A cordialidade brasileira e suas consequências em questão no século XXI
Por: MilaF • 30/6/2017 • Dissertação • 377 Palavras (2 Páginas) • 2.159 Visualizações
Em 1936, o historiador Ségio Buarque de Holanda em sua obra Raízes do Brasil, disse que a cordialidade é parte estrutural da identidade brasileira. Cordial do latim "cordiális", significa "o que é refente ao coração", portanto, o brasileiro cordial é mais emotivo e se distancia da racionalidade. Dessa forma, é ele extremamente suscetível à indisciplina e a desobediência das regras sociais, além de estar mais sujeito a agir pelo sentimento, seja ele bom ou ruim.
A cultura do "jeitinho brasileiro" está estreitamente ligada ao brasileiro cordial, visto que uma sociedade pautada pelo agir emocional tem dificuldades para cumprir regras. A partir disso, surge a necessidade de burlar o sistema, encontra-se no jeitinho uma forma de atender a autoridade porém não obedecê-la, as regras são acatadas, mas não são cumpridas. Istaura-se assim na sociedade um desvio de caráter que beneficia o individual e prejudica o coletivo.
Erroneamente, o termo homem cordial é interpretado ao longo da história somente como algo positivo, o brasileiro pacifista, amigável e receptivo. Com esse mito, o ódio e acões provocadas por ele foram maquiadas e continuam sendo atualmente. Não é admitido que o Brasil tenha tido uma história de formação violenta, isso fica claro com a ausência da definição guerra civil, para conflitos armados internos, nos livros de História brasileiros. Hoje esse mito interfere numa maior reflexão a respeito da violência, o que corrobora para sua dispersão e crescimento, pois o que não é (re)conhecido, não é combatido.
Frente a esses problemas gerados por uma característica que faz parte da identidade do povo brasileiro, são necessárias mudanças que interfiram profundamente na mentalidade e cultura dos cidadãos brasileiros. A educação é o meio mais eficiente para conscientizar crianças, em sua formação, de que o jeitinho brasileiro passeia pela ausência da ética e desobediência de leis e normas, e que para uma vida social benéfica a coletividade essa cultura deve ser abandonada. Além disso, faz-se necessária também uma mudança no ensino da História do Brasil, acrescentando debates a respeito da violência e ódio presentes desde os combates entre tribos indígenas até os episódios de violência atuais, mostrando que a violência não está restrita a um grupo, mas que ela está presente no Brasil desde o princípio e deve ser combatida.
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