Trabalho Completo Projeto Multiciplinar

Projeto Multiciplinar

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Categoria: Outras

Enviado por: Luiza 31 outubro 2011

Palavras: 1539 | Páginas: 7

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reendedorismo e potencializa o país perante o mundo nesse milênio. Dornelas (2001, p. 25 e 26) cita alguns exemplos:

1- Os programas SOFTEX e GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviço), que apóiam atividades de empreendedorismo em software, estimulando o ensino da disciplina em universidades e a geração de novas empresas de software (start-ups).

2- Ações voltadas à capacitação do empreendedor, como os programas EMPRETEC e Jovem Empreendedor do SEBRAE. E ainda o programa Brasil Empreendedor, do Governo Federal, dirigido à capacitação de mais de 1 milhão de empreendedores em todo país e destinando recursos financeiros a esses empreendedores, totalizando um investimento de oito bilhões de reais.

3- Diversos cursos e programas sendo criados nas universidades brasileiras para o ensino do empreendedorismo. É o caso de Santa Catarina, com programa Engenheiro Empreendedor, que capacita alunos de graduação em engenharia de todo o país. Destaca-se também o programa REUNE, da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), de difusão do empreendedorismo nas escolas de ensino superior do país, presente em mais de duzentas instituições brasileiras.

4- A recente explosão do movimento de criação de empresas de Internet no país, motivando o surgimento de entidades com o Instituto e-cobra, de apoio aos empreendedores das ponto.com (empresas baseadas em Internet), com cursos, palestras e até prêmios aos melhores planos de negócios de empresas Start-ups de Internet, desenvolvidos por jovens empreendedores.

5- Finalmente, mas não menos importante, o enorme crescimento do movimento de incubadoras de empresas no Brasil. Dados da ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas) mostram que em 2000, havia mais de 135 incubadoras de empresas no país, sem considerar as incubadoras de empresas de Internet, totalizando mais de 1.100 empresas incubadoras, que geram mais de 5.200 empregos diretos.

Essas iniciativas são de suma importância para os empreendedores brasileiros que apesar dos percalços são fundamentais para a economia do país. No entanto, é necessário que ações governamentais resgatem o avanço proveniente da iniciativa privada e de entidades não-governamentais, valorizem a capacidade empreendedora dos brasileiros e solucionem os problemas apontados no relatório Global Monitor (GEM) - Monitor Global do Empreendedorismo, organizado pela Babson College, EUA, e London School of Business, Inglaterra, e realizado em 29 países, apontou os seguintes resultados para o Brasil em 2001 (BRITTO; WEVER, 2003, p.20 e 21):

•O Brasil possui um nível relativamente alto de atividade empreendedora: a cada 100 adultos, 14,2 são empreendedores, colocando-o em quinto lugar do mundo. No entanto, 41% deles estão envolvidos por necessidade e não por oportunidade;

•As mulheres brasileiras são bastante empreendedoras: a produção é de 38%, a maior entre os 29 países participantes do levantamento;

• A intervenção governamental possui duas facetas: tem diminuído, mas ainda se manifesta como um fardo burocrático;

• A disponibilidade de capital no Brasil se ampliou. Mas muitos empreendedores brasileiros ainda percebem o capital como algo difícil e custoso de se obter. Para piorar, os programas de financiamento existentes não são bem divulgados;

• A falta de tradição e o difícil acesso aos investimentos continuam a ser principais impedimentos à atividade empreendedora, o brasileiro não tem o hábito de fazer planos para o longo prazo, devido à conjuntura econômica do país. Nos países desenvolvidos, é perfeitamente comum o financiamento de imóveis, com planos que levam de dez a trinta anos para serem liquidados. Existe uma necessidade urgente de estimar as práticas de investimentos;

• O tamanho do país e suas diversidades regionais exigem programas descentralizados. As diferenças regionais de cultura e infra-estrutura também exigem uma abordagem localizada do capital de investimento e dos programas de treinamento;

• Infra-estrutura precária e pouca disponibilidade de mão-de-obra qualificada têm impedido a proliferação de programas de incubação de novos negócios fora os centros urbanos;

• No Brasil não existem políticas industriais concretas, as políticas aqui existentes giram em torno de subsídios e tarifas, políticas protecionistas são nocivas à economia, pois agindo desta forma, o país pode ser vítima de políticas intervencionistas por parte de outros países, o que dificulta as exportações. Contudo, a consolidação do capital de risco e o papel do Angel (“anjo”- investidor pessoa física) também estão se tornando realidade, motivando o estabelecimento de cenários otimistas para os próximos anos;

• Existe uma necessidade de aprimoramento no sistema educacional como um todo o que estimulará a cultura empreendedora entre os jovens adultos;

• Não há proteção legal dos direitos de propriedade intelectual, altos custos para registros de patentes no país e fora dele e parcos mecanismos de transferência tecnológica. As universidades ainda estão isoladas da comunidade de empreendedores.

Obstáculos e a questão Cultural:

As pesquisas GEM dos últimos anos mostram que os três obstáculos ao empreendedorismo no Brasil são: burocracia excessiva, dificuldade de acesso a capital e capacitação insuficiente. Como se explica, então, que países de tradição burocrática e tendo uma renda per capita baixa consigam ter um alto nível de empreendedorismo como China, Hungria, África do Sul e outros? A capacitação pesa mais que o restante?

Tais obstáculos são apontados principalmente na pesquisa com especialistas que, quando respondem, estão pensando, sobretudo, nos empreendimentos que operam na economia formal, aos quais, de fato, a burocracia é a principal barreira, inclusive para o acesso ao capital. O problema da capacitação, neste caso, normalmente é pensado do ponto de vista das habilidades gerenciais do empreendedor e da competência dos trabalhadores em lidar com tarefas complexas, freqüentes em negócios de maior conteúdo tecnológico e com maiores perspectivas de sobrevivência, que é o empreendedorismo de maior qualidade e de maior impacto na economia. Todavia, esses obstáculos têm uma influência bem menor sobre os negócios de pequeno porte que operam na informalidade, que são a imensa maioria dos empreendimentos por necessidade no Brasil. Os demais países citados têm taxas de empreendedorismo menores que a nossa, sendo que dois deles, Hungria e África do Sul, com cerca de 5%, estão abaixo da média dos países participantes.

A burocracia para abrir, manter e fechar negócios formais é uma das maiores do mundo. No Brasil, são necessários 15 procedimentos, realizados em diferentes instituições e lugares, para abrir uma empresa. Para que ela funcione efetivamente, leva cerca de 158 dias. Para fechar, é pior: pode levar 10 anos (esses e outros dados sobre o tema podem ser encontrados na publicação do Banco Mundial, “Doing Business 2004”, disponível no site da instituição).Tudo isso representa um desestímulo a quem deseja experimentar, arriscar-se numa atividade capitalista. Essa é uma das razões porque muitas empresas mantêm-se na informalidade.

E Qual é o peso da questão cultural no empreendedorismo? Essa cultura "boa de improviso" e "otimista" que é atribuída ao brasileiro não é um fator importante para o empreendedorismo, como muitos acreditam?

O fator cultural, na verdade, não pode ser isolado de outras variáveis, como as econômicas e institucionais. O GEM tem revelado, por exemplo, que países de herança cultural próximas, mas de níveis diferentes de desenvolvimento, podem apresentar taxas bastante distintas: Espanha e Argentina, Japão e Coréia do Sul, entre outros.

A pesquisa mostra também que os aspectos culturais mais relevantes são menos ligados a um suposto caráter nacional dos povos do que a atitudes frente aos desafios da vida, como acreditar que ser empresário é uma boa opção de carreira, enxergar boas oportunidades no mercado, não ter medo do fracasso a ponto de desistir de empreender e assim por diante. Tais atitudes estão presentes na população brasileira, conforme revela o GEM.

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