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Categoria: Outras

Enviado por: Gabriel 15 dezembro 2011

Palavras: 2942 | Páginas: 12

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e cozinhar. A evolução da culinária está ligada à variação do clima, a maior ou menor colheita, ao tempo de guerra ou de paz, pois, tudo isso interfere na vida das pessoas e, conseqüentemente, nos alimentos que elas têm a sua disposição.

A culinária brasileira surge a partir do encontro da cozinha indígena com a cozinha do branco e a cozinha do negro. Essa fusão ocorre após o descobrimento do Brasil, no ano de 1500, ocorrendo um choque dos costumes alimentares dos portugueses, comparados aos costumes indígenas.

Os portugueses ficaram admirados com o biótipo do índio, que demonstrava ser mais saudável comparado ao biótipo dos portugueses, apesar de se alimentarem com trigo e legumes, enquanto os índios consumiam o inhame, as sementes e frutos que das árvores nasciam. (Leal, 1998)

Com a chegada dos escravos após a vinda de Portugal, traz consigo os seus costumes culinários, considerada uma das mais criativas no sentido de tornar o pouco alimento que possuíam em pratos mais sustanciosos para agüentar a rotina diária de trabalho. (Leal, 1998)

Com o passar dos anos, o conceito da culinária evolui, passando do simples processo de preparo do alimento para questão de requinte e sofisticação. De acordo com BARRETO[4] (2004):

Comer, em todas as culturas e civilizações, é mais do que simplesmente garantir a sobrevivência cotidiana. Comer é um ato simbólico cultural, representa um estilo de vida, aprofunda relações familiares e sociais, enriquece o processo de construção do conhecimento, além de ser uma das maiores delícias da existência, talvez apenas superada pelo sexo ou pela amizade.

Em virtude dos fatores biológicos do ser humano que necessita de nutrientes para que possa ser gerada a energia necessária para se manter de pé, CARNEIRO[5] (2003) afirma que a fome biológica distingue-se dos apetites, expressões dos variáveis desejos humanos e cuja satisfação não obedece apenas ao curto trajeto que vai do prato à boca, mas se materializa em hábitos, costumes, rituais, etiquetas.

“ A alimentação é, após a respiração e a ingestão de água, a mais básica das necessidades humanas.”[6]

Visando essa valorização cultural através dos apreciadores da boa gastronomia e da necessidade biológica do ser humano em se alimentar, com um foco empreendedor este projeto propõe a criação de um restaurante que utilize características regionais do município de Manaus como diferencial sobre os demais empreendimentos.

De acordo com MARICATO[7] (2005):

O segmento merece atenção também pela importância na atração de turistas e na satisfação que lhes proporciona. As pesquisas têm sido unânimes: gastronomia e vida noturna são as mais procuradas e melhores atrações dos grandes centros urbanos. Ao tornar a visita do turista mais agradável, os estabelecimentos fazem com que ele fique mais tempo, influenciam em sua decisão de retornar e certamente levam-no a recomendar o país ou, se for turista interno, a cidade.

Para FREUND[8](2005), é quase sempre em torno de uma mesa que pessoas se reúnem para comemorar datas especiais, ou simplesmente se divertir, conversar, exercitar a amizade, namorar. Os bares e restaurantes proporcionam essa possibilidade – a de simplesmente estar alegre, ao lado das pessoas queridas e diante de bons pratos e boa bebida.

Avaliando o mercado de restaurantes na Manaus, de acordo com a pesquisa realizada pela Revista Veja[9] (2008), o município conta com apenas 10(dez) restaurantes na categoria Peixes e Frutos do Mar e apenas 11(onze) na categoria Regional, e conforme a mesma revista na edição de 2009, o número de restaurantes na categoria Peixes e Frutos do Mar passa a ser 11(onze) enquanto na categoria Regional passa a ser registrado 10(dez).

As estruturas físicas dos empreendimentos citados na pesquisa acima são definidas assim: 02(dois) são restaurantes flutuantes e 19(dezenove) são restaurantes com estrutura fixas com vista para o rio ou localizados em áreas urbanas, mas utilizando ornamentos que reproduzam a cultura local.

Buscando inovar o mercado de restaurante no município de Manaus a proposta é fundir o transporte típico regional com a culinária local, visto que o município dispõe de uma extensa beleza natural e uma culinária exótica pouco explorada. Daí a proposta de criar o Barco-Restaurante, um empreendimento que ofertará pratos típicos e durante a refeição realizará um passeio de barco pelo rio do município. Baseando-se que a palavra Restaurante significa restaurar as energias, o barco –restaurante oferece ao cliente duas formar de recuperar as forças: oferecendo boa comida junto a uma fuga do ambiente urbano.

Avaliando o Mercado

Montar um bar ou restaurante, para uns é uma fonte de rendimentos; para outros, um prazer. Por outro lado, os jornais, revistas e até autoridades divulgam continuamente notícias sobre pessoas que tiveram rápido sucesso no ramo, dando a impressão que é fácil montar e administrar estabelecimentos. Infelizmente, esses órgãos nunca dão a mesma ênfase e divulgação às dificuldades e aos fracassos.

Centenas de milhares de brasileiros gostariam de montar seu próprio bar, restaurante ou estabelecimento similar. Muitos já tiveram, estão tendo ou terão essa oportunidade. De acordo com MARICATO[10] 2005, só em São Paulo existem mais de 70 mil “pontos de dose” – locais onde bebidas são vendidas no balcão-, e esse número supera os 750 mil em todo o país. Os bares, restaurantes e similares estão entre os empreendimentos mais numerosos, em meio aos 3 milhões de micro e pequenas empresas do Brasil, muitas das quais funcionam informalmente.

Uma pesquisa da Associação de Bares e Restaurantes Diferenciados (ABREDI) mostrou que, da atual geração de empreendedores, não chegam a 10% os que recebem como herança um estabelecimento em funcionamento. Quase todos os empresários do setor aprendem na prática, em meio a erros e acertos. Muitos adquirem algum conhecimento junto a colegas que estão no ramo a mais tempo, mas como a aprendizagem empírica está na origem de quase todos, os que ensinam também aprenderam na prática diária. Por isso é comum, até nos estabelecimentos de sucesso, criarem-se rotinas ou sistemas viciados ou limitados em um ou mais setores administrativos.

O mercado brasileiro para estabelecimentos diferenciados de melhor nível, no país, pode ser avaliado em cerca de 8 milhões de consumidores – MARICATO 2005[11]. Este é o número aproximado dos que declaram o imposto de renda e eram portadores de cartões de crédito, antes do Plano Real, quando ocorreu a “popularização” dos cartões. Também é, aproximadamente, o número de domicílios que tinham telefone em 1996: 8,6 milhões, ou o número da metade adulta dos 160 milhões de brasileiros considerados ricos (10% da população, que fica com 50% da renda). Nesse período houveram poucas mudanças então os números citados continuam válidos.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 160 milhões de habitantes, 69,6 milhões dos quais possuem uma “ocupação”. Dos que têm ocupação, 29,5 milhões ganham de meio a 2 salários mínimos, o que não lhes permite sequer ser considerados freqüentadores assíduos dos mais humildes botequins; 16,9 milhões recebem de 2 a 5 salários mínimos; 7 milhões de brasileiros têm renda entre 5 e 10 salários mínimos e 10,5 milhões de pessoas trabalham sem nada receber.

Apenas 3,2 milhões têm rendimento entre 10 e 20 salários mínimos, o que já permite a freqüência, vez ou outra, a restaurantes cujos preços são considerados medianos; e somente 1,5 milhão têm renda mensal superior a 20 salários mínimos.

Entre os 3,2 milhões que ganham mais de 10 salários mínimos, há jovens que não são casados e vivem na casa dos pais. Nessas condições, com 10 salários mínimos, já constituem um mercado que merece atenção. Estão sempre disponíveis, com tempo, vontade de se divertir e namorar e algum dinheiro.

Por outro lado, há os que ganham muito mais e repassam aos filhos e esposas, no mínimo, gordas mesadas. Nesse grupo convém destacar os 5% mais ricos, que ganham em média 35 salários mínimos mensais, e 1% da ponta dessa pirâmide, aqueles que detêm 15% da renda nacional.

Embora tais números não possuam exatidão matemática, pode-se reiterar que o mercado regular dos estabelecimentos diferenciados é de aproximadamente 8 milhões de pessoas da população adulta, com margem de erro de 10% a 20%.

Já o mercado dos estabelecimentos médios, mais populares, é constituído pelos 40% mais bem postados na pirâmide social.

Como o próprio IBGE confirma que os jovens até 17 anos constituem 40% da população, e considerando-se que pelo menos 10% é de idosos, doentes e deficientes que preferem não sair de casa, esses 40% constituiriam aproximadamente 34 milhões de pessoas e ficariam com 35% da renda nacional.

Os demais 50% seriam de brasileiros que vivem no limiar da miséria, podendo, quando muito, entrar eventualmente pelas portas de humildes botequins de periferia e estradas.

A preocupação com a distribuição de renda deve ser permanente, para que o mercado possa se desenvolver, ter estabilidade e democracia política, tranqüilidade, justiça social e desenvolvimento econômico.

O mercado para bares e restaurantes diferenciados será um dos mais beneficiados com a distribuição de renda. Nesse setor, com a crise atual, a capacidade ociosa é, certamente, maior do que a da indústria, e supera 50% nos dias úteis da semana.

Quanto mais pessoas ganharem acima do necessário para pagar as despesas fundamentais à manutenção própria e/ou da família (aluguel, plano de saúde, etc.), tantas mais passarão a freqüentar bares, restaurantes e outras opções de lazer. Esta é, inclusive, uma tendência futura do desenvolvimento da humanidade. Bares, como opção de lazer, e restaurantes, para alimentação – ambos como opção de sociabilidade -, serão cada vez mais numerosos e necessários.

O nicho de mercado optado foi o de Gastronomia, por se tratar de uma opção de lazer e uma atividade que atende as necessidades básicas do ser humano. Conforme a pesquisa citada, a sociedade cada vez mais tende a depender da refeição proporcionada fora da sua residência, em virtude da rotina de trabalho. O barco restaurante visa oferecer a refeição agregada ao serviço de passeio de barco, tornado esse passeio o diferencial competitivo da empresa.

O público-alvo será os empresários que procuram locais calmos para efetuar suas negociações e também para os que desejam conquistar uma nova sociedade, famílias, idosos, grupos de turistas com uma renda mensal a partir de 3 salários mínimos.

Atualmente, Manaus conta com 12 restaurantes ( dados da Revista Veja 2009) que oferecem a gastronomia regional, porém todos com estrutura física fixa, e o diferencial do Barco restaurante é quebrar o paradigma da estrutura do restaurante ser apenas um ambiente terrestre, transformando um transporte típico regional em um restaurante, valorizando a cultura local.

Produtos e Serviços

Por se tratar de um empreendimento gastronômico, o produto ofertado será a refeição e agregado a ele será oferecido o serviço de passeio de barco pelas margens do Rio Negro. O Barco restaurante possui também um bar, onde será preparado drinque regional e exótico para os clientes que desejarem conhecer novos sabores.

O Barco Restaurante ofertará aos seus clientes um cardápio que tem como base principal os produtos regionais do Estado do Amazonas como o açaí, o peixe, a mandioca, o buriti, a graviola, o tucumã e também pratos de caráter exótico, como o caldo de piranha. Vale ressaltar que o cardápio não servirá apenas peixe (apesar deste ser o produto principal), mas contará também com carnes e aves.

O ambiente do empreendimento usará decoração que busque valorizar a regionalidade do produto

Descrição dos produtos e serviços a serem ofertados

• Almoço + Passeio de Barco: Este serviço será ofertado da seguinte maneira:

1) Segunda Feira e de Quarta Feira à Sexta Feira no horário de 11:30h às 15:30h

2) Sábados e Domingos no horário de 13:30h às 16:30h.

• Jantar + Passeio de Barco: Este serviço será ofertado da seguinte maneira:

1) Segunda Feira e de Quarta Feira à Sexta Feira no horário de 18:30h às 21:00h

2) Sábados no horário de 13:30h às 16:30h.

• Café da Manhã Regional + Passeio de Barco: este serviço será ofertado da seguinte maneira:

1) Sábado e Domingo no horário de 07:30h às 11:30h.

▪ Espaço para Realização de Eventos: este serviço será ofertado para aqueles que desejam realizar suas confraternizações e eventos para um número pequeno de convidados em pleno Rio Negro.

Bar: este serviço estará disponível para todos os clientes do Barco Restaurante.

Considerações Finais

Sabe-se que o mercado se torna cada vez mais competitivo, sendo necessário criar detalhes, mesmos que mínimos, para serem os diferenciais para escolha entre um empreendimento e outro. A utilização de um transporte regional, atualmente utilizado apenas para transporte de pessoas entre municípios e de cargas, será um notável diferencial, pois agrega dois serviços em um, o fornecimento da refeição e o translado de barco pelas margens do Rio Negro.

Utilizar os recursos hídricos para o trajeto auxilia na execução de uma refeição tranqüila, longe dos ruídos urbanos, que muitas vezes pertubam a degustação dos alimentos.

O empreendimento possui a execução de produtos básicos, como: refeição, café da manhã, jantar. Podendo ser ampliado para realização de eventos em pleno Rio Negro, utilização de Bar e som ao vivo.

É um diferencial bastante audacioso, para aqueles que gostam de inovar e ter a possibilidade de se destacar no mercado.

Referência Bibliográfica

LEAL, Maria Leonor de Macedo Soares. A história da gastronomia. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 1998.

BARRETO, Ronaldo Lopes Pontes. Passaporte para o sabor: tecnologias para a elaboração de cardápios. São Paulo: Ed. Senac São Paulo – 5º ed., 2004.

CARNEIRO, Henrique. Comida e Sociedade: uma história da alimentação. Rio de Janeiro: Elsevier – 5º Reimpressão, 2003.

MARICATO, Percival. Como montar e administrar bares e restaurantes. São Paulo: Ed. Senac São Paulo – 6º ed., 2005.

FREUND, Francisco Tommy. Alimentos e Bebidas: uma visão gerencial. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2005.

BOSISIO, Arthur; LODY, Raul; MEDEIROS, Humberto. Culinária Amazônica: o sabor da natureza. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2000.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. São Paulo: Ed. Atlas – 9º ed., 2007.

Revista Veja Especial Edição Especial, Ano 41, nº 2065, Junho 2008

Revista Veja Especial Edição Especial, Ano 42, nº 2116, Junho 2009

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[1] Acadêmico do 6º período do curso de Turismo do Centro Universitário Nilton Lins. E-mail: alba_mso@hotmail.com

[2] Maria Leonor de Macedo Soares LEAL, A história da Gastronomia, p. 8.

[3] Ibid.

[4] Ronaldo Lopes Pontes BARRETO. Passaporte para o sabor: tecnologias para a elaboração de cardápios, p. 11.

[5] Henrique CARNEIRO. Comida e Sociedade: uma história da alimentação. p.1.

[6] Ibid., p.1.

[7] Percival MARICATO. Como montar e administrar bares e restaurantes. p.10.

[8] Francisco Tommy FREUND. Alimentos e Bebidas: uma visão gerencial. P. 16.

[9] Revista Veja Ed. Especial Guia 2008-2009 O melhor da cidade: Bares e Restaurantes. p. 144-151, p. 158-165.

[10] Percival MARICATO, Como montar e administrar bares e restaurantes, p. 14.

[11] Ibidem, p.15.