Trabalho Completo O Gás Natural Como Fonte De Geração De Energia

O Gás Natural Como Fonte De Geração De Energia

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Categoria: Outras

Enviado por: Camila 14 dezembro 2011

Palavras: 4918 | Páginas: 20

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do Curso de Administração Financeira da Faculdade Martha Falcão, técnica em administração e analista de operações de empresa privada na área de geração de energia elétrica. E-mail: eugenia_rodrigues@hotmail.com 2 Adm. James F. de Araújo Lima Júnior, Mestre em Gestão Empresarial, Esp. em finanças, empresário, consultor e Coordenador de Acompanhamento de Crédito da Agência de Fomento do Estado do Amazonas – AFEAM. E-mail: james_junior@uol.com.br

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desenvolvimento. Somente os Estados Unidos, que contam com 6% da população mundial, consomem 35% da energia mundial disponível.”

Andrade (2002) afirma que no mundo atual, quanto ao consumo de energia, observam-se algumas tendências: a) desperdício absoluto, referido ao consumo per capta em países como Estados Unidos e Canadá; b) uso racional da energia, típicos de países desenvolvidos com escassos recursos energéticos; c) desperdício relativo: países em desenvolvimento, classificados como de médio desenvolvimento, que por causa do sucateamento industrial e veicular apresentam valores altos do consumo específico de energia e; d) consumo mínimo de energia, acompanhado de índices de desenvolvimento muito baixos. Segundo Teixeira (2003), A produção mundial de energia, em 1997, segundo os dados da Agência Internacional de Energia, somou o equivalente a 9,5 mil megatoneladas de petróleo, dos quais 86,2% são provenientes de fontes não renováveis – carvão, gás natural e petróleo. Embora tenham uso crescente, as fontes renováveis (água, sol, vento e vegetação) são responsáveis por apenas 13,8% do total produzido, conforme exposto na TABELA 1. TABELA 1 – Principais Fontes de Energia Primária de 1997. Fonte Petróleo Carvão Gás Natural Energia Nuclear Outros* Parte do Total Produzido (%) 35,8 23,7 20,1 6,6 13,8

(*) Combustíveis renováveis e de resíduos (11,1%), energia hidroelétrica (2,3%), geotérmica, solar e eólica (0,4%). Fonte: Agência Internacional de Energia, 1997.

De acordo com Teixeira (2003), para o setor energético mundial, o WEO (World Energy Outlook) em 2002 estimou um crescimento anual de 1,7% nos próximos 30 anos. Com isso, por volta de 2030, o mundo irá consumir dois terços mais energia do que hoje. De acordo com o documento, os combustíveis fósseis irão permanecer como fonte predominante de energia, respondendo pelo atendimento de mais de 90% do futuro aumento do consumo. As previsões indicam que o gás natural será o combustível com maior crescimento de demanda, dobrando em volume nos próximos 30 anos.

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1.1 A Energia Elétrica no Brasil Para Geller (1998) o uso da eletricidade no Brasil mudou consideravelmente nos últimos 25 anos. O consumo total da eletricidade cresceu de 38 TWh em 1970, para 277 TWh em 1996, um crescimento acentuado de 7,9% por ano. De acordo com Siqueira (2001, pg. 01):

“A geração de energia elétrica no Brasil é calcada em um parque predominantemente hidráulico, merecendo destaque neste momento de crise energética, a diversificação imediata do nosso parque gerador, quer seja através da incorporação imediata de termelétricas utilizando o gás natural, quer seja através da implantação de sistemas de cogeração e através da incorporação de energias renováveis. Nesta seqüência, e também através das medidas de racionalização e conservação, conseguiremos aumentar a oferta de energia elétrica no país, tentando acompanhar satisfatoriamente a demanda, que desde o início da privatização do setor elétrico, 1995, tem acompanhado o crescimento do PIB, sem o devido acompanhamento por parte da capacidade geradora ou aumento da oferta de eletricidade. Assim sendo, poderemos manter o crescimento econômico do país, desde que busquemos saídas plausíveis para o a crise, sem nos importarmos em primeira instância, de quem é culpa da crise. O que importa é a solução para a crise!”

Segundo Cunha (1999), o planejamento energético deveria ocupar posição destacada na formulação das políticas de desenvolvimento econômico e social. Mas não é isso o que acontece no Brasil. De acordo com a Eletrobrás (2000) as características físicas do Brasil, em especial a grande extensão territorial, o grande potencial hídrico e a existência de número significativo de bacias hidrográficas, somadas às dimensões relativamente reduzidas das reservas de petróleo e carvão mineral, foram determinantes para a implantação de um parque gerador de energia elétrica de base predominantemente hidráulica. Segundo Setti (2001) ocorre que, sendo o potencial hidrelétrico produto das vazões e quedas de água, é decorrente do caráter aleatório das vazões e, portanto, a disponibilidade de energia hidrelétrica é associada a riscos. O Energia Brasil (2003) esclarece que o Brasil dispõe da maior bacia hidrográfica do mundo, com um incomparável potencial de geração de energia elétrica. Daí a natural e histórica opção dos brasileiros por esta matriz energética. As usinas hidrelétricas proliferaram a partir da década de 50, dando sustentação ao forte impulso do país rumo à industrialização e ao desenvolvimento. Hoje o Brasil dispõe de um dos maiores parques hidrelétricos do mundo, respondendo por quase 90% do total da energia gerada no país. Portanto, nosso parque gerador é composto predominantemente por usinas hidrelétricas. As usinas termelétricas, que constituem os 10% restantes, são utilizadas, basicamente, para complementar a geração hidráulica nos horários de pico dos sistemas interligados.

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De acordo com a ANEEL (2003) atualmente no Brasil há investimentos na utilização das seguintes fontes de energia: hidráulica, térmica, solar e eólica. Para Coelho (2000), com a construção do gasoduto Brasil-Bolívia, com a disponibilidade de gás natural e, também, com a finalidade de aumentar a oferta de energia no país, o Decreto nº 3.371/2000 instituiu o “Programa Prioritário de Termeletricidade”, definindo as usinas termelétricas que o integrariam. Em conseqüência deste programa, ocorreram alterações na Matriz Energética Brasileira, com a implementação de um parque gerador hidrotérmico, preservando um aumento para 20 % com relação à participação da termeletricidade na oferta de energia até o ano de 2009. Portanto, segundo Lora (2001) para o Brasil continuar se desenvolvendo é necessário um aumento em sua oferta de eletricidade. Segundo os dados do Ministério de Minas e Energia o déficit energético é muito grande. Para Tolmasquim (2001, pg. 42):

“A reforma no setor energético brasileiro está encorajando investimentos privados na expansão da capacidade energética instalada. Também o gás natural exaltou a tecnologia termelétrica, fazendo crescer sua importância, por oferecer um retorno mais rápido dos investimentos.”

1.2 A Energia Elétrica no Amazonas De acordo com a Eletrobrás Amazonas Energia (2010), o Estado do Amazonas, a despeito de contar com grande potencial hídrico, sempre foi carente na oferta de energia elétrica, onde dentre vários motivos, inclui-se a longa distância dos centros consumidores, tendo que contar com a única via da geração própria isolada, através do uso de usinas termelétricas, à exceção da Hidrelétrica de Balbina. Em conseqüência, o planejamento de energia elétrica deve estar embasado no leque de informações e indicadores históricos e sazonais, dentro dos vários contextos sócio-econômicos, políticos, demográficos e ambientais, para que o resultado se identifique com a realização, evitando prejuízos imensuráveis à economia e à sociedade. A Eletrobrás Amazonas Energia (2010), informa ainda que o mercado de energia elétrica amazonense é o único no país totalmente não-interligado, onde a grandeza da região parece multiplicar os desafios para torná-la parte do mundo moderno. Vale destacar que a empresa é responsável pela geração, transmissão, distribuição e comercialização de toda a energia do Estado, constituindo-se em dois sistemas de distribuição: o SISTEMA MANAUS com os mercados da Capital, Iranduba, Presidente Figueiredo, Puraquequara e parte de Rio Preto da Eva, e o SISTEMA INTERIOR com as demais localidades.

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Segundo a Eletrobras Amazonas

Energia (2010), são atendidos

679.458

consumidores e está dividido em dois sistemas distintos: O SISTEMA MANAUS e o SISTEMA INTERIOR. O SISTEMA MANAUS, que consiste no complexo de fontes de geração de energia elétrica (UTEs, UHE e PIEs), atende 442.555 consumidores ativos (dados dezembro/2009), sendo 399.479 residenciais. A potência efetiva situa-se em 1.081 MW. Já o SISTEMA INTERIOR tem como objetivo o atendimento dos demais municípios, abrangendo uma área de 1,57 milhões de quilômetros quadrados, contemplando 105 localidades, sendo 61 sedes municipais e 44 localidades, atendendo 236.903 consumidores, desses, 188.517 residenciais. A potência efetiva do parque gerador é de 314 MW. Informa também que o Parque Gerador próprio do SISTEMA MANAUS é composto pelas Usinas Térmicas de Aparecida (198,0 MW), Mauá (452,8 MW), UTE-Cidade Nova 17,6 MW, UTE-São José 41,6, UTE-Flores 90,6 e Hidrelétrica de Balbina (250,0 MW), localizada no Rio Uatumã, para completar a geração há a usina flutuante Electron com 120 MW. Isto resulta em uma potência própria de 1.170,6 MW. Entretanto, face às perdas comerciais de energia, a geração própria não é suficiente para atender o mercado, sendo necessária a compra de energia dos Produtores Independentes: Breitener Tambaqui (83,5MW); Breitener Jaraqui (83,3MW); Manauara (83,3 MW), Rio Amazonas Energia (83,3 MW) e GERA (83,3MW, conforme Figura 01), totalizando 416,7 MW. Finalmente, o SISTEMA MANAUS possui o montante de potência nominal de 1.587,3 MW. Figura 1 – Produtor Independente de Energia – GERA 83,3MW

Fonte: Wärtsilä Brasil

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Em relação ao interior do Estado, a Eletrobrás Amazonas Energia (2010) mensura que a energia faturada no ano 2009 foi de 703.383 MWh superior 11,9% em relação ao ano anterior, que foi de 628.655 MWh. Em 2009 a energia requeria bruta foi de 1.123.648 MWh, representando um crescimento de 8,0% em relação ao ano anterior, que teve a marca de 1.040.206 MWh. Esses valores evidenciam que o Interior pouco sentiu os efeitos da crise internacional, em parte devido à dependência dos repasses financeiros governamentais ordinários, das aposentadorias e do comércio interregional de produção nativa.

2. O GÁS NATURAL

Segundo Santos (2002, Pag. 73):

“O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos leves que, em condições normais de pressão e temperatura, permanece no estado gasoso. Na natureza, ele é encontrado em acumulações de rochas porosas no subsolo (terrestre ou marinho), em geral acompanhado de petróleo.”

Santos (2002) diz que o gás natural pode ser classificado em duas categorias: associado e não associado. O gás associado (conforme Figura 2) é aquele que, no reservatório, encontra-se em companhia do petróleo, estando dissolvido no óleo ou sob a forma de uma capa de gás (isto é, uma parte superior da acumulação rochosa, onde a concentração de gás é superior à concentração de outros fluidos como água e óleo). Nesse caso, normalmente, privilegia-se a produção inicial do óleo, utilizando o gás para manter a pressão no reservatório. Em seguida, inicia-se a recuperação do gás. Afirma ainda Santos (2002) que o gás não associado (conforme Figura 3) é aquele que, no reservatório, está livre de óleo e água (ou estes encontram-se em concentrações muito baixas). Na acumulação rochosa porosa, a concentração de gás é predominante, permitindo a produção basicamente de gás. Vale ressaltar que, tanto para a recuperação do gás como do petróleo dos reservatórios, é fundamental que sejam construídas as infraestruturas de processamento e transporte que permitam o escoamento dos produtos dos campos até os mercados.

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De acordo com Santos (2002), a composição do gás natural pode variar de campo para campo, devido ao tipo de matéria orgânica que lhe deu origem, aos processos naturais a que foi submetido, pelo fato de estar ele associado ou não ao óleo e também em função de ter sido ou não processado em unidades industriais. Porém, em geral, o gás natural compõe-se, principalmente, de metano, etano, propano e, em menores proporções, de outros hidrocarbonetos de maior peso molecular. Nessa composição predomina

fundamentalmente o metano (CH4). Normalmente, o gás natural apresenta baixos teores de impurezas como Nitrogênio (N2), dióxido de carbono, água e compostos de enxofre. Segundo Wander Sampaio, (CIGÁS, 2005), em vários países do mundo, o Gás Natural - GN é utilizado há mais de 50 anos e cerca de 95% de todo o gás que está canalizado do mundo, é natural. Além disso, o GN é energia limpa, de queima uniforme, onde várias fontes de suprimento elevam a qualidade e produtividade em diversos segmentos e agrega valor a diversos produtos.

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2.1. As Vantagens do Uso do Gás Natural Conforme estudo realizado pela COMGÁS (2010), o gás natural é uma fonte de energia segura, versátil e econômica. Sua queima produz baixa emissão de poluentes, graças a uma combustão mais limpa e eficiente. Neste mesmo estudo, informa ainda que a utilização de gás natural na indústria vem proporcionando benefícios significativos para o meio ambiente, além de diminuir o custo operacional com manutenção de máquinas, transporte e armazenamento de combustível. O gás natural proporciona a otimização do uso de matérias-primas e conseqüente melhora nos processos de produção; aumenta a segurança, a eficiência dos equipamentos e a qualidade do produto final, além de ser um combustível versátil que pode ser usado em diversos equipamentos, como caldeiras, secadores, fornos, turbinas, ramas, capotas (infrared), atomizadores, geradores de fluido térmico, gás, ar e água quente, estufas, empilhadeiras etc. Conforme o Relatório da ANEEL (2008), além de insumo básico da indústria gasoquímica, o gás natural tem-se mostrado cada vez mais competitivo em relação a vários outros combustíveis, tanto no setor industrial como no de transporte e na geração de energia elétrica. Nesse último caso, a inclusão do gás natural - GN na matriz energética nacional, conjugada com a necessidade de expansão do parque gerador de energia elétrica e com o esgotamento dos melhores potenciais hidráulicos do país, tem despertado o interesse de analistas e empreendedores em ampliar o seu uso na geração termelétrica. A COMGÁS (2010) demonstra ainda as várias vantagens do gás natural em relação a outros tipos de combustível, conforme a TABELA 2 abaixo: TABELA 2 – Quadro comparativo gás natural X óleo combustível X GLP. Gás Natural Investimento inicial Custo para utilização Custo de manutenção Menor Menor Menor Óleo Combustível Maior Maior Maior Necessário Antecipado Maior Necessário Aquecimento GLP Maior Maior Maior Necessário Antecipado Maior Necessário Vaporização

Estoque no local de uso Dispensa Condição de pagamento Após o uso Uso de área Pátio de recebimento Condicionamento para uso Menor Dispensa Nenhum

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Controle das emissões Controle da combustão

Simples Simples

Complexo Complexo Difícil

Simples Simples Remoção do condensado Remoção difícil Muito baixa Não exige Não exige

Limpeza do local de uso Fácil Escapamento Agressividade das emissões Emissões atmosféricas Efluentes líquidos

Fonte: COMGÁS

Fácil dispersão Remoção difícil Muito baixa Não exige Não exige Alta Exigem tratamento Exigem tratamento

2.2. A Geração Termelétrica a Gás Natural no Brasil

Segundo o Atlas da Energia Elétrica do Brasil (2008, pag. 129):

“A geração de energia elétrica a partir de gás natural é feita pela queima do gás combustível em, turbinas a gás, cujo desenvolvimento é relativamente recente (após a Segunda Guerra Mundial). Junto ao setor elétrico, o uso mais generalizado dessa tecnologia tem ocorrido somente nos últimos 15 ou 20 anos. Ainda assim, restrições de oferta de gás natural, o baixo rendimento térmico das turbinas e os custos de capital relativamente altos foram, durante muito tempo, as principais razões para o baixo grau de difusão dessa tecnologia no âmbito do setor elétrico.”

O Atlas da Energia Elétrica do Brasil (2008) cita também que nos últimos anos, esse quadro tem-se modificado substancialmente, na medida em que o gás natural surge como uma das principais alternativas de expansão da capacidade de geração de energia elétrica em vários países, inclusive no Brasil. Atualmente, as maiores turbinas a gás chegam a 330 MW de potência e os rendimentos térmicos atingem 42%. Em 1999, os menores custos de capital foram inferiores a US$ 200 por kW instalado, em várias situações e faixas de potência (110-330 MW). O Atlas (2008) informa também que entre as vantagens adicionais da geração termelétrica a gás natural estão o prazo relativamente curto de maturação do empreendimento e a flexibilidade para o atendimento de cargas de ponta. Por outro lado, as turbinas a gás são máquinas extremamente sensíveis às condições climáticas, principalmente em relação à temperatura ambiente, e apresentam também alterações substanciais de rendimento térmico no caso de operação em cargas parciais. Informa ainda que apesar dos ganhos alcançados no rendimento térmico das turbinas a gás operando em ciclo simples, seu desempenho tem sido prejudicado pela perda

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de energia nos gases de exaustão. Entre outras tecnologias empregadas na recuperação dessa energia, destaca-se a de ciclo combinado, por meio da geração de vapor e da produção de potência adicional. Tem-se, assim, uma combinação dos ciclos de turbinas a gás e turbinas a vapor, por meio de trocadores de calor, nos quais ocorre a geração de vapor, aproveitando-se a energia dos gases de exaustão da turbina a gás. Esse processo ainda pode ser melhorado com a queima de combustível suplementar, principalmente quando há disponibilidade de combustíveis residuais.

2.2.1. Centrais Térmicas a Gás Natural no Brasil Segundo o Atlas da Energia Elétrica do Brasil (2008), com o esgotamento dos melhores potenciais hidráulicos do país e a construção do gasoduto Bolívia – Brasil, o gás natural tornou-se uma alternativa importante para a necessária expansão da capacidade de geração de energia elétrica. Nesse contexto, foi criado o Plano Prioritário de Termelétricas (PPT), pelo Decreto n° 3.371 de 24 de fevereiro de 2000. Informa-nos ainda que em setembro de 2003, havia 56 centrais termelétricas a gás natural em operação no Brasil distribuídas no nordeste, sul e sudeste brasileiro, perfazendo uma capacidade de geração de cerca de 5.581 MW. Muitas dessas usinas estão sendo operadas e construídas para fim de autoprodução, atendendo simultaneamente às suas necessidades de calor e potência elétrica (co-geração).

2.3 O Gás Natural no Amazonas

De acordo com Nava (2010), que está acompanhando as obras do Gasoduto CoariManaus, esse projeto está vencendo os desafios impostos pela natureza amazônica. Iniciado em junho de 2006, o empreendimento marca a interligação da Província Petrolífera de Urucu - localizada na Bacia Sedimentar Solimões, a segunda maior reserva brasileira de gás natural conhecida, estimada em 52,8 bilhões de m³ - ao principal centro consumidor do Amazonas, sua Capital do Estado. Segundo Nava (2010), é considerada uma das maiores obras de transporte de gás natural em desenvolvimento no país, totalizando 661 quilômetros de extensão, sua construção gerou aproximadamente 26.400 empregos diretos e indiretos Ele afirma ainda que o principal destino deste insumo será a produção de energia elétrica em termelétricas, de modo a atender a Região Metropolitana de Manaus e os

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municípios por onde passa a tubulação: Coari, Codajás, Anori, Anamã, Caapiranga, Manacapuru e Iranduba. O gás natural substituirá o diesel e o óleo combustível usados atualmente na produção de grande parte da energia elétrica consumida no Amazonas. Nava (2010) também afirma que além da vantagem econômica, a substituição representará enorme ganho ambiental para o País, para a Amazônia e para o Estado do Amazonas, pois a produção de energia elétrica a partir do gás natural reduz significativamente a emissão de gases poluentes, em especial, o dióxido de carbono (CO2), contribuindo para a redução do efeito estufa, em conformidade com o Protocolo de Kioto, do qual o Brasil é signatário. Dados do Centro Estadual de Mudanças Climáticas – CECLIMA da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) projetam esta redução em 30%, ou seja, deixarão de serem emitidas cerca de 2.026.293 t CO2 e/ano. Segundo Rocha (2008), em Manaus o Gás Natural será utilizado inicialmente pelas Usinas Termelétricas para geração de energia elétrica, ele será recebido na Usina Aparecida, centro de Manaus, e no Parque Térmico Mauá, no Distrito Industrial. O primeiro ponto fará a distribuição para a Ponta Negra, Estrada AM-010 (Manaus – Itacoatiara) e BR174 (Manaus – Boa Vista).

3. ESTUDO DE CASO DA CIDADE DE MANAUS QUANTO AO USO DO GÁS NATURAL

Em relação ao Gás Natural no Estado do Amazonas, Nava (2010), afirma que os benefícios do uso do gás natural são múltiplos, sejam eles a curto, médio e longo prazos, conforme descrito a seguir: a) No setor de geração de energia: devem ser consideradas as significativas reduções de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para a atmosfera, além da confiabilidade dos sistemas energéticos a base de gás natural, os quais possuem uma elevada estabilidade, no sentido da distribuição de energia elétrica, em particular para o setor industrial, que certamente será o maior beneficiado com este tipo de fornecimento. b) Ressalta-se a possibilidade do aproveitamento do gás natural em processos industriais. Sobre este tema, é essencial a leitura do Estudo de Viabilidade para Implantação de Empreendimentos Petroquímicos no PIM desenvolvido pela SUFRAMA em 2005, com apoio de pesquisadores da UFAM. O trabalho concluiu

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apontando a possibilidade do uso gás natural do Estado do Amazonas, tanto para fins de geração de energia quanto para a implantação de um polo petroquímico produtor de: metanol, amônia/uréia e estirênicos (estireno, poliestireno e poliestireno expandido). c) O atual estudo pela CIGÁS sobre a viabilidade econômica do uso do gás natural pelo Pólo Industrial produtor de tijolos e telhas localizado nos municípios de Iranduba e Manacapuru poderá induzir ao processo de diversificação e melhoria de qualidade dos produtos cerâmicos, com definitiva diminuição da pressão sobre a cobertura florestal local, em face da substituição da lenha natural nos processos de queima nos fornos. d) No setor de transportes é previsto aumento de benefícios, na medida em que a frota de veículos movidos a gás natural também aumente seu contingente, principalmente no grande centro urbano de Manaus. Será importante o incentivo, através de políticas publicas, do uso do gás natural nos transportes de grande escala, como é o caso de coletivos urbanos e veículos de cargas pesadas, a semelhança com o que já é promovido em Manaus, em caráter experimental, com os taxistas. De acordo com Lima (2009) em entrevista, a rede de distribuição para as usinas térmicas deve ser concluída ainda este ano e as fábricas do Pólo Industrial devem começar a utilizar energia gerada a gás a partir de 2011. Porém, para o professor Jamal Chaar, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), pouca coisa vai mudar logo de cara. A tarifa de energia não ficará mais barata – como muita gente está pensando – e não haverá gás, tão cedo, para abastecer a frota de veículos, ou seja, não se tem claro se os consumidores domiciliares ou residenciais alcançarão redução das tarifas públicas de energia. Em função das possibilidades de sazonalidades que implicam em flutuações do preço do gás natural no mercado globalizado, poderá haver benefícios ao consumidor final em vários momentos da economia local. Mesmo com o uso do gás, a energia de Manaus continuará sendo subsidiada. Por fazer parte de um sistema isolado de geração e distribuição, o preço de mercado da energia consumida na cidade seria muito alto. Para compensar esse problema, existe uma taxa, a Conta de Consumo de Combustível (CCC), que é paga pelos consumidores dos demais Estados. A CCC vai continuar existindo com a chegada do gás, a diferença está no custo para a União, já que o gás natural é cerca de 50% mais barato que o óleo diesel usado nas

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usinas térmicas. O subsídio ao consumo de Manaus só vai parar quando a cidade estiver interligada ao sistema nacional por meio do Linhão de Tucuruí. Para o consumidor comum, de imediato, a única mudança estará na confiabilidade da oferta de energia, ou seja, não vai faltar energia por falta de combustível nas usinas. Mas, isso não significará o fim das interrupções no fornecimento. A falta de energia não ocorre porque as usinas são movidas a óleo, mas por uma série de fatores, mais ligados à vulnerabilidade da rede e a pontos de sobrecarga. Para Flávio Decat, Superintendente da Eletrobrás Amazonas Energia, a introdução do gás natural na matriz energética possibilita obter energia mais limpa, períodos mais longos sem manutenção e, conseqüentemente, melhores disponibilidades de equipamentos.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A energia elétrica é hoje uma preocupação mundial devido ao aumento da escassez de uma das principais fontes energéticas para geração de energia que é o petróleo. O homem vem utilizando suas fontes de energia de maneira irracional, de forma que as reservas que vem sendo exploradas há décadas estão se esgotando. A sociedade tem que parar e refletir sobre o uso de formas renováveis de energia, assim como formas menos poluentes já que a terra vem experimentando um aquecimento global significativo durante as últimas décadas. Quanto ao Brasil, para poder acompanhar o crescimento econômico, o qual reflete em um aumento do consumo de energia, o governo tem que estimular o aumento na geração de eletricidade de maneira mais efetiva e eficiente. Já podemos perceber que a inclusão do gás natural como fonte energética de geração de energia, tem diminuído significativamente os impactos ambientais por se tratar de uma fonte mais limpa de energia. O Amazonas vem trilhando o mesmo caminho quanto ao uso deste recurso natural, desta forma, há a previsão ainda para o ano de 2010, da entrega final do Gasoduto CoariManaus que beneficiará, em especial, a cidade de Manaus com o abastecimento do gás natural, em princípio será utilizado na geração de energia elétrica e como combustível veicular.

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Há uma grande expectativa da população quanto à melhoria no atendimento aos consumidores, bem como a redução dos preços de energia. No entanto, conforme demonstrado neste artigo, a possibilidade é quase nula de haver alguma redução da tarifa de energia, tendo em vista que os sistemas isolados são beneficiados com incentivos do governo da Conta de Consumo de Combustíveis - CCC, que reduzirão sua margem de contribuição com a chegada do gás na cidade. Por fim, os consumidores de Manaus poderão não ser beneficiados com a redução de tarifa, no entanto, ganharão com a diminuição dos impactos ambientais negativos, melhores tecnologias de geração de energia, diminuição do racionamento, além de contar com a maior confiabilidade dos equipamentos que serão utilizados nesse novo processo.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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