituição não está cumprindo seu papel. "As escolas de hoje se dizem preocupadas com a formação cidadã dos alunos e propõem o ensino de regras de convivência social. Por isso, a indisciplina ou o excesso dela demonstra fracasso no seu trabalho de socialização", argumenta. A indisciplina afeta a vida escolar porque perturba a relação pedagógica, impactando negativamente o aprendizado dos alunos. Segundo Campos, existem pesquisas que demonstram que os alunos de periferia são mais afetados por esse distúrbio na relação de aprendizado. "Isso é mais uma barreira, que se soma às outras que a gente já conhece", conclui.

A indisciplina em criança sem idade pré-escolar pode ocorrer também pelo fato de a aula ser mal planejada ou não planejada, tendo em vista que nessa idade as atividades escolares devem ser diversificadas e de curto tempo, pois a criança.

2.2 OS VÁRIOS ASPECTOS DA INDISCIPLINA

De acordo com os estudos de Groppa (1996), a problemática gerada pela indisciplina na escola está relacionada com a interpretação e administração do ato indisciplinado. É o ponto em que o educador, (por sentir a substituição da autoridade pela perplexidade), se perde e inicia a busca por soluções imediatistas, uma vez que a linha divisória entre a indisciplina e a violência é muito tênue.

Desse modo, é sob as considerações de Yves e de La Taille, que encontramos subsídios ou argumentos, para tratar dos problemas relacionados à aprendizagem, (considerados na maioria das vezes sob uma visão simplista) à luz de uma ótica em que estão inseridos mais que as questões escolares e são considerados os aspectos ou elementos formadores do homem.

Assim, a indisciplina passa a ser discutida sob dimensões humanas em que não cabem mais julgamentos, rótulos ou justificativas culposas, e sim questionamentos, reflexões e a ampliação do conhecimento acerca do homem contemporâneo, da disciplina, da aprendizagem e do espaço e da identidade ocupados hoje pela escola.

Para La Taille (1996), trata-se de estender a indisciplina à articulação de várias dimensões em que não cabem mais a normatização do tema apenas à questão moral, ao seu reducionismo psicológico sob um único viés, assim como a indiferença pela complexidade que compõe. Sob tal pensamento, o autor discorre que

[...] Se entendemos por disciplina comportamentos regidos por um conjunto de normas, a indisciplina poderá se traduzir de duas formas: 1) a revolta contra estas normas; 2) o desconhecimento delas. No primeiro caso, a indisciplina traduz-se por uma forma de desobediência insolente; no segundo, pelo caos dos comportamentos, pela desorganização das relações. (LA TAILLE 1996, p.10)

Sob tais considerações, é tecida a linha de pensamento na qual o autor observa que o desconhecimento das normas, os conflitos comportamentais e o estremecimento das relações, atualmente revelam o quadro em que se encontra a educação brasileira.

Assim, o autor utiliza-se do texto de Yves e de La Taille, para questionar por que as crianças não obedecem nem aos pais e nem aos professores e por que elas não têm limites.

Tal questionamento também é feito por Estrela (1994), sob o pensamento de que o problema da disciplina na aula e na escola é um problema de prevenção e é a nível de prevenção, e não da correção que a pesquisa tem avançado e também fornecido material importante para a reflexão e ação dos docentes.

Desse modo, a autora considera que, a escola enquanto sistema aberto em constante interação com o meio sofre reflexo de todos os conflitos existentes, como por exemplo: turmas numerosas, escolas superlotadas, nível de remuneração baixo dos docentes, o que afasta do ensino os mais capazes, número elevado de alunos oriundos de meios economicamente degradados.

No entanto, a manutenção da disciplina constitui uma preocupação de todas as épocas, a vida do professor tem sido sempre amargurada pela indisciplina das crianças que perturbam ‘ordem instituída para seu próprio bem’.

Para Estrela (1994), é importante que tenhamos uma interpretação funcional da indisciplina, que nos permita fazer distinção entre indisciplina na escola e outras formas de indisciplina social e nesse sentido, a autora pontua que a indisciplina escolar não deve, portanto, confundir-se com delinqüência.

Groppa (1996) argumenta que a disciplina pode ser entendida como condição necessária para arrancar o homem de sua condição natural selvagem e nessa perspectiva, a permanência quieta na sala de aula, serviria para ensinar a criança a controlar seus impulsos e afetos e não para o bom funcionamento da escola, já que a questão organizacional da escola não depende cem por cento do comportamento do aluno e sim da interação deste com o funcionamento de suas políticas internas. Neste caso, existe um foco dispensado muito mais aos preceitos morais da disciplina, do que a real dimensão em que esta se insere, uma vez que este tema não se encerra no contexto escolar, ao contrário, este é apenas um reflexo da situação social vigente.

2.3 – EFEITOS DA INDISCIPLINA SOBRE O PROFESSOR

A indisciplina produz efeitos negativos no aproveitamento escolar e na socialização dos alunos. Estes efeitos negativos exercem-se também sobre o professor, provocando nele desgaste físico e psicológico, ansiedade, fadiga, tensão, perda de eficácia educativa, diminuição de auto-estima, sentimento de frustração e desânimo e "stress". Este conjunto de fatores pode levar, em último caso, ao abandono da profissão (Estrela, 1992).

Estes aspectos negativos atingem, sobretudo os professores menos experientes e menos preparados pedagogicamente.

CAPITULO III - AUTORIDADE E AUTORITARISMO NA PRATICA DOCENTE

Muitas vezes a criança se depara com uma aula mal planejada ou não planejada, com conteúdos incoerentes com sua idade e/ou realidade social da turma, e reage a isso com a indisciplina, e os professores passam a usar seu cargo de autoridade, em forma de autoritarismo, para inibir-los.

A autoridade por parte do professor é fundamental para controlar a disciplina, pois como defende FREIRE (1989):"A criança entregue a ela mesma,dificilmente se disciplinará". Todavia, ele também prega, que esta autoridade não deve se dar em forma de autoritarismo,pelo contrario,o professor tem que respeitar as características sócio-culturais dos alunos.

Há uma necessidade de autoridade, pois sem essa não se faz educação; o aluno precisa dela, seja para se orientar, seja para poder opor-se (o conflito com a autoridade é normal, especialmente no adolescente), no processo de constituição de sua personalidade. O que se critica é o autoritarismo, que é a negação da verdadeira autoridade, pois se baseia na coisificação, na domesticação do outro.

A autoridade se define sempre em contextos históricos concretos. E o primeiro grande desafio para o resgate da autoridade do professor é a necessidade de ressignificar o espaço escolar, ganhar clareza sobre qual é de fato o papel da escola hoje, porque será justamente neste espaço social que o professor deverá exercer sua autoridade, que obviamente carecerá de sentido se a própria instituição não conseguir justificar sua existência. Um segundo desafio é o professor conseguir se refazer, se reconstruir depois deste turbilhão todo a que foi - e ainda está - submetido.

3.1 O PAPEL DA ESCOLA E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO

Ao abordar a questão do papel da escola na sociedade e sobre a responsabilidade desta em relação à criação de espaços que proporcionam o exercício da cidadania, La Taille (1996), considera o ‘olhar admirador’ dos dias de hoje, no qual o homem pós-moderno age de acordo com a relação vergonha-sociedade, (já sofre as tiranias da intimidade e seu interesse diz respeito à sua personalidade, a seus afetos), para situar o que ele denomina de declínio do Homem-Público.

Nesse sentido, discorre sobre as conseqüências morais, que estas são naturais a este processo do declínio, (não que o homem seja imoral), porém considera que sua ação moral fica relutante em assumir certos valores que estariam contradizendo sua busca de prazer, o que lhe seria mais autêntico.

Remetendo tais considerações à indisciplina em sala de aula La Taille, (1996), desenvolve seus pensamentos sob idéia de que “Toda moral pede disciplina, mas toda disciplina não é moral.” E desse modo lança o seguinte questionamento: “O que há de moral em permanecer em silêncio horas a fio, ou em fazer fila?” La Taille (1999, p.19).

Nessa perspectiva, o autor enfatiza considera a importância e a necessidade do exame das razões de ser das normas impostas e dos comportamentos esperados sob o ângulo do enfraquecimento da relação vergonha-moral, da atenção dada somente ao que é particular, do direcionamento das motivações do ser humano ao desejo, da vergonha de ser velho e parecer jovem e da desvalorização do estudo e da instrução.

Groppa (1999, p.23), defende uma linha de pensamento complexa em que “[...] para ser cidadãos, são necessários sólidos conhecimentos, memórias, respeito pelo espaço público, um conjunto mínimo de normas de relações interpessoais, e diálogo franco entre olhares éticos. Não há democracia se houver completo desprezo pela opinião pública.”

Também as considerações de Estrela (1994), vêm de encontro à concepção humanista de que é a partir de relações reais que o indivíduo pode aprender a lidar com as mais diversas situações e considerando a escola como um espaço onde intencionalmente conhecimento e cultura são exercitados, pode-se lidar com a indisciplina e construir um novo padrão de disciplina.

Nestes termos, cada escola, cada sala de aula, é um espaço histórico-pedagógico; apesar das modificações profundas que a escola sofreu na época contemporânea, existem nela, ainda, heranças do magistrocentrismo tradicional em que o professor é o dono do saber, que resistem à mudanças dos tempos e das vontades.

Para Groppa (1996), o ponto de vista psicológico entende o ‘reconhecimento da autoridade’ externa que é anterior à escolarização, daí porque a queixa dos educadores sobre a inexistência, no sujeito da noção de autoridade e ainda que há de se pensar a estrutura escolar juntamente com a familiar, pois são duas dimensões que se articulam.

Desse modo, a educação não é responsabilidade integral da escola, e sim, um dos eixos que compõe todo processo. Entretanto, na relação professor-aluno, que ainda existe, percebe-se a ênfase à normatização individual, esvaziando a escola de seu objetivo maior, que é o trabalho de recriação do legado cultural, o que faz com que gaste-se muito mais energia e tempo com a questão disciplinadora do que com a tarefa epistêmica fundamental.

No entanto, para o autor, investir numa sedimentação moral do aluno exigiria uma nova posição consensual dos envolvidos sobre esta infra-estrutura psíquica e isto não existe. Assim, a tarefa do professor, ao contrário, é bem definida e diz respeito ao conhecimento acumulado.

De acordo com os estudos aqui apresentados, procuramos atentar para a questão da disciplina e da indisciplina em seus sentidos mais amplos, de modo que não pairasse a idéia de visão reducionista entre um e outro tema. Buscamos, ainda, deixar implícitas reflexões acerca do papel da escola e da importância da relação educador-aluno, para que a função da escola se cumpra.

Fica clara, portanto, que a indisciplina há que ser visto como um fenômeno próprio do homem contemporâneo e das implicações advindas de seu meio social.

A grande questão, é que, quando se trata de observar a indisciplina no contexto escolar, mais precisamente na sala de aula, entram em confronto a ótica da escola, (pautada em uma educação tradicional, que tem o autoritarismo como base), a educação democrática (defendida por vários estudiosos) e o aluno real, freqüentador da escola e que é fruto da sociedade contemporânea e por isso mesmo, com anseios democráticos, libertadores, autônomos.

Desse modo, o que deve ser mudado neste conflito, é ótica pela qual a disciplina e a indisciplina são observadas.

Há então, que se ampliar as visões, os conhecimentos, as considerações, os estudos e as relações, para que professores, alunos e cidadãos possam inter-relacionarem-se em uma escola real, com valores reais, e que cumpra seu real papel que é o de fornecer espaços de cultura e de vida para que o aluno que de lá saia, esteja pronto para praticar a cidadania apreendida do contexto escolar.

Nessa perspectiva, e de acordo com os autores aqui abordados, a indisciplina deixará de ser o motivo das dores de cabeça dos educadores, para atuar como agente revolucionador e construtor dos vários conhecimentos que o indivíduo necessita para viver em comunidade e em comunhão consigo e com os outros.

CAPÍTULO IV - A PARTICIPAÇÃO DOS PAIS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR (REFERENCIAL TEÓRICO)

A escola pode ser pensada como o meio do caminho entre a família e a sociedade.

Neste delicado lugar, tanto a família quanto à sociedade lançam olhares e exigências à escola. No que se refere à família, é necessário dizer que a historiografia brasileira nos leva a concluir que não existe um “modelo de família” e sim uma infinidade de modelos familiares, com traços em comum, mas também guardando singularidades. É possível dizer que cada família possui uma identidade própria, trata-se na verdade, como afirmam vários autores, de um agrupamento humano em constante evolução, constituído com o intuito básico de prover a subsistência de seus integrantes e protegê-los.

Estão presentes dessa maneira, sentimentos pertinentes ao cotidiano de qualquer agrupamento como amor, ódio, ciúme, inveja, entre outros. Em relação às expectativas da família com relação à escola com seus filhos encontram-se várias fantasias familiares como o desejo de que a instituição escolar “eduque” o filho naquilo que a família não se julga capaz, como, por exemplo, limite e sexualidade; e que ele seja preparado para obter êxito profissional e financeiro via de regra ingressando em uma boa universidade.

A sociedade procura ter na escola uma instituição normativa que trate de transmitir a cultura, incluindo além dos conteúdos acadêmicos, os elementos éticos e estruturais. É a partir daí que se constrói o currículo manifesto (escrito em seus estatutos) e o currículo latente (o dia-a-dia). (Outeiral apud Siqueira, 2002, p.01).

Embora bem delimitadas as diferenças entre casa e escola, passou-se a buscar mais o apoio desta, entendendo-se a eficácia da ação normalizadora da escola sobre crianças e jovens quando respaldadas pelo conhecimento e aquiescência da família. A despeito disso, reservava-se à escola, 24 os direitos sobre o conhecimento científico acerca das áreas disciplinares, como também sobre aqueles que diziam respeito aos processos de aprendizagem das crianças e adolescentes, conhecimentos estes informados pela biologia, psicologia e ciências sociais preservando a escola, desta forma, seu lugar de autoridade no gerenciamento das questões pedagógico - educacionais.

Hoje vivemos um outro tempo, bem mais complexo, diverso e inquietante do que há algumas décadas, a escola enfrenta, além do desafio frente ao domínio do conhecimento, em permanente mudança, também o desafio da relação com seus alunos, sejam eles crianças pequenas ou jovens.

Sem dúvida esse contexto é perspassado por questões de diferentes naturezas, entre as quais os dilemas do desempenho curricular a ser proposto na contemporaneidade, os impasses da escolha dos encaminhamentos metodológicos mais adequados as relações de ensino, os limites e possibilidades da manutenção de uma relação professor aluno com qualidade e a família é considerada peça chave nesse momento de crise.

Ao lado da família, a escola permanece sendo um espaço de formação que deve, para tanto, repensar a sua ação formadora, preocupando-se em formar seus educadores para que os mesmos reúnam recursos que os permitam lidar com os conflitos inerentes ao cotidiano escolar. É, portanto, na escola, refletindo sobre o que há para ser ensinado às crianças sobre a metodologia que pode tornar mais coesa a ação do conjunto docente, que a escola poderá encontrar saídas legítimas à superação dos problemas morais e éticos que assolam o seu dia-a-dia. Nesse sentido, sem abdicar do lugar reservado ao ensino formal, é preciso que os espaços destinados à formação dos educadores no interior da escola dêem, também, prioridade à reflexão político-filosófica sobre os sentidos e possibilidades da ação educacional para que se possa, desta feita, recuperar ou constituir um novo ideário para a escola.

A escola não é a única instância de formação de cidadania. Mas, o desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade depende cada vez mais da qualidade e da igualdade de oportunidades educativas. Formar cidadãos na perspectiva aqui delineada supõe Instituições onde se possa resgatar a subjetividade interrelacionada com a dimensão social do ser humano, em que a produção e comunicação do conhecimento ocorram através de práticas participativas e criativas.

Trata-se de uma instituição da sociedade na qual a criança atua efetivamente como sujeito individual e social. É um espaço concreto e fundamental para a formação de significados e para o exercício da cidadania: na medida em que possibilita a aprendizagem de participação crítica e criativa, contribui para formar cidadãos que atuem na articulação entre o Estado e a sociedade civil. Para a família, o ensino quanto mais individualizado, melhor para seu filho, pois nessa conjetura vai haver a peculiaridade de melhor ajudá-los e a destacá-lo. As preocupações transitam, portanto no âmbito do privado. Este enfoque mais social do que individual, carrega objetivos éticos, pois a escola deve ser um espaço de valorização tanto da informação, como da formação de seus alunos, dentro de uma estrutura coletiva.

A escola como instituição busca através de seu ensino, que seus alunos possam assumir a responsabilidade por este mundo, como diz Arendt (apud Castro, 2002):

Ultrapassa os desejos individuais e esta responsabilidade só poderá advir, através do enlaçamento entre conhecimento, e ação, entre o saber e as atitudes, entre os interesses individuais e sociais. A escola , como um novo modelo, irá ampliar o mundo dos alunos, convidando-os a olhar suas experiências com uma outra lente, que não a familiar, o que alterará os significados já conhecidos. A escola pública tem mais fortemente, então, a responsabilidade da apresentação de conceitos e conteúdos herdados de nossa cultura, pois muitas crianças só terão acesso a esta herança, através de sua passagem pela escola, que deve então, abrir caminhos de acesso à cultura de maneira igualitária para todos e neste sentido, lutar contra os privilégios de uma classe social. Todo educador enquanto mediador do vínculo entre aluno e a cultura, entre a escola e a família, está mergulhados e comprometidos nesta rede de interesses dos dominantes e dos dominados.(p.01).

Existem escolas que trabalham visivelmente no objetivo de reprodução dos valores e ideologias dominantes, outras tem uma posição mais crítica, mas todas assumem posições políticas, pois a escolha dos conteúdos a serem ensinados, o estilo e o método deste ensino, suas regras, sua maneira de avaliar, de receber a família etc., traduzem os objetivos das instituições, deixando claras as opções e desvelando seus interesses mais específicos.

Partindo de um levantamento da história da participação da família na educação vimos que os interesses das famílias foram acolhidos mais fortemente na escola brasileira, a partir das décadas de 60/70, através do movimento de Renovação Pedagógica, que abriu uma grande lacuna para a entrada de um olhar mais psicológico no âmbito escolar, ampliando a atenção com cada criança, suas escolhas e desejos, seu tempo de aprender entre tantos.

Enfrentamos, porém, conflitos decorrentes da situação vivida, pois passamos de um valor centrado no conteúdo e no educador, para um valor centrado na criança e em seu processo de aprender. O desafio das escolas hoje é sair dos extremos, buscando valorizar tanto a informação, como a formação, tanto no educador como no educando, tanto o método como os conhecimentos acumulados, resgatando a importância do grupo na construção de conceitos e valores. Conforme esclarece Campos (1983):

A palavra família, na sociedade ocidental contemporânea tem ainda para a maioria das pessoas, conotação altamente impregnada para a maioria das pessoas, conotação altamente impregnada de carga afetiva. Os apologistas do ambiente da família como ideal para a educação dos filhos, geralmente evidenciam o calor materno e o amor como contribuição para o estabelecimento do elo afetivo mãe-filho, inexistente no caso de crianças institucionalizadas. Um dos representantes deste ponto de vista foi Bowlby. (p.19).

A complexidade do processo de socialização é evidente e torna-se bastante expressiva dentro do processo ensino-aprendizagem através de aspectos do tipo: imitação, identificação e mais um conjunto de características determinadas pelo contexto familiar, que irão interagir no desenvolvimento da criança dentro da instituição escolar.

De uma maneira geral, sobre a relação família e educação, afirma Nérici (1972)

A educação deve orientar a formação do homem para ele poder ser o que é da melhor forma possível, sem mistificações, sem deformações, em sentido de aceitação social.

Assim, a ação educativa deve incidir sobre a realidade pessoal do educando, tendo em vista explicitar suas possibilidades, em função das autênticas necessidades das pessoas e da sociedade (...). A influência da Família, no entanto, é básica e fundamental no processo educativo do imaturo e nenhuma outra instituição está em condições de substituí-la. (...) A educação para ser autêntica, tem de descer à individualização, à apreensão da essência humana de cada educando, em busca de suas fraquezas e temores, de suas fortalezas e aspirações. (...) O processo educativo deve conduzir à responsabilidade, liberdade, crítica e participação. Educar, não como sinônimo de instruir, mas de formar, de ter consciência de seus próprios atos. “De modo geral, instruir é dizer o que uma coisa é, e educar e dar o sentido moral e social do uso desta coisa”. (p.12).

Por outro lado, Connel (1995) faz uma abordagem em que visualiza a família dentro deste parâmetro sugerindo que a relação entre professores e pais deve ser entendida como uma relação de classes. Assim, os pais da classe dominante vêem os professores como seus agentes pagos: capazes e especialistas. Assim, esclarece Connel (1995):

A escola secundária é fortemente determinada pelo modo como age seu diretor. E isto também é verdadeiro para a escola particular, mas acho que pela razão de o diretor da escola particular prestar contas a um curador ou diretoria, existe mais pressão sobre ele para obter resultados do que o diretor da escola secundária estadual que presta contas a uma Secretaria de Educação. A escola particular produzirá em média melhores diretores porque se estes não realizarem serão despedidos ou a escola irá decair muito rapidamente. (p.126).

Entretanto, Freire (2000) evidencia que ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo, uma tomada de posição, uma decisão, por vezes, até uma ruptura com o passado e o presente. Para este renomado pesquisador e educador, as classes dominantes enxergam a educação como imobilizadora e ocultadora de verdades.

A educação é uma forma de se intervir no mundo, dentro desta linha de pensamento de Freire (2000), que fala de educação como intervenção. Ele se refere a mudanças reais na sociedade, no campo da economia, das relações humanas, da propriedade, do direito ao trabalho, a terra, a educação, a saúde, com referência à situação no Brasil e noutros países da América Latina.

Quanto mais criticamente a liberdade assuma o limite necessário, tanto mais autoridade ela tem. Eticamente falando, para continuar lutando em seu nome, desta forma se posiciona Freire (2000):

Gostaria uma vez mais de deixar bem expresso o quanto aposto na liberdade, o quanto me parece fundamental que ela exercite assumindo decisões. (...). A liberdade amadurece no confronto com outras liberdades, na defesa de seus direitos em face da autoridade dos pais, do professor e do Estado. (p.119).

Castro (2002) em recente artigo: O Caos Institucional e a Crise da Modernidade se referem à falta de parâmetros quanto ao papel que a escola deve assumir em uma sociedade em permanente mudança e, em conformidade a isto, que sentido deve assumir a prática docente, quando a própria produção e veiculação do conhecimento, assumem formas cada vez mais fragmentáveis e, muitas vezes, dissociadas de qualquer significação ética, social e cultural?

Hoje, assistimos ao aprofundamento da desagregação social que impede a constituição de qualquer consenso sobre os princípios e valores que deveriam reger as relações entre os sujeitos e instituições sociais, dificultando a definição de qual deve ser e como deve ser forjado nosso projeto de escola e sociedade.

(...) O tipo de escola e conhecimento que se funda com o capitalismo, legitima-se em um modelo de arquitetura social voltada à satisfação dos direitos intelectuais de uma elite econômica, amparada em sólida composição familiar que, a princípio, pode fornecer o lastro moral, ético e civilizacional, necessários ao bom desempenho de todos aqueles que a freqüentam. Hoje, contudo, a situação é outra. A sociedade pós-industrial alterou, significativamente, sua maneira de operar e produzir mercadorias, conhecimentos e valores, afetando diretamente a escola, afetando seus eixos paradigmáticos, tanto no que se refere à sua organização funcional, curricular e metodológica, quanto aos princípios éticos e participativos que sustentam sua prática cotidiana. Este panorama dificulta a definição de rumos, a fim de que se possa determinar as metas a serem atingidas pela escola no campo dos saberes, mas, também, no campo da participação dos diversos segmentos que a compõem, principalmente dos pais.( Castro, 2000. p.01).

Atravessamos uma autêntica socialização divergente. Vivemos numa sociedade pluralista, em que grupos sociais distintos defendem modelos de educação opostos, em que se dá prioridade a valores diferentes e até contraditórios. Ou seja, a unidade racionalista representada por um modelo unitário de escola está em crise, em função da ascensão de um paradigma educacional que não pode mais colocar para debaixo do tapete, a diversidade sócio-cultural como elemento central dos conflitos que marcam a escola nos dias de hoje.

Toda esta movimentação no plano social produz rupturas na forma como historicamente, algumas instituições se organizam para gerar conhecimento, condicionar hábitos e impor comportamento. Destas, as mais afetadas foram, com certeza, a família e a escola. Não é por outra razão que hoje essas duas instituições se vêem compelidas a uma aproximação que, até a alguns anos atrás, não seria possível ou mesmo desejável.

Tradicionalmente a escola olhou para a família com certa desconfiança e, quando não teve alternativa, apenas suportou a participação dos pais na condição de ouvintes comportados dos relatos por eles produzidos, acerca da trajetória disciplinar e pedagógica dos alunos. Raramente essa participação superou os limites de ação beneficente, envolvendo-se com a parte organizacional do projeto curricular da escola. Para a escola, a família foi e é o locus de construção de moralidade, base indispensável para a garantia do projeto moralizador e civilizacional representado pela escola.

A família fez da escola, sobretudo na etapa que antecedeu a massificação do processo institucional, uma instituição a serviço da monopolização do capital cultural nas mãos de uma elite econômica reproduzindo, no plano educativo, as desigualdades do campo social. Assistimos a uma reviravolta neste cenário decorrente da crise dos modelos forjados pela modernidade. O modelo de família nuclear predominante até meados da década de 50 deu lugar a novas formas de representação e organização parental com reflexos diretos no que concerne às relações entre pais e filhos. Cresceu, vertiginosamente, o número de separações entre casais, o que tem provocado a perda de referências ético-morais para uma parte significativa de jovens e crianças.

Além disso, a crescente presença da mulher no mercado de trabalho e sua maior independência da representação de mulher voltada à vida doméstica e à educação da prole resultaram em certa lacuna com relação ao desenvolvimento afetivo, social e educacional das novas gerações. Para completar este cenário, as mudanças tecnológicas que prometiam uma maior disponibilidade de tempo para que os indivíduos se dedicassem a si mesmos e aos outros, revelaram-se falsas; o trabalho e a velocidade cotidiana só fizeram afastar as pessoas do convívio comunitário, isolando-as, cada vez mais e, conseqüentemente, descompromissando-as das responsabilidades públicas, dentre as quais, destaca-se a formação da juventude.

Os estudos realizados, em vários países, nas últimas três décadas, mostraram que, quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles obtêm melhor aproveitamento escolar. De todas as variáveis estudadas, o envolvimento dos pais no processo educativo foi a que obteve maior impacto, estando esse impacto presente em todos os grupos sociais e culturais.

Quando falamos em colaboração da escola com os pais, estamos a falar de muitas coisas. Desde logo, a comunicação entre o professor e os pais dos alunos aparece à cabeça, constituindo a forma mais vulgar e mais antiga de colaboração.

Muitos professores não vão além dessa prática e, muitas vezes, limitam-se a ser os mensageiros das más notícias. Talvez, por isso muitos pais olhem para a escola com um misto de receio e de preocupação, porque só são chamados pelo professor quando os filhos revelam problemas de aprendizagem ou de indisciplina. Mas há outras formas de colaboração. Por exemplo, o apoio social e psicológico que a escola pode dar aos alunos e respectivas famílias através dos serviços de apoio social escolar e dos serviços de psicologia e orientação vocacional. Para muitas famílias no limiar da pobreza, esta é a única forma de colaboração conhecida.

As famílias da classe média sempre praticaram uma outra forma de colaboração: o apoio ao estudo, em casa. Essas famílias apóiam os filhos na realização dos trabalhos de casa e no estudo recorrendo, muitas vezes, a professores particulares. Nos jardins de infância e nas escolas do ensino básico, começa a ser comum à participação dos pais em atividades escolares: festas, comemorações e visitas de estudo. Algumas destas formas de colaboração têm efeitos expressivos na melhoria do aproveitamento escolar dos alunos, aumenta a motivação dos alunos no estudo, ajuda a que os pais compreendam melhor o esforço dos professores. Melhora a imagem social da escola, reforça o prestígio profissional dos professores, ajuda os pais a serem melhores pais. Da mesma forma, estimula os professores a serem melhores professores.

Não há uma única maneira correta de envolver os pais. As escolas devem procurar oferecer um menu que se adapte as características e necessidades de uma comunidade educativa cada vez mais heterogênea. A intensidade do contato é importante e deve incluir reuniões gerais e o recurso à comunicação escrita, mas, sobretudo os encontros esses agentes (escola e família).

Intensidade e diversidade parecem ser as características mais marcantes dos programas eficazes.

Nada é pior para o bem estar e desenvolvimento das crianças e dos jovens do que a ausência de referências seguras e a privação do contato continuado e duradouro com adultos significativos.

Quando os pais, por motivos relacionados com o mercado de trabalho e o afastamento do local de trabalho da sua área de habitação, não dispõem de tempo para estar com os filhos, deixando, por isso, de tomar as refeições em comum, as crianças e os jovens são obrigados a crescerem com a ausência de referências culturais seguras. Essa ausência de referências faz aumentar a necessidade de os professores criarem programas que aproximem as escolas das famílias, contribuindo para a recriação de pequenas comunidades de apoio aos alunos que sejam uma presença forte na vida deles.

Quando os valores da escola coincidem com os valores da família, quando não há rupturas culturais, a aprendizagem ocorre com mais facilidade. Nas comunidades homogêneas, em que os professores partilham os mesmos valores, linguagem e padrões culturais dos pais dos alunos, está garantida a continuidade entre a escola e a família. Contudo, são cada vez mais as escolas com populações estudantis heterogêneas, nas quais os professores e os pais têm raízes culturais diferentes, provocando, nos alunos, dificuldades de adaptação.

Se tivermos presente a maneira como os alunos aprendem, torna-se evidente à importância da continuidade cultural entre a escola e as famílias. O aluno aprende assimilando a informação pela experiência direta com pessoas e objetos, ou seja, professores, pais, colegas, livros, programas de televisão e Internet. Essa informação é incorporada nas suas estruturas mentais, modificando-as, tornando-as mais complexas e abrangentes. É o desejo de adquirir sentido, de tentar compreender, que leva o aluno a aprender.

Quanto mais rico e variado for o seu mundo familiar, mais oportunidades o aluno terá de adquirir informação relevante. Os alunos movem-se para o estágio cognitivo que lhes está mais próximo, quando reconhecem que há uma discrepância entre o que experenciam e o sentido que estão a dar as novas informações. Mas o grau de discrepância não deve ser nem muito elevado nem muito reduzido. Perante situações moderadamente discrepantes, o aluno reorganiza a sua estrutura mental, quando descobertas acerca do desequilíbrio cognitivo, é a necessidade do problema ser apropriado a capacidade da criança para resolvê-lo.

As afirmações anteriores ajudam-nos a compreender o que acontece a um aluno que chega a uma escola que lhe oferece um currículo sem continuidades com a sua cultura familiar.

Diferenças de linguagem, de proximidade e de distância entre pessoas, de formas de tratamento e de regras de comportamento tornam mais difícil que o aluno seja capaz de aplicar as suas experiências e conhecimentos passados às novas aprendizagens escolares.

Confrontados com grandes descontinuidades entre a casa e a escola, incapazes de compreenderem a cultura escolar e de aplicarem as suas experiências passadas aos novos contextos, esses alunos podem rejeitar ou ignorar a nova informação. Quando isso acontece, estão criadas as condições para que o aluno rejeite a cultura escolar. Essa rejeição pode assumir várias formas: indisciplina, violência, abandono, passividade e resignação. Seja qual for a forma assumida pela rejeição, os sinais dessa rejeição devem ser interpretados pelo professor, cabendo lhe traçar um plano de ação que inclua a comunicação com os pais.

O envolvimento dos pais nas escolas produz efeitos positivos tanto nos pais como nos professores, nas escolas e nas comunidades locais. Os pais que colaboram habitualmente com a escola ficam mais motivados para se envolverem em processos de atualização e reconversão profissional e melhoram a sua auto-estima como pais.

O envolvimento familiar traz, também, benefícios aos professores que, regra geral, sentem que o seu trabalho é apreciado pelos pais e se esforçam para que o grau de satisfação dos pais seja grande. A escola também ganha porque passa a dispor de mais recursos comunitários para desempenhar as suas funções, nomeadamente com a contribuição dos pais na realização de atividades de complemento curricular.

Quando a escola se aproxima das famílias, registra-se uma pressão positiva no sentido de os programas educativos responderem às necessidades dos vários públicos escolares. As comunidades locais também ganham porque o envolvimento familiar faz parte do movimento cívico mais geral de participação na vida das comunidades, sendo, por vezes, uma oportunidade para os pais intervirem nos destinos das suas comunidades e desenvolverem competências de cidadania.

Restou para a escola a responsabilidade de estabelecer a ordem neste caos e, como não lhe é possível reorganizar o quadro familiar, resta-lhe abrir mais portas para tentar uma parceria educativa com os pais, de modo que possa instituir uma nova estabilidade, que traga de volta, à escola, a legitimidade que a crise da modernidade lhe retirou.

Sem dúvida que este estudo faz parte de uma nova etapa nas relações escola/família, em que os papéis serão reconstituídos sob novas bases éticas, políticas e culturais.

4.1 CONTEXTUALIZANDO HISTORICAMENTE

Ao longo da história brasileira a família veio passando por transformações importantes que se relaciona diretamente com o contexto sócio-econômico-político do país.

O Brasil - Colônia, marcado pelo trabalho escravo e pela produção rural para a exportação, identifica-se um modelo de família tradicional extensa e patriarcal, no qual os casamentos baseavam-se em interesses econômicos, que à mulher, era destinada a castidade, a fidelidade e a subserviência. Aos filhos, considerados extensão do patrimônio do patriarca. Ao nascer dificilmente experimentavam o sabor do aconchego e da proteção materna, pois eram amamentados e cuidados pelas amas de leite.

A partir das últimas décadas do século XIX, identifica-se um novo modelo de família. A Proclamação da República, o fim do trabalho escravo, as novas práticas de sociabilidade com o início do processo de industrialização, urbanização e modernização do país constituem terreno fértil para proliferação do modelo de família nuclear burguesa, originário da Europa. Trata-se de uma família constituída por pai, mães e poucos filhos. O homem continua detentor da autoridade e "rei" do espaço público; enquanto a mulher assume uma nova posição: "rainha do lar", "rainha do espaço privado da casa". Desde cedo, a menina é educada para desempenhar seu papel de mãe e esposa, zelar pela educação dos filhos e pelos cuidados com o lar.

No âmbito legal, a Constituição Brasileira de 1988, aborda a questão da família nos artigos

5º, 7º, 201º, 208º e 226º a 230º, trazendo algumas inovações (artigo 226) como um novo conceito de família: união estável entre o homem e a mulher (§ 3º) e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes (§ 4º). E ainda reconhece que: ''os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher'' (§ 5º).

Nos últimos vinte anos, várias mudanças ocorridas no plano sócio-político-econômico relacionadas ao processo de globalização da economia capitalista vêm interferindo na dinâmica e estrutura familiar e possibilitando mudanças em seu padrão tradicional de organização.

Conforme Pereira (1995), as mais evidentes são:

- Queda da taxa de fecundidade, devido ao acesso aos métodos contraceptivos e de esterilização;

- Tendência de envelhecimento populacional;

- Declínio do número de casamentos e aumento da dissolução dos vínculos matrimoniais constituídos, com crescimento das taxas de pessoas vivendo sozinhas;

- Aumento da taxa de coabitações, o que permite que as crianças recebam outros valores; menos tradicionais;

- Aumento do número de famílias chefiadas por uma só pessoa, principalmente por mulheres, que trabalham fora e têm menos tempo para cuidar da casa e dos filhos.

Entretanto, evidenciamos que essas mudanças não devem ser encaradas como tendências negativas ou sintomas de crise. A aparente desorganização da família é um dos aspectos da reestruturação que ela vem sofrendo. Por um lado, pode causar problemas, por outro, apresentar soluções. Trata-se de um processo contraditório que ao mesmo tempo em que abala o sentimento de segurança das pessoas com a falta ou diminuição da solidariedade familiar, proporciona também a possibilidade de emancipação de segmentos tradicionalmente aprisionados no espaço restritivo de muitas sociedades conjugais opressoras.

Com ele, também, os papéis sociais atribuídos diferenciadamente ao homem e à mulher tendem a desaparecer não só no lar, mas também no trabalho, na rua, no lazer e em outras esferas da atividade humana.

Embora, a cada momento histórico corresponda um modelo de família preponderante, ele não é único, ou seja, concomitante aos modelos dominantes de cada época, existiam outros com menor expressão social, como é o caso das famílias africanas escravizadas. Além disso, o surgimento desta tendência não impedia imediatamente a outra, prova disto é que neste início de século podemos identificar a presença do homem patriarca, da mulher "rainha do lar" e da mulher trabalhadora. Assim, não podemos falar de família, mas de famílias, para que possamos tentar contemplar a diversidade de relações que convivem em nossa sociedade. Outro aspecto a ser ressaltado, diz respeito ao significado social da família e qual a sua razão de existência.

Segundo Kaloustian (1988), a família é o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da forma como vêm se estruturando. É a família que propicia os aportes afetivos e, sobretudo materiais necessários ao desenvolvimento e bem-estar dos seus componentes. Ela desempenha um papel decisivo na educação formal e informal, e é em seu espaço que são absorvidos o valor ético e humanitário, em que se aprofundam os laços de solidariedade. É também em seu interior que se constroem as marcas entre as gerações e são observados valores culturais.

Gokhale (1980) acrescenta que a família não é somente o berço da cultura e a base da sociedade futura, mas é também o centro da vida social. A educação bem sucedida da criança na família é que vai servir de apoio à sua criatividade e ao seu comportamento produtivo quando for adulto. A família tem sido, é, e será a influência mais poderosa para o desenvolvimento da personalidade e do caráter das pessoas.

E evidenciado no nosso tipo de organização social, o papel crucial da família quanto à proteção, afetividade e educação, A questão que colocamos a seguir é aonde buscar fundamentação para a relação educação escola-família.

O dever da família com o processo de escolaridade e a importância da sua presença no contexto escolar é publicamente reconhecido na legislação nacional e nas diretrizes do Ministério da Educação aprovadas no decorrer dos anos 90, tais como:

-Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8069/90), nos artigos 4º e 5º;

-Política Nacional de Educação Especial, que adota como umas de suas diretrizes gerais: adotar mecanismos que oportunizem a participação efetiva da família no desenvolvimento global do aluno.

E ainda, conscientizar e comprometer os segmentos sociais, a comunidade escolar, a família e o próprio portador de necessidades especiais, na defesa de seus direitos e deveres. Entre seus objetivos específicos, temos: envolvimento familiar e da comunidade no processo de desenvolvimento da personalidade do educando.

-Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9394/96), artigos 1º, 2º, 6º e 12°;

-Plano Nacional de Educação (aprovado pela Lei nº 10172/2002), que define como uma de suas diretrizes a implantação de conselhos escolares e outras formas de participação da comunidade escolar (composta também pela família) e local na melhoria do funcionamento das instituições de educação e no enriquecimento das oportunidades educativas e dos recursos pedagógicos.

E não podemos deixar de registrar a recente iniciativa do MEC – Ministério da Educação e Cultura, que instituiu a data de 24 de abril com o Dia Nacional da Família na Escola. Neste, todas as escolas deveriam convidar os familiares dos alunos para participar de suas atividades educativas, pois conforme declaração do Ministro Paulo Renato Souza: “Quando os pais se envolvem na educação dos filhos, eles aprendem mais".

Relacionados os sustentáculos formais da relação família/escola/educação, é importante pontuar ainda alguns aspectos: em primeiro lugar, é preciso reconhecer que a família independente do modelo como se apresente, pode ser um espaço de afetividade e de segurança, mas também de medos, incertezas, rejeições, preconceitos e até de violência.

Em segundo lugar, na relação família/educadores, um sujeito sempre espera algo do outro. E para que isto de fato ocorra é preciso que sejamos capazes de construirmos coletivamente uma relação de diálogo mútuo, em que cada parte envolvida tenha o seu momento de fala, mas também de escrita, no qual exista uma efetiva troca de saberes. A capacidade de comunicação exige a compreensão da mensagem que o outro quer transmitir e para tal faz-se necessário o desejo de querer escutar o outro, a atenção às idéias emitidas e a flexibilidade para recebermos idéias que podem ser diferentes das nossas.

Assim, é fundamental que conheçamos os alunos e as famílias com as quais lidamos. Sobretudo que conheçamos quais são suas dificuldades, seus planos, seus medos e anseios. Enfim, que características e particularidades marcam a trajetória de cada família e conseqüentemente, do educando a quem atendemos. Estas informações são dados preciosos para que possamos avaliar o êxito de nossas ações enquanto educadores, identificar demandas e construir propostas educacionais compatíveis com a nossa realidade.

Uma atitude de desinteresse e de preconceitos pode danificar profundamente a relação família/escola e trazer sérios prejuízos para o sucesso escolar e pessoal dos educandos. Geralmente, a família de educandos surdos espera e necessita da escola inúmeras informações, apoio e orientação sobre como lidar com a situação de convívio com uma pessoa surda. A falta de atenção para esta demanda possivelmente terá conseqüências negativas para educadores, educandos e familiares.

Enfim, muitos podem ser o significado da palavra participar. É preciso que conheçamos as razões pelas quais as famílias não têm correspondido ao que nós educadores esperamos enquanto sua participação na escola. Para tal, precisamos nos despir da postura de juízes que condenam sem conhecer as razões e incorporarmos o espírito investigador que busca as causas para o desconhecido.

CONCLUSÃO

A partir das abordagens dispostas no presente trabalho, a presente pesquisa procurou tratar da questão da indisciplina na escola e dos vários aspectos que estão relacionados a este tema.

Dar limites às crianças na Educação Infantil é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro, ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites, e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida. É de suma importância uma análise conjunta: família e escola. Afinal, aos “pais” está subtendido que são os responsáveis pela criança. A parceria entre família e escola é necessária para detectar as possíveis falhas e tentar solucionar os problemas da disciplina.

A complexidade da vida moderna acaba delegando aos professores papeis antes só de responsabilidade dos pais. A família de hoje conta muito com a escola, ou seja, com seus professores na formação das crianças e dos jovens. Ela precisa estar informada sobre a linha de conduta que a escola tem com seus filhos e, o que é fundamental, concordar com esta linha: é preciso falar a mesma língua. Nos dias de hoje, o professor deve ser um “líder”, deve saber também que liderança não se impõe, se conquista. Na sala de aula, ele representa a direção, a própria família. Ali ele é o “dono da lei”. O educador necessita ter qualidades humanas imprescindíveis como, por exemplo: equilíbrio emocional, responsabilidade, caráter, alegria de viver, ética e principalmente gostar de ser professor. Além é claro de ter um maior conhecimento sobre o manejo de sala e de como melhor se relacionar com o aluno. Também o professor, tem um papel de mediador entre nossa realidade social e a função de educar.

Crianças gostam de professores que lhe dêem limites. Os professores bonzinhos nunca serão respeitados; cairão no esquecimento com muita facilidade. Ele não deve permitir que somente as crianças participem do processo de estabelecimento de regras, mas sim discutir o que é o estabelecimento de regras, oferecer idéias de como criá-las, fixá–las por escrito na sala de aula e envolvê-las no comprimento destas.

É importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas mais comuns, com