‘’Da divisão do trabalho social’’
Por: Janaína Carvalho • 29/4/2018 • Resenha • 1.075 Palavras (5 Páginas) • 263 Visualizações
Resumo do texto “Da(s) cultura(s) de ensino ao ensino da(s) cultura(s) na aula de Língua Estrangeira”
- A escola e as culturas de ensino
As culturas de ensino fornecem estratégias específicas que são desenvolvidas ao longo do tempo de maneira relativamente invariável, pois “compreendem valores, hábitos e formas assumidas de fazer as coisas em comunidades de professores que tiveram de lidar com exigências e constrangimentos semelhantes ao longo de muitos anos” (Hargreaves, 1998: 185). Estamos conscientes, enquanto formadoras de professores, que a manutenção das crenças, dos valores e das atitudes conseguidos
durante a formação inicial dos docentes depende de mudanças prévias ou paralelas nas formas de os professores se relacionarem, isto é, depende das culturas docentes (Hargreaves, idem).
Dentro e fora da escola, a cultura é um bem a partilhar e desenvolver. Hargreaves (1994/1998) fala de conteúdo e forma das culturas. O conteúdo são valores, crenças, hábitos e o modo de fazer as coisas que um grupo partilha. A forma são padrões de relacionamento. Assim, as mudanças dos mesmos podem depender de mudanças prévias ou paralelas nas formas de relação entre seus elementos. pelo que compreender a forma das culturas é vital para a compreensão das possibilidades de desenvolvimento e de mudança educativa.
- A escola, uma encruzilhada de culturas.
É urgente que a escola se torne um local de fenômenos de socialização e de educação. A escola terá, assim, uma "configuración sistémica, carácter indeterminado
y ambiguo, abierto a la interpretación, naturaleza implícita de los contenidos, relevancia vital de sus determinaciones, ambivalencia de sus influjos, que representan
tanto plataformas que abren posibilidades como marcos que restringem perspectiva"
(Pérez Gómes, 1998: 16). As diferentes culturas que se cruzam na escola “impregnan el sentido de los intercambios y el valor de las transacciones simbólicas en medio de las cuales se desarrolla la construcción de significados de cada individuo" (Pérez Gómes, idem: 16), transformando-a em um espaço e cruzamento de culturas com a responsabilidade da “mediação reflexiva”(Pérez Gómes, ibidem: 17). Esta lhe confere identidade e autonomia, pois enquanto local de cruzamento de cuturas, a escola faz com que esse conhecimento do outro caracterize o sentido daquilo que os alunos(as) aprendem na sua vida escolar.
2.1 Cultura crítica, cultura social e cultura institucional
As culturas que se cruzam nas escolas são a cultura crítica, a cultura social e a cultura institucional. recorremos a elas por entendermos que viabilizam uma descodificação conceptual e se podem tornar num instrumento teórico e numa linha de análise que abre horizontes para a indagação dos fenómenos que configuram a vida nas aulas e na instituição educativa. A cultura crítica é constituída pelas propostas apresentadas pelas disciplinas científicas, artísticas e filosóficas; é a “alta cultura”, a cultura intelectual, o "conjunto de significados y producciones que en los diferentes ámbitos del saber y del hacer han ido acumulando los grupos humanos a lo largo de la historia (...) [que] evoluciona y se transforma a lo largo del tiempo y es diferente para los distintos grupos humanos" (Pérez Gómes, ibidem: 19).
A cultura social é “al conjunto de significados y comportamientos hegemónicos en el contexto social, que es hoy indudablemente un contexto internacional de intercambios e interdependencias" (Pérez Gómes, ibidem: 79). É composta pelos valores, normas, ideias, instituições e comportamentos que dominam as relações humanas nas sociedades democráticas sujeitas às leis do livre mercado.
A cultura institucional representa as pressões presentes nos papéis, normas, rotinas e rituais próprios da escola como instituição social específica. Compreender a cultura institucional da escola exige uma relação entre os aspectos macro e micro, entre a política educativa e as interacções peculiares que definem a vida da escola.
- A aula de língua estrangeira: um espaço cultural, por excelência
Hoje, a aula de língua estrangeira constitui-se como um espaço de interação cultural, evidenciando a heterogeneidade das pessoas detectáveis não só no conhecimento e no uso da língua em estudo, mas também no aspecto sócio-relacional que ela instaura.
A língua é resultado e meio de socialização(Vygotsky, 1962) que não deixa de, na mesma, se construir. Fruto de convenções (linguístico-culturais) de índole social, o seu uso colectivo garante-lhe a força necessária da consolidação, da sobrevivência e da necessidade, de que a sala de aula de LE procura dar eco.
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