TRABALHO REFERENTE À LEITURA E ANÁLISE DO CAPÍTULO 5 DO LIVRO “MAL ESTAR NA CIVILIZAÇÃO”
Por: MMWB • 26/9/2019 • Resenha • 1.065 Palavras (5 Páginas) • 564 Visualizações
MARIA MÁRCIA WALDMANN BAPTISTA
TRABALHO REFERENTE À LEITURA E ANÁLISE DO CAPÍTULO 5 DO LIVRO
“MAL ESTAR NA CIVILIZAÇÃO”
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Rio de Janeiro
2013
FREUD, Sigmund. Mal estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. 21, cap. V, p. 113-120.
RESUMO
Conforme Freud (1930/1996) “a agressividade faz parte da natureza humana” e no quinto capítulo do livro Mal estar da civilização, o autor abraça um dos maiores mandamentos religiosos “Amai o teu próximo como a ti mesmo” para discutir a questão da agressividade.
Freud(1930/1996) argumenta que é impossível amar o próximo como amamos a nós mesmos, porque existem muitas pessoas que não merecem ser amadas. Nesse sentido, ele destaca: “como seria isso possível?” Diz ainda, que seu amor é muito valioso e não deve ser “jogado fora” sem nenhuma reflexão.
Viver em sociedade requer sacrifícios, autocontrole e muitos “nãos” para nós mesmos. Portanto, essa máxima cristã vem nos ensinar os caminhos de como isso é possível, e se praticada por todos, como um manual de vida, ela é capaz de mudar esse estereótipo negativo que marca a humanidade por milênios.
Pode-se mencionar Mahatma Gandhi como exemplo de como é possível vencer a agressividade. Ele foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução.
Dessa forma, se pensarmos em amar o outro como a nós mesmos, não fazendo a eles o que não gostaríamos que nos fizessem, estaremos assim, freando os nossos impulsos agressivos, e também, sendo tolerantes uns com os outros. Mudar não é fácil e demanda autoconhecimento e determinação.
Voltemos às interrogativas de Freud:
Se amo uma pessoa ela tem que merecer meu amor de alguma maneira. [...] Ela merecerá meu amor, se for de tal modo semelhante a mim, em aspectos importantes, que eu me possa amar nela: merecê-lo-á também, se for de tal modo mais perfeita do que eu, que nela eu possa amar meu ideal de meu próprio eu (self) (FREUD, 1930/1996, p.114).
Conforme aponta o autor, o amor não é gratuito, a pessoa ama o que é parecido com ela, o que não é, rejeita. No entanto, como podemos explicar o amor que sentimos por pessoas próximas, que vivem no seio da família e nada tem de semelhante conosco? Um filho difícil, um pai intolerante? Muitas vezes essas pessoas nem mesmo merecem nosso amor e, ainda assim, as dedicamos uma afeição inexplicável. Se é possível doar amor a uma pessoa da família que nada se parece conosco, que tem suas imperfeições e individualidades, não estaria a máxima religiosa querendo nos mostrar que é também possível amar a todos, mesmo que sejam diferentes do nosso ideal, procurando entender e respeitar suas diferenças?
Em análise mais detalhada Freud diz que a dificuldade em amar o outro é maior ainda quando essa pessoa não demonstra nenhuma consideração conosco e que ele poderia até aceitar melhor, sem tantos questionamentos, se a máxima dissesse “Ama teu próximo como ele te ama”.
Freud (1930/1996) diz que essas duas máximas “Amai a teu próximo como a ti mesmo” e “Amai seu inimigo” na verdade, significam a mesma coisa, isto é, tem o mesmo sentido e ambas são completamente incompreensíveis.
De acordo com a segunda máxima, pode-se entender que amar um inimigo não é ter por ele o mesmo amor que se tem por um amigo, Mas é, portanto, não direcionar a ele energias como o ódio, rancor, entre outros sentimentos negativos. Essa atitude já significa um ato de amor. Se prestarmos atenção a esses sentimentos ruins que dedicamos a um inimigo, perceberemos que o maior prejudicado somos nós mesmos, pois ficaremos também impregnados com essa energia e provavelmente sofreremos. Quem sofre mais: O odiado ou quem o odeia? Nesse sentido, pode-se dizer, que o perdão é o passo inicial para estabelecer esse amor.
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