Trabalho Completo Os Novos Paradigmas Da Administração Segundo Peter Drucker

Os Novos Paradigmas Da Administração Segundo Peter Drucker

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Categoria: Negócios

Enviado por: Jeferson 17 dezembro 2011

Palavras: 2154 | Páginas: 9

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âmbito da administração é “gerir a empresa”, e não centrar sua atenção no que acontece fora da empresa. Ou seja, o foco da administração é interno, não externo.

 As fronteiras nacionais definem o ambiente da empresa e da sua administração.

A seguir será mostrado por que cada uma delas é hoje incorreta, desatualizada ou ambas as coisas.

Pensamos na administração como sendo administração de empresas (premissa mais recente). Até a década de 30, presumia-se que a administração não passava de subdivisão da administração geral.

Não foi numa empresa que se deu a primeira aplicação consciente e sistemática dos princípios da administração, e sim, na reorganização do Exército dos Estados Unidos (1901).

Com a Grande Depressão teve início a identificação da administração com a administração de empresas, que gerou hostilidade com relação às empresas e desprezo por seus executivos. Para não ser contaminada pela associação de sua imagem com a de empresas, a administração no setor público foi rebatizada de administração pública e proclamada uma disciplina distinta.

No período do pós-guerra (1950), “empresas” e “negócios” já haviam voltado a ser palavras bem-vistas, graças ao desempenho da administração de empresas americanas durante a 2ª Guerra Mundial.

Hoje, nossa teoria está alcançando esta realidade e podemos constatar pelos seguintes fatos:

Muitas escolas de administração foram rebatizadas de escolas de administração.

 A crescente oferta de cursos de administração de organização sem fins lucrativos por essas mesmas escolas.

 surgimento de programas de administração executiva que recrutam executivos de empresas e de outras organizações não-empresariais.

 A criação de departamentos de administração pastoral em escolas de teologia.

Apesar de tudo, a premissa de que a administração é administração de empresas continua existindo, mas é importante acabar com a distinção artificial entre organizações empresariais e não-empresariais, pois é muito pouco provável que o setor que mais cresça nas sociedades desenvolvidas do século XXI seja o das empresas.

Os setores que mais cresceram nos países desenvolvidos no século XX, não foram o das empresas, mas sim o governamental, o dos profissionais liberais, o da saúde e o da educação.

Assim, o setor social sem fins lucrativos é aquele em que a administração é mais necessária hoje em dia.

A preocupação com a administração e seu estudo começou com o repentino surgimento de grandes organizações. Há mais de um século, o estudo da organização se baseia em uma premissa: a de que existe ou deve existir uma única forma “certa” de organização.

A estrutura organizacional das empresas foi estuda pela primeira vez na França, por volta da virada do século. Era a época em que as organizações empresariais em escala realmente grande estavam começando a aparecer, e seus administradores tiveram de desenvolver sua disciplina à medida que as empresas avançavam. Não havia textos a consultar, não havia consultores. De certo modo, eles aprenderam uns com os outros.

A Primeira Guerra Mundial deixou clara a necessidade de uma estrutura organizacional formal. A administração altamente centralizada que propalavam simplesmente não funcionavam numa escala, onde era preciso administrar dezenas de soldados e reorientar economias inteiras em torno da produção para a guerra.

Após a Primeira Guerra Mundial desenvolveu-se a descentralização, transformando-se no mantra da administração, o único caminho visto como correto. Nos últimos anos, defende-se a equipe como organização correta para praticamente qualquer coisa.

Organização certa é algo que não existe. Existem apenas organizações, cada uma das quais possui pontos fortes, distintas e aplicações específicas. É uma ferramenta para tornar as pessoas produtivas quando trabalham em conjunto. Uma estrutura organizacional é adequada para determinadas tarefas em determinadas condições e determinadas épocas.

Em qualquer empreendimento existe a necessidade de uma série de estruturas organizacionais diferentes que coexistam.

Há princípios de organização que são universais. A organização deve ser transparente. As pessoas precisam conhecer e compreender a estrutura organizacional na qual vão trabalhar.

Alguém na organização precisa ter a autoridade necessária para assumir o comando em momentos de crise.

É um princípio estrutura correto ter o menor número possível de camadas, ter uma organização o mais “achatada” possível.

Todos os indivíduos terão de aprender a trabalhar ao mesmo tempo em diferentes estruturas organizacionais.

O executivo do futuro vai precisar de uma caixa de ferramenta repleta de estruturas organizacionais. Ele terá de selecionar a ferramenta apropriada para cada tarefa específica. Isso significa que ele terá de aprender a usar cada uma dessas ferramentas e entender qual delas funciona melhor para cada tarefa.

Hoje, a premissa mais generalizada é que existe apenas um tipo de equipe (“banda de jazz”), em que cada participante faz o que ele, ou ela, sabe fazer, mas, juntos, produzem música de alta qualidade.

Existem diferentes tipos de equipes diferentes, cada uma com sua própria área de aplicação, com suas próprias limitações e dificuldades, exigindo uma administração diferente. Alguns exemplos de equipe:

 A equipe funcional de modelo antigo – lojas de departamentos. As diferentes seções não trabalham juntas, e nenhum de seus integrantes jamais desempenha a tarefa de um membro de outra seção. A vantagem é que cada membro pode ser treinado para uma função específica, e cada membro pode ser medido e avaliado em comparação com metas claras e específicas. Ele fará seu próprio trabalho bem, mas não se preocupará com o desempenho global da organização.

 Outro tipo de equipe é aquele exemplificado pela alta direção das grandes empresas alemãs. Cada um de seus integrantes tem uma área de responsabilidade claramente definida, na qual ele é o chefe. Essa área pode ser funcional ou geográfica. A pessoa encarregada de uma área desse tipo nem sequer consulta seus colegas sobre as decisões que vai tomar em sua área; ela apenas as relata.

As direções das empresas têm que optar entre duas, e apenas duas, maneiras diferentes de administrar pessoas: a “teoria X” e a “teoria Y”. A primeira parte da premissa de que as pessoas não querem trabalhar. A Segunda presume que elas realmente querem trabalhar e precisam apenas da motivação adequada.

Todas as outras premissas sobre pessoas em organizações e sua administração se baseiam na premissa fundamentalmente errônea de que existe apenas uma maneira correta de administrar pessoas. Uma das premissas é que as pessoas que trabalham para uma organização o fazem em tempo integral e dependem dela para seu sustento. Outra premissa é que as pessoas que trabalham para uma organização são subordinadas, das quais se espera que façam o que lhes é mandado e praticamente nada mais.

Quando essas premissas foram formuladas (há 70 anos), elas se aproximavam suficientemente da realidade para ser consideradas válidas. Hoje em dia, são todas insustentáveis.

Mesmo quando pessoas empregadas em tempo integral, cada vez menos pessoas são subordinadas. Cada vez mais, são trabalhadores de conhecimento, e não podem ser considerados como subordinados, e sim, como sócio.

Essa diferença não é superficial. Depois de ultrapassar a etapa do aprendizado, o trabalhador de conhecimento precisa saber mais sobre seu trabalho do que seu chefe sabe.

Os funcionários em tempo integral precisam ser administrados como se fossem voluntários. A grande empresa típica tem muito a aprender com o Exército da Salvação ou com a Igreja Católica.

Não se “administram” pessoas, como se presumia anteriormente. Lideram-se pessoas. Para maximizar o desempenho delas, a solução é capitalizar sobre seus pontos fortes e seu conhecimento, e procurar forçá-las a adequar-se modelos previamente definidos.

A premissa inicial correta hoje é que as tecnologias que provavelmente vão exercer o maior impacto sobre uma empresa e sua indústria são tecnologias externas a seu próprio campo.

Diferentemente das tecnologias do século XIX, as tecnologias de hoje não percorrem caminhos paralelos e distintos. Elas se cruzam a toda hora. Como elas se cruzam, os muros que antes definiam as indústrias caem por terra.

Antes, as empresas competiam dentro de um mesmo setor. Hoje, são setores que competem com setores.

Compreender a necessidade é única, mas o meio de satisfazê-la é diversificado. É bom que administradores compreendam as implicações de tudo isso para eles. A informação não é exclusiva de nenhuma indústria ou ramo específico. Ela tampouco tem uma só finalidade, e nenhuma finalidade requer apenas um tipo específico de informação.

A administração terá de aprender que a compreensão do mercado começa pela compreensão de como os consumidores distribuem sua renda disponível.

A administração, tanto na teoria quanto na prática, trata da entidade legal, do empreendimento individual, quer este seja uma empresa, um hospital, uma universidade ou uma organização assistencialista.

O conceito tradicional de administração se baseia no comando e controle, e comando e controle são definidos em termos legais. O executivo-chefe de uma empresa, o bispo de uma diocese, o administrador de um hospital, todos exercem autoridade de comando e controle dentro dos limites legais de sua instituição, mas não fora dela.

Hoje em dia, até mesmo uma empresa minúscula pode se tornar parceira genuína de uma empresa maior, e não apenas ser dependente desta. O que é preciso, portanto, é uma redefinição do âmbito da administração. A administração precisa englobar o processo inteiro. Para empresas, isso significa o processo econômico inteiro.

Ainda se presume, na disciplina da administração, que as fronteiras nacionais ainda definem o ambiente na qual as pessoas operam. Essa premissa é subjacente até mesmo para a multinacional tradicional.

O que mudou no mundo real, mesmo que ainda não tenha mudado nas premissas com as quais operam as administrações, é o fato de essas fronteiras nacionais terem perdido sua relevância.

Existem problemas novos e muitos reais relativos a investimentos, impostos e propriedade.

Também para a administração, as novas realidades criam problemas que ainda não foram resolvidos. Cada vez mais, as empresas se organizam por áreas de trabalho, mais do que geograficamente.

A nova realidade é que a administração já não se pauta por fronteiras nacionais. O âmbito da administração não pode mais ser definido politicamente. As fronteiras nacionais vão continuar sendo importantes, mas como limites impostos à prática da administração, não como fatores que definem essa prática.

De todas as premissas, a maior é de que a área de atuação da administração é dentro da empresa; o principal trabalho da administração é gerir organização.

Essa premissa leva a uma distinção entre administração e espírito empreendedor, quando este sem aquela seria incompreensível. Ela traça uma distinção artificial entre as funções de administração e inovação. Essa divisão não faz sentido nenhum. Um empreendimento que não inova, quer trate de uma empresa ou de qualquer outra instituição, não sobrevive por muito tempo.

A primeira tarefa da administração é definir quais resultados existentes no empreendimento a seus cuidados. Como pode testemunhar qualquer pessoa que se engajou nessa questão, ela é uma das mais difíceis e polêmicas, mas também uma das mais importantes.

Portanto, é função específica da administração organizar os recursos da organização visando obter resultados fora dela.

O novo paradigma no qual se deve basear a administração, tanto enquanto disciplina como enquanto prática, é que a administração deve definir os resultados que espera alcançar e depois organizar os recursos da organização visando obter esses resultados.

O centro de uma sociedade, de uma economia e de uma comunidade, não é a informação, não é a produtividade. O centro da sociedade moderna é a instituição administrada.

Hoje em dia, a instituição administrada é a maneira usada pela sociedade para conseguir que as coisas sejam feitas. E a administração é a ferramenta específica, a função específica, o instrumento específico para tornar as instituições capazes de gerar resultados.

A instituição não existe simplesmente dentro da sociedade e para reagir à sociedade. Ela existe para produzir resultados dentro da sociedade e para modificá-la.