Trabalho Completo Práticas Metodológicas Para O Ensino Da Matemática

Práticas Metodológicas Para O Ensino Da Matemática

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Categoria: Ciências Sociais

Enviado por: Jeferson 22 dezembro 2011

Palavras: 5453 | Páginas: 22

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importante para conceder ao aluno o direito de aprender. Não um “aprender” mecânico, muito menos um “aprender” que se esvazia em brincadeiras, mas sim um aprender significativo do qual o aluno participe raciocinando, compreendendo, reelaborando o saber historicamente produzido e superando assim, sua visão ingênua, fragmentada e parcial da realidade.

Para melhor desenvolvimento do trabalho, achou-se conveniente coletar informações de como acontece o ensino de matemática nos primeiros anos do ensino fundamental, local onde o indivíduo começa a formar suas opiniões, para tanto foi colhido informações e depoimentos de professores de uma Escola Municipal, que buscam prevenir e quebrar desde cedo bloqueios que as crianças possam adquirir com relação à disciplina de matemática.

Com o objetivo de estabelecer um comparativo entre o método de ensino de Matemática utilizado nas Escolas Municipais que abrange os primeiros anos do Ensino Fundamental e as formas adotadas pelos professores do Ensino Fundamental e Médio, trouxemos também para este contexto o depoimento de 02 (dois) professores da rede Estadual de Ensino. Nas considerações abordou-se uma discussão entre esse dois paralelos: primeiros anos do ensino fundamental x ensino fundamental/médio e a maneira como os professores absorvem as necessidades de inovação do ensino e como essa abordagem se reflete na prática.

2. O CONHECIMENTO MATEMÁTICO

Uma prática de ensino para ser eficiente precisa desenvolver nos educandos a criticidade, a criatividade e ética, tornando-os autores conscientes de sua história pessoal, de modo que não fiquem alheios aos interesses da coletividade, estimulando-os a compreender e transformar o mundo a sua volta.

Referente ao ensino de matemática, podemos salientar que a referente disciplina é responsável por algumas dificuldades de aprendizagem no sistema escolar. Geralmente, a abordagem da disciplina é feita com certo grau de abstração e descontextualização, contribuindo para que o ensino da Matemática seja considerado uma tarefa difícil.

A constante inovação tecnológica somada ao fácil acessa a componentes eletrônicos acabam atraindo mais o interesse das crianças do que os conteúdos curriculares a elas destinados enquanto alunos. Para Barassul (04-12-2008), fazer com que os alunos busquem a aprendizagem, o interesse e a criticidade nesta disciplina formada de conteúdos com alto nível de abstração, torna-se um desfio e razão de constante inquietude por parte do sistema escolar.

O objetivo de se ensinar matemática é desenvolver o raciocínio lógico, estimular o pensamento independente, a criatividade e a capacidade de resolver problemas. Groenwald e Timm (04-12-2008) salientam que se deve procurar alternativas para aumentar a motivação para a aprendizagem, desenvolver a autoconfiança, a organização, concentração, atenção, raciocínio lógico-dedutivo e o senso cooperativo, desenvolvendo o pensamento e a socilaização a socialização e aumentando as interações do indivíduo com outras pessoas.

Para Campos (04-12-2008), a sala de aula, local privilegiado de interação direta com os alunos, constitui um dos maiores condicionantes da atividade do professor. O grande número de alunos, associado à heterogeneidade dos mesmos, que se manifesta sob diversas maneiras e em diferentes ritmos de aprendizagem, pode tornar extremamente difícil o trabalho do professor.

Observa-se a partir de inúmeros artigos e estudos desenvolvidos que, a didática da Matemática tem a preocupação em elaborar e transmitir os conteúdos básicos de uma maneira eficiente e atualizada, fazendo com que o aluno desenvolva o pensamento lógico, para isso tem-se enfatizado as práticas metodológicas, com o objetivo de oferecer aos discentes uma escola que os integrem às novidades do mundo moderno, tornando-os capazes de dominar as tecnologias existentes.

3 PRÁTICAS METODOLÓGICAS

Ao longo do tempo observou-se que o ensino de matemática vinha se distanciando dos contextos práticos e tomando formatos sistemáticos, estabelecendo formas, regras rígidas e generalidades para estudo em sala de aula, passando a fazer parte do conhecimento humano de forma desvinculada da realidade. Nos últimos anos muito se tem feito para ensinar matemática de forma contextualizada, voltado à realidade e convivência dos alunos.

Para tanto, vem sendo valorizado muitas metodologias, estudadas e desenvolvidas para diminuir o impacto que a matemática causa na vida acadêmica dos alunos conseqüentemente aumentar o interesse dos discentes, bem como a eficácia na transmissão e absorção desse conhecimento. Algumas tendências como: resolução de problemas; modelagem matemática, etnomatemática; jogos na educação matemática, entre outras têm marcado esse processo contínuo que visa a melhoria do ensino e da aprendizagem da referida disciplina.

3.1 Resolução de Problemas

O modo de ensinar Matemática através da resolução de problemas preocupa-se mais com o processo do que com a solução final. Reis e Zuffi (04-12-2008), argumenta que os problemas são importantes não somente como um propósito para se aprender Matemática, mas também, como um primeiro passo para se fazer isso. Sob esse enfoque, problemas são propostos ou formulados de modo instigar a curiosidade, expor um desafio e a contribuir para a construção dos conceitos antes mesmo de sua apresentação em linguagem matemática formal.

Os problemas devem ser selecionados de forma a provocar o saber, exigindo dos alunos o desenvolvimento de habilidades na busca de estratégia de resolução, o professor por sua vez deve fazer questionamento que desperte a interação de toda a classe.

Resolver problemas permite que os alunos aprendam, pratiquem o pensamento heurístico, tão necessário na vida real. Percebe-se que os alunos vêem pouca relação entre os acontecimentos da escola e acontecimentos de seu cotidiano, cabe ao professor trazer á tona exemplos que façam o intercâmbio entre estes paralelos a razão mais importante para esse tipo de ensino é a de ajudar os alunos a compreenderem os conceitos, os processos e as técnicas operatórias necessárias dentro do trabalho

O professor deve auxiliar seus alunos, nem demais nem de menos, mas de tal modo que ao estudante caiba uma parcela razoável do trabalho e colocar-se no lugar do aluno, procurar compreender o que se passa em sua cabeça e fazer uma pergunta ou indicar um passo que poderia ter ocorrido ao próprio estudante.

Se o aluno não for capaz de fazer muita coisa, o mestre deverá deixar-lhe pelo menos alguma ilusão de trabalho independente.

A problematização na sala de aula é também um instrumento considerável, segundo Mendonça (1993), é o caminho que leva à formulação do problema; é a ação de criar uma pergunta ou fazer surgir um problema na sala de aula, e esta pergunta gera discussão e pesquisa. Além da geração da pesquisa, a fecundidade de uma pergunta garante que as respostas encontradas como resultado da investigação signifiquem, ao mesmo tempo, esclarecimentos e dúvidas.

3.2 Os jogos matemáticos

Os jogos também configuram como importante recurso didático. O jogo na educação matemática passa a ter o caráter de material de ensino, quando se considera que ele é promotor de aprendizagem da criança colocada diante de situações em que, ao brincar, ela apreende a estrutura lógica do material e deste modo entende a estrutura matemática presente. É educativo e sendo assim, requer um plano de ação que permita a aprendizagem de conceitos matemáticos e culturais de uma maneira geral (PIRES et al, p. 180).

Cury (2004) lembra que os jogos matemáticos são apreciados desde a antiguidade. Eles permitem que as crianças aprendam conceitos, e desenvolvam fundamentos essenciais na aprendizagem da matemática, sendo que cada tipo de jogo é importante em alguma etapa do processo de aprendizagem. Os jogos devem ser utilizados como facilitadores, colaborando para trabalhar os bloqueios que os alunos apresentam em relação a alguns conteúdos matemáticos.

A aprendizagem através de jogos, como dominó, palavras cruzadas, memória e outros permite que o aluno faça da aprendizagem um processo interessante e até divertido. Devem ser utilizados ocasionalmente para sanar as lacunas que se produzem na atividade escolar diária. Campos (04-12-2008) lembra que existem três aspectos que por si só justificam a incorporação do jogo nas aulas. São estes: o caráter lúdico, o desenvolvimento de técnicas intelectuais e a formação de relações sociais.

As situações problemas contidas na manipulação dos jogos e nas brincadeiras fazem a criança crescer através da procura de soluções e de alternativas. O desempenho psicomotor da criança enquanto brinca alcança níveis que só mesmo a motivação intrínseca consegue. Explica Reis e Trindade (06-12-2008) que, ao mesmo tempo favorece a concentração, a atenção, o engajamento e a imaginação. Como conseqüência a criança fica mais calma, relaxada e aprende a pensar, estimulando sua inteligência, mas ser utilizados não como instrumentos recreativos na aprendizagem, mas como facilitadores, colaborando para trabalhar os bloqueios que os alunos apresentam em relação a alguns conteúdos matemáticos.

De forma mais resumida os benefícios do trabalho com jogos matemáticos em sala de aula são:

• Possibilidade de detectar os alunos que estão com dificuldades reais;

• Durante o desenrolar de um jogo, observamos que o aluno se torna mais crítico, alerta e confiante, expressando o que pensa, elaborando perguntas e tirando conclusões sem necessidade da interferência ou aprovação do professor;

• Não existe o medo de errar, pois o erro é considerado um degrau necessário para se chegar a uma resposta correta;

3.3 Modelagem Matemática

Esta tendência envolve, segundo citação de Ohse (06-12-2008), a representação de alguma situação ou fenômeno a partir de expressões numéricas ou fórmulas, diagramas, gráficos ou representações geométricas, equações algébricas, tabelas, expressões que valham não apenas para uma solução particular, mas que também sirvam, posteriormente, como suporte para outras aplicações e teorias. Ao trabalharmos a Modelagem Matemática dois pontos são fundamentais: aliar o tema a ser escolhido com a realidade de nossos alunos e aproveitar as experiências extraclasse dos alunos, aliadas à experiência do professor em sala de aula, abrindo espaço para as atividades de investigação, contribuindo decisivamente para a formação na concepção de busca e auxílio na percepção da realidade, colaboração para a formação crítica do conhecimento.

Schmitt e Ferreira (07-12-2008) salientam que matemática escolar relacionada a atividades reais e concretas do cotidiano do aluno facilita a construção de conhecimento de forma motivadora e significativa, desenvolve o raciocínio lógico e desperta na criança um olhar matemático em relação ao mundo que a cerca.

Nas escolas, na maioria das vezes, o professor inicia o ensino de um conteúdo partindo diretamente de aulas expositivas, pouco aproveitando as experiências matemática adquiridas pelo aluno no seu cotidiano. Os alunos como seres ativos inseridos ao ambiente em que vivem, aprendem também matemática fora do ambiente da sala de aula, através de vivências, por isso, o professor deve levar em consideração essas experiências, pois, explorá-las poderá ajudar bastante no seu trabalho (NETO, 2001).

No ambiente escolar que essas experiências deverão ser enriquecidas pelo contato com outros alunos, através de conversas formais, pela discussão e reflexão de seus pontos de vista e pelas formas e soluções que cada um apresenta na resolução de problemas. Para a aquisição dos conhecimentos matemáticos, os alunos necessitam relatar as suas experiências, explorar materiais, delinear e modelar suas representações mentais, ou seja, precisam transformar essas vivências em linguagem matemática.

Segundo Biembengut (1999 a), citado por Barasuol (04-12-2008), pode-se dizer que Matemática e realidade são dois conjuntos disjuntos e a Modelagem é um meio de fazê-las interagir. Essa interação, que permite representar uma situação real com “ferramental” matemático (modelo matemático), envolvendo vários procedimentos. Neste contexto, a Modelagem Matemática torna-se um ambiente de aprendizagem no qual os alunos são convidados a indagar e/ou investigar, por meio da matemática situações oriundas de outras áreas da realidade. Um esquema explicativo de Modelagem Matemática pode ser visualizado na abaixo:

Muito se tem discutido sobre as razões para inclusão de Modelagem no currículo. Barasuol (04-12-2008) ainda destaca que, em geral são apresentados os seguintes argumentos:

- Motivação: os alunos sentir-se-iam mais estimulados para o estudo de matemática, já que vislumbrariam a aplicabilidade do que estudam na escola;

- Facilitação da aprendizagem: os alunos teriam mais facilidade em compreender as idéias matemáticas, já que poderiam conectá-las a outros assuntos;

- Preparação para utilizar a Matemática em diferentes áreas: os alunos teriam a oportunidade de desenvolver a capacidade de aplicar Matemática em diversas situações, o que é desejável para moverem-se no dia-a-dia e no mundo do trabalho;

- Desenvolvimento de habilidades gerais de exploração: os alunos desenvolveriam habilidades gerais de investigação;

- Compreensão do papel sócio-cultural da Matemática: os alunos analisariam como a Matemática é usada nas práticas sociais.

A Modelagem Matemática convida o aluno a atuar, investigar, discutir e motivar. Ela desenvolve habilidades de exploração e compreensão da Matemática no mundo e prepara para utilizá-la em diversas áreas do conhecimento.

3.4 Etnomatemática

Se a Modelagem Matemática procura modelar um determinado fenômeno da realidade com o objetivo de compreender este fenômeno a Etnomatemática se faz presente, pois ela trata de um conjunto de saberes que um determinado grupo cultural possui com um objetivo em comum.

Seguindo esta linhagem, D’Ambrósio (2004) propõe uma educação universal chamada ética da diversidade, no qual, atinja toda população, propicie a todos um espaço adequado para o pleno desenvolvimento da criatividade, preserve a diversidade e elimine as iniqüidades, ou seja, uma educação que conduza a novas formas de relações sociais.

Surge então a etnomatemática, uma proposta de ensino da matemática que visa exemplos ligados à realidade cultural dos alunos, elevando a compreensão da disciplina e valorizando o conhecimento prévio dos alunos. Assim, a etnomatemática é uma proposta, na qual, professor e aluno aprendem juntos no processo, fazendo escolhas, selecionando alternativas, testando limites, questionando valores, métodos e tendências,

As metodologia apresentadas apresentam, de certa forma, uma interligação, sendo quase que impossível enfatizar ou adotar qualquer uma delas sem trazer conceitos de outra metodologia para enfatizar e complementar aquela que esta sendo adotada.

4 DESENVOLVIMENTO DE PRÁTICAS METODOLÓGICAS

Para continuidade deste trabalho, foram realizadas duas observações, a primeira numa Escola da Rede Municipal, onde foi possível dialogar com 03 professoras sobre a metodologia usada para formar na criança os primeiros conceitos matemáticos, buscando eliminar os mitos que sempre tentam distanciar o aluno desta disciplina. Foi possível acompanhar técnicas por elas desenvolvidas para despertar nos pequenos a autoconfiança, uma segunda abordagem do tema traz o relado de um professor da Rede Estadual que atua no Ensino Fundamental e Médio com a disciplina de Matemática e um 2º professor da Rede Estadual que trabalha a disciplina de Física.

Os relatos colhidos na Escola Municipal Dr. Euclides Marcola, mostraram que os professores admitem que a disciplina de matemática nas séries iniciais é difícil tanto para aprender, quanto para transmitir este conhecimento de forma abrangente e eficaz. Nesta escola vem sendo implantado um projeto denominado “Clube da Matemática”, idealizado e desenvolvido pela Mônica Soltau da Silva que atua na rede Particular de Ensino e desenvolve este trabalho em várias Escolas da Rede Municipal, também é autora do livro Clube de Matemática.

Este projeto tem como objetivo apresentar ao corpo discente e docente, uma matemática, dinâmica, criativa e prazerosa desmistificando a idéia de que entender de matemática é privilégio de alguns, por se trata de uma disciplina considerada “difícil”.

O referido projeto baseia-se na aplicação de jogos educativos que conta com envolvimento dos alunos desde a confecção das peças com material reciclado, até a prática dos jogos propriamente dita. Grupos de aproximadamente 20 alunos se revezam para confeccionar os jogos propostos pelos professores, que obviamente estará aplicando os conteúdos, preferencialmente aquele em que o aluno tem maior dificuldade. Esse grupo, geralmente formado por alunos da 3ª e 4ª séries, se reúne uma vez a cada semana para confeccionar os jogos e praticar a forma de jogar, e uma vez a cada quinzena reúne-se a turma toda da escola em uma “Matemática de Recreio”, portanto os alunos participantes do clube irão, sob a supervisão dos professores, aplicar os jogos para os demais alunos.

Esse grupo de 20 alunos se divide em duplas, tanto para confeccionar o material, quanto para aplicar as modalidades de jogos. As professoras argumentam que a referida metodologia está dando certo, pois os alunos responsáveis por aplicar os jogos estudam, por sentirem a necessidade de estarem preparados, seguros e dominando o conteúdo do jogo, em contrapartida os participantes também estudam e buscam informações pois querem ganhar nos jogos, já que são oferecidos brindes que tornam a brincadeira mais envolvente e o aprendizado acontece de forma espontânea e divertida.

No momento em que todos estão envolvidos nos jogos acontece uma avaliação parcial. Os jogos estimulam o raciocínio dos participantes, o aluno que monitora determinado jogo sorteia e aplica as questões, fazendo em muitas vezes questionamentos e/ou complementando respostas.

Alguns dos jogos elaborados e praticados pelos alunos da Escola Municipal Dr. Euclides Marcola são:

- Alinha Cor: é semelhante a um tabuleiro de damas, utiliza-se 08 tampas de garrafas coloridas, sendo 04 de cada cor. As tapinhas são arrastadas pelos quadrados do tabuleiro feito de papelão, o objetivo é movimentar e alinhar 03 peças da mesma cor sem pular nenhum quadrado. O ganhador garante o direito de formalizar uma pergunta ao adversário que pode abranger diferentes conteúdos (tabuada, adição, subtração, etc.), ao responder ou resolver corretamente são incentivados com palavras e brindes simbólicos.

- Tartaruga Numérica: A tartaruga é desenhada e recortada de um papelão duplo, na primeira camada do papelão recorta-se as formas do casco da tartaruga, peças que servirão de encaixe para alocar e ocultar questões de um determinada exercício, elaborado pelos alunos voluntários e integrante do Clube, o aluno participante escolhe qual peça irá remover, e sua tarefa será resolver o exercício sorteado, tarefa cumprida recompensa equivalente.

- Caixinha Mágica: Decorada com formas geométricas, propõe que o aluno retire aleatoriamente de dentro da mesma um exercício, que será por ele resolvido. O extinto de competição colabora para que os alunos se sintam desfiados a ultrapassar limites.

- Jogo da Formas: Trata-se de placas de papelão recortadas nas quatro formas geométricas, para estimular a atenção, esta brincadeira estimula a atenção e concentração, o aluno que aplica o jogo pode propor que o concorrente das some os lados de um triângulo ou que calcule a área do quadrado, ou até mesmo montar outras formas geométricas intercalando os recortes. Os alunos do pré-escolar são despertados pelo interesse nas cores e definição das formas.

- Dominó Tabuleiro: Consiste em dividir e organizar os dominós em duas fileiras independentes, de forma que a soma total dos pontos coloridos sejam idênticos.

As professoras garantem que a empolgação em dias de jogos durante o recreio e enorme, “as crianças apresentam a mesma empolgação, se não maior, que em recreios normais de brincadeiras cotidianas, em cada bancada que estão sendo disponibilizadas as provas formam-se filas de crianças na expectativa de participarem e vencerem os desafios propostos”, afirma a Profª. Sonia - diretora da Escola.

A Professora “F” relata que a prática de jogos no aprendizado não se resume apenas de forma recreativa, em intervalos distintos; ela comenta que: “através do jogo na sala de aula conseguimos que as crianças aprendam o conteúdo de maneira prazerosa, toda criança gosta de competir e de brincar, muitas vezes nem percebem a verdadeira intenção do professor por trás da brincadeira. Foi pensando dessa maneira que comecei a fazer o jogo do bingo com a tabuada. Notei que houve um interesse grande da parte deles. Nas primeiras jogadas falávamos os resultados em voz alta, propiciando assim, que todos pudessem marcar o número se esse estivesse em sua cartela. Pude perceber assim o domínio que tinham em ouvir o numeral e imediatamente, procurá-lo e reconhecê-lo em sua cartela. Não só olhavam sua cartela mas a comparavam com a do colega, vendo quantos números a mais ou a menos, haviam marcado. Com isso atingi um novo objetivo, que a princípio não tinha imaginado: a comparação entre quantidades e o cálculo mental. Nas jogadas seguintes não falamos em voz alta os resultados, somente quem sabia a tabuada marcava, notei que os alunos que não marcavam se sentiam incomodados, pois tinham consciência de que não poderiam ganhar o jogo. Nos dias seguintes percebi que o número de alunos que já tinham memorizado a tabuada era maior, porque queriam concorrer de igual para igual, tendo chances de ganhar o jogo.”

Em um diálogo informal com outros dois Professores da rede Estadual que identificaremos como J.R e J.C, percebe-se uma outra realidade, ambos destacam a necessidade de cumprir com o calendário escolar, intuitivamente os professores captam uma cobrança em concluir com o conteúdo presente nos livros didáticos, atribuindo a carência de atividades mais dinâmicas durante o ano letivo por falta de tempo. “Mesmo o cronograma prescrito nos livros, precisam muitas vezes, passar por uma seleção com ênfase nos assuntos de maior importância devido a escassez de tempo, visto que cada aluno demanda um tempo diferente para o aprendizado, pois nem todos apresentam o mesmo rendimento”, comenta J. R que é Professor de Matemática.

O Professo J.R comentou que faz seu planejamento da aula baseado em livros didáticos, esporadicamente, quando acha conveniente leva à sala de aula objetos e/ou brincadeiras para ilustrar melhor o conteúdo, citou a divisão de uma maça em frente dos alunos para complementar a explicação do assunto referente a fração, também realizou durante este ano um seminário e uma brincadeira com alunos da 5ª série, utilizou neste último caso a dança das cadeiras e o aluno que perdesse o lugar teria que responder questões da tabuada, já para explicar matrizes este mesmo professor usou algo conhecido do cotidiano de muitos alunos, uma tabela com resultados do futebol.

O professor J.R ainda complementa que nas 5ª e sextas 6ª torna-se mais fácil trabalhar com conceitos aliados à prática, ou incluir brincadeira na transmissão do conhecimento. Os adolescentes das demais séries não demonstram muito comprometimento com as brincadeiras, “estão em uma fase em que o comportamento não favorece”, argumenta, exigindo muitas vezes intervenção por parte do professor para aliviar o tumulto que se forma na classe, os ânimos se exaltam, a concentração sai do foco e o aprendizado por meio daquele método fica comprometido. Nas classes com maior número de adultos o professor percebe que os alunos são mais fechados às dinâmicas, quando estas ocorrem.

Quanto as avaliações, o referido Professor atribui notas aos alunos pelo interesse demonstrado em resolução de exercícios em equipes, dentro e fora da sala de aula, em listas de exercícios e obviamente através de avaliação individual e escrita. O Professor J.R lembra que no ano de 2008 realizou uma avaliação oral com alunos de 5ª série e, chegou a conclusão de que o tempo desprendido foi maior que o esperado: “perguntas lançadas a determinado aluno contou com argumentação e opinião de colegas e posteriormente e constantes intervenção de minha parte. O retorno foi válido pela interação e pela forma de participação que ocorreu, mas tal experiência teve de ser interrompida, sem abranger as outras séries pelo fato desta atividade demandar um tempo maior que o programado”, justificou o Professor.

No diálogo com o professor J.C que atua no ensino de física, o relado foi semelhante ao do professor J.R, ele enfatizou que o governo cedeu um livro com muitos experimentos, mas a maioria destes experimentos são apenas mencionados aos alunos com leitura rápida do procedimento e o resultado esperado, pois nem sempre a escola está com laboratório equipado para realização destes testes. A exemplo do professor de matemática, o professor J.C, criticou o tempo para exposição dos conteúdos, percebe-se uma cobrança das escolas em cumprir com o conteúdo programado, e o livro didático favorece esse cronograma, daí a necessidade e ‘comodidade’ de vincular o ensino das disciplina a essa ferramenta tradicional, o livro.

O professor, uma vez a cada bimestre seleciona um tema do conteúdo, divide os tópicos e solicita que os alunos formem equipes para executar um trabalho escrito ou para ser apresentado, dependendo do tempo disponível. Os alunos também ganham notas de participação e em listas de exercícios, mas no mínimo 60% da nota e referente a avaliação escrita.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

As técnicas de ensino têm caminhado em passos mais lentos que a tecnologia, e a aprendizagem da escola deixa de ser um atrativo para os jovens, tornando-se barreiras difíceis de ultrapassar, pois exige esforço e disciplina. Um outro problema são jovens e crianças cada vez mais inquietas com falta de concentração no que fazem, não se prendem a nenhuma atividade e a qualquer novo sinal largam o que estão fazendo e se lançam a uma nova tarefa. Provocando assim, baixo rendimento na aprendizagem, exigindo, portanto, uma nova postura por parte dos docentes, que neste novo contexto devem ser criativos, motivadores e acima de tudo devem assumir a postura de um mediador entre o saber comum e o saber matemático, fazendo com que o aluno passe a ser um agente ativo no processo de construção do saber.

Os educadores precisam estar mais focados na responsabilidade e importância da profissão que ocupam dentro do cenário social. Desenvolvendo maior sensibilidade ao entendimento individual e do grupo que está trabalhando no momento, pois as pessoas percorrem caminhos parecidos, mas em velocidades diferentes, de acordo com o meio em que vivem e principalmente dos estímulos que recebem dos adultos que os cercam.

As praticas modernas de ensino, trazem bons elementos para mudar os rumos de ensino e de aprendizagem da Matemática, mas o que se observa, na grande maioria das escolas é que estas teorias nem sempre são vinculadas à prática. Ainda se constitui um desafio aos professores fazer com que a matemática seja atraente para os alunos.

Nosso ensino de hoje, apesar dos cursos de especialização, palestras e metodologias existentes, ainda está voltado para a memorização de fórmulas e conceitos. Para que a formação do aluno seja complexa é preciso que o mesmo saiba, não apenas decorar fórmulas e sim, compreender os conceitos de sua aplicação. Os professores de um modo geral precisam de mais incentivos e autonomia por parte das instituições governamentais, entender e praticar a idéia de que a matemática não pode ser ensinada como uma matéria teórica ou como uma ciência abstrata.

Os alunos precisam valorizar e dar maior credibilidade à disciplina de Matemática, para tanto precisam perceber, por meio do conhecimento passado pelo educador, que todos os conceitos matemáticos têm aplicação nos diversos ramos da vida e da sociedade humana. Relacionado a este conceito Ohse (06-12-2008) argumenta que a grande dificuldade está em fazer o educador transportar a realidade do aluno para o cálculo matemático, pois é muito mais cômodo e simples ao educador trabalhar com um livro didático do que elaborar questões que farão o aluno pensar.

O Professor deve e precisa trabalhar mais com questões que envolvam não somente o ‘raciocínio mecânico’ dos alunos, mas que contemplem também a leitura, a interpretação, a montagem e resolução das questões propostas.

Na experiência obtida por meio do contato com professes de 1ª a 4ª série, 5ª a 8ª e do Ensino Médio, percebe-se uma maior preocupação por parte dos professores dos primeiros anos do ensino fundamental em desenvolver, adotar e aplicar técnicas de ensino voltadas à Matemática e, que visem despertar o interesse do aluno.

Especificamente com relação aos profissionais abordados neste trabalho, verificou-se que na Escola com alunos de 1ª a 4ª série os professores estão mais centrados à realidade dos alunos, percebe-se um vínculo maior com a realidade e história de vida dos pequenos. Já os professores entrevistados do Ensino Fundamental e Médio mostram-se um pouco mais alheios ao retrospecto dos alunos e evidenciaram grande preocupação em finalizar o conteúdo em tempo hábil. Um dos professores entrevistado ainda enfatizou a necessidade de gerenciar certo comportamento para garantir o domínio de classe, inibindo assim movimentos de exaltação na sala de aula, o que comprometeria ainda mais o aprendizado. Desta forma percebe-se o risco de haver um bloqueio que pode inibir o aluno de se expressar, causando ainda um afastamento entre professor e aluno.

Os professores do Ensino Fundamental e Médio, abordados neste trabalho têm pleno conhecimento de técnicas alternativas para o Ensino de Matemática e Física, visto que um deles está participando de um programa de especialização na área e o outro participa de palestras e do programa de formação continuada, mas ambos atribuem a adoção da prática do ensino tradicional em larga escala não por comodismo, mas devido ao tempo insuficiente para ministrar todo conteúdo que deve atender os cumprimentos descritos na Matriz Curricular.

OBS: Peço licença aos professores e comissão examinadora dos trabalhos para relatar minha experiência pessoal em realizar o presente trabalho, que trouxe, especialmente no meu caso, um economista que ainda não atua no envolvente universo do ensino, a oportunidade de aproximar-me da realidade dos alunos e dos desafios propostos aos professores. Essa interação se deu graças à necessidade de abranger e desenvolver a pesquisa para realização deste trabalho percebi nitidamente que muito se tem trabalhado para melhoria do ensino da matemática e para que esta disciplina seja bem aceita pelos alunos, observa-se que ainda há muito a ser feito. A pesquisa ainda funcionou como um incentivo que ampliou minhas perspectivas e fortaleceu meu desejo de continuar a preparação para atuar na área educacional em um futuro que, tomara Deus, seja breve!

REFERÊNCIAS

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CURY, H. N. O Uso de Jogos no Ensino da Matemática. Jornal Mundo Jovem, Porto Alegre, n. 174, p. 06, set. 2004.

GROENWALD, C. L. O.; TIMM, U. T. Utilizando Curiosidades e Jogos Matemático em Sala de Aula. Disponível em: acesso em: 04-12-2008.

PIRES, M. N. M.; et al. Prática Educativa do Pensamento Matemático. Curitiba: IESDE, 2004.

MENDONÇA, M.C.D. Problematização: Um caminho a Ser percorrido em Educação Matemática - Tese Doutorado em Educação. UNICAMP. Campinas, 1993.

SILVEIRA, J. Carlos e RIBAS, D. J. Luiz. Discussões Sobre Modelagem Matemática e o Ensino-Aprendizagem. Disponível em:

SOUZA, C. P. Analucia. A Resolução de Problemas como Metodologia de Ensino-Aprendizagem-Avaliação de Matemática em Sala de Aula. Disponível em: Disponível em, 06-012-2008.

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Barasuol, F. Fabiana. Modelagem Matemática: Uma metodologia Alternativa para o ensino da matemática. Disponível em: . Acesso em 04-12-2008.

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