Trabalho Completo A MULHER ROMANTICA DE JOSE DE ALENCAR E A MULHER MODERNA DE CLARICE LISPECTOR

A MULHER ROMANTICA DE JOSE DE ALENCAR E A MULHER MODERNA DE CLARICE LISPECTOR

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Categoria: Letras

Enviado por: carmemmartins 29 maio 2013

Palavras: 7721 | Páginas: 31

RESUMO: Esta pesquisa é de evolução e tem como tema identificar a imagem da mulher dentro da sociedade do século XIX e do século XX. Para isso, analisa Jose de Alencar e Clarice Lispector. Os principais objetivos são distinguir as obras e verificar a correspondência com o período literário aos quais os autores fizeram parte, ou seja, o Romantismo e o Modernismo. Observa-se escreveram de acordo com os paradigmas da sociedade em relação ao tratamento dado a mulher.

Palavras-chave: Mulher, Modernismo, Romantismo.

INTRODUÇÃO

Justifica-se a pesquisa pelo contexto histórico, e apresentam diferentes paradigmas em relação ao papel da mulher na sociedade, assim como determinam as atividades e os sentimentos femininos. Além disso, este trabalho proporcionará um melhor entendimento sobre as duas escolas literárias: Romantismo e Modernismo, das quais os autores fizeram parte.

O valor de estudar Jose de Alencar e Clarice Lispector passa pelo enriquecimento e conhecimento cultural, pois cada escritor traz consigo experiência e visões diferentes em relação a literatura e a sociedade das quais fizeram parte. Sendo assim, pode-se á por meio da leitura dos autores aqui citados, compreenderam as diferenças nas relações sociais, onde um simples modo de pensar pode mudar a maneira de agir de uma mulher.

A escolha de Jose de Alencar e Clarice Lispector vem da grande complexidade que esses autores mostraram em suas obras.

Os objetivos da pesquisa e de cunho descritiva, pois mostrará como a mulher era tratada na sociedade a mais de um século.

As pesquisas descritivas têm como objetivo a descrição das características de determinada população (...). Entre as pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar a s características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental etc.(...). São incluídas neste grupo as pesquisas que tem como objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população. ( Gil, 2010, p. 27).

Desta forma pretende-se colaborar com o fim das questões que tanto rodeiam as mentes dos que tem curiosidades em saber o papel da mulher na sociedade.

A Presente pesquisa apresenta como tema o estudo da mulher no Romantismo e no Modernismo, com o objetivo de identificar as diferenças de seu papel e comportamento dentro da sociedade do século XIX e do século XX em relação ao amor e as atividades sociais, baseando-se nessas duas escolas literárias, a partir da analise de Jose de Alencar, e Clarice Lispector.

Norteou a pesquisa a seguinte pergunta: Qual o papel da mulher na sociedade do século XIX e do século XX na visão de Jose de Alencar, e Clarice Lispector?

Como objetivos específicos estão: Identificar as características do romantismo e modernismo em forma de prosa e o estilo dos autores Jose de Alencar, e Clarice Lispector;

Observar uma aprendizagem menos cansativa despertando o interesse ao leitor na descoberta do lúdico dentro do contexto real e fictício, resultando na criação de cada historia e enfatizando o papel da mulher no romantismo ate os dias de hoje;Verificar o nível da participação da mulher nos eventos sociais e as barreiras por elas encontradas no século XIX e século XX.

Jose de Alencar vem sendo estudado por diversos pesquisadores. Ele esteve presente nas três fases desse período e mesmo tendo se tornado segundo Moisés (1984) um homem publico continuou ouvindo a sua voz interior e não deixou de escrever, assim se consagrou um romancista por vocação e não como autor que escreve de acordo com o seu tempo e por reflexo do meio em que vive.

Dessa forma Clarice Lispector também vem sendo estudada por acreditarem que existiu uma literatura A.C (antes de Clarice) e uma D.C( depois de Clarice).

Esses dois autores em tempo diferente escreveram sobre o universo da mulher.

Justifica-se esta pesquisa pelo contexto histórico, e apresentam diferentes paradigmas em relação ao papel da mulher na sociedade, assim como determinam as atividades e os sentimentos femininos. Além disso, este trabalho proporcionará um melhor entendimento sobre as duas escolas literárias: Romantismo e Modernismo, das quais os autores fizeram parte.

O valor de estudar Jose de Alencar e Clarice Lispector passa pelo enriquecimento e conhecimento cultural, pois cada escritor trás consigo experiência e visões diferentes em relação á literatura e á sociedade das quais fizeram parte. Sendo assim, pode-se á por meio da leitura dos autores aqui citados, compreenderam as diferenças nas relações sociais, onde um simples modo de pensar pode mudar a maneira de agir de uma mulher.

A escolha de Jose de Alencar e Clarice Lispector vem da grande complexidade que esses autores mostraram em suas obras.

Os objetivos da pesquisa e de cunho descritiva, pois mostrará como a mulher era tratada na sociedade a mais de um século.

As pesquisas descritivas têm como objetivo a descrição das características de determinada população (...).Entre as pesquisas descritivas , salientam-se aquelas que tem por objetivo estudar a s características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo , nível de escolaridade, estado de saúde física e mental etc.(...). São incluídas neste grupo as pesquisas que tem como objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população. ( Gil, 2010, p. 27).

Desta forma pretende-se colaborar com o fim das questões que tanto rodeiam as mentes dos que tem curiosidades em saber o papel da mulher na sociedade.

A LITERATURA NO BRASIL A MULHER ROMÂNTICA DE JOSE DE ALENCAR E A MULHER MODERNA DE CLARICE LISPECTOR

Antes de se falar sobre a literatura no Brasil é necessário entender-se o que é literatura. Para Nicola ( 1996) pode ser considerada literatura qualquer arte escrita ou falada ,que expresse emoção e que contenha imaginação. Os textos literários contem formas mistas, diferenciadas que transmitem lembranças e associações com a realidade.

Dessa maneira, a literatura pode ser conceituada como:

Uma transfiguração do real é a realidade recriada através do espirito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. Passa, então, a viver outra, autônoma, independente do autor e da experiência de realidade de onde proveio. (COUTINHO, 1987, p.9-10)

Coutinho (2004b) ainda afirma que é a experiência humana, o sentimento, a visão da realidade que define e caracteriza uma boa literatura.

Mesmo chegando a esse conceito de literatura Wellek e Warren ( 2003 ) afirmam que “alguns teóricos argumentam que a literatura não pode ser estudada. Só podemos lê-la ,só o que podemos fazer é acumular informações sobre a literatura”.

Contudo a literatura já passou por vários períodos, onde seus escritores destacaram em suas obras a sua impressão da realidade. De acordo com o contexto histórico-cultural as obras apresentavam características semelhantes resultando assim nos períodos literários.

Os primeiros textos escritos pertenciam ao Barroco, com obras líricas (emoção do eu). Eram escritos em latim, português, espanhol e tupi para que se atingisse os vários leitores existentes. Tinha conteúdo místico e religioso devido as suas influencias da colonização.

Mas foi só no romantismo que a literatura brasileira consolidou-se. Após a independência do Brasil em 1922, os textos tomaram autonomia e nascia aí um nacionalismo que viria marcar os próximos estilos literários e inúmeros autores, como por exemplo, Jose de Alencar.

O ROMANTISMO NO BRASIL

O romantismo foi um movimento artístico, politico e filosófico que surgiu na Europa no final do século XVII e permaneceu até o inicio do século XIX. Caracterizou-se como uma visão de mundo contraria ao racionalismo ( razão como a única maneira de pensar ) que marcou o período neoclássico, movimento que preconizava o retorno ao estilo clássico na arte e na literatura, e buscou um nacionalismo ( preferência por aquilo que é da nação ), que viria consolidar os estados nacionais da Europa.

O Romantismo desenvolveu-se no Brasil durante o ‘século XIX, a partir daí a poesia ficou mais forte e admirável. O marco inicial foi em 1836 com a publicação do livro de poesias Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhaes, considerado a primeira obra romântica do país. Segundo Tufano (1988), neste mesmo ano surgiu em Paris a revista Niterói, por iniciativa de Araújo Poro- Alegre, Torres Homem, Pereira da Silva e Gonçalves Magalhães, essa revista tornou-se uma espécie de porta-voz das novas ideias românticas.

Esse movimento surge com a chegada da família real portuguesa em 1808 após D. João VI decretar a abertura dos portos ás nações amigas, criar escolas de ensino superior e inaugurar bibliotecas, permitindo o funcionamento de tipografias no país, o que contribuiu para o surgimento do jornalismo no Brasil.

Após a independência do Brasil, os escritores passaram a valorizar o que era próprio do país. Nascia assim o nacionalismo dentro da literatura brasileira, autores como Jose de Alencar escreveram nessa época sobre o indígena, o selvagem e outras coisas típicas do Brasil.

O romantismo estava ligado claramente á politica, isso pode ser confirmado com a afirmação descrita abaixo:

Contemporânea ao movimento romântico da independência de 1822, a literatura romântica sempre expressou sua ligação com a politica e ao lado da euforia da liberdade e do desejo de construção da pátria, surgiu também o desejo de criação de uma literatura autenticamente brasileira. (TUFANO, 1988, p.88 ).

Segundo Coutinho ( 1988 ), o movimento romântico se adaptou ao país assumindo um estilo particular com traços próprios ao lado de elementos gerais, que filiam ao movimento europeu.

O Romantismo brasileiro dividiu-se em três fases que ficaram conhecidas como primeira segunda e terceira gerações, onde se diferenciaram por outras características que serão detalhadas a seguir:

Após a urbanização da cidade do Rio de Janeiro ter criado uma sociedade consumidora representada pela aristocracia rural, profissionais liberais e jovens estudantes que buscavam sempre o entretenimento, surgiu o desenvolvimento do romance no Brasil. Sampaio (2010), afirma que para responder a essas exigências surge romances que giram em torno da descrição de costumes urbanos e amenidades do campo, essa faz ficou conhecida como primeira geração romântica ou geração nacionalista ou indianista, marcada pela exaltação da natureza, a volta ao passado histórico e a criação do herói nacional na figura do índio. A religiosidade e o sentimento também são características presentes na primeira geração.

Mesmo com essas características próprias o Romantismo brasileiro durante a primeira fase ainda se via inspirado nas ideias europeias.

Apesar de “patriótica, ostensivamente patriótica”, trata-se de uma geração ainda “europeia” ou “europeizante”, pois continua a nortear-se pelos padrões culturais da Europa, notadamente França e Portugal. (...) S simbólico dessa dependência é o fato de o Romantismo principiar com uma revista e uma obra dada á estampa em Paris, e Gonçalves Dias, figura proeminente dessa geração, haver cursado Direito em Coimbra. (MOISÉS, 1989, p.26).

A segunda geração foi influenciada por Byron e Musset, é Chamada de geração byroniana e representou o Ultra Romantismo, também conhecido como o mal do século, pelo pessimismo presente nas obras. Suas poesias eram egocêntricas e sentimentais e mostravam tédio pela vida e obsessão pela morte que transmite tristeza e desilusão.

Tais características ficam claras na afirmação citada abaixo:

Baseou-se em uma arte totalmente voltada para o desapego a este nacionalismo e “mergulhou” em um exacerbado sentimentalismo e pessimismo doentio como forma de escapar da realidade e dos problemas que assolavam a sociedade na época. (DUARTE, 2010).

Essa geração dura aproximadamente duas décadas, nas quais a nação vive em paz sob-reinado de D. Pedro II.

Tufano (1988) afirma que a terceira e última fase romântica inicia-se por volta de 1860, quando a poesia deixa de ser lamento e passa a ser um grito de protesto politico ou reivindicação social. Em paralelo com esses acontecimentos está a campanha para libertação dos escravos, onde os poetas passam a ser mais uma vez a voz do povo.

A característica fundamental do romantismo foi “sua atitude de permanente oposição, de luta contra o que então vigora e, ao mesmo tempo, de protesto contra as novas formas de existência”. (COUTINHO, 2004ª, p. 232).

O Romantismo teve uma enorme importância para a historia do Brasil, pois foi a ele que o país deve sua independência literária, conquistando a liberdade de pensamento e de expressão.

Jose de Alencar: vida e obra

Jose de Alencar nasceu no Ceará ,em 1829,mudou-se para o Rio de Janeiro aos 11 anos para estudar. Em 1843 vai a São Paulo e matricula-se na Faculdade de Direito. Após ter se formado volta ao Rio de Janeiro e inicia a sua carreira de advogado e jornalista. Em 1857 publica seu primeiro livro o Guarani. Elege-se deputado, mas continua colaborando com a imprensa e escrevendo seus romances e teatros. Faleceu em 1877 aos 48 anos.

Durante sua vida literária Alencar cultivou várias formas de se expressar, praticou crônicas, teatro, critica a literária, biografia, poesia e o romance. Mas foi da prosa de ficção que alcançou o ponto mais alto de sua carreira.

Alencar preferiu a forma de expressão literária vinda do romance, suas obras variavam de acordo com o que queria abordar em relação à realidade.

Enfim Bosi (2006) lembra que Alencar dispunha de uma imaginação sem limites, e o escritor que idealizara heróis míticos no coração da floresta era o mesmo que escrevia sobre finas donzelas e jovens rapazes no salão da corte.

O Modernismo no Brasil

O macro inicial do modernismo no Brasil foi sem duvida a semana da arte moderna de 1922. Segundo Tufano (1988), a ideia de se realizar essa semana partiu da necessidade de se realizar uma exposição com poemas, palestras declamações e a mostra de outros tipos de arte como esculturas e musicas.

O evento tinha como objetivo colocar a cultura brasileira a par das correntes de vanguardas (o que está a frente do tempo) do pensamento europeu, da mesma forma que pregava a tomada de consciência da realidade brasileira. Por isso para Nicola (1996), a semana da arte moderna “deve ser vista não só como um movimento artístico, mas também como um movimento politico e social”.

Durante os três dias de eventos foram apresentados espetáculos que falavam desde a renovação das letras e das artes até sobre liberdade de expressão. Mas mesmo com criticas os jovens que organizaram conseguiram o que pretendiam: divulgar a existência de uma nova geração de artistas que lutavam para renovar a arte brasileira e rejeitavam o tradicionalismo. Anos depois esse esforço de renovar trouxe a principal característica da nova geração, o nacionalismo. O sucesso da semana da arte moderna é relatado por Coutinho no trecho abaixo:

A semana foi uma explosão. Longamente preparado o espirito literário para uma renovação radical, alguns espíritos de vanguardas, reunidos por anseios e pontos de vista comuns, assaltariam os bastiões do “passadismo”. Foi sobre tudo um golpe de destruição da velha ordem. (COUTINHO, 1988, p.264).

Portanto Tufano (1988) afirma que essa semana foi uma tomada de posição coletiva contra o culto ao passado e contra os preconceitos artísticos, que provocou uma união dos artistas jamais vista antes.

Após a realização da semana de arte moderna, o Brasil passou por uma nova eleição, onde mais uma vez um mineiro assumiu o poder. Isso ocasionou revolta da classe média, pois os mesmos queriam mudanças no quadro politico. As lutas foram em vão e os primeiros anos de governo do mineiro forem marcados por censura á imprensa e intervenções nos estados.

Neste contexto histórico, o Brasil deu inicio a primeira fase do modernismo, que foi caracterizada pela tentativa de definir e marcar posições. Considerada como a fase mais radical do movimento modernista esse período que vai de 1922 até 1930 lutava pelo rompimento de todas as estruturas do passado. Mesmo procurando outros caminhos mais modernos acontece uma volta ás origens, onde predomina o nacionalismo.

Logo em seguida o momento histórico do mundo se encontra em meio a Segunda Guerra Mundial e a depressão econômica, onde aconteceram paralisações de fabricas e o aumento do desemprego, da fome e da miséria, e o Brasil sofre com o fim da republica velha e o inicio da ditadura de Getúlio Vargas.

Na prosa acontece a estreia de uma nova geração preocupada com os problemas sociais. Para Tufano (1988), esses escritores se firmariam futuramente como autenticamente modernos.

Além das denuncias sociais da realidade brasileira, a segunda fase tratava também das relações do eu com o mundo buscando o “homem brasileiro”, dando importância ao regionalismo, onde os personagens se encontravam com o meio natural e social. Criticam em algumas de suas obras os engenhos sendo exterminados pelas usinas e mostram as regiões de cana de açúcar.

Segundo a segunda fase acontece o Pós- modernismo, citado por Coutinho.

(2004c) como a terceira fase modernista. Ela tem inicio no ano de 1945, quando acontecia o fim da ditadura de Getúlio Vargas. As grandes modificações ocorreram também na literatura, os textos passaram a tratar do intimo fazendo sondagem psicológica e introspectiva. O regionalismo continua presente, mas falando agora do psicológico do jagunço e recriando os costumes e a fala sertaneja. Abordava os problemas gerados pela tensão existente entre o homem e a sociedade.

Dentro do Pós-Modernismo destaca-se Clarice Lispector, o principal nome de uma tendência intimista da moderna literatura brasileira.

CLARICE LISPECTOR: VIDA E OBRA

Clarice Lispector escritora e jornalista nasceram na Ucrânia em 1920. Veio para o Brasil com apenas dois meses de idade. Cursou o primário em Recife. Ao ingressar na faculdade mudou-se para o Rio de janeiro. Formou-se em Direito em 1944, mesmo ano que publicou seu primeiro livro. Perto do Coração Selvagem. Afastou-se do Brasil após casar-se, mas não deixou de escrever os seus romances. “a hora da Estrela” foi seu último romance, publicado em vida. Faleceu em 1977, aos 52 anos vitima de câncer.

Monteiro (2002) afirma que Clarice escreveu crônicas, contos, romances, livros infantis, reportagem página feminina e uma peça teatral, exercitou-se em diferentes registros de textos e mesmos assim conseguiu deixar sua marca em todos eles.

Bosi (2006) acredita que Clarice manteve-se fiel ao seu estilo de escrever. O uso intensivo de metáfora rara, a entrega ao fluxo da consciência, a ruptura com o enredo verdadeiro tem sido constantes em seu estilo de narrar.

É claro que não faltaram criticas e historias inventada sobre Clarice Lispector, em toda a sua vida circulou u par de imagens contraditórias sobre ela, Santiago (1990) afirma que de um lado havia imagem de uma menina judia que chega ao nordeste brasileiro e pouco a pouco ganho posição na sociedade. E de outro lado a imagem de uma jovem e talentosa artista que se cerca de intelectuais confessadamente católicos, o que leva a afirmar que Clarice morreu crista é o que afirma Tristão de Ataíde (pseudônimo de Alceu de Amoroso Lima) que diz ter recebido um livro dedicado a ele em que Clarice dizia a frase “Eu sei que Deus existe”.

Essa autora tão misteriosa dizia que os problemas da justiça social despertavam nela um sentimento tão básico, tão essencial que não conseguia escrever sobre eles. Era algo tão obvio que não havia o que dizer e sim o que fazer.

Clarice Lispector tinha uma grande sensibilidade, sua preocupação maior não estava no enredo, era preciso se entregar a sua leitura para poder decifra-la.

Para Monteiro (2002), Clarice escrevia seus textos como se tivesse desvelando a realidade, sondando gestos, olhares. ”Ler Clarice é uma oportunidade de mudar o seu olhar diante do universo”.

AS RELAÇÕES SOCIAS NO SÉCULO XIX E NO SÉCULO XX

No inicio do século XX, as relações sociais foram marcadas pelo aparecimento de grandes cidades industriais, que geraram duas novas classes sociais a burguesia industrial (formada pelos comerciantes indústrias) e o proletariado (formada pelos operários).

A partir da segunda metade do século, a estrutura socioeconômica brasileira sofreu uma mudança radical, pois com exportação do café o país recuperou sua economia. Acompanhando a prosperidade do campo cresceram as indústrias e com elas a classe operária. Na política as ideias republicanas e abolicionistas determinaram o fim da escravidão em 1888 e da Monarquia em 1889.

Após a abolição, os grandes proprietários rurais aliaram-se aos empreendedores urbanos, como grandes comerciantes, banqueiros e industriais. Com a troca de mão-de- obra escrava pelo trabalhador assalariado, as relações entre patrões e empregados eram de extrema discordância, porque o patrão sempre ficava com a maior parte do lucro e pagava baixos salários.

Durante o século XIX, a mulher era tratada como responsável pela casa, pelos afazeres domésticos, para procriação e educação dos filhos. Restringida a sua casa fixava de fora de qualquer ralação com a sociedade. Desde criança, a mulher era educada apenas com o propósito de ser mãe. De acordo com Sarat (2008), a mulher era feita propriedade do marido e era silenciada por ele, não podendo expor suas opiniões.

Toda essa perspectiva era baseada nas ideias do cristianismo. E dentro desses padrões estava a virgindade, que era vista como prova de honestidade. Qualquer maneira de se comportar fora desses padrões era criticada pela sociedade. Essa afirmação pode ser confirmada no depoimento de Louisa Garret Anderson que viveu no século XIX:

Permanecer solteira era considerado uma desgraça e aos 30 anos uma mulher que não fosse casada era chamada De velha solteirona.

Depois que seus pais morreram o que elas podiam fazer, para onde poderiam ir? Se tivesse um irmão poderiam viver em sua casa, como hóspedes permanentes e indesejados. Algumas tinham que se manter e, então, as dificuldades apareciam. (ALVES: GUIMALHÃES, 2008)

Sarat (2008) descreve que mesmo as mulheres estando restrita a casa/ quintal, tiveram a oportunidade de frequentar escolas após o processo de industrialização e urbanização que o país sofreu nesse período. Havia duas opções: magistério, que na maioria das vezes fazia com que as mulheres que eram professoras ficassem solteiras; e os ensinamentos de como ser uma boa mãe e dona de casa.

Foi no século XIX que a alta sociedade foi “invadida” pelos bares e pelos bailes. Com eles vieram também às belas cortesãs, mulheres cuja profissão era o amor. Sempre bem vestidas, com joias e carros, conquistavam as cabeças dos homens que frequentavam esses lugares. As cortesãs não eram vistas com bons olhos e o preconceito ás rodeava por todos os lados.

Em meados do século XIX a mulher decidiu ampliar o seu espaço. Deixou de restringir-se a sua casa e passou a frequentar espaços públicos. Mas isso foi possível por causa das lutas por direitos iguais enfrentados por essas mulheres. Lutas essas que intitularam como movimento feminista. Entretanto as mulheres as mulheres que assumiram as lutas sofreram discriminações tanto da parte dos homens como também das mulheres que ainda encontravam impregnadas pelos valores morais impostos durante muitos anos.

Costa, Azevedo e Fonseca (2010) acreditam que nesse mesmo movimento toma ares políticos e “traz a tona a violência doméstica sofrida pela maioria das mulheres, dando visibilidade ao assunto, até então considerado privado, a ser resolvido na esfera do lar”.

Em suma, o feminismo ainda mantém-se em segundo plano, pois nunca é tratado com a mesma significância que o masculino.

A mulher sempre posta numa posição Subalterna em relação ao homem. Sofre imposições de beleza pelas revistas, tornando, uma grande força consumidora devido a sua relação com o mundo domestico e clausura do lar. Percebemos que as revistas ditam a moda a ser seguida, dizendo a ela aquilo que devem usar o que devem fazer como devem comportar-se e como devem pensar. (FABER; PAIVA; SEVERO; WOLF; 2008) .

A MULHER SEGUNDO JOSÉ DE ALENCAR NA OBRA DE LUCIOLA

Este tópico tem por objetivo mostrar como o mais importante escritor do Romantismo via o perfil da mulher e como concretizava seu papel na sociedade por meio de suas obras e personagens.

Durante o Romantismo os romances eram inspirados nos costumes da sociedade carioca da época: o que interessava aos leitores burgueses, pelo fato de as histórias acontecerem em cenários conhecidos por eles fazendo exigências dos leitores, os temas retratavam costumes urbanos, o bem estar da vida no campo, a importância dos selvagens, além de falarem sobre a vida social e sobre os problemas da evolução da cidade.

Os romances românticos buscavam retratar um amor ideal, em que o ambiente natural era perfeito, as mulheres eram virgens sonhadas, compradas a anjos, sem nenhum tipo de defeito. Quando sua forma física é citada, isso acontece de maneira elegante, à sensualidade é disfarçada com o uso de insinuações. As cenas em que aparecem relações amorosas são descritas com palavras que levem a dedução do fato.

Entre os escritores do Romantismo estava José de Alencar, que era considerado o maior romancista da época. Sua luta era pela criação de uma língua literária que se aproximasse do falar brasileiro. Destacavam-se os romances sociais, que representavam de forma crítica as relações da sociedade carioca do século XIX. Dentre os assuntos abordados por ele estava o tratamento da mulher dentro da sociedade. Alencar escreveu perfis femininos titulando de suas obras com o nome das personagens. Entre elas estão: Lucíola, Diva e Senhora. Alencar usava em suas obras temas como: intrigas de amor, o amor como força para viver, a desigualdade econômica, a busca do verdadeiro amor sem interesse.

José de Alencar criticava a sociedade, pois esta se interessava apenas pelas riquezas das pessoas e deixava de lado a sinceridade dos sentimentos.

A MULHER SEGUNDO CLARICE LISPECTOR NA OBRA A HORA DA ESTRELA E O LIVRO DOS PRAZERES

Clarice Lispector começou a escrever durante a segunda metade do século XX em uma época, em que o mundo já vivia um forte feminismo. O Brasil enfrentava a ditadura militar, a repressão e a morte, mas o papel da mulher já estava sendo repensado e não lhe cabia mais o dever da maternidade e da esposa submissa.

Incentivadas pelo movimento feminista, as mulheres reivindicaram a igualdade de direitos civis e políticos, o acesso a educação superior e melhores oportunidades de trabalho. Na literatura o Brasil passava pelo Modernismo, onde seus escritores procuravam romper de vez com as estruturas do passado.

Mesmo contemporânea a esses fatos, a intenção de Clarice Lispector em escrever sobre o feminino estava longe de refletir sobre uma sociedade, um momento político ou sobre uma transformação cultural feminina. O objetivo de Clarice era do de simplesmente tentar explicar os sentimentos e as angústias vividas pala mulher.

Clarice tinha vocação para a escrita, suas personagens eram de cana urbana que no dia a dia seriam quase nada, isto é, encontravam-se personagens sem glamour, sem grandes histórias para contar, figuras que facilmente passariam despercebidas, invisíveis para sociedade por não significarem nada dentro do contexto.

A literatura introspectiva de Clarice não fala do que é ser mulher e sim da alma feminina. Ela parece entender o destino feminino descrevendo não como uma forma linear a ser seguindo e sim o misturando com os destinos de quem passa em sua vida (marido, filhos, pais, amigos).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No desenvolvimento deste trabalho estava sempre posta a mesma pergunta qual o papel da mulher dentro da sociedade ao longo do tempo? Seja ele no século XIX ou no XX. Ao longo da monografia foi possível alcançar respostas que satisfizessem as questões e dúvidas levantadas.

O contexto histórico e a analise das obras contribuíram para que as respostas tivessem sustentação.

No século XIX, tendo como referência a obra Lucíola,de Jose de Alencar, constatou-se que a mulher ainda era vista como dona do lar, submissa ao marido e responsável pelos filho . Um século onde a mulher não exercia os seus direitos e também não trabalhava fora para custear junto com o marido as despesas de casa. Quando saia dos padrões impostos, ela era julgada, humilhada e deixava de ser tratada com fragilidade e passava a ser rejeitada pela sociedade, como se realmente só fosse um objeto.

No século XX, o papel da mulher muda um pouco, mas quase nada. Durante esse período já havia acontecido revoluções do feminismo, já que se comemorava o dia internacional da mulher. No entanto o preconceito contra elas ainda era forte, visto que as mudanças ainda não haviam sido aceitas por todos.

Na obra de Clarice Lispector, a Hora da Estrela, a autora continua a relatar o grande preconceito existente, agora não só contra a mulher, mas também contra o nordestino. Macabéia é ignorada por todos e vista como um nada . ela se apaixona –se e é trocada por sua colega, confirmando a sua insignificância para as pessoas. Só consegue sentir-se mulher na hora da morte, quando a retirante é notada pelos outros pela primeira vez.

As duas obras estão separadas por um século, mas tem como foco a vida de mulheres fora dos padrões tidos como corretos da sociedade.Lucíola queria ser notada por todose conseguia. Mcabéia não queria ser esquecida, porém não conseguia ser vista como uma estrela,visto que os atributos não eram chamativos.

Luciola acreditava em Deus e Mcabéia conversava com Ele sem acreditar em sua existência. As duas trabalhavam de maneiras diferentes, para se sustentar. A primeira ganhava muito dinheiro e vivia no luxo, cercada por homens. Já a segunda contentava-se com pouco e ere quase miserável, o único homem que teve abandonou-a sem explicações.

A grande semelhança que há dentro delas está na morte. As duas precisariam morrer fisicamente para poder viver espiritualmente. As duas encontram o amor na hora da morte. Lucíola confessa a sua paixão por Paulo e a recebe de volta. E Macabéia enconta a paixão por ela mesma após ouvir de outra pessoa que sua vida mudaria que logo seria desejada por alguém.

As duas personagens lutaram diferentemente contra o preconceito social, mas nenhuma conseguiu vencê-lo. Ele está dentro da sociedade até os dias de hoje. Basta olhar em volta e observar , quantas lúcias e quantas Macabéias ainda circulam pelos cantos da cidade em pleno séculoXXI,prostitutas que trabalham pelo sustento de seus familiares , que veem na profissão uma maneira de ganhar a vida. E a quantidade de nordestinas que ainda hoje precisam sair de casa em busca de condições de vida melhores, vendo na migração para cidades grandes a sua única alternativa.

Enquanto que no livro uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, Lorely era independente financeiramente com um ótimo padrão de vida, mas insegura em relação ao amor e a vida conduzindo a sua própria vida com superficialidade sem aprofundar em nada.

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SANTIAGO,Silviano. A politica em Clarice Lispector. 1990. Disponível em < http//www.claricelispector.com.br/artigos> acesso em 27 de fevereiro de 2013.

SARAT, Lilian.Educação e religião das mulheres no Brasil do século XIX: conformação e resistência.fazendo Gênero 8- Corpo Violencia e Poder, 2008. Disponível em < http//www.fazendogenero8.ufsc.br/sts/st27.> acesso em 20 de março de 2013.

TUFANO,Douglas. Estudos da Literatura Brasileira – 4 ed. Rev. E ampl. –São Paulo: Moderna ,1988.

ANEXOS

Resumo do livro: Lucíola

Conta a história romântica de Lucíola e Paulo. Lucíola é uma cortesã de luxo do RJ em 1855. E Paulo um rapaz do interior que veio para o Rio para conhecer a Corte.

Na primeira vez que Paulo viu Lúcia, julgou ela como meiga e angélica, mesmo seu amigo Couto contando barbaridades sobre ela e revelando a sua verdadeira profissão, Paulo manteve essa imagem em seu coração.

Descobrindo sua casa, Paulo foi visitá-la, e sendo as circunstâncias favoráveis, elas entregou-se a ele como no mais belo ato. Depois disto, Lúcia passou a ser vulgar e mesquinha, desprezando o amor de Paulo, bem como havia dito Couto a respeito dos modos da moça.

Paulo então viu Lúcia com outros homens, como Jacinto, e sentiu ciúmes, mas Lúcia justificou alegando ser ele apenas um negociante.

Em uma festa a que tanto Paulo quanto Lúcia estavam presentes, todos os convidados beberam e jogaram a vontade, tanto os homens quanto as mulheres. Nas paredes havia quadros de mulheres nuas, e como era Lúcia uma prostituta, a pedido e pagamento dos cavalheiros, ela ficou nua diante dos presentes.

Para Paulo aquela não era a imagem que ele havia visto na casa e na cama de Lúcia, esta era repugnante e vulgar, aquela bela e fantástica, não era Lúcia que ali estava, aquela jovem meiga que conhecera, e sim Lucíola, a prostituta mais cobiçada do Rio de Janeiro. Então Paulo retirou-se, alegando que já havia visto paisagens melhores.

Lúcia arrependeu-se do que fez e eles se reconciliaram. Paulo a amava desesperadamente de forma bela e pura, Lúcia em seus conturbados sentimentos, decidiu então dedicar-se inteiramente a esse amor para que sua alma fosse purificada por ele.

Então vendeu sua luxuosa casa e foi morar em uma menor e mais modesta. E contou a Paulo sua história:

Seu nome verdadeiro era Maria da Glória e, quando em 1850 houve um surto de febre amarela, toda sua família caiu doente, do pai à irmãzinha.

Para poder pagar os medicamentos necessários para salvá-los, Lúcia se deixou levar por Couto, quem a partir disso ela passou a desprezar profundamente. Nessa época ela tinha 14 anos, e seu pai, ao descobrir, a expulsou de casa. Ela fingiu então sua própria morte quando sua amiga Lúcia morreu, e assumiu este nome.

Agora, com o dinheiro que conseguia, pagava os estudos de Ana, sua irmã mais nova. Paulo ficou muito comovido com a historia de Lúcia. Ele sempre a visitava e numa noite de amor ela engravidou, mas adoeceu. Lúcia acreditava que a doença era devido ao fato de seu corpo não ser puro.

Confessou seu amor a Paulo e que pertencia a ele, queria que Paulo casasse com Ana, que tinha vindo morar com eles. Paulo recusou-se assim como Lúcia também recusou o aborto. E por isso ela morreu.

Após 5 anos, Ana passou a ser como uma filha para Paulo, que a amparava. E 6 anos depois da morte de Lúcia, Ana casou-se com um homem de bem e Paulo continuou triste com a morte do único amor da sua vida.

Lucíola é um romance urbano, em que Alencar transforma a cortesã em heroína, esta purifica sua alma com o amor de Paulo. Ela não se permite amar, por seu corpo ser sujo e vergonhoso, e ao fim da vida, quando admite seu amor, declara-se pertencente a Paulo. É a submissão do amor romântico, onde a castidade valorizada.

Percebe-se também uma crítica social e moral ao preconceito. O romance causou comentários na sociedade. Paulo se viu dividido entre o amor e o preconceito. A atração física superou essa barreira, mas até o final ela se sentia indigna do amor de Paulo e do sentimento de igualdade que deveria existir entre os amantes.

Resumo do livro: A hora da estrela

O narrador conta a história de Macabéa, jovem alagoana de 19 anos que vive no Rio de Janeiro. Órfã, mal se lembrava dos pais, que morreram quando ela era ainda criança. Foi criada por uma tia muito religiosa e moralista, cheia de superstições e tabus, os quais ela passou para a sobrinha.

Essa tia também tinha certo prazer mórbido em castigar Macabéa com cascudos na cabeça, muitas vezes sem motivo, além de privá-la de sua única paixão: a goiabada com queijo na sobremesa. Assim, depois de uma infância miserável, sem conforto nem amor, sem ter tido amigos nem animais de estimação, Macabéa vai para a cidade grande com a tia.

Apesar de ter estudado pouco e não saber escrever direito, Macabéa faz um curso de datilografia e consegue um emprego, no qual recebe menos que o salário mínimo. Após a morte da tia, deixa de ir à igreja e passa a repartir um quarto de pensão com quatro balconistas de uma loja popular.

Macabéa cheirava mal, pois raramente tomava banho. À noite, não dormia direito por causa da tosse persistente, da azia — em virtude do café frio que tomava antes de se deitar — e da fome, que ela disfarçava comendo pedacinhos de papel.

A moça tinha hábitos e manias que aliviavam um pouco a solidão e o vazio de sua existência. Entretinha-se ouvindo a Rádio Relógio num aparelho emprestado de uma das colegas. Essa emissora informava a hora certa, transmitia cultura inútil e propaganda, sem nenhuma música. A garota colecionava também anúncios de jornais e revistas, que colava num álbum. Certa vez, cobiçou um creme cosmético, que preferia comer em vez de passar na pele.

Era muito magra e pálida, pois não se alimentava direito. Basicamente vivia de cachorro-quente com Coca-Cola, que comia na hora do almoço, em pé, no balcão de uma lanchonete ou no escritório em que trabalhava. Não sabia o que era uma refeição quente. Seus luxos consistiam em pintar de vermelho as unhas, que roía depois, comprar uma rosa e, quando recebia o salário, ir ao cinema, o que a fazia desejar ser estrela de cinema, como Marilyn Monroe, seu grande sonho.

Certo dia, o chefe de Macabéa, Raimundo, cansado do péssimo trabalho que ela executava, com textos datilografados cheios de erros de ortografia e marcas de gordura, resolve despedi-la. A reação da garota, de se desculpar pelo aborrecimento causado, acaba desarmando Raimundo, que decide mantê-la por mais um tempo.

Num dia 7 de maio, Macabéa mente dizendo que arrancaria um dente e falta ao trabalho para poder aproveitar a liberdade da solidão e fazer algo diferente. Assim que as colegas saem para trabalhar, ela coloca uma música alta, dança, toma café solúvel e até mesmo se dá ao luxo de se entediar. É nesse dia que conhece Olímpico de Jesus, único namorado que teve.

Não foi um namoro convencional. Olímpico também havia migrado do Nordeste, onde matara um homem, fugindo para o Rio de Janeiro. Conseguira emprego numa metalúrgica, o que dá delírios de grandeza em Macabéa. Afinal, ambos tinham profissão: ela era datilógrafa e ele, metalúrgico.

Mau-caráter e ambicioso, Olímpico morava de favor no trabalho, roubava os colegas e almejava um dia ser deputado. O passeio dos namorados era sempre seguido de chuvas e de programas gratuitos, como sentar-se em bancos de praça para conversar. Nessas ocasiões, Olímpico se irritava com as perguntas que Macabéa fazia, o que a levava constantemente a se desculpar, pois não queria perdê-lo, apesar de seus maus-tratos.

Certo dia, admitindo que ela nunca lhe dava despesa, Olímpico decide pagar um cafezinho para Macabéa no bar da esquina. Avisa, porém, que se o café com leite fosse mais caro, ela pagaria a diferença. Macabéa, emocionada com a "bondade" do namorado, acaba enchendo o copo de açúcar para aproveitar, ficando enjoada depois. Em um passeio ao zoológico, Macabéa fica com tanto medo do rinoceronte que urina na roupa e tenta disfarçar para não desagradar ao namorado. Um dia, vendo que só o chefe e sua colega de escritório, Glória, recebiam telefonemas, Macabéa dá uma ficha telefônica para que Olímpico ligue para ela. Ele se recusa, dizendo que não queria ouvir as "bobagens" dela.

Até que, após conhecer Glória, Olímpico decide romper com Macabéa para ficar com a sua amiga. O rapaz considera a troca um progresso, já que elas eram opostas: Glória era loira (oxigenada), cheia de corpo, morava numa casa confortável, tinha três refeições por dia e, o mais importante, seu pai era açougueiro, profissão ambicionada por Olímpico.

Após esse episódio, Macabéa vai ao médico e descobre que tem tuberculose, mas não entende muito bem a gravidade da doença. Sente-se bem só por ter ido ao consultório e não acha necessário comprar o medicamento receitado. Com dor na consciência por ter roubado o namorado de Macabéa, Glória a convida para lanchar em sua casa. Macabéa, mais uma vez, aproveita a oportunidade e come demais. Apesar de passar mal, não vomita para não desperdiçar o luxo do chocolate, mas sente remorsos por ter roubado uma rosquinha.

Finalmente, aconselhada por Glória, Macabéa vai até uma cartomante para saber de sua sorte. Lá, é recebida pela própria, Madama Carlota, que impressiona a pobre moça pelo "requinte" de sua residência, repleta de plástico, e pela amabilidade afetada com que a trata. Após Madama Carlota contar sobre sua vida como prostituta e cafetina, lê as cartas para Macabéa, que, emocionada, pela primeira vez vislumbra um futuro e se permite ter esperança. Afinal, iria se casar com um estrangeiro rico, que daria todo o amor de que ela precisava.

Inebriada com as previsões da cartomante, Macabéa atravessa a rua sem olhar e é atropelada por uma Mercedes-Benz. Caída na calçada e sangrando, seu fim é testemunhado por inúmeros espectadores que se aglomeram em torno dela, sem que nenhum ofereça socorro. Por fim, a garota tosse sangue e morre. Havia chegado a hora da estrela.

Resumo do livro:Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres

Lóri é professora primária e mora no Rio de Janeiro. Sua família era rica, mas perdeu parte da fortuna depois da morte da mãe de Lóri. A protagonista comprou um apartamento e recebe uma mesada do pai, fato que a permite viver melhor do que as possibilidades de professora. Tem quatro irmãos, mas como é a única filha, tem afirmada vantagem com o pai que mora em Campos, interior do estado.

No Rio de Janeiro, Lóri conhece Ulisses, professor de filosofia e homem maduro, que lhe ofereceu uma carona enquanto ela aguardava um táxi. Mesmo tendo algumas experiências amorosas anteriores, Lóri passa a amar aquele homem maduro e equilibrado. Entretanto, Ulisses espera que Lóri aprenda a felicidade e o amor para enfim se entregarem um ao outro, então, ele promete esperá-la.

Após uma longa, dolorida, solitária e angustiante espera a protagonista finalmente se sente capaz para procurar Ulisses na casa dele para se entregarem mutuamente um ao outro.

O caminho de aprendizagem de Lóri afirma suas capacidades como mulher, de modo que aprender sobre o amor e o prazer resulta na aprendizagem sobre si mesmo e sobre a vida. A protagonista conhece o seu eu que estava perdido em meio a tanto preconceito no que concerne ao amor e ao prazer feminino que à mulher é mais que permitido pelo mundo masculino, mas um direito único e intransferível.

Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres narra o processo de amadurecimento de Lóri, portanto, pode ser considerado como um romance de formação feminino, em que para aprender a personagem precisou desaprender a vergonha que tinha sobre o próprio corpo e sobre a proibição do prazer.

Em vários trechos do romance fica claro que o único caminho para a felicidade é o aprendizado. Essa busca da protagonista passa por sua percepção do que está a sua volta e do que ocorre em seu íntimo, para tanto, sua capacidade e experiência em capturar cada instante.