A QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO
Por: Luiz Queiroz • 15/5/2020 • Trabalho acadêmico • 2.195 Palavras (9 Páginas) • 222 Visualizações
QVT – QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO
As teorias de Qualidade de Vida no Trabalho, pode ser aplicada para que as organizações renovem suas formas de organização no trabalho, de modo que, ao mesmo tempo se eleve o nível de satisfação do pessoal, e consequentemente o nível de produtividade das empresas, aumentando sua competitividade em relação às outras. Segundo pesquisas de artigos e fontes bibliográficas pode-se dizer que o marco que inicia o estudo voltado a uma melhor qualidade de vida no trabalho, é dado a Revolução Industrial, voltada a segurança e salubridade do trabalho, no tratamento dispensado ao trabalhador e no aumento de salário. A partir dos anos cinquenta é que surgem as primeiras teorias que associavam dois elementos; de um lado uma concepção voltada para produtividade e de outro a preocupação com a satisfação do trabalhador. Basicamente, pensava-se que não só era possível unir a produtividade com a satisfação, como o bom desempenho do trabalhador lhe proporcionava satisfação e realização (McGREGOR 1980). Os anos sessenta apresentam a sociedade vivendo uma convulsão social, diante dos questionamentos ao funcionamento de suas estruturas, movimentos reivindicatórios dos trabalhadores norte-americanos, passividade dos estudantes franceses, dois marcos importantes dessa fase, que teve reflexos imediatos no interior das organizações. Esse contexto tornou o indivíduo mais consciente e favoreceu o desenvolvimento e estudos iniciados na década anterior denominado Qualidade de Vida no Trabalho (QVT).
A década de setenta mostrou a mudança no enfoque do gerenciamento organizacional, dado a influência do sucesso industrial japonês, que destacou formas de gerenciamento. A partir daí surgem os primeiros movimentos e aplicações estruturadas e sistematizadas no interior da organização, utilizando a QVT. Nos anos oitenta com o crescente avanço tecnológico e a consequente modernização das organizações, a automatização dos meios produtivos e as constantes mudanças políticas, econômicas, sociais e tecnológicas tornam o contexto altamente dinâmico e instável. O objetivo principal das ações implicadas na Qualidade de Vida no Trabalho, visa garantir maior eficácia e produtividade e, ao mesmo tempo, o atendimento às necessidades básicas dos trabalhadores. Com essas informações pode-se entender que QVT defini-se inicialmente pela junção desses movimentos reformistas, juntamente com as necessidades e aspirações humanas.
Provocando a reflexão crítica sobre os modelos de QVT adotados pelas organizações, Medeiros e Ferreira (2011) identificam duas abordagens: a “perspectiva assistencialista”, que visam adaptar o trabalhador ao trabalho, por meio de práticas que compensem os efeitos do desgaste provocado pelo ambiente organizacional ( stress, doenças ocupacionais etc), como exemplo: yoga, ginástica laboral, dentre outras possíveis. No entanto, os autores consideram essas práticas como paliativas, pois não intervêm nas causas dos problemas enfrentados pelos trabalhadores, mas em suas consequências.
A segunda abordagem “perspectiva preventiva”, segundo os autores, teria como propósito atenuar ou remover os problemas causadores do mal-estar provocado pelas condições, organização e relações socioprofissionais de trabalho, como falta de equilíbrio entre a vida pessoal e trabalho, falta de segurança, lideranças despreparadas, dentre outros fatores.
Essa perspectiva insere uma complexidade maior nas intervenções e pressupõe uma visão mais abrangente, com implicações na cultura, estrutura e políticas, em nível organizacional e iremos propor na organização Bonnita a perspectiva preventiva.
Entre os estudiosos que se destacam nesse tema podem ser citados WALTON (1973), HACKMAN e colaboradores (1975), WESTLEY (1979), WERTHER E DAVIS (1983), NADLER e colaboradores (1983), HUSE e CUMINGS (1985).
CONCEITO DE QUALIDADE DE VIDA – QVT
O conceito qualidade de vida passou a integrar o cotidiano das pessoas e das organizações, utilizado frequentemente tanto para avaliar condições de vida urbana, como transporte, saneamento básico, lazer e segurança, quanto ao que se refere à saúde física, conforto e bens materiais. Apesar de fazer parte do nosso cotidiano, os parâmetros para a definição do que é viver com qualidade seja no pessoal ou no profissional, são diversos e resultam das características, expectativas e interesses individuais. Os aspectos interpessoais da qualidade de vida, a experiência emocional da pessoa com seu trabalho, está associada às mudanças sociais e tecnológicas, de forma intensa e acelerada sobre o indivíduo. Os efeitos dessa realidade no bem-estar do indivíduo, do ponto de vista emocional e profissional, foca as consequências do trabalho sobre o indivíduo e seus efeitos nos resultados da organização. O objetivo na realidade, está na qualidade das relações interpessoais no trabalho, a necessidade de transformar o funcionário num parceiro, que irá gerar lucros e resultados satisfatórios para as organizações. O conceito de QVT pode ser útil para que as organizações possam renovar sua forma de organização no trabalho elevando o nível de de satisfação pessoal, e consequentemente a produtividade das empresas, resultando em uma maior participação dos empregados ao que se refere ao seu trabalho. Pode-se dizer que o uso da expressão “qualidade de vida” induz a associação com melhorias nas condições físicas e de instalações, atendimento as reivindicações salariais, redução da jornada de trabalho e outras medidas do gênero, tais medidas implicam custos adicionais. Em decorrência natural de tais aspectos, surgem certas barreiras à implantação de programas de QVT, o que consequentemente acarreta em despesas para as organizações. As reformulações no nível do trabalho em si tem como o objetivo principal as ações implicadas a QVT, que visa maior eficácia e produtividade e, ao mesmo tempo, o atendimento as necessidades básicas dos trabalhadores. A QVT tem como meta “gerar uma organização mais humanizada, na qual o trabalho envolve, simultaneamente, relativo grau de responsabilidade e de autonomia no nível do cargo, recebimento de recursos de “feedback” sobre o desempenho, com tarefas adequadas, variedade, enriquecimento do trabalho e com ênfase no desenvolvimento pessoal do indivíduo.” (Walton, 1973), citado segundo livro Qualidade de Vida no Trabalho / Eda Conte Fernandes – Salvador, BA: CASA DA QUALIDADE, 1996. É importante visar que nem todos os problemas de produtividade nas empresas, e nem todo tipo de insatisfação do empregado, podem ser resolvidos por programas de QVT. Entretanto, a aplicação de programas de QVT, resulta em melhores desempenhos, evitando maiores desperdícios, reduzindo custos operacionais. Mais do que nunca as empresas encontram-se num mercado competitivo, e uma preocupação com seus colaboradores, pois através do comprometimento desses, com as propostas da empresa que os resultados serão atingidos com sucesso almejado. Quando encontra-se um desequilíbrio entre investimentos tecnológicos relacionados aos cuidados de fatores humanos, o desempenho do cliente interno, no caso o colaborador, fica comprometido pelos baixos níveis de satisfação em relação a sua tarefa, e acaba afetando o atendimento às exigências do cliente externo, inviabilizando as estratégias voltadas para a melhoria da qualidade dos produtos e serviços. O conceito de qualidade de vida no trabalho tem sido questionado e avaliado como um processo que consolida a busca de desenvolvimento humano e organizacional, como fonte de pesquisa podemos entender a evolução histórica de um dos pesquisadores pioneiros da sistematização dos critérios e conceitos de QVT, Walton (1973), segundo o livro, As pessoas na organização. São Paulo: Editora Gente, 2002. Vários autores.
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