RESUMO DO TEXTO MODERNIDADE, RACIONALIDADE E EDUCAÇÃO: A RESCONSTRUÇÃO DA TEORIA CRÍTICA POR HABERMAS
Por: Fernandamuraro • 13/12/2017 • Trabalho acadêmico • 1.409 Palavras (6 Páginas) • 544 Visualizações
RESUMO DO TEXTO MODERNIDADE, RACIONALIDADE E EDUCAÇÃO: A RECONSTRUÇÃO DA TEORIA CRÍTICA POR HABERMAS
O estudo de Habermas sobre as instituições e sobre as ações de indivíduos e de grupos remetem para a reflexão sobre a modernidade e sobre a racionalidade nela predominante. É no interior do projeto da modernidade, nascido com o Iluminismo, que Habermas busca os fundamentos que darão sustentação à sua teoria crítica.
No artigo, pretende-se sintetizar as críticas de Habermas ao projeto de modernidade e identificar algumas ideias fundamentais que apontam para uma visão renovada de educação. Tem-se como finalidade vislumbrar referenciais para a construção de uma teoria educativa que se fundamente nos pressupostos habermasianos da análise crítica da realidade imediata, da autonomia racional pela competência comunicativa e da auto-realização ética.
A RECONSTRUÇÃO DA TEORIA CRÍTICA POR HABERMAS
Habermas é herdeiro da teoria crítica e tem a preocupação de dar continuidade ao projeto lançado pelos intelectuais da primeira geração.
A racionalidade, além da dimensão instrumental, técnica (que atualmente predomina nas relações sociais), é constituída pela dimensão comunicativa, que apresenta a possibilidade de a humanidade poder reconstruir o projeto da modernidade e de restabelecer o caráter emancipador da razão.
O empreendimento lançado pela teoria crítica da exploração das interconexões entre economia, sociedade, cultura e personalidade, bem como das estruturas autoritárias da sociedade contemporânea é o principal tema do seu trabalho.
A pretensão da teoria crítica é recuperar nas origens do pensamento ocidental aqueles elementos da racionalidade que se ocupavam das questões dos valores, dos juízos e dos interesses da humanidade; pretende dar uma nova sustentação ao pensamento filosófico e sociológico contemporâneo.
A teoria crítica nesse seu intento de reconstrução da racionalidade ocidental fez um diagnóstico aprofundado das patologias da modernidade. Habermas é herdeiro dessa crítica. Ele se aproxima, de um lado, da tradição da teoria crítica, dando continuidade ao desafio de levar ao extremo a crítica à razão, mas rompe com ela quando busca reconstruí-la com base em um conceito de racionalidade fundamentado no paradigma da linguagem. Habermas assume o pressuposto de que o problema da teoria crítica está nos meios teóricos utilizados, uma vez que esta se sustenta em um conceito reducionista de razão, a razão técnico instrumental, cuja principal característica é o domínio do sujeito sobre o objeto.
Habermas identifica três pontos débeis da teoria crítica que precisam ser retomados: a fundamentação da normatividade, a reconstrução do conceito de verdade e a revalorização do Estado democrático de direito.
O autor identifica três interesses constitutivos de saber: o técnico, o prático e o emancipatório. O interesse técnico é o que determina a busca de saberes pelos seres humanos no sentido de adquirirem um controle técnico sobre os objetos naturais; o segundo interesse constitutivo nasce do entendimento dos significados sociais que constituem a cotidianidade dos homens e o terceiro interesse, Habermas identifica como emancipatório e esse torna possível a ação comunicativa, a interação social e a constituição de uma ciência social crítica.
Na fase inicial de sua produção teórica, Habermas está convencido de que a crítica à ideologia é o papel fundamental da teoria social.
Na busca da reconstrução da ciência social, Habermas concilia a visão interpretativo-hermenêutica com a visão explicativo-causal do empirismo; considera o postulado interpretativo como fonte importante de conhecimento das ações subjetivas. A visão habermasiana da explicação causal que se embasa nos interesses e necessidades supera a ideia positivista do fenômeno social como um fato isolado da ação humana: os fenômenos sociais são produções humanas historicamente localizadas, específicas e genuínas, geradas pela mediação dos atos da fala.
O método proposto por Habermas fixa sua atenção sobre a constituição da realidade social e das formas de conhecimentos produzidas no interior de cada sociedade pelos diversos grupos sociais que a constituem. Para Habermas, há um vínculo dialético entre conhecimento e interesse. São dois os interesses fundamentais da reprodução e da auto-constituição da espécie humana: o trabalho e a interação. Por isso, na construção da teoria crítica, deve receber especial atenção o modo de constituição do real e do saber através dos interesses trabalho e interação.
As ações linguísticas apresentam duas características genuínas na compreensão habermasiana: a reflexibilidade e o entendimento imanente. Os atos da fala possuem caráter do entendimento pois, para se colocarem em comunicação entre si, emissor e interlocutor devem estabelecer uma relação de reciprocidade, isto é, de entendimento em busca do consenso. Em síntese, o entendimento depende de que haja uma compreensão semelhante acerca de uma expressão linguística. A reflexibilidade, por seu turno, reside no fato de o significado da expressão poder ser questionado e a explicitação das razões do enunciado torna-se possível pelo caráter auto-reflexivo da linguagem.
Em Habermas, a Teoria da Modernidade é parte integrante da Teoria da Ação comunicativa. Na concepção de modernidade, o autor conserva viva a ideia iluminista da evolução da aprendizagem no processo da organização social; considera que, à semelhança do desenvolvimento individual (Piaget), as sociedades têm a capacidade do aprendizado , superando princípios de organização mais simples e menos eficazes e atingindo princípios mais complexos e universais; identifica um progressivo descentramento nos planos social, cultural e da personalidade, decorrentes da introdução e do desenvolvimento evolutivo de processos argumentativos.
Na leitura que empreende, Habermas procura explicar que, apesar das patologias existentes na modernidade, mantém-se o processo de emancipação na história
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