Educação de Jovens e Adultos
Por: calmeidalima75 • 1/4/2025 • Artigo • 2.423 Palavras (10 Páginas) • 10 Visualizações
Prática Interdisciplinar:
Educação de Jovens e Adultos
Acadêmicos¹
Ana Caroline de Almeida Lima (4437574)
Acadêmicos2
Ana Caroline Faustino Sousa (4357509)
Acadêmicos2
Maria Karina Castro de Vasconcelos (4484403)
Tutor Externo²
Hele Maria Guerreiro Tavares
RESUMO
Este estudo aborda a Educação de Jovens e Adultos (EJA) a partir de observações e entrevistas na Escola Francisco Sá, em Pentecoste, Ceará. A EJA desempenha um papel crucial na reintegração educacional e social de jovens e adultos, oferecendo uma nova chance de formação. Os dados analisados refletem as motivações dos estudantes e os desafios enfrentados pelos professores na prática pedagógica, evidenciando a importância de práticas educacionais inclusivas e dinâmicas que respeitem as especificidades desse público. A análise mostra o impacto positivo da EJA na vida pessoal e profissional dos estudantes, consolidando seu papel como agente de transformação social.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos, inclusão educacional, práticas pedagógicas, motivação, cidadania
1.INTRODUÇÃO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de ensino que visa incluir socialmente jovens, adultos e idosos que, por diferentes motivos, não puderam completar seus estudos durante a idade regular. A EJA representa não apenas uma oportunidade de acesso ao conhecimento formal, mas também um espaço de resgate da autoestima e do desenvolvimento cidadão, possibilitando que os alunos recuperem parte de sua trajetória escolar, ampliem suas oportunidades no mercado de trabalho e conquistem uma melhor qualidade de vida.
Este trabalho foca na realidade de uma turma de EJA da Escola Francisco Sá, em Pentecoste, Ceará, onde foram realizadas entrevistas com alunos e professores, assim como observações em sala de aula. As entrevistas revelaram motivações e desafios enfrentados tanto pelos alunos quanto pelos educadores. Por exemplo, o aluno entrevistado relatou que buscava ser um exemplo para seus filhos e melhorar sua qualidade de vida, enquanto as professoras destacaram o desafio de motivar os alunos após um dia de trabalho e de lidar com as diferentes idades e vivências dos estudantes.
Diante desse contexto, é essencial investigar como a EJA pode oferecer um ambiente que promova o aprendizado significativo, mesmo em meio a desafios como a alta taxa de infrequência, a falta de materiais específicos e a diversidade de faixas etárias e experiências dos alunos. Com base nas entrevistas e nas observações, este estudo propõe-se a entender como as metodologias aplicadas e os esforços dos educadores ajudam a superar esses obstáculos e criar um ambiente propício ao desenvolvimento pessoal e profissional dos estudantes.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A Educação de Jovens e Adultos, conforme defendido por Paulo Freire, deve partir do princípio de que a educação é um direito humano fundamental e uma prática que liberta. Freire (1987) argumenta que a educação para adultos deve ser construída com base no respeito mútuo, na valorização das experiências de vida e na promoção de uma aprendizagem que seja relevante e significativa. Ele defende que o processo educativo deve estimular o pensamento crítico e o protagonismo, especialmente em alunos que retornam ao ambiente escolar após uma longa jornada de vida, carregando consigo bagagens diversas, como conhecimentos prévios e vivências marcantes.
A importância de metodologias ativas e inclusivas também é ressaltada por estudiosos como Müller (2013), que descreve a EJA como uma modalidade que exige flexibilidade nas práticas pedagógicas. Para Müller, estratégias como o uso de jogos, atividades em grupo e debates são indispensáveis para envolver estudantes de diferentes idades, que possuem ritmos e necessidades de aprendizado distintos. Os professores entrevistados reforçam essa ideia ao utilizarem dinâmicas e jogos adaptados, além de atividades que valorizam as experiências pessoais dos alunos, como forma de estimular o engajamento e a troca de saberes entre eles.
Além disso, conforme apontado por Cervo, Bervian e Silva (2006), a EJA deve incorporar temas sociais e culturais em seu currículo, pois a inclusão de tais temas contribui para tornar o conteúdo mais atrativo e funcional. As professoras entrevistadas ressaltaram a importância de temas culturais e sociais para a formação de cidadãos críticos e conscientes, o que vai ao encontro do objetivo da EJA de promover a cidadania e ampliar a visão de mundo dos alunos. Esses temas ajudam a conectar o conhecimento adquirido com a realidade dos estudantes, fazendo com que o aprendizado ultrapasse os limites da sala de aula e alcance a vida cotidiana dos alunos.
A relação entre educação e cidadania, amplamente abordada por Freire (1987), se concretiza na EJA, onde os alunos, ao retomarem seus estudos, têm a oportunidade de se preparar melhor para o mercado de trabalho e para a participação ativa na sociedade. O estudo da EJA na Escola Francisco Sá evidencia que, por meio da educação, os alunos se tornam mais conscientes de seus direitos e deveres, o que, segundo as professoras entrevistadas, possibilita que eles contribuam ativamente para suas comunidades e famílias.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo seguiu uma abordagem qualitativa, na qual foram realizadas entrevistas e observações diretas no ambiente de uma turma de EJA na Escola Francisco Sá, localizada em Pentecoste, Ceará. A coleta de dados ocorreu entre os meses de agosto e setembro, com o objetivo de entender as percepções, desafios e expectativas dos alunos e professores envolvidos na EJA.
As entrevistas foram conduzidas com dois professores e um aluno da EJA, utilizando um roteiro com dez perguntas abertas, elaborado com o intuito de explorar temas como motivação, desafios enfrentados, metodologias pedagógicas, inclusão de temas sociais e culturais e percepções sobre a relação entre educação e cidadania. O aluno entrevistado foi questionado sobre suas motivações para voltar a estudar, os desafios que enfrenta e suas expectativas, enquanto as professoras foram convidadas a refletir sobre suas práticas pedagógicas, metodologias ativas aplicadas, e os desafios e oportunidades que encontram no ensino de EJA. Cada entrevista teve duração média de 20 minutos e foi conduzida de forma presencial, assegurando um ambiente acolhedor e propício para que os participantes se sentissem confortáveis em compartilhar suas experiências.
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