Trabalho Completo Vida E Obra De Santo Agostinho E Sao Tomas

Vida E Obra De Santo Agostinho E Sao Tomas

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Categoria: Filosofia

Enviado por: horaciochave 14 abril 2013

Palavras: 4128 | Páginas: 17

INTRODUÇÃO

O presente trabalho se torna relevante, no sentido de que através dele, muitos acadêmicos possam ter a chance de obter um maior conhecimento sobre a vida e obra de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, uma vez que, apesar de possuir algumas obras a este respeito, seu acesso ainda é restrito.

Falar de Agostinho e Aquimo, dedicaram suas vidas na persecução dos ideias cristãs merecendo desta forma a designação de arquitetos da igreja católica, falar destes, é sobretudo falar da vida da filosofia, onde ambos se preocuparam em pensar sobre as essências das “coisas” (Deus, a natureza, o ser humano, a verdade, o conhecimento, etc.) essas ideias metafísicas procuravam justificar através da razão a conduta e a moral da tradição cristã.

Nestas concepções filosóficas, assegura-se que um homem para aprender só aprende quando existir a vontade de Deus. Baseando-se nas ideias ou objecto de psicologia que é a “razão” o homem procura se explicar às particularidades do mais simples ao complexo produzindo assim o conhecimento.

OBJETIVOS GERAL

 Mostrar a vida e obra de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, se aprofundando na obra AS CONFISSÕES, O Ente e a Essência.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Mostrar como a obra O Ente e a Essência é importante na formação social do indivíduo;

 Demonstrar a religiosidade que nunca deve perder a razão e, a ciência nunca deve ser abandonada e a primeira não pode ser esquecida bem como mostrar como viveu São Tomas de Aquino e Santo Agostinho;

 Analisar as ideias pedagógicas São Tomas de Aquino e Santo Agostinho na educação do homem.

Metodologia do trabalho

O trabalho foi elaborado com base nas consultas bibliográficas com grande enfoque na pesquisa em sites da internet que abordem questões relacionados com a vida e obras destes filósofos.

VIDA E OBRA DE SANTO AGOSTINHO (354- 430)

Santo Agostinho de nome verdadeiro Aurélio Agostinho, um reconhecido filósofo cristão, escritor e mitógrafo, nascido em Tagaste, próximo de Hipona, na então província romana de Numídia, na África romana, hoje Suk Ahras, na Argélia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Conhecido como o último dos antigos e o primeiro dos modernos filósofos a refletir sobre o sentido da história e o arquiteto do projeto intelectual da Igreja Católica, o primeiro grande patrístico do período nissênico, com pensamento próprio, e um dos fundadores da Teologia, viveu entre os séculos IV e V. Filho de pais ricos, Patrício o pagão e depois convertido e recebido o batismo pouco antes de morrer e sua mãe, a cristã Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Mais tarde canonizada, levou na mocidade uma vida circense e em actividades teatrais. Estudou retórica em Cartago (371-374), a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente onde aos 17 anos passou a viver com uma concubina, da qual teve um filho, Adeodato. Estudou na África e inicialmente foi um intelectual que tinha orientação religiosa pagã, interessou-se por filosofia após ler Hortensius, de Cícero e quando também aderiu ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por consequência, uma justificação da sua vida. Posteriormente sob grande influência de sua mãe e de diversos autores que lera converteu-se ao catolicismo sendo considerado como pertencente à patrística, caracterizadamente rigorista e proselitista. Depois de maduro exame crítico - abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal. Retornando a Tagaste, lecionou retórica por um ano. Mais uma vez em Cartago, continuou no mesmo magistério, por 8 anos.

A patrística, em síntese, é o esforço para se criar uma filosofia cristã a qual atribui às práticas tradicionais católicas um arcabouço teórico para que se apresentem como “um conjunto de ideias produzidas e sistematizadas pela razão em um todo lógico” (PESSANHA, 1980). Porém as primeiras tentativas de se consolidar tal filosofia cristã que tentava conciliar a fé e a revelação divina com a razão e o raciocínio lógico não obtiveram grande êxito. Somente até Santo Agostinho, que conseguiu elaborar uma verdadeira síntese sistematicamente organizada da filosofia cristã baseada num conhecimento de natureza neoplatônica que adequava o pensamento de Platão* as concepções Católicas.

Platão* (428/427 a.C – 347 a.C), cujo verdadeiro nome era Arístocles (em homenagem ao seu avô), Estas datas são bastante significativas: o nascimento ocorreu no ano seguinte ao da morte de Péricles; a morte, dez anos antes da batalha de Queronéia que assegurou a Filipe da Macedónia a conquista do mundo grego. Foi um filósofo grego, discípulo de Sócrates, fundador da Academia e mestre de Aristóteles. A sua filosofia é de uma grande importância e influência. Platão dedicou-se a vários temas, entre eles a ética, a política, a metafísica e a teoria do conhecimento.

Em linhas gerais Platão desenvolveu a noção de que o homem está em contacto permanente com dois tipos de realidade: a inteligível e a sensível. A primeira é uma realidade permanente, imutável, igual a si mesma e a segunda são todas as coisas que nos afetem os sentidos são realidades dependentes e mutáveis. Esta concepção platónica é conhecida por Teoria das Ideias ou teoria das Formas.

Platão também elaborou uma teoria gnosiológica ou seja, uma teoria que explica como se pode conhecer as coisas, ou ainda, uma teoria do conhecimento. Segundo ele, ao ver um objecto repetidas vezes, uma pessoa lembra-se aos poucos da Ideia daquele objecto, que viu no mundo das Ideias.

No mês de setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e dalguns discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cuja doutrina e eloquência muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade.

Depois da conversão, Agostinho abandona Milão, e, falecida a mãe em Óstia, volta para Tagasta. Aí vendeu todos os haveres e, distribuído o dinheiro entre os pobres, funda um mosteiro numa das suas propriedades alienadas. Ordenado padre em 391, e consagrado bispo em 395, governou a igreja de Hipona até à morte, que se deu durante o assédio da cidade pelos vândalos, a 28 de agosto do ano 430. Tinha setenta e cinco anos de idade.

Após a sua conversão, Agostinho dedicou-se inteiramente ao estudo da Sagrada Escritura, da teologia revelada, e à redação de suas obras, entre as quais têm lugar de destaque as filosóficas.

Ideias Pedagógicas Santo Agostinho

A pessoa que ensina não transmite, mas desperta, Para Santo Agostinho, é desse modo que se conquista a paz da alma, e esse é o objetivo final da educação." [...] (TEIXEIRA LOPES, S/D).

Agostinho defende a ideia de que é através da discussão recíproca que ocorre a aprendizagem, a livre discussão de ideias e questionamentos são muito eficazes para que o aluno absorva o conhecimento adquirido e relacione-o a sua realidade. Definitivamente coloca a figura do professor como grande responsável em trabalhar o conhecimento e estabelecer a boa relação do aluno com o mundo.

Uma das metodologias do autor foi trazer a tona a palavra, sendo esta como fundamental na assimilação do conhecer, porém depende de cada pessoa, pois os conhecimentos são lançados, e cada ser humano aprende de uma maneira, por isso as pessoas precisam organizar o que é aprendido em seu interior a partir da palavra.

Suas Obras

As obras de Agostinho que apresentam interesse filosófico são, sobretudo, os diálogos filosóficos. Entre as principais obras de Agostinho, situam-se: Contra os Acadêmicos (escrita em 386), Solilóquios (387), De Imortalitate Animae (387) que escreveu após a morte de Mônica, sua mãe, De Vera Religione (388) escrito quando começa a viver monasticamente em Tagaste, Do Livre Arbítrio (388-39 5), De Magistro (389). Confissões (400), Espírito e Letra (412), A Cidade de Deus (413-426) e as Retratações (413-426)

Obras mais importante e destacável, A obra “As Confissões” é destacada como uma das principais obras de Santo Agostinho. Nela, Agostinho relata sua vida pré-conversão, repleta de erros e questionamentos em busca da Verdade, e sua nova vida pós-conversão. Enumerando os caminhos tortuosos que percorreu, passando pelos maniqueístas, astrólogos e neoplatônicos, até chegar ao cristianismo.

AS CONFISSÕES E SEU CPITULOS

Livro I – A Infância, Livro II – Os Pecados da Adolescência, Livro III – Os Estudos, Livro IV – O Professor, Livro V – Em Roma e em Milão, Livro VI – Entre Amigos, Livro VII – A Caminho de Deus, Livro VIII – A Conversão, Livro IX – O Batismo, Livro X – O Encontro de Deus, XI – O Homem e o Tempo, Livro XII – A Criação, Livro XIII – A Paz

São Tomás de Aquino, segundo Maria da Glória de Rosa, é considerado um dos mais famosos filósofos da escolástica, viveu no século XIII e precocemente recebeu o título de Mestre em Teologia devido à sua genialidade.

A escolástica é marcada pelas ideias de Santo Agostinho, além de também procurar uma conciliação entre a fé e a razão, o catolicismo e a filosofia e ser bastante influenciada pelo pensamento neoplatônico. Entretanto, aprofunda mais no método dialético e sob São Tomás de Aquino ela receberá fortes influências aristotélicas a fim de buscar respostas às novas questões que eram impostas a fé e a razão em meados do século XIII e que o pensamento agostiniano não conseguia abarcar.

Os dois filósofos convergiram e divergiram em variados aspectos de seus pensamentos. Ambos se preocuparam em pensar sobre as essências das “coisas” (Deus, a natureza, o ser humano, a verdade, o conhecimento, etc.) essas ideias metafísicas procuravam justificar através da razão a conduta e a moral da tradição cristã. Porém Agostinho acreditava existir, como Platão, um mundo das ideias que era a perfeição, a verdade e um mundo real que era a representação imprecisa deste mundo ideal apreendida pelos sentidos sob diferentes formas. Santo Agostinho defendeu a ideia do mestre interior em que todo o conhecimento é alcançado dentro do próprio ser e somente através da iluminação divina pode-se chegar à verdade:

A teoria agostiniana estabelece, assim, que todo o conhecimento verdadeiro é o resultado de um processo de iluminação divina, que possibilita ao homem contemplar as ideias, arquétipos externos de toda a realidade. (PESSANHA, 1980).

Para Agostinho a filosofia era a busca da felicidade e essa, para ele, era uma ”indagação da condição humana em busca da beatitude” (PESSANHA, 1980). Porém Agostinho não encontrou na filosofia helênica esta beatitude e sim nas Sagradas Escrituras de Paulo de Tarso, é daí que surge o seu esforço de unir a razão à fé. A primazia entre fé e razão, uma sobre a outra não fica clara em Agostinho e existem diversos debates sobre o assunto, porém convém deixar claro que seu objetivo era o de conciliar os dois.

A razão relaciona-se, portanto, duplamente com a fé: precede-a e é sua consequência. É necessário compreender para crer e crer para compreender. (PESSANHA, 1980).

Já Tomás de Aquino, não acreditava em um mundo das ideias e sob influência do naturalismo aristotélico defenderá a existência de um mundo real, material. Esse mundo seria a criação divina – esta é uma das questões que surge ao seu tempo, a criação. Ele aponta a apreensão do divino através da verdade da razão que não pode ser negada pela verdade revelada da fé, ambas precisam ser idênticas, do contrário a fé ou a razão não foram adequadamente empreendidas. A teologia e a filosofia não se opõem. Fé e razão estão unidas em um único sentido: a perfeição, ou seja, o conhecimento de Deus. Para Tomás de Aquino a verdade e o conhecimento também são alcançados através de um mestre interior, porém, não há a intervenção de uma luz divina para que se dê o conhecimento, ele já existe como potencialidade no interior do ser e cabe a este descobri-lo através do aprendizado, do estudo, da educação religiosa, da pedagogia.

VIDA E OBRA DE SÃO TOMÁS DE AQUINO (1225-1274)

Doutor da Igreja católica, que foi por ela santificado, o italiano Tomas de Aquino (Roccasecca, 1225 — Fossanova, 7 de Março 1274), na Campânia. Foi um grande filósofo da Idade Média, um expoente da escolástica. Ele descreveu e analisou os princípios básicos do pensamento lógico-científico. Apoiando-se em preceitos do cristianismo, ele desenvolveu sua obra filosófica. Era descendente da família feudal dos condes de Aquino. Faleceu em Fossanova, no ano de 1274. Sua primeira instrução, foi ministrada no Mosteiro de Montecassino e mais tarde, ingressou na Universidade na cidade de Nápoles e, após estudar artes liberais, entrou na ordem dominicana, renunciando a praticamente tudo que tinha convicção, somente não abandonou a ciência (FREITAS, 2008). Ao entrar na ordem Dominicana, sofreu uma pressão muito grande da família, pois, os mesmos não aceitavam tal decisão e, ao adentrar tal ordem, foi mandado para Paris, onde concluiu seus estudos filosóficos e teológicos (CARVALHO, 2009). Após sua ordenação como Sacerdote, voltou para Paris, no ano de 1252, onde passou a cursar um magistério, onde redigiu sua primeira obra de sucesso: “Comentário aos Quatro Livros das Sentenças de Pedro (FREITAS,2008). Após a escrita da obra acima, ele também redigiu “Contra impugnantes Dei cultum et religionem, em defesa das ordens mendicantes que viam contestados pelos mestres seculares o seu direito de ensinar na Universidade de Paris” (FREITAS, 2008, p. 3). No ano de iniciou a Suma Teológica, a qual constava de três partes, subdivididas em questões e artigos. As duas primeiras partes datam dos anos de 1266 a 1272. A terceira, iniciada em 1272, ficou incompleta. Foi complementada por Reginaldo de Piperno e foi batizada de Suplemento. (CARVALHO, 2009) Por seus escritos, pode-se observar que Tomas de Aquino, tinha também uma certa adoração a assuntos pertinentes à alma, verdade, mal e beatitude e, sobre tais questões, escreveu O Ente a Essência – obra a qual nos aprofundaremos adiante - e Sobre as Falácias. Na obra “O Ente e a Essência” Tomas de Aquino é tida como um Opúsculo, que nada mais é do que uma pequena composição de determinado assunto literário ou artístico, onde retrata questões metafísicas explicando o percurso da consciência humana entre a sensação e a concepção (SILVA, 2007) Ainda na opinião de Silva (2007), a obra O Ente e a Essência é de difícil entendimento, mas em suma ela retrata que o homem deve primeiramente compreender o Ente, para chegar até a Essência.

O ENTE E A ESSÊNCIA relata sobre o que cai imediatamente no alcance do saber humano que é o composto, o complexo de várias coisas combinadas. Escreve Tomas de Aquino que o homem se eleva do composto ao simples, do posterior ao anterior. A essência existe no intelecto. A substância composta é matéria e forma. A forma e matéria, quando tomadas em si, ou seja, sem o aparato do entendimento racional considerando-as, é incognoscível, isto é, que não pode ser conhecido, mas existem caminhos para a investigação das possibilidades. O intelecto quando está isento da materialidade, desvela que nada pode ser mais perfeito daquilo conferido ao ser, quando saio do plano material que nos cerca encontramos somente DEUS a maior perfeição existente (SILVA, 2007).

São Tomas de Aquino, pode ser entendido como um homem que tentou encontrar respostas para as questões inerentes à fé e a religião, onde, na maioria das vezes, tais concepções são consideradas como totalmente opostas, ele buscou aproxima-las, mostrando que a fé é algo complementar à ciência.

Aquino faz a distinção entre "entender" e "pensar" como dois "actos" diferentes do intelecto. Há, por um lado, a intelligentia indivisibilium, que significa literalmente o "entendimento das coisas que não são complexas"; por outro a compositio et divisio, que quer dizer "juntar e separar" - é aqui que se inicia o pensar para o filósofo.

Morte imprevista

Quando Tomás de Aquino tinha cinquenta e três anos, a 7 de março de 1274, foi surpreendido pela morte no mosteiro cisterciense de Fossanova. Estava a caminho de Lião onde, por ordem do Papa Gregório X, iria participar do Concílio de Lião. Ainda no leito de morte encontrou forças para falar aos monges sobre o livro da Bíblia denominado Cântico dos Cânticos.

Após seu falecimento ele entrou para a História com o título de Doutor Angélico, dada a culminância espiritual que atingiu e a perfeição de sua existência.

Conta-se que certa ocasião, diante de um Crucifixo, Tomás ouviu de Jesus estas palavras: “Bem escrevestes sobre mim, Tomás, que prêmio quer”? Respondeu ele: “Nada senão a Ti mesmo, Senhor”. Prestes a morrer pronunciou estas palavras, após receber a Eucaristia: “De ti, Senhor, me veio o preço da redenção da minha alma! Todos os meus estudos, vigílias e trabalhos foram por teu amor”.

Conta-se que naquele dia 7 de março de 1274 Alberto Magno que se achava em Colônia, na Alemanha, com lágrimas nos olhos comunicou aos frades: “O irmão Tomás de Aquino, meu filho em Cristo, luz da Igreja, morreu. Deus acaba de me revelar isto”. Teve, portanto, a longa distância a percepção do falecimento de seu discípulo exemplar.

O corpo de Tomás de Aquino repousa na Catedral de Tolosa, na França. Foi declarado Santo pelo Papa João XXII que o canonizou em 1323. Paulo V em 1567 o declarou Doutor da Igreja e Leão XIII o proclamou em 1879 padroeiro de todas as escolas católicas. Venera-se sua memória a 28 de janeiro, dia em que seu corpo foi transladado para Tolosa, em 1369.

Primeiros anos

Tomás de Aquino que foi chamado o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios. Nasceu em março de 1225 no castelo de Roca-Sica, perto da cidade de Aquino, no reino de Nápoles, na Itália. Com apenas cinco anos seu pai, conde de Landulfo d’Aquino, o internou no mosteiro de Monte Cassino. Aí iria ser educado pelos sábios monges beneditinos, ordem religiosa fundada por Bento de Núrsia exatamente naquele local.

Tomás fez com raro brilhantismo os primeiros estudos. Mais tarde frequentou a Universidade de Nápoles. Conheceu então os frades dominicanos, seguidores de Domingos de Gusmão, fundador da ordem dita dos pregadores. Tinha dezoito anos e resolveu fazer-se dominicano. Seus pais e irmãos ficaram decepcionados, pois Tomás era genial e tinha uma carreira fulgurante pela frente. Não queriam que ele fosse um frade de uma ordem mendicante.

Como a família o importunasse no Convento de Nápoles, Tomás foi transferido para Paris. À força foi de lá retirado e trazido de volta ao castelo paterno. Tudo fizeram para lhe tirar da cabeça a ideia de ser padre. Nada o convencia nem rogos, nem promessas de uma existência com tudo que uma família rica pode oferecer.

O boi mudo

Tomás fora dos momentos de debates acadêmicos e das conversações atinentes a assuntos sérios era calado e reservado. Além disto não apreciava perder tempo com conversas inúteis. Por isto um de seus colegas o chamou de “o boi mudo”.

Este companheiro, certo dia, levou a Alberto Magno uns apontamentos de Tomás. Foi nesta ocasião que Alberto proferiu a frase que se tornou célebre, pois era uma profecia que se realizou: “Chamais Tomás de “o boi mudo”, mas vos asseguro que seus mugidos ouvir-se-ão por toda a terra”. De facto, até hoje são inúmeros os seguidores de Tomás de Aquino, chamados tomistas.

Muito provavelmente foi porque deram a ele o apelido de “o boi mudo” que um dia os frades resolveram brincar com Tomás. Este estava, como sempre, andando no claustro, ou seja, no pátio interior do convento, meditando sobre profundos assuntos referentes a Deus.

Alguém o chamou, dizendo: “Vem ver um boi voando”! Tomás, imediatamente, o acompanhou e se pôs a olhar para o alto ao som das gostosas gargalhadas de seus confrades. Estes então lhe perguntaram como, sendo tão inteligente, ele podia pensar que um boi estivesse voando. A resposta de Tomás foi uma lição maravilhosa: “Olhei porque deve ser mais fácil um boi voar do que um frade mentir”. Nunca mais brincaram com ele, respeitando seus instantes de funda reflexão.

Suas obras famosas

Em 1252 Tomás em Paris ensinava como bacharel. Segundo o método da época, deste modo poderia alcançar o título de mestre e doutor. Escreveu neste período comentários ao livro de Sentenças de Pedro Lombardo, obra composta entre 1150 e 1152. Comentou também o Profeta Isaías e o Evangelho de São Mateus.

Passados quatro anos era doutor e escrevia a Suma contra os Gentios, na qual faz uma exposição da crença cristã para uso dos missionários. São quatro livros dos quais os três primeiros tratam de verdades acessíveis à razão e o quarto livro das verdades de fé propriamente ditas.

Em 1268 iniciou a Suma Teológica, sua principal produção. Consta ela de três partes, subdivididas em questões e artigos. As duas primeiras partes datam dos anos de 1266 a 1272. A terceira, iniciada em 1272, ficou incompleta. Foi complementada pelo companheiro e amigo fiel de Tomás, Reginaldo de Piperno.

Suplemento.

Além destes trabalhos citados, Tomás escreveu inúmeras Questões como sobre a Verdade, a Alma, o Mal, a Beatitude (felicidade eterna e suprema, bem-aventurança) e vários Opúsculos Filosóficos sobre assuntos diversos como O Ente a Essência, Sobre as Falácias. Deixou ainda comentários a respeito das obras de Aristóteles e outros escritos filosófico-sociais.

Ideias pedagógicas de Tomás de Aquino

Tomás de Aquino acentuou a diferença entre a Filosofia, que estuda todas as coisas pelas últimas causas através da luz da razão, e a Teologia, ciência de Deus à luz da revelação.

Mostrou que o homem é o ponto de convergência de toda a criação e que nele se encerram, de certo modo, todas as coisas.

Ensinou que há uma união substancial entre a alma e o corpo. Isto é o fundamento maior da dignidade da pessoa humana. Este é um corpo que está enformado por uma alma ou uma alma a enformar um corpo.

Defendeu o livre arbítrio, ou seja, a liberdade da vontade humana para aderir ao bem ou ao mal, donde a responsabilidade moral do homem. Daí a sanção da lei: prêmio para as boas ações e punição para os actos maus.

Para ele a morte determina para sempre a alma humana quer na desordem e na infelicidade, quer na ordem e na felicidade, como está na Bíblia.

O conhecimento que ensinava Tomás tem a primazia sobre a ação, pois nada pode ser amado se não for conhecido primeiro.

As leis segundo Tomás

Segundo Tomás de Aquino, por ser racional, o homem conhece a lei natural, ou seja, está plenamente capacitado para saber que “se deve fazer o bem e evitar o mal”. Trata-se da participação da lei eterna pelo homem dotado de inteligência. A lei eterna não é senão o plano racional de Deus, isto é, a ordem existente no universo todo. Por esta lei dirige tudo para o seu fim específico.

Além desta lei eterna e da lei natural, Tomás fala da lei humana, ou seja, jurídica. São normas feitas pelos homens para impedir que se pratique o mal. É a ordem promulgada por quem tem a responsabilidade pela comunidade.

Seguindo Aristóteles, Tomás de Aquino considera o Estado como uma necessidade natural. O homem é um ser social e precisa de orientações para viver em sociedade. Entretanto, Tomás de Aquino deixa claro que as leis humanas não podem contradizer a lei natural.

Aliás, no pensamento dele as normas do direito positivo existem para que os que são propensos aos vícios e neles se obstinam sejam persuadidos, a bem da ordem pública, a evitar tais desvios. Insiste Tomás na função pedagógica das leis humanas e nas sanções que podem e devem incluir. O objetivo é a convivência pacífica entre os homens.

Recomendações

Recomendamos que se disponibilize se mais recursos que tratem desta matérias detalhadamente não só destes filósofos e de muitos outros, visto que, não há ainda obras específicas que abordem todos efeitos como acontece no livro das confissões do Santo Agostinho.

Conclusão

Portanto concluímos que ambos, tanto Santo Agostinho e São Tomás de Aquino procuraram conformar razão e fé, filosofia e religião. Também defendiam que a busca do conhecimento dado através de razão à fé, ambas citadas acima tinha um sentido comum: a verdade divina, o conhecimento da perfeição, ou seja, o entendimento de Deus. Seus pensamentos se distanciaram quanto ao processo que se dá esse conhecimento apesar de concordarem em sua origem no ser interior. Tomas de Aquino sob influência aristotélica defendia ideias mais “materialistas” enquanto Santo Agostinho sob influência neoplatônica manteve seus pensamentos mais ligados ao mundo das ideias.

Referências bibliográficas

CARVALHO, José Geraldo Vidigal. Temas Filosóficos, Ouro Preto, UFOP, 1982.

Chambisse, Ernesto Daniel; Cossa, José Francisco et al. A Emergência do Filosofar, 11ª e 12ª Classe, Moçambique Editora

FREITAS, M. B. C. São Tomas de Aquino. Covilhã: Luso Sofia, 2008.

MATOS, Carlos Lopes (Cons) Santo Tomás, Vida e Obras in: OS PENSADORES, S. Paulo, Abril Cultural, 1979.

PESANHA, José de Américo Motta. “Santo Agostinho (354-430) Vida e Obra”, “Os Pensadores, Santo Agostinho” São Paulo: Abril Cultural 1980.

ROSA, Maria da Glória de. “A História da Educação através dos textos”. São Paulo: CULTRIX, 2002

Internet

www.agostinianos.org.br › Santo Agostinho. Acesso em 28/03/2013

www.sca.org.br/biografias/SaoTomasAquino. Acesso em 28/03/2013

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