TOYOTA: A INSPIRAÇÃO JAPONESA E OS CAMINHOS DO CONSENTIMENTO - RESUMO
Por: Ana.Raquel • 20/11/2015 • Seminário • 5.654 Palavras (23 Páginas) • 605 Visualizações
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Universidade Federal de Campina Grande
Unidade Acadêmica de Ciências Sociais
Disciplina: Organização do Trabalho
Professora: Marileide Mota
TOYOTA: A INSPIRAÇÃO JAPONESA E OS CAMINHOS DO CONSENTIMENTO - RESUMO
Equipe: Anna Raquel
Anna C. Fonseca
Beatriz Farias
Bruno Pierre
Ian Agra
Mylena Baía
Stefane Nogueira
Campina Grande – PB, 10 de novembro de 2015
INTRODUÇÃO
A empresa Toyota Motor Company está instalada no Brasil desde o final da década de 1950, em São Bernardo do Campo – SP. Até o final do século XX, a empresa Toyota consolidou sua posição como a primeira empresa automobilística do Japão. Porém nessa trajetória, se notabilizou por desenvolver uma forma de gestão específica denominada toyotismo.
O artigo pretende registrar a experiência de implantação dessa forma de gestão no Brasil, por meio da construção da segunda unidade de produção, em Indaiatuba (SP), identificando a especificidade das estratégias de controle e disciplina que visam quebrar as resistências dos trabalhadores, impondo como modelo, o trabalhador colaborador e a empresa como o ambiente onde pode aflorar o consenso social.
CONTEXTO NACIONAL E MUNDIAL
Enquanto a Toyota crescia e se consolidava em território nacional, nos anos de 1950 em diante, o Brasil passa pela ditadura militar, urbanização e industrialização; movimentos sociais no campo e na cidade; Campanhas Diretas já e o retorno á democracia; fundação de partidos políticos, destacando-se o surgimento do Partido dos Trabalhadores-PT.
O Brasil que entrou na trilha do desenvolvimento, estava servindo de base exploratória para as empresas transnacionais, aumentando a desigualdade social e o endividamento externo. Porém com mudanças, políticas, sociais e culturais ocorriam no Brasil que buscava completar o processo de modernização, o capitalismo mundial já tinha passado por momentos complexos como a Guerra Fria, trinta anos dourados, o Welfare State, maio de 68. Surgem Margaret Thatcher e Ronald Reagan, cujos governos vão canalizar a crítica ao conjunto de ideias e práticas legitimadas pelos movimentos sociais e pelas conquistas dos trabalhadores organizados.
Início do neoliberalismo, globalização, reestruturação produtiva; o Brasil precisava incorporar novas tecnologias, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade dos seus produtos para ficar mais competitivo no mercado internacional. Para isso, o Brasil deveria atrair as multinacionais, principalmente as do setor automobilístico, resolver a questão do desemprego, bancar a abertura comercial.
O TOYOTISMO NA UNIDADE PRODUTIVA DE INDAIATUBA
A Unidade produtiva de Indaiatuba surgiu na segunda metade da década de 1990 e desenvolveu o sistema Toyota de produção, em um contexto diferente ao contexto japonês. Indaiatuba está localizada próxima ao município de Campinas, que até o final da década de 1990 já era um polo tecnológico que atraia várias empresas como a Honda e a própria Toyota; possuía uma considerável massa de trabalhadores qualificados entrando em contraste com o crescimento do desemprego e da precarização. A Toyota no Brasil apresenta algumas especificidades, procurando formar um novo tipo de trabalhador e buscando criar o sentimento de pertencimento á comunidade Toyota, através do desenvolvimento de atividades de lazer nos fins de semana.
A Toyota contrata moradores da própria Indaiatuba sem registros de empregos anteriores. Os executivos da nova unidade pretendem fazer com que os operários e a comunidade se encantem com a fábrica, principalmente com o uso do discurso da democracia entre os operários, através da participação do trabalhador no processo produtivo.
A Toyota do Brasil realiza contratos com pequenas e médias empresas para que estas produzam os componentes necessários á montagem dos seus projetos, sendo que por meio destes contratos, a Toyota poderia se interferir na contratada, reformulando seus programas de produção para que opere de forma similar a Toyota. Com a aplicação dos métodos toyotistas, a produção aumentou quase 100%; de 20 carros passou a produzir 38 anos por dia, com uma média de 13 minutos por carro, tendo assim que implantar um segundo turno de produção.
O número de trabalhadores que deixavam a Toyota crescia rapidamente, e no primeiro ano atingiu 25%. Para resolver esse problema, a empresa passou a engajar, em massa, trabalhadores temporários. Nessa situação crítica, a Toyota recorre ao sindicato para tentar reorganizar o sistema de produção, principalmente o trabalho na linha de montagem e a gestão do trabalho, de forma que ele fosse mais tolerado pelos operários.
Então se pode afirmar que, em primeiro lugar, os sindicatos classistas combativos e as conjunturas de tendência ao pleno emprego são limites ao desenvolvimento do toyotismo, e em segundo lugar, que os operários não vão para a Toyota ansiosos para fazer parte da “família” da empresa. Sendo assim, a empresa que passa a praticar o toyotismo será fortalecida em épocas de depressão econômica, ou seja, quando existe escassez de oportunidades de trabalho, salários baixos e desmobilização sindical, podendo controlar e pressionar os trabalhadores de modo a construir o envolvimento de forma desfavorável em relação a eles.
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