FAMÍLIA E TRABALHO NA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA: AUSÊNCIA DE POLÍTICAS DE EMPREGO E DETEORIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE VIDA
Dissertações: FAMÍLIA E TRABALHO NA REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA: AUSÊNCIA DE POLÍTICAS DE EMPREGO E DETEORIZAÇÃO DAS CONDIÇÕES DE VIDA. Pesquise 861.000+ trabalhos acadêmicosPor: katia2015 • 26/3/2015 • 2.321 Palavras (10 Páginas) • 307 Visualizações
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho tem o objetivo de oportunizar uma discussão reflexiva sobre a família e sua nova configuração na sociedade contemporânea. Para isso a realização do mesmo teve como referência os textos: “Tendências do mercado de trabalho nos anos 90” e “Mudanças e permanências na relação família trabalho”.
Os textos propostos abordam de maneira articulada as transformações da família e as transformações do mercado de trabalho sob o processo de reestruturação das atividades econômicas ocorridas no Brasil na década de 90.
A partir dessa perspectiva pretende-se conhecer de que maneiras as famílias são afetadas e se reorganizam em sua inserção no mercado nesse período sob os impactos das oscilações da economia sobre o mercado de trabalho e do processo de reestruturação produtiva e organizacional que vem afetando diferencialmente o emprego de homens e mulheres.
O texto faz referência que a pequena expansão das oportunidades de trabalho observada nos anos 90, associada ao crescente desemprego dos principais mantenedores da família levou a que se estabelecessem novos arranjos familiares de inserção no mercado de trabalho. Todavia esses rearranjos refletiram no deslocamento da responsabilidade de manutenção da família dos principais mantenedores - segundo os padrões e maior partilhamento desta com os outros componentes do grupo familiar, especialmente com a mulher-cônjuge.
O estudo relaciona o empobrecimento para os diferentes tipos de família tanto à deterioração que ocorre no emprego nesse período, como aos rearranjos de inserção familiar que passam a ser estabelecidos e que nem sempre conseguem manter os níveis de rendimento familiar em decorrência das distintas vantagens e restrições de inserção no mercado associadas ao sexo e às atribuições familiares de cada integrante.
2. DESENVOLVIMENTO
Os textos “Tendências do mercado de trabalho nos anos 90” e “Mudanças e permanências na relação família trabalho”propostos como referência para a realização deste trabalho possui como aspectos norteadores três aspectos. São eles: A divisão social do trabalho, As relações familiares na contemporaneidade e Mulher, mercado de trabalho e as configurações familiares do século XX.
2.1 DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO
De acordo com o texto proposto identificou-se que nos anos 90 economia brasileira passava por modificações relevantes como a abertura da economia ao fluxo de comércio e de capitais internacionais, queda na taxa de inflação e redução da presença do Estado na economia. Era um período caracterizado pela elevada instabilidade monetária, incerteza nas decisões empresariais e elevada insegurança para os trabalhadores. Tais mudanças estruturais implicaram em efeitos significativos sobre o ritmo e a estrutura do crescimento da economia brasileiro que por sua vez afetaram o desempenho do mercado de trabalho de forma significativa.
Estas transformações tanto na economia quanto no mercado tiveram conseqüências nos arranjos familiares que acarretaram mudanças nas relações hierárquicas e nas condições de sobrevivência da família brasileira.
O texto aponta que dentro desse processo de transformação econômica e mercadológica levam destaque as respostas do mercado de trabalho aos momentos de recessão e expansão. E diante desse cenário é destacado ainda a busca das empresas em garantir competitividade através de seu ajuste aos requisitos das novas formas de gestão e produção.
Na década de 90 o mercado de trabalho apresentou algumas tendências como a queda no emprego nas indústrias foi compensada pelo aumento do emprego nos serviços e no comércio. Verificando-se que apesar disso foi gerado a elevação do nível de desemprego que fazia crescer a informalização do trabalho tornando menor a parcela de pessoas com emprego regular. Onde o texto menciona que estas tendências introduzidas a partir da reestruturação produtiva revelaram em contrapartida a dinâmica do nível da economia brasileira que afetou de forma negativa em todos os níveis de emprego.
Na década de 90 as inovações tecnológicas e organizacionais passam a expandir-se na economia brasileira passando a ser difundida na indústria os programas de cunho flexível, como forma de reduzir custos e aumentar a produtividade. Conseqüentemente, a adesão às inovações tecnológicas organizacionais e gerenciais começa a atingir um número maior de trabalhadores.
E nesse sentido, a reestruturação do processo produtivo das empresas conduz a redução de despesas, na maioria das situações, por meio de demissão de trabalhadores como forma de reajustar-se face às necessidades impostas pelo mercado.
Segundo Antunes (1998, p. 41-42),
O mais brutal resultado dessas transformações é a expansão, sem precedentes na era moderna, do desemprego estrutural, que atinge o mundo em escala global. Pode-se dizer, de maneira sintética, que há uma processualidade contraditória que, de um lado, reduz o operariado industrial e fabril; de outro, aumenta o subproletariado, o trabalho precário e o assalariamento no setor de serviços. Incorpora o trabalho feminino e exclui os mais jovens e os mais velhos. Há, portanto, um processo de maior heterogeneização, fragmentação e complexificação da classe trabalhadora.
LLORENS (2001, p. 56) acrescenta:
[...] no que tange ao emprego, cabe assinalar o impacto da introdução de inovações tecnológicas no sentido de provocar uma modificação de conteúdos e qualificações da força de trabalho, assim como uma alteração substancial da organização do trabalho, com tendências para maior heterogeneidade do mercado de trabalho, precariedade nos empregos (fundamentalmente na mão-de-obra-não-qualificada) e incremento da informalidade contratual.
Para IAMAMOTO (1998), a partir desta conjuntura de reestruturação de reestruturação da produção e das leis do mercado, os trabalhadores são cooptados a cooperar com o acúmulo do capital e ainda usar seu potencial de forma participativa e lucrativa.
Portanto pode-se dizer que em decorrência dessa nova abordagem das relações entre empregador e empregado, cujo eixo principal reside na idéia de que o trabalhador deve dar o melhor de si para o bem de todos e da empresa, tomam-se medidas cujo único objetivo é o aumento da lucratividade através de maior exploração do trabalho.
Esse impacto das novas tecnologias afeta não só o indivíduo como trabalhador e detentor da força do trabalho, mas como pessoa. Afeta a sua vida particular, de sua família,
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