Trabalho Completo Os Processos De Referenciação Presentes Nas Fábulas De Monteiro Lobato

Os Processos De Referenciação Presentes Nas Fábulas De Monteiro Lobato

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Categoria: Letras

Enviado por: Luiza 20 dezembro 2011

Palavras: 7858 | Páginas: 32

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ste artigo tem como objetivo principal a investigação do processo de referenciação no gênero fábulas. Como meio de sondagem, optou-se por tomar como corpus fábulas de Monteiro Lobato. A fábula é uma narrativa figurada, na qual são os animais que ganham características humanas. Sempre contém uma moral por sustentação, que é constatada no final da história. A operação referencial apresenta-se como uma atividade criativa, empreendida estrategicamente pelo produtor do texto, permitindo diversas maneiras de se abordar determinado assunto. Esse aspecto tático e discursivo do processo de referenciação mostra-se como um recurso fundamental para a produção textual, constituindo-se num roteiro para o leitor para a orientação do texto e do sentido, justificando, assim, a relevância da pesquisa. A investigação encontra respaldo em Koch e Elias (2010).

Palavras-chave: 1. Referenciação 2. Fábulas

Abstract. This article has as objective main the inquiry of the process of referencing in the sort fábulas. As half of sounding, fábulas of Monteiro Lobato was opted to taking as corpus. Fábula is a appeared narrative, in which they are the animals that gain characteristics human beings. It always contains a moral for sustentation, that is evidenced in the end of history. The referencial operation is presented as a creative activity, undertaken strategically for the producer of the text, allowing diverse ways of if approaching definitive subject. This tactical and discursivo aspect of the referencing process reveals as a basic resource for the literal production, constituting in a script for the reader for the orientation of the text and the direction, justifying, thus, the relevance of the research. The inquiry finds endorsement in Koch and Elias (2010).

Keywords: 1. Referencing 2.Fábulas

1. Introdução

Nesta pesquisa, trabalha-se com a abordagem da Linguística Textual, que surgiu na década de 1960, na Europa, e constitui-se em uma parte da Linguística que analisa o texto com base em sua estrutura e funcionamento.

Um texto articulado coerentemente possui relações estabelecidas, firmemente, entre suas informações, sendo que estas têm ligação umas com as outras. Um texto não é um simples

conjunto aleatório de elementos isolados, mas sim algo que deve apresentar componentes que estabelecem, entre si, relações de significação.

A sociedade, em seus diversos campos de atuação e mobilização profissionais, requer competência e eficiência para produzir textos escritos, bem como para interpretá-los.

Para Koch (2003, p. 22), "textos são resultados da atividade verbal de indivíduos socialmente atuantes, na qual estes coordenam suas ações no intuito de alcançar um fim social, de conformidade com as condições sob as quais a atividade verbal se realiza".

O domínio da escrita é uma habilidade essencial à participação do homem na vida em sociedade e à própria mobilidade social a que ele aspira. No mundo globalizado, torna-se indispensável o bom uso da melhor ferramenta de expressão que as línguas dispõem a cada indivíduo, como pleno exercício da cidadania.

Todo texto é construído a partir de uma interação por meio da qual se constroem os sentidos. O texto é definido por Koch (2003, p. 25) como produto da atividade verbal constituído de elementos linguísticos que o produtor seleciona e organiza, a fim de interagir com o outro segundo práticas socioculturais.

Para comunicar por meio do texto, os sujeitos acionam os recursos que a línguas dispõem na sua organização sistêmica, sendo esta uma estratégia que funciona como orientação do sentido. Dentro desse processo de produção textual, os recursos linguísticos produzem e adquirem significado no seu contexto[3] de uso. Assim, dentro desse diálogo, o processo de referenciação que é a operação linguística de introdução e remissão de objetos de discurso na progressão textual, referenda um segmento linguístico no texto e centra-se na orientação do texto aos propósitos comunicativos.

Koch (2003) reitera o caráter discursivo da atividade referencial com vistas ao querer-dizer dos sujeitos na interação verbal. Desta forma, as estratégias de referenciação constituem-se em escolhas que o sujeito faz sobre o material linguístico que tem à sua disposição, em função de seus objetivos.

Segundo Koch e Elias (2010), as formas de referenciação, longe de se confundirem com a realidade extralinguística, são escolhas realizadas pelo produtor do texto orientadas pelo princípio da intersubjetividade, razão pela qual os referentes são construídos e reconstruídos ao longo do processo de escrita.

Desse modo, a operação referencial, realizada pelo processo anafórico e catafórico, ao classificar e reclassificar os objetos no discurso, traz um recurso estratégico e criativo para a orientação argumentativa do texto e para a construção do sentido, sendo uma importante operação linguística no processo de produção e de compreensão textual.

Com o interesse de investigar como ocorre a referenciação no gênero literário fábulas e em decorrência do limite imposto pelo gênero artigo, no qual se encontram nossas análises, optamos por selecionar as fábulas de Monteiro Lobato, uma narrativa figurada, na qual são os animais que ganham características humanas. Sempre contém uma moral por sustentação, que é constatada no final da história. É um gênero muito versátil, pois permite diversas maneiras de se abordar determinado assunto. Mais especificamente, procedemos a análise de cinco textos do livro “Fábulas, histórias de tia Anastácia e Histórias diversas” de Monteiro Lobato. O trabalho que empreendemos baseia-se na pesquisa qualitativa, uma vez que não atenta a porcentuais de determinadas ocorrências, tampouco a análise de corpora extensivos, limitando-se, portanto, a um número representativo para o gênero fábulas.

Assim, constitui-se como objetivo central desta pesquisa determinar quais são os processos de referenciação realizados no gênero fábulas, Cabe ressaltar, porém, que o estudo aqui proposto não intenciona usar as fábulas somente como pretexto para investigar as ocorrências do processo referencial instituído nos textos; a análise empreendida busca observar a contribuição das estratégias de referenciação para a construção do sentido diante do gênero mobilizado, ou seja, qual é a interação léxico-referencial entre os instrumentos de literatura utilizados como a ironia, a sátira, a emoção etc, com a moral norteada na narrativa.

Como brevemente já adiantamos em argumentações supracitadas, a análise toma como referencial teórico-metodológico, principalmente, os estudos de Koch e Elias (2010). Esse estudo teórico e investigativo é apresentado em três tópicos que compõem este artigo.

1) O primeiro tópico é dedicado à exposição teórica acerca das estratégias por meio das quais são construídos e mantidos ou desfocalizados os objetos de discurso. Para Koch e Elias (2010, p. 132), o processo que diz respeito às diversas formas de introdução, no texto, de novas entidades ou referentes é chamado de referenciação. Embora o processo referencial seja constituído de uma atividade discursiva estabelecida na construção de objetos de discurso, abordaremos, neste artigo, apenas as escolhas léxico-gramaticais que promoveram a referenciação, princípio estratégico e criativo que atua colaborativamente na (re)construção de objetos de discurso e na construção do sentido.

2) O segundo tópico trata do empreendimento analítico do processo referencial estabelecido nos textos selecionados.

3) Por último, mas não menos importante, o terceiro tópico, em que faremos algumas considerações acerca desse processo de análise, destacando-se a contribuição do processo de referenciação na construção do texto e dos sentidos por ele implicados.

2. Referenciação

Dentro da tessitura do texto existem diversos elementos linguísticos, todavia este trabalho interessa-se pelo processo de referenciação.

Assim primeiramente vamos apresentar as definições dos autores que embasam este trabalho e em seguida serão explicitadas algumas estratégias de referenciação, principalmente as abordadas por Koch e Elias (2010).

1. O processo de referenciação

O processo de referenciação é uma das formas de estabelecer a coesão textual dentro de um processo mais amplo e interativo estabelecido com o texto, pautado no resgate anafórico ou na projeção catafórica de elementos argumentativo na produção de sentidos.

Do ponto de vista textual, a coesão é a operação que responde pela organização das unidades plurilinguísticas do texto e pela conservação/progressão das informações nele contidas. A coesão é uma amarração entre as várias partes do texto, um entrelaçamento significativo entre as declarações e sentenças.

Segundo Koch (2005, p. 16), a coesão é o fenômeno que diz respeito ao modo como os elementos lingüísticos estão presentes na superfície textual, entrelaçados por meio de recursos linguísticos, que formam, por seu turno, sequências veiculadoras sentido de forma coesa e coerente.

Os elementos linguísticos que estabelecem a conectividade e a retomada, como os referentes textuais, assumem importância crucial. Ainda segundo Koch (2005, p. 19), “são elementos referenciais os itens da língua que não podem ser interpretados semanticamente por si mesmos, mas remetem a outros itens do discurso necessários à sua interpretação”.

A autora considera necessário substituir o termo referência por referenciação, pois o processo de referenciar é concebido como uma atividade de linguagem realizada por sujeitos históricos e sociais em interação, sujeitos que constroem mundos textuais cujos objetos não espelham fielmente o mundo real, mas são constituídos em meio de práticas sociais, ou seja, são objetos-de-discurso. A linguísta brasileira ainda propõe duas linhas argumentativas para o tratamento da referenciação: a) uma que trata da categorização, no qual os sistemas cognitivos dão uma estabilidade ao mundo; b) outra que trata de uma perspectiva da linguística interacionista e discursiva, em que os processos de referenciação são analisados em termos de construção de objetos de discurso e de negociação de modelos públicos do mundo. Com isso os elementos discursivos vão estabelecendo relações de sentido e significado tanto com os elementos que os antecedem como com os que os sucedem, construindo uma cadeia textual significativa, que dá unidade ao texto pelo emprego de diferentes procedimentos, seja no âmbito lexical seja no âmbito gramatical.

Koch (2005) afirma que a referenciação constitui uma atividade discursiva. Essa posição de análise postula uma visão não-referencial da língua e da linguagem, possibilitando criar uma instabilidade das relações entre as palavras e as coisas.

A autora brasileira afirma, também, que o discurso, ao mesmo tempo em que é tributário de sua construção, constrói uma representação que opera como uma memória compartilhada, alimentada pelo próprio discurso. Assim, admite-se que os objetos do discurso são dinâmicos: Dito de outro modo podem ser modificados, desativados, recategorizados etc, retratando, ora a discursivização ou a textualização, ora uma (re)construção do real, e não um simples processo de elaboração de informações (KOCH, 2005).

2.1.1 Como ocorre o processo de referenciação

Conforme abordado anteriormente, a referenciação é tida como uma atividade discursiva, uma vez que as formas de referenciação são escolhas dos sujeitos, em seus projetos de querer-dizer a outros sujeitos, havendo, portanto, algo da ordem da interação com outros sujeitos[4].

No texto, a referenciação reporta-se às formas de introdução de novas entidades ou referentes. Quando estes apontam para frente, remetem para trás ou servem de base para novas referências, tem-se a progressão referencial, que é construída de acordo com nossa percepção de mundo, nossas crenças, atitudes e com o objetivo comunicativo em jogo na situação de interação.

2.1.2 Formas de introdução de referentes no texto

Koch e Elias (2010, p.131 ) arrolam as seguintes estratégias usadas para a (re)construção dos referentes textuais:

●Introdução (construção): ocorre quando um objeto até então não mencionado é introduzido no texto, ocupando lugar de destaque.

●Retomada: (manutenção): ocorre quando um objeto já presente no texto é reativado por meio de uma forma referencial, mantendo-se em foco o objeto de discurso.

●Desfocalização: ocorre quando um novo objeto é lançado ao texto, atraindo para si o foco.Os referentes podem ser alterados ou expandidos, e, durante todo o processo de compreensão, o leitor cria uma sequência representativa que lhe dará informações acerca de categorizações e avaliações dos referentes, auxiliando-o na interpretação do texto.

Para a estratégia de introdução, Koch e Elias (2010, p. 134) indicam dois tipos de processos possíveis de serem realizados: ativação “ancorada” e ativação “não ancorada”. Quando o escritor introduz no texto um objeto de discurso totalmente novo produz uma introdução não-ancorada. A ativação ancorada acontece sempre que um novo objeto de discurso é introduzido, com base em algum tipo de associação com elementos já presentes no cotexto[5] ou no contexto sociocognitivo dos interlocutores.

Quando no cotexto não existe um antecedente explícito, mas um elemento de relação que se pode denominar de âncora, tem-se aí as anáforas indiretas. Koch e Elias (2010, p. 136) diferenciam as anáforas diretas das indiretas da seguinte forma: “as anáforas diretas retomam (reativam) referentes previamente introduzidos no texto, estabelecendo uma relação de correferência entre o elemento anafórico e seu antecedente, na anáfora indireta, geralmente constituída por expressões nominais definidas, indefinidas e pronomes interpretados referencialmente sem que lhes corresponda um antecedente (ou subsequente) explícito no texto, ocorre uma estratégia de ativação de referentes novos, e não de uma reativação de referentes já conhecidos, o que constitui um processo de referenciação implícita, conforme pontua Marcuschi. (KOCH E ELIAS, 2010).

2.1.3 Formas de progressão referencial

Para que o texto mantenha uma continuidade é preciso estabelecer um equilíbrio entre duas exigências fundamentais: repetição (retroação) e progressão. Para as retomadas ou remissões a um mesmo referente Koch e Elias (2010) nominaram de progressão referencial que é realizada por uma séria de elementos lingüísticos descritos a seguir.

2.1.3.1 formas de valor pronominal: são os pronomes propriamente ditos – pessoais de 3ª pessoa, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos;

Ex. Um atlas da ONU divulgado em Poznan (Polônia) aponta florestas que, se protegidas, beneficiam o clima global quanto a preservação de espécies raras. Ele mostra a sobreposição de áreas altamente biodiversas e de grande estoque de carbono. Ente elas estão regiões da Amazônia...

2.1.3.2 numerais: cardinais, ordinais, multiplicativos e fracionários;

Ex. Ao contrário do que se costuma supor, o descobrimento do Brasil foi bem documentado e aparece descrito em várias fontes primárias. Essas fontes podem ser divididas em três grandes grupos. O primeiro deles reúne as cartas escritas por membros da expedição de Cabral. No segundo, incluem-se as cartas redigidas pelos banqueiros ou mercadores que financiaram a armação da esquadra. O terceiro grupo de documentos...

2.1.3.3 certos advérbios locativos: aqui, lá, ali etc;

Ex: Dirigimo-nos ansiosos ao local do encontro. Ao chegarmos, lá estava a tia Rosa, que não víamos há mais de vinte anos. Ali mesmo, caímos nos braços dela a chorar de alegria.

2.1.3.4 elipses: são a supressão, omissão de uma palavra facilmente subentendida.

Ex: Eles viviam na África e, há dois milhões de anos atrás, eram poucos. Eram quase seres humanos, embora tendenssem a ser menores que seus descendentes que agora habitam o mundo. Andavam eretos e subiam montanhas com enorme habilidade. Alimentavam-se principalmente de frutas... esses sere humanos...

2.1.3.5 formas nominais reiteradas: Ex: Neste fim de semana, morreu mais um quero-quero nos gramados do Brasil. Quero-quero é aquele passarinho que frequenta os nossos campos de futebol e... O quero-quero gosta de viver perigosamente.... Alguns desses jogadores têm tão pouca intimidade com a bola que não será surpresa se um deles a confundir com um quero-quero.

2.1.3.6 formas nominais sinônimas ou quase sinônimas: Ex. A porta se abriu e apareceu uma menina. A garotinha tinha olhos azuis e longos cabelos dourados.

2.1.3.7 formas nominais hiperonímicas: Ex. As centrais sindicais brasileiras enviaram uma carta a Lula. Fazem sugestões para enfrentar a atual crise financeira internacional. O documento é útil por dois motivos...

2.1.3.8 nomes genéricos: Ex. O Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) escolheu o ano de 2009 como símbolo da luta para preservação do gorila...É tempo de todos nós salvarmos essa magnífica criatura e de garantir o futuro desse...

2.1.4 Cadeias referenciais

Quando se remete seguidamente um mesmo referente ou um elemento estritamente ligado a ele, forma-se, no texto, cadeias anafóricas ou referenciais. Esse movimento de retroação a elementos já presentes no texto ou passíveis de serem ativados a partir deles constitui um princípio de construção textual, praticamente todos os textos possuem uma ou mais cadeias referenciais.

2.1.4.1 sequências descritivas: uma cadeia relativa ao elemento que está sendo descrito e pronomes ou expressões nominais que os retomam, constituindo, assim, as respectivas cadeias anafóricas.

2.1.4.2 sequências narrativas: são várias cadeias, uma relacionada ao protagonista, outra referente ao antagonista e outras que se referem aos demais personagens, espaço ou objetos da história.

Ex. Certo dia, Marcelo, Antonio e Pedro passeavam entediados pela praia até que... Vamos pegar a jangada do papai... Então os três meninos foram bem longe.... A jangada estava cheia de peixe e os meninos não conseguiram... Com isso a conrrenteza levou-os para uma ilha...

2.1.4.3 sequências expositivas: a cadeia anafórica principal dirá respeito ao referente (ideia) central que está sendo desenvolvido, podendo, evidentemente, haver outras, relativas aos demais referentes que forem sendo apresentados no curso da exposição.

Ex: Um sapo de 4,5 kg e 41 cm de comprimento que viveu há mais de 65 milhões de anos é o maior animal do tipo a ter existido. A descoberta de um fóssil do anfíbio em Madagascar....O sapo gigante foi batizado.... o animal tinha na pele.... o supersapo... o sapo...

2.1.5 Funções das expressões nominais: as formas ou expressões nominais, ao expressarem a progressão textual, podem desempenhar uma série de funções importantes para a construção dos sentidos no texto. No nível microestrutural, estabelecem a coesão textual, no nível macroestrutural, em grande parte são responsáveis pela introdução de novos referentes, novas sequências ou episódios da narrativa.

2.1.5.1 Recategorização de referentes: os referentes já introduzidos no texto podem ser retomados mantendo as mesmas características e propriedades ou, como é muito comum, com alterações ou com o acréscimo de outras. No segundo caso, passam a fazer parte de outra(s) categoria(s), além daquela(s) com a(s) qual/quais foi/foram inicialmente apresentada.

Ex. De alguns tempos para cá, nossas ruas têm sido ocupadas por caminhões de vários eixos, ônibus quase da altura de prédios e toda espécie de jamantas...Será possível frear a invasão desses mamutes mecânicos, impróprios para a vida urbana? ...não previam, que um dia, teriam de conviver com a trepidação provocadas pelos megatrambolhos que passam...

3. Descrição e análise dos textos que constituem o corpus

Este tópico do trabalho destina-se à descrição do recorte que constitui o corpus de análise. Apresentam-se aqui os critérios usados para se proceder à seleção e è delimitação do texto. Posteriormente, ainda neste capítulo, faz-se a descrição do perfil do texto selecioinado, no caso apresentação de material didático e apresenta-se a análise do processo recerencial no texto sob estudo.

3.1 Critérios de seleção e de delimitação do corpus de análise

Koch (2005, 2006) concebe a referenciação como uma atividade discursiva, ou seja, a operação de referenciação constitui um recurso estratégico e criativo que atua na categorização e recategorização de objetos de discurso e na construção do sentido.

Assim, propôs-se tomar cinco fábulas como corpus de análise para o estudo do processo de referenciação. Isso porque, no gênero fábulas, o processo referencial constitui um recurso estratégico para a sustentação moral do texto, um gênero versátil, que permite diversas maneiras de se abordar determinado assunto.

Com isso, depois de definido o texto de coleta para a análise proposta, procedeu-se a delimitação do corpus. Inicialmente, elegemos o livro de Monteiro Lobato “Fábulas, Histórias de Tia Anastácia e Histórias Diversas”, deste, selecionamos cinco fábulas que constituiu o corpus da pesquisa aqui empreendida.

Para a delimitação desse recorte de análise, estabeleceu-se como critério a seleção de textos cuja teia referencial fosse caracterizada, principalmente, pelo uso dos elementos linguísticos postulados por Koch e Elias (2010).

Considerando, portanto, o caráter estratégico do processo referencial na categorização dos fatos e do sentido, passamos à análise desse processo referencial e de sua atuação na (re)criação do texto observados nas fábulas selecionadas, com ênfase nas expressões nominais.

Fábula I e II - A cigarra e as formigas

A formiga boa

Houve uma jovem cigarra(1) que tinha de costume chiar ao pé dum formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento então era observar as formigas (2) na eterna faina de abastecer as tulhas.

Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.

A pobre cigarra(1a), sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.

Manquitolando, com uma asa a arrastar, se dirigiu para o formigueiro.

Bateu – tique, tique, tique...

Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.(2a)

- Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.(1b)

- Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...

A formiga(2b) olhou-a de alto a baixo.

-E que fez durante o bom tempo, que não construiu sua casa?

A pobre cigarra(1c), toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.

- Eu cantava, bem sabe...

- Ah!... exclamou a formiga (2c) recordando-se. Era você então quem cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?

- Isso mesmo, era eu...

- Pois entre, amiguinha (1d)! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria (3) nos proporcionou. Aquêle chiado (3a) nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora (1e)! Entre, amiga, (1f) que terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

A cigarra (1g) entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora (1h) dos dias de sol.

Na fábula A formiga boa, apresenta a cigarra como alguém que viveu cantando durante todo o verão e, quando o inverno chegou, não tinha moradia e provisões para o seu sustento. Em contrapartida, a formiga, preocupada com a chegada do inverno, trabalhava de sol a sol. Necessitada de tudo, a cigarra pediu socorro para a formiga que prontamente a socorreu, considerando a distração que a cantoria da cigarra havia proporcionado durante toda a labuta das formigas.

O referente textual (1) jovem cigarra é retomado, na continuidade textual, pelas descrições nominais (1a) pobre cigarra, (1b) triste mendiga suja de lama e a tossir, (1c) a pobre cigarra, (1d) amiguinha, (1e) vizinha tão gentil cantora, (1f) amiga, (1g) a cigarra, (1h) a alegre cantora, as quais vão avaliando a situação da cigarra.

A evolução do referente, que, construído textualmente, orientando o propósito da narração é modificado com características ora positivas ora negativas do referente. Em (1b) triste mendiga suja de lama e a tossir, fornece ao leitor informações acerca da situação precária em que se encontra a cigarra.

Em uma outra cadeia referencial, (2) as formigas, recategorizada em (2b) uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina, como sendo uma formiga que no verão preocupou-se com o inverno, agora está agasalhada para o período frio. Em (2c) a formiga, a progressão referencial foi realizada, segundo Koch e Elias (2010) por formas nominais reiteradas.

Em (3) sua cantoria, é retomado em (3a) aquêle chiado, com uma avaliação negativa.

Assim, na recriação da narrativa, por meio da fábula, o autor recategoriza as situações pelo uso estratégico das expressões referenciais.

A formiga má

Já houve, entretanto, uma formiga má (1) que não soube compreender a cigarra(2) e com dureza a repeliu de sua porta.

Foi isso (3) na Europa, em pleno inverno, quando a neve recobria o mundo com o seu cruel manto de gelo.

A cigarra,(2a) como de costume, havia cantado sem parar o estio inteiro, e o inverno veio encontrá-la desprovida de tudo (4), sem casa onde abrigar-se, nem folhinhas que comesse.

Desesperada, bateu à porta da formiga(5) e implorou – emprestado, notem! – uns miseráveis restos de comida.(6) Pagaria com juros altos aquela comida de empréstimo, (7) logo que o tempo o permitisse.

Mas a formiga (5a) era uma usurária sem entranhas. Além disso (8) era invejosa.(9) Como não soubesse cantar, tinha ódio à cigarra(2b) por vê-la querida de todos os seres.

- Que fazia você durante o bom tempo?

- Eu ... eu cantava! ...

- Cantava? Pois dance agora, vagabunda!(10) – e fecho-lhe a porta no nariz. Resultado: a cigarra(2c) ali morreu entanguidinha; e quando voltou a primavera o mundo apresentava um aspecto mais triste. É que faltava na música do mundo o som estridente daquela cigarra(11) morta por causa da avareza da formiga (5b) . Mas se a usurária (12) morresse, quem daria pela falta dela?

Na fábula A formiga má, propõe-se um novo enredo, no qual o pedido de ajuda da cigarra à formiga baseia-se em uma transação comercial. A formiga trabalha de sol a sol durante todo o verão, prevendo a chegada do inverno. A cigarra pede emprestado à formiga alguns restos de comida e, mesmo se comprometendo a pagar com juros, a formiga nega-se a prestar-lhe qualquer auxílio, por ser uma formiga mesquinha e invejosa

Aqui, em (1) uma formiga má, o leitor, já pode inferir a respeito do comportamento da formiga, essa informação no início do texto já mostra que a formiga terá atitudes severas com a cigarra. A expressão nominal indefinida uma formiga, retrata uma forma consciente de não se especificar melhor o referente, criando um efeito de suspense. Em, (2) a cigarra, (2a) a cigarra, (2b) à cigarra, (2c) a cigarra, da formiga (5),da formiga (5a) e da formiga (b), a remissão realizada são através dos mecanismos de repetição. Foi isso, (3) remete para o enunciado anterior; é, portanto anafórico, em contrapartida, tudo (4), remete a toda a sequência do texto, sendo, pois, um elemento catafórico.

Em, uns miseráveis restos de comida (6), faz remissão a situação de desespero da cigarra, que morta de fome se contentaria em comer os restos da formiga. Aquela comida de empréstimo (7), remete para os restos de comida que a cigarra estava pedindo emprestado e propondo em pagar com juros altos. Além disso (8), aqui, novamente, remete ao enunciado anterior, ou seja, um elemento anafórico, referente à condição de mesquinharia da formiga. Invejosa (9) e vagabunda (10), as personagens, a formiga e a cigarra, são categorizadas negativamente, ou seja, a formiga invejosa, porque não sabe cantar, e a cigarra vagabunda, porque não trabalhou durante o verão para guardar provimentos para o mau tempo que se aproximava. Daquela cigarra (11) é uma expressão anafórica, requer que o leitor tenha conhecimento a respeito do contexto de produção do texto e dos objetivos pretendidos do autor, bem como em, a usurária (12), remete ao caráter da formiga desenhado no texto, uma formiga mesquinha, apegada aos bens materiais.

Fábula III - A gralha enfeitada com penas de pavão

Como os pavões andassem em época de muda, uma gralha (1) teve a idéia de aproveitar as penas caídas.

- Enfeito-me com estas penas e viro pavão!

Disse e fez.(2) Ornamentou-se com as lindas penas de olhos azuis e saiu pavoneando por ali afora, rumo ao terreiro das gralhas,(3) na certeza de produzir um maravilhoso efeito.

Mas o trunfo (4) saiu às avessas. As gralhas perceberam o embuste (5), riram-se dela e enxotaram-na a força de bicadas.

Corrida assim dali dirigiu-se ao terreiro dos pavões (6) pensando lá consigo.

- Fui tola. Desde que tenho penas de pavão, pavão sou e só entre pavões poderei viver.

Mau cálculo. No terreiro dos pavões coisa igual (7) aconteceu. Os pavões de verdade (8) reconheceram o pavão de mentira(9) e também a correram de lá sem dó.

E a pobre tôla (10), bicada e esfolada, ficou sozinha no mundo. Deixou de ser gralha e não chegou a ser pavão, conseguindo apenas o ódio de umas e o desprezo de outros.

Em A gralha enfeitada com penas de pavão, Monteiro Lobato apresenta uma gralha que se enfeita com penas de pavão e tenta enganar as gralhas e os pavões, mas acaba sozinha, deixando de ser gralha e não conseguindo ser pavão. Quem pretende ser o que não é, acaba mal.

A expressão nominal indefinida, uma gralha (1), não traz um referente especificado cria-se aí um efeito de suspense. E fez (2),tem se aqui uma anáfora que remete à atitude da gralha em se enfeitar com as penas de pavão. Terreiro das gralhas (3), terreiro dos pavões (6), no terreiro dos pavões coisa igual (7), o trunfo(4) e embuste(5) ocorre aqui o encapsulamento, resume a atividade da gralha em se disfarçar de pavão, (8) os pavões de verdade, (9) o pavão de mentira, referente à gralha enfeitada de pavão. A pobre tola (10), a expressão nominal faz referência à gralha, num sentido depreciativo, em virtude dela não ter conseguido se passar por pavão e ter sido desprezada pelas próprias gralhas.

Fábula IV - Os carneiros jurados

Certo pastor,(1) revoltado com as depredações do lobo,(2) reuniu a carneirada (3)e disse:

- Amigos!(4) É chegado o momento de reagir. Sois uma legião (5) e o lobo(2a) é um só. Se vos reunirdes e resistirdes de pé firme, quem perderá a partida será ele, e nós nos(6) veremos para sempre libertos da sua cruel veracidade.

Os carneiros (7) aplaudiram-no com entusiasmo e, erguendo a pata dianteira, juraram resistir.

- Muito bem! exclamou o pastor.(1a) Resta agora combinarmos o meio prático de resistir. Proponho o seguinte: quando a fera (8) aparecer, ninguém foge: ao contrário: firmam-se todos nos pés, retesam os músculos, armam a cabeça, investem contra ela, encurralam-na, imprensam-na; esmagam-na!

Uma salva de bés selou o pacto (9) e o dia inteiro não se falou senão na tremenda réplica (10) que dariam ao lobo.(2b)

Ao anoitecer, porém, quando a carneirada (3b) se recolhia ao curral, um berro ecoou de súbito:

- O lôbo! ...

Não foi preciso mais: sobreveio o pânico e os heróis jurados (11) fugiram pelos campos a fora, tontos de pavor.

Fôra rebate falso. Não era o lobo; era apenas sombra de lobo!...

Na fábula, Os carneiros jurados, um pastor revoltado com a depredação que um lobo estava provocando em seu rebanho, incitou toda a carneirada para enfrentar o animal. Ele só não contava que na hora do embate a carneirada ficaria com medo e fugira de pavor. O pacto exigiu dos carneiros uma atitude que eles não conseguiram ter.

Certo pastor (1), o pastor, (1a), o lobo(2), o lobo(2a), ao lobo(2b), a carneirada(3), a carneirada(3a), os carneiros, são formas de referenciação reiteradas. Em, amigos (4) e uma legião(5), essas duas expressões nominais mostram como o pastor vai inflando o ego dos carneiros, ele vai recategorizando de forma a elevar a importância da carneirada. Em, nós nos (6) o pastor se coloca aqui em pé de igualdade com os carneiros.

Em, a fera (8) é mais um caso de hiperônimo, o pacto (9), tem-se aqui uma anáfora, remete ao acordo de enfrentar o lobo, tremenda réplica (10), aqui seria o enfrentamento com o lobo, heróis jurados(11), os carneiros são referenciados aqui com depreciação após não terem conseguido enfrentar o lobo.

Fábula V - A pele do urso

Dois caçadores(1) precisados de dinheiro tiveram a idéia de vender a pele de um urso (2) que morava na floresta próxima. Feito o negócio (3) e recebida a importância, tomaram das espingardas e saíram em procura da fera(4). Encontraram-lhe sem demora o rastro e seguiram-no cautelosos. Súbito, um deles,(5) batendo na testa exclamou:

- Que caçadores das dúzias somos nós! Pois não é que deixamos em casa os cartuchos?

Era verdade aquilo, e mal os caçadores (1a) deram pela coisa, o mato estaleja e o urso (2a) aparece.

Rápido como o relâmpago, um deles (6) consegue trepar por uma árvore acima. Já o outro, (7) mais lerdo, o remédio que teve foi deitar-se no chão e fingir-se de morto.

O urso (2b) chegou, bamboleando o corpo. Dá com o “cadáver”(8), fareja-o nos olhos, no nariz, nos ouvidos e exclama:

- Carniça! Isto é coisa que só aos urubus pode interessar. E retirou-se, bamboleante.

Assim que o urso (2c) desapareceu ao longe, os caçadores (1b), até então imóveis, respiraram e criaram alma nova. E, muito satisfeitos de se verem livres das unhas da “pele” vendida,(9) foram correndo para casa. Lá chegados, riram-se da aventura; e o que se fingira de morto:

- Que é que te disse o urso ao ouvido, compadre?(10)

- Disse-me que não se deve contar com o ovo antes da galinha botar!...

A fábula, A pele do urso, narra a situação de dois caçadores que estavam precisando de dinheiro e venderam a pele de um urso que morava na floresta. Acontece que quando chegam na floresta percebem que esqueceram os cartuchos em casa e diante do urso têm que fugir e usar estratégias de disfarce para não serem engolidos pelo urso. Depois de salvos percebem que contaram com o ovo antes da galinha botar.

Em, dois caçadores (1), os caçadores (1b), um urso (2), o urso (2a), o urso (2b), o urso (2c), são formas nominais reiteradas. Em (3), o negócio, aqui um caso de anáfora, esta associada ao fato de eles venderem a pele do urso antes de caçá-lo, o encapsulamento é um fenômeno lexical de inclusão sintagmática, no qual o sintagma nominal funciona como uma paráfrase resumitiva de uma porção precedente do texto. Em, a fera (4),de acordo com Koch e Elias (2010), são formas nominais hiperonímicas, a palavra que tem significado mais abrangente que seu hipônimo. Um deles (5), um deles (6), o uso dos numerais cardinais contribuem para a progressão referencial. O outro (7) , o cadáver, (8) remete à situação que o caçador ficou para se livrar de ser devorado pelo urso, “pele” vendida (9), remete ao urso, compadre (10), essa referência ao outro caçador tem um sentido pejorativo, em virtude do “grande negócio”, categorizado anteriormente como matar o urso e vender a pele não ter sido concretizado.

4. Considerações Finais

Para a compreensão de um texto o conhecimento prévio atribui sentido ao que se lê. Durante a atividade de leitura, mobilizam-se diferentes níveis de conhecimentos, como o conhecimento linguístico, o conhecimento textual e o conhecimento de mundo.

Embora dominar o léxico e a sintaxe de uma língua não seja suficiente para compreender um texto, o conhecimento linguístico é importante para o processamento textual, ou seja, esse conhecimento é importante para a transformação de elementos discretos e significativos, isto é, o domínio das possibilidades de remissão textual e dos articuladores textuais entre os elementos linguísticos.

Na análise empreendida acerca do processo de referenciação instituído em fábulas, e tendo como material para pesquisa fábulas de Monteiro Lobato, pode-se observar que as características próprias do gênero fábulas – uma narrativa figurada, na qual são os animais ganham características humanas -, por ser um gênero muito versátil, possibilitam a instauração de uma teia referencial, formada principalmente por expressões nominais. O uso dessas formas de referenciação constitui um recurso estratégico na criação do texto.

Nas fábulas analisadas, conforme se verificou, o uso das expressões nominais anafóricas, na função de recategorização dos referentes, vai-se constituindo no processo de progressão textual e configura-se como um roteiro de orientação para o leitor. Tais expressões instituem, também, estratégias usadas pelo produtor do texto para manifestar a moral sustentada.

Nos textos analisados, pôde-se verificar que, ao (re)criar os fatos e cenários onde esses fatos aparecem, o autor recria os discursos. Nessa atividade, a operação referencial atua tanto na sinalização, na categorização e na recategorização de referentes, quanto na orientação argumentativa do texto.

Assim, as expressões nominais retratam um processo linguístico estratégico, apontam direções argumentativas, pontos de vista e recategorizam os objetos de discurso na progressão textual.

Referências

BENTES, Anna Christina. Lingüística textual. MUSSALIM, Fernanda e BENTES, Anna Christina (orgs.). Introdução à linguística: domínios e fronteiras. V1. São Paulo: Cortez, 2001, p. 245-285.

KOCH , Ingedore Villaça. Desvendando os segredos do texto. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2006.

_______________ A coesão textual. 21. ed. São Paulo: Contexto, 2005.

_______________ A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1995.

________________Argumentação e linguagem. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 1993.

_______________ O texto e a construção dos sentidos. São Paulo: Contexto, 2003.

KOCH, Ingedore Villaça; FÁVERO, Leonor Lopes. Linguística textual: introdução. São Paulo: Cortez, 1983.

KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e Escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2010.

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[1] Aluna no Curso de Especialização em Língua Portuguesa: Estudos Linguísticos, Literários e Metodologias de Ensino.

[2] Coordenadora do Curso de Licenciatura em Letras da Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP.

[3] Contexto: são os fatores externos, projetados na contextualização. O contexto determina a abertura estrutural do texto.

[4] Vale ressaltar que no presente trabalho não nos atentaremos para os princípios e procedimentos analíticos ligados à ordem discursiva da construção textual nem a interação discursiva entre sujeitos.

[5] Cotexto: são as propriedades internas do texto, fonológico-grafemáticos e sintático-semânticos. O cotexto determina o fechamento estrutural do texto.

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Vieira, Joana Néia, 1958 -

V658p Os processos de referenciação presentes nas fábulas de

Monteiro Lobato / Joana Néia Vieira. - - Ribeirão Preto, 2011.

17 f.

Orientadora: Profa. Dra. Maria Suely Crocci de Souza.

Monografia (especialização) - Universidade de Ribeirão

Preto, UNAERP, Língua portuguesa[pic]ˆ‰Š‹Œ?žŸ £éêòãÙDz¤“€jY¤F0, área de concentração:

Estudos lingüísticos, literários e metodologias de ensino.

Ribeirão Preto, 2011.

1. Língua Portuguesa. 2. Monteiro Lobato. 3. Coesão.

4. Fabulas. I. Título.

CDD: 469