Trabalho Completo A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL EM UM CRAS DE TAUÁ – CE

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL EM UM CRAS DE TAUÁ – CE

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Categoria: Ciências Sociais

Enviado por: Thelikada 25 abril 2013

Palavras: 2659 | Páginas: 11

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO SOCIAL, POLÍTICAS PÚBLICAS, REDES E DEFESA DE DIREITOS

GEORGIA DE OLIVEIRA CAVALCANTE

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL EM UM CRAS DE TAUÁ – CE

Tauá- CE

2013

GEORGIA DE OLIVEIRA CAVALCANTE

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL EM UM CRAS DE TAUÁ – CE

Trabalho apresentado ao Curso de Especialização em Gestão Social: Políticas Públicas, Redes e Defesa de Direitos - Módulo III – O Sistema único de assistência Social: Gestão da Rede e Interfaces da Universidade Norte do Paraná – UNOPAR.

Orientador: Profª. Maria Ângela Santini;

Profª. Maria Lucimar Pereira;

Prof°. Paulo Sérgio Aragão.

Tauá – CE

2013

SUMÁRIO

1 Introdução............................................................................ 04

2. A Prática Profissional do Assistente Social em um CRAS de

Tauá – CE............................................................................... 05

2.1. Dimensão Teórica – Metodológica.......................... 07

2.2. Dimensão Ético – Política...................................... 08

2.3. Dimensão Técnica – Operativo................................ 09

3. Considerações Finais.......................................................... 11

4. Referências Bibliográficas................................................... 12

5. Apêndice............................................................................. 13

1 Introdução

O Centro de Referencia da Assistência Social (CRAS), destina-se a prestar serviços a pessoas e indivíduos com violação dos seus direitos. Neste espaço destaca-se o trabalho do profissional do serviço social, que atuará na perspectiva de garantir os direitos dos usuários. A busca pela garantia dos direitos da população se dará a partir da renovação do serviço social, que propôs romper com a visão conservadora que atuava com base na caridade.

A construção do projeto ético político da profissão resulta em um novo modelo de agir e pensar a prática profissional, voltado para os princípios fundamentais do código de ética. O profissional hoje atua em diversas áreas. Na assistência social destacamos o Centro de Referencia da Assistência Social.

Dando seguimento a um trabalho realizado durante os Estágios Supervisionados I, II e III, o objetivo de estudo deste trabalho busca conhecer a pratica profissional do assistente social nesta instituição.

2. A Prática Profissional do Assistente Social em um CRAS de Tauá – CE

O trabalho como categoria fundante do ser social, conforme o pensamento de Marx, (Lukacs, 1972), entende-se a lógica da inscrição do serviço social na organização social e técnica do trabalho, pois, a inserção da profissão se dá sob as condições materiais resultantes do modo de produção capitalista.

Tendo o Brasil um significativo avanço na área das políticas sociais, em especial na regulamentação da LOAS e posteriormente com a aprovação da PNAS na perspectiva de implementação de do SUAS, neste campo de contradições, polarizada por interesses de classes contraditórias presentes no modo de produção capitalista, destacamos o trabalho do assistente social como um profissional mediador entre as políticas sociais e o usuário.

Historicamente, o serviço social constitui-se numa profissão de natureza interventiva cujas se coloca em face das demandas sociais que substanciam a sua intervenção socio-historica na sociedade. Tendo em vista a argumentação precedente, como todo profissional, o assistente social realiza sua pratica através da rede de mediações, que ontologicamente estrutura o tecido social (PONTES, 1995, p.155)

O serviço social em sua gênese é originário de um conflituoso e antagônico processo, em que sua intervenção possui um caráter social, portanto diretamente ligado com a classe trabalhadora, estabelecendo um compromisso ético-político, onde desenvolverá ações profissionais, para dar respostas as demandas institucional, em seus mais diferentes espaços sócio-ocupacionais. Essas ações fazem parte de sua dimensão técnico-operativa, neste sentido GUERRA (2000) complementou.

Se as demandas com as quais trabalhamos são totalidades saturadas de determinações (econômicas, políticas culturais, ideológicas) então elas exigem mais do que ações imediatas, instrumentais, manipulatórias. Estas implicam intervenções emanem de escolhas, que passam pelas condutas da razão critica e da vontade dos sujeitos, que se inscrevam no campo dos valores universais (éticos, morais e políticos) mais ainda, ações que estejam conectadas a projetos profissionais aos quais sub-fazem referenciais teórico-metodológicos e princípios éticos-políticos (GUERRA 2000, p.09).

Lembrando que a atuação do profissional do serviço social na política de assistência social existe desde os seus primórdios, mas é a partir da legalização da PNAS, que essa atuação ganha maior visibilidade, visto que não se trata mais de uma política social de favor, mais sim de direito garantindo pela Constituição Federal (1988).

Neste momento traremos alguns aspectos observados durante o estagio com relação ao histórico do serviço social no CRAS, que existe desde o inicio de seu funcionamento, já que a instituição em si, tem como base fundamental ações desenvolvidas através do profissional do serviço social, sendo exigência do SUAS, que se tenha em seu corpo técnico um profissional tecnicamente capacitado para desenvolver as ações de acordo com a demanda institucional.

Ao recorrermos ao debate sobre a dimensão técnico-operativa do assistente social, referimos necessária para o “agir profissional”, com base em expressões cotidianas apresentadas por seus usuários, nesse sentido GUERRA, 2000 enfatiza que:

[...] Com isso podemos afirmar que a instrumentalidade no exercício profissional refere-se não ao conjunto de instrumentos e técnicas (neste caso, a instrumentação técnica), mas a uma determinada capacidade ou propriedade constitutiva da profissão, construída e reconstruída no processo sócio-histórico (GUERRA, 2000,p.1)

No que diz respeito ao cotidiano profissional observado durante o estagio esta envolvido no mapeamento e identificação dos casos de violência ou violação dos direitos que chegam até a instituição, sejam elas espontaneamente ou pela rede de proteção dom município. Garantindo o atendimento multiprofissional as pessoas e/ou famílias vitimas de violência em suas diversas em suas diversas formas, como também o fortalecimento a rede de proteção as vitimas de violência, intensificando ações de mobilização social conjuntamente.

Com relação a dimensão ético-político, do profissional, norteado pelo projeto ético-político, onde prima pela justiça social, liberdade e equidade, no entanto no campo de atuação profissional é permeado por desigualdades que o primem e privam o ser social. Nesse ambiente contraditório, onde o assistente social esta inserido no mundo critico e embasada pela teoria e metodologia, se torna um viabilizador de direitos, buscando a conscientização e autonomia dos sujeitos sociais envolvidos nesse processo institucional.

A realidade social, posta para o enfrentamento no CRAS é extrema, pois sua demanda decorre de uma população fragilizada, o que faz com que o assistente social assuma uma importância fundamental, viabilizando acesso e informações aos usuários vitimizados e suas famílias para que assim estes possam lutar e interferir na alteração dos rumos dados a suas vidas na sociedade.

O cotidiano profissional é norteado por ações de imediaticidade com atendimento social, visitas domiciliares a indivíduos e/ou famílias vitimas de violência planejamento e reuniões.

2.1. Dimensão Teórica - Metodológica

Este segundo eixo da pesquisa refere-se à dimensão teórico-metodológica compreendida como um conjunto de conhecimentos necessários para intervir na realidade. Para isso, faz-se necessário, um intenso vigor teórico e metodológico, que lhe permita enxergar a dinâmica da sociedade para além dos fenômenos aparentes, buscando apreender sua essência, ou seja, é preciso que o profissional esteja em constante aprimoramento, para que não caia no marasmo profissional.

As constantes transformações no mundo do trabalho exige, que hoje que os profissionais estejam sempre se qualificando para identificar novas possibilidades de intervenção profissional, por meio de qualificação continuada para desenvolvimento de novas competências e habilidades para atender as novas demandas postas a profissão.

Cotidianamente o assistente social desenvolve seu trabalho com base em seus posicionamentos profissionais e conhecimento teórico da realidade e da formação profissional em consonância com o código de ética da profissão. Desta forma perguntamos ao sujeito desta pesquisa quais os conhecimentos ou exigências foram necessários para desenvolver seu trabalho de forma que possa garantir os direitos da população?

O conhecimento de trabalho nas comunidades em bairros diferentes, nas associações de bairros, nos conselhos de direitos como o COMDICA, Conselho do Idoso, leitura constante sobre a sociedade, atuação com técnicos de outras áreas, leitura sobre os direitos da população usuária, em especial criança e adolescente, alem de cursos de longa e curta duração, conferencia, entre outras’’(AS. CRAS).

Nesse sentido percebe-se que há uma preocupação constante do profissional em aprimorar seus conhecimentos e habilidades para garantir os direitos da população usuária

2.2. Dimensão Ético - Política

A dimensão ética-política do assistente social é norteada pelo projeto ético-político da profissão em consonância com os princípios e diretrizes fundamentadas no código de ética. Neste sentido a partir da pesquisa exploratória iremos analisar de que forma o profissional do serviço social relaciona os princípios do código de ética e do projeto profissional com o cotidiano da profissão.

As condutas e posturas teóricas do assistente social fazem parte da, dimensão ético-político, o que é muito observado pela população usuária. Assim é fundamental que o profissional tenha um posicionamento político frente as questões que aparecem na realidade social, isso implica em assumir valores ético-morais que sustentam a sua pratica, valores esses que estão expressos no código de ética profissional dos assistentes sociais.

Neste sentido o profissional pesquisado nos respondeu quando perguntamos: Como é relacionado o código de ética profissional com o seu cotidiano de trabalho junta a população?

“O trabalho do Assistente Social deve ter como essencial no respeito as pessoas, o sigilo profissional deve estar sempre presente, atender a todos que procuram o serviço do assistente social, mesmo que não seja demanda da instituição’’ (AS. CRAS).

Refletindo sobre o que o profissional expôs com relação à ética profissional, percebe-se que há uma preocupação constante em materializar os fundamentos do código de ética com seu cotidiano de trabalho, quando este fala que procura atender a todos, mesmo que sua carga horária de trabalho já esteja ultrapassada significa que este profissional tem compromisso com a população, não havendo restrições no atendimento, nem também discriminação social, assim como preconiza o código de ética.

Vale ressaltar que a instrumentalidade da profissão do serviço social e a dimensão ética-política devem estar em constante sintonia e refletida para que assim a profissional não caia nas teias só conservadorismo e do tecnicismo, tão presente na trajetória histórica do serviço social.

E deste compromisso político com a população usuária que as ações profissionais vai-se ‘’constituindo como respostas as demandas institucionais as quais o profissional esta inserido.

2.3. Dimensão Técnica – Operativo

Neste ultimo eixo da pesquisa sobre a atuação do assistente social no CRAS de Tauá-CE, objeto de estudo, busca-se o aprofundamento ao problema proposta para a discussão que é analisar de que maneira ocorre a intervenção do assistente social no Centro de Referencia da Assistência Social.

Para realização deste estudo procuramos relacionar as três dimensões: ético-político, teórico-metodológico, e técnico-operativo, como forma de articular teoria e pratica.

Essas três dimensões e competências nunca poderão ser desenvolvidas separadamente caso, contrario, cairemos nas armadilhas da fragmentação e da despolitização, tão presentes no passado histórico do serviço social (CARVALHO & IAMAMOTO, 1991)

Porém é na dimensão técnico-operativa que o profissional irá desenvolver seu conhecimento através de técnicas que permitam ao mesmo desenvolver suas ações profissionais junto a população usuária e a instituição onde esta inserido estas técnicas utilizadas vão alem de visitas domiciliares, laudos e pericias, fazendo parte de um conjunto de atitudes, posturas, frente ao seu usuário, tendo sempre como referencia o projeto ético-político da profissão.

Neste sentido, com relação à pesquisa quando perguntamos ao sujeito desta pesquisa sobre os instrumentos e técnicas utilizadas para desenvolver seu trabalho, este nos responde:

“Relatórios de casos, estudos sociais, parcerias sociais, cadastro de adolescentes para cursos e intervenção, diário de campo, planejamento semanal, relatórios qualitativos semestral e anual, censo, SUAS, links de informática, encaminhamentos para beneficio”. (AS. CRAS).

Conhecer os instrumentos de trabalho do assistente social utilizados no cotidiano de sua pratica é importante para que possamos relacionar a teoria adquirida no decorrer do curso e através de leitura constante de materiais que nos traz a realidade a tona, com a pratica profissional observada durante o estagio supervisionado. A instrumentalidade, portanto também é um objeto de mediação, ao ser considerada como uma particularidade da profissão, dado por condições objetivas e subjetivas e portanto, sócio, históricas.

Reconhecer a instrumentalidade como mediação significa tomar o serviço social como totalidade constituída de múltiplas dimensões: técnico-instrumental, teórico-intelectual, ético-político e formativa a instrumentalidade como uma particularidade e como tal, campo de mediações que porta a capacidade tanto de articular estas dimensões quanto de ser o conduto pelo quais as mesmas traduzem-se em respostas profissionais.. (GUERRA, 2000, p.12)

Observa-se que a demandas relativa institucional, requer a utilização de vários instrumentos, sempre levando em consideração os aspectos relacionados a garantia de direitos de seus usuários, respondendo as legislações vigentes.

Para finalizar a pesquisa perguntamos quais os avanços e desafios no cotidiano de trabalho no Centro de Referencia da Assistência Social?

Avanços: é o reconhecimento da população usuária, em especial das famílias pelo nosso trabalho.

Desafio: o maior desafio é conquistar uma maior parceria com a sociedade, no sentido de enfrentar os casos de violência que existe no município (AS. CRAS).

Com base no que foi exposto na pesquisa pode-se concluir que o profissional do serviço social do CRAS de Tauá-CE é um profissional que busca realizar sua intervenção da melhor maneira possível, embora ainda encontre algumas dificuldades a falta de conscientização e parceria da sociedade no intuito de diminuir os números de violência que existe no município, falta de alguns profissionais que compõem o quadro técnico da instituição, porém nem por isso deixa de realizar o seu trabalho, visando o bem estar dos direitos estabelecidos em lei e que por muitas vezes não são cumpridos por falta de interesse de alguns profissionais .

3. Considerações Finais

A pesquisa realizada proporcionou um maior aprofundamento sobre à pratica profissional do assistente social, nos colocando frente a frente com a realidade da profissão, no entanto não podemos dizer que já sabemos de tudo, pois a pratica profissional é um processo continuo e dinâmico, que requer um constante aprimoramento e uma permanente atualização para oferecer respostas aos temas sociais e as novas questões que envolvem a gestão das políticas sociais, além do mais a pratica profissional é uma habilidade pessoal que cada profissional desenvolve no se cotidiano de trabalho. Cada profissional tem sua maneira de realizar sua intervenção, o que importa é que está esteja em constante sintonia, com o projeto ético-político da profissão.

Na sociedade em que vivemos, as exigências do mercado de trabalho requerem profissionais dotados de conhecimentos e competências teórico-metodológicos, técnicas-operativas e ético-político. Capazes de dar respostas as contradições que o sistema vigente nos impõe, levando em consideração o processo histórico e contextual e das superações do imediatismo que por muitas vezes, ou por circunstâncias adversas o profissional tende a realizar seu trabalho.

Com relação, a prática profissional do assistente social, objeto de estudo, deste trabalho, e de acordo com o que foi observado durante o período de estagio supervisionado e com o que nos foi colocado diante das respostas obtidas, através do questionário, pode-se então concluir que há uma relação com os princípios estabelecidos no código de ética no cotidiano profissional, não havendo limitações para o exercício profissional no que diz respeito ao atendimento da demanda institucional.

4. Referências Bibliográficas

GUERRA, Yolanda. Instrumentalidades no Trabalho do Assistente Social. Capacitação em Serviço Social e Políticas Sociais: Módulo IV: O trabalho do Assistente Social e as Políticas Sociais. Brasília: CFESS/ABEPSS/CEAS/UNB, 2000. P.52-63

IAMAMOTO, Marilda Villela; CRAVALHO, Raul. Relações Sociais e Serviço Social no BRASIL: Esboço de uma Interpretação Metodológica. São Paulo. Cortez, 1991

LUCAKS, J. Introdução a uma estética marxista. 2ª Ed. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 1978.

PONTES. Reinaldo Nobre. Mediação e Serviço Social. 5ª Ed. São Paulo. Cortez, 1995.

APÊNDICE

APÊNDICE A – Questionário

1) Quais os conhecimentos ou exigências foram necessários para desenvolver seu trabalho de forma que possa garantir os direitos da população?

2) Fale sobre seu o aprimoramento profissional?

3) Descreva sua rotina diária de trabalho?

4) Como você relaciona os princípios do código de ética e do projeto profissional com o cotidiano da profissão?

5) O que é instrumentalidade?

6) Quais instrumentais de trabalho são utilizados pelas Assistentes Sociais?

7) De que forma é possível pensar os instrumentos de trabalho do Assistente Social?

8) Como é conduzida a ação do Assistente Social a partir da utilização de instrumental técnico específico?

9) Qual o valor atribuído pelos profissionais ao instrumental utilizado?

10) Quais as representações que esses profissionais têm do instrumental face às ações profissionais específicas?

11) São eficazes as respostas às demandas e/ou necessidades apresentadas pelos usuários?

12) Como o modo operativo responde a demanda?

13) O instrumental utilizado permite aos profissionais uma reflexão crítica-investigativa?

14) Possibilitam a garantia da cidadania dos usuários dos serviços sociais?

15) Existe a necessidade de se repensar instrumentos, métodos e técnicas condizentes às atuais demandas da sociedade?

16) Quais os avanços e desafios no cotidiano de trabalho no Centro de Referencia da Assistência Social - CRAS?