Trabalho Completo Pressão Arterial

Pressão Arterial

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Categoria: Ciências

Enviado por: Lorena 26 dezembro 2011

Palavras: 9660 | Páginas: 39

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ial alta, ou hipertensão, é uma doença que não provoca sintomas e, por isso mesmo, pode facilmente passar despercebida, sem diagnóstico ou tratamento. No entanto, mesmo que o doente não sinta nada, a pressão alta pode ser muito perigosa para sua saúde. A hipertensão não diagnosticada traz complicações como transtornos da visão, doenças do coração, acidentes vasculares cerebrais e até problemas nos rins. Ela mata em silêncio.

Palavras-chave: pressão arterial, prevenção da hipertensão arterial, sistema cardiovascular, stress.

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 7

2. Componentes do sistema cardio-circulatório. 8

2.1. Coração 8

2.2. Artérias 9

2.3. Veias 9

2.4. Funções do Sistema Cardiovascular 9

3. Hipertensão Arterial 10

3.1. Pressão arterial 10

3.2. Definição de Hipertensão Arterial 11

3.2.1. Valores mínimos de identificação 12

4. Fisiopatologia da Hipertensão Arterial Sistêmica 12

5. Causas da Hipertensão Arterial 12

6. Sistema Nervoso Autônomo (Simpático) 13

7. Mecanismos Renais e Sistema Renina-Angiotensina 14

7.1. Adaptação Cardiovascular 15

7.1.1. Disfunção Endotelial 15

8. Classificação da Hipertenção Arteral Sistêmica 16

8.1. Aferição Indireta da Pressão Arterial 17

8.2. Sinais e Sintomas da Pressão arterial Sistêmica 17

8.2.1. Complicações 17

8.2.2. Complicações no Sistema Nervoso 18

9. Relação Stress x Hipertensão arterial 18

9.1. As Conseqüências do “STRESS” no organismo 19

FÍSICOS 19

PSICOLÓGICOS 19

9.2. Estresse e o sistema cardiovascular 20

9.3. Estresse agudo e crônico sua ação na Hipertensão arterial 21

9.3.1. Estresse agudo 21

9.3.2. Estresse crônico 21

9.4. Mudança de personalidade e comportamento 21

10. Diagnóstico da Hipertensão Arterial 23

11. Tratamento 25

11.1. Terapia não farmacológica 25

11.2. Medidas farmacológicas preconizadas 25

11.2.1. Redução do Peso Corporal. 25

11.2.2. Redução do Sal. 26

11.2.3. Suplementação de Potássio 26

11.2.4. Exercícios Físicos. 26

11.2.5. Abandono do Tabagismo. 26

11.2.6. Redução do Consumo de Álcool 27

11.2.7. Medidas Suplementares 27

12. Mudança de Vida 28

12.1. Dicas de Bem Viver 29

13. Considerações Finais 29

14. Referencias Bibliográficas 31

INTRODUÇÃO

A pressão arterial mantém o sangue circulando no organismo. Tem início com o batimento do coração. A cada vez que bate, o coração joga o sangue pelos vasos sangüíneos chamados artérias. As paredes dessas artérias são como bandas elásticas que se esticam e relaxam a fim de manter o sangue circulando por todas as partes do organismo. O resultado do batimento do coração é a propulsão de uma certa quantidade de sangue (volume) através da artéria aorta. Quando este volume de sangue passa através das artérias, elas se contraem como que se estivessem espremendo o sangue para que ele vá para frente. Esta pressão é necessária para que o sangue consiga chegar aos locais mais distantes, como a ponta dos pés, por exemplo.

Apesar do diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial e doenças correlatas terem apresentado enormes avanços tecnológicos nos últimos anos, com a introdução, na rotina de atendimento, de novas técnicas, como a cineangiocoronariografia, revascularização miocárdica, ultrassonografia, cintilografia cardíaca e cerebral, tomografia computadorizada, drogas anti-hipertensivas e inotrópocas cardíacas, que consomem uma parcela significativa dos recursos destinados à saúde, ela ainda apresenta alta prevalência, é responsável por elevadas taxas de morbidade e mortalidade.

Mesmo quando não causam a morte, as complicações da hipertensão arterial levam, com freqüência, à invalidez parcial ou total do indivíduo, com graves repercussões para esse e sua família.

Aprofundar o conhecimento epidemiológico deste problema, e fundamentar criteriosamente os procedimentos, técnicas e métodos, individuais e coletivos, de prevenção, controle e tratam de fundamental importância para a resolução do mesmo.

Componentes do sistema cardio-circulatório.

O sistema cardiovascular ou circulatório é uma vasta rede de tubos de vários tipos e calibres, que põe em comunicação todas as partes do corpo. Dentro desses tubos circula o sangue, impulsionado pelas contrações rítmicas do coração.

1 Coração

Este é um órgão muscular que fica dentro do peito e que é responsável por bombear o sangue para os pulmões (para ser oxigenado) e para o corpo (suprindo as necessidades de oxigênio e nutrientes) depois que o sangue foi oxigenado nos pulmões. O coração bate em média de 60 a 100 vezes por minuto em situação de repouso. É composto por duas câmaras superiores chamadas de átrios, e duas inferiores, os ventrículos. O lado direito bombeia o sangue para os pulmões e o esquerdo para o restante do corpo.

[1][pic] [2][pic]

2 Artérias

As artérias são os vasos por onde o sangue corre vindo do coração. Elas estão distribuídas como se fossem uma grande rede de abastecimento por todo o corpo, podendo ser palpadas em alguns locais, onde estão mais superficializadas. Alguns destes locais são: na face interna de seu punho, na região da virilha e no pescoço. Este movimento ou pulsação, que você sente quando coloca seu dedo, é quando o sangue está sendo empurrado por um batimento do coração e que ocasiona uma determinada pressão dentro do vaso. Em geral as artérias são bem mais profundas, por isso somente em alguns locais é que elas podem ser palpadas. É nas artérias que ocorre o processo da doença da hipertensão.

3 Veias

As veias são os vasos sanguíneos que trazem o sangue, agora cheio de impurezas, de volta ao coração. Assim como as artérias, elas formam uma enorme rede. A grande característica que diferencia uma veia de uma artéria, é que elas estão mais superficiais e podem ser mais facilmente palpadas e visibilizadas. Além desta diferença, pode-se citar a composição de sua parede, que é mais fina.

4 Funções do Sistema Cardiovascular

O sistema circulatório permite que algumas atividades sejam executadas com grande eficiência[3]:

• transporte de gases[4]: os pulmões, responsáveis pela obtenção de oxigênio e pela eliminação de dióxido de carbono, comunicam-se com os demais tecidos do corpo por meio do sangue.

• transporte de nutrientes: no tubo digestivo, os nutrientes resultantes da digestão passam através de um fino epitélio e alcançam o sangue. Por essa verdadeira "auto-estrada", os nutrientes são levados aos tecidos do corpo, nos quais se difundem para o líquido intersticial que banha as células.

• transporte de resíduos metabólicos: a atividade metabólica das células do corpo origina resíduos, mas apenas alguns órgãos podem eliminá-los para o meio externo. O transporte dessas substâncias, de onde são formadas até os órgãos de excreção, é feito pelo sangue.

• transporte de hormônios: hormônios são substâncias secretadas por certos órgãos, distribuídas pelo sangue e capazes de modificar o funcionamento de outros órgãos do corpo. A colecistocinina, por exemplo, é produzida pelo duodeno, durante a passagem do alimento, e lançada no sangue. Um de seus efeitos é estimular a contração da vesícula biliar e a liberação da bile no duodeno.

• intercâmbio de materiais: algumas substâncias são produzidas ou armazenadas em uma parte do corpo e utilizadas em outra parte. Células do fígado, por exemplo, armazenam moléculas de glicogênio, que, ao serem quebradas, liberam glicose, que o sangue leva para outras células do corpo.

• transporte de calor: o sangue também é utilizado na distribuição homogênea de calor pelas diversas partes do organismo, colaborando na manutenção de uma temperatura adequada em todas as regiões; permite ainda levar calor até a superfície corporal, onde pode ser dissipado.

• distribuição de mecanismos de defesa: pelo sangue circulam anticorpos e células fagocitárias, componentes da defesa contra agentes infecciosos.

• coagulação sangüínea: pelo sangue circulam as plaquetas, pedaços de um tipo celular da medula óssea (megacariócito), com função na coagulação sangüínea. O sangue contém ainda fatores de coagulação, capazes de bloquear eventuais vazamentos em caso de rompimento de um vaso sangüíneo.

Hipertensão Arterial

1 Pressão arterial

O Coração bombeia o sangue para os demais órgãos do corpo por meio de tubos chamados artérias. Quando o sangue é bombeado, ele é "empurrado" contra a parede dos vasos sangüíneos. Esta tensão gerada na parede das artérias é denominada pressão arterial.

2 Definição de Hipertensão Arterial

A Hipertensão Arterial Sistêmica é uma "doença silenciosa", sendo assintomática até uma fase tardia da sua evolução no corpo humano. Atualmente não pode mais ser vista apenas como uma condição clínica em que as cifras tencionais estão acima de um determinado valor. Na verdade a hipertensão arterial existe num contexto sindrômico, com alterações hemodinâmicas, tróficas e metabólicas, entre as quais a própria elevação dos níveis tencionais as dislipidemias, a resistência insulínica, a obesidade, a atividade aumentada dos fatores de coagulação, a redução da complacência arterial e a hipertrofia com alteração da função diastólica do ventrículo esquerdo.

Os componentes da síndrome hipertensiva são muitas vezes fatores de risco cardiovascular independentes. Os esquemas terapêuticos antigos, propostos com a intenção única de baixar os níveis tencionais, não obtiveram uma redução da morbidade e mortalidade como esperado, a despeito de uma redução eficaz dos níveis pressóricos.

Ao tratar a hipertensão devemos Ter em mente os fatores de risco associados e o impacto do tratamento nesses fatores. A droga por vezes benéfica para a redução da PA é maléfica em relação a outro componente da síndrome, como por exemplo, uma droga pode induzir hiperglicemia ou dislipidemias. Assim apesar de um controle satisfatório da PA outros fatores de risco potencialmente maiores podem se sobrepor, não melhorando a situação clínica do paciente, portanto o tratamento atual não deve se resumir simplesmente á redução dos níveis pressóricos.

Nos Estados Unidos[5], estima-se que apenas dois em cada três indivíduos com hipertensão arterial têm seu quadro diagnosticado. Desses indivíduos, 75% são tratados com medicamentos e apenas 45% destes recebem um tratamento adequado.

Na visão de ANJOS(1993)[6], definir o que é hipertensão arterial, primeiro é necessário saber o que é a pressão arterial.A pressão arterial é a força que o fluxo sangüíneo exerce nas artérias. Através de sua medição, dois valores são registrados: o maior, quando o coração se contrai bombeando o sangue (pressão sistólica), e o inferior, quando o coração relaxa entre duas batidas cardíacas (pressão diastólica).

1 Valores mínimos de identificação

Hipertensão arterial ou pressão alta ocorre quando a pressão sistólica em repouso é superior a 140 mm Hg ou quando a pressão diastólica em repouso é superior 90 mm Hg ou ambos. Uma medida isolada com valores altos de pressão arterial não significa que a pessoa tenha hipertensão arterial.

Fisiopatologia da Hipertensão Arterial Sistêmica

Na leitura do Manual de Enfermagem [7], vimos que o desenvolvimento de hipertensão depende da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, embora ainda não seja completamente conhecido como estas interações ocorrem. Sabe-se, no entanto, que a hipertensão é acompanhada de alterações funcionais do sistema nervoso autônomo simpático, alterações do sistema renal, do sistema renina-angiotensina, além de outros mecanismos humorais e disfunção endotelial. Assim a hipertensão resulta de várias alterações estruturais do sistema cardiovascular que tanto amplificam o estímulo hipertensivo, quanto causam dano cardiovascular.

Causas da Hipertensão Arterial

Em aproximadamente 90% dos indivíduos com hipertensão arterial, a causa é desconhecida. A condição é então denominada hipertensão primária essencial. A hipertensão arterial essencial pode ter mais de uma causa. Ocorre uma combinação de diversas alterações cardíacas e dos vasos sangüíneos para elevar a pressão arterial.

Quando a causa é conhecida, a condição é denominada hipertensão secundária. Em 5 a 10% das pessoas com hipertensão arterial, a causa é uma doença renal. Em 1 a 2%, a origem é um transtorno hormonal[8] ou o uso de determinadas drogas como, por exemplo, os anticoncepcionais orais (pílulas de controle da natalidade). Uma causa rara de hipertensão é o feocromocitoma, um tumor da glândula adrenal que secreta os hormônios epinefrina (adrenalina) e norepinefrina (noradrenalina).

A obesidade, a vida sedentária, o estresse e a ingestão de quantidades excessivas de álcool ou de sal são fatores que têm um papel importante no desenvolvimento da hipertensão arterial em indivíduos com predisposição hereditária. O estresse tende a elevar temporariamente a pressão arterial, mas, em geral, a pressão retorna ao normal assim que o estresse desaparece. Isto explica a "hipertensão do jaleco branco", na qual o estresse decorrente da consulta a um médico faz com que a pressão arterial aumente o suficiente fazendo com que seja diagnosticada como hipertensão em alguém que, em outras circunstâncias, apresentaria uma pressão arterial normal.

No entanto, nas pessoas suscetíveis, essas elevações breves da pressão arterial são responsáveis por lesões que, finalmente, provocam uma hipertensão arterial permanente, inclusive quando o estresse desaparece. Entretanto, essa teoria de que os aumentos transitórios da pressão podem levar a uma hipertensão arterial permanente não foi demonstrada.

Sistema Nervoso Autônomo (Simpático)

Tem grande importância no aparecimento da hipertensão arterial e contribui para a hipertensão relacionado com o estado hiperdinâmico[9]. Vários autores relatam concentrações aumentadas de noradrenalina no plasma em pacientes com hipertensão, particularmente em indivíduos mais jovens.

Fibras nervosas vasomotoras simpáticas deixam a medula espinhal por todos os nervos torácicos e pelo 1o e 2o nervos lombares espinhais. Estes vão para a cadeia simpática e daí por duas rotas para a circulação. Na 1a por meio de nervos simpáticos que inervam a vasculatura das vísceras internas e o coração e a 2a pelos nervos espinhais que inervam sobretudo a rede vascular das áreas periféricas. Os nervos simpáticos conduzem um elevado número de fibras vasoconstritoras e apenas muito poucas fibras vasodilatadoras. As fibras vasoconstritoras se distribuem, essencialmente, por todos os segmentos da circulação.

Mecanismos Renais e Sistema Renina-Angiotensina

Os rins estão envolvidos tanto na retenção de sódio e água como na liberação alterada de Renina (aumenta PA) ou prostaglandinas (depressores de PA). Os rins influenciam tanto a resistência periférica quanto a homeostasia do sódio, e o sistema Renina-angiotensina. A renina (pequena enzima protéica) é elaborada por células do rim quando a pressão arterial cai a valores muito baixos, que transforma o angiotensinogênio plasmático em Angiotensina I sendo convertida em Angiotensina II (que possui propriedades vasoconstritoras) que altera a pressão arterial ao aumentar tanto a resistência periférica quanto o volume sangüíneo. O 1o efeito é obtido através da capacidade de causar vascoconstrição através de uma ação direta sobre o músculo liso vascular. O 2o efeito decorre da estimulação da secreção de aldosterona, que aumenta a reabsorção tubular distal de sódio e, portanto de H2O (oxigênio).De acordo com a ilustração a seguir:

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Figura 01 - Mecanismos Renais e Sistema Renina-Angiotensina[10]

1 Adaptação Cardiovascular

A sobrecarga do sistema cardiovascular causada pelo aumento da pressão arterial, leva as alterações estruturais de adaptação, com estreitamento do lúmen arteriolar e aumento da relação entre a espessura média e da parede arterial. Isso aumenta a resistência ao fluxo e aumenta a resposta aos estímulos vasoconstritores. A adaptação vascular instala-se rapidamente. As adaptações cardíacas consistem na hipertrofia da parede ventricular esquerda. Ambas as adaptações atuam como amplificadores das alterações hemodinâmicas da hipertensão e como início de várias das complicações decorrentes.

1 Disfunção Endotelial

Estudos demonstram envolvimento do endotélio na conversão da Angiotensina I em Angiotensina II, na inatividade de cininas e na produção do fator relaxante derivado do endotélio ou óxido nítrico. Além disso, o endotélio está envolvido no controle hormonal e neurogênio local do tônus vascular e dos processos homeostáticos. Também é responsável pela liberação de agentes vasoconstritores, incluindo a endotelina, que está envolvido em algumas das complicações vasculares da hipertensão.

Classificação da Hipertenção Arteral Sistêmica

É preciso deixar bem claro que para uma pessoa ser considerada portadora de Hipertensão Arterial, é preciso que os níveis de pressão permaneçam alterados por um determinado tempo[11], portanto uma medida com os níveis alterados não são suficientes, salvo raras exceções, para se dizer que a pessoa é doente. Isso se deve ao fato que, o exercício, as emoções e até mesmo a dor, entre outras coisas, podem causar uma elevação temporária da pressão, sem causar dano significativo ao organismo. Analisando logo a seguir a tabela de Classificação da Hipertenção Arteral Sistêmica:

[pic]

Tabela 01 - Classificação da Hipertenção Arteral Sistêmica[12].

1 Aferição Indireta da Pressão Arterial

A aferição da pressão arterial, pela sua importância, deve ser estimulada e realizada, em toda avaliação de saúde por médicos, enfermeiros de todas as especialidades e demais profissionais da área de saúde. O esfignomanômetro de coluna de mercúrio é o ideal para essas medidas. Os aparelhos do tipo aneróide devem ser periodicamente testados e calibrados.

2 Sinais e Sintomas da Pressão arterial Sistêmica

Grande parte das pessoas com pressão alta não apresenta sintomas. Podem ocorrer, por coincidência, manifestações que são erroneamente atribuídas à pressão alta: dor de cabeça, sangramento do nariz, tontura, rosto avermelhado e cansaço. Esses sintomas, entretanto, também aparecem freqüentemente em pessoas com pressão normal.

Se uma pessoa com hipertensão arterial severa ou pressão alta passar um longo período sem tratamento, sintomas como dor de cabeça, fadiga, náusea, vômito, falta de ar, visão borrada aparece provocada por danos no cérebro, olhos, coração e rins.

Ocasionalmente, pessoas com pressão muito alta e em estágios avançados da hipertensão arterial, elas podem ter tontura ou mesmo coma, ou seja, encefalopatia hipertensiva, e necessitam de tratamento emergencial.

1 Complicações

A hipertensão por tratar-se de uma doença sistêmica , isto é , atinge vários órgãos podem levar a complicações e danos irreversíveis ao doente . No coração ela pode levar ao surgimento de Hipertrofia Ventricular, que é o aumento da espessura do músculo cardíaco, que passa a necessitar de maior aporte sanguíneo devido à força exagerada que tem de realizar para vencer a barreira imposta pela Pressão Alta.

Este mecanismo leva a um descontrole entre a oferta e a necessidade de oxigênio pelas células cardíacas, aumentando o risco de um Infarto e levando a uma rigidez da musculatura cardíaca, fenômeno conhecido como Alteração do Relaxamento.

2 Complicações no Sistema Nervoso

O cérebro é envolvido pelas alterações que sofrem as artérias que o irrigam. Pequenas formações saculares em suas microarterias são formadas pela ação da pressão exagerada nas suas paredes que podem romper-se causando o temível e mortal Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico. Também, devido a espessura aumentadas das artérias envolvidas pode haver uma diminuição na oferta de oxigênio sanguíneo e levar ao não menos grave Acidente Vascular Cerebral Isquêmico. Ambos extremamente graves e debilitantes.

Relação Stress x Hipertensão arterial

“Stress” é uma palavra derivada do latim. Durante o século XVII ganhou conotação de "adversidade" ou "aflição". No final do século seguinte, seu uso evoluiu para expressar "força", "pressão" ou "esforço". O conceito de “stress” não é novo, mas foi apenas no início do século XX que estudiosos das ciências biológicas e sociais iniciaram a investigação de seus efeitos na saúde física e mental das pessoas, como sendo um estado do organismo após o esforço de adaptação que pode produzir deformação na capacidade de resposta do comportamento mental e afetivo, do estado físico e do relacionamento com as pessoas.

Quem primeiro definiu o “stress” sob este prisma foi o austríaco-canadense Hans Selye[13], conceituando-o como qualquer adaptação requerida à pessoa, isto é, o grau de deformidade que uma estrutura sofre quando é submetida a um esforço. Selye descreveu os sintomas do estresse sob o nome de Síndrome Geral de Adaptação, composto de três fases sucessivas; alarme, resistência e esgotamento. Após a fase de esgotamento era observado o surgimento de diversas doenças sérias, como úlcera, hipertensão arterial, artrites e lesões miocárdicas. Esta definição apresenta o stress como um agente neutro, capaz de tornar-se positivo ou negativo de acordo com a percepção e a interpretação de cada pessoa.

O “stress” positivo, chamado de eustresse, assim como o negativo, chamado de distresse, causa reações fisiológicas similares: as extremidades (mãos e pés) tendem a ficar suados e frios, a aceleração cardíaca e pressão arterial tendem a subir, o nível de tensão muscular tende a aumentar, etc. No nível emocional, no entanto, as reações ao “stress” são bastante diferentes. O eustresse motiva e estimula a pessoa a lidar com a situação. Ao contrário, o distresse acovarda o indivíduo, fazendo com que se intimide e fuja da situação, já que representa um conjunto de relações que o organismo desenvolve ao ser submetido a uma situação que exige esforço de adaptação.

1 As Conseqüências do “STRESS” no organismo

O estresse pode afetar o organismo de diversas formas e seus sintomas podem variar de pessoa para pessoa. Existe uma sensibilidade pessoal que reage quando se enfrenta um problema, e essa particularidade explica como lidar com situações desafiadoras, decidindo enfrentá-las ou não. Não são somente situações ruins que deixam os indivíduos estressados. Todas as grandes mudanças que se passa na vida geram situações estressantes, mesmo se elas forem boas e que estejam fazendo as pessoas felizes. A necessidade de ajuste deixa o organismo preparado para "lutar ou fugir", aumentando a pressão arterial e freqüência cardíaca, e contraindo músculos e vasos sangüíneos.

O fato de um evento emocional como o estresse afetar o organismo se deve ao íntimo relacionamento entre o sistema imunológico (defesa), sistema nervoso (controle) e sistema endócrino (hormonal). Por isso um estresse intenso pode afetar qualquer um desses sistemas levando à diversidade dos sintomas do estresse, a tabela a seguir descreve tal situação:

|SINTOMAS GERAIS |

|FÍSICOS |PSICOLÓGICOS |

|Dores de cabeça |Isolamento e introspecção |

|Dores musculares |Sentimentos de perseguição |

|Indigestão |Desmotivacao |

|Insônia |Memória fraca |

|Taquicardia |Apatia |

|Alergias |Tiques nervosos |

|Queda de cabelo |Autoritarismo |

|Mudança de apetite |Irritabilidade |

|Gastrite |Emotividade acentuada |

|Ulcera |Ansiedade |

|Dermatoses |Impotência sexual |

|Esgotamento físico |Psicose maníaco depressivo |

Tabela 02 – Sintomas gerais do estresse no organismo[14]

2 Estresse e o sistema cardiovascular

Existem pesquisas que mostram que o estresse afeta o organismo causando alterações celulares de maneira a aumentar a incidência de doenças. O estresse está ligado às doenças do coração e à hipertensão arterial, podendo também ter uma relação com o surgimento do câncer.

A relação com funções imunológicas ainda não está esclarecida. Estudos mostram que pessoas que têm amplas relações sociais e contatos com pessoas - amigos, vizinhos, parentes, colegas de serviço - têm menor incidência de resfriados do que os que vivem num ambiente restrito de relacionamentos.

O American Journal of Medicine[15] em 1997 publicou um trabalho onde é mostrado que o contato escasso com pessoas é um fator de risco maior do que o cigarro para contrair doenças virais respiratórias. Pensamentos antigos estão ressurgindo. Hipócrates em 500 AC já dizia que as emoções estão ligadas à saúde. Hoje os cientistas estão conseguindo demonstrar que as paixões podem desencadear doenças. Descobriram que certas células do corpo humano são capazes de enviar mensagens entre células nervosas e o sistema imunológico[16].

A maioria dos estudos relaciona o estresse à hipertensão e às doenças do coração. Dados convincentes sugerem que o medo crônico, a ansiedade, a solidão e a depressão podem ser letais para pessoas com doenças do coração.

É significativo o fato de que os ataques cardíacos são provocados pela agregação de plaquetas formando coágulos, fenômeno conhecido como "correr ou lutar" e desencadeado pelo medo ou pavor. Todos nós estamos constantemente experimentando o estresse de uma ou outra forma.

3 Estresse agudo e crônico sua ação na Hipertensão arterial

1 Estresse agudo

É o conseqüente a um acontecimento traumático, como a perda de um ente querido, um assalto, uma doença grave na família, a perda do trabalho, perda de um bem.

2 Estresse crônico

É o do dia a dia, como os problemas de trânsito, da profissão, econômicos, relações de trabalho, de família. Nas situações de estresse o corpo libera dois hormônios, a adrenalina e a cortisona.

Como resposta a esses dois hormônios as plaquetas se agregam, as células imunológicas são ativadas, o açúcar do sangue vai para os músculos para lhes proporcionar energia, a respiração e a freqüência cardíaca aumentam e a pressão arterial sobe. A cortisona de início mantém a resposta ao estresse e depois lentamente vai diminuindo até o organismo voltar à função normal. Quando a situação estressante persiste, a reação persiste e pode tornar-se prejudicial em vez da reação benéfica inicial.

4 Mudança de personalidade e comportamento

Há indícios de que indivíduos com esses traços, embora apresentem estar psicologicamente ajustados, quando submetidos a testes de estresse, apresentam reatividade pressórica mais elevada. A identificação desses traços pode ser evidenciada através de questionários psicométricos, por sua baixa pontuação nas escalas de ansiedade e elevada nas escalas de defesa definida.

Vale ressaltar que todas as pesquisas demonstrando a relação entre personalidade e Hipertensão Arterial foi decorrente de estudos retrospectivos ou transversais, necessitando-se, portanto, de estudos prospectivos a fim de dar mais força a esta observação. Por outro lado, autores como HERKENHOF (1997)[17] afirmam que a relação entre personalidade e Hipertensão Arterial é tão substancial quanto a relação com outras variáveis como idade e obesidade, por exemplo. Apesar das evidências, para alguns autores, a questão de um perfil psicológico característico da Hipertensão Arterial não está ainda definida.

Os modelos e os métodos de investigação da ciência atual são ainda limitados para responder de modo completo a complexa relação entre estresse e hipertensão arterial. A partir do que aqui foi exposto, deduz-se que o conhecimento dos fatores psicológicos e comportamentais que podem influenciar o aparecimento da Hipertensão Arterial ainda apresenta lacunas, devendo, portanto, ser evitada a divulgação de afirmações acríticas. As lacunas não desconsideram o conhecimento adquirido até o momento; apenas estimulam a realização de novas pesquisas visando elucidar essa complexa relação.

As evidências conhecidas até o momento sugerem que a reatividade pressórica e alguns traços de personalidade contribuem para o desenvolvimento da Hipertensão Arterial A. A utilização de testes de estresse mental, no sentido de melhor compreender a relação do estresse com o aparecimento da Hipertensão Arterial.

A realização de estudos prospectivos é também de grande importância, para que se evitem erros metodológicos, tais como amostras pequenas ou viciadas, e ausência de controle de variáveis como obesidade, ingestão de álcool e sedentarismo. Esperamos que, nas próximas décadas, aumente não apenas a nossa compreensão entre estresse e Hipertensão Arterial, mas, sobretudo que, através de estratégias comportamentais e cognitivas, associadas ao controle dos outros fatores de risco, possamos prevenir o aparecimento da hipertensão.

Diagnóstico da Hipertensão Arterial

A pressão arterial deve ser mensurada após o paciente permanecer sentado ou deitado durante 5 minutos. Uma leitura igual ou superior a 140/90 mmHg é considerada alta, mas não é possível basear o diagnóstico apenas em uma leitura. Às vezes, mesmo várias leituras com valores altos não são suficientes para o estabelecimento do diagnóstico. Se a leitura inicial apresentar um valor alto, a pressão arterial deve ser medida novamente e, em seguida, medida mais duas vezes em pelo menos dois outros dias, para se assegurar o diagnóstico de hipertensão arterial.

As leituras não apenas revelam a presença da hipertensão arterial, mas também auxiliam na classificação de sua gravidade. Após a hipertensão arterial ter sido diagnosticada[18], geralmente é avaliado seus efeitos sobre os órgãos-chave: coração, cérebro e rins. A retina (membrana sensível à luz localizada sobre a superfície interna da porção posterior do olho) é a única região onde o médico pode visualizar diretamente os efeitos da hipertensão arterial sobre as arteríolas.

Acredita-se que as alterações na retina sejam similares às alterações dos vasos sangüíneos de outras áreas do corpo, por exemplo, os rins. Para examinar a retina, o médico utiliza um oftalmoscópio (instrumento que permite a visualização do interior do olho). Ao determinar o grau de lesão da retina (retinopatia), o médico pode classificar a gravidade da hipertensão arterial. As alterações cardíacas – sobretudo a dilatação decorrente do aumento do trabalho necessário para bombeamento do sangue sob uma pressão elevada – podem ser detectadas através da eletrocardiografia e de radiografias torácicas.

Nas fases iniciais, as alterações são detectadas de forma mais eficaz pela ecocardiografia (técnica que utiliza ondas ultra-sônicas para a obtenção de imagens do coração). Um som (bulha) cardíaco anormal, denominado quarta bulha cardíaca, o qual pode ser auscultado com o auxílio de um cardíestetoscópio, é uma das primeiras alterações cardíacas provocadas pela hipertensão arterial e MAPA[19]. As primeiras indicações de lesão renal são detectadas principalmente pelo exame de urina. A presença de células sangüíneas e de albumina (um tipo de proteína) na urina, por exemplo, pode indicar a presença de uma lesão renal.

O médico também deve investigar a causa da hipertensão arterial, especialmente em pessoas jovens, embora isso seja possível em menos de 10% dos casos. Quanto mais alta for a pressão arterial e quanto mais jovem for o paciente, mais extensa deve ser a investigação da causa. A avaliação pode incluir radiografias e estudos renais com radioisótopos, a radiografia torácica e a determinação de determinados hormônios no sangue e na urina. Para detectar um problema renal, o médico inicialmente realiza uma anamnese (história clínica) do paciente, questionando sobre problemas renais preexistentes.

Em seguida, durante o exame físico, a área do abdômen sobre os rins é examinada, observando a presença de sensibilidade. Um estetoscópio é posicionado sobre o abdômen para auscultação de um ruído anormal (som característico do fluxo sangüíneo através de uma estenose da artéria que supre o rim). Uma amostra de urina deve ser enviada para análise laboratorial e devem ser realizadas radiografias ou ultra-sonografias do suprimento sangüíneo dos rins e, quando necessário, outras provas da função renal.

Quando a causa da hipertensão arterial é um feocromocitoma, são detectados na urina produtos metabólicos dos hormônios epinefrina (adrenalina) e norepinefrina (noradrenalina). Geralmente, esses hormônios também produzem várias combinações de sintomas como cefaléia intensa, ansiedade, palpitação (percepção de freqüência cardíaca rápida ou irregular), transpiração excessiva, tremor e palidez. Outras causas raras de hipertensão podem ser detectadas através de determinados exames de rotina. Por exemplo, a determinação do nível de potássio no sangue pode auxiliar na detecção de hiperaldosteronismo, e a mensuração da pressão arterial nos membros superiores e inferiores pode auxiliar na detecção da coarctação da aorta[20].

Tratamento

O objetivo principal do tratamento da hipertensão é a redução do risco cardiovascular, através da obtenção de níveis pressóricos adequados, controle dos fatores de risco e das lesões de órgãos alvo, obtidas em longo prazo.

1 Terapia não farmacológica

O tratamento não farmacológico deve ser instituído para todos os pacientes hipertensos como medida inicial ou associada ao tratamento farmacológico. Visa promover a redução dos fatores de risco coadjuvantes e promotores de hipertensão, permitindo assim um auxílio no controle pressóricos ou até mesmo a suspensão de agentes anti-hipertensivos.

2 Medidas farmacológicas preconizadas

1 Redução do Peso Corporal.

O excesso de peso é um dos fatores mais importantes para o aparecimento da hipertensão, havendo uma concomitância de 50% entre as duas condições. A obesidade, particularmente a do tipo visceral, está relacionada à hipertensão através de mecanismos neuro-hormonais (SRAA; simpático; resistência à insulina) e da retenção hidrossalina, que advém destes mecanismos. Além disso, a obesidade favorece o surgimento dos distúrbios metabólicos associados, como os diabetes e a dislipidemias. Assim, todos os hipertensos devem ter como meta um programa de redução do peso corporal, visando-se alcançar o índice de massa corporal ideal e circunferência de cintura < 102 cm nos homens e < 88 cm nas mulheres. A manutenção do peso corporal na faixa ideal para cada paciente, correspondendo a um IMC entre 18,5-24,9 kg/m2 promove reduções aproximadas na PAS entre 5-20 mmHg/10 kg.

2 Redução do Sal.

O aumento da ingestão de sal está sabidamente relacionado ao aumento nos níveis pressóricos e na prevalência de hipertensão. Estudos observacionais demonstram que a redução no consumo de sal, terá implicações favoráveis sobre o controle pressóricos, particularmente para grupos selecionados, como idosos, negros e obesos, nos quais os mecanismos de retenção hidrossalina estão exacerbados.

De forma geral, recomenda-se uma redução na ingestão de sódio, para cerca de 6g/dia (2.4g sódio), o equivalente a 3 colheres de chá rasas (divididas 2/3 na adição aos alimentos e 1/3 advindas dos mesmos). A ingestão dessas quantidades de sal promovem reduções de até 8 mmHg na PAS.

3 Suplementação de Potássio

A suplementação de potássio tem mostrado promover uma redução modesta na pressão arterial. A ingestão pode ser estimulada pela escolha de alimentos que além de serem ricos em potássio, tenham menor conteúdo de sal, como vegetais verdes ou amarelos e as frutas cítricas. Além disso, o uso de substâncias contendo cloreto de potássio ao invés de cloreto de sódio (sal “light”) pode ser utilizado como forma de suplementação. A utilização deve ser cautelosa em pacientes sob risco de hiperpotassemia (diabéticos; renais; usuários de IECA/ BRAII e poupadores de potássio).

4 Exercícios Físicos.

A prática de exercícios desde que bem orientada, além de promover a redução da pressão arterial (4-9 mmHg, em média, na PAS), diminui consideravelmente o risco da doença cardiovascular. As atividades aeróbicas devem ser estimuladas, numa freqüência de 3 a 4 vezes na semana, com duração de 30 a 60 minutos. Exercícios isométricos, até a pouco não recomendada, podem ser realizados com orientação específica.

5 Abandono do Tabagismo.

Embora o hábito de fumar não cause per se, elevação sustentada na pressão, muitos transtornos relacionados ao fumo têm sido demonstrados. Independente disto, os efeitos nocivos do cigarro ao sistema cardiovascular é amplamente documentado, especialmente nas mulheres e proporcionais ao número de cigarros fumados e à profundidade da inalação. Medidas terapêuticas específicas, e aconselhamento para o abandono do tabagismo devem ser repetidamente estimulados.

6 Redução do Consumo de Álcool

A relação entre o consumo de álcool e o aumento dos níveis pressóricos tem sido relatada e estudos clínicos demonstraram a redução pressórica mediante a restrição alcoólica, tanto em pacientes hipertensos, como em normotensos.A tabela a seguir identifica valores de consumo:

|Tabela 3 – Características das bebidas alcoólicas mais comuns |

|Bebida |% de etanol |Quantidade de etanol (g) |Volume para 30 g de etanol|Consumo máximo tolerado |

| |(º GL Gay Lussac) |em 100 ml | | |

|Cerveja |~ 6% (3-8) |6 g/100 ml x 0,8* = 4,8 g |625 ml |~ 2 latas (350 x 2 = 700 |

| | | | |ml) ou 1 garrafa (650 ml) |

|Vinho |~ 12% (5-13) |12 g/100 ml x 0,8* = 9,6 g|312,5 ml |~ 2 taças de 150 ml ou 1 |

| | | | |taça de 300 ml |

|Uísque, vodka, aguardente |~ 40% (30-50) |40 g/100 ml x 0,8* = 32 g |93,7 ml |~ 2 doses de 50 ml ou |

| | | | |3 doses de 30 ml |

|* Densidade do etanol. |

Recomenda-se limitar a ingestão a 20-30g/ dia para os homens e 10-20 g/ dia para as mulheres, o que corresponde nos homens a 720 ml de cerveja, 240 ml de vinho e 60 ml de destilados.

7 Medidas Suplementares

A suplementação de cálcio e a ingestão de alimentos ricos em cálcio e magnésio, como frutas, verduras e laticínios com baixo teor de gordura, tem mostrado efeitos favoráveis à redução pressórica e, portanto devem ser enfatizadas. Além disso, mudanças dietéticas e medicamentosas, visando o controle de outros fatores de risco, como o diabetes e a dislipidemias, devem fazer parte do plano terapêutico aos hipertensos selecionados, através do seguimento das diretrizes estabelecidas para estas condições.

Mudança de Vida

Pelo que foi dito e pesquisado acima, já é possível se ter uma idéia de medidas simples, porém eficientes, que se pode ter para o controle da Hipertensão Arterial. Em primeiro lugar, o hábito de se "medir a pressão", deve fazer parte do cotidiano das pessoas. Claro que se deve procurar locais onde existam pessoas capacitadas para fazer essa medida, para que os valores obtidos sejam de confiança[21].

O bom senso é o melhor conselheiro na questão do uso de cigarros e bebidas alcoólicas, sendo que cada um deve saber o limite entre o costume e o prejuízo que pode ser causado por cada um deles. Na questão das bebidas alcoólicas, por exemplo, as cervejas possuem entre 4 e 6% de teor alcoólico, os vinhos, entre 7 e 20%, as aguardentes e o whisky, 40 e 55%, a vodca, perto de 70%. Então cada uma dessas bebidas deve ser tratada de forma diferente.

A obesidade deve ser encarada como um desafio a vencer, e esse item está melhor desenvolvido no caso do diabetes.A questão do uso excessivo de sal na alimentação merece algumas considerações sobre o que eu vi e vejo nos 22 anos de clínica.

O primeiro problema é que os médicos não dão a devida importância para a redução do sal na dieta, como parte de um projeto de tratamento de Hipertensão Arterial, por apostarem na utilização de drogas hipotensoras ou por não desejarem interferir no cotidiano da família do paciente. O segundo problema, é que os pacientes não encaram com a devida seriedade esta ação, talvez pelos mesmos motivos, ou por não contarem com autonomia suficiente para decidir sua dieta. A verdade é que, apenas uma pequena parte dos hipertensos, realmente, reduz a ingestão de sal, tornando necessário o uso ou o aumento da dose dos medicamentos, encarecendo o tratamento.

Se a Hipertensão Arterial em si, já é um problema, imagine quando ela é "ajudada" por outras doenças ou situações. Como por exemplo o diabetes, já que ambos causam danos para a circulação, rins, coração e cérebro.

1 Dicas de Bem Viver

• Cuidar da saúde; Fazer check-up regularmente.

• Relacionar-se bem com as pessoas que ama e com os amigos.

• Procurar conviver com o melhor de si.

• Fazer concessões a si próprio.

• Não dar muita importância aos erros; Aprender com eles.

• Confiar em si próprio e na capacidade de adaptar-se às mudanças e inovar.

• Tirar férias regularmente.

• Ter consciência de sua competência profissional.

• Saber "vender" seu trabalho e suas habilidades, muitas vezes esquecidas.

• Pedir ajuda para solucionar problemas.

• Praticar um “hobby”.

• Viajar, olhar o mundo com outros olhos.

• Conversar com pessoas animadas e que tenham excelente astral, pois isso ajuda a relaxar e a se soltar.

• Gerenciar o tempo para aproveitar melhor o seu dia. Reconhecer seus limites.

• Praticar esportes ou longas e sadias caminhadas.

• Ler, ouvir música, assistir a um bom filme e caminhar despreocupadamente reduz o estresse.

• Sair, namorar, fazer um programa diferente com quem ama.

• Espreguiçar, respirar fundo e pausadamente sempre que estiver angustiado ou ansioso.

• Alimentar-se saudavelmente e aproveitar o horário das refeições para descontração.

• Ser afetivo! Crer no amor!

• Viver com paixão.

Acredite que estes tempos modernos são espetaculares para quem souber viver com equilíbrio nos diversos papéis que exerce, lutando, fazendo redefinições. Pense nisso... Comece. E Sucesso!

Considerações Finais

São muitas as informações e situações vivenciadas no dia-a-dia, fazendo os indivíduos pensarem somente em trabalho, reuniões, problemas e insatisfações, afastando-se da possibilidade de se dar um tempo para pensar em si mesmo, viver cada momento com emoção e qualidade.

Precisa-se rever valores, adotar a qualidade de vida como prioridade, entendendo a importância de fazer concessões a si mesmo e as pessoas que se ama, estabelecendo o equilíbrio pessoal, familiar e profissional.

Sabe-se que é difícil equilibrar o desfrute e o trabalho quando tudo ao redor mostra que para se ter sucesso, poder e status é preciso trabalhar e agarrar todas as oportunidades oferecidas.Sucesso solitário não tem sentido. É preciso aliar sucesso à felicidade. Este é o desafio para o homem. Isto pode parecer difícil, mas não é impossível.

As características da sociedade de hoje, individualista, competitiva, aglomerada e espremida no espaço urbano, sedentária, tabágica, com hábitos alimentares errados, ingestão excessiva de calorias e álcool, fariam da hipertensão arterial uma doença da modernidade e civilização. Além dos elementos sócio-culturais, também existem influências intrapsíquicas, representadas pelos conflitos e pelo modo peculiar da pessoa avaliar e enfrentar situações.

A compreensão das reações emocionais do paciente diante do adoecer deve ser muito valorizada pelo médico, embora, na prática, isso freqüentemente tem sido ignorado. A doença costuma ser estudada e entendida apenas pelo seu lado anatômico, clínico e sintomatológico. O que se pleiteia para o clínico é um enfoque mais generalista, através da compreensão da pessoa que vive sua doença.

A necessidade de uma abordagem psicossocial do cardiopata fez com que se reconhecesse o importante papel da informação sobre a doença na relação médico-paciente e, principalmente, na relação doente-doença, com evidentes benefícios à saúde do paciente. As falhas na educação apropriada repercutem na recuperação do paciente, nos cuidados pessoais, na ausência das necessárias mudanças de hábitos e, conseqüentemente, ficariam aumentadas as chances de resultados terapêuticos insatisfatórios.

Felicidade não depende só de dinheiro, poder, casa bonita, emprego estimulante, carreira brilhante, carro novo, etc. Estas coisas contam, mas muitos têm tudo isso e não são felizes. Para ser feliz é preciso ter coragem de se expor. Para receber é preciso dar. Não ter vergonha de mostrar que se necessita de amor, segurança, apoio, carinho e reconhecimento, procurando viver em sintonia consigo mesmo e com os outros ao seu redor.

Para ser feliz é fundamental viver a vida plenamente. Cuidar de si mesmo e dos que o amam. Procurar e descobrir o que fazer para ter sucesso nos papéis pessoal, familiar e profissional.Divertir-se. Aproveitar a oportunidade para aprender com os erros - descobrí-los e eliminá-los. Para melhor entender a importância de ser feliz, eis algumas dicas que ajudarão a gerenciar melhor a vida.

Referencias Bibliográficas

RANG, H.P. DALE, M.M. RITTER, J.M. MOORE, P.K . Farmacologia. 5ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

HAYNAL, André. ARCHINARD, M. PASINI, Willy. Medicina psicossomática:Abordagem Psicossociais.. 3ª ed. São Paulo: Medsi, 2001.

KNOBEL, E. Condutas no Paciente Grave. Ed. Atheneu, São Paulo. 1994.

MELLO, Julio. Psicossomática Hoje. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1992.

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[1] Visão da região anterior do coração, com parte do pericárdio removido. Observa-se a musculatura ventricular, os átrios direito e esquerdo, a veia cava superior, a crossa da aorta e a artéria pulmonar.

[2] Corte longitudinal do coração mostrando os ventrículos direito e esquerdo (este com a musculatura mais espessa), os átrios direito e esquerdo, as válvulas tricúspide, mitral, aórtica e pulmonar. Observa-se a representação do fluxo sanguíneo (setas) desde a cava superior, átrio e ventrículo direitos e artéria pulmonar, até as veias pulmonares, átrio e ventrículo esquerdos e aorta.

[3] VLADIMIR V. FROLKIS & VLADISLAV V. BEZRUKOV & OLEG K. KULCHITSKY, Centro hemodinâmico: regulação nervosa central. Relações diretas no sistema de regulação neuro-humoral. Realimentação no sistema de regulação neuro-humoral. Mecanismos locais de regulação. Aterosclerose. Hipertensão arterial. Insuficiência coronária. Insuficiência cardíaca. Peculiaridades individuais, populacional e específica da espécie do envelhecimento do sistema cardiovascular.

[4] Perez, Vince. Resumo completo do Sistema Circulatóri.São Paula. Barros, Fischer e Associados.2003.

[5] COTRAN, R. S., M.D.; KUMAR, V., M.D.; COLLINS, T., M.D.. Robbins – Patologia Estrutural e Funcional. 6a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

[6] ANJOS, L. A. Valores antropométricos da população adulta brasileira: resultados da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição. Tese apresentada ao Departamento de Nutrição Social da Universidade Federal Fluminense para concorrer à vaga de professor titular em Nutrição e Saúde Pública, Rio de Janeiro, 1993. 53pp.

[7] NANDA International, Diagnósticos de Enfermagem da NANDA; definições e classificação, 2007-2008.

[8] Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; Vol.33 nº6 Rio de Janeiro Nov. 2006.

[9] Protocolo de hipertensão arterial, Comissão de Adultos - Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Campinas, 1997

[10] Uma queda na pressão arterial (1) provoca a liberação de renina, uma enzima renal. Por sua vez, a renina (2) ativa a angiotensina (3), um hormônio que provoca contração das paredes musculares das pequenas artérias (arteríolas), aumentando a pressão arterial. A angiotensina também desencadeia a liberação do hormônio aldosterona pelas glândulas adrenais (4), provocando a retenção de sal (sódio) e a excreção de potássio. O sódio promove a retenção de água e, dessa forma, provoca a expansão do volume sangüíneo e o aumento da pressão arterial.

[11] LUNA, R. L. Hipertensão Arterial. Rio de Janeiro: MEDSI, 1989.

[12] COOPER, Dr. K. H. Controlando a Hipertensão. Rio de Janeiro: Nórdica, 1990

[13] SELYE, Hans. Stress, a Tensão da Vida. .Ed. Ibrasa, 1965.

[14] O'NEILL, Maria José. LER/DORT - O Desafio de Vencer. Ed. Particular.

[15] SUTHERLAND, Valerie & COOPER, Cary L. Strategic Stress Management: An Organizational Approach. MacMillan, 2000.

[16] Organização Mundial de Saúde/ Sociedade Internacional de Hipertensão, 2004. Congresso Brasileiro de Hipertensão Arterial

[17] HERKENHOFF, F.L. Comportamento laboratorial e ambulatorial da pressão arterial. Tese de Doutorado. Departamento de Ciências Fisiológicas. Universidade Federal do Espírito Santo, 1997.

[18] DEF; Dicionário de Especialidades Farmacêuticas; 36ª Ed. 2007/2008.

[19] Mapa (Monitorização Ambulatorial) e MRPA (Monitorização Residencial da Pressão Arterial)

[20] Consenso Nacional sobre Hipertensão Arterial, Ministério da Saúde, 1994

[21] BALLONE GJ – Psicossomática e Hipertensão Arterial - in. Psiq Web, Internet, disponível em: http://www.psiqweb.med.br/. Acesso em : 10 de junho.2011.