Trabalho Completo PROBLEMA DE PESQUISA OBJETIVOS E HIPÓTESES

PROBLEMA DE PESQUISA OBJETIVOS E HIPÓTESES

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Categoria: Outras

Enviado por: fabioufu 21 agosto 2013

Palavras: 5416 | Páginas: 22

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA

PROBLEMA DE PESQUISA OBJETIVOS E HIPÓTESES

UBERLÂNDIA

2011

APRESENTAÇÃO DE SEMINÁRIOS

DISCENTES: Ana Carolina Bernardes

Fábio Saraiva

Marianna Costa Silva Mota

Sabrina Rafaela Pereira Borges

Wathson Luiz Ferreira Machado

DOCENTE: Márcio Pimenta

CURSO: Administração Integral

TURMA: B

SALA: 3Q 303

A IMPORTÂNCIA DE UMA PESQUISA E AS SUAS CATEGORIAS E ESCALAS

Toda pesquisa parte de um problema, ou seja, de uma dúvida em que o principal objetivo ao se fazer uma pesquisa sendo ela científica ou não, é sanar justamente essa dúvida. Mas o que é esse problema? Qual a sua fonte? Como encontrar a solução? E onde se situa a incerteza em relação ao problema?

Por meio deste trabalho procuramos mostrar um pouco mais desse assunto e dessas principais questões.

O que é pesquisa? Procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa é desenvolvida mediante o concurso dos conhecimentos disponíveis e a utilização cuidadosa de métodos, técnicas e outros procedimentos científicos (. . . ) ao longo de um processo que envolve inúmeras fases, desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados.

Primeiramente precisamos definir o que seria problema. Na ciência “problema é qualquer questão não solvida e que é objeto de questão, em qualquer domínio do conhecimento” (GIL, 1999, p. 49). Problema para Kerlinger (1980, p.35), “é uma questão que mostra uma situação necessitada de discussão, investigação, decisão ou solução”. Simplificando, problema é uma questão que a pesquisa pretende responder. Todo o processo de pesquisa irá girar em torno de sua solução. Um dos conceitos mais usados é o de que problema é uma questão que dá margem a hesitação ou perplexidade, por difícil de explicar ou resolver. Para outros, o problema é algo que provoca desequilíbrio, mal-estar, sofrimento ou constrangimento às pessoas. Contudo esses problemas podem ser de diferentes formas, por exemplo, um problema científico (Qual a composição da atmosfera?), um problema social (Será que a propaganda de cigarro pela TV induz ao hábito de fumar?) ou um problema de valor (Qual a melhor técnica psicoterápica?). Em especial trataremos do problema científico.

Quando se trata de conceituar o que é um problema de pesquisa, é preciso levar em conta de antemão que nem todo problema é passível de tratamento científico. Isto significa que, para realizar uma pesquisa é necessário, em primeiro lugar, verificar se o problema cogitado se enquadra na categoria de científico. Sendo peça fundamental neste processo, a definição do Problema de Pesquisa é um passo que a primeira vista pode parecer simples e fácil, mas no decorrer do caminho se apresenta cheio de mistérios e complexidades.

Um problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser testadas, observadas, manipuladas.

Um problema de pesquisa pode ser determinado por razões de ordem prática ou de ordem intelectual.

São inúmeras as razões de ordem prática e intelectual que conduzem à formulação de problemas de pesquisa. Apenas com o objetivo de ilustrar o universo de possibildades que pode se descortinar em relação a este tema, apresenta-se abaixo algumas definições e exemplos de problemas de ordem prática e de ordem intelectual.

Exemplo de problema de pesquisa: Qual a causa da enxaqueca? Qual a origem do homem amerciano?

Formulação de um problema científico

Interesses dependem dos valores sociais do pesquisador (de que gênero, raça, religião, etc) e dos incentivos sociais (sofisticar técnicas empregadas).

a) De ordem prática:

Para subsidiar determinada ação. Ex: conhecer o perfil do consumidor de determinado produto para decidir acerca da propaganda a ser feita.

Para avaliar certas ações ou programas. Ex: efeitos de um determinado programa governamental na diminuição da população fumante.

Para avaliar conseqüências de várias alternativas possíveis. Ex: que sistema de avaliação de desempenho seria o mais adequado para o pessoal de uma determinada empresa.

Para prever acontecimentos com o objetivo de planejar uma ação adequada. Ex: como a construção de uma rua poderá afetar a vida de determinada área rural.

b) De ordem intelectual:

Para explorar um objeto pouco conhecido. Ex: quando Freud estudou o inconsciente.

Para determinar mais especificamente como um fenômeno ocorre ou como pode ser influenciado por outros fenômenos. Ex: como fatores não econômicos influenciam a motivação para a compra. Cultura? Gênero?

Para testar uma teoria específica. Ex: teoria da carência materna de Bowlby – que tipo de crianças são mais afetadas?

Para descrever fenômenos. Ex: quais as principais características da população de Taguatinga que compra carros?

Problemas de ordem prática

Direcionados para respostas que ajudem a subsidiar ações.

Exemplo: empresa do ramo de cosméticos deseja saber o perfil de seus consumidores, com vistas a lançamento de um novo produto.

Direcionados para a avaliação de certas ações ou programas.

Exemplo: efeito de uma determinada campanha de esclarecimento sobre os perigos do cólera.

Direcionados a verificar as consqüências de várias alternativas possíveis.

Exemplo: professor está interessado em identificar que sistema de aula seria o mais adequado para determinada disciplina.

Direcionados à predição de acontecimentos, com vistas a planejar uma ação adequada.

Exemplo: Petrobrás está interessada em verificar em que medida a construção de uma planta de gasolina poderá concorrer para a deterioração ambiental de uma determinada área.

É possível ainda considerar como problemas de interesse prático, embora mais próximos dos problemas de interesse intelectual, aqueles referentes a muitas pesquisas que são realizadas no âmbito dos cursos universitários de graduação. Esses problemas servem, normalmente, para um treinamento do aluno na elaboração de projetos de pesquisa.

Problemas de ordem intelectual

Direcionados para a exploração de um objeto pouco conhecido.

Exemplo: o Design Social na PUC-Rio

Direcionados para áreas já exploradas, com o objetivo de determinar com maior precisão e apuro as condições em que certos fenômenos ocorrem e como podem ser influenciados por outros.

Exemplo: a violência nos grandes centros urbanos.

Direcionados para a testagem de alguma teoria específica.

Exemplo: pesquisador, a partir de um grupo de crianças de faixa etária entre 0 a 14 anos, dispõe-se a verificar até que ponto a teoria piagetiana sobre os estádios de desenvolvimento infantil pode ser ou não comprovada.

Direcionados para descrição de um determinado fenômeno.

Exemplo: traçar o perfil dos alunos do Departamento de Artes da PUC-Rio.

Vários teóricos contribuíram ao longo do tempo para o entendimento desse tipo de problema, mas um dos mais importantes foi o pesquisador Kerlinger em 1980, que propõe a seguinte frase “para entendermos um problema científico primeiramente devemos considerar aquilo que não é”. Para entender um pouco melhor essa frase vamos a um exemplo de um problema: Como fazer para melhorar a educação dos brasileiros? Esse é um problema não muito científico, pois para pesquisá-lo não é necessário um método científico. Nesse caso a contribuição da ciência seria de apenas fornecer sugestões de possíveis respostas a esse problema. Problemas como esse não trazem uma explicação de como são as coisas, mas nos fazem pensar em como deveríamos fazer.

O ser humano está sempre em busca de um maior entendimento de questões postas pelo real, ou ainda a busca de soluções de seus próprios problemas, como por exemplo, um gerente que quer melhorar a satisfação de seus clientes. Esse gerente só conseguirá resolver o seu problema numa determinada empresa por meio de uma pesquisa, cujo objetivo seja verificar a origem desse problema e o que fazer para solucioná-lo.

Há duas grandes categorias da pesquisa que se relacionam: uma das categorias tem como objetivo preencher os espaços vazios do conhecimento, e por isso, esse tipo de pesquisa aumenta o saber humano, sendo assim chamada de pesquisa fundamental. A outra categoria de pesquisa tem como objetivo resolver um problema que está presente em nossa sociedade ou em nosso meio, para isso, essa pesquisa tem que aplicar conhecimentos já disponíveis para a solução de problemas, sendo então chamada de pesquisa aplicada. Essa última categoria pode contribuir para ampliar a compreensão do problema ou trazer o surgimento de novas questões para se discutir.

Se tratando do problema de pesquisa é importantíssimo ressaltar as diversas escalas que a contém. Por exemplo, para especialistas ou pesquisadores profissionais, o seu objeto de pesquisa é mais delimitado, pois eles já possuem saber e experiências acumuladas. Eles costumam fazer uma pesquisa fundamental, mas podem fazer também uma pesquisa aplicada. Se analisarmos outra escala teremos, por exemplo, um aluno que possua um problema de orientação escolar, onde esse aluno irá utilizar seus conhecimentos, dados e formulação de hipóteses. Esse último exemplo pode ser considerado uma pesquisa tão científica quanto o do primeiro, pelo fato de se aplicar o mesmo método de investigação, porém em uma escala diferenciada.

Não são problemas científicos (segundo Kerlinger, 1980):

- Problemas de engenharia  como fazer algo de maneira eficiente. A ciência responde apenas de forma indireta. Exs: “Como fazer para melhorar os transportes urbanos?”, “Como aumentar a produtividade no trabalho?”

- Problemas de valor  aqueles que indagam se algo é bom ou mau, desejável ou indesejável, certo ou errado, melhor ou pior, se algo deve ou não ser feito. Exs: “Os pais devem dar palmadas nos filhos?”, “Qual a melhor técnica para a propaganda?”

A ESCOLHA DO PROBLEMA

Critérios para Escolha do Assunto

Da parte do pesquisador:

• Tendências e preferências pessoais – gosto pessoal

• Aptidão – formação cultural adequada

• Tempo – tempo disponível e tempo necessário

• Recursos materiais – “querer é poder” não se aplica no sentido absoluto.

Da parte do próprio assunto:

• Relevância – amadurecimento cultural e contribuição

Fontes de Assuntos

• Vivência – leituras, conversações, problemas, dúvidas, questionamentos pessoais, reações a hipóteses.

• Polêmicas – tem alguma relevância –hipóteses insuficientemente comprovadas

Reflexão – ver problema onde o homem comum vê apenas fatos sem problema – A reflexão suscita dúvidas reais ou metódicas; a dúvida define, circunscreve e delimita um problema digno de ser esclarecido

Muitos fatores determinam a escolha de um problema de pesquisa. Para pesquisadores o ideal é fazer as seguintes perguntas: O problema é original? O problema é relevante? Por mais que seja bem interessante, é bom pra mim? Tenho possibilidades reais para executar tal pesquisa? Existem recursos financeiros que viabilizarão a execução do projeto? Terei tempo suficiente para investigar tal questão?

O problema será relevante em termos científicos quando propiciar conhecimentos novos na área de estudo, e em termos práticos, a relevância refere-se aos benefícios que sua solução trará para a humanidade, país, área de conhecimento, etc. A oportunidade de pesquisa: você escolhe determinado problema considerando a possibilidade de obter prestígio ou financiamento.

Ao se deparar com uma pesquisa as primeiras coisas a fazer são: a escolha do problema e qual é o seu tema. Após isso, é necessário começar as interrogativas: Por que pesquisar? Qual a importância do fenômeno a ser pesquisado? Que pessoas ou grupos se beneficiarão com os seus resultados? Sendo que, o pesquisador desde a escolha do problema recebe influência do seu meio cultural, social e econômico. A intenção de uma pesquisa também é um forte aspecto para uma escolha, dentre elas a da relevância. Um problema será relevante à medida que conduzir à obtenção de novos conhecimentos. Sendo que para isso o pesquisador deverá fazer um levantamento bibliográfico para se ter certeza que a sua contribuição é realmente nova. A relevância prática do problema está nos benefícios que podem decorrer de sua solução. Enquanto que a relevância social de um problema está diretamente relacionada aos valores de quem a julga, pois, o que pode ser relevante para um pode não ser para outro.

A escolha do problema não é determinada apenas pela relevância, outro aspecto que contribui também é oportunidade que aparece, por exemplo, em entidades que favorecem financiamento para pesquisas em determinada área. A partir do momento que um pesquisador escolhe um problema, ele está comprometido em uma organização e tem que pesquisar o que lhe é sugerido, ou de forma autônoma, em relação aos padrões culturais e ideologias que criam certo engajamento na seleção do problema. Assim, se cada pesquisador pegasse um mesmo problema, iriam se orientar numa direção diferente, pois eles possuiriam ideologias diferentes. Se perguntássemos para várias pessoas a principal causa dos divórcios hoje em dia (sendo este um caso de problema de pesquisa), cada uma logicamente responderiam de uma forma diferente, algumas colocando a sua opinião, dizendo, por exemplo, que o casamento é a principal causa do divórcio e que por isso deveria extingui-lo, uns colocariam o motivo da fé “o casamento é uma instituição divina cujos laços não deveriam jamais ser rompidos”, enquanto outros usariam uma visão mais voltada a uma pesquisa científica que ouviu falar, ou que ele mesmo já constatou, sem colocar uma opinião ou valor: “o aumento da diferença amorosa entre conjugues é o que causa o divórcio”. Conclui-se então que um problema de pesquisa não se pode solucionar pelo uso do senso comum, mas sim pela conquista de informações para compreendê-lo e resolvê-lo, sendo que se utilize de fatos verdadeiros e lógicos, pois, não tem como responder a dúvida do futuro da humanidade (por exemplo, como será o fim do mundo?).

Ouvimos muitas vezes falar em modismo, onde pessoas passam a seguir a tendência, a usar as roupas que a maioria anda usando. Contudo não imaginávamos que esse modismo também pode estar presente na escolha de um problema de pesquisa. Quando em países mais desenvolvidos são realizadas com sucesso investigações em determinada área, verifica-se a tendência para replicá-las em outros países. Por outro lado quando um assunto é bastante discutido na mídia, como as eleições; ou assuntos polêmicos como o aborto, são tipos de problemas que chamam mais atenção aos pesquisadores sociais.

COMO FORMULAR UM PROBLEMA

A formulação de um problema tem relação com as indagações: como são as coisas? Quais as suas causas? E quais as suas conseqüências?

Formulação do Problema - Enfoques:

• Positivista – relações entre os fenômenos sem aprofundar nas causas.

• Fenomenológico – significado e intencionalidade.

• Dialético – aspectos históricos, as contradições, as causas.

Naturalmente, não há receitas para isso. Constrói-se um problema de pesquisa de muitas e muitas formas diferentes. Além disso, construir um problema de pesquisa não corresponde simplesmente a “descobrir a questão” e a escrever. É um processo de elaboração que pode se desenvolver em várias fases diferentes da própria pesquisa – evoluindo na medida em que estudamos autores, fazemos pré-observações e pensamos metodologicamente sobre como abordar nosso “objeto”. Primeiro, escreva tudo o que você já sabe sobre o tema de seu interesse. Inclua aí dados de experiência prática, observações casuais que tenha feito sobre o objeto que lhe chama a atenção, leituras recentes, leituras ad-hoc (ou seja – feitas já em decorrência de estar pretendendo elaborar uma proposta sobre esse tema). Não se esqueça de incluir, é claro, aquelas idéias fulgurantes, as “sacações” referidas acima (se existirem – mas lembrando que não são necessárias).

Segundo Cohen E Nagel (1934) em suas pesquisas, afirmam que “a capacidade de formular problemas poderia ser comparada ao sinal do gênio científico”. Esses autores apresentaram algumas regras que são úteis para a formulação do problema. Segundo eles:

*O problema deve ser formulado como uma pergunta. Por exemplo, Que estratégias de ensino são adotadas nas escolas de 2ºgrau?. É possível que você tenha no seu elenco de perguntas algumas do tipo “sim/não”. São aquelas questões que oferecem apenas uma possibilidade binária exclusiva de resposta: ou uma coisa, ou outra. É raro (embora não impossível) que essas perguntas sejam bom eixo de pesquisa. Primeiro porque, quando as respostas são tão dramaticamente contrapostas, já temos uma preferência por uma das alternativas (o que nos remete às perguntas com respostas prontas). Depois, porque a realidade sociocultural e o sentido das coisas dificilmente são tão simplificados para permitir dualidades mutuamente excludentes. Alternativamente: ou a contraposição é justamente simples – e não exige pesquisa; ou é caso antes de tomada de posição que de busca de conhecimento – e não exige pesquisa. Assim, se você tem alguma pergunta deste tipo, antes de jogar fora, procure derivar dela perguntas mais sutis ou complexas, perguntas de tipo “Como?” – que se mantêm abertas, pois podemos encontrar diversos “como” em vários níveis (ou seja, diferentes modos e formas de um processo ou fato). Ou ainda, tente perguntas como: “que diferenças podem ser percebidas [em alguma coisa que parece em geral monolítica]?”. E ainda: “que semelhanças podemos encontrar [em coisas que parecem diferentes ou isoladas entre si]?”. É claro que perguntas deste tipo dependem de que a gente já esteja desconfiado das diferencialidades (ou das similaridades, na segunda alternativa). Mas note que a questão não é “Há diferenças internas na situação dada como monolítica?” (resposta “sim ou não”). Procurar as diferenças decorre da prévia perspectiva do “sim” – e a busca será de “quais?”, questão aberta à descoberta. No decorrer do processo, é possível que você tenha a tendência de reformular algumas perguntas, de criar outras, de substituir alguma coisa. Sinta-se à vontade: as perguntas são suas.

*O problema deve ser limitado a uma dimensão viável, no exemplo acima, o pesquisador deveria escolher uma ou no máximo duas estratégias para a abordagem em seu estudo, e sempre procurando assuntos que não tenham muitos estudos a respeito.

*O problema deve ter clareza. O problema não pode ser solucionado se não for apresentado de maneira clara e precisa. Com freqüência, problemas apresentados de forma desestruturada e com erros de formulação acarretam em dificuldades para resolvê-los. Por exemplo, "como funciona a mente do designer?". Este problema está inadequadamente proposto orque não está claro a que se refere. Para solucionar o impasse, deve-se partir para uma das muitas e possíveis reformulações à pergunta inicial: "Que mecanismos psicológicos podem ser identificados no processo de projetar, vivido pelo designer?". Pode ocorrer também que algumas formulações apresentem termos definidos de forma não adequada, o que torna o problema carente de clareza. Seja, por exemplo, "A abelha possui inteligência?". A resposta a esta questão depende de como se define inteligência. Muitos problemas deste tipo não são passíveis de solução porque empregam termos retirados da linguagem cotidiana que, em muitos casos, são ambíguos.

*O problema deve ser preciso. Por exemplo, se uma pesquisa tem como objetivo estudar alunos com baixo nível de socialização urbana torna-se necessário conferir maior precisão ao conceito.

*O problema deve apresentar referências empíricas. Para as ciências sociais é comum se obter respostas para problemas que envolvem juízos de valor. Problemas do tipo “O casamento é bom?”. Que indagam acerca do certo e do errado das coisas, tornando muito difícil testá-los empiricamente. À medida que se pretende estudar um fenômeno cientificamente, é necessário afastar os juízes de valor. Os problemas científicos não devem referir-se a valores, percepções pessoais, mas a fatos empíricos.. É bastante complexo investigar certos problemas que já trazem em si uma carga muito grande de juízos de valor. Por exemplo, “a mulher deve realizar tarefas tipicamente masculinas?” ou “é aceitável o casamento entre homossexuais?”. Estes problemas conduzem inevitavelmente a julgamentos morais e, conseqüentemente, a considerações subjetivas, invalidando os propósitos da investigação científica, que tem a objetividade como uma das mais importantes características.

* O problema deve ser suscetível de solução:Deve ser possível a coleta dos dados necessários a sua resolução. É preciso ter domínio da tecnologia adequada a sua solução. Exemplo de problema difícil para se coletar dados: “Ligando-se o nervo óptico às áreas auditivas do cérebro, as visões serão sentidas auditivamente?”

OS OBJETIVOS DE UMA PESQUISA

Definição de Objetivos

A especificação do objetivo de uma pesquisa responde às questões para quê? e para quem?

Os objetivos de um trabalho englobam as seguintes partes:

Tema

É o assunto que se deseja pesquisar ou desenvolver. Pode surgir de uma dificuldade prática enfrentada pelo pesquisador, de sua curiosidade científica, de desafios encontrados na leitura de outros trabalhos ou da própria teoria etc. O tema também pode ter sido "encomendado" por instituições, grupos sociais, etc., o que não lhe tira o caráter científico.

Delimitação do Tema

Dotado necessariamente de um sujeito e de um objeto, o tema passa por um processo de especificação. O processo de delimitação do tema só é dado como concluído qunado se faz a limitação geográfica e espacial do mesmo, com vistas à realização da pesquisa.

Objetivo Geral

Está relacionado a uma visão global e abrangente do tema. Relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenômenos e eventos, quer das idéias estudadas. Vincula-se diretamente à própria significação da tese proposta pelo projeto.

Objetivos específicos

Apresentam caráter mais concreto. Têm função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objetivo geral e, de outro, aplicar este a situações particulares.

Os objetivos, assim, são justamente a construção das metas necessárias para se transformar as respostas hipotéticas em respostas reais, concretas. Eles são as metas a serem cumpridas para se responder definitiva ou ao menos mais embasadamente ao problema da pesquisa. Os objetivos seriam, assim, o mapa da mina, sendo que quando forem atingidos, consequentemente você já terá as respostas finais, que comprovam ou negam as hipóteses anteriormente formuladas, de forma que poderá escrever sua monografia ou seu TCC com mais propriedade. Em seguida, temos a metodologia da pesquisa. Tal como o próprio nome já diz, a metodologia é a receita que usaremos para conseguir cumprir os objetivos propostos, sendo estes usados na construção conceitual da monografia. Assim, em um projeto de pesquisa, a metodologia sempre é voltada para o futuro, sendo realizada durante a pesquisa que desembocará nas monografias ou no TCC.

Os passos metodológicos são, justamente, o plano traçado para se conquistar os objetivos, que responderão, confirmando ou negando as hipóteses, às perguntas suscitadas pelo problema da pesquisa.

Como vimos, é impossível pensar em um elemento da pesquisa totalmente separado dos demais já que ambos são naturalmente interligados. Esses laços são instintivos para todos os alunos, que se confundem muitas vezes por não conseguirem separar cada um deles, mas menos mal, ao ler mais claramente, nos artigos próprios de cada um, indicados nos links acima, poderá ver com mais clareza e terá sucesso em sua pesquisa para o TCC, a monografia ou sua dissertação de mestrado.

AS HIPÓTESES DE UMA PESQUISA

O que são hipóteses?

Hipóteses são soluções colocadas como respostas plausíveis e provisórias para o problema de pesquisa. As hipóteses são provisórias porque poderão ser confirmadas ou refutadas com o desenvolvimento da pesquisa. Um mesmo problema pode ter muitas hipóteses, que são soluções possíveis para a sua resolução. A hipótese define até onde você quer chegar e, por isso será a diretriz de todo o processo de investigação. A hipótese é sempre uma afirmação, uma resposta possível ao problema proposto. As hipóteses podem estar explícitas ou implícitas na pesquisa.

Vários são os conceitos de hipóteses, enumerados por Lakatos (1991).

“Hipótese é uma proposição enunciada para responder, tentativamente a um problema” (Pardinas).

“A hipótese de trabalho é a resposta a um problema para cuja solução se realiza toda a investigação” (Bourdon).

“A hipótese é uma proposição antecipatória à comprovação de uma realidade existencial. É uma espécie de pressuposição que antecede a constatação dos fatos. Por isso se diz também que as hipóteses de trabalho são formulações provisórias do que se procura conhecer e, em conseqüência, são supostas respostas para o problema ou assunto da pesquisa. (Trujillo).

É razoável dizer que uma pesquisa se caracteriza como “um trabalho de investigação para confirmar ou infirmar uma hipótese”. O processo do lampejo seria o seguinte. Trabalhamos com um assunto qualquer (por exemplo, questões referentes à estética publicitária, ou à violência na TV, ou...). Observamos o que as pessoas fazem e dizem, lemos a respeito. De repente percebemos perspectivas que aparentemente ninguém parece ter – é a nossa “sacação”. Como estamos pretendendo fazer uma pesquisa, a forte tendência é tomar essa idéia como nossa “hipótese” – propomos “pesquisar para ver se é ou não verdadeira”.

Requisitos para formulação das Hipóteses.

Os requisitos segundo Benge, citados por Lakatos (1991).

- A hipótese deve ser formalmente correta e não se apresentar “vazia” semanticamente.

- A hipótese deve estar fundamentada até certo ponto, em conhecimento anterior, caso contrário, volta a inspirar o pressuposto já indicado de que deve ser compatível, sendo completamente nova em matéria de conteúdo, com o corpo do conhecimento cientifico já existente.

Importância das Hipóteses

- São instrumentos de trabalho da teoria, pois novas hipóteses podem dela ser deduzidas.

- Podem ser testadas e julgadas como provavelmente verdadeiras ou falsas.

- Dirigem a investigação indicando ao investigado o que procurar ou pesquisar.

Função das Hipóteses

- Dirigir o trabalho do cientista, constituindo-se em princípio de invenção e progresso, à medida que auxilia de fato a inaugurar os meios a aplicar e os métodos a utilizar no prosseguimento da pesquisa e na tentativa de se chegar à certeza (hipótese preditiva ou

anti-factum).

- Coordenar os fatos já conhecidos, ordenando os materiais acumulados pela observação.

Aqui, a inexistência de uma hipótese levaria ao amontoamento de observações estéries (hipótese preditiva ou explicativa, post-factum).

Características das hipóteses:

*Consistência Lógica: Os enunciados das hipóteses não podem ter contradições e deve ter compatibilidade com o corpo de conhecimentos científicos;

*Verificabilidade: devem ser passíveis de verificação;

*Simplicidade: devem ser parcimoniosas evitando enunciados complexos;

*Relevância: devem ter poder preditivo e/ou explicativo;

*Apoio Teórico: devem ser baseadas em teoria para ter maior probabilidade de apresentar genuína contribuição ao conhecimento científico;

*Especificidade: devem indicar as operações e previsões a que elas devem ser expostas;

*Plausibilidade e clareza: devem propor algo admissível e que o enunciado possibilite o seu entendimento;

*Profundidade, fertilidade e originalidade: devem especificar os mecanismos aos quais obedecem para alcançar níveis mais profundos da realidade, favorecer o maior número de deduções e expressar uma solução nova para o problema.

Classificação das hipóteses:

Para Lakatos e Marconi a principal resposta é denominada de hipótese básica e esta pode ser complementada por outras denominadas de hipóteses secundárias.

Hipótese Básica:

*É a afirmação escolhida por você como a principal resposta ao problema proposto.

*Pode adquirir diferentes formas, tais como: afirma em dada situação, a presença ou ausência de determinados fenômenos; se refere à natureza ou características de dados fenômenos, em uma situação específica; aponta a existência ou não de determinadas relações entre fenômenos; prevê variação concomitante, direta ou inversa, entre fenômenos, etc.

Hipóteses Secundárias:

*São afirmações complementares e significam outras possibilidades de resposta para o problema. Podem: abarcar em detalhes o que a hipótese básica afirma em geral; englobar aspectos não-especificados na hipótese básica; indicar relações deduzidas da primeira; decompor em pormenores a afirmação geral; apontar outras relações possíveis de serem encontradas, etc.

Como formular hipóteses:

Podem-se usar as seguintes fontes:

-observação

-resultados de outras pesquisas

-teorias

-intuição

Exemplo:

Assunto: Aprendizagem Social

Tema: Imitação de comportamentos

Problema: Quais as conseqüências da imitação de comportamentos?

Hipóteses:

Hipótese Básica: A socialização do indivíduo, ou seja, a interação entre as pessoas de um meio social.

Hipótese Secundária: A formação de pessoas sem personalidades.

CURIOSIDADES

*As interrogações iniciais são as primeiras percepções a respeito de uma situação que causa problema, e que merecia ser questionada. Uma das questões mais intrigantes é a respeito do porquê de alguns se interessarem por um determinado problema, enquanto outros se interessam por outros, ou o porquê de várias pessoas se interessarem pelo um mesmo assunto. A resposta está nas nossas experiências que nos trazem conhecimentos e valores pelos quais temos mais simpatias. Se tratando de conhecimento é importante ressaltar dois fatos existentes: os fatos brutos, que são aqueles que não são objetos de nossa reflexão, como, por exemplo, quando sabemos que a Proclamação da República ocorreu no dia 15 de novembro de 1889. Sendo que esse conhecimento trazido pelo fato bruto é incapaz de nos fazer entender os interesses políticos e econômicos que culminaram na Proclamação da República.

A maior parte do conhecimento que temos vem de fatos construídos e não brutos. Esses fatos construídos são generalizações, ou seja, resultados do relacionamento de diversos fatos brutos. No exemplo dado acima, se um historiador fosse estudar a Proclamação da República, o examinaria em detalhes e fazendo certas conclusões. Essas conclusões seriam fruto da interpretação que é uma generalização que é por si um fato construído.

*Pesquisadores do comportamento, tanto animal como humano, concordam em interpretar um problema ou uma situação problemática como situação de estímulo negativo, de privação, de conflito. A este respeito o psicólogo Skinner diz que na verdadeira situação problemática o organismo não dispõe imediatamente de um comportamento que diminua a privação ou ofereça uma possibilidade de saída para o estímulo negativo. Dermeval Saviani, educador e filósofo, preocupado com a questão dos significados da palavra problema, analisou os seus significados mais frequentes, tais como: questão, obstáculo, mistério, dificuldade, dúvida, coisa de difícil explicação, entre outros. Diz o autor que, apesar do desgaste determinado pelo uso excessivo do termo, a palavra problema possui um sentido profundamente vital e altamente dramático para a existência humana, pois indica uma situação de desarmonia. O conceito de problema implica tanto a conscientização de uma situação de necessidade, o aspecto subjetivo, como uma situação conscientizadora da necessidade, o aspecto objetivo. Saviani lembra que o homem, no processo de produção da sua própria existência, enfrenta necessidades de cuja satisfação depende a continuidade mesma da existência. Este conceito de necessidade é fundamental para se entender o significado primordial da palavra problema. A essência do problema é, pois, a necessidade. Diante do exposto, acredito que uma boa maneira de resolver o problema da palavra "problema" é definir adequadamente o seu conceito, como o fez Saviani. É levar o assunto para discussão em sala de aula e fazer com que o aluno entenda a verdadeira natureza da situação que se denomina "problema" e da importância de superá-la para satisfazer uma necessidade. É típico de uma situação problemática que o indivíduo deseje um resultado que não sabe ainda como conseguir. A verdadeira problematicidade está em não conhecer perfeitamente como deveria proceder. A grande variedade dos tipos de problema pode ser ordenada com o auxílio do critério: bem definido ou mal definido. Um problema está bem definido ou estruturado quando as variáveis que o compõe estão fechadas. Está mal definido quando as suas variáves estão abertas. Reitman (In Bonfim,1977) propôs dividir o problema em três fases: estados iniciais; estados finais e processos de transformação dos primeiros nos últimos. A metodologia se refere precisamente a esses porcessos de transformação. Os estados iniciais e finais podem ser mais ou menos definidos, isto é, as possibilidades de escolha com respeito às finalidades e aos meios podem ser mais ou menos grandes. Daremos alguns exemplos condicionantes (materiais, processos, preços), incluindo uma estimativa de tempo para as diversas etapas e dos recursos humanos necessários.

1.6. Operação: SUBDIVIDIR O PROBLEMA EM SUB-PROBLEMA

Procurar "pacotes" identificáveis de problemas que sejam relativamente independentes entre si. Estabelecer uma árvore de funções, isto é, uma divisão visualizada de funções.

Desmontar um problema nos seus componentes siginifica descobrir os seus sub-problemas. Cada sub-problema tem uma solução ótima que pode porém contrastar com outras soluções de outros sub-problemas.

1.7. Operação: HIERARQUIZAR OS SUB-PROBLEMAS

Procurar funções chaves ou nevrálgicas. Estabelecer uma matriz de interação entre sub-sistemas. Analisar a mútua dependência.

A valorização do "peso" ou matriz de interação serve para estabelecer prioridades no atendimento dos requisitos. Quase sempre os requisitos são antagônicos (a otimização de um fator implica a subotimização de outro fator). A interação dos fatores pode ser representada em forma de matrizes, indicando uma interação positiva, neutra ou negativa.

1.8. Operação: ANALISAR SOLUÇÕES EXISTENTES

Comparar soluções com respeito às suas vantagens e desvantagens. Estabelecer uma tipologia de soluções existentes. avaliá-las segundo uma lista de critérios, como por exemplo: complexidade, custos, fabricação, segurança, precisão, factibilidade técnica, confiabilidade etc.

Citação do artigo de Ivan Sergio Freire de Sousa um Sociólogo, Ph.D. membro da equipe de pesquisa da Secretaria de Administração Estratégica, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“A discussão sobre os condicionantes da pesquisa foi aqui centralizada na problemática que envolve a escolha do problema. O que faz o pesquisador escolher o problema de pesquisa "A" e não o problema "B", "C", ou "D" não se origina apenas de razões internas à ciência. Fatores externos têm também uma forte presença nessa escolha. Essa situação faz com que alguns autores identifiquem o campo científico não apenas pelo seu lado técnico e extremamente especializado, como também pela presença de toda uma rede de interesses. A própria articulação entre o que seja interno e externo em termos de ciência coloca esta distinção em completo desuso, por ser, ao mesmo tempo, incompleta e falsa”.

Conclusão