Trabalho Completo Supervisão Pedagógica

Supervisão Pedagógica

Imprimir Trabalho!
Cadastre-se - Buscar 155 000+ Trabalhos e Monografias

Categoria: Ciências Sociais

Enviado por: Lorena 02 dezembro 2011

Palavras: 3025 | Páginas: 13

...

ensino-aprendizagem no desenvolvimento eficaz dos alunos no que diz respeito ao ensino.

Serão referidos a seguir os cenários de supervisão com um olhar reflexivo sobre os modos de agir dos profissionais que se baseiam na reflexão sobre a acção e formação dos professores. Neste cenário reflexivo o papel do supervisor é encorajar essa reflexão e compreender os elementos essenciais para o processo de ensino-aprendizagem na instituição escolar.

2. CONCEITOS DE SUPERVISÃO

Nos dias actuais, o conceito de supervisão em Portugal, vem florescendo aos poucos. A maior parte de investigação e práticas são de muitos autores estrangeiros e que não enquadram com a realidade portuguesa. Ainda assim, estão sendo diversificadas por várias instituições de ensino superior com pós-graduações, mestrados e doutoramento nesta área; ela surge como uma literatura consistente e que emerge diversos investigadores e autores para contribuir e requalificar os profissionais em exercício que actuam na área da educação e tem como objectivo a mudança da qualidade do ensino e da escola de acordo com Alarcão & Roldão (2010):

“As novas tendências supervisivas apontam para uma concepção democrática de supervisão e estratégias que valorizam a reflexão, a aprendizagem em colaboração, o desenvolvimento de mecanismos de auto-supervisão e auto-aprendizagem, a capacidade de gerar, gerir e partilhar o conhecimento….” (ALARCÃO & ROLDÃO, 2010:19).

Com as transformações que a educação portuguesa tem vivido, a Avaliação de Desempenho surgiu como impulso, para que as práticas supervisivas passem a ser úteis à mudança. No entanto, estas práticas exercem o sentido de vista negativo e a supervisão não é encarada como uma forma construtiva; contudo é considerada apenas a função de avaliar o desempenho do professor.

A supervisão não pode ser limitativa. A inspecção e verificação do que o professor tem realizado na sua prática lectiva diária, não deverão ser somente com um número restrito de aulas assistidas. O conceito de supervisão não pode ser estabelecido numa relação interpessoal pouco dinâmica; ser absolvido da sua função formativa para ter proporções correctivas e classificativas.

Maria Franco em sua tese de mestrado define que a política para a educação deve ser explícita e clara e cita:

“Sempre imaginamos que uma política educacional pública deve expressar os anseios da comunidade a que se destinam, suas directrizes e propostas, assim como imaginamos que uma política pública deve estar atenta e oferecer respostas às necessidades geridas e construídas na práxis histórica dos sujeitos que convivem em suas dimensões; no caso, das políticas educacionais, referimo-nos aos educadores/as que militam nas diversas esferas por onde a educação transita.

Pressupomos ainda que uma política educacional, num estado de direito democrático, deva buscar canais de diálogo com os que estarão implicados, directa ou indirectamente, com as conseqüentes normatizações de suas legislações. Acreditamos, eu e milhares de educadores, que as intencionalidades de uma política, fundamentalmente a educacional, devem ser explícitas e dialogantes; devem ser expressas claramente e devem se reger por princípios e valores que fundamentam e sustentam tais intencionalidades. Enfim, imaginamos que políticas devem se pautar em pressupostos, e expressar valores que justifiquem as escolhas e procedimentos tomados. Se não forem explícitos, tais pressupostos deixam de ser justificantes e passam a ser oportunistas, pois mudam de valor quando a situação se altera. (FRANCO, 1996:57)

O supervisor, para tanto, deve ser o articulador e organizador pedagógico da e na escola. Deve garantir uma coerência e uma unidade de concepção entre as áreas do conhecimento, respeitando as suas especificidades. Cabe ao supervisor tornar conhecidos, por todo o colectivo escolar, os princípios e finalidades da educação definidos.

No processo de construção colectiva, o projecto pedagógico vai ganhando uma dimensão maior que a mera definição da proposta existente. O supervisor é, portanto o mediador na interacção com professores e alunos que deve observar e “captar” os problemas e dificuldades para que, no colectivo, possam ser pensadas as acções que conduzam aos caminhos para equacionar os problemas em torno da escola.

Cabe aqui, à luz de referenciais conceituados e legais, sistematizar o papel do supervisor escolar, não com o objectivo de atropelar as questões pontuais diárias, mas com a intenção de igualar o supervisor para, juntamente com o colectivo da escola, lutar por espaço para o cumprimento do seu real papel.

A supervisão pedagógica deve ser um indicador de qualidade positiva associada ao critério: “promover a capacidade de reflectir, criticamente, sobre a acção profissional” (ALARCÃO & ROLDÃO, cit. por SCHON 2010:64).

Este é um campo de estudos com identidade e problemática própria, que não está de acordo com as necessidades essenciais para transformar a educação. Neste meio tempo, tem encoberto o que é importante na supervisão pedagógica; o desenvolvimento profissional e a melhoria das práticas pedagógicas.

Estrela (1994) enfatiza que: “do ponto de vista histórico, a prática educativa não é uma acção que deriva de conhecimento prévio, como acontece com certas engenharias modernas, mas sim uma actividade que gera cultura intelectual, em paralelo com a sua existência, como aconteceu com outras práticas sociais e ofícios.” (ESTRELA, 1994, p.70).

O supervisor com a citação acima referida vai de encontro com as necessidades. Diversifica o sistema educativo com inovações e molda aos seus formandos a imagem da transformação. Sabemos que a cultura intelectual é de grande importância e que para o bem comum, tudo que envolve o meio não deve perdurar mas, ser também transformado.

A educação, como noutras áreas da ciência, tem que acompanhar a evolução dos tempos e envolver-se e aprender reflectindo.

2.1 MODELOS DE SUPERVISÃO PEDAGÓGICAS

“Cada professor deve ser preparado para encontrar, por si mesmo, os comportamentos mais adaptados à sua personalidade e mais eficazes para o desempenho da sua função. Isto exige, por parte do professor, a aquisição de uma atitude experimental, de um conhecimento teórico sobre a investigação e experiências de “SKILLS” técnicos para o controlo dos meios de ensino e de conhecimentos de técnicas de avaliação para analisar o “FEEDBACK” com os objectivos educacionais.” (ESTRELA cit.por DICKSON, KEAN E ANDERSEN 1994: p.27).

Como citou Estrela, cada professor deve estar preparado para o que surgirá na sua vida profissional. Neste caso os modelos de supervisão estão vinculados no crescimento, melhoria e enquadramento de cada pessoa. Somos deparados com muitas realidades que são analisadas pelos teóricos e que demonstram vários caminhos, que algumas vezes não são fáceis de serem percorridos.

Na literatura encontramos uma variedade de modelos de supervisão. ALARCÃO E TAVARES, (2003) apresentam nove cenários de supervisão que têm diferentes concepções sobre supervisão. Esses cenários encontram-se compartimentados e são utilizados frequentemente:

• IMITAÇÃO ARTESANAL: Praticam com o mestre, imitam como aprender e fazer, passa de geração em geração, perpetuam a cultura.

• APRENDIZAGEM PELA DESCOBERTA GUIADA: Desvenda-se o que é ensinado pelo professor na aprendizagem do aluno, explica como é que ele produzia e porquê.

• BEHAVIORISTA: Realizado através de uma mini-aula, não necessariamente gravada em vídeo. Após a aula, era analisado pelo professor a actuação pedagógica. Sendo ajudado pelos comentários, demonstra que o modo como se ensina é mais importante do que o conteúdo.

• CLÍNICO: O supervisor espelha-se no modelo clínico da formação de médicos. Consiste em melhorar a prática de ensino dos professores, analisando os dados recolhidos e procedendo à sua interpretação.

• PSICOPEDAGÓGICO: O supervisor tem influência directa sobre a aprendizagem e o desenvolvimento do professor. Só tem influência indirectamente sobre à aprendizagem e o desenvolvimento dos alunos.

• PESSOALISTA: O Supervisor partilha a ideia da importância do desenvolvimento do professor. Encoraja para a descoberta e ideias próprias.

• REFLEXIVO: Baseia-se na reflexão sobre a acção da construção situada no conhecimento profissional. O supervisor enfatiza o papel encorajador da exploração das capacidades de aprendizagem.

• ECOLÓGICO: A supervisão tem a função de proporcionar e gerir experiências diversificadas, facilitadoras de transições ecológicas para o desempenho de novas actividades.

• DIALÓGICO: O desenvolvimento profissional dos professores é favorecido pela verbalização do seu pensamento reflexivo. Professores e supervisores são parceiros interessados na inovação.

Todos os elementos contidos nestes cenários são válidos e visam essencialmente a orientação do formando e a melhoria da educação nas escolas.

O supervisor surge como facilitador e orientador do formando com experiências vivenciadas empreendendo de uma maneira diferente os modelos de supervisão.

O supervisor, junto com a sua equipa, pode criar os cenários próprios para o desenvolvimento das aprendizagens do universo escolar em geral, orientando o processo de elaboração do planeamento de ensino junto dos professores da escola promovendo estudos sistemáticos, trocas de experiências, debates e oficinas pedagógicas.

2.2 PRÁTICAS DE SUPERVISÃO PEDAGÓGICA

Na prática pedagógica de carácter antropológico, NÓVOA (1994) afirma:

“Como aconteceu em muitos outros domínios da cultura humana, a prática da educação existiu antes que tivéssemos um conhecimento formalizado sobre a mesma e é anterior ao aparecimento dos sistemas formais de educação. A educação dos filhos é uma prática social com uma vasta história em todos os grupos humanos, constituindo uma espécie de cultura partilhada, em relação à qual todos temos experiências e opiniões. Apesar da existência de perspectivas distintas, que radicam em diferenças sociais ou culturais, há algumas permanências de fundo”. (NÓVOA, 1994, p.69).

Tudo o que observarmos ao nosso redor envolve prática e a aprendizagem está sempre registada e estamos sempre usando novas maneiras de gerir as competências que já possuímos.

A prática gera algumas vezes a incerteza e alguns conflitos de valores que escapam à racionalidade técnica do supervisor. O saber profissional e a prática não podem ser racionados para encontrar nas problemáticas respostas, que vão ao encontro de qualquer situação, mas que através da reflexão desenvolvem regras e métodos que ajudam na prática pedagógica do momento.

O supervisor actuante na escola precisa de apoiar-se no planeamento, o que significa um conjunto de habilidades que permite o desenvolvimento de técnicas e de relacionamento social. Quanto mais se puder planear e estabelecer metas, mais possibilidades de um resultado positivo existirão.

Nas práticas pedagógicas, cabe ao supervisor detectar os problemas, nomeá-los e observá-los. Reflectir junto com o formando se as práticas são de risco e em que se pode mudar ou melhorar. Geralmente as problemáticas são de várias formas, mas juntos devem experimentar incertezas. Quando não se chega a nenhuma conclusão ou a um modelo satisfatório, não se deve lidar somente com a parte técnica, mas utilizar a bagagem profissional com experiências vivenciadas.

As práticas pedagógicas devem ser reflexivas e avaliadas a cada processo de trabalho, retornando ao cenário reflexivo; (ALARCÃO E ROLDÃO, 2010, p.30) afirmam; “A reflexão é considerada como promotora de conhecimento profissional, porque radica numa “atitude de questionamento permanente – de si mesmo e das suas práticas em que a reflexão vai surgindo como instrumento de auto-avaliação reguladora do desempenho” e geradora de novas questões”. A reflexão tem as seguintes razões para ser valorizada;

• Motiva para uma maior exigência e auto-exigência;

• Consciencializa para a complexidade da acção docente e para a necessidade de procurar e produzir conhecimento teórico para nela agir;

• Contribui para a percepção da relação teórico-prática como um processo de produção de saber e não como uma dicotomia servida por uma lógica de aplicação;

• Promove uma atitude analítica da acção e da prática profissional;

• Desenvolve auto conhecimento e a autonomia;

• Proporciona maior segurança na acção de ensinar;

• Confere maior interesse e capacidade de experimentar novas abordagens.

Supervisor e formando são responsáveis pela modelação da prática, o formando não define a prática, mas sim o papel que desempenha, a sua actuação é que concretiza e propaga as várias determinações no contexto em que participa.

As práticas têm muito que haver na maneira como aprendemos e estas aprendizagens influenciam nas decisões e acções que tomamos espontaneamente sem haver declarações de regras ou procedimentos a serem seguidos.

2.3 A INTERACÇÃO ENTRE O SUPERVISOR E O FORMANDO

O desenvolvimento profissional acontece através do pensamento, da linguagem e do diálogo construtivo estabelecendo o acordo entre o formando e o supervisor, onde ambos se interessam em mudanças positivas nos processos educativos.

Para Alarcão (2010) há quatro elementos essenciais para a compreensão de todo processo de ensino /aprendizagem onde o supervisor deve interagir com o formando, sendo:

1) Os sujeitos e seu estádio de desenvolvimento

2) As tarefas a realizar

3) Os conhecimento a adquirir

4) E o clima afectivo – relacional envolvente

Existem outros sujeitos que fazem parte de todo esse processo, como: pais, técnicos, funcionários. No que se refere aqueles que intervêm directamente no processo de aprendizagem, estão o professor, supervisor e alunos.

A função do supervisor implica uma visão responsável na orientação da prática pedagógica, auxiliando o desenvolvimento do aluno e do professor em formação para que o processo de aprendizagem aconteça em todos os aspectos.

“ Só assim o supervisor e o professor como agentes do processo ensino/ aprendizagem exercerão uma interacção verdadeiramente eficaz na aprendizagem e no desenvolvimento dos alunos, continuarão a desenvolver-se e a aprender como adultos e consequentemente, a melhorar o seu proprio ensino. (ALARCÃO, 2010, p.70).

A relação interpessoal entre supervisor e professor deve ser dinâmica com o objectivo de potencializar as capacidades tanto de um como do outro, como pessoa e como profissional.

O supervisor deve procurar desenvovler gradulamente no professor a capacidade de tomar as decisões necessárias com relação à prática pedagógica visando uma apredizagem significativa dos seus alunos.

As atitudes supervisoras devem ser de respeito, atenção, coragem, opiniões, orientações, condicionamentos entre outras que determinam sentimento de apoio que favoreçam atitudes no professor como reflexão, determinação, iniciativa própria e responsabilidade.

Cada pessoa é única e estes formandos merecem uma atenção especial e individual, pois cada um tem uma personalidade e um nível de desenvolvimento afectivo e cognitivo diferente, onde o trabalho difere de acordo com o seu desenvolvimento profissional. Neste contexto o supervisor deve ter um olhar para as caracterisiticas do profissional e do ambiente de trabalho na escola.

CONCLUSÃO

Este trabalho faz-nos compreender o papel que a pessoas exercem dentro da escola e como as suas potencialidades se desenvolvem no aspecto humano, individual e colectivo.

O supervisor deve actuar como um líder democrático fazendo com que cada pessoa sob a sua responsabilidade possa dar o melhor de si próprio, motivando os formandos para que o seu trabalho seja reflectido e obtenha resultados positivos.

O formando precisa de sentir segurança, onde discutir as suas dúvidas metodológicas e pedagógicas, enriquecer a sua prática pedagógica com a responsabilidade de formar o carácter e educar os seus alunos para os desafios da vida.

Assim, o supervisor pedagógico deve ser aquele que actua na formação de pessoas, enfatizando a relação entre todos os sujeitos, com a cumplicidade de ensinar e permitir aprender através das trocas de experiências e de novas ideias.

A supervisão não tem um cariz castigador mas sim, o de motivar e incentivar novas metodologias que vão favorecer profundamente a educação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALARCÃO, I. e TAVARES, J., (2003), Supervisão e Prática Pedagógica, Coimbra, Almedina (2ªed.)

ALARCÃO, I. E ROLDÃO, M.C., (2010), SUPERVISÃO. Um contexto de desenvolvimento profissional dos professores, Mangualde, Ed. Padago

FRANCO, MARIA, AMÉLIA R.S. A Pedagogia com ciência da educação: entre praxis e epistemologia 2001. Faculdade de Educação. Universidade de São Paulo.

NÓVOA, A., (1991), Profissão Professor, Porto, Porto Editora

SCHON, D. A., (2000), Educando o Profissional Reflexivo, Porto Alegre, Artmed