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Categoria: Tecnologia

Enviado por: Lorena 15 dezembro 2011

Palavras: 5247 | Páginas: 21

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ectric energy, which reaches almost all of the Brazilian population. Keywords: Power Line Communication, Internet, Digital inclusion, Data transmission, Broadband, Electrical network.

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Artigo elaborado como pré-requisito de avaliação parcial do curso de Sistemas para Internet,

da Faculdade Anísio Teixeira – FAT.

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Graduando do curso de Sistemas para Internet, da Faculdade Anísio Teixeira – FAT.

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Introdução

Objeto perseguido pelo homem desde seu surgimento, a comunicação tem um papel fundamental para o desenvolvimento sócio-cultural e tecnológico da raça humana. Alavancados por este desejo, têm surgido ao longo dos séculos, especialmente no século XX, meios de comunicação diversos, dos quais a Internet apresenta destaque notório pela possibilidade, ainda infinita, de serviços que esta pode disponibilizar. A partir de então, os estudos estão concentrados em meios físicos que viabilizem a interligação desta grande rede, garantindo comunicação entre os pontos mais remotos do globo, observando as características sócio-econômicas de cada região.

Estudos apontam a tecnologia PLC (Power Line Communication), como conseqüência da busca por alternativas de baixo custo e de alta capilaridade por mais um meio físico de interligação da comunicação global. Entretanto os estudos estão centralizados na viabilidade das implementações desta tecnologia em relação ou concomitância com as que atualmente estão em uso e constante aperfeiçoamento de suas topologias e equipamentos, também na busca pela redução dos custos de produção e implementação no sentido de atingir índices cada vez maiores de abrangência global.

Observadas as possibilidades operacionais e econômicas da transmissão de dados em alta velocidade utilizando as redes de distribuição de eletricidade, e o impacto social decorrente de sua implantação, faz necessário o

aprofundamento das pesquisas sobre PLC, no tocante às especificações técnicas de implantação e equipamentos necessários para pleno

funcionamento, bem como aspectos de segurança das informações que irão trafegar na rede e a compatibilização dos sistemas atualmente em uso de transmissão e controle deste trafego, observando-se que, em dado momento, indubitavelmente haverá concomitância entre tecnologias, seja esta na transição de uma para outra, ou em sua aplicação contígua.

Como

forma

de

solucionar

as

diversas

variáveis

apresentadas

na

3 implementação da PLC, diversos setores da sociedade cientifica empenham-se em chegar à uniformização e certificação dos processos de implementação dessa tecnologia de forma global, assim como as empresas de geração e distribuição de energia elétrica também dispensam esforços e investimentos para esta solução, realizando testes em suas redes. Atualmente ainda não existe regulamentação da transmissão de dados de forma inteligente e controlada através da rede de distribuição de energia elétrica.

O avanço têm sido notório, ao ponto tal que estas empresas, baseadas em estudos primários, já utilizam o PLC para telemetria, teleproteção e controle remoto de seus equipamentos a quase duas décadas como forma de agilização de seus procedimentos operativos. Estes avanços têm despertado o interesse das empresas de eletricidade da possibilidade de se transformarem em provedores de serviço de telecomunicações, utilizando seus ativos físicos de distribuição.

No Brasil, a chegada do PLC impactará de forma específica as comunidades que hoje, devido à imensa extensão territorial de nosso país, estão isoladas de infra-estruturas de telecomunicação, pois as operadoras de telecomunicação oferecem serviços precários ou quase inexistentes. Nesse sentido, a fim de tornar a comunicação de dados disponível aos cidadãos dessas áreas e conseqüentemente promover a chamada inclusão digital, o emprego de novas tecnologias de acesso, como a em questão, é fundamental.

A Tecnologia PLC

A PLC é uma tecnologia que visa utilizar a infra-estrutura da rede de distribuição de energia elétrica para a transmissão de dados e voz, viabilizando o acesso à grande rede. Não é uma tecnologia nova, as primeiras pesquisas neste sentido datam dos anos trinta do século passado, entretanto com o desenvolvimento de tecnologias de conectividade atuais, algumas empresas vislumbram o potencial do PLC como meio de comunicação e presumível

4 investimento lucrativo, por não necessitar de grandes investimentos em infraestrutura de rede nem das edificações residenciais e comerciais.

Segundo o Bacharel em Sistemas de Informação Josias Rodrigues Corrêa (2004), em sua monografia pela Uniminas (União Educacional de Minas Gerais), o princípio de funcionamento da tecnologia PLC é parecido com o que já ocorre com o ADSL1 que utiliza a linha telefônica para inserir dados modulados em alta freqüência em um meio físico de transmissão já existente. No caso do PLC é utilizada a rede física de energia elétrica para transmissão dos sinais. A figura 1 mostra uma visão geral do sistema PLC. O sinal que trafega a partir do backbone2 Internet é injetado na rede secundária do transformador através do head end (HE). Este sinal é compartilhado por todos os usuários desta rede, que são segregados em VLAN´s3 para garantir privacidade e segurança. Em cada usuário é instalado um repetidor de sinal (Home Gateway), em paralelo com o medidor de energia elétrica. Deste ponto em diante todas as tomadas estão com sinal disponível para conexão de um modem PLC.

Figura 1: Visão Geral do PLC – Fabricante DS2

Fonte: DS2, 2004

A PLC utiliza a camada 2 do modelo ISO/OSI4, ou seja, camada de enlace.

ADSL – Assimetrical Digital Subscribe Line Backbone – Trecho de maior capacidade da Internet ("Espinha dorsal") 3 VLAN´s – Virtual Local Area Network 4 ISO/OSI – Modelos de arquitetura de rede de computadores, ISO – International Organization for Standardization, OSI – Open Systems Interconnection

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5 Sendo assim pode ser agregada a uma rede TCP/IP5 (camada 3) já existente, além de poder trabalhar com outras tecnologias da camada 2.

Precedida pela Power Line Carrier, chamada no Brasil de OPLAT (Ondas Portadoras em Linhas de Alta Tensão), amplamente utilizada desde a década de 30 pelas concessionárias de energia elétrica em redes de alta tensão, foi criada uma tecnologia de nome parecido para explorar a transmissão de dados em redes de baixa tensão, a PLC.

O Power Line Carrier, entretanto, possui baixa capacidade de transmissão de dados, modulação analógica e é explorado até os dias de hoje pelas concessionárias de energia elétrica para outros serviços como: voz e comunicação de dados em baixa velocidade (teleproteção, telecontrole e telemetria). A velocidade de transmissão de dados conseguida neste caso não passa de 9,6Kbps, enquanto que a Power Line Communications consegue velocidades próximas a 40Mbps em faixas de freqüência entre 1,7MHz a 30MHz. São comunicações de banda estreita, que operam em baixa freqüência (de 30 a 400KHz6). Estes serviços são explorados transmitindo-se ondas portadoras em linhas de transmissão de energia com tensões entre 69KV7 a 500KV.

Aproveitando conhecimentos da tecnologia Power Line Carrier, foram realizadas algumas tentativas de comunicação de dados, voz e imagem, ou seja, aplicações em banda larga, nas redes de média tensão e redes de baixa tensão.

Especificações técnicas, segurança e compatibilidade

Especificações técnicas

O principal diferencial da PLC sobre as outras tecnologias é a utilização de

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TCP/IP – Protocolo de transmissão de dados KHz – Unidade de freqüência Hertz (KHz – milhares de Hertz) 7 KV – Unidade de tensão Volts (KV – milhares de Volts)

6 uma infra-estrutura física já existente, pois todos edifícios, casas e apartamentos que possuem uma rede elétrica instalada, estão aptos a receber esta tecnologia. Não há necessidade de cabeamentos adicionais nem mudanças estruturais nas edificações, isto permite inferir que, bastando conectar à tomada, um computador ou qualquer outro dispositivo, que este receberia o sinal. Por outro lado, as linhas de potência são um dos meios mais inóspitos à comunicação de dados, devido à diversidade de características elétricas dos dispositivos interligados a elas. Assim o sinal transmitido entre o transmissor e receptor pode sofrer variações em decorrência da distância entre os mesmos, bem como das características elétricas dos dispositivos entre eles conectados às linhas elétricas. Fontes típicas de ruído que podem interferir no sinal são os que utilizam-se de chaveamento, seja ele eletrônico (lâmpadas fluorescentes e halogênicas, fontes chaveadas) ou mecânico (motores de escova8).

Principais equipamentos utilizados numa rede PLC:

Modem (PNT): Usado para recepção e transmissão dos dados, o modem é instalado em host (estação de trabalho, servidor, etc.), que é ligado à tomada de energia elétrica. Ele realiza a comunicação com o Demodulador Repetidor (PNR). A figura 2 traz um exemplo de Modem PLC:

Figura 2: Modem PLC - Fabricante ENDESA

Fonte: ENDESA, 2003

Motores de escova – Motores que compõem liquidificadores, barbeadores, secadores de cabelo, processadores de alimentos, etc.

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7 Demodulador Repetidor (PNR): O PNR provê acesso direto do usuário do sistema Indoor9 para o sistema Outdoor10. Cada residência tem um, e este se comunica com o Concentrador Mestre (PNU). Concentrador Mestre (PNU): Controla o sistema Outdoor e interconecta uma Célula de Energia à rede do backbone. Geralmente está localizada no transformador. Deste ponto em diante a comunicação pode ser feita pela operadora de telecomunicações.

De acordo com Vargas e Pereira [et al], (2004), a instalação de um modem PLC é muito simples. Quando um novo aparelho é adicionado à rede, é preciso apenas executar o CD de instalação que o acompanha. Nesse momento, o software perguntará qual é o ID (identificação) da rede na qual o modem está conectado, o que é facilmente identificado e configurado pelo usuário comum. Feito isso, o novo modem se comunicará com os outros modems da rede bem como com o Demodulador Repetidor, que por sua vez se comunicará com o Concentrador Mestre o qual interliga todo sistema à Internet.

Tecnologias utilizadas atualmente em PLC

X-10 PLC – Existente a mais de vinte anos, a tecnologia X-10 PLC foi criada para controle de equipamentos remotamente a baixo custo. Sua utilização era unidirecional, porém estudos e melhorias culminaram em equipamentos bidirecionais.

Os módulos transmissores do X-10 são adaptadores que conectados à tomada enviam sinais aos módulos receptores para controlar equipamentos simples como: interruptores, controles remoto, sensores de presença, entre outros. Utiliza modulação por amplitude (AM Amplitude Modulation) na mesma freqüência da tensão elétrica (50Hz a 60Hz) em corrente alternada, onde a portadora utiliza a passagem pelo zero volt da onda senoidal. Justifica-se este tipo de modulação, pois é na passagem pelo zero da senóide onde se obtém o instante de menor ruído e interferência de outros equipamentos ligados à rede.

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Indoor – Rede interna do usuário ou edificação Outdoor – Rede externa

8 Devido a este fato sua velocidade de transmissão é limitada a 60bps, a qual não permite sua utilização para transmissão de dados e voz restringindo sua aplicação a comandos de equipamentos em redes de distribuição elétrica.

Intellon CEBus – Tecnologia desenvolvida em 1992 pela Intellon utilizando o padrão aberto CEBus (Consumer Eletrônic Bus), apresenta as características de comunicação por linhas de potência, par trançado, cabo coaxial, infravermelho, RF (Rádio Freqüência), e fibra ótica. Utiliza o modelo de comunicação ponto-a-ponto e adota técnica CSMA/CDCR (Carrier Sense Multiple Access/Collision Detection and Resolution) para evitar colisão de dados.

Desenvolvida para uso residencial com taxas de transmissão até 10Kbps, não foi popularizado devido aos altos custos, pouca oferta de produtos CEBus e baixas taxas de transmissão.

Echelon LonWorks – Desenvolvida pela empresa Echelon, esta tecnologia tem como objetivo oferecer uma infra-estrutura para operação de rede local denominada LON (Local Operating Network), a qual está baseada no protocolo de comunicação proprietário LonTalk (ANSI 709.1), e está embarcada no chip set Neuron, também proprietário. Pode ser utilizado através de par trançado, cabo coaxial, RF, infravermelho, fibra ótica e rede elétrica, a uma taxa de transmissão de dados da ordem de 10Kbps. Todavia, o alto custo dessa tecnologia influenciado pelo chip Neuron e a coexistência de soluções mais baratas, afastou o Echelon LonWorks dos usuários domésticos sendo mais utilizados em aplicações comerciais e industriais.

Adaptive Networks – Apresentando taxas de transmissão entre 19,2Kbps e 100Kbps, suas outras características são similares às Intellon CEBus e a Echelon LonWorks, porém assim como as tecnologias retro-citadas não é adequada a aplicações em banda larga como compartilhamento de arquivos, voz digital e transmissão de vídeo. Seus chips set ainda são caros inviabilizando a instalação em usuários domésticos e pequenos escritórios, sendo mais utilizadas em aplicações comercias de grande porte e industriais.

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PLUG-IN – Desenvolvida pela Interlogis, esta tecnologia difere das demais devida possibilidade de alcançar altas taxas de transmissão, 350Kbps – até o fechamento deste estudo – e está baseada na implementação de vários protocolos: PLUG-IN Interlogis Common Application Language (iCAL), o PLUGIN Power Line Exchange (PLX) e o PLUG-IN Digital Power Line (DPL).

Ao contrário da maioria das linguagens que utilizam a comunicação peer-topeer (ponto-a-ponto), o protocolo iCAL, utilizado pela PLUG-IN, utiliza o modelo de comunicação cliente-servido, onde permite armazenar a inteligência de cada ponto da rede em um central (Servidor de Aplicações). As tarefas que necessitam de grande poder de processamento são realizadas pelo servidor, deixando os pontos clientes com a mínima inteligência e circuito necessários para executarem suas funções. Neste modelo os custos de implementação caem enormemente.

As características da tecnologia PLUG-IN fazem com que seja aceita e mais difundida entre usuários residências e pequenos escritório devido às altas taxas de transmissão e baixos custos de implementação, é notadamente a mais utilizada atualmente.

Compatibilidade

Em relação à compatibilidade, o PLC apresenta-se bastante flexível, sendo compatível com a quase totalidade dos sistemas e equipamentos que estruturam as tecnologias já conhecidas em redes de computadores. Apesar de estar utilizando a rede elétrica, o PLC não interfere nos equipamentos eletroeletrônicos, podendo conviver com quaisquer equipamentos. Ocorre que o inverso desta afirmação não é tão simples assim, pois alguns equipamentos podem interferir na freqüência de uso do PLC, como motores e dimmers11, ou seja, ventiladores, abajures, secadores de cabelo, liquidificadores e mesmo o acionamento dos interruptores de lâmpadas podem prejudicar as taxas de

Dimmers – Equipamento comumente utilizado para controlar a iluminação, reduzindo-a ou aumentando-a ao nível nominal, composto de resistores elétricos.

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10 transmissão e recepção no PLC, pois estes fazem – mesmo que momentaneamente – oscilar ou interferir na freqüência de trabalho do PLC.

Segundo Pinto, (2004), sua convivência com estabilizadores, filtros de linha e no-breaks também é prejudicada, pois estes são equipamentos isoladores, bloqueadores de altas freqüências ou são fontes chaveadas, ambos quebram a continuidade da rede de formas distintas, e prejudicam o princípio fundamental da rede elétrica para o PLC, que é a continuidade. Outro ponto a ser observado é que a PLC pode interferir nas faixas de freqüência entre 1,6 a 30 MHz, comumente utilizadas em equipamentos das forças armadas e controle de tráfego aéreo, porém ainda não há estudos comprobatórios e regulamentação de sua utilização nas áreas periféricas de aeroportos, portos e unidades militares, contudo recomenda-se a não utilização.

Segurança em PLC

Atualmente a comunicação entre os equipamentos utilizado em PLC é criptografada em DES12 de 56bits, do ponto de vista do usuário somente se pode ter acesso à rede de uma edificação estando ligado fisicamente a este a partir da caixa de entrada de energia elétrica, isto representa bom nível de segurança se comparado com redes que utilizam outras tecnologias como WiFi13, esta especificamente pode ser visível pelos vizinhos e necessita, em sua grande maioria, de uma identificação por usuário e senha para acesso à rede, modelo pelo qual, nos dias de hoje não representa obstáculo intransponível, visto que os crakres14 estão especializando-se em invasões desse tipo.

Observa-se ainda que o sistema PLC utiliza codificação para correção de erro, FEC (Forward Error Correction). Isto permite a correção de erros de transmissão no lado da recepção. Um código de relação 1:2 é usado, implicando que os dados transmitidos estão duplicados, isto é, para cada bit de dados o sistema do PLC transmite dois bits no canal correspondente. A

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DES – Modelo de criptografia Wi-Fi – Tecnologia de transmissão de dados pelo ar, por meio de ondas de rádio 14 Crakres – Identificação genérica de criminosos na Internet

11 experiência tem mostrado que o canal do PLC é freqüentemente de excelente qualidade para as estações próximas (aproximadamente 1Km dependendo da qualidade das instalações elétricas e do equipamento PLC empregado) do Concentrador Mestre, neste caso não há necessidade de usar o FEC, conseqüentemente a capacidade do canal é duplicada. Os equipamentos PLC também monitoram automaticamente a qualidade do canal, de modo que se ela for alta o suficiente o FEC é desativado e se a qualidade cair o FEC é ativado. Além dessas qualidades pode-se implementar diversas outras aplicações de detecção e prevenção de intrusões não autorizadas, atualmente usadas nas tecnologias em uso.

Fatores determinantes da viabilidade da tecnologia PLC

Para determinar a viabilidade do PLC, é preciso analisar alguns pontos fundamentais dos quais citaremos três mais importantes e intensamente discutidos: a qualidade e a segmentação da rede elétrica de distribuição, o ruído das instalações e equipamentos elétricos e a regulamentação da tecnologia PLC pela ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações).

A qualidade da rede elétrica de distribuição

A maioria das redes de distribuição elétrica no Brasil é do tipo convencional (aérea), não uniformizada e segmentada, sendo instalações aéreas as quais estão mais suscetíveis a problemas inerentes a interferências, atenuação15 e ruídos. Estas redes possuem variação das características que são de vital importância para comunicação de dados, onde o desejável seria que estas apresentassem: impedância16 uniforme ao logo da linha, baixa atenuação para sinais transmitidos, baixa reflexão e irradiação e baixa captação de sinais externos e ruídos.

Em informática, atenuação é o enfraquecimento de um sinal numa transmissão, devido a distâncias ou falta de qualidade no meio transmissor Impedância - em circuitos elétricos é a relação entre o valor eficaz da diferença de potencial entre os terminais em consideração, e o valor eficaz da corrente resultante num circuito

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Como as redes de distribuição Brasileiras são utilizadas diretamente para suprir os sistemas de iluminação pública, as quais utilizam capacitores17 para correção do fator de potência, e estes capacitores atenuam ou bloqueiam a transmissão de sinais de alta freqüência, havendo a necessidade de adequação destas para implantação do PLC. Não há risco de irradiações e reflexão consideráveis, porém a não uniformidade da rede pode alterar esta variável. Todavia as cargas instaladas ao longo da extensão das redes se repetem em intervalos mais curtos e são representados por cargas de baixa impedância para os sinais transmitidos. Este fato pode culminar no efeito de desacoplamento de sinal e aumento da atenuação total.

O ruído das instalações e equipamentos elétricos

Discutido intensamente durante todos os debates a cerca da PLC, e observado já algumas vezes durante este trabalho, o ruído advindo das conexões e utilização de equipamentos eletromagnéticos é uma variável que norteia as preocupações dos especialistas quanto à viabilidade do PLC. A necessidade de se dimensionar o PLC de acordo com as características da rede elétrica onde será implantado advém dessa variável, pois não há rede elétrica residencial imune em cem por cento aos ruídos e interferências causadas pelas conexões e equipamentos conectados a ela.

Para Andrade e Souza, (2007), a qualidade do sinal em PLC é significativamente influenciada pela quantidade de ruído existente na rede onde está instalado, ou seja, quantos mais equipamentos geradores de ruído (motores em geral, ventiladores, maquinas de lavar, secadores de cabelo, espremedores de frutas, liquidificadores, furadeiras elétricas, entre outros), maior será o ruído e a redução na taxa de transmissão e o aumento na quebra e colisão de pacotes de dados. Visando a redução do ruído em ambientes residências, seria necessária a adequação dessas instalações às normas

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Capacitor ou condensador é um componente que armazena energia num campo elétrico, acumulando um desequilíbrio interno de carga elétrica

13 vigentes, utilizando conectores, condutores, tomadas e interruptores

normatizados. Regulamentação da tecnologia PLC pela ANATEL

No Brasil a regulamentação do PLC ainda não está solucionada, o que não difere de outros países do mundo. Somente as freqüências entre 3 a 148,5Khz para Power Line Carrier estão regulamentadas pelo CENELEC18.

Foi entregue à ANATEL no dia 12 de fevereiro de 2004 um modelo de regulamentação proposto por integrantes do grupo CBC719. A ANATEL tem provido discussões para criar uma regulamentação do uso da tecnologia, porém não há o aval da ANATEL nem da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), para implementação e utilização do PLC, mas a regulamentação está a caminho. ANATEL, 2004

Nos Estados Unidos, foi criada em 2000, uma aliança chamada HomePlug Powerline Alliance, composta de treze grandes empresas (3Com, AMD, Cisco, Compaq, Conexant, Enikia, Intel, Intellon, Motorola, Panasonic, RadioShack, SoniBlue e Texas Instruments), que se empenhou em desenvolver uma especificação que venha ser aceita globalmente para rápida liberação, adoção e implementação, interoperabilidade e especificação de produtos PLC. A FCC Part 1520 é a única regulamentação mundial que determina limites para radiação não-intencional proveniente de sistemas de telecomunicações com fio. Situação estável e bastante experimentada, estabelecendo um limite de 30µV/m a uma distância de 30 metros e um fator de correção de 40dB/década para outras distâncias.

A PLC vem sendo utilizada a alguns anos na totalidade do contingente de sistemas instalados nos Estados Unidos e Canadá. Esta experiência e utilização, seriam suficientes para garantir a aplicabilidade das mesmas

CENELEC – European Commitee for Eletrotechnical Standardisation CBC7 – Grupo de estudo coordenado pela ANATEL, com participação de fabricantes de equipamentos e concessionárias de energia elétrica. A missão deste grupo é estudar e propor regulamentação para o PLC. 20 FCC Part 15 - Norma Americana para limites de radiação

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14 soluções como modelo na definição de uma regulamentação para redes PLC no Brasil.

O PLC no Brasil

Nos últimos anos algumas empresas brasileiras começaram a investir em pesquisas de tecnologias PLC. A maioria são empresas de geração e distribuição de energia elétrica interessadas em fornecer novos serviços, principalmente de telemetria, aos consumidores finais. Porém, como toda tecnologia lançada no Brasil, o fator econômico é uma barreira quase que intransponível se levarmos em conta que os equipamentos PLC a princípio eram importados na sua grande maioria. Entretanto, com a viabilidade técnica comprovada por companhias energéticas de renome no cenário brasileiro e com a possibilidade de produção dos modems e outros equipamentos PLC no Brasil, o uso comercial do PLC parece ser hoje apenas uma questão de tempo. A seguir alguns projetos-piloto que utilizam sistemas PLC no Brasil:

Projeto PLC CEMIG (Companhia de Energética de Minas Gerais)

Implementado em novembro de 2001, o projeto previa o acesso à Internet em banda larga através da rede secundária de distribuição elétrica sem a necessidade de utilizar a rede de telefonia, onde uma empresa operadora de telecomunicações, fornecedora de acesso à Internet em banda larga, disponibilizaria um ponto de terminação na rua onde era conectado um Master PLC, este por sua vez injetava o sinal nas fases e no neutro do circuito secundário ficando este sinal disponível a todos os usuários que estivessem ligados no circuito elétrico deste transformador. Finalmente este sinal era captado em uma tomada elétrica por um modem PLC e disponibilizado em uma porta Ethernet21 ou USB (Universal Serial Bus) para ligar na placa de rede do computador na casa do usuário. (CEMIG - Companhia Energética de Minas Gerais, 2001)

15 Iguaçu Energia

A Iguaçu Distribuidora de Energia Elétrica Ltda., iniciou em 2002 um projeto em PLC com o objetivo de testar a capacidade e o comportamento da tecnologia para transmissão de dados, voz e imagem na sua rede de distribuição elétrica. O projeto tinha como objetivo principal integrar serviços de acesso à Internet e telefonia ao sistema de distribuição de energia elétrica. Sua arquitetura propõe o uso do chamado Centro de Gerência, que além de administrar os clientes PLC e o Backbone, visa oferecer diversos outros serviços como vídeo e música sob demanda (stream de vídeo e áudio), TV por assinatura, sistemas de segurança, de telemetria, entre outros.

Os consumidores finais são agrupados em unidades transformadoras, denominadas Células PLC, onde é instalado um equipamento do tipo Master chamado Head End Router ou Roteador Injetor de Sinais. Este roteador é responsável por controlar as prioridades e acessos dos usuários daquela célula, sendo também o gerador e injetor de sinais PLC na célula, capaz de modular sinais de imagem e voz recebidos do Backbone. Por fim o Modem PLC é conectado a uma tomada de energia elétrica que além de alimentá-lo capta os sinais modulados pelo roteador, e os converte em sinais de rede de dados. (Iguaçu Distribuidora de Energia Elétrica Ltda, 2002)

Outros projetos foram implementados no Brasil, seguindo os mesmos moldes dos projetos PLC CEMIG e o Iguaçu Energia com o objetivo de criar infraestrutura necessária para inclusão digital, onde ainda podem ser citados:

Projeto Barrerinhas no Maranhão, coordenado pela FITec e Aptel (Associação de Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações) é de iniciativa da Comissão de Inclusão Digital do Fórum Aptel PLC Brasil em parceria com a Cemar (Companhia Energética do Maranhão), AES Eletropaulo (Eletropaulo Metropolitana - Eletricidade de São Paulo SA), CELG (Companhia

Ethernet é uma tecnologia de interconexão para redes locais - Local Area Networks (LAN) baseada no envio de pacotes

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16 Energética de Goiás), EBA PLC (EBA PLC Ltda.). Positivo Informática, SEBRAE e Samurai. Conjunto habitacional na Mooca em São Paulo/SP,projetado pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano) em parceria com a AES Eletropaulo.

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Considerações Finais

A possibilidade de levar transmissão de dados, voz e vídeo em banda larga a mais de 95% (IBGE, 2006), das residências brasileiras por meio da infraestrutura da rede de distribuição de energia elétrica já existente, despertou nas empresas de geração e distribuição de energia elétrica do Brasil, o interesse na tecnologia PLC, visando a abertura do mercado de serviços agregados aos já existentes. Concomitante às vantagens do PLC para o mercado energético estão as desvantagens técnicas da tecnologia que, por apresentarem uma grande quantidade de variáveis a serem analisadas antes de sua implantação e não apresentar ainda uma uniformidade de soluções, faz crescer o espaço de tempo entre a análise e implementação devido a quantidade de topologias das redes elétricas e equipamentos não padronizados ligados às mesmas.

Outro problema advindo das redes elétricas está nas residências que, em sua grande maioria, não dispõe de plantas elétricas das instalações e estas não estão normatizadas, o que acaba por limitar o princípio do aproveitamento da infra-estrutura elétrica existente. Há ainda o ceticismo de alguns ramos da comunidade científica que apontam para os possíveis riscos da implantação do PLC próximo a aeroportos, hospitais e instalações militares, pois acreditam que as freqüências utilizadas pelo PLC podem interferir nos equipamentos de controle e monitoração de vôo dos aeroportos, nos equipamentos hospitalares computadorizados que utilizam rádio freqüência para diagnósticos e nos equipamentos de controle e monitoração militares. Porém, até o fechamento deste trabalho não haviam estudos comprobatórios para tais afirmações.

Ultrapassada a barreira técnica, resta ultrapassar o obstáculo econômico, principal fator que impede a implantação de novas tecnologias no Brasil, do qual o PLC não foge à regra. O percentual de usuários que acessaram a Internet ao menos uma vez em todo ano de 2006 ficou em 21%, segundo o IBGE, que ainda revela que desse total, cerca de 70% dos indivíduos, têm renda familiar acima dos cinco salários mínimos e utilizam alguma das tecnologias de acesso popularizadas como o ADSL, cabo, wireless ou celular.

18 Esses dados quando confrontados com o fato de que a produção de equipamentos PLC ainda é restrito a poucas empresas, o que encarece os mesmos sobremaneira, foge completamente à realidade da economia de massa brasileira, pois inviabiliza a aquisição de equipamentos por parte da população que seria o foco da expansão da rede de comunicação de dados.

Outro fator a ser observado é a expansão da Internet em banda larga pela rede de telefonia celular cada vez mais popular e com valores cada vez mais acessíveis ao usuário final, e que vem sendo reforçada com a entrada em operação já em 2008 da rede de terceira geração que possibilitará serviços de dados, voz, vídeo e a IPTV (Método de transmissão de sinais televisivos sobre protocolo de Internet em tempo real), entre outros serviços, concentrados num só aparelho, muitos dos quais já exaustivamente testados e em uso atualmente, apesar dos custos de implementação maiores, não está sujeito às interferências que acometem a PLC.

O futuro da PLC reside no fato de alcançar a última milha. Assim algumas vantagens ainda são bastante atraentes como a alta capilaridade das redes e universalização do acesso à Internet, por isso esta tecnologia tende a coexistir com outras tecnologias já em uso, criando um campo fértil para reforçar a expansão da inclusão digital bem como para automação dos serviços das empresas de geração e distribuição de energia elétrica. Portanto, este artigo não tem a pretensão de encerrar as discussões a cerca da PLC, deixando aberto para novos debates.

19 Referências:

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