Trabalho Completo O Papael Do Coordenador Pedagógico No Espaço Escolar

O Papael Do Coordenador Pedagógico No Espaço Escolar

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Categoria: Outras

Enviado por: Bruna 15 novembro 2011

Palavras: 2169 | Páginas: 9

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Nesta direção, a atuação do coordenador pedagógico é essencial dentro do ambiente escolar por isso, compete ao coordenador dispor de ações pedagógicas planejadas e métodos que contribuirão para o fortalecimento das relações dentro do âmbito escolar, além de objetivar resoluções de possíveis conflitos escolares e possibilitar tanto nos docentes como nos alunos, o desenvolvimento da competência para lidar com as diferenças.

Porquanto, em consonância com as afirmações de Freire (1982), o coordenador pedagógico é primeiramente, um educador e como tal deve estar atento ao caráter pedagógico das relações de aprendizagem no interior da escola e sua ação reside na essência de uma educação transformadora. Ele deve levar os professores a ressignificarem suas práticas, resgatando a autonomia sobre o seu trabalho sem, no entanto, se distanciar do trabalho coletivo da escola.

Partindo destes pressupostos, a função deste profissional, abrangida no processo das ações técnicas, políticas e pedagógicas em um espaço escolar dinâmico, é fundamental para a superação de obstáculos, bem como facilitadora das relações do processo de ensino-aprendizagem, da socialização de experiências e fortalecimento das relações interpessoais.

Assim, a coordenação pedagógica objetiva a melhoria da qualidade dos serviços educacionais ofertados pela escola. Contudo, atualmente o coordenador pedagógico é visto apenas como um dos atores que compõem o coletivo da escola. Diante disto, nos questionamos qual o papel do coordenador pedagógico no espaço escolar? Visando responder esta indagação, pretendemos, com este artigo, analisar o papel do Coordenador Pedagógico no ambiente escolar.

I- O COORDENADOR PEDAGÓGICO.

A concepção de coordenador pedagógico é concebida historicamente nas instituições escolares a partir da idéia de “supervisor. Este supervisor possuía o encargo, originada nos alicerces da ditadura militar, de “controle” no ambiente escolar. Em vista disto, o termo antes utilizado para designar este profissional, revela a conotação negativa que a função recebeu inicialmente no interior desta instituição.

No contexto educacional da atualidade surgem novas perspectivas para a atuação do coordenador pedagógico em vista disto, é imprescindível desconstruir a idéia que associava a função do coordenador pedagógico as suas origens de supervisão escolar, e com isso possibilitar a construção de uma gestão escolar de concepções educacionais alicerçadas em projetos diferenciados e democráticos.

Refletindo a respeito do lugar deste profissional no ambiente escolar, Vasconcellos (2002, p.86) e ALVES (2007, p.260-261), destacam a importância desta ressignificação da idéia do “supervisor”, mencionada anteriormente, suscitando a necessidade do advento do coordenador pedagógico, que de certa forma será um elemento novo no âmbito das escolas. Agora, desprovido do estigma histórico de supervisor escolar, transforma-se supervisão em coordenação, motivados também, pelo movimento de formação dos professores, sobretudo do curso de Pedagogia.

Ainda, segundo ALVES(2007, p.260-261),“desse movimento resultou a ressignificação de uma função caracterizada pelo autoritarismo, para se buscar o trabalho coletivo, a participação, enfim, a gestão democrática”. Assim, corroborando com as definições da função deste profissional, explicitadas pelos autores supracitados, percebemos na coordenação pedagógica a função de gestão educacional, cujo papel de mediação e articulação coletiva dos projetos e práticas educativas é destacado.

Vasconcellos (2002, p.87), aponta ainda para uma dialética das definições, que ele denomina como “definição negativa” e “definição positiva” do papel do coordenador. Na primeira definição, o autor pondera a propósito do que não seria a ação deste profissional:

[...] fiscal do professor, não é dedo-duro (que entrega os professores para a direção ou mantenedora), não é pombo correio (que leva recado da direção para os professores e dos professores para a direção), não é coringa/tarefeiro/quebra galho/salva-vidas (ajudante de direção, auxiliar de secretaria, enfermeiro, assistente social, etc) não é tapa buraco (que fica“toureando” os alunos em sala de aula no caso de falta do professor)[...].

Em contrapartida, como funções consideradas precípuas da coordenação pedagógica, o autor supracitado assinala a respeito desta definição positiva que:

[...] a coordenação pedagógica é a articuladora do Projeto Político-

Pedagógico da instituição no campo pedagógico, organizando a reflexão, a participação, e os meios para a concretização dos mesmos, de tal forma que a escola possa cumprir sua tarefa de propiciar que todos os alunos aprendam e se desenvolvam como seres humanos plenos, partindo do pressuposto de que todos têm direito e são capazes de aprender.

Diante disto, inferimos que a identidade do coordenador pedagógico ainda está em construção, e que esta passa pelo território do movimento de ressignificação da função do supervisor, discutido anteriormente. E sua designação transformadora na gestão escolar, engloba a mediação e articulação das práticas educativas realizadas nas escolas e dos projetos que visam a construção da formação continuada dos docentes e da articulação entre teoria e prática destes. Deste modo, favorecer na construção das condições adequadas à formação da cidadania de toda a comunidade escolar.

II- O PAPAEL DO COORDENADOR PEDAGÓGICO NO ESPAÇO ESCOLAR

O coordenador pedagógico, como norteador das ações na escola, necessita inicialmente ter consciência de sua responsabilidade e do papel que assume dentro desta instituição, por isso, é indispensável a atualização constante de seus conhecimentos visando o melhor desempenho em suas funções. Desta maneira, deve realizar seu trabalho em conjunto com professores, pais, alunos e direção e em ressonância com o projeto político pedagógico da escola. Segundo ALMEIDA e PACCO (2005, p.18):

O coordenador é apenas um dos autores que compõem o coletivo da escola. Para coordenar, direcionando suas ações para a transformação, precisa estar consciente de que seu trabalho não se dá isoladamente, mas nesse coletivo, mediante a articulação dos diferentes atores escolares, no sentido da construção de um projeto político-pedagógico transformador.

Nesta direção e em consonância com as afirmações das autoras supracitadas, o trabalho de coordenação deve está em integração com a gestão escolar, para a realização de um trabalho coletivo, para que o planejamento do trabalho aconteça de forma menos individualizada. E isto possibilitará um compartilhamento de concepções e dúvidas, buscando uma construção coletiva. O coordenador criará situações para que o docente compartilhe suas experiências, se posicionando de forma integral enquanto pessoa, cidadão e profissional, aprendendo com as relações no interior da escola.

Assim, a atuação do coordenador acontecerá de maneira coletiva, pois o espaço de integração oportunizado pela atuação deste profissional concebe a busca do diálogo pedagógico como norteador de suas ações e práticas.

Percebemos também, que o papel pedagógico do coordenador deve incluir questões de ordem burocrática e organizacional da escola e uma vez que, cabe a este profissional resolver os conflitos decorrentes do espaço escolar.

Neste aspecto, ele deve estar aparelhado de métodos e sua atuação deve colaborar para resolver os possíveis conflitos diários, e receber de maneira responsável os pais, funcionários, professores e alunos, visando com isto o fortalecimento das relações da comunidade escolar além, da construção de uma educação democrática, na qual, a formação do aluno enquanto cidadão é tomado como objetivo principal.

O coordenador pedagógico deve considerar o saber, as experiências, os interesses e o modo de trabalhar dos professores, criando condições para questionar suas práticas e disponibilizar recursos para auxiliá-los. Proporcionando condições para que o professor análise criticamente os componentes políticos e técnicos de sua atuação, faça de sua prática um objeto de reflexão e assim, perceba a necessidade ou não de uma mudança.

O coordenador deve constituir parceria com o aluno, possibilitando com isto, que a aprendizagem seja mais significativa para alunos e professor. Para isto, precisa Incluí-lo no processo de planejamento do trabalho docente, criando oportunidades para que os estudantes participem com opiniões, sugestões e avaliações do processo de planejamento do trabalho docente, pois desta forma, os alunos ajudarão o professor a redirecionar e reavaliar a sua prática.

Estas ações possuem o objetivo de modificar a postura do professor, em suas práticas educativas. A respeito disto, ALMEIDA e PLACCO (2005,p.20) afirmam que:

O coordenador pode ser um dos agentes de mudanças das práticas dos professores mediante as articulações externas que realiza entre estes, num movimento de interações permeadas por valores, convicções, atitudes; e por meio de suas articulações internas que sua ação desencadeia nos professores, ao mobilizar suas dimensões políticas, humano-interacionais e teóricas, reveladas em sua prática.

Assim, a coordenação pedagógica articula ações de capacitação de professores, principalmente daqueles que trabalham com classes especiais. Oportuniza também espaços de compartilhamento, entre os professores, de experiências pedagógicas. Neste aspecto, a coordenação desempenhará o papel de articular os conhecimentos semeados nos cursos de capacitação dos professores, orientando-os na resolução dos problemas apresentados por estes em suas salas de aula.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A função do coordenador pedagógico no âmbito escolar surgiu adjacente a uma perspectiva educacional democrática e diferenciada a partir da necessidade de recriar ou ressignificar a função dos supervisores. Essa concepção inovadora do processo ensino-aprendizagem e de gestão escolar faz emergir a idéia da função do coordenador não mais com uma perspectiva de centralização burocrática, como foi colocada em prática durante muitos anos, mas com a função de articulação pedagógica.

O coordenador pedagógico, dentro da dimensão escolar, desempenha um papel significativo e de proporção política e ética bastante alargada. Contudo, ainda é perceptível a atuação deste profissional em várias atividades que ultrapassam a ação pedagógica, como por exemplo, as atividades burocráticas, isto porque as condições disponibilizadas aos coordenadores algumas vezes, não são favoráveis ao desenvolvimento que seu trabalho exige e sua função acaba por confundir-se com as funções de outros profissionais da instituição.

É importante ressaltar que a coordenação pedagógica contribui de forma significativa para a articulação entre o fazer pedagógico e a reflexão teórica, especialmente no tocante a articulação, implementação e avaliação do projeto político-pedagógico, visando contemplar as necessidades das instituições educacionais em que atua. Em vista disto, enfatizamos aqui a importância da presença deste profissional nas escolas e a necessidade de sua continua formação profissional diante das exigências da educação contemporânea.

Assim, a função de coordenador pedagógico apresenta como prioridades a organização, estruturação do pedagógico da instituição de ensino de maneira a instruir o trabalho e formação continua dos docentes, construindo uma concepção democrática de gestão e do processo de aprender e ensinar.

REFERENCIAL TEÓRICO

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ALMEIDA, Laurinda R.O relacionamento interpessoal na coordenação pedagógica.In.:ALMEIDA,Laurinda R.,PLACCO,Vera Mª N. de S.O coordenador pedagógico e o espaço de mudança.São Paulo:Edições Loyola,2003.

ALVES, N. N. de L. Coordenação pedagógica na educação infantil: trabalho e identidade de profissional na rede municipal de ensino de Goiânia. 2007, 290f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2007.

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CLEMENTI, Nilba.A voz dos outros e a nossa voz.In.:ALMEIDA,Laurinda R.,PLACCO,Vera Mª N. de S.O coordenador pedagógico e o espaço de mudança.São Paulo:Edições Loyola,2003.

FREIRE, Paulo. Educação: Sonho possível. In: Brandão, Carlos Rodrigues (org). O Educador: Vida e Morte. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Graal, 1982.

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SILVA, Moacyr da.O coordenador pedagógico e a questão da participação nos órgãos colegiados.In.:ALMEIDA,Laurinda R.,PLACCO,Vera Mª N. de S.O Coordenador Pedagógico e questões da contemporaneidade.São Paulo:Edições Loyola,2006.

VASCONCELLOS, C. dos S. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político pedagógico ao cotidiano da sala de aula. São Paulo: Libertad, 2002.

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[ 2 ]. ** Graduada em Pedagogia, pela Universidade do Estado da Bahia - UNEB.