Os Desafios do projeto estrutural em edifícios em altura e sua compatibilização em projetos arquitetônicos
Por: Alisson3211 • 8/8/2018 • Seminário • 2.168 Palavras (9 Páginas) • 355 Visualizações
UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI[pic 1][pic 2]
Escola de Artes, Comunicação e Hospitalidade
Curso de Arquitetura e Urbanismo
Disciplina: Tecnologia da Construção
Período: 5º Ano letivo: 2018 1º Semestre / Professor: Thiago Dell Agnolo
Tema: Desafios do projeto estrutural em edifícios em altura e sua compatibilização em projetos arquitetônicos.
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-Breve descrição Profissional:
Nome: Reinaldo da Rosa
Idade: 63
Ocupação: Engenheiro Civil
Formação (organização de ensino): UFSC
Empresa: Reical
Anos de experiência: 40 anos
Principais obras/Obra atual: Sea’s Tower e One Tower
Questionário:
- Qual a maior dificuldade na compatibilização entre projeto estrutural e arquitetônico?
R: ‘’ primeiramente durante o estudo arquitetônico não existe uma preocupação com relação a estrutura, normalmente é feito o arquitetônico e depois de aprovado na prefeitura que vai ser feito o projeto estrutural. Isto impacta na área útil do edifício devido à dimensão dos pilares, o que gera também problemas de instalações. O ideal seria que no mínimo os projetistas se preocupassem com o impacto que o vento causa no edifício e fizessem o estudo de túnel de vento. Projeto estrutural deve andar junto com o projeto arquitetônico. ’’
- Qual a principal diferença na construção de um edifício alto e um baixo?
R: A rigidez é a maior diferença e a maior preocupação por conta da ação do vento, passando de trinta pavimentos, temos outro grande problema que é a esbeltes, a largura do edifício influencia muito. A massa de pilar é muito diferente entre os dois tipos de edifícios devido a esbeltes, é necessária essa consciência do dimensionamento dos elementos estruturais. Eu tenho mais dificuldade em fazer o projeto estrutural de uma casa do que de um edifico alto devido ao nosso dia a dia de projeto.
- Quais restrições arquitetônicas temos em um edifício alto?
R: Principalmente devemos evitar transições, devido a necessidade de aumentarmos a seção dos elementos estruturais e também a rigidez, porque procuramos que um pilar comece na fundação e que ele não desvie a sua direção ao desenvolver do edifício. Outra situação é a necessidade de se evitar balaços, tendo no máximo dois metros ou quando é premissa de projeto no máximo três metros, essa restrição existe devido ao fato de quanto mais balanços maior é a necessidade de rigidez na estrutura, porque temos maior área de incidência de vento.
- Quais inovações técnicas são mais usadas aqui na região para a construção de um edifício alto?
R: A grua é indispensável em prédios altos, temos também as gruas para concretagem, temos também novas bombas de concretagem que bombeiam o concreto com maior velocidade para os andares mais altos.
- Qual a relação entre a vida útil e desempenho em um edifício alto?
R: A vida útil de um edifico alto é muito maior que a maioria dos edifícios, o que impacta no desempenho e na vida útil principalmente é o acompanhamento e manutenção da obra. Não existe a ideia de fazermos o concreto armado e pensarmos que ele vai durar cinquenta aos sem manutenção alguma, hoje temos concretos de maior resistência e de maior cobrimento o que nos possibilita também maior vida útil. Quanto maior o prédio maior a preocupação de manutenção devido as patologias que esse pode apresentar
- Qual etapa é considerada a mais difícil na execução da obra em sua opinião, e porquê?
R: Na parte de cima os edifícios são muito parecidos, já a parte de fundação de edifícios altos são completamente diferente de prédios altos devido as altas cargas, geralmente os nossos prédios possuem um bloco de fundação único, o poço de elevador também devido a sua profundidade por conta dos elevadores de alta velocidade, as obras vizinhas são outra preocupação devido a desmoronamentos e também o rebaixamento do lençol freático entre outros problemas por isso temos a fundação como a etapa mais difícil de um edifico alto, em seguida temos também o transporte vertical.
- Como se dá a troca de informações entre a obra e o núcleo de projetos relativo à dúvidas e/ou solução de problemas? Como é o tempo de resposta, prontidão e trocas de informações e etc.?
R: Conosco é imediata, nós respondemos no mesmo dia ou no máximo do outro dia, a empresa de mais contato que temos hoje é a FG, que possui alguns prédios altos em andamento, temos uma troca constante de informações e muito rápida. Procuramos resolver os problemas o mais rápido possível e ter uma boa comunicação porque a obra não pode parar.
- Qual o nível de interferência que um projeto estrutural causa em um projeto arquitetônico e no layout, e como funciona a comunicação entre os profissionais?
R: A maior interferência é a dimensão do pilar, nós temos como princípio atender todos os detalhes do projeto arquitetônico, o que o arquitetônico pede é o espaço a mais do pilar, mais em termos de formato do edifício tentamos atender todos os detalhes arquitetônicos.
- A medida que o edifício cresce em altura, as estruturas vão tendo que suportar cargas cada vez maiores como peso próprio e cargas horizontais (vento), como é feito para manter a resistência e estabilidade do mesmo?
R: É natural, com o dimensionamento dos pilares. O concreto atende as nossas necessidades naturalmente, utilizamos concreto de 50 a 30mpa em média nos edifícios.
- E como lidar com o dimensionamento dos pilares sem criar muita interferência em layout e esbeltes do edifício? E como esta escolha interfere diretamente nas áreas destinadas à estacionamento?
R: Hoje na fundação do prédio de 70 andares que estamos executando utilizamos o concreto com fck 50, hoje a Reical não posso responder pelos outros engenheiros mas de início a massa do pilar em função da esbeltez, para cada esbeltez eu preciso ter uma massa de pilar, então 50 tem resolvido os nossos problemas, embora eu coloque o fck 80 desse prédio eu não mudaria o dimensionamentos dos pilares porque a minha massa está definida, em Balneário os edifícios altos possuem torres pequenas e embasamentos grandes, então a maioria garagens são fora das torres, portanto as garagens não são tão interferida pela estrutura. Em regra geral, colocamos o que cabe em baixo da torre e não mexemos na estrutura.
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